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62. Epílogo


Fic: Harry Potter e a Wendelin Phoenix.


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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27 de julho de 2026 – Marselha, Provença, França


Eu recebera alta naquela manhã e agora já estava em casa, admirando o meu filho, James Vincent. Eu o tinha em meu colo, ainda acordado, embora sonolento. Acabara de mamar. Os olhinhos verdes mal conseguiam se manter abertos e ele segurava a ponta de meu dedo indicador com força. Eu sabia que um sorriso bobo brincava em meus lábios, mas era impossível não sorrir. Ele era lindo.


Fiquei a embalá-lo até que adormecesse, depois o coloquei no berço cuidadosamente.


“Que orgulho de você, enkeli”, eu pude captar nos pensamentos de mamãe e desviei a atenção de James para fitá-la, então sorri.


Ela me estendeu a mão e eu aceitei, apertando-a com força. Abracei-a. Ela era o meu maior exemplo e sabia disso sem que eu precisasse estar sempre a repetir.


Maman?”, eu pude ouvir alguém chamar em pensamento.


- Lilian – eu murmurei ao me afastar do abraço de minha mãe. Ela sorria e eu sabia exatamente por quê.


Lilian Catherine também era uma de nós. Uma Safira.


Ninguém pode imaginar a surpresa que foi para nós descobrir que havia uma quarta Safira em nossa família. Se já me parecia uma loucura o fato de eu ser filha e neta de uma Safira e também ser uma, ter uma filha que também o fosse era quase que absurdo. Não eram as Safiras uma espécie rara?


Nós fomos em busca dessa resposta.


Durante muitos anos a minha avó paterna estudara as Safiras, o que levou meus pais a acreditarem que ela já suspeitava ser uma Safira e não uma Mangid, como Dumbledore afirmara. Como sei disso? Bem, ela tinha muitos registros guardados em um cofre que ficava na biblioteca da casa de Chelsea e meu pai os encontrara após minha mãe contar a ele sobre meu irmão e eu.


Nesses registros, descobrimos que todas as Safiras eram de origem trouxa – pelo menos até eu nascer.


A última Safira, a que vivera no século XIX, chamara-se Georgiana Chevalier. Era francesa e tivera seis filhos: cinco filhas e um filho. Esses filhos se espalharam pelo leste europeu, fugidos. Trocaram seus sobrenomes, buscaram se misturar. Todos temiam terminar como a mãe, queimados na fogueira.


Dos seis filhos de Georgiana, somente dois não foram encontrados e mortos. Augustine e Louis.


Cada um seguiu seu caminho, sem saber do paradeiro dos outros irmãos. Provavelmente achavam que todos haviam morrido. A verdade é que, pelos registros, eles não tornaram a ter notícias um do outro novamente. Louis, após meses de fuga constante, instalara-se permanentemente e estivera vivendo em uma região que hoje corresponderia à antiga Alsácia-Lorena até a sua morte; Augustine, por outro lado, vivera na atual Bielorrússia.


Não sabia-se ao certo quantos filhos cada um deles tivera, mas fora o suficiente para que os genes de Georgiana chegassem até nós.


Sim, somos descendentes de Georgiana. Eu e meu marido.


Em minha família, eu era a terceira. Sou neta de Lilian Evans-Potter e filha de Hermione Granger-Potter – duas Safiras de origens distintas, afinal, minha avó paterna era inglesa e minha mãe francesa. A união dos genes delas tornaram possível que eu também fosse uma Safira. Meus genes, unidos aos que estavam adormecidos por várias gerações na família de meu marido, tornaram possível a nossa pequena Lilian ser uma Safira.


Eu conhecera Conrad Heinrich Diehl durante o meu segundo ano em Beauxbatons, em 2011. A família dele é basicamente francesa e vive em Estrasburgo, uma cidade na fronteira entre a França e a Alemanha. É lá, aliás, onde nós moramos, embora passemos bom pedaço das férias de verão na casa que temos em Marselha.


Francês, Conrad tem a pele branca, porém bronzeada pelo sol de Marselha. Seus cabelos são escuros e os olhos de um tom de mel irresistível. Os traços de seu rosto são retos e angulosos, atribuindo-lhe um ar másculo e atraente. Não me parece difícil entender por que me apaixonei por ele. Além disso, havia algo nele que muito me lembrava o meu pai.


Começamos a namorar quatro anos depois e nos casamos em 2019. Lilian, nossa primeira filha, nasceu cerca de um ano e um mês após o casamento, em 20 de dezembro de 2020. Aos cinco anos, mamãe e eu começamos a observar que ela desenvolvera habilidades que eu própria desenvolvera quando tinha a mesma idade e buscamos uma explicação para tal fato.


Por sorte, a familia de Conrad é tão tradicional a ponto de ter os registos de várias gerações, de modo que pudemos descobrir o nome de Louis Chevalier sete gerações antes de Conrad, o que explicava tudo. Mas, ao que parecia, Lilian não seria a última Safira a nascer em nossa família.


- Não deixe que Alec a escute – mamãe me disse e seu tom era divertido.


- Ele só nega porque acha que Sofia não o corresponde. Nós duas sabemos disso, mamãe – eu disse.


Sofia Machlas era filha de Alecia Sax-Machlas, uma das sócias da Razzle Dazzle. Sofia era fruto do casamento de Alecia com Dimitrios Machlas, um modelo grego. Alecia se descobrira grávida dois meses após o início do relacionamento e imediatamente providenciara a união civil, mantendo a gravidez em segredo até que não pudesse mais esconder. Sofia nascera apenas alguns dias antes do nascimento de meu irmão. Curiosamente, nascera de 36 semanas e era como se tivesse nascido no tempo certo.


Foi quando descobrimos que Alecia – bem como sua irmã caçula, Frida – também era uma descendente de Georgiana Chevalier. Mais do que isso: nela os genes de Safira eram ativos.


Mas fomos além. Descobrimos que as cores dos olhos indicavam a linhagem à qual pertencíamos. Os descendentes de olhos verdes pertenciam à linhagem de Augustine; aqueles que nascessem de olhos azuis e posteriormente assumissem a cor de mel pertenciam à linhagem de Louis.


Foi exatamente nesse instante que Lilian adentrou o quarto de James.


“Jay já dormiu?”, ela me perguntou e eu apenas assenti. “Então você já pode ir tomar sorvete comigo e com o papai?”


Ela me fitava com os enormes olhos verdes, cheios de expectativa.


- É melhor descermos, Chloe – mamãe disse. – Se ficarmos muito tempo, a movimentação pode acordar James.


- Tem razão – eu concordei e estendi a mão para Lilian.


Ao sair do quarto, mamãe encostou a porta e eu agradeci com um aceno e uma breve troca de olhares.


- E então, mamãe? – Lilian tornou a me questionar enquanto caminhávamos pelo corredor.


- Querida, mamãe não pode sair de casa. Ela tem que ficar bem quietinha para se recuperar logo e poder cuidar de seu irmãozinho – eu disse e vi que minha mãe concordava. – Que tal você ir com o papai e trazer um sorvete bem gostoso para a mamãe?


- Tudo bem – ela fez, resignada. – Eu vou com o papai.


Descemos ainda juntas, Lilian, mamãe e eu. Sempre que estávamos as três juntas, eu não podia evitar pensar o quão jovem minha mãe era para ser avó.


Já no primeiro pavimento, vi meus irmãos conversando com papai e Conrad.


Zoe se tornara uma mulher linda. Loira, esbelta, lindos olhos verdes e dona de um sorriso encantador. Meiga, amiga e companheira, era também muito inteligente. Penso que ela se enquadra perfeitamente ao ditado que diz que “quem sai aos seus não degenera”. Era tanto filha de Karen Priestly quanto de minha mãe. Não por acaso tornara-se uma excelente auror.


Minha irmãzinha iria completar vinte e dois anos dali a pouco mais de um mês e estava noiva de Sean Mackenzie, filho de Aaron e Amy, e estava feliz. Casar-se-iam na próxima primavera.


Alec, agora beirando os dezessete anos, era uma cópia fiel de papai. Moreno, olhos verdes, alto e com porte atlético, era também apanhador do time de Quadribol, seguindo as tradições da família Potter. Meu irmão também se destacava por sua inteligência e agilidade mental, que puxara à mamãe – e, modéstia à parte, à mim. Ele estava prestes a iniciar o sexto ano em Beauxbatons.


Já há alguns meses Alec demonstra interesse por Sofia, que muitas vezes parece estar alheia ao que ele sente. Alec é para ela o perfeito amigo, sempre ao lado dela, fazendo tudo o que está ao seu alcance para fazê-la feliz. E nisso ele é correspondido. Eles se adoram e isso é inegável.


Mamãe certa vez disse que eles estavam destinados a ficarem juntos. Sabe, eu acredito nisso. É impossível não perceber nos olhares que ela lança a ele, olhares repletos de tremenda cumplicidade e carinho.


- Papai? – Lilian chamou por Conrad, que respondeu de pronto, voltando-se para ela e agachando-se para ficar de sua altura.


- Diga, mon amour – ele fez, puxando-a para o círculo de seus braços. – Já está pronta para irmos passear?


- Estou, mas mamãe não pode ir com a gente. Ela tem que ficar quietinha para se recuperar logo e poder cuidar de Jay – Lilian repetiu com exatidão as palavras que eu dissera, arrancando risos de todos.


- Pois enquanto a mamãe não fica boa, por que não aproveita que tem um monte de gente aqui para passear e brincar com você? – Zoe sugeriu.


- Vocês vão ficar aqui até quando? – Lilian perguntou.


- Eu vou passar a semana todinha aqui com você – Zoe respondeu. – Depois eu terei que voltar para Paris.


- Por quê? – Lilian quis saber e mais uma vez arrancou risos de todos.


- Porque eu tenho que trabalhar – Zoe mais uma vez respondeu, paciente como sempre. – Mas o tio Alec vai ficar aqui por mais duas semanas, não é, tio Alec?


Alec riu, mas confirmou:


- É, sim.


Então Lilian sentou-se ao lado de Zoe e Alec e pôs-se a conversar com ambos, esquecendo-se, por ora, do passeio.


- E então, dormiu? – Papai se aproximou e me puxou para um abraço, beijando-me a testa.


- Sim – eu assenti.


- Aproveite para descansar um pouco, querida – Conrad disse. – Você sabe que ele acorda de hora em hora para comer ou trocar as fraldas.


- É, eu sei, mas quero aproveitar que meus pais e meus irmãos estão aqui – eu falei. – Vocês voltam mesmo para Paris ao final da semana?


- Como Zoe disse, temos que trabalhar – foi o que mamãe disse.


- Pelo menos passarão o seu aniversário aqui, não é, pai? – eu comentei.


- Por isso iremos ao final da semana – ele confirmou.


- Amy e Liah devem voltar na sexta-feira – mamãe acrescentou.


Amy e Liah e seus respectivos maridos estiveram aqui quando souberam do nascimento de James. Fora tão inesperado que elas sequer puderam se organizar para ficar durante a semana, como meus pais e Zoe fizeram.


Alec já estava aqui conosco. Todos os anos ele vinha passar três semanas em Marselha conosco. Fora ele quem avisara a todos sobre o nascimento de James.


A verdade é que meus pais tinham facilidade por serem chefes de seus respectivos departamentos no Ministério da Magia. Apesar de morarem em Paris, papai ainda permanecia como chefe do Departamento de Execução das Leis da Magia do Ministério britânico. Mamãe, por outro lado, ainda trabalhava no Ministério francês, embora uma vez por semana fosse ao Ministério britânico para resolver pendências – e eu bem sabia quais eram as pendências, uma vez que trabalhava lá no Departamento de Mistérios com ela.


Eles também fizeram questão de manter as casas que papai herdara em Londres, York e Godric’s Hollow, enquanto os apartamentos de mamãe em Londres e em Paris foram alugados. Desse modo, logo após o casamento, compraram uma casa maior em Paris, próxima ao apartamento em que eu morava com mamãe.


Tanta coisa mudara em minha vida desde que meus pais se casaram... E eu me sentia nostálgica só de lembrar.


Por mais perfeita que fosse a minha vida ao lado de Conrad em Estrasburgo, eu sentia saudades dos tempos em que eu morava com meus pais e meus irmãos, sentia saudades de ter Amy e Liah sempre lá em casa, sentia saudades dos tempos de Beauxbatons com Sophie Weasley, que sempre seria uma grande amiga... Acho que eu sentia saudades de quando eu era jovem, sem preocupações e obrigações além do próprio estudo.


Só que sentir saudades disso era sentir saudades de algo que não passava de uma idealização, uma utopia. Eu nunca fora verdadeiramente jovem e sem preocupações e obrigações. Ser uma Safira implicava em ter uma vida regrada, cautelosa e eu simplesmente crescera com essa responsabilidade.


Mas agora nós tínhamos Lilian e James, os maiores presentes que a vida poderia nos dar. E cuidar e amar a eles nunca fora um sacrifício, mesmo com todas as noites que foram e que seriam perdidas; ao contrário, nós o fazíamos com prazer.


E eu sabia que por mais que minha vida mudasse, tudo aquilo ainda estaria ali, ao alcance da de um pensamento, ao alcance da memória, de um esforço mínimo. Eles sempre estariam comigo. Porque quando eu estava reunida com todos eles, meus pais, meus irmãos, Amy, Liah, Conrad e meus filhos... Quando eu estava com eles, era como se o tempo parasse.


Aqueles dias não se repetiriam, e eu sabia que não mais voltariam,  mas eles estariam ali, guardados, um a um, comigo. Porque era em momentos como aquele, em que a saudade batia, que eu sabia exatamente onde encontrá-los e relembrá-los com prazer. E, ainda assim, eu sempre tenho a  certeza de que muitos outros momentos virão e preencherão ainda mais espaços em minha memória. E é assim que relembro a mim mesma que o tempo não pára para que possamos planejá-lo e que a vida corre a mil por hora.


Quem diria, vinte anos atrás, que minha mãe finalmente poderia voltar à Grã-Bretanha? Quem diria que meu pai era Harry Potter e que ele e minha mãe estariam casados hoje? Quem imaginaria que ainda existiam Safiras? Quem diria que a Wendelin Phoenix hoje estaria adormecida? Pois é, quem diria! Mas nós voltamos à Grã-Bretanha, meus pais se casaram, desvendamos o mistério das Safiras, descobrimos outras como nós e a Wendelin Phoenix... Ah, a Wendelin Phoenix está viva, dentro de cada um de nós, seus membros, apenas adormecida, aguardando o momento em que será chamada a despertar e sua chama, assim, tornará a arder contra todas as formas de preconceito e discriminação. Mas eu espero, sinceramente, que não seja preciso despertá-la novamente.


 


FIM


 


N/A: Após quase sete anos de trabalho – mais de três trabalhando especificamente nessa história –, finalmente estou postando o fim. Sei que muitos ansiavam por esse momento e que hoje apenas queriam um pouco mais, e digo isso com base nos comentários, nas conversas que tenho com alguns de meus leitores... Sei que é um momento ambíguo, onde todos se dividem entre a felicidade de finalmente poder ler o final, saber tudo o que acontece e como termina, e a tristeza de saber que acabou. Enfim, foram sete anos muito especiais, onde conheci pessoas fantásticas, leitores incríveis e incrivelmente pacientes (risos) e só tenho a agradecer por tudo. Muito obrigada a você que acompanhou até aqui. Espero sinceramente que tenha gostado. É aqui que me despeço, agora pela última vez. Um grande beijo,


A autora.

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Comentários: 6

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Enviado por Coveiro em 10/01/2012

Parabens, voce conseguiu terminar essa fic nota infinito da melhor forma possivel. Profecia cumprida, HH junto e tudo onde devia estar. Espero pela proxima fic com ansiedade.

Nota: 5

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Enviado por alex omari em 31/12/2011

Parabéns vc terminou tudo magistralmente...Três fics de altissímo nível.

Nota: 5

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Enviado por beatriz frança em 30/12/2011

Acabou... :( vô sentir muita falta eu sempre ficava pra minha amiga falnda da fic maravilhosa q eu tinha encontrado mas depois tinha perdido e a um tempo atrás eu mechend acabei encontrando eu falei tanto pra ela q eu comecei a sentir falat entõa oq eu tenha à dizer é: parabéns e muito obrigado

Nota: 1

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Enviado por Léo Mota em 30/12/2011

Vou deixar um post,assim como Lara o fez,no blog...porque acho que assim (mas não tenho certeza) consigo escrever um comentário digno do final,digno da fic e digno de seu talento.

Nota: 5

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Enviado por Déborah Rogers Poynter Potter em 30/12/2011

ACABOU!! Estou debulhada em lagrimas, saudades é que não vai faltar aqui no meu coração. Bjus.

Nota: 5

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Enviado por Ingrid D. em 30/12/2011

Quem quiser pode continuar acompanhando as novidades, vendo as fotos que ilustram os capítulos e outras coisas no blog da autora e da fic: http://wendelinphoenix.blogspot.com

Nota: 5

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