Mae,
Imagino o esforço que você deve estar fazendo para não queimar essa carta antes mesmo de ler. Mas como você chegou até aqui, devo dizer que estou surpreso por não tê-lo feito antes mesmo de abri-la. Acho que, no fim das contas, esses oito anos não tornaram você menos imprevisível. Sei que eu sempre digo isso, mas dessa vez vou realmente começar a pensar que fará uma coisa e apostar que fará o contrário. O seu dom de me surpreender continua infalível.
Mas deixemos de lado a superficialidade e a cordialidade digna de bons e velhos amigos que sempre se corresponderam. Nós dois sabemos que isso nunca aconteceu. Eu mandava as cartas, você não as respondia. E, aliás, essas foram as únicas vezes que você foi previsível: eu as enviava sabendo que não responderia, e nunca errei em minhas previsões.
Não tiro a sua razão. Imagino que ainda esteja magoada com a minha partida há oito anos. Como eu disse na carta que deixei quando parti, fomos felizes, nos amamos, mas ambos tínhamos sonhos e metas a serem alcançados, e isso jamais seria possível sem que nos afastássemos cada dia mais e nos magoássemos mutuamente.
Tenho cada momento que passamos juntos comigo, e jamais os esquecerei. Todos os verões que compartilhamos em Limerick, todos os anos letivos em Sídhe... Cada gesto, cada palavra, cada beijo... Sim, fomos felizes. E fomos muito mais que amantes. Éramos amigos, os melhores. E eu jamais quis destruir isso, algo tão precioso para mim.
Deus sabe como sinto falta dos seus sorrisos, de você tentando fazer cestas na disputa de arremessos livres no quintal lá de casa. Sinto mais falta ainda de quando ficávamos o dia inteiro conversando naquela varanda enorme da casa de sua avó, ou jogando aqueles jogos de palavras nos quais você era viciada... Sei que esses momentos não voltarão, e sinto muito por ter sido o responsável por tê-los interrompido de uma maneira tão brusca.
Foi doloroso para mim partir, e imagino que tenha sido tão doloroso quanto para você, que ficou.
Sei que errei em não ter te procurado durante esses oito anos, mas eu não quis arriscar; se você não respondia às minhas cartas, como reagiria se eu aparecesse à sua porta? Mas eu voltei a Londres pela primeira vez depois de todo esse tempo. Antes disso, eu somente havia voltado a Limerick durante os feriados de Natal e Ano Novo dos últimos seis anos e três ou quatro vezes para visitar Cari em York.
Uma vez em Londres, resolvi arriscar.
Você não estava em casa, estava viajando. Então disse a mim mesmo que se não havia te encontrado, certamente eu não devia te encontrar. Talvez eu nem devesse ter ido à sua casa, para começo de conversa. Foi quando você chegou.
É claro que eu não esperava uma recepção calorosa. Infelizmente nós não podemos apagar nossos erros do passado, nem mesmo o tempo pode. Mas devo dizer que eu esperava ao menos conversar com você. A verdade é que, como você disse, tanta coisa aconteceu nos últimos oito anos... e eu jamais tive alguém com quem pudesse contar como tinha a você.
Sei que Cari não te contou, porque ela me garantiu isso, e eu acho que se alguém tem que te contar, esse alguém sou eu.
Os primeiros meses sem você foram um caos. Eu me tornei um cara fechado, revoltado e infeliz. Nem sei como conseguir me manter no time para o qual entrara. Perdi a conta de quantas vezes o meu treinador me deixou treinando sozinho por uma ou duas horas depois que todos os outros iam embora.
Com o passar do tempo, as coisas pareciam se tornar mais fáceis, mas eu permaneci fechado, guardando toda a minha dor para mim. Eu ignorava até mesmo toda a ajuda que Cari me oferecia, dizia que ela devia cuidar da própria vida. Até que ela se mudou para cá por alguns meses, mas as coisas não melhoraram muito. Eu conversava com ela, mas sempre que o assunto se voltava para você, eu só queria ficar sozinho.
Passaram-se quatro anos, então eu conheci uma mulher. Nós passamos a sair juntos, apenas como amigos. Era uma americana muito bonita. Acabamos nos envolvendo depois de algumas semanas e, quando eu estava começando a acreditar que tinha enfim me apaixonado novamente, ela me contou que estava grávida.
Ela viajava muito, estava constantemente na Grã-Bretanha. Só parou de viajar quando já estava com quatro meses de gestação. Ficou comigo até Cassie completar dois meses, então desapareceu. Entrei com um pedido de guarda integral de Cassie, de modo a garantir que a mulher que a abandonou jamais pudesse voltar e tirá-la de mim.
Hoje Cassidy Maeve Cast tem três anos e quatro meses.
No dia em que fui visitar você, ela estava em Limerick, na casa de minha mãe. A mãe dela nunca voltou. Sabe, às vezes eu gostaria que ela tivesse tido uma mãe como você.
Espero que, mesmo que não possa ter sido a minha mulher e mãe de minha filha, ainda possa ser a minha melhor amiga. Talvez os velhos tempos não voltem, talvez não seja possível apagar ou refazer o passado, mas tenho certeza que, juntos, podemos escrever um novo final para a nossa história.
Com carinho,
Nolan
P.S.: Estou anexando uma foto de Cassie à carta, bem como os meus telefones e meu endereço. Me procure se achar que deve.
Tiffany fechou a carta e pousou-a sobre a cama, ao lado do envelope com a qual ela viera.
14 de janeiro de 2010.
Já havia se passado sete meses desde a visita que Nolan lhe fizera. Nunca respondera aquela carta. Ela já a lera dezenas de vezes. Sempre que terminava, queria entrar em contato com Nolan. Ou, pelo menos, procurar Caridwen e conversar sobre tudo... O que acontecera com ela; o que acontecera com Nolan.
Parecia uma enorme ironia do destino que as coisas tivessem dado tão errado para ambos. Era como se as coisas só dessem certo quando e enquanto estavam juntos. Felizmente, as coisas melhoraram, para ambos. Ela não pôde deixar de sorrir. Como ela tinha Josh e Francine, Nolan agora tinha Cassie. E ela tinha certeza que Nolan era um grande pai.
Pegou a foto da pequena garotinha que estava junto com a carta.
Cassie era uma criança linda. Loira, olhos esverdeados, sorriso sapeca. Tiffany perguntou-se se ela parecia com a mãe. À exceção dos olhos, do queixo e do nariz, Tiffany não conseguia ver qualquer outra semelhança com Nolan. Entretanto, a garotinha podia facilmente se passar por filha de Caridwen. Por um momento, voltou sua atenção para a carta de Nolan e o nome de Cassie parecia ter-se destacado em meio às outras palavras.
Cassidy Maeve Cast.
Maeve, o seu nome, o nome pelo qual Nolan costumava tratá-la, o nome que a designava uma verdadeira irlandesa.
Sentiu os olhos arderem e piscou-os com força, tentando afastar as lágrimas que começavam vir. Ele a nomeara em sua homenagem.
Por muitas vezes, pensara em responder àquela carta, mas sequer sabia por onde começar. Agora sentia necessidade de contar tudo o que passara quando ele se foi, da mesma forma que ele fizera, mas tinha medo de fazê-lo sentir-se ainda mais culpado. Sim, porque ela sabia que ele se sentiria muito mal por não ter estado lá com ela, para apoiá-la.
No fundo, Tiffany sabia que não havia como evitar tudo o que lhe acontecera. Ela o culpara por estar ainda magoada com ele, mas a verdade é que ele somente escolhera o momento errado para ir embora. Ou o momento certo, porque se ele tivesse ficado por mais dois ou três meses, talvez jamais tivesse tido a chance de estar jogando na NBA, algo que sempre fora o seu sonho.
Batidas à porta tiraram-na de seus devaneios. Fechou a carta quase que automaticamente, antes mesmo de ver quem estava à porta. Seus olhos então vagaram para sua nova companhia.
- Oi – Herod cumprimentou-a.
- Oi – Tiffany respondeu, um sorriso brincando em seus lábios.
Herod caminhou até a cama dela e sentou-se à beirada. Retribuiu o sorriso da morena, mas ela percebeu que havia algo errado. Seu sorriso se desfez e sua testa se franziu.
- O que houve? – indagou.
Herod tornou a ficar sério e hesitou.
- Herod, o que está acontecendo? – Tiffany insistiu.
- Eu estou indo para Nova York.
- Tudo bem. Quando você volta? – ela fez, despreocupadamente.
Mais uma vez houve hesitação por parte do loiro e o silêncio dele foi o suficiente para que ela percebesse o que havia por trás daquelas palavras.
Ele a beijou e afastou-se rapidamente.
- O que houve? Você parece tenso – ela perguntou.– E curiosamente feliz – acrescentou.
- Eu consegui a chance de fazer um teste para um time de basquete – ele contou.
- Ah, Nolan, mas isso é maravilhoso! – Tiffany pulou no colo dele e o abraçou com força.
- Vai com calma, Mae – Nolan apressou-se em dizer. – Ainda tem a parte ruim.
- Por que eu não estou gostando de seu tom? – Tiffany afastou-se, o cenho franzido.
- Estou indo para Nova York – o rapaz disse, por fim. – Amanhã.
Toda a animação dela desapareceu. Ela abriu a boca para dizer algo, mas as palavras simplesmente não vinham. Sua mente, por outro lado, trabalhava rapidamente.
- Ahn, eu... Tudo bem. Eu vou com você! – Um sorriso enorme estampava o rosto dela.
Por um momento, Nolan sentiu o peito se encher de felicidade e satisfação. Seria maravilhoso tê-la consigo. Entretanto, havia um porém: ele teria tudo o que queria, mas e quanto aos sonhos dela?
- Não, você não vai – disse e viu o sorriso dela simplesmente desaparecer. – Você não vai porque você também tem sonhos e você deve ir atrás de cada um deles. Não pode interrompê-los por causa de um sonho que não é seu.
- Eu vou estar com você, é só o que importa – ela se aproximou para beijá-lo, mas ele afastou-a.
- Eu não quero que você venha comigo. E sei que um dia você vai admitir para si mesma que eu estava certo em não permitir que você abandonasse a vida que tem aqui – Uma pausa. – Diga-me: e quanto a seu pai, sua irmã? E quanto a Cissa e Draco? Eu sei o quanto você os ama. Você os deixaria só para estar comigo, do outro lado do mundo?
- Não é do outro lado do mundo, Nolan. E não é só estar contigo. Porque é o que me faz feliz. Estar com você.
- Eu não quero que você venha comigo – Nolan repetiu com veemência.
- Você não vai voltar – murmurou para Herod quando as lembranças se foram, os olhos ainda perdidos num ponto qualquer do quarto.
- Meu pai estava planejando abrir uma filial da empresa em Nova York há meses, e eu, por ser seu filho e sucessor, iria gerenciar essa filial. Por isso ele queria que eu começasse a trabalhar na empresa – Herod explicou.
Tiffany sentiu os olhos encherem de lágrimas. Herod ajeitou-se na cama e levou a mão de encontro à dela, que repousava sobre o colo. Apertou-a delicada e suavemente.
- Tiffany... – sussurrou enquanto afagava o cabelo dela com a mão livre.
- Isso é tão errado – ela murmurou, sua voz falha. Ela estava claramente lutando contra as lágrimas. – Eu não quero que você vá.
- Eu também não quero, mas eu preciso ir – o loiro replicou e beijou-lhe a testa.
A morena fechou os olhos e deixou escapar uma única e solitária lágrima. Herod beijou-lhe então a bochecha, colhendo a lágrima. Foi quando Tiffany abriu os olhos e fitou-o.
- Eu te amo, Haase – dessa vez ele beijou-lhe os lábios e levantou-se, caminhando rumo à porta.
Tiffany observou-o partir em silêncio. Ouviu a porta da frente da casa se fechar e fechou os olhos, a dor consumindo-a por dentro. Deitou-se, encolhida em posição fetal e abraçou uma de suas almofadas. Chorou. Chorou até que somente estivesse soluçando e um nó tivesse se formado em sua garganta. Chorou até que não houvesse mais lágrimas para derramar.
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Manhã de 16 de janeiro, Clínica Psiquiátrica – Paris, França
Respirou fundo e adentrou o aposento. A enfermeira ainda estava ali, segurando a porta aberta. Acenou para ela lenta e discretamente com a cabeça e ela fechou a porta. Havia uma loira sentada de costas para a porta. Os cabelos eram curtos, mal cobriam as orelhas.
Parecia estar concentrada em um quadro que pintava e em momento algum ela se virara para ver quem estava ali.
- Hei – chamou.
A loira virou-se para ela.
- Oi – cumprimentou-a. – Desculpe, mas... Eu não... Oh, claro, você é a amiga de Herod.
- Tiffany – a morena apresentou-se.
- Você deve ter vindo ver Pansy, eu...
- Não, eu... Eu posso conversar um pouco com você.
A loira sorriu, parecendo feliz por ter alguém com quem conversar.
- Priscilla – ela se apresentou e Tiffany agradeceu mentalmente por ser Priscilla e não Perlla.
- Você gosta de pintar? – perguntou.
- É, principalmente pessoas – Priscilla tornou a sentar-se e retomou a pintura.
- Essa é você? – Tiffany apontou para a tela.
- E estas são Pansy e Perlla – apontou as outras duas. O curioso é que Pansy estava de costas, enquanto Priscilla e Perlla apareciam dentro de duas molduras, como se estivessem dentro de espelhos. Sim, era isso. Eram reflexos. Mais curioso era o fato de uma delas, a que Priscilla apontara como Perlla, ter os cabelos curtos e negros como carvão.
- Você é boa – Tiffany disse.
- Obrigada.
- Tem mais quadros?
- Sim. E também tenho alguns desenhos.
- Pode me mostrar alguns?
- Claro – Priscilla sorriu e levantou-se. Caminhou até a porta e apertou um botão vermelho. – Vou chamar as enfermeiras. Nós não temos acesso aos nossos pertences. Ficam todos em armários individuais em outra sala.
Não foi necessário esperar muito para que a enfermeira chegasse. Priscilla solicitou seus desenhos e quadros e estes chegaram também rapidamente.
- Aqui estão – Priscilla os entregou a Tiffany e tornou a sentar-se na banqueta, observando atentamente a morena, que se acomodara à beirada da cama e passava os desenhos, parecendo bastante interessada.
De todos os desenhos de Priscilla, houve um que chamou a atenção de Tiffany. Toda em preto e branco, a imagem trazia um casal. A mulher estava de costas e parecia olhar para uma porta, onde um rapaz estava parado, olhando-a de volta. Embora não fosse possível ver o rosto da mulher, Tiffany sabia exatamente quem era ela: a própria Priscilla – ou Pansy. Mais do que isso, sabia exatamente como ela se sentia.
- Esse é recente? – perguntou, erguendo os olhos para fitar a loira.
Priscilla assentiu.
- Fiz ontem – acrescentou em seguida.
- Então ele também veio aqui – Tiffany concluiu, sem perceber que falara aquilo em voz alta.
- Anteontem – mais uma vez Priscilla confirmou. – Ele parecia infeliz, embora tentasse aparentar o contrário. Ele não queria ir. Eu sei que não.
- Ele me disse que não queria.
- Mas quando ele assumiu seu cargo de direito na empresa do pai, ele sabia que teria que ir embora. Ele inclusive veio falar com Pansy quando decidiu. Disse que sabia o que ia acontecer, mas disse que era isso o que ele queria. Ele não disse a razão que o levou a tomar essa decisão, mas eu tenho certeza de que foi por sua causa.
Tiffany, que voltara a observar o desenho enquanto ouvia, encarou Priscilla como se ela tivesse acabado de dar um tapa em sua cara.
- O que você quer dizer com isso?
- Ora, vamos! Vai dizer que não percebeu?
A verdade é que Tiffany se recordava de uma conversa que tivera com Herod, onde ele dissera que ele decidira mudar de vida e assumiu responsabilidades depois que conhecera a ela e aos filhos. Em outra conversa, no aniversário de Brianna, ele dissera que a invejava. E, depois da viagem a Boston que fizeram juntos, onde acabaram por se aproximar e, enfim, selar amizade, ele a procurava e tentava passar o máximo tempo possível com ela, Josh e Francine. Ela foi mais longe em suas lembranças e percebeu que a maioria das conversas que tiveram após a viagem a Boston terminavam com um discurso da parte dele, onde ele repetia o quanto a admirava e gostava dela.
“Como se estivesse se despedindo”, concluiu em pensamento.
- Vai fazer um ano desde que vocês se conheceram – Priscilla recomeçou. – Sim, eu sei. Ele teve uma conversa comigo depois do Ano Novo, quando veio visitar Pansy logo após retornar de Limerick, para onde disse que havia ido com você e sua família. Mas não fujamos do assunto. Vocês se conheceram em meados de fevereiro. O aniversário de Anna foi em meados de abril. Dois meses. Esse foi o tempo necessário para ele decidir assumir seu cargo na empresa, quando Haydée Christow lhe pedira todos os dias por nove longos anos para ele fazê-lo.
Tiffany queria dizer algo, mas ouvia em silêncio por simplesmente não ter o que dizer. Priscilla continuou:
- Se formos além, perceberá que esses dois meses foram exatamente os piores da convivência de vocês. Você o ignorava porque acreditava que seria só mais uma para ele. Talvez haja mais. Motivos pessoais, eu arriscaria dizer. Ele, que nunca fora ignorado por uma mulher, acostumado a ter todas que queria, insistiu. Sem resultados, desistiu e resolveu ignorar você também. Mas seus filhos gostavam dele e ele de seus filhos, e você não podia ignorar isso. Permitiu, então, que ele se aproximasse. Ele não esperava isso quando começou a trabalhar. Ele estava somente esperando o dia em que o pai dele o mandaria para Nova York.
“Houve, inclusive, uma viagem que ele fez a Boston, durante a qual ele foi ver a locação onde seria instalada a filial da empresa e fechar o contrato com outras duas empresas, uma de transportes e outra de lojas. Estas foram vendidas à empresa do pai de Herod, de modo que o negócio pôde ser iniciado em Nova York. A produção seria feita em Boston, a transportadora seria também de lá. E a rede de lojas abrangeria Boston e Nova York. A sede da empresa, de onde Herod administraria o negócio ficaria, é claro, em Nova York.”
- Eu fui com ele a esta viagem. Por que ele não me contou? – Tiffany perguntou, uma nota de indignação em sua voz.
- Ele ia contar, mas deixaria para fazê-lo quando vocês voltassem a Londres. Ele não queria contar antes de saber quando ele iria em definitivo para Nova York – Priscilla explicou. – Aparentemente, algo aconteceu e fez com que ele resolvesse manter isso em segredo.
Tiffany assentiu, baixando os olhos.
- Ele fez isso para me proteger.
Priscilla confirmou com um aceno.
- Foi o que ele me disse. E disse algo sobre não querer que a história se repetisse para vocês dois.
Tiffany entendeu imediatamente o que ele quis dizer com aquilo. Se referia ao que acontecera com ela quando Nolan fora para Nova York e à maneira como Pansy ficou quando ele foi morar em Ohio com os pais. Ele se sentia culpado por Pansy e não queria que Tiffany passasse pelo mesmo que passara quando Nolan se foi. Infelizmente, fora inevitável. Ele apenas adiara o sofrimento.
- Ele ama e se importa muito com você e seus filhos – Priscilla disse. – Tudo o que ele queria era poder levar vocês com ele. Vocês e Anna. – Ela sorriu nesse momento. – Honestamente, não sei como ele vai conseguir viver longe de Anna. Ele é louco por ela!
- Ele é mesmo – Tiffany concordou. – Mas ele já teria que conviver com a ausência dela mesmo se ficasse aqui. De qualquer modo, tenho certeza de que ele virá vê-la todo verão.
- Sem dúvida, ele virá – Priscilla comentou, sorrindo.
Houve um instante de silêncio.
- Você não está bem, está? – Priscilla foi quem quebrou o silêncio.
- Não, não estou – Tiffany disse, fitando os olhos azuis da outra. – Mas você também não está, por mais que tente esconder. Foi por isso que vim. Porque sei o que você está sentindo.
- Imagino que queira dizer isso a quem você realmente veio visitar.
- A você também, porque sei que você gosta muito dele.
- Assim como você.
- É, assim como eu – Tiffany admitiu e baixou os olhos para os desenhos que ainda tinha em mãos. Voltou a passá-los, analisando as imagens com atenção.
- Parece que gostou dos desenhos – Priscilla observou. – Pode levar os que quiser.
- Você é boa. Realmente boa – a morena repetiu o que já dissera anteriormente, ainda passando as imagens. Até que houve um que chamou sua atenção tanto quanto o que tinha o casal – Priscilla/Pansy e Herod – se despedindo e ela ergueu os olhos para fitar a loira. – Quem é essa criança? – perguntou, mas era tarde. Priscilla havia ido e deixara Pansy ali, adormecida. – Priscilla?
Então deixou os desenhos de lado e, cuidadosamente, chamou Pansy.
- Pansy? – cutucou-a até que ela despertasse.
- Você...
- Tiffany Haase. Sou amiga de Herod.
- Ah, claro. Ele foi com você para a Irlanda no Ano Novo – Pansy comentou. Então sua expressão tornou-se levemente sobressaltada, como se alguma ideia tivesse lhe ocorrido. – Aconteceu algo com ele?
- Não, ele está bem, espero. Disse que me ligaria quando chegasse a Nova York, então... Suponho que ainda esteja no avião, quase chegando – Tiffany a tranqüilizou.
- Então o que você está fazendo aqui?
- Vim conversar com você, mas era Priscilla quem estava aqui e... ela se foi quando eu estava vendo os desenhos. A propósito, você sabe quem é essa criança? Quero dizer... Você a conhece? – Tiffany mostrou-lhe o desenho.
- Sim, ela tem muitos desenhos de Cassie – Pansy respondeu despreocupadamente.
- Cassie? – a morena fez, alarmada.
- É, esse é o nome dela. O doutor disse que pediu que ela fizesse desenhos dessa garotinha para que eu a conhecesse – a loira contou. – Ele disse que ela é minha filha.
- Sua...?!
- É estranho, eu sei. Eu não sei como posso ter uma filha. Não me lembro de ter estado grávida.
- Isso porque você não era você – Tiffany concluiu, pensando alto.
- Exatamente. Foi o que o doutor disse. E eu percebi que durante os meus vinte e nove anos eu fui eu mesma por poucas vezes. Mas eu não teria percebido que se passaram nove meses sem que eu me lembrasse de nada?, foi o que eu perguntei. E ele disse que, de alguma maneira, elas permitiam que eu tivesse curtos flashes durante esses nove meses, para que eu tivesse noção de que o tempo estava passando.
- Isso significa que você reconheceria o pai de sua filha se o visse.
- Acho que sim, se elas permitiram que eu tivesse algum contato com ele. Só me lembro de ter estado com dois homens em toda a minha vida. Herod...
Tiffany prendeu a respiração e desviou o olhar por um instante, mordendo o lábio inferior antes de voltar a encarar a loira. Ela sabia o que viria a seguir e queria estar preparada para isso.
- ... uma única vez, mas não me lembro de nada que aconteceu e suponho que talvez tenha sido uma delas; e um homem muito bonito, umas três ou quatro vezes, mas nada lembro além disso. – Houve uma pausa e ela parecia ponderar. – Aliás, lembro-me de ter passeado com ele num parque e de um café da manhã que tomamos juntos, mas não consigo lembrar o nome dele. Na verdade, nem mesmo cheguei a conversar com ele. Era tudo sempre muito rápido, elas logo assumiam o controle. O Dr. Lefèvre disse que talvez essas memórias não sejam minhas, e que é possível que elas estejam trazendo-as a mim, deixando-me saber de coisas que vivi e não me lembro.
Nesse momento, Tiffany abriu a carteira e retirou algumas fotos que estavam ali escondidas. Passou-as, vendo rapidamente vários rostos de pessoas que amava. Parou então na de um rapaz de cabelos negros e olhos esverdeados e mostrou-a a Pansy.
- Por acaso seria esse o ‘homem bonito’?
Pansy não conseguiu esconder o espanto.
- Você o conhece?
Tiffany confirmou com um aceno enquanto guardava as fotos novamente na carteira.
- Ele, hum, foi um grande amigo meu.
- E não é mais?
A morena não respondeu de imediato.
- Não, não é mais.
- Mas você acha que poderia pedir que ele viesse até aqui?
- É, eu acho que sim.
- Então faça, por favor. Eu preciso conhecer a minha filha e ele precisa saber que eu não a abandonei.
Tiffany trincou o maxilar, hesitou por um instante, mas acabou assentindo. Ficou ali por mais meia hora, conversando com Pansy. Garantira a ela que entraria em contato com Nolan. E ela o faria ainda aquela tarde.
Quando deixou a clínica, seu celular apitou três vezes consecutivas. Havia uma mensagem de voz, uma mensagem de texto e cinco ligações de Herod. Ela sorriu. Ele devia estar preocupado.
Nem se deu o trabalho de ler a mensagem; retornou imediatamente a ligação.
- Eu juro que já estava pegando um voo de volta para Londres – a voz do loiro ecoou no fone do celular e foi impossível para Tiffany conter o riso.
- Deixe de ser exagerado – Tiffany disse, ainda entre risos. – De todo modo, mesmo que você pegasse o primeiro voo, se algo realmente tivesse acontecido comigo, seria tarde demais quando você chegasse.
- Você teve sorte de eu não ter pensado nisso – a voz dele era séria, grave.
- Eu estou bem, as crianças estão bem, todo mundo está bem – Tiffany garantiu, embora não fosse bem assim que se sentia.
- Você estava no Ministério?
- Não. Eu tirei a semana de folga.
- Tem certeza de que está tudo bem? – Herod insistiu.
Tiffany suspirou, resignada.
- Não, eu não tenho – admitiu. Ela quase pôde vislumbrar o cenho franzido de Herod, sinal de sua preocupação. – Mas eu vou ficar.
- Também vou sentir sua falta – o loiro disse. – Eu já sinto.
- Promete que não vai me esquecer?
- Como se fosse possível! – ele riu. – Prometo, se você prometer o mesmo.
Tiffany riu.
- Como se fosse possível – repetiu o que ele dissera. – Prometo, se você prometer voltar logo.
“Se você prometer voltar para mim”, completou em pensamento.
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Manhã de 28 de janeiro de 2010 – Mansão Branca, York
O último mês fora de muita correria. Eles pareciam, literalmente, correr contra o tempo. Foram tantos preparativos, tanta coisa para organizar que Hermione chegou ao ponto de se desesperar por achar que não conseguiriam arrumar tudo para o dia do casamento.
Tudo fora feito por meio de contatos, de modo que todo o processo fosse agilizado e o trabalho não caísse todo sobre uma pessoa. Alecia era estilista, portanto, ficara responsável por desenhar o vestido e as costureiras contratadas foram as da própria Razzle Dazzle; Molly encarregou-se dos salgados e dos doces; Betty fizera o bolo; Caridwen tiraria as fotos; e Fleur prontamente aceitara fazer a decoração.
Apesar de Harry ser uma figura conhecida, ele e Hermione decidiram fazer uma cerimônia simples, com festa para duzentos convidados. Decidiram que casariam em York, já que a casa de lá era maior e comportaria a todos os convidados. Como ainda estavam no inverno, a cerimônia e a festa seriam internas.
Hermione confiava cegamente no bom gosto de Fleur, então não chegara a se preocupar muito com a decoração. Estava em boas mãos, afinal. Tinha certeza de que estaria tudo exatamente como imaginara, simples e maravilhosamente inesquecível.
Riu sozinha. "Maravilhosamente inesquecível?", pensou. Era algo que Liah diria, observou.
Ela estava no quarto, terminando de se arrumar. Liah e Amy haviam saído dali não muito tempo antes. Tomaram o café-da-manhã juntas e separaram-se quando Alecia chegou com o vestido. Tinham que se arrumar, cada uma em seus aposentos.
Sim, elas estavam hospedadas ali, assim como seus maridos e filhos, enquanto a família de Hermione estava toda hospedada na casa de sua família e os demais convidados estavam hospedados em hotéis e pousadas da cidade. Alguns, à exceção, chegariam somente para o casamento.
Hermione estava no quarto e Rhina e Alecia estavam com ela, bem como as costureiras e uma equipe com manicure, pedicure, cabeleireiro e maquiador. Chegara no dia anterior a York e tivera um dia de princesa, com direito a massagens, sessões de relaxamento e todos os tratamentos de beleza que tinha direito, já que o casamento ocorreria no final da manhã do dia seguinte e ela não teria tempo para tanta coisa antes de sua realização. Agora, com as unhas, a maquiagem e o cabelo já prontos, ela colocava o vestido do casamento com a ajuda das costureiras e de Alecia. Rhina apenas observava, animada com tudo aquilo. Ela tinha as mãos unidas, os dedos entrelaçados, sob o queixo e fitava Hermione com os olhos brilhando em um misto de fascínio e expectativa.
- Você está simplesmente magnífica, Hermione – Rhina disse. – Espere até Alecia deixar que se olhe no espelho...
- Rhina, não a deixe mais ansiosa! – Alecia repreendeu. – Eu já vou deixar você ver, Hermione. Estou apenas checando o vestido.
Hermione sentiu uma imensa vontade de ver o que Rhina via, mas preferiu esperar e ver com os próprios olhos. Ela sabia que o vestido ficara maravilhoso. Notara que o seria desde o momento em que Alecia lhe mostrou o primeiro esboço. Ver o vestido pronto, após todas as provas, fora apenas a confirmação: estava muito mais bonito do que conseguira visualizar em sua imaginação. Mas ela mal podia esperar para vê-lo em si.
- Ana estava certa... Não poderia ter escolhido alguém melhor para desenhar o seu vestido! – Rhina disse. – Foi, decididamente, feito para você.
Anastásia também estava ali, bem como várias outras meninas da Razzle Dazzle, mas somente chegariam na hora da cerimônia. Elas haviam alugado uma casa para todo o fim de semana, já que era uma o casamento seria realizado numa quinta-feira.
Houve batidas à porta e Rhina imediatamente foi atender, fazendo um gesto para que Hermione esperasse.
- Como se eu fosse deixar ela sair daqui ou se virar para o espelho – Alecia resmungou, revirando os olhos e rindo.
Hermione também riu.
- Espero que eu possa me olhar no espelho antes de o casamento começar – disse.
- Não se preocupe, você já viu o vestido, sabe que é perfeito e não tem nenhum buraco nas costas – Alecia disse. – E ele é perfeito para você e você para ele.
- Eu confio em você, Alecia – Hermione disse. – Caso contrário, eu não teria te escolhido para desenhar o vestido, certo?
Rhina voltou acompanhada de Frida, a irmã de Alecia.
- Ai, Hermione do Céu, você está linda! – Frida disse. – Alecia, devo dizer que dessa vez você se superou, irmãzinha – acrescentou para a irmã. – Ela está parecendo uma daquelas princesas de contos de fadas...
- Obrigada, Frida – Hermione agradeceu.
- Eu gosto do trabalho bem feito, Frida, você me conhece e sabe disso – Alecia disse. – Mesmo assim, obrigada.
Frida revirou os olhos.
- Bem, de todo modo, eu vim trazer o buquê. Fleur pediu que eu te entregasse, Hermione – a ruiva disse, entregando o ramo de lírios e lisianthus brancos bem cortado e fortemente amarrado.
Hermione sorriu e agradeceu com um aceno.
Mais batidas à porta. Mas ninguém precisou se manifestar rumo à porta, pois quem quer que fosse a abriu e se juntou a elas. Era Jane Granger.
- Querida, já estão todos aqui. Quando estiver... – Ela se interrompeu quando colocou os olhos na filha. – Mas está divina, minha filha! Linda, linda...
- Obrigada, mamãe – Hermione agradeceu, sorrindo.
- Quando quiser, pode descer – Jane completou.
- Nesse caso, acho que eu quero ficar um pouco sozinha – Hermione pediu. – Podem ir. E avisem para todos estarem a postos porque a noiva vai entrar.
- Tudo bem. Vou mandar seu pai subir em cinco minutos – Jane disse.
Então Rhina, Alecia, Frida e sua mãe se retiraram, todas com sorrisos encorajadores nos lábios. Assim que a porta se fechou, Hermione voltou-se para o espelho.
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Daquele lugar ele podia ver tudo e todos. As mesas redondas para dez convidados estavam dispostas por todo o espaço da enorme sala da Mansão Branca. Diferentemente dos casamentos tradicionais, ao decorar o local, Fleur manteve todos os convidados no espaço da festa e ergueu um pequeno altar ao fundo da sala, onde todos pudessem vê-los sem maiores problemas. Estava tudo perfeito.
Todos os Weasley estavam presentes, bem como os membros da Wendelin Phoenix e da Ordem da Fênix. Isso significava que a família de sua falecida noiva também estava presente e ele fizera questão que o estivesse. Também haviam sido convidados os parentes trouxas de Harry e Hermione.
- Nunca vi um noivo tão calmo em toda a minha vida – Sirius brincou.
- De que me adiantaria ficar nervoso? O máximo que pode acontecer é ela desistir – Harry disse.
- Justamente! É isso o que todo noivo teme – o padrinho retrucou. – Ela pode não entrar e quem paga o King Kong na frente de todos os convidados é você, que fica parado aqui.
- Sirius Black! – Alissa repreendeu. Ela tinha Alec no colo.
- Eu estou falando sério – Sirius fez em tom afetado.
Harry riu.
- Não liga para ele, Harry – Alissa disse, balançando a cabeça negativamente enquanto lançava um olhar reprovador ao marido.
- Eu estou bem, Alissa – Harry garantiu e ergueu os olhos para o alto da escada, onde Chloe aguardava a mãe e tinha os olhos nele. Ele piscou para ela, que sorriu e assentiu. Então ela sumiu.
- Ela está vindo – Jane anunciou ao tomar seu lugar próxima ao altar.
A melodia escolhida começou a tocar e logo todos assentaram-se. No instante seguinte, Harry já conseguia ver Zoe descendo as escadas em seu vestidinho branco com detalhes em verde escuro. Ela trazia um pequeno buquê com lírios e lisianthus brancos, as flores que Fleur e Hermione escolheram para a decoração de toda a festa. Quando a pequena chegou ao último degrau, Chloe surgiu em um vestido todo verde escuro que terminava na altura do joelho. Ao invés de trazer um buquê nas mãos, trazia uma pequena almofada onde estariam as alianças do casal.
Harry olhou para os casais ao seu lado. Aaron e Amy e Scott e Liah foram os escolhidos para padrinhos de seu casamento. Amy e Liah também trajavam vestidos de mesmo tecido e no mesmo tom de verde do vestido de Chloe, embora cada vestido tivesse o seu próprio corte.
Uma vez que Chloe alcançou o último degrau, Hermione adentrou acompanhada por Stan Granger. A morena estava linda em seu vestido rendado branco. Não usava véu e seus cabelos compridos estavam perfeitamente presos ao que parecia um coque trabalhado, com tranças e cachos bem ornamentados. Por conta da gola alta do vestido, o colo estava nu, bem como seu pescoço. A ausência de uma joia ali justificava a escolha dos brincos compridos que a morena usava. Estes eram trabalhados com pequenos brilhantes e esmeraldas e terminavam com uma pedra de cristal em forma de gota. Os pulsos também estavam livres de joias e apenas o anel de noivado com um enorme brilhante que Harry lhe dera ocupava o dedo anelar da mão direita.
Pareceu ser uma eternidade o curto período de tempo até que as três mulheres de sua vida estivessem ali, naquele altar, ao seu lado. Zoe chegou e logo posicionou-se entre Aaron e Amy. Chloe não demorou a alcançar o altar também e assumiu seu lugar entre Scott e Liah.
Harry tinha os olhos presos em Hermione, que parecia flutuar em sua direção. Estava encantadora. Sorria com os lábios e com os olhos, exatamente como Harry adorava. Assim que chegou à beirada do altar improvisado, Harry desceu para tomá-la.
Cumprimentou o pai dela e este a entregou a ele, retirando-se para ficar ao lado da esposa.
O moreno de olhos verdes não precisou abrir a boca para que ela tomasse consciência de quão bela estava. Ela captara seus pensamentos sem dificuldade e enrubescera. Baixou os olhos, sorrindo e tornou a fitá-lo, agradecendo pelos elogios. Então os dois subiram no altar e teve início a cerimônia.
Tudo à sua volta parecia ter desaparecido. Eles conseguiam enxergar somente um ao outro enquanto o juiz de paz fazia o seu discurso. Ao trocarem as alianças, o contato visual se tornou tão intenso que era possível aos convidados sentir a tensão que existia entre os dois.
- Eu, Harry James Potter...
- Eu, Hermione Jane Granger...
- Aceito Hermione Jane Granger...
- Aceito Harry James Potter...
- Como minha esposa e prometo amá-la...
- E respeitá-lo...
- Na alegria e na tristeza...
- Na saúde e na doença...
- Na riqueza e na pobreza...
- Até que a morte nos separe – Hermione finalizou.
- E eu vos declaro marido e mulher – o juiz de paz declarou e Harry não perdeu tempo; tomou-a para si em um demorado beijo.
O amor dos dois foi aplaudido de pé pelos convidados. Ao se separarem, perceberam casais trocando olhares entre si, apaixonados, como se estivessem também renovando os seus votos e juras de amor eterno.
Voltaram a se fitar, as mãos dadas.
- Eu te amo, Potter – Hermione disse.
- Eu te amo, Sra. Potter – Harry respondera.
Hermione limitou-se a sorrir e assentir. Alissa se aproximara com Alec nos braços e o entregara a Hermione. Ao mesmo tempo, Harry pegava Zoe no colo e Chloe abraçava a mãe pela cintura.
A morena sentia-se completa. Nada mais faltava. Ela encontrara o seu lugar e sabia que nunca haveria um lugar no mundo que se equiparasse ao seu lar. Ali tudo era melhor, tudo era seguro.