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14. Capítulo XIV


Fic: Harry Potter e o destino de uma amizade


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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No meado de outubro, os ventos frios invadiram os ares, anunciando que o inverno já não estava tão distante. Estavam no fim de uma tarde de sábado, dia vinte de outubro, mais precisamente. Ainda naquele dia havia acontecido o jogo entre Sonserina e Corvinal, onde a Sonserina ganhou por uma diferença de setenta pontos. Os alunos sextanistas e setimanistas estavam ansiosos para o Baile das Bruxas, que agora estava muito próximo. Gina também não conseguia esconder sua ansiedade, coisa que deixava os outros intrigados.

Eles estavam no salão comunal preparando uma lista de feitiços que Lupin havia mandado ainda no dia anterior, durante uma de suas aulas extras com os garotos.

- Vai ver o Neville tenha convidado a Gina de novo – sugeriu Rony, rindo-se.

- Não, Rony! Eu vi quando o Neville convidou a Padma Patil. E além de tudo, ela mesma disse que não foi o Neville – informou Hermione. – Mas se não é com nenhum dos meninos do sexto ano, com quem será que ela vai?

- Não me perguntem! Não faço a menor ideia – comentou Harry, voltando a atenção para suas anotações. Hermione fez o mesmo. – Mione, podemos acrescentar também os feitiços que já conhecíamos antes de começar as aulas. O Lupin disse que também seriam necessários.

- E com quem vocês vão? – perguntou Rony, curioso.

- Rony, faça suas anotações e esqueça o Baile por um minuto! – bradou Hermione. – Você ainda não fez nada!

- Ok. Mas com quem vocês vão? – repetiu o ruivo.

- Eu já disse que não vou dizer! Não tenho obrigação de contar tudo o que faço ou deixo de fazer a você, sabia? Não tenho ninguém pra ficar monitorando minha vida. Sei me cuidar perfeitamente sozinha, ok? – Hermione já estava nervosa com aquilo. Rony não parava de perguntar com quem ela iria ao Baile.

- Você decididamente não gosta de dizer com quem vai a nenhum lugar. Foi a mesma coisa no nosso quarto ano! Por que não conta? Por acaso acha que vou dizer para não ir com ele? – fez Rony rispidamente.

- Rony, não enche! – replicou Hermione.

- Bom, já que nossa querida Hermione não quer contar com quem ela vai ao Baile... – começou Rony.

- Nem me pergunte! Também não vou responder – antecipou-se Harry. Rony ia abrir a boca para contestar, mas Harry continuou. – Espere e verá!

- Como vocês quiserem... – e calou-se.

Continuaram preenchendo as listas e fazendo anotações sobre os efeitos que aqueles feitiços faziam. O silêncio já fazia parte do aposento há alguns minutos e foi quebrado por Rony, novamente.

- E o que vocês acharam da suposta mudança do Malfoy? – perguntou.

- De certa forma acredito nele, afinal a família dele sempre foi complicada – disse Hermione, com sinceridade. – Mas não digo que já tenho plena e total confiança nele! Melhor nos aproximarmos aos poucos, sondarmos o terreno e vermos se realmente podemos acreditar no que ele diz.

- Bom, eu ainda tenho minhas desconfianças, mas nos últimos dias que passamos interagindo com ele... É, ele até me pareceu amigável. Eu só o acho um tanto... Calado demais! – Harry respondeu parecendo ponderar.

- Eu posso falar o que eu acho? Primeiramente quero colocar que ele está diferente, não posso negar. Pareceu-me bastante legal nas duas últimas semanas, tanto que vocês viram quando eu, por impulso, mandei ficar com a minha irmã no dia do passeio a Hogsmeade. Mas ainda quero distância dele! Enquanto ele não provar tudo o que disse, eu não aceito essa conversinha dele... Na verdade, ainda não consegui engolir a prima dele. Ela pode ser gatinha e toda boazinha, mas até que se prove o contrário, nada feito! – Rony gesticulava a cada frase, como se quisesse descrever melhor tudo o que dizia.

- Será que ele tem como provar? E a Bebel é tão legal, Rony! Você nunca falou com ela e nem ao menos a conheceu, então não é digno de tocar o nome dela na conversa. – Hermione levantou a cabeça bruscamente para encarar o garoto.

- Se vocês estiverem querendo brigar, avisem porque saio daqui imediatamente – avisou Harry.

- Tudo bem! Eu acho que já terminei, Harry. Veja! – Hermione mostrou a lista ao garoto.

- Perfeito! Eu também já tinha terminado só estava pensando um pouco para ver se não esqueci de alguns feitiços... Mas a propósito, você esqueceu de colocar esses aqui. – Harry mostrou em sua lista dois feitiços que a garota esquecera.

- Hum... Não me lembrava destes! Obrigada – agradeceu.

- Quantos feitiços vocês colocaram? – perguntou Rony contando os seus. – Eu coloquei quarenta e sete.

- Setenta e seis – respondeu Harry.

- Cento e dois, acrescentando os dois que Harry mostrou, cento e quatro – Hermione respondeu terminando de escrever os dois últimos feitiços. – Mas não peça para copiar, afinal você só pode colocar os que você realmente conhece.

- Ok – disse Rony simplesmente, pouco ligando para o comentário da amiga. – Estou com fome! – murmurou, baixinho.

- 19h30. Acho melhor descermos para o jantar – comentou Hermione após consultar o relógio de pulso.

- Pra que dia são essas anotações dos feitiços que Lupin mandou, Mione? – perguntou Rony antes de se levantar.

- Para a próxima sexta-feira – respondeu a garota calmamente, recolhendo seu material e se levantando.

- Sexta-feira?! – repetiu o ruivo.

- Exatamente – dessa vez foi Harry quem disse. – Por quê?

- Como é que vocês dois me obrigam a fazer essa lista imensa durante o final de tarde de sábado, sendo esta lista somente para sexta-feira da próxima semana? – perguntou Rony incrédulo.

- E você queria o quê? Que deixássemos você para fazer de última hora para ficar parecendo um louco correndo atrás do tempo perdido como sempre fez? Você queria que deixássemos você ir dormir depois da meia noite e que fizesse seus deveres sozinho? – Hermione disparou.

- Calma, Mione! – pediu Harry.

- Calma, nada, Harry! – Ela se virou para o amigo. – Nós sempre estamos conversando com o Rony sobre isso, mas parece que ele nunca entende, não é mesmo? Então que continuemos a repetir a mesma coisa todos os dias... Lógico que não! Eu não sou babá de ninguém e muito menos de Ronald Billius Weasley! – E na menção do nome do outro, que se encolhia a cada palavra da garota, voltou-se novamente para o mesmo. – Você acha que tem quantos anos, Rony? – perguntou tentando manter a calma. – Três? Cinco? Mas se acha isso, está precisando aprender a contar, não acha?

E depois disto, os dois começaram a discutir ferozmente, quase partindo para a briga anatomista.

- Chega! – gritou Harry, chamando a atenção dos poucos alunos que se encontravam no salão comunal. Os amigos se viraram para ele paralisados. – Vocês não cansam? – perguntou, incrédulo.

- Ah... Desculpa, Harry! – pediu Hermione baixando os olhos e corando, mostrando-se realmente culpada, sabia que o que haviam feito (ela e Rony) era errado.

- Foi mal, cara! Mas ela que começou... – Rony fazia cara de furioso e culpado, ao mesmo tempo.

Hermione se virou subitamente para o ruivo, mas permaneceu calada.

- Harry, eu vou indo. Marquei com Lu de me encontrar com ela na Sala Precisa. Vemos-nos mais tarde! – ao passar por Hermione, Rony apenas ergueu as sobrancelhas.

- Eu juro que um dia ele vai me escutar! – disse Hermione cerrando os punhos.

- Mione, você tem mesmo certeza de que não gosta do Rony? – perguntou Harry hesitante.

Hermione virou-se incrédula para o amigo, sobrancelhas franzidas e mexendo a boca sem produzir palavra alguma.

- Eu... Acho que você é outro que não está bem, não é? – Hermione fez cara de interrogação, cruzando os braços.

- Hum...

- Não confia em mim? – Olhou-o diretamente nos olhos. – Harry, eu já te disse que seria uma coisa basicamente impossível de acontecer... Eu apaixonada pelo Rony? Vai sonhando! – E riu sozinha.

Harry a olhou atentamente. Sabia que ela não estava mentindo, sabia que ela não gostava de Rony, mas tinha que perguntar, não é mesmo? Afinal, ela sempre brigava com Rony, sempre falava coisas que não eram claras e às vezes ficava confusa. Percebeu que ela estava realmente incrédula momentos antes, que não conseguiu encontrar palavras para adverti-lo, mas foi uma cena realmente engraçada. A confusão entre eles era tamanha que eles viviam a se divertir e brincar sem nem ao menos perceberem, aquela conexão que tinham era forte.

- O que você tem? – perguntou Hermione ao perceber o garoto observando-a calado, já há alguns minutos. – Eu sei que sou linda, obrigada! – disse risonha.

- Ih... – Harry fez cara de quem estava estranhando, uma cara que a fez parar de rir. – Calma! Você é linda sim... Linda e inteligente! Combinação perfeita, não? – aproximou-se dela e a abraçou. Os dois olhavam-se olho no olho, que os deixavam próximos demais. Ficaram daquela maneira por pouco tempo, não aguentariam tamanha proximidade por muito tempo, pois acabariam por não resistir e... – Melhor descermos...

- Vamos? – chamou a garota.

E os dois desceram para o salão principal. Andavam conversando animadamente pelos corredores silenciosos e vazios. Imaginando que todos já estivessem no salão principal, continuavam a seguir. Mas estavam enganados... Em alguns trechos, mais escuros do castelo, viam casais se beijando às escondidas. Eram cenas engraçadas, eles paravam para observar e riam juntos com aquela situação. Entreolhavam-se e balançavam negativamente com a cabeça, recomeçando a andar.

- Estranho, não? – fez Hermione.

- O quê? – perguntou Harry, sem entender.

- Dumbledore não mais nos chamou... Isso é estranho!

- Um mês e nada, não? Algo deve ter acontecido, ou quem sabe, não deve ter acontecido... – sugeriu Harry. – Talvez não tenha novas informações quanto à Voldemort.

- É... Talvez!

Ao chegarem ao grande salão, sentaram-se à mesa, Harry ao lado de Rony e Hermione ao lado de Gina, de frente para Harry. Mal começaram a conversar com os amigos e Colin apareceu, com Edwiges pendurada em um de seus braços.

- Harry! Mandaram entregar a coruja a você – informou o loiro, estendendo o braço para colocar a coruja sobre a mesa.

Hermione notou que em uma das patas de Edwiges, encontravam-se duas cartas. Pegou Edwiges no colo, como que para fazer carinho na coruja.

- E quem...? – começou Harry.

- Acho melhor você mesmo ver, Harry. Pediram segredo! – respondeu Colin rapidamente.

Enquanto os garotos conversavam, Hermione analisava silenciosamente os remetentes das cartas. Notou que um dos pergaminhos estava em branco e estava enrolado e preso elegantemente por uma bela fita de cor marrom avermelhada, enquanto o outro estava igualmente enrolado e preso por uma fita azul marinho, com os dizeres ‘Para Harry Potter’ escritos caprichosamente em preto. Julgou que o primeiro pergaminho fosse de Dumbledore por conta da formalidade, mas imaginou que a letra contida no segundo fosse de alguma garota, então arrancou o pergaminho da perna da coruja e guardou-o no interior das vestes.

- Obrigado, Colin! – agradeceu Harry depois de mais alguns segundos conversando.

- Não foi nada, Harry! Tchau! – E saiu.

Quase que automaticamente, Hermione depositou Edwiges sobre a mesa novamente e voltou a comer, tentando disfarçar como se estivesse apenas um pouco interessada. Lançou um olhar significante a Harry, que a olhava. O garoto pegou Edwiges e pousou-a sobre o ombro, terminando de comer.

Quando todos terminaram, Harry já estava muito mais curioso para saber o que se encontrava na carta. Já imaginava que fosse de Dumbledore, mas ainda assim, sentia-se no dever de lê-la o mais rápido possível. Conferiu o pergaminho, mesmo que externamente e viu que deveria ser importante.

- Hum... Eu acho que já vou! Vejo vocês mais tarde – E saiu, lançando um olhar significante a Hermione e Gina.

Hermione virou-se para ver se Rony estava observando, mas o garoto ainda comia a sobremesa, então ela resolveu que poderia falar com Gina sem que fossem percebidas.

- Gina, acho que Dumbledore vai nos chamar ainda hoje. – informou.

- Justo hoje? Por que não chamou durante todo esse tempo e tinha que chamar hoje? – perguntou Gina, o que fez Hermione lançar a ela um olhar desconfiado. – Estou cansada, Mione! Esta semana foi muito corrida para mim. Você sabe o que é ter aulas extras de várias matérias por conta de um pequeno atraso que os alunos do quinto ano sofreram? Você notou...?

- Eu sei, Gina. A professora McGonagall estava comentando com os professores outro dia que vocês estavam um pouco atrasados com alguns assuntos que cairiam nos N.O.M.’s. Eu notei que chegava depois das 19h no salão comunal... Tanto que estamos há uma semana sem estudar animagia, não é? – Hermione baixou a voz na menção da última frase.

- Garotas, eu também já vou! Vejo vocês depois – e Rony também se levantou, o que deu maior liberdade para as duas continuarem a conversa.

As duas assentiram brevemente e esperaram o ruivo se afastar.

- Mesmo assim, Gina. Acho que se ele nos chama, é porque algo de importante, muito importante mesmo, tem para nos dizer. Algo que não pode... – Hermione continuou.

- Sei, sei! Algo que não poderá ser adiado. – Gina riu-se.

- Ainda bem que você sabe, não é, dona Gina? – fez Hermione, divertida. – Acho melhor eu ir andando também. Preciso... Hum... Preciso falar com a Katie – inventou, enquanto se levantava. – Descanse enquanto isso. Creio que o Harry não demorará a nos procurar! Você viu o olhar que ele nos lançou antes de sair, não viu?

Séria e decidida, deixou o grande aposento pensando em onde iria para ler a carta que havia interceptado. Sabia que estava errada ao fazer aquilo com o amigo, mas era para o próprio bem dos dois.

- Aposto como o Rony e a Luna estão na Sala Precisa, Gina deve estar encarrapitada com a Rachell Smith em qualquer canto desse castelo e o Harry deve estar no salão comunal. Acho que o melhor lugar é o dormitório feminino, mesmo... – E seguiu para a torre da Grifinória.

Ao passar pelo retrato da mulher gorda, viu Harry sentado à poltrona, parecendo um tanto preocupado. Ela sentiu vontade de saber o que teria acontecido, o que havia na carta e tentar ajudar, mas se conteve. Antes de qualquer coisa, saberia quem havia enviado a outra carta para o amigo. Subiu as escadas sorrateiramente, sem fazer barulho para não chamar atenção e seguiu para o dormitório feminino do sexto ano. Adentrou o aposento, que estava vazio, e foi até sua cama, que ficava na mesma posição que a de Harry no dormitório masculino. Sentou-se na confortável cama e passou as cortinas cor de vinho à volta da mesma, pois assim, caso alguém entrasse no dormitório, não a notaria. Olhou pela janela, observando o céu, totalmente escuro com vários pontinhos brilhantes. Estava lindo!

Logo se lembrou da carta, a qual abriu e começou a ler com atenção.

Harry,


Mais uma vez estou lhe enviando uma carta e espero que entenda de uma vez por todas que gosto de você realmente. No último mês, desde quando retornamos a Hogwarts, percebi que você nem ao menos me notou, não me procurou e por estes motivos, não pudemos conversar. É uma situação delicada e complicada, eu sei, mas nós podemos tentar contornar isso e recomeçar. Infelizmente não é possível voltar atrás e consertar tudo o que fizemos, dissemos ou algum acontecimento, mas pensei bastante em tudo o que aconteceu entre nós no ano passado e vi a burrada que fiz ao te deixar daquele jeito. Acredito que ainda guarde mágoas e rancor para comigo, mas eu ainda estava muito sensibilizada com a perda do Cedrico e demasiadamente confusa, pois mal havia perdido o meu namorado e já me via gostando de outro, que, possivelmente, era um rival dele. Estava dividida entre guardar a morte e a memória do Ced ou em continuar e seguir com minha vida... Partir para outra! Eu já não sabia mais interpretar meus sentimentos em relação a você e a ele.
Gostaria muito de poder conversar com você, acertar tudo e que, no fim, pudéssemos ficar juntos e viver aquilo que deixamos para trás em um momento de muita confusão num dia chuvoso. Mas nem tudo é como queremos, nem tudo é fácil como parece... Foi naquele dia dos namorados que percebi o quão importante você havia se tornado para mim, não só como pessoa, mas também como aquele professor de todas as horas... Então brigamos mais uma vez e foi quando tive quase certeza de que fosse para sempre. Chorei, Harry... Chorei muito! Pensei então em tentar consertar o que havia de errado entre nós, depois lhe enviei aquela mensagem durante as férias a fim de esclarecer as coisas, tentar falar com você e dar mais uma oportunidade a nós dois, fazer você refletir sobre tudo o que aconteceu também. Mas não obtive resposta. Falar com você? Acho que estamos tocando os gênios... Antes eu vivia com várias amigas à minha volta, para onde quer que eu fosse, o que tornava difícil de VOCÊ falar comigo; e vejo que agora você não consegue mais andar sozinho, sempre está acompanhado pela Granger e pela Weasley. Claro que a Granger tinha que estar o tempo todo com você, em todos os lugares onde você está... Isso só me deixa com mais raiva dela, com mais ciúmes por ser ela e não EU. Sei que ela é sua amiga, sua melhor amiga, mas é uma força incontrolável!
É, Harry... a realidade é só esta. Estamos relativamente próximos e ao mesmo tempo tão distantes, não é mesmo? Algumas vezes me pego sonhando, meu pensamento voa e pousa sempre na mesma pessoa; justamente em um garoto de olhos verdes muito vivos e cabelos negros desgrenhados. É estranho estar aqui a escrever esta carta, mas o que me deixa em paz comigo mesma, é que estou aqui, colocando para fora tudo o que penso e sinto, aliviando minha dor e meu coração. Aguardo sua resposta, seja ela escrita, seja por meio de atos... Mesmo que seja para me dizer que não me quer mais, mas não me deixe sofrer calada. Dê-me mais essa chance!
Com carinho,

Cho Chang


Aquela conhecida onda de ódio e ciúmes invadiu o peito de Hermione, quando esta terminou de ler a carta. Era uma carta grande e, como a outra, demasiadamente apelativa e sempre demonstrava o quanto ela não gostava de Hermione pelo fato de Harry a ter como amiga. Embora Hermione houvesse rasgado a carta anterior, ela estava viva em sua memória, como um pensamento ruim que não deixa nossa cabeça de forma alguma. Ela ainda sabia exatamente todo o conteúdo da carta. De que forma? Ah, isso ela não sabia dizer... Se quisesse, conseguiria reproduzi-la novamente em um novo pergaminho, mas decidiu que não, pois se o fizesse, Harry poderia encontrar a carta e assim, abriria novas chances para a oriental.

Hermione podia parecer uma garota possessiva, mesmo com o que nem era seu, mas ela não ligava. Ele e Cho só ficariam juntos, se encontrariam, conversariam ou se comunicariam, da maneira que fosse, se ela deixasse, o que não aconteceria nunca. Depois de pensar nisso, ficava a se perguntar e repelir qualquer forma nova de ver o amigo, qualquer sentimento que pudesse se aproximar de uma paixão, do amor... Ela não queria nem podia se apaixonar. Era contra as suas prioridades. Principalmente se a pessoa por quem nutrisse tal sentimento fosse Harry. Sabia que as chances de a amizade deles ser abalada por um sentimento que nem ao menos deveria existir eram enormes. Ela não podia se apaixonar – ou ela não se perdoaria nunca!

A verdade era ela não sabia o que era se apaixonar e pretendia continuar assim. Ela sequer acreditava no amor! Mas ela também não sabia que não se escolhe por quem se apaixonar, não sabia que não se pode acabar com um sentimento assim, de uma hora para outra, e, principalmente, com o amor.

 “Não me importa se ele é Harry Potter, o que me importa é apenas o ser dele e não a pessoa. Se ele entrou na minha vida, é porque ele só sai se eu quiser... Mas o que mais me deixa confusa e que nunca tenho tempo para pensar ou discutir, é a conexão. O que será que nos liga tanto? Será que tem algo a ver com nosso destino, com o destino de nossa amizade?”, ela pensava.

A carta havia balançado a garota. Mexeu com ela.

Queimou-a em seu dormitório, para não correr o risco de alguém encontrá-la. O dormitório feminino era o lugar mais seguro em Hogwarts para se esconder algo de um garoto, pois apenas garotas entravam, mas com Lilá Brown e Parvati Patil ali, o risco era o de a escola inteira ficar sabendo a respeito daquela carta caso uma das duas a encontrasse.

Sem pensar em mais nada, saiu do dormitório decidida. Já estava ali há alguns minutos e sabia que Harry deveria estar procurando-a feito um louco. Só de pensar na cena, ela sorria como boba...

Não sabia nem onde começar a procurar, então resolveu descer para o salão comunal, talvez ele ainda estivesse por lá. Enganava-se. O salão comunal estava completamente deserto, como ela mesma pôde notar. Sentou-se na poltrona onde Harry se encontrava minutos antes, esfregando as mãos, nervosa. Onde ele estaria? E a resposta veio mais rápida do que ela imaginava. Com um ruído, o retrato da mulher gorda se abriu e pela passagem Harry entrou, seguido de perto por Gina. Os cabelos de Harry estavam demasiadamente desarrumados, as vestes amassadas e seu rosto molhado de suor refletia preocupação.

- Não falei que ela só podia estar aqui? – fez Gina cruzando os braços.

- Mione! Onde você estava? Estamos te procurando pelo castelo todo... – começou Harry.

- Não podem estar me procurando há muito tempo. Acredito que quando cheguei aqui, há uns quinze minutos, você ainda estava aqui, Harry – Hermione interrompeu.

- Você entrou aqui? Quando? – perguntou o garoto sem entender.

- Bom, eu... – ela hesitou. – Eu vim para cá e vi você sentado nesta mesma poltrona com uma expressão um pouco preocupada. Fiquei tentada em procurar saber o que Dumbledore queria conosco, mas eu tinha outras coisas para resolver, então subi direto sem fazer barulho e fiquei lá em cima por uns quinze minutos – contou.

- A que horas, exatamente, você veio para cá? – perguntou Gina.

- Acho que passavam das 20h30 – Hermione deu de ombros.

- E você diz que está aqui só há quinze minutos? – Gina riu-se. – Mione, o Harry está procurando por você comigo há quase uma hora. Você não sabe que horas são?

- Acredito que umas 21h, e vocês não podem estar me procurando há uma hora, porque Harry estava comigo e com o Rony aqui no salão comunal e a senhorita deveria estar por aí com a Smith...

- Mione, são 21h40 – replicou Harry. – O que a faz pensar que só passou quinze minutos lá em cima?

- Eu...

- Esquece! O que acontece é que já estávamos desesperados atrás de você e nada! Além disso, você também tem que saber o que o Dumbledore quer conosco – adiantou-se Gina.

- E...? – Hermione se interessou.

- Veja você mesma! – e Harry entregou o pergaminho à garota.


Harry, Hermione e Gina,


Sei que não os chamo ao meu escritório há mais de um mês e que este súbito chamado poderá estar deixando-os confusos e preocupados. Acontece que tudo me pareceu mais quieto nas últimas semanas, então resolvi que não poderia preocupá-los. São muito jovens, mas precisam estar atentos e saber o que acontece a sua volta. Infelizmente a situação se complicou. Por isso, quero os três em meu escritório às dez ainda hoje.
Não vou adiantar muitas informações. Vocês saberão quando vierem me encontrar. Houveram mudanças nos planos que precisam ser ajustadas em sua presença.
Atenciosamente,

Alvo Dumbledore

P.S.: feijõezinhos de todos os sabores.


- Precisam estar atentos e saber o que acontece a sua volta? – repetiu a garota temerosa. – O que isso pode significar? Harry...

- Calma, Mione! Também não é assim... – o moreno tentou acalmar a amiga, que o abraçou.

- Mas pode ser! – ela contestou.

- Ah, é tão bonitinho ver os dois abraçados assim... – comentou Gina.

- Não brinca com isso, Gina! Isso é coisa séria – disse Hermione soltando-se do amigo.

- Só disse que era bonitinho, algum problema?

Ninguém respondeu.

- Bom... Temos que ir a sala de Dumbledore daqui a apenas alguns minutos, então acho que devemos adiantar. De qualquer forma, vou subir e tomar um banho, afinal, vocês e nem eu podemos sair desta maneira, não acham? – Hermione virou-se para subir, mas então parou. – E sejam rápidos! Temos que ser pontuais.

Dizendo isso, a garota subiu as escadas velozmente. Os outros dois se entreolharam.

- Acho melhor fazermos o mesmo. Estamos um tanto... – Gina parou.

- Deu para entender – disse Harry. – Nos encontramos daqui a uns... dez minutos? – propôs.

- Ok – Gina respondeu sem rodeios e os dois subiram as escadas.

Passados os dez minutos marcados, Hermione já os esperava enquanto eles desciam as escadas.

- Demoraram, hein? – fez sem tirar os olhos do livro que lia.

- E se não quiser que cheguemos atrasados à sala de Dumbledore, é bom largar este livro – fez Gina, irônica.

Ninguém disse mais nada. Os três saíram da torre da Grifinória e seguiram pelos corredores, já desertos.

- E se...? – começou Gina.

Hermione a olhou, mas antes que pudesse dizer alguma coisa, Harry o fez.

- Dizemos que estamos fazendo a ronda. Nós somos monitores, esqueceu-se?

- Não lhe faltam desculpas, não é mesmo, Sr. Potter? – brincou Hermione.

- Como é? – Gina estranhou.

- Nada, Gina! Brincadeiras... – adiantou-se Harry.

- Hum...

Silenciaram e continuaram a caminhar. Restavam-lhes apenas dois minutos para chegar ao escritório do diretor.

- Deveria haver alguma forma de cortar caminho – comentou Gina.

- Não seja por isso! Descemos pelas escadas da torre de Astronomia – sugeriu Harry.

Ao chegarem à gárgula, Harry se adiantou.

- Feijõezinhos de todos os sabores – murmurou e a gárgula ganhou vida.

Apressados, os garotos subiram as escadas e como em todas as outras vezes, nem precisaram se dar ao esforço de bater à porta.

- Entrem! – ordenou uma voz serena que vinha do outro extremo da porta.

Imediatamente, Harry levou sua mão à maçaneta da pesada porta de carvalho e a abriu. Assim, os três adentraram o aposento.

Dumbledore se encontrava sentado à sua mesa, observando-os.

- Desculpem-me. Eu estive fazendo algumas anotações e não pude recebê-los de melhor forma. – O professor parecia calmo e se desculpava como se tivesse realmente a obrigação de recebê-los em cortesia. – Boa noite, garotos! – Ele se levantou e veio ao encontro dos mesmos. – Devem estar preocupados por tê-los chamado depois de tanto tempo. Sentem-se! Precisamos conversar...

Sentaram-se apreensivos. Gina parecia ser a mais calma dali, porém entediada; Hermione esfregava as mãos, tinha medo do que Dumbledore teria a dizer, de que o pior pudesse vir à tona; e Harry já estava mudo, suando frio. Dumbledore percebeu isso, então contornou a sua mesa e sentou-se na enorme cadeira que ocupava momentos antes.

- Creio que estejam nervosos, mas posso garantir que o pior não aconteceu. Vou começar a explicar-lhes com calma e gostaria que tivessem a máxima atenção em cada palavra que direi. Todas as informações são muito importantes. – Terno, Dumbledore pausou por alguns segundos, mas logo continuou. – Muito bem! Gina, quero avisar a você que seu irmão, Gui e Fleur estão de casamento marcado. – Ele sorriu, os garotos também, mas o nervosismo não deixou que aquele momento durasse. – Infelizmente as notícias que temos não são todas boas. É terrível informar que houve mais um ataque e desta vez, muitos saíram mortos. O ataque ocorreu fora do país, mas fui informado que aproximadamente trinta comensais estavam presentes e sugeriram que Voldemort também estivesse por lá. – O silêncio tomava conta do lugar, apenas a voz de Dumbledore o cortava. – Estima-se que os mortos tenham sido um povoado inteiro que vive no sul da Escócia.

- Um povoado bruxo? – perguntou Hermione.

- Sim, Hermione. Um povoado bruxo. É pena que esta guerra traga este tipo de consequências, mas simplesmente não podemos deixar de considerar que o mundo poderá estar totalmente diferente daqui a alguns anos, pois sabemos que esta é uma dura realidade. O povoado foi completamente destruído, e creio que todos aqueles lugares por onde Voldemort passar, ficarão em ruínas. – Dumbledore lamentava, mas não deixava seu tom brando. – Além disso, levamos em conta que isto não vai acabar tão cedo. Antes de pensarmos em quando isto poderá acabar, temos que pensar em como acabar com isto! E agora vêm as notícias menos trágicas.

Hermione suspirou aliviada. Não aguentaria ouvir Dumbledore falar mais daquele assunto por muito tempo, pois sabia que iria entrar em detalhes de como Harry teria que enfrentar Voldemort e isto a deixava muito abalada. Como se pudesse penetrar nos olhos de Hermione, Dumbledore a encarou e acenou com a cabeça, o que a deixou mais tranquila.

- Como eu já havia dito, houveram mudanças em nossos planos. Achei-me no dever de informá-los com antecedência, pois poderia causar certa confusão em suas cabeças se nada fosse dito o quanto antes, para que vocês não se preparassem para algo que realmente não irá acontecer da forma que imaginávamos. Acho que estou no momento sentindo-me obrigado a perguntá-los algumas coisas. – Mais uma vez o professor pausou.

Os três o olharam e acenaram positivamente.

- Vocês não se perguntaram se não teriam férias? – Dumbledore perguntou e Gina apresentou dúvida. – Já não se perguntaram onde seria realizado o treinamento? – Harry e Hermione se entreolharam e viraram-se para o diretor. – Devem também ter pensado em se teriam tempo para fazer alguma coisa com toda essa programação, na qual não puderam interferir, não? Já se perguntaram como Gina iria com vocês para o treinamento sem que Molly percebesse, não? Nunca se perguntaram o que seriam os horcruxes? – percebendo a inquietude dos três, Dumbledore interrompeu as perguntas. – Vou deixar vocês responderem e caso reste alguma pergunta, a farei depois. Só quero saber o que pensam.

- Hum... Professor? – chamou Hermione hesitante. – Eu acredito que nós não poderíamos procurar os horcruxes, visto que temos a escola e também temos um treinamento marcado para as férias e nós não teríamos, como o senhor mesmo falou, tempo livre. Afinal, ao que me parece teremos apenas três dias livres após o ano letivo e então começaremos o treinamento, que duraria durante todas as férias, e depois, retornaríamos a Hogwarts para as aulas. Enfim, seria impossível procurar os horcruxes até que terminemos os estudos. Mas definitivamente acho que iríamos perder um tempo necessário, já que Voldemort tem que ser destruído o quanto antes. – Hermione disparava as frases segura de si e de tudo o que estava dizendo. – E, se me permite dizer, acho que membros experientes da Ordem poderiam sair ao redor do mundo por três ou quatro meses e procurar os horcruxes, trazê-los de volta à Londres, no caso à sede, e destruí-los. Além disso, eu sugeriria uma redução do tempo de treinamento.

- Hermione, muito me fascina a sua inteligência. Fico admirado ao perceber que pensa exatamente o que eu os diria. Palavras sábias que tirastes de minha boca! – Dumbledore juntou as pontas de seus longos dedos e a fitou. – Certamente que já havia pensado em reduzir o tempo do treinamento. Acredito que talvez um dia poderia se transformar em oito, não? – perguntou Dumbledore enigmático a Hermione, que sorriu. Os outros dois não entenderam a reação deles, mas ficaram a observar a conversa.

- Bem, na verdade eu havia pensado em um mês para um dia, mas que seja da melhor forma! – consentiu Hermione.

- Muito bem! Serão duas semanas, independentemente do tempo que será totalizado ao final – declarou o diretor. – Excelente, Hermione. Excelente! Mas e quanto às outras perguntas?

- Ok. Não me seguro mais! – Gina dizia a si mesma em voz alta. – Hum... Desculpem-me! Só estava pensando alto. Mas a propósito, quero falar sobre a primeira pergunta que o senhor fez.

- Notei a sua inquietude quando falei da mesma. Prossiga, Gina. – Dumbledore dava toda a atenção possível.

- É como a Mione disse, professor. Teríamos o tempo muito corrido caso fôssemos passar os dois meses completos em treinamento, depois voltando diretamente para Hogwarts. Não teríamos férias e nem ao menos um descanso. Os três dias livres apenas serviriam para nos prepararmos para o que seria um longo período de trabalho e jogo duro! – Gina sempre arrumava uma maneira descontraída de impor as coisas, o que fez Dumbledore esconder um sorriso no canto da boca.

- Isto já foi resolvido. Acredito que a senhorita queira passar as férias com sua família, ou pelo menos, parte das férias, não? – Gina confirmou. – Pois então! Já tenho tudo muito bem planejado e acho que talvez aprovem das minhas sugestões – desta vez, Dumbledore levantou-se. – É bem provável que eu anuncie a entrada e permanência de vocês na Ordem durante a primeira reunião que teremos nas férias de vocês. Assim, não será necessário arquitetar planos e planos para que Gina os acompanhe no treinamento. Claro que eu pedirei permissão à Molly, embora ache que ela continuará discordando. No entanto, a escolha é e será sempre sua, Gina.

Gina assentiu.

- O senhor ainda não disse onde será a sede de treinamento, professor. Já tem alguma ideia? – Harry falou pela primeira vez aquela noite.

- Acho que talvez vocês possam me sugerir algum lugar. Peço que sejam breves, pois ainda teremos que organizar o espaço e enfeitiçá-lo – adiantou-se o diretor. – E só para lembrar: existem apenas quatro horcruxes existentes, fora o próprio Voldemort, por isso, acho que deverão saber quais são os supostos horcruxes. – Uma pausa. – O diário de Riddle, o anel e o medalhão de Salazar Slytherin, uma taça que pertenceu a Helga Hufflepuff, a cobra Nagini, ainda temos um horcrux a ser descoberto e, o último e mais importante, o próprio Voldemort.

Ao ouvir aquele nome, mesmo que já estivesse acostumada agora, fez Gina arrepiar. Ela nunca sentira, mas parecia que ao mencionarem os horcruxes, o diário e Voldemort, a fez fraquejar por um instante.

- Então já temos tudo pronto, professor? – fez Harry.

- Tirando o fato de não termos um lugar específico para ficar... Sim, Harry – respondeu Hermione, já que notaram Dumbledore meio pensativo.

O silêncio tomou conta do lugar quando todos perceberam que Dumbledore pensava, refletia ou tirava conclusões. Gina, que estava sentada de costas para o diretor, agora, não percebeu, mas envolveu-se com seus próprios braços, a fim de esquentar o corpo, tomado pelo calafrio.

Passaram-se alguns minutos e eles permaneciam silenciosos. Harry e Hermione trocavam olhares constantes, enquanto Gina encarava o chão, ainda abraçada a si mesma. Dumbledore então começou a fazer uma coisa que fazia por costume: andar de um lado para o outro, concentrado em algo, o que o fazia parecer distante.

- Muito bem, garotos. Pensei em alguns lugares onde Voldemort possivelmente guardaria, melhor dizendo, esconderia os horcruxes. Primeiramente temos os países das ilhas Britânicas, os mais prováveis seriam Inglaterra e Escócia. Talvez o País de Gales, mas não creio. Ele poderia ter viajado o mundo todo quando jovem, por isso torna-se uma tarefa difícil. Acredito que por toda a Europa, talvez a América e a África. – Dumbledore voltara a falar num sussurro, mas já tomara o seu tom calmo e brando de sempre. – Quanto ao lugar onde poderemos transformar em sede de treinamento, pelo menos até setembro do próximo ano... Havia pensado na própria sede da Ordem no início, mas esta está ocupada por vários aurores e membros da Ordem, o que dificultaria a concentração de vocês e modificaria a própria rotina daqueles que ficassem por lá. Depois eu pensei em trazê-los para Hogwarts e usar a conhecida Sala Precisa, mas também não achei que fosse uma boa ideia colocar quatro pessoas para ocupar um lugar onde tudo fosse possível, vocês se acostumariam mal e haveriam constantes discussões. Ainda cheguei a pensar que aqui, no meu próprio escritório fosse um bom lugar.

- Onde? – perguntaram Harry e Hermione em uníssono, parecendo bastante confusos. Gina olhava de um para o outro, apenas escutando.

- Temia que me perguntassem. Pois bem! Tenho um corredor secreto nos fundos da sala. Um dos archotes leva a este corredor, onde se encontram vários quartos. Por este corredor também posso ter acesso aos dormitórios dos alunos e professores, mas não me utilizo deste recurso há muitos anos. Mais precisamente, desde que James Potter e Sirius Black deixaram o castelo. – Sorriu de lado enquanto olhava para Harry. – Todos os dias à noite eu e os professores fazíamos ronda pelos dormitórios naquele tempo. Tínhamos que ver se não haveria alunos fora dos dormitórios ou se haveria alguma irregularidade. Coisas muito comuns na época em que o maior grupo amoroso da história de Hogwarts fora formado. E cá entre nós, isto lhes lembra algo?

Hermione os olhou e pareceu pensativa por alguns segundos, mas logo disparou:

- Claro! A história que Malfoy contou na biblioteca – disse. Gina, ao ouvir o nome de Draco pareceu despertar do ‘transe’ em que se encontrava. – Ele contou que houve uma confusão... A história que as irmãs Black, Narcisa e Belatriz, se apaixonaram por Sirius. Narcisa até chegou a namorar com Sirius, mas que Belatriz se juntou a Lucio Malfoy para separá-los, já que Lucio era apaixonado por Narcisa, e conseguiram. Depois de alguns anos, já nos últimos meses em Hogwarts, Lucio consegue enfim ficar com Narcisa e eles se casam alguns meses depois, mesmo sem que a mulher o ame. Na verdade, só casou-se com ele por descobrir que estava grávida e que ele havia feito um feitiço de ligação entre ele, a mulher e o futuro filho. Este feitiço era de antiga magia negra muito avançada. Fora colocado em um pequeno colar com uma pedra preta no centro, que quando ocupada pelo feitiço, ganha uma mancha de cor verde. Hoje este feitiço já não existe mais, pois Lucio foi considerado um ser sem vida ou semi-morto. A pedra foi quebrada e com isso, o último indicio deste feitiço em todo o mundo mágico foi extinto. – Hermione falava num tom de altíssima sabedoria. – Depois houveram outras histórias, as quais pude saber ao juntar determinados fatos que encontrei em livros e próprias informações que membros da Ordem nos deram. E para mim é a história mais bonita de amor que já vi. – Ela pausou, desviando o olhar de Dumbledore para Harry. E desatou a contar, atraindo a atenção daqueles que se encontravam ali e escutavam graciosamente. – O pai do Harry se apaixonou pela mãe dele, mas ela não lhe dava bola. Chegaram até a dizer que ela era uma Corvinal...

- Não. Ela quase foi uma Corvinal – corrigiu Dumbledore. – Lílian quase teve de passar duas vezes pelo chapéu seletor para que fosse selecionada corretamente. Ficou sentada ao banco no salão principal durante vários minutos, tanto que vários alunos e professores chegaram a pensar que houvera algum engano. Conto a história depois. Mas o que você ia dizendo? – o diretor pediu que a garota continuasse.

- Que James Potter se apaixonou por Lílian Evans ainda em seu quinto ano, mas que só puderam ficar juntos no sétimo, já que antes ela se recusava a sequer falar com ele mais do que o essencial. Casaram-se e tiveram um filho. Antes se soube de uma profecia, feita pouco antes da criança nascer, por isto, esconderam-se de tudo e todos. Selaram esta ‘fuga’ com o feitiço Fidelius, que o senhor mesmo teve o prazer de tê-lo feito. O guardião deste segredo fora o errado, aquele que os traiu: Pedro Pettigrew. Um ano depois o segredo dos Potter foi revelado e eles ficaram expostos ao mal de Lord Voldemort, que foi até a casa onde eles moravam, decidido a matá-los. Para proteger sua família, James o enfrentou e acabou sendo morto. Sem pena, Voldemort continuou a andar pela casa a procura da criança e ao encontrá-la nos braços da mãe, deu uma chance para que Lílian continuasse viva, mas a mulher deu a vida pelo filho, formando um feitiço da magia antiga, que caiu sobre Harry Potter, ‘o menino que sobreviveu’, agora o Escolhido – Hermione concluiu, enquanto abraçava Harry, despertando um pequeno sorriso de emoção nos lábios de Dumbledore e Gina. – Para mim, apenas o Harry, aquele com quem passei os melhores momentos de minha vida, dividindo aventuras juntamente com o Rony... Apenas o Harry, a pessoa maravilhosa que tive a oportunidade de conhecer e me tornar uma grande amiga. – Hermione já não o abraçava, agora o olhava nos olhos e os dois sorriam entre si.

- Não sei como ainda me admiro com a sua inteligência, Hermione. É simplesmente brilhante! Como sabe de tantos detalhes? – disse Gina se ajoelhando e segurando firme as mãos dos amigos. Dumbledore observava de longe, emocionado. Uma lágrima silenciosa caiu de seus olhos azuis muito brilhantes e escorreu pelo rosto, sumindo em meio as suas longas barbas branco-prateadas.

- Hermione é uma garota brilhante, Gina. Uma garota especial, que ainda não sabe o quanto, mas em breve saberá a importância que tem para nós e se provará uma pessoa ainda melhor, tenho certeza disto! – Dumbledore demonstrava tamanha confiança em suas palavras, as quais Hermione escutava encarando-o, os olhos brilhando e um pequeno sorriso no canto dos lábios. – Cada uma das histórias que ela contou, se passou ao mesmo tempo e são formadas de teorias certas. Ainda contarei a vocês a história de James e Lílian, mas não será hoje. Já está tarde e vocês precisam voltar aos seus dormitórios. E como já passa da meia-noite, levá-los-ei pela passagem interna do castelo.

Os garotos se mostraram contrariados, pois queriam escutar o que Dumbledore teria a contar, mas o seguiram pelo corredor escondido por trás de um archote, o único, que se encontrava apagado.

- Um dia lhes contarei a história. Boa noite! – foi o que disse antes de deixá-los na torre da Grifinória.

Silenciosamente, os garotos observaram o diretor passar pela, até então, passagem ‘secreta’ e às suas costas, uma parede materializar-se. Continuaram parados e passaram a observar o local onde se encontravam, notando que era totalmente diferente do salão comunal que estavam acostumados. Era um local mais vazio, encontrava-se completamente arrumado, com muitas poltronas à vista, mesas espalhadas e uma lareira apagada com madeiras intactas, sinais que indicavam que aquele lugar não costumava receber pessoas. O aposento era grande, talvez o dobro do salão comunal da Grifinória, mas os móveis ali vistos, não mostravam sinais de serem vermelhos e dourados. Talvez porque a luz estivesse apagada, mas Hermione começou a andar por todo o lugar olhando tudo bem de perto e notando certas coisas.

Gina encontrava-se parada, como que em estado de choque. Movimentava a cabeça para olhar à sua volta, mas estava evidentemente inquieta.

- Vocês também acham que há algo de errado aqui? Talvez Dumbledore tenha errado o caminho e nos trazido para o salão comunal da Corvinal... – a ruiva falava num sussurro.

Ninguém respondeu. Hermione continuou analisando tudo e depois de algum tempo, encostou-se em uma poltrona cruzando os braços.

- É uma possibilidade, Gina. Ao que me parece, mesmo com as luzes desligadas, os móveis são de cor azul acinzentada. Cores estas, da Corvinal. No entanto, pude observar que estamos num lugar completamente fechado, a não ser por uma escada circular, atrás daquele pequeno pedaço de parede. – Hermione apontou um lugar escuro à um canto do aposento.

- E onde acha que esta escada vai dar? – perguntou Harry.

- Bem, algo me diz que isto aqui é uma espécie de salão comunal no alto da nossa torre, um salão superior, se é que me entendem. Nenhum aluno conhece este lugar, talvez por este motivo esteja arrumado desta maneira. Não há indícios de que alguma pessoa tenha passado por aqui. Acredito que se descermos, iremos parar no pavimento de dormitórios. – Hermione parecia saber de tudo o que falava, no entanto, hesitou por um momento. – Em todo caso, acho que só saberemos realmente onde estamos, se descermos – anunciou.

- E quem vai na frente? – Gina já se mostrava temerosa.

- Eu vou – se prontificou Harry.

- Não, Harry. Desta vez acho que quem deve ir à frente sou eu – Hermione disse, dando um passo e assim, ficando frente a frente com o garoto.

- Mas e se for perigoso? – questionou o garoto.

- Harry, você acha que Dumbledore ia nos colocar em perigo? – Hermione perguntou.

- Sabe, Harry... Ela tem razão – comentou Gina.

- Mas...

Antes que Harry pudesse argumentar algo, Hermione o cortou.

- Se tem alguém que conhece todo o castelo e sua história por completo, este alguém sou eu. Devo dizer que você também me deu uma ajudinha, mas ainda assim, eu devo fazer o que eu penso, Harry – disse seriamente.

Harry abriu a boca para falar, mas não o conseguiu, pois Hermione interrompeu novamente.

- Desta vez eu vou! – e sem dizer qualquer coisa, seguiu para o canto onde se encontrava a escada e começou a descer cautelosamente. – Venham! – chamou num sussurro audível.

Os dois a seguiram.

Desceram as escadas cautelosa e silenciosamente, para evitar o barulho e incomodar alguém. Tinham que chegar aos dormitórios sem fazer qualquer espécie de barulho, para não acordar os outros e acabar por arrumar confusão, já que estavam fora da cama quando já se passava da meia noite, o que não era permitido.

A escada era longa, demoraram bastante tempo para alcançar o chão. Sabiam que se demorara tanto, era porque estavam no alto de uma torre.

Chegaram a uma porta de mogno, sem maçaneta, na qual Hermione bateu pausadamente, primeiro uma vez e depois duas seguidas. A porta foi se movendo e sumindo a um canto da parede, como se atravessasse a parede de pedra. Era uma porta muito pesada, aparentemente. Quando a porta sumiu, uma camada de pedra que se encontrava à sua frente foi desaparecendo gradualmente. Era óbvio que aquela passagem era completamente mágica. Hermione passou pela abertura na suposta parede e viu que se encontravam, como previra, no corredor de dormitórios.

- Acho que alguém aqui estava realmente certa – disse baixinho, cruzando os braços e sorrindo marotamente.

- Hum... Nem se acha, hein? – Gina olhou para ela e cruzou os braços da mesma forma.

- Foi tudo muito legal, garotas, mas eu estou com sono e quero dormir – disse Harry fingindo bocejo.

- Mentiroso! – exclamaram as duas em uníssono, sem perceber que falavam alto.

- Tudo bem, se vocês querem acordar o pessoal que está dormindo, e fazem bem, eu aconselho falar um pouquinho mais alto – disse o garoto irônico.

- Bom, mas eu estou cansada mesmo. Eu vou entrar – disse Gina passando pelos dois, parecendo realmente exausta, estava com olheiras enormes sob os olhos. – Boa noite!

- Boa noite, Gina! – disseram os outros dois. A ruiva entrou na terceira porta da direita.

- Agora responde: você está com sono, quer dormir ou quer ficar sozinho? – perguntou Hermione.

- Bom, eu queria pensar, só isso. Mas já que você se incomoda tanto... – ele dizia, divertido.

- Não me incomoda, eu só acho que não deveria mentir, não acha, Sr. Potter?

- Como sabia?

- Acha que não o conheço? Pois eu afirmo que seis longos anos de amizade me ensinaram muito sobre você. Não que você seja previsível, pois de previsível não tem nada... Mas é só que sei quando mente. – ela afirmou rindo-se.

- Tudo bem, já entendi.

- Mas em que queria pensar? Ficou confuso com algo que Dumbledore disse?

- Na verdade eu queria só pensar, eu sempre faço quando minha cabeça está muito cheia, sabe? Acho que não seria nada mal conseguir uma Penseira...

- Eu concordo. Será que não conseguimos uma para os dois? Tudo bem que seria melhor uma para cada um, mas infelizmente vai ser mais difícil assim. Também vivo com a cabeça um tanto cheia de coisas, tantas que fico até com sono só de tentar resolver metade.

- Ainda vou na ideia de uma Penseira para cada. Já imaginou se não nos sentimos tentados e veremos o que o outro anda pensando ou em dar um passeio por lembranças?

- Realmente... Bom, acho melhor subirmos. Tivemos uma noite cheia, muito cheia! – ela também estava cansada, mas não tinha sono. – Boa noite! – ao passar por Harry, fez a cena costumeira de sempre, beijou-lhe a face e tentou se afastar, mas foi impedida por ele.

- Boa noite, Mione – ele enfatizou a última palavra, rindo-se e a beijou na testa, na bochecha e, Hermione achou que lhe fosse beijar a boca, mas... Ele apenas beijou a ponta de seu nariz.

- Olhe sua vida... Te cuida, hein?! – E ela fez que ia dar um tapa em seu rosto e, quando ele virou-o para desviar, ela beijou sua bochecha mais uma vez e saiu, entrando na segunda porta à direita, a que ficava logo ao lado da de Gina.

Já do lado de dentro, ela fechou a porta e encostou-se na mesma, suspirando.

- Ele é louco mesmo!

Do lado de fora, Harry ainda continuava parado no mesmo lugar. Debruçou-se sobre o parapeito do patamar que dava para o salão comunal logo em baixo.

Depois de mais alguns minutos parado ali, o garoto se virou e entrou na penúltima porta do corredor. Dormir aquela noite não seria uma tarefa fácil, e foi algo que só conseguiram depois de algumas horas na cama se remexendo.

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