Prólogo
“Tudo poderia ter sido diferente... Era uma escolha minha. Não me recrimine, nem me pergunte por que tomei essa decisão, era muito jovem, tinha apenas onze anos... A vida foi cruel comigo, se quer tinha discernimento para tomar uma decisão assim, sentia raiva, ódio, tinha gosto de sangue em minha boca, nunca pensei sentir algo assim, era nova demais para entender o porquê de a vida ter tirado-os de mim... Era apenas uma criança... Ódio não é um sentimento que deva existir no coração de uma criança...
Por que me juntei á ele? Até hoje não sei responder muito bem... Acho que ao ver todos me olhando de modo piedoso me senti ultrajada, hipócritas, eram todos hipócritas! Diziam saber como me sentia, mas não faziam idéia... Com isso, senti ainda mais raiva, eu precisava mostrar á eles, o que sentia, eu queria que todos eles sentissem na própria pele o que eu estava sentindo, aí sim poderiam dizer que sabiam como me sentia... Ele me ofereceu ajuda, ele podia me ajudar a fazê-los sentir... E eu os fiz sentir...
Mas hoje descubro que tenho muito mais poder do que sonhara ter um dia... Descobri que sou muito mais poderosa que ele... Que posso ter muito mais poder que ele... E ele não passa de um fantoche em minhas mãos... Um pequeno e indefeso fantoche que controlo, controlo de modo tão sutil que nem mesmo ele faz idéia de tal controle...”
-Pequena?
Apurou os ouvidos e nada mais, escutou em quanto ele adentrava com passos leves ao seu quarto, desde que a encontrara e que a persuadira a se aliar á ele, ele a chamava assim, pequena, era o único a chamá-la assim, ainda com os ouvidos apurados, e sem se mexer um centímetro a mulher permaneceu fitando as últimas palavras escritas em seu caderno, finalmente reagindo de alguma forma, passou a mão esquerda levemente sobre as folhas, e as palavras se apagaram, voltou seu rosto para o homem parado a beira de sua cama, ele a fitava de forma calma, a pele num tom branco acinzentado, os olhos vermelhos com pupilas verticais no formato da de um gato, duas fendas no lugar do nariz, e um rachado no lugar da boca, vestes negras, para muitos uma criatura assustadora, ela porém o encarou, esperando apenas, que prosseguisse.
-Agora vive escrevendo nesse caderno, se quer compareceu ao jantar.
Disse o homem de forma leve, ela o encarou de volta, apenas respondeu:
-Gosto de escrever.
-Sempre gostou.
Constatou ele, e de fato ela sempre gostara, mas nunca escondera nada dele, e era o fato de esconder agora que o deixava intrigado.
-Não tenho fome.
Disse finalmente se levantando de sua cama e indo na sacada de seu quarto, o mar agitado castigava as pedras na beira da praia, o céu não tinha lua, o ar sempre gélido balançava seus cabelos e a camisola negra que lhe batia aos pés, ela permaneceu parada observando tudo em quanto escutava os passos leves a seguirem, ele se posicionou ás suas costas e disse:
-Compareça no jantar de amanhã, tenho algo que irá lhe interessar.
Ela continuou observando as ondas baterem impiedosas nas pedras enquanto ele saia ainda a passos leves do quarto.
Adentrou novamente ao quarto olhando ao redor, uma cama, uma penteadeira com um pequeno espelho, e um outro espelho que ia do chão até o alto teto do quarto, duas portas, uma que levava á seu closet, e outra ao banheiro, o quarto feito de mármore negro, destacava com o vermelho sangue dos lençóis de seda na cama, a mulher se dirigiu ao maior espelho do quarto e se deixou refletir, a pele extremamente pálida, os olhos castanhos, cabelos ondulados, também castanhos lhe batendo na cintura, era alta, e seria absurdamente bela se em seu rosto não houvesse estampada uma expressão cruel, cruel demais...
Foi ao banheiro e se despiu, deixou-se banhar pela água da banheira em quanto se via no meio de um flash de sua vida...
Flashback
Uma garotinha de onze anos, com cabelos cheios olhava sua boneca, uma boneca de porcelana que ganhara dos pais, tinha cabelos igualmente castanhos, mas ela tinha uma coisa que a garota não tinha, e sempre desejara ter, olhos azuis, quando seus pais a compraram, haviam procurado uma boneca exatamente igual à filha, mas não encontraram, e aquela fora a mais próxima que haviam encontrado. A garotinha arremessou a boneca com raiva na parede, a boneca se quebrou em vários pedaços fazendo um estrondoso barulho e espalhando cacos por todo o chão...
A garota ouviu passos apressados subirem as escadas, e o rosto de sua mãe aparecer pela porta, na aparência era idêntica a filha, a mulher arregalou os olhos castanhos para o quarto, um quarto num azul claro, com vários enfeites de menina, e agora com cacos de porcelana espalhado por todo ele...
-Hermione o que aconteceu aqui?
Perguntou a mãe num misto de incompreensão e indignação, a garota bufou e se levantou da cama com raiva, o pai dela, um homem com cabelos igualmente castanhos e olhos acinzentados ocultados por óculos, apareceu ao lado da mãe, este com uma expressão confusa disse:
-Filha por que fez isso? O que deu em você?
A garota se limitou a olhar com raiva para o pai.
-Vão embora!
Gritou a garotinha, o pai franziu o cenho e disse:
-Você foi muito mimada Hermione! Só porque a boneca não é igual á você não quer dizer que não tenha sido dada com amor! É isso o que importa!
-Eu não quero o amor de vocês! Eu odeio vocês!
Ela voltou a gritar, os pais a olharam confusos, a garota sentiu uma raiva enorme tomar conta de seu corpo, e uma rajada de vento empurrou seus pais para fora do quarto e fechou a porta, logo depois ouviu-se um clic, a porta havia sido trancada, a garota arregalou os olhos, mas não abriu a porta, seus pais a chamaram durante alguns minutos e por fim desistiram e foram para seu quarto. A noite caía lá fora, a garota voltou para a cama, e abraçou o travesseiro enquanto observava os cacos da boneca espalhados pelo chão, por fim adormeceu...
A garota acordou, os olhos se abriram pesadamente, os cacos da boneca de porcelana continuavam espalhados pelo chão, mas não era dia, olhou para o relógio, 4hrs, franziu a testa, não tinha sono, sentiu um vento frio lamber seus cabelos, mas a janela estava fechada... Pela primeira vez naquela noite sentiu medo... Se levantou de forma vagarosa, andou com cuidado pelo quarto evitando os cacos, abriu a porta do quarto, sua intenção era ir até o quarto dos pais, acordá-los pedir desculpas por ter gritado com eles e pelo que disse, colocar-se debaixo das cobertas deles de modo a se sentir segura.
A garota atravessou o corredor, lenta e silenciosamente, chegou a frente à porta do quarto dos pais, novamente ela sentiu um vento gélido lamber seus cabelos, mas a janela do corredor também estava fechada, arregalou os olhos e soltou um suspiro de medo enquanto observava as escadas escuras e desertas da casa, o completo silêncio... Silêncio demais... Não escutava o ressonar dos pais...
A garota finalmente abriu a porta do quarto, atitude a qual se arrependera pelo resto da vida, nada nem ninguém a faria esquecer a imagem que visualizara, aquilo ficaria gravado em sua cabeça, sua memória e principalmente seu coração, soltou um gemido enquanto soluçava alto e caía sentada no chão, as lágrimas brotavam de forma veloz de seus olhos...
Os pais estavam pendurados pelo pescoço com uma corda grossa, o rosto de ambos inchado e roxo, os olhos haviam sido arrancados das órbitas e estavam jogados no chão, uma expressão de terror no rosto de ambos, os pés estavam jogados ao lado dos olhos, e as mãos haviam sido pregadas uma na outra...
A garota soltou um gemido enquanto voltava a soluçar e chorar descontroladamente, ela saiu correndo do quarto dos pais, e desceu as escadas velozmente, sentou-se em frente à lareira quase apagada, abraçou as duas pernas e começou a se balançar para frente e para trás enquanto cantarolava em meio aos soluços uma música infantil, sentiu novamente o vento gélido lamber seus cabelos, mas dessa vez ele foi seguido da porta de entrada da sala sendo aberta, a garota não se atreveu a olhar para trás, muito pelo contrário, fechou os olhos com força enquanto aumentava o tom de voz, e se balançava ainda mais forte em meio aos soluços completamente descontrolados, ela sentiu duas mãos tocarem seus ombros, tudo cessou, a garota parou de balançar, sua voz sumiu, e os soluços desapareceram, a garota não sentia mais medo, se levantou ainda de costas para a pessoa, virou o corpo devagar e olhou nos olhos de quem lhe tocava os ombros, um homem alto, com a pele branca, olhos vermelhos, duas fendas como nariz, e um rachado no lugar da boca, não teve medo apesar de suas feições ofídicas, ele a encarou por um momento e se agachou ficando de seu tamanho.
-Minha pequena.
A menina não tinha idéia, mas aquela cena ficaria marcada para sempre em sua cabeça.”
Fim do Flashback
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minha primeira H/Hr, ja tinha escrito uma T/L mas simplesmente adoro H², a fic não terá muito romance no início, e na descrição, deixei claro, universo alternativo, a história é bem diferente da original, mas tem bastante coisa parecida, ou até igual. Sei que o prólogo ficou meio confuso, mas esse era o objetivo, aos poucos vou clarear a mente dos leitores! espero que gostem da fic, vou deixar o prólogo online um tempo, se ninguém comentar vou abandonar a idéia! Então se você leu o prólogo e gostou, comente pliss!!! você fará uma autora feliz! XD, obrigada pela atenção!
Poly_Malfoy |