Dormiram profundamente sem nem ao menos sonhar. E se sonharam, não saberiam dizer; a exaustão do dia anterior não permitiria. Aquele fora mais um dia cansativo, na opinião de Harry e Hermione, que já eram veteranos na Ordem. Se até os dois últimos dias já tinham informações excessivas para guardarem, depois daquele fim de semana, as coisas estavam processando em suas mentes rapidamente. Tinham certeza de que se fossem máquinas, entrariam em curto-circuito em breve.
A mente mais confusa do ‘Trio Ordenado’, como Gina diria, era a da própria. Ela sempre fora uma excelente aluna, assim como Hermione, mas nunca tivera as mesmas capacidades que os outros dois possuíam para arquivar aquele tipo de coisa. Era muita coisa para uma pessoa só. Imaginava-se no treinamento... Longe de tudo e de todos, principalmente de Draco. Ela era forte, passiva e prática, mas quinze meses era tempo demais isolada em um lugar que ao menos conhecia.
Depois os pensamentos dos garotos se confundiam. Sabiam que estariam na presença de pessoas conhecidas e consideradas amigas inestimáveis, que aquilo tudo seria para o seu bem e um tanto divertido, estariam sozinhos em uma casa, apenas recebendo o tal McCoy, mas vinte e quatro horas por dia? Aguentariam passar tanto tempo sendo e tendo qualquer ato monitorado? Isso, se é que poderiam dizer que teriam algum tempo livre na agenda deles.
Eles decididamente não teriam tempo para nada. Pelo menos não depois de tudo que Dumbledore dissera ainda algumas horas atrás. Era só pensar que teriam apenas dez horas para dormirem, meia hora para cada refeição, sendo que duas horas estariam sendo disponibilizadas para ser utilizada com o que quisessem e o resto do dia treinando, recebendo aulas e trabalhando, que os garotos ficavam totalmente exaustos. A rotina diária mudaria completamente...
Acordaram cedo, pois era segunda-feira e teriam aula dali à uma hora. A rotina habitual começava exatamente às 7h: levantavam, faziam a higiene matinal, trocavam-se e desciam para o salão principal. Esta semana as aulas começavam para valer! E ai de quem não enterrasse a cabeça nos livros. Se os professores pegaram pesado na primeira semana, que foi apenas provisória, pois alguns professores encontravam-se ausentes, imagina agora que tudo havia se normalizado?
- Mas Hermione... – começou Rony.
- Mas nada, Rony! Você viu como ficou no sábado à noite para fazer aquelas redações que serão cobradas ainda hoje pela manhã... Estava simplesmente neurótico por não conseguir fazer nada e precisar de mim ou do Harry para cumprir com seus afazeres! Veja se isto tem cabimento? – bradava Hermione em pleno salão principal. – Se você acha que eu e o Harry vamos deixar que se torne dependente de nós, saiba que está completamente enganado, Ronald Weasley!
- Bom dia! O que tem meu nome nesta história? – perguntou Harry que acabara de chegar.
- Bom dia, Harry – Hermione cumprimentou enquanto tentava se acalmar. – Não foi nada. É que o Rony acha que está certo ao ficar fora até tarde da noite e esquecer que tem deveres a cumprir. Depois ainda vem dizer que não tem tempo para nada.
- Rony, cara, acho que está mais que na hora de você perceber que eu e a Mione estamos fazendo o possível para termos tempo livre. Definitivamente, você tem que se preocupar mais com os estudos e deixar para pensar em namorar depois. Além de tudo, você vai acabar prejudicando a Luna também. Não esqueça que este é ano de N.O.M.’s para ela... – disse Harry.
- Você também, Harry? – perguntou Rony incrédulo.
- Harry, isso foi exatamente o que eu disse para ele minutos antes de você chegar. Mas ele é muito cabeça-dura para entender isto! Acho que a ficha só cai quando você fala... – Hermione disse voltando-se para Harry.
- Mais uma vez eu repito, Rony. Este ano nós apenas temos o torneio na penúltima semana em Hogwarts, mas a Luna não! Ela tem que estudar, se preparar... E se você quer se casar com ela, formar uma família, tem que antes garantir um futuro para os dois – Harry falava naturalmente, enquanto colocava em seu prato ovos com bacon e mordia uma maçã com gosto. – Você pode estudar nos horários livres que vai ter este ano. Terei um horário livre a menos que você e a mais que Mione, então poderemos fazer os deveres e trabalhos juntos. Tenho plena certeza de que a Luna vai estar em aula, então você vai poder esquecer ela por algumas horas.
- Ok. Vocês venceram! – Rony suspirou, revirando os olhos com desgosto.
- E, Rony, o Harry não está ficando igual a mim, não. Muito menos a Gina! O que está acontecendo é que ele conseguiu provar que tinha um pouquinho de responsabilidade escondido nessa casca grossa e marota – disse Hermione, já calma.
- Eu ainda preferia quando estava lá no fundo. Sabe... Oculta! – Rony espremeu os olhos, obviamente furioso por estar sendo contrariado.
- Ele reconheceu que deve se preocupar mais com as coisas e não ficar naquela vidinha boa. Eu já disse a você, assim como disse a ele anteriormente, que vocês não vão mais depender de mim para nada! Se quiserem, façam suas próprias anotações e estudem por si só. Vocês não são mais criancinhas, Rony! – mais uma vez Hermione alteou a voz.
- Hermione, se você não enxergou ainda que você sempre foi a melhor aluna do ano, que você já conseguiu fazer uma lavagem cerebral no Harry e que agora vocês são os mais ‘responsáveis e inteligentes’, o problema é seu! Eu não posso me transformar em apenas uma fração de segundo, sabia? – Rony também se descontrolara e já estava em pé, olhando furiosamente para Hermione.
- Rony, se o Harry agora é considerado o melhor aluno do ano, é porque ele se esforça, se dedica e faz o possível para cumprir com suas obrigações. Pode ver! As anotações que ele faz são simplesmente perfeitas e não tiveram um dedo meu sequer. Não querendo gabar por ele e por mim, mas esse é o resultado de competência – completou a morena, segurando-se para não avançar no amigo.
- Calma, Mione! Ele já entendeu o recado e se você continuar assim, vai acabar nervosa e se descabelando por uma coisa que já está fora de nossas mãos – Harry sempre tentava intervir para que os dois não acabassem brigando, o que só não acontecia mais com tanta frequência porque Rony já não passava muito tempo com eles.
- Bem, se vocês já acabaram, eu estou indo. Ainda tenho algumas coisas para resolver com Dino e Simas – disse Rony recolhendo suas coisas e se retirando.
Os dois viram o ruivo sumir pela aglomeração de alunos que agora adentrava no salão principal. Hermione então, o mais discretamente possível, virou-se para Harry.
- Vamos? – perguntou Hermione vários minutos depois.
Os dois não disseram mais nada. Hermione se levantou e soltou os cabelos, até aquele momento presos a um coque bem frouxo na nuca, depois recolheu o seu material e colocou a mochila sobre os ombros. Harry seguiu a amiga e pegando mais uma maçã, saíram do Salão.
- Não acha que ainda está cedo para as aulas começarem? – perguntou Harry consultando o relógio. – Sete e vinte e seis. Ainda falta quase meia hora, Mione!
- Eu sei, Harry! Mas eu preciso pesquisar umas coisas que serão úteis para nós durante o torneio – Hermione apressou o passo. – E é sorte que eu já saiba o nome dos livros. Meia hora seria pouquíssimo tempo para tudo o que tenho que achar nesses livros.
- Hum... Mione? – chamou parando.
- Quê? – ela não parou e nem ao menos o encarou, continuou andando rapidamente.
- Será que você pode parar um pouquinho só? Acho que temos que conversar...
Hermione parou e por alguns segundos ficou parada como se estivesse pensando. Respirou fundo e virou o rosto, encarando-o de longe. Lentamente foi se aproximando dele.
- Sim? – fez ela.
- Esquece! Vamos logo, melhor não nos atrasarmos; a primeira aula é de Snape – e os dois seguiram para a biblioteca. Harry percebeu que aquele não era o momento para advertir a garota sobre a ansiedade dela, uma vez que o torneio seria apenas no final do ano letivo; ele certamente conseguiria apenas tirá-la do sério mais uma vez.
Ao chegarem lá, notaram que a porta ainda se encontrava trancada. Alguns segundos ali foram o suficiente para o relógio de Harry apitar 7h30 e Madame Pince aparecer de uma das portas, assim como Isabella e James apareciam pelo corredor, provavelmente indo para a sua sala. Isabella pareceu não tê-los visto, pois entrou em sua sala sem ao menos cumprimentá-los, e eles sabiam que a garota era demasiadamente educada para não fazê-lo.
- Bom dia, garotos. O que fazem aqui tão cedo? – perguntou Madame Pince educadamente.
- Bom dia, Madame Pince. Estávamos aqui esperando a senhora aparecer para abrir a biblioteca. Temos que procurar alguns livros – explicou Hermione.
- Vejo que não muda mesmo, Srta. Granger – Madame Pince parecia bastante satisfeita em fazer tal constatação. – Ah, certas coisas não mudam! É realmente muito bom saber que ainda existem alunos como a senhorita, tão interessados pela literatura... Gratificante, gratificante mesmo! – exclamou Madame Pince.
Hermione corou e Harry sorriu meio de lado ao perceber isso. Madame Pince abriu a biblioteca e os dois entraram.
- Há quanto tempo não venho aqui! É maravilhoso estar de volta... – comentou Hermione, enquanto andava por entre as prateleiras.
- Mione, quando vamos falar com o Malfoy? – Harry perguntou.
- Não sei ainda, Harry. Temos que estar calmos, a não ser que queiramos que tudo vá por água a baixo! – Hermione deixou o material dela sobre uma mesa e voltou a caminhar por entre as prateleiras, procurando os livros. Pegou dois e voltou a caminhar, falando enquanto olhava distraída para o alto. – O que não podemos ter, de forma alguma, são desentendimentos e desordem no grupo. Vamos esperar mais um pouco, talvez não seja a hora ainda...
- É, talvez – o moreno deu de ombro. – Quais são os livros que faltam?
- Eu já peguei os de Transfiguração e Defesa Contra as Artes das Trevas, na verdade não acho que talvez fossem necessários, mas resolvi pegar do mesmo jeito. Mas ainda temos os dois mais difíceis: Encantamentos e Feitiços Antigos, de Feitiços, e... Poções Muy Potentes, como você deve saber, de Poções. Um está na sessão restrita e o outro nas prateleiras mais altas da biblioteca! Como vamos conseguir...
- Accio Encantamentos e Feitiços Antigos! – ordenou Harry para sua varinha. – O outro eu definitivamente não sei! – riu.
- Esse vai ser difícil! Mas...
- Não se preocupem! Peço à Bebel para consegui-lo para nós – disse Draco, que acabara de chegar. Harry se levantou já cerrando os punhos e preparando-se para gritar, caso fosse necessário. Malfoy, percebendo a reação dele, completou: – Silêncio! Lembrem-se: estamos em uma biblioteca.
- Harry, ele tem razão – disse Hermione olhando para o amigo. Era exatamente a reação que ela previra que o moreno teria ao ter de lidar com o sonserino. Já decidira que iria conversar sozinha com Draco Malfoy, uma vez que Rony certamente não pararia como Harry fizera.
- Acho que podemos conversar amigavelmente, Potter – disse Draco calmamente. – Sentem-se! A conversa poderá ser um tanto longa – pediu.
Os outros dois se entreolharam.
- Estou bem de pé – Harry cerrou os punhos e respirou fundo, tentando se controlar.
Hermione descansou os livros na mesa e colocou-se ao lado de Harry, apertando seu braço de modo a acalmá-lo.
- Ande, Malfoy. Diga de uma vez e deixe-nos em paz – ela pediu.
- Primeiramente quero dizer a vocês que acho que estão em seu direito de não darem confiança a mim, sei que por todos esses anos agi como um ser desprezível, mas quero que esta imagem seja apagada! Vocês devem estar se perguntando como eu enxerguei isso, mas é a verdade. A mesma pergunta que fiz a todos, faço a vocês: o que esperavam de uma pessoa que foi criada por um pai Comensal da Morte e uma mãe submissa ao marido? – Draco começou.
- Bem... – Hermione estava sem palavras.
Harry simplesmente ouvia silenciosamente.
- Me arrependo, porque sei que aquele não era eu e sim, a pessoa que meu pai fez de mim, uma cópia do que ele era, um projeto de Comensal... Eu era o que ele queria que eu fosse, sem deixar escolha – Malfoy estava despejando tudo, assim facilitaria as coisas. – Depois do que aconteceu ao meu pai, minha mãe sentiu-se liberta e foi procurar sua irmã, Belatriz Lestrange. Disse a ela que não queria mais aquela vida de antes, que só casara com meu pai por medo, por conta de um feitiço. Não sei exatamente qual, mas era ligado a mim – uma pausa. – Quando ela voltou para casa, acho que um mês depois, disse que era para eu ir para a casa dos Bonstrong, em outras palavras, a casa da Bebel.
- E por quê? – perguntou Hermione.
- O fato é que a mãe da Bebel, irmã de meu pai, casou-se com um primo dos Potter e por este motivo, fora ‘banida’ da família Malfoy – Harry, que ouvia entediado, se interessou. – Assim, meu pai descobriu que ela estava grávida e esperou que Bebel nascesse. Se fosse homem, ele não mataria os Bonstrong, se fosse mulher...
- Entendi. Continue! – fez Hermione.
- Pois então! Ele esperou que Bebel completasse seis meses e então matou Robert Bonstrong, pai da Bebel. Mataria o resto da família, mas minha mãe interveio e disse que ele não poderia fazer aquilo e teria que poupar a vida da criança, assim como a da mãe, para que esta pudesse cuidar de Bebel. Meu pai então poupou a vida delas e mandou que sumissem e desde então, apenas minha mãe sabia onde viviam. Não conheci o pai da Bebel, minha mãe que me contou toda esta história. Descobri que antes de tudo, minha mãe namorava com Sirius Black e era uma das melhores amigas de Lílian Evans. Ela e Lílian eram as garotas mais bonitas da época em Hogwarts e assim meu pai acabou se apaixonando por Narcisa Black. Belatriz é irmã gêmea de minha mãe e fez de tudo para que ela ficasse com meu pai, já que ela também era apaixonada por Sirius.
- Triangulo amoroso bem familiar, não? – fez Harry sarcasticamente.
- Sem brincadeiras, Potter. Deixe-me continuar – disse Draco.
- Calem-se os dois! Malfoy, continue logo se quiser que escutemos – ordenou Hermione perigosamente.
- Ok. Então minha mãe acabou se casando com meu pai, que a obrigou a passar para o lado das trevas e me criaram, transformando-me no que eu era. Não me orgulho da minha família... Só pude enxergar a verdade, depois que fui para a casa de Julie Bonstrong. Ela sempre foi uma pessoa maravilhosa, uma pessoa que sempre procurou ajudar as pessoas e que me ajudou. Eu gostaria muito que pudessem enxergar que eu mudei, que agora eu sei quem eu sou e que, acima de tudo, possam me dar uma chance de provar tudo isso!
- Ok, Malfoy. Só darei esta chance porque sou amigo da Bebel, mas é apenas uma chance, entendeu bem? – Harry se levantou.
- Como quiser... Não a desperdiçarei! – fez Draco.
- E fique avisado que qualquer coisa que fizer ou disser a mim ou aos meus amigos que seja ofensivo, não medirei esforços e darei um jeito em você – comentou Hermione rindo enquanto esfregava uma mão na outra.
- Oh, não se preocupe! Aquele tapa que recebi me serviu de exemplo suficiente – o loiro acariciou o rosto.
- Ótimo! – disseram Harry e Hermione em uníssono.
- Acho que podemos selar a paz, não? – e assim estendeu a mão.
Os outros dois hesitaram, mas apertaram-na.
- Perfeitamente. Mas quanto ao livro? – perguntou Hermione.
- Um instante – Draco saiu da biblioteca.
- O que acha? – Hermione perguntou rapidamente a Harry.
- Vamos tentar recomeçar.
Draco voltou acompanhado de Isabella.
- Mione e Harry! Quanto tempo, hein? – fez a garota ao vê-los.
- Sem dúvidas! Mas quem sumiu foi você – disse Hermione.
- Depois explico com calma! Temos apenas cinco minutos para as aulas começarem, melhor andarmos depressa. Qual o livro?
- Poções Muy Potentes. – respondeu Draco.
- Fácil! Vocês também poderiam pedir ao Snape. Ele tem uma cópia – disse Isabella. – Só um minuto! Vou falar com Madame Pince. Saiam e me esperem na sala dos monitores – mandou.
Os três obedeceram e silenciosamente seguiram para a sala dos monitores-chefes. Nervosos, analisavam os relógios de segundo em segundo, a primeira aula seria de Snape e eles decididamente não queriam receber nenhuma detenção. Não só não queriam, como também não podiam.
Isabella então voltou com o livro.
- Foi difícil, mas ela confia em mim o suficiente. Eu só quero que vocês tirem uma cópia dele para vocês. Tenho que devolvê-lo amanhã! – disse.
- Sem problemas! – exclamaram Harry e Hermione juntos, depois sorrindo.
- Muito bem. Melhor vocês irem andando. Teremos bastante tempo para conversarmos depois – disse Isabella novamente para os três, que se encaminharam para a porta.
- Tchau, Bel. E... Obrigada! – disse Hermione.
- Até mais, garotos – e notou que Draco já estava saindo. – Draco? – lançou um olhar significativo ao primo, que simplesmente piscou e sorriu, enquanto balançava a cabeça afirmativamente. – Você é inacreditável!
- Eu sei – e fechou a porta.
Assim os três seguiram para as masmorras silenciosamente. Hermione pensava em tudo que Draco havia dito e refletia. Harry pensava o mesmo. Será que alguém era capaz de mudar assim, tão de repente?
Chegando às masmorras, ainda ficaram por alguns minutos no lado de fora, esperando Snape chegar e abrir a grande porta de carvalho para que eles pudessem entrar. Rony chegou alguns segundos após os garotos e estranhou que estivessem conversando com Malfoy, porém não disse nada e ficou a uma certa distância dos amigos. A conversa que tiveram mais cedo não fora muito amigável e ele esperaria a poeira baixar para tentar consertar tudo.
- Entrem! – disse Snape ao abrir a porta da sala.
Todos se calaram e obedeceram sem dar nenhuma palavra. Neste momento, Draco separou-se dos outros e foi falar com Snape. Harry e Hermione, como de costume, sentaram-se numa das últimas carteiras, enquanto Rony sentou-se próximo a eles ao lado de Neville.
- Ok, Draco. Pode ir sentar-se – disse Snape. – Creio que a professora McGonagall passou uma redação para os senhores em minha ausência, não?
Todos os alunos confirmaram com a cabeça.
- Muito bem. Quero todas as redações sobre a minha carteira em um minuto! – ordenou friamente.
Harry, Hermione, Rony e Draco foram os primeiros a levantar. Os outros alunos, ao verem a reação deles, os seguiram. Logo a mesa do professor tinha os vinte pergaminhos daquela turma sobre si. Snape guardou-os numa caixa e voltou-se para a turma.
- Hoje nós iremos começar o preparo da Poção Polissuco, que deverá estar pronta daqui a exatamente um mês, quando iremos testá-la em vocês – explicou Snape com a voz arrastada de sempre, enquanto andava por entre as carteiras. – Teremos uma experiência de uma hora, onde vocês se transformarão em seus companheiros de trabalho – depois de uma pausa, perguntou: - Algum de vocês pode me explicar com precisão o que é a Poção Polissuco e para que serve?
Apenas três pessoas ergueram as mãos. Adivinha quem? Hermione fora a primeira, seguida de Draco e logo depois, Harry também ergueu a sua. O trabalho em equipe certamente começava ali.
Snape fuzilou Harry e Hermione com os olhos.
- Draco – disse friamente.
- A Poção Polissuco tem a capacidade de transformar uma pessoa em outra por tempo determinado de uma hora. Muitos Comensais da Morte utilizam-se desse meio para enganar a outras pessoas, assim como fez Bartô Crouch Jr., ao se transformar no professor Olho-Tonto Moody em nosso quarto ano – Draco parou e olhou para Harry, que continuou.
- Para que a poção seja preparada, é necessário o tempo exato de um mês, já que a descurainia tem que ser colhida em lua cheia e os hemeróbios precisam cozinhar separadamente da poção durante vinte e um dias. O último elemento adicionado à poção é um ‘pedaço’ da pessoa na qual queremos nos transformar. Este pedaço pode ser uma unha, um fio de cabelo ou quaisquer outras coisas do tipo – e parou.
Hermione, percebendo onde os garotos queriam chegar, continuou firmemente:
- Se a poção for preparada de forma correta, tomaremos a forma da pessoa em que queremos nos transformar. Só pode ser utilizada em humanos, pois, caso usada com qualquer partícula de animais, a pessoa sofrerá com os efeitos colaterais e a transformação não será completa – completou.
Snape analisou as respostas e o trabalho que o grupo desenvolveu e, sem dizer qualquer palavra, foi até sua mesa e fez uma anotação.
Harry, Hermione e Draco sorriram entre si.
- Acho que podemos começar, não? Quero que os grupos do torneio fiquem em uma mesma mesa, depois um de cada mesa deverá ir até o armário de materiais para pegar os que serão usados no preparo da poção. No final da aula, deverão guardar toda a sobra de material no armário do grupo. Os itens utilizados na poção estão neste pergaminho que está sob a carteira de vocês. – disse Snape retomando a caminhada pela sala.
E aquela aula foi até divertida, tirando o fato de que Rony não falava com nenhum dos outros três, que conversavam animadamente enquanto preparavam a poção. Rony trabalhava conforme Hermione mandava, apenas obedecia, não dizia uma palavra sequer.
No final da aula, a poção deles já estava bem adiantada. Já tinham colocado todos os ingredientes necessários para aquele dia. Snape só não fez comentários porque a poção estava extremamente perfeita. Liberou-os mais cedo sem passar qualquer tarefa.
Draco saiu correndo para encontrar Gina e Isabella.
- Gina! Bells! – chamou ao vê-las saindo das salas de Transfiguração e Feitiços, respectivamente.
- E então? – perguntou Gina ansiosamente, então viu a expressão no rosto do namorado e seu rosto iluminou-se num sorriso. – Pelo sorriso...
- Exatamente – Draco quase caiu ao dizer isto. Gina pulou em seu pescoço e começou a beijá-lo no rosto. – Calma, ruivinha. Ainda não podemos fazer nada! Acho que está um tanto cedo. Deixe-me prepará-los e depois nós nos resolvemos, ok? Mas já posso garantir que o Baile é nosso!
- Eu disse que você era inacreditável, Draco – Isabella também o abraçou quando Gina o soltou. – Como você conseguiu?
- Do mesmo jeito que consegui conquistar essa garota linda aqui – ele deu um beijo rápido na namorada. – Só tive que contar um pouco da história de minha família e como esta foi formada. Acho que amoleceram com tudo isso. O Potter disse que só deu esta chance por sua causa, Bells – contou.
- Ele é assim mesmo, Draco. Aposto que não tem nada a ver com a Bebel. Na verdade ele deu esta chance para ver se você mudara mesmo – comentou Gina.
- Bom, melhor irmos para as nossas próximas aulas. Agora eu tenho Poções e acho que não será nada agradável chegar atrasada – Isabella se adiantou. – Até mais tarde. Quero saber mais, ouviram bem?
E os três riram.
- O Snape não está de mau humor hoje, Bebel. Para sua sorte. – Draco comentou. – Eu vou para a aula de Defesa Contra as Artes das Trevas. É no andar de cima, então melhor me apressar também. Tchau, ruivinha! – despediu-se com mais uma beijo rápido.
- Tchau, Draco. Até mais tarde! – e entrou na sala de Feitiços, enquanto os outros dois desapareciam pelo corredor.
E assim passou-se a semana. As aulas iam bem, todos os alunos estavam realmente ficando bons e cada vez mais concentrados. Era muito comum ver os sextanistas e setimanistas estudando nos horários vagos. Só paravam de estudar quando já sabiam o assunto de trás para frente ou quando tinham feito tudo que havia para fazer. Rony voltara a falar com os outros dois e estava correndo atrás do prejuízo que arrumara nos estudos. Saía para namorar apenas quando Hermione ou Harry corrigia seus deveres e o liberava.
Harry combinara com Rony, Luna e Gina que eles passariam o dia em Hogsmeade com Mione, já que o aniversário dela seria na semana seguinte. Draco acabou entrando na onda também, mas desta vez Gina nem interferiu; Mione que acabou convidando-o.
O sábado chegou trazendo um dia ensolarado, sem sinal de nuvens no céu, porém o vento de outono já chegara e estava frio. O dia perfeito para um passeio em grupo. Todos os alunos acordaram cedo e foram se arrumar. Desceriam logo depois para tomar café e esperar a hora de sair para passeio. Draco e Luna os esperariam no salão principal. Todos já estavam prontos no salão comunal da Grifinória, menos Hermione. Gina já estava cansada de esperar, afinal, estavam ali há mais de meia hora esperando a garota.
- Acho melhor eu ir ver se ela já vem – e levantou-se.
Subiu as escadas e entrou no dormitório feminino do sexto ano. Deu de cara com uma cena que nunca esperara ver. O dormitório estava totalmente bagunçado, com uma Hermione enrolada em uma toalha com um coque frouxo na nuca, descabelando-se próxima ao armário, de onde tirava várias roupas e jogava-as sobre a cama.
- Mione, o que...? – começou Gina.
- Eu simplesmente não sei como me vestir, Gina! – disse Hermione nervosamente. – Eu não posso sair de qualquer jeito em um dia que seria ‘comemorado’ o meu aniversário, não é? – e continuou a jogar as roupas inutilmente na sua cama.
- Você quer ajuda? – ofereceu Gina, já contagiada pelo desespero da amiga.
- Claro, Gina! Pelo amor de Merlin...
- Ok. Mas tenha calma! – Gina começou a pegar as roupas que Hermione havia jogado sobre a cama. – O que acha da minha roupa?
Hermione analisou. Gina estava vestida como sempre se vestia. Uma calça jeans bem justa com boca larga, uma blusa creme de alcinhas e uma capa jeans por cima. Os cabelos soltos com uma pequena tiara e um tênis simples.
- Você sabe que sabe se vestir maravilhosamente bem, Gina – respondeu Hermione calmamente.
- E você tem esse dom ao triplo do meu e roupas ainda mais bonitas – replicou Gina. – Vejamos. Que tal esta?
Hermione pegou a roupa e foi até o banheiro, voltando completamente vestida.
- E o cabelo? – perguntou.
- Você sabe perfeitamente como gosto dele, não? – fez Gina, como se fosse uma coisa óbvia.
- Ok. – e Hermione fez o penteado com apenas um aceno de varinha. – Vamos?
- Você está linda, Mione! – exclamou Gina admirada.
Hermione estava vestida com uma calça de couro preta justa, uma blusa tomara-que-caia branca e uma capa preta comprida muito semelhante a um sobretudo, também de couro. Usava um sapato social preto com um salto pouco alto e o cabelo preso a um coque bem apertado no alto da cabeça com mechas soltas caindo do mesmo e sobre o rosto. Levava uma bolsa também preta consigo, daquelas que é usada de ombro atravessado. A maquiagem leve no rosto apenas realçava seus traços mais belos. Um brilho rosa a acompanhava na bolsa.
Antes de descerem, Hermione conjurou dois pares brincos, um para si e um para Gina. Brincos pequenos, pouco chamativos. O par de Hermione era formado apenas por um pequeno diamante com contorno em prata; já o de Gina por uma pequena pérola com contorno em ouro.
E as duas desceram as escadas. Ao chegarem lá embaixo, notaram que Harry e Rony estavam calados sentados um de frente para o outro nas poltronas próximas à lareira. Rony estava usando uma camisa de mangas compridas vermelha com uma listra branca que cortava o peito na diagonal e várias palavras soltas em preto, uma calça jeans e tênis preto com detalhes vermelhos e brancos. Harry estava usando uma camisa daquelas que parecem ser duas, sendo verde musgo na parte superior e branca na inferior, uma calça também jeans bem escura e um sapato social preto. Haviam escrituras em chinês na parte da frente da camisa na cor preta.
Ao escutarem os passos, os dois viraram para encarar as garotas que chegavam. Harry e Rony imediatamente se levantaram e aproximaram-se delas. Harry olhava diretamente para Hermione boquiaberto com tanta beleza e Rony não sabia para quem olhava, igualmente boquiaberto. Cavalheiros, os dois estenderam as mãos para que as garotas segurassem. Hermione sorriu e pegou a de Harry, enquanto Gina apoiava-se na de Rony.
- Vamos? – fez Gina.
E assim saíram os quatro do salão comunal, já vazio a não ser por eles.
Em todos os corredores era possível ver pessoas e mais pessoas se encontrando para o longo dia de passeio. Todos paravam para ver os quatro passarem. Chegaram ao salão principal, onde tomaram um café leve e depois encontraram os outros dois que os acompanhariam. Cho Chang os observava do outro lado do aposento fuzilando-os com os olhos, coisa que Hermione não deixou de notar. “Morra de inveja!”, pensou Hermione. Ela conseguira manter Harry e Cho afastados até ali, e conseguiria mantê-los assim até o final do ano letivo.
- Demoraram, hein? – Luna tomava Rony dos braços de Gina.
- Draco, nós já vamos, ok? – disse Isabella, acompanhada de Olívio, ao primo.
- Tudo bem – Draco despediu-se e voltou-se para o grupo de amigos.
- Acho melhor irmos também – disse Hermione que não largava o braço de Harry.
- Malfoy, quer fazer o favor de acompanhar a Gina? – fez Rony entre dentes para o loiro.
Até ali eles eram os únicos que estavam sem par, mas não deixaram de obedecer ao ruivo. Só não tinham se juntado antes por medo do próprio. E assim os três casais deixaram o castelo. Seguiram para os portões de Hogwarts juntamente a dezenas de alunos de quarto a sétimo ano. Apenas alunos de sexto e sétimo ano participariam do Baile das Bruxas, mas Dumbledore liberou todos os outros para que comprassem as vestes para o Baile de Inverno. Estava óbvio que teriam no máximo três passeios a Hogsmeade aquele ano. Neste pequeno percurso, todos começaram a se afastar.
- Ei, pessoal! – chamou Harry. – Nos encontramos as onze no Três Vassouras, ok?
Todos os outros que estavam distantes fizeram um gesto como se quisessem mostrar que entenderam e continuaram a caminhada.
- Parece que todos gostam de nos deixar sozinhos – observou Hermione.
Harry sorriu para ela. Quando finalmente chegaram aos portões da escola, os alunos trocavam os rumos. Alguns iam para uma direção e outros para a oposta.
- Onde vamos primeiro? – perguntou ele.
- Acho que devemos ir à loja de trajes a rigor. Embora eu tenha comprado um vestido, acho que talvez seja necessário comprar mais um. Não cai bem para uma moça usar o mesmo vestido em festas onde vão as mesmas pessoas – ela disse naturalmente. – E o senhor também tem que comprar suas vestes novas. Tenho certeza de que as outras estão no mínimo vinte centímetros menores...
- Tudo bem! – e os dois desceram a rua.
Foram procurando por entre as lojas uma que vendesse os tipos de trajes que precisavam até que encontraram uma loja um tanto parecida com a da Madame Malkin, porém o nome era Trapobelo e vendia apenas roupas usuais e sociais, nada de uniformes. Entraram na loja. Hermione olhava encantada para todos os lados, a loja tinha roupas lindas. Para onde olhava, encontrava uma mais bonita que a outra. Harry foi até uma das vendedoras, uma loira que aparentava ter mais ou menos dezenove anos.
- Bom dia! Eu gostaria que você me trouxesse alguns vestidos que acha que ficariam bonitos naquela garota ali – e mostrou Hermione. – Não se importe com o preço, se puder arranque-os e me entregue. Ela não pode ver, ok?
- Tudo bem. Sei perfeitamente quais vestidos ficariam perfeitos nela. Espere só um instante! – e a moça se retirou.
- Harry, como vou escolher apenas um vestido no meio de tantos? São lindos, um ainda mais que o outro! – disse deslumbrada com aquela loja. – E o preço então... Cada vestido desse deve valer uma fortuna!
- Mione, eu vou comprar minhas vestes – informou rapidamente. Não queria ver os vestidos da garota. – Uma moça irá trazer alguns vestidos para você olhar. Experimente-os e escolha quantos quiser que eu me arranjo com a vendedora!
Antes que a garota pudesse dizer qualquer coisa, ele foi para a outra ala da loja, deixando-a sozinha olhando os vestidos novamente.
- Com licença! Estes são os vestidos que deve experimentar – informou a moça, que voltara com vários vestidos de tonalidades claras.
- Oh, claro! – exclamou Hermione admirada com a quantidade de vestidos. – Onde devo experimentá-los?
- Venha comigo! – disse a mulher. – Meu nome é Melissa Montez, à sua disposição! Estou aqui para ajudá-la caso precise de algo e até mesmo na escolha do vestido.
- Prazer! Hermione Granger – apresentou-se.
- Aqui! Entre e experimente este – Melissa entregou-lhe um vestido azul bem claro com alças finas.
- Outro! – disse Hermione após experimentar, recebendo imediatamente um vestido rosa tomara-que-caia. – Não, já tenho um rosa. Outro! – recebeu um preto, bem parecido com o rosa; era tomara-que-caia, com a parte superior bem justa como um corpete bordado e na parte inferior solta como uma saia rodada. – Perfeito! Coloque este na conta. Outro! – desta vez recebeu um vestido branco meio perolado, com alças finas e corpete bordado, saia justa. – Não... Decididamente não! – recebeu um branco prateado, com corpete justo bordado com pequenas pedrinhas brilhantes e saia justa um pouco rodada de seda fina, tomara-que-caia também, vinha com um xale de seda em uma extremidade e na outra com pêlo de urso polar, segundo informara Melissa. – Este é lindo! – e já vestida, abriu a cabine de experimento.
- Hermione, você está simplesmente perfeita! O cara que vai com você nesta festa é de muita sorte – comentou Melissa. – Os vestidos que experimentou são os melhores da loja. Ainda temos dois, não gostaria de ver?
- Hum... Tudo bem! – Hermione hesitou, mas acabou aceitando.
- Temos este, que também é rosa, mas tem o mesmo estilo do preto que pegou. Muito bonito! – Melissa mostrou o vestido. – Creio que não queira, até porque o preto é muito mais bonito e como você disse, já tem um rosa. Mas também temos este outro, branco perolado.
- Acho que fico com estes dois aqui mesmo. Muito obrigada, Melissa! Você é realmente muito simpática, uma pessoa maravilhosa só de aturar uma pessoa tão indecisa como eu – disse Hermione sinceramente.
- Ora, não foi nada! Eu sabia que tinha bom gosto e que os vestidos ficariam perfeitos em você. Escolheu os melhores vestidos do estoque! – comentou Melissa.
- Obrigada! Embrulhe os dois para mim. Eu vou olhar mais algumas coisas...
- Bem, temos em estoque também vários acessórios que ficariam perfeitos com os vestidos que comprou. Estão logo naquela estante ali! Qualquer coisa você chama...
- Ok – Hermione aproximou-se da estante indicada, tão concentrada que nem viu Harry voltar.
O garoto já estava segurando duas sacolas.
- Tudo pronto? – perguntou a Melissa.
- Está tudo aqui! Mais alguma coisa? – a vendedora pegou uma sacola e entregou ao moreno.
- Só quero mais aquele vestido perolado ali no canto – respondeu ele.
- Ok. Cinquenta e três galeões – disse Melissa entregando uma sacola grande.
- Diminua quinze galeões e dê para a Mione pagar, senão ela vai ficar uma fera comigo.
- Não se preocupe, senhor...?
- Potter. Harry Potter! – respondeu.
- Harry Potter? Uau! Como não percebi?
- Talvez porque ele esteja diferente mesmo – respondeu Hermione abraçando-o.
- Vocês são namorados? – Melissa perguntou curiosa.
- Quem sabe? – fizeram os dois entreolhando-se e rindo.
- Melissa, estou indo. Quanto deu tudo? – a morena perguntou.
- Quinze galeões – respondeu prontamente.
- Aqui estão. Vamos? – riu-se Hermione.
- Vamos. – Harry piscou para a amiga.
Os dois saíram da loja e foram se encontrar com os outros. Quando chegaram ao Três Vassouras, trataram de procurar sinal de um dos outros casais e viram Draco e Gina no fundo do pub conversando animadamente enquanto bebiam seus sucos de abóbora.
- Chegaram há muito tempo? – perguntou Harry sentando-se.
- Não. Estamos aqui há uns dez minutos e como não tinha ninguém conhecido aqui, resolvemos ficar e conversar mesmo – respondeu Gina. – E vocês foram onde?
- Estávamos na Trapobelo comprando as vestes a rigor. Acho que talvez devam passar lá mais tarde, é realmente muito boa! – disse Hermione.
- Depois nós vamos. Obrigado pela dica! – Draco agradeceu. – Eu nem lembrava que tinha que comprar vestes novas...
- É! O Baile das Bruxas já está aí... – disse Gina animadamente. – Vai ser muito bom!
- E como você vai, Gina? Só alunos de sexto e sétimo ano podem ir – disse Hermione séria.
- Me convidaram, oras! – Gina falou enigmática.
- Contanto que não seja no Neville novamente, está tudo bem! – zombou Harry.
Draco estava só escutando. Ria por dentro com aquela conversa, pois Gina iria dar um baita susto em todos quando chegasse ao Baile acompanhada por Draco, já dizendo que estavam namorando há quase três meses. Seria uma surpresa e tanto!
Os dois pediram dois sucos de abóbora, assim como Draco e Gina. Depois comprariam um lanche e iriam para a caverna onde Sirius costumava ficar quando vinha escondido para Hogsmeade quando queria ver Harry. Fariam um piquenique. Harry já tinha outros planos para o dia do aniversário de Hermione, na quarta-feira da semana seguinte. Já combinara com Draco e Rony que ele e os dois iriam para a Sala Precisa, vestidos com roupas sociais leves, enquanto as garotas iriam preparar Hermione sem que esta soubesse.
Minutos depois, os quatro conversavam animadamente sobre o que fariam no piquenique e o que levariam, já que Rony e Luna ainda não chegaram.
- Devem estar namorando por aí – Hermione disse por alto.
- Estávamos namorando por aí, mas tivemos que comprar umas coisinhas para a Lu e depois vir para cá – disse Rony carregado de sacolas da namorada.
- São coisas básicas! Nada demais. Foi que o papai me mandou sessenta galeões para gastar em que eu quisesse, então resolvi comprar tudo hoje – explicou Luna. – Mas quando vamos para o tal piquenique?
- Estávamos esperando vocês chegarem para poder comprarmos as coisas e ir – respondeu Gina.
- Estão aqui há quanto tempo? – perguntou Rony.
- Mais ou menos meia hora. – respondeu Draco. – Engraçado como todos fazem esta pergunta, não?
E todos riram.
- Harry, aqui, querido! – chamou madame Rosmerta.
Harry se levantou e foi até o balcão, onde pegou uma cesta enorme. Voltou para a mesa e fez sinal para todos o acompanharem. E seguiram para a caverna. O lugar era deserto e tinha grama em todas as partes, exceto em um pequeno local, onde podia se ver a entrada de uma gruta.
- Vamos! – e entraram.
A caverna estava vazia, então eles simplesmente jogaram uma toalha escura no chão e sentaram-se sobre ela. Colocaram as comidas que jaziam na cesta sobre o pano escuro e começaram a comer e conversar. Não demorou muito tempo até que Luna e Rony se retirassem para um canto e começassem a se beijar. Draco e Gina sentiram uma imensa vontade de fazer o mesmo, mas seguraram-se. Harry e Hermione ficaram desconfortáveis com aquilo, então resolveram continuar a conversar.
- Acho que só assim para ele ficar sem comer – disse Gina enquanto todos riam. – Mas é... Enquanto a Luna não larga do pé, ou melhor, da boca dele, ele não come!
- Talvez eles já tenham lanchado – sugeriu Harry. – Conheço o Rony e sei que ele não é de deixar passar um ‘ranguinho’.
- Sabem, eu vou com o Harry. O Rony é um esfomeado! Não pode ver comida... – disse Hermione, divertida.
- Eu não opino! Prefiro ficar calado a falar do que não sei e acabar arrumando confusão – comentou Draco.
A tarde realmente fora divertida; riram, conversaram, brincaram e abusaram. Quando voltaram para o castelo, já eram quase cinco horas da tarde e eles estavam completamente exaustos. Despediram-se ainda no saguão de entrada e cada um tomou o rumo de seu salão comunal. Tomariam banho e descansariam, talvez mais tarde descessem para o jantar. Gina subiu para dormir, Rony saiu novamente para se encontrar com Luna e Harry e Hermione ficaram no salão comunal.
Juntaram duas poltronas e pegaram um cobertor bem grosso, sentaram-se em lados opostos e cobriram as pernas. Ficaram ali, sentados, conversando.
- Melhor descermos. Já são quase oito da noite e está na hora do jantar. – Hermione se levantou, sendo seguida de perto por Harry.
- Vamos! – e os dois desceram.
Não se falaram muito pelo resto do dia. Voltaram para o salão comunal ainda cedo e foram dormir, estavam demasiadamente cansados.
Assim como o fim de semana entrou despercebido, foi embora. E quando notaram já estavam no meio da semana, em plena quarta-feira. Já estavam na última aula do dia. Sairiam dali à dez minutos da sala de Defesa Contra as Artes das Trevas. Hermione estava tão preocupada com os estudos que nem sequer lembrou que aquele dia era seu dia, o dia de seu aniversário. Só lembrou quando Harry lhe deu os vestidos que havia comprado sem que ela soubesse, devolvendo logo depois os quinze galeões que ela havia pagado; e quando seus amigos lhe deram os parabéns.
O sinal tocou em alguma parte lá fora do castelo e o barulho tomou conta do corredor. Os alunos se levantaram e dirigiram-se à porta. Quando Hermione foi fazer o mesmo, Harry, Draco e Rony a seguraram de costas para a porta, enquanto Gina e Luna cobriam seus olhos com uma venda preta.
- Fique quieta e calma! Vamos levar você para o banheiro dos monitores. – avisou Gina.
Os garotos seguiram para o banheiro dos monitores masculino, onde se arrumariam para a noite. Em menos de meia hora já estavam prontos. Todos vestiam camisas de mangas compridas com calça e sapatos pretos sociais. Draco estava totalmente de preto, Harry usava a camisa branca e Rony cinza escura. Logo deixaram o banheiro e foram para a Sala Precisa, já que ainda teriam que arrumá-la.
Como Gina previra que demorariam a ficar prontas, usaram a primeira hora para tomarem banho e escolherem como iriam se vestir, depois voltaram mais duas horas no tempo para se arrumarem. Ficaram deslumbrantes!
E assim, elas seguiram para a Sala Precisa. Hermione estava cada vez mais nervosa por não saber o que as garotas estavam fazendo com ela e nem onde a levavam. Ela não parava de fazer perguntas como “onde estão me levando?”, “o que estão fazendo?” e “dá para me soltarem e tirar esta venda de meu rosto?”. Algumas vezes ela se recusava a andar também, mas Gina logo a ameaçava de levitar seu corpo e ela obedecia.
Ao chegarem a Sala Precisa, Gina tirou a venda dos olhos de Hermione.
- Isso é... pra mim? – perguntou.
- Surpresa! – gritaram todos.
Hermione se olhou de cima a baixo.
- Eu estou... – começou.
- Linda! Parece uma princesa... – sussurrou Harry ao seu ouvido.
- Obrigada! – agradeceu corando levemente.
- Muito bem! Temos música, pufes, comida e estamos entre amigos, lhe falta algo? – perguntou Rony alegremente.
- Não. Obrigada, gente! – Hermione estava emocionada, mas não chorava. – Adorei tudo isso.
- Foi tudo feito para você, Mione – disse Luna, já agarrada ao braço de Rony.
- E porque você merece! – completou Gina.
- Bom, já que agora está tudo pronto... Som na caixa e luzes em ação! – berrou Draco.
A boate começou a tocar músicas altas e alegres, enquanto luzes de todas as cores percorriam o aposento e os garotos dançavam alegremente. Hermione estava muito feliz com tudo aquilo, não sabia até ali o que era se divertir em seu aniversário com apenas cinco amigos em Hogwarts. Nunca passara pela sua cabeça que aquilo um dia aconteceria. E a noite foi longa. O jantar fora simplesmente maravilhoso, assim como o resto da noite. Dançaram, se divertiram, se acabaram, brincaram e abusaram daquela liberdade que raramente tinham. Hermione pareceu se soltar, esquecer regras...
E acabaram adormecendo nos pufes que estavam espalhados pela sala. Rony e Luna estavam abraçados a um canto do aposento, Draco estava deitado sobre vários pufes e Gina sobre seu peito e Harry e Hermione estavam deitados como no sábado quando voltaram do passeio. Duas poltronas haviam sido juntadas e um grosso cobertor colocado sobre as pernas deles, que estavam deitados um para um lado e o outro para o outro. Os sapatos estavam espalhados pelo aposento, que agora estava calmo e limpo, como se não tivesse havido festa naquela noite.
A paz pairava sobre aquele local, onde seis estudantes dormiam tranquilamente após uma festa maravilhosa, onde esqueceram das preocupações e deram lugar à alegria de viver uma loucura de apenas uma noite.
Acordaram no horário de sempre, mas ainda estavam sonolentos, o que deu a Gina uma ideia.
- Estou com... o vira-tempo... aqui! Que tal...? – Gina falava entre bocejos.
- Anda com isso... Gina! Eu ainda quero... dormir. – disse Luna.
- Ok... – e Gina estendeu o fio do pequeno objeto, passando-o em volta do pescoço dos seis presentes. – Acho que oito horas são suficientes.
E eles voltaram no tempo. Por sorte estavam na Sala Precisa, pois se estivessem em outro lugar, dariam de cara o ‘eu’ deles do passado. A sala estava completamente diferente agora. Só haviam seis camas de solteiro como as dos dormitórios, onde cada um deitou e adormeceu novamente.
Harry, Hermione e Gina, passaram aquela semana inteira voltando no tempo a fim de estudar animagia e acelerar o processo de transformação. Tinham que correr contra o tempo, já que faltavam apenas uma semana e meia para que as aulas de Defesa Contra as Artes das Trevas com Lupin começassem. No entanto, nenhum dos seis fazia ideia do motivo pelo qual Dumbledore havia colocado Draco no meio do grupo de aulas extras.
- Rony! Nós já tínhamos nos esquecido do jogo de amanhã – Harry entrou desesperado no salão comunal, quando voltou da aula de Aritmancia, juntamente com Hermione.
- Jogo? – perguntou Rony sem entender.
- É, Rony! O primeiro jogo da temporada, Grifinória e Lufa-Lufa – respondeu Hermione rispidamente.
- Temos que descer para treinar! – disse Harry rapidamente. – Colin! – chamou.
- Sim, Harry – respondeu o garoto loiro prontamente.
- Colin, preciso que você avise ao resto do time para descer com suas vassouras para o campo de Quadribol para o treino do jogo de amanhã, ok? – explicou Harry.
- Ok. Pode deixar! – e o garoto saiu à procura dos outros jogadores da Grifinória.
- Melhor descermos logo – Harry virou-se para Rony.
E treinaram até depois das nove. Harry chamara Olívio para ajudar no treinamento e ao final, perceberam visível melhora do time.
- Excelente! Vocês estão ótimos mesmo. – Olívio falou alegremente. – Diria que são imbatíveis! Vão ganhar, com certeza.
E foi o que aconteceu. No dia seguinte, o time acordou animado. Tomaram um café reforçado e desceram para os vestiários, recebendo vários elogios e sendo cumprimentados por onde passavam. Exatamente às onze, o jogo começou. Fora o jogo mais rápido e mais pontuado da história de Hogwarts! O time estava marcando pontos e mais pontos sobre o time adversário e em cinco minutos o jogo já marcava 130 x 0 para a Grifinória. Harry estava tão empolgado com o desempenho do time, que passou a assisti-los, esquecendo completamente que ainda tinha que capturar o pomo-de-ouro. Mais dez minutos passados e o jogo estava 490 x 40 para a Grifinória e Harry acompanhava o jogo como se fosse apenas espectador, mas voltou a si quando ouviu a voz de Wood ao longe:
- E o apanhador da Lufa-Lufa avista o pomo! – narrava.
Harry imediatamente olhou à sua volta e avistou o pomo, sendo seguido de perto pelo apanhador adversário. Dando uma guinada com a vassoura, Harry voou veloz até o outro extremo do campo. Passou na frente do outro apanhador, quase derrubando-o da vassoura e fechou os dedos sobre a bolinha dourada.
- Harry Potter apanha o pomo e acaba o jogo, que já estava visivelmente ganho! – berrou Wood. – Grifinória vence por 200 pontos de diferença!
Ouviram-se berros de todas as extremidades e os torcedores invadiram o campo. Os dois times desceram para o gamado, onde foram recebidos com vários tapinhas nas costas, abraços e berros como “Muito bom!” e recebiam os parabéns merecidos dos outros alunos.
Harry agradecia a todos pela torcida, quando uma voz o chamou e ele se virou. Hermione vinha correndo pelo meio da multidão em sua direção. Quando se aproximou, o abraçou fortemente.
- Eu sabia que vocês iriam ganhar! Só poderiam ter acabado logo com o jogo – disse ainda abraçada ao garoto.
Quando finalmente conseguiram sair do campo, seguiram diretamente para o salão comunal.
---
E os dias foram passando rapidamente. E quando perceberam, já estavam entrando em outubro.
- Teremos a nossa primeira aula com Lupin hoje à noite – comentou Hermione ansiosamente, enquanto desciam para o café da manhã de sexta-feira. – Vai ser realmente muito bom aprender novas coisas, nós vamos precisar...
- Eu nem acredito que já é sexta-feira! Parece que o tempo voa quando nos divertimos, não? – comentou Rony, fazendo Harry rir silenciosamente. – De quê está rindo, Harry?
- Nada. Lembrei-me de quando estava cumprindo a detenção com o Lockhart no segundo ano. Você falou quase igual a ele naquela noite...
- Como será que ele está vivendo no St. Mungus? – perguntou Gina.
- Eu não sei! – disse Hermione. – Mas na última visita que fizemos ao hospital, ele me pareceu bastante biruta.
- Isso que deu tentar nos enfeitiçar, não é Harry? O feitiço acabou saindo pela culatra! – Rony riu-se.
- E foi muito bem feito! – comentou Gina. – Quando se tem este tipo de intenções, o feitiço volta-se contra o feiticeiro...
- É... Bom, de qualquer forma, eu vou indo. Ainda quero dar um beijinho na minha Luna antes de ver a cara da Sprout – e Rony saiu.
- Lá se vai o nosso amigo, Rony! Parece que se esqueceu de nós... – fez Harry.
- Às vezes o Rony faz tanta falta! Mas nós vamos acabar nos acostumando... – disse Hermione.
E assim, os três adentraram o salão comunal, preparando-se para mais um mês repleto de descobertas. |