"Existem aqueles que não acreditam que uma só alma nascida no paraíso, pode se desdobrar em duas e lançar a terra estrelas cadentes sobre oceanos e continentes, onde suas forças magnéticas um dia irão finalmente se reunir outra vez."
-O que é aquilo? - Um homem baixo e muito gordo, apontou para o céu.
-Aquilo o que? - Uma mulher um pouco mais alta questionou, tentando localizar o que o homem havia visto.
-Parecia... ah, deixa pra lá... - O homem achou melhor não falar nada, talvez tivesse bebido demais, aquilo era loucura.
No alto do céu estrelado de Londres podia-se ouvir uma gargalhada alta.
-Eles nos viram. - O moreno falou nervoso, subindo com a vassoura, ainda ouvindo o som da gargalhada da ruiva.
-Ah eles não viram nada, no máximo vão pensar que estão vendo coisas. - A ruiva respondeu sentindo seu cabelos voarem ao vento.
-Para quem estava com medo de subir na vassoura você está gostando bastante.
-O medo passou. Também, com um piloto desses não dá pra ficar com medo. - Ela sorriu do embaraço momentâneo do moreno.
-Você não pode dizer que sou um bom piloto, não tem como comparar com ninguém, afinal, é o primeiro vôo de vassoura que você lembra.
-Pode ser, mas tenho certeza que não seria a mesma coisa com outra pessoa...
*Algumas horas antes*
Victória estava fitando o céu estrelado da cidade, a lua cheia estava bonita e radiante, esbanjando graça pelo emaranhado de estrelas que pareciam disputar uma vaga perto da grande bola iluminada.
Braços fortes envolveram seu corpo e ao aspirar aquele perfume ela sabia de quem se tratava. Repousou seus braços nos dele e ambos ficaram alguns instantes com seus pensamentos.
-Vamos dar uma volta?
Confusa com a proposta a ruiva questionou.
-A essa hora? Onde? Eu estou de camisola.
-Não tem problema, ninguém vai no ver. - Harry saiu de perto dela e erguendo a varinha mentalizou o feitiço.
Victória viu, com um barulho estranho, um objeto entrar no quarto.
-Uma vassoura?!
-Não é uma simples vassoura. É “A” vassoura. - O moreno fitou com os olhos brilhantes a versão mais avançada da vassoura “firebolt”.
-O que você acha que vamos fazer com isso? - Ela perguntou intrigada.
-Voar.
-Bruxos voam em vassouras? Pensei que isso fosse imaginação dos trouxas.
Algumas vezes Harry esquecia que Gina não lembrava de nada, logo ela que adorava voar. Às vezes isso o deixava triste, mas aquele não era o momento, era sim, mais uma oportunidade para ele mostra a ela as diversas coisas do mundo bruxo.
-Acredite se quiser, mas você adorava voar e fazia isso muito bem. - Ele completou ao ver o olhar incrédulo dela.
-Nesse pedaço de madeira? - A ruiva tremeu levemente.
-É. - Harry riu.
-Não ria, isso não tem graça, acho melhor irmos dormir. - Ela própria sorria.
-Não senhora, nós vamos dar uma volta. Você vai gostar, tenho certeza. - Harry puxou a ruiva pela mão.
-Não... eu...
Harry não deu ouvidos e rapidamente ele estava do lado de fora do quarto em cima da vassoura e Victória o encarava receosa.
-Venha. - O moreno estendeu a mão.
Ela não poderia negar que estava com medo. Na verdade, ela estava morrendo de medo de subir naquele pedaço de madeira, bonito, polido, mas ainda assim era um pedaço de madeira. Harry continuava a encarando com a mão estendida e um sorriso encantador no rosto. Ela poderia resistir aquilo? Afinal, ela tinha coragem, não importava o medo que estava sentindo, ela tinha coragem.
Victória pegou na mão do moreno e equilibrando-se entre o para-peito da janela e a vassoura, ela conseguiu se sentar meio desajeitada na frente do moreno.
-Não foi tão difícil assim.
Ela não respondeu, os braços fortes dele passaram por seu corpo e seguraram firme no cabo da vassoura e em seguida eles disparavam pelo céu estrelado, que minutos antes ela apenas olhava da janela do quarto.
Sim, o medo havia dado lugar a uma sensação bem mais agradável. O vento batia forte no rosto dela, seus cabelos voavam batendo de encontro ao rosto dele que a abraçava por trás, guiando a vassoura. De repente, não havia nada mais familiar que aquela sensação, aquilo já fazia parte dela.
A casa de ambos já era pequena e logo depois nem podiam mais localizá-la, era apenas mais um dos pontos iluminados na cidade que ficava para trás. Restava apenas ele, ela, a lua e as estrelas.
*De volta ao presente*
Haviam parado de frente para uma linda constelação de estrelas, estavam cansados de percorrer o céu. Devia fazer muito tempo que estavam voando, mas o tempo parecia ser um fator sem importância quando estavam juntos. Ela o sentiu descansar a cabeça na curva de seu pescoço e uma grande necessidade se apossou do seu ser, muito mais forte que ela, a frase saindo naturalmente, como se estivesse ali há tempos, pronta para ser dita.
-Eu te amo.
Victória sentiu o corpo dele retesar e Harry levantou a cabeça do ombro dela rapidamente. Assustado o moreno procurou desesperadamente encontrar os olhos cor de Mel.
-Você lembrou? Lembrou?
-Não, eu não lembrei de nada.
-Mas... então como... - Harry a olhou confuso. Por um momento pensou que ela houvesse recuperado a memória.
Victória pegou a mão do moreno e levou até seu peito.
-Eu não preciso lembrar disso. É preciso apenas compreender, sentir... Você me fez sentir isso novamente Harry, você fez com que eu me apaixonasse por você novamente, aos poucos, cada gesto seu, cada demonstração de carinho, cada palavra dita, cada palavra não dita... - Ela o olhou, da melhor maneira possível, tentando não cair da vassoura, já que os braços dele não mais estavam apertando seu corpo como antes. Os olhos verdes estavam brilhantes e a analisavam com atenção. - Surgiu novamente, sem que eu precisasse lembrar das coisas do passado, eu sei... eu sei que eu amo. Eu te amo porque você é o que é, eu te amo porque você é parte de mim, tão forte e viva que não precisa de passado algum. Eu te amo porque existem coisas que não se consegue explicar, apenas estão aqui... - Victória apertou a mão dele em seu peito. - ...e continuam, por tudo que aconteça, elas continuam... aqui... - Engolindo o embargo em sua voz, ela continuou com dificuldade. - ...para sempre.
O beijo que se seguiu foi algo como uma continuidade do que a ruiva havia dito, algo como para selar o que ela havia acabado de dizer e apenas a lua e as estrelas serviram de testemunhas para aquela declaração de amor.
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Não diferente de todo o resto do mundo, em Londres existem muitos lugares bonitos e encantadores, ricos e graciosos, luxuosos e requintados, porém também existem lugares miseráveis, repletos de sujeira e infestados de violência e pobreza. Lugares onde a grande maioria das casas encontra-se de pé talvez apenas pela bondade de alguém que rege o mundo, contrariando todas as leis da engenharia.
É exatamente em um bairro do subúrbio de Londres, em uma casa que contraria todas as leis da gravidade, que encontramos uma garotinha olhando relutante para o prato de comida mal cheiroso a sua frente. A garota de aspecto frágil, cabelos na altura do ombro de um loiro vivo e pele branca como cera, que vestia roupas poídas e gastas, respirou com alguma dificuldade antes de erguer a colher que havia ao lado do prato. Sentada como sempre, a garota que aparentava ter menos idade do que realmente tinha, tremeu ao ouvir uma voz soar no ambiente.
-Come logo isso, e deixa de frescura. - A voz afetada gritou de algum ponto da casa.
-Mas mãe... - Sua voz fraca tentou contestar, mas parou abruptamente ao ouvir o som de passos vindo em sua direção.
-Garota eu já disse pra comer logo essa porcaria, eu não vou fazer outra coisa, é bom se contentar. - A mulher rugiu ameaçadoramente, agora a milímetros da garota que deixou a colher cair no chão.
A garota tremeu ao som daquelas palavras e sentada de frente para velha mesa de madeira sentiu uma lágrima quente correr por seu rosto.
-Ah não começa tá? - Sem dar a mínima para a filha, a mulher saiu da cozinha.
Se antes ela estava apenas com dúvidas sobre as condições da comida, agora ela estava com outro problema. Além da fome, ela precisava pegar a colher que havia caído no chão. Lançou um olhar para o lugar de onde segundos antes sua mãe havia sumido, depois virou-se para a colher que estava no chão. Enxugou as lágrimas com a costa da mão e se inclinou para o lado tentando pegar a colher, ainda estava muito longe. Guiou a cadeira um pouco mais para a frente, mas bateu na mesa, voltou para trás e guiou dessa vez para o lado, agora estava mais perto. Inclinou-se novamente, faltava apenas um pouco, um pouco mais e ela conseguiria, esticou mais o braço, ainda faltava um pouco, mais um pouco... a cadeira ameaçou cair para o lado e ela tentou se refazer antes que isso acontecesse, mas já era tarde, ou seria, se duas mãos não houvessem surgido do nada e segurado sua cadeira para que não caísse.
No instante em que os olhos com de âmbar da garota encontraram o rosto da pessoa que havia lhe salvado da iminente queda, eles brilharam de contentamento. Ela viu a mulher loira como ela, pegar a colher do chão e lhe entregar. As duas fitaram-se por longos minutos e abraçaram-se carinhosamente.
-Olha só quem chegou. - A mãe da garota estava na cozinha olhando as duas, seu tom de voz não demonstrava muita alegria, apenas ironia. - Um bom filho a casa paterna retorna.
A recém-chegada se ergueu como um furacão e avançou para a mulher.
-Onde você estava? Sabia que ela ia cair?
-Ah tadinha da pobre Louise... ela ia cair. - A outra retrucou fazendo pouco caso.
-Você não dá a mínima...
-Quem foi embora foi você!
-Você sabe por que...
-Ah claro, a salvadora do mundo. O QUE VOCÊ NOS DEU?
-EU NÃO FIQUEI RICA TÁ BOM?
-Parem de brigar. - A voz fraca da garotinha foi o suficiente para fazer ambas calarem-se. - Loren... você demorou mais dessa vez.
Loren fitou a irmã com carinho e remorso. Com um último olhar de puro ódio para a mãe, ela voltou-se para a irmã. Abaixou-se e ficou de frente para a garota.
-Desculpe, tive alguns problemas... as coisas andam complicadas.
-Ela não se importa com você. - A mãe grunhiu do lugar onde estava. - Apenas com aqueles amigos que fazem bruxaria igual a ela.
Loren apertou os olhos com força, tentando não brigar novamente. Era sempre assim. Sempre que conseguia ia visitar a família, que não era um grande exemplo de família feliz, mas ainda assim era a sua família. Não havia mais ninguém, apenas ela, sua irmã e a sua mãe. O pai havia sumido quando ela ainda era pequena e ao que parecia a pobreza daquele lugar havia endurecido a mãe, ou aquilo era apenas uma desculpa mal fundamentada, porque o modo como ela agia não poderia ser justificado nunca.
Loren sabia que nunca havia sido um exemplo de boa filha, talvez porque sua mãe nunca foi nem de longe um exemplo de boa mãe. Porém ela se esforçava para que sua irmã tivesse o carinho que ela nunca teve quando pequena e tentava a todo custo sustentar sua família. O que não era uma tarefa fácil, pois além das despesas normais de uma casa, havia o mais difícil, o fato da saúde de sua irmã ser seriamente comprometida, coisa que havia ocorrido devido sua mãe ter tomado alguns remédios para abortar.
Louise era uma garota de 10 anos de idade, que precisava de medicamentos caros e cuidados especiais. Ela era incrivelmente inteligente o que rendia o primeiro lugar na escola, isso quando conseguia ir até lá, pois andar de cadeira de rodas no meio das ruas de Londres não era uma tarefa muito fácil. Loren havia feito tudo o que podia, enfeitiçando a cadeira para andar praticamente sozinha, mas a irmã teria que disfarçar, fingir que manejava a cadeira, pois a escola era trouxa.
Loren se sentia culpada muitas vezes, por não estar do lado dela sempre, mas ela precisava estar onde estava, ela estava fazendo aquilo por elas, teria que continuar.
-Eu sei que você se importa comigo, não se preocupe. - Louise falou passando uma das pequenas mãos no rosto da irmã.
-Ficaria chateada se você não soubesse. - Loren brincou. - Eu ando ocupada esses últimos dias, muitas coisas acontecendo, mas tudo vai valer a pena, nós vamos voltar a ficar juntas, não se preocupe. Trouxe algumas coisas para você.
Com um aceno de varinha ela trouxe para mais perto várias sacolas de compras.
-Não trouxe dinheiro? - Dilena, mãe das duas questionou.
-Pra que? Para você gastar tudo e Louise morrer de fome? - Loren perdeu o controle, mas parou ao sentir a mão da irmã no seu braço, voltando a sua atenção para as compras.
Com um bufo alto, Dilena saiu de perto das duas e voltou ao que estava fazendo anteriormente.
-Agora está melhor. - Loren falou mais para si.
-Ela é nossa mãe. - Louise falou sensata demais para uma garota de 10 anos.
-Ela te maltrata que eu sei, não adianta você negar.
-Mas ainda assim é nossa mãe.
Loren sorriu derrotada.
-E essa comida nojenta? - A loira olhou a comida que estava na mesa, parecia estragada. - Ela fez isso?
-Na verdade... estava a alguns dias na geladeira e...
-Eu não acredito nisso. Aqui pode ser um lugar pobre, mas eu nunca deixo faltar comida pra vocês... - Loren não conseguia achar palavras para a sua indignação. - Ela está com preguiça de cozinhar... você tem que se alimentar bem... mas que droga!
Louise apenas abaixou a cabeça enquanto Loren andava de um lado para o outro.
-Você vai morar comigo.
-Eu não posso.
-Você pode. - Loren afirmou.
-Não... eu não posso.
Loren fitou a irmã por alguns instantes, sabia que aquilo era uma discussão perdida. Uma velha batalha que ela não conseguia vencer. Louise não dizia com todas as letras, mas não queria sair dali porque tinha medo que a mãe não tivesse do que viver. Enfim, a garota se sentia responsável pela mãe.
-Tudo bem. - Loren juntou forças para sorrir e tentar animar a irmã. - Nós vamos fazer um jantar delicioso e depois eu te mostro as coisas legais que eu comprei para você, afinal, está ficando uma mocinha.
Um sorriso iluminou a face da garota que se pôs a desfazer as compras junto com a irmã. A perspectiva de fazer algo com a pessoa que mais amava lhe deu um novo ar. Apesar das pernas não colaborarem, ela podia pegar as sacolas mais próximas e ajudar, e também rir da maneira como a irmã preparava a comida, atrapalhada como ela sempre foi, vez ou outra deixava algo cair no chão ou queimava a ponta do dedo. Além de conversarem muito, enquanto faziam um delicioso jantar.
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As mãos enfiadas pesadamente dentro do bolso da calça, os pés andando sem rumo algum e a cabeça totalmente longe de onde quer que ele estivesse. Aquela noite de sexta-feira estava anormalmente quente e ele bufou irritado, querendo por a culpa em alguém pelo seu estado de espírito.
Por que diabos ele não conseguia se animar com nada? O ruivo chutou uma pedra que estava em seu caminho e levou as mãos até sua nuca, esfregando nervosamente.
Ele avistou ao longe o lugar iluminado por feixes de luzes brancas e um apinhado de pessoas acumuladas na entrada. Andando de forma decidida, rumou para o amontoado de pessoas. A entrada naquele lugar era muito disputada, apenas pessoas selecionadas, ou com amigos certos conseguia entrar. Fred Weasley deveria se incluir no primeiro e no segundo grupo, afinal, ele era um bem sucedido empresário bruxo e as pessoas simpatizavam muito com os produtos de sua loja, e conseqüentemente com ele, quanto aos amigos, ele sempre os teve, e era apenas uma coincidência que o dono do lugar fosse seu amigo de longa data.
Um dos seguranças - que mais parecia um armário de tão grande - assim que o avistou fez sinal para que ele entrasse, causando um tumulto nas pessoas que esperavam uma possibilidade de adentrar o requintado lugar. Impropérios foram disparados contra ele, mas Fred nem mesmo demonstrou estar ouvindo, por alguma razão ele não sentiu vontade de fazer piada com nada daquilo. Céus! Ele devia estar se tornando um daqueles velhos ranzinzas.
Quando finalmente entrou na boate bruxa, seus olhos foram ofuscados por alguns instantes pela luz que girava na pista de dança, a batida animada da música e as pessoas dançando freneticamente não combinavam com seu ânimo e por um momento ele pensou em sair dali. Porém uma mão bateu em seu ombro e ele se virou já sabendo quem era.
-Vejam só quem veio.
A voz grave tão conhecida, não apenas para ele, como para muitas pessoas da época de escola se fez presente. Ao se virar Fred viu um homem negro, de cabelos rastafári e expressão divertida.
-Olá Lino. - Fred colocou uma nota de animação na voz.
Por um instante Lino franziu a sobrancelha, mas logo sorriu e abraçou o velho amigo.
-Cara você nunca mais tinha aparecido. Onde está o Jorge?
-Ele tá em casa com a mulher e o filho. - Fred revirou os olhos.
O fato era que Fred nunca gostou do fato de seu inseparável irmão ter se casado, parecia que alguém havia roubado seu companheiro. É claro que Jorge continuava o mesmo. Eles trabalhavam juntos, passavam grande parte do dia juntos, porém não podiam sair juntos como faziam antes. Sair à noite para curtir, como costumavam dizer. Para não se ver sozinho, correr para a boate de Lino Jordan era sempre a melhor alternativa. Lino havia aberto uma boate e tinha sido muito bem sucedido, afinal, os bruxos não tinham muitas opções de divertimento, e ao invés de correrem para uma boate trouxa, podiam ir para uma apenas de bruxos.
O lugar todo era muito bem decorado, possuía um estilo medieval, as grandes colunas espalhadas eram adornadas com archotes de luzes que eram encantados para mudar de cor. A própria pista de dança parecia flutuar alguns metros do chão, e Fred ainda ria quando se lembrava de toda a confusão que ele, Jorge e Lino haviam feito para decorar todo o ambiente, além de boas gargalhadas, aquilo também rendeu um bom resultado. O lugar era inegavelmente um sucesso.
-Bombonzinho você sumiu.
Fred se viu coberto por uma massa de cabelos negros e tentou respirar em meio ao beijo que a morena lhe dava.
-Oi pra você também Tamy. - Tentando se refazer do susto, Fred sorriu ao analisar as curvas perfeitas da morena. - Pensei que você estivesse viajando, se soubesse que você estava aqui, teria vindo antes.
Aquilo com certeza alargou o sorriso da morena, mas logo em seguida ela fez um biquinho.
-Você não deu mais as caras, pensei que tivesse esquecido de mim.
-É quase impossível esquecer você. - Fred varreu a morena com o olhar e sentiu o corpo dela tremer levemente. “É, ele não havia perdido o jeito. Apenas estava destreinado”.
Tamara Lenton era uma garota rica, amiga da namorada de Lino. Incrivelmente mimada e cheia de vontade, a garota quase sempre conseguia o que queria. Fred sabia muito bem que ela poderia ser um belo pé no saco, mas também sabia como era bem recompensado entre quatro paredes por ter que aturá-la. Resumindo, ela era muito boa, mas de boca fechada.
-Quando vocês dois decidirem se largar, a gente pode procurar uma mesa. - Lino brincou segurando na mão da namorada.
-Não vamos para o seu camarote Lino? - Tamara perguntou.
-Ah não, vamos ficar aqui no meio da galera mesmo. - Fred puxou a garota para uma das mesas sem dar importância às queixas dela.
A solução para o seu problema estava ali, uma mulher. Tamara sabia realmente como animar um homem e os lábios carnudos dela se misturavam aos seus, porém havia algo estranho, não era como das outras vezes, por mais que Fred quisesse se envolver, por mais que ele tentasse esquecer... por mais que ele se esforçasse a imagem de uma certa loira surtia em sua mente, o gosto dela surgia em sua mente, a despedida deles surgia em sua mente... estava cruelmente gravado ali, ele tinha certeza que ela havia feito um feitiço, algum feitiço que ele ainda não havia descoberto. Era como se depois de ter provado o mais delicioso mel, ele não conseguisse se contentar com os outros.
-O que foi Bombom? - Tamy descolou os lábios e analisou o ruivo.
-Não é nada. - Fred respondeu firmemente, tentando colocar isso na própria cabeça e voltou a beijar a morena com vigor.
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“Eu não vou pro inferno
Eu não iria tão longe por você
Mas vai ser impossível não lembrar
Vou estar em tudo em que você vê”
Sentada no batente da janela, com a cabeça encostada na parede atrás de si, Loren tinha o olhar perdido, concentrado em um ponto invisível, talvez nas estrelas, ou na lua. Deveria ser bem tarde, mas ela continuava ali, paralisada. Mesmo que o barulho dos outros trabalhando, fazendo algo de importante no andar de baixo estivesse alto, ela parecia não ouvir.
Fechou os olhos devagar e a imagem de um ruivo sorridente surgiu na sua frente, isso sempre acontecia, e ela tinha consciência de que não conseguiria evitar. A única coisa que poderia fazer era sentir, deixar acontecer, não adiantava lutar. A loira tinha experiência nisso, sabia o que havia acontecido, por mais que ela tivesse tentado evitar. Era muito maior que ela.
Loren apertou com força o copo de vidro que estava em suas mãos, queria que ele quebrasse, queria muito que ele quebrasse e que os diversos cacos de vidro perfurassem a pele de sua mão. Ela queria sentir dor, queria que tudo a atingisse, talvez com a dor dos cacos de vidro em sua mão ela deixasse de sentir aquela dor muito mais profunda em seu peito. A dor do remorso. Ah, como ela sentia aquela dor... como aquilo era tão profundo dentro dela.
Ela não era nenhuma santa, longe disso, ela nunca foi santa. O que Victória estaria pensando dela? A família Weasley? Uma família que a acolhera como um novo membro, com carinho, amor e proteção. O que Fred estaria pensando? Ela não fingiria que não se importava com o que ele pensava, ela se importava sim, pena que não poderia fazer nada.
“Nos seus livros, nos seus discos
Vou entrar na sua roupa
E onde você menos esperar
Eu vou estar”
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“Eu não vou pro céu também
Eu não sou tão bom assim
E mesmo quando encontrar alguém
Você ainda vai ver, a mim”
Aquilo deveria ser uma grande e idiota brincadeira. Quem diria que Fred Weasley estaria naquela noite de sexta-feira que começou com um grande amasso com Tamara Lenton, lençóis embolados e corpos suados na cama do luxuoso apartamento da morena e agora terminaria com ele próprio jogado sozinho na poltrona do seu apartamento – que nem ele mesmo visitava a tempos - em cima da loja de logros.
Depois de ter passado um longo tempo apreciando os prazeres do corpo da morena, depois de ter feito coisas que deveriam ter deixado-o feliz por dias... ele deveria no mínimo ter ficado o resto da noite com ela, e não seria nenhum sacrifício, poderiam ter inclusive continuado uma série de outras coisas.
Mas que droga, ele tinha transado loucamente com ela e no fim havia simplesmente ido embora. Ao invés de se sentir bem, saiu dali se sentindo mais perdido do que estava antes, ele realmente estava muito pior do que antes.
Durante aquela noite, mesmo que ele evitasse não conseguia parar de pensar nela. Endria ou Loren, seja lá quem ela fosse, estava impregnada nele, em sua pele, em seu ar...
“Nos seus livros, nos seus discos
Vou entrar na sua roupa
E onde você menos esperar”
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“Em baixo da cama
Nos carros passando
No verde da grama
Na chuva chegando
eu vou voltar”
Um grande e barulhento trovão se fez ouvir e logo as gotas grossas de chuva caiam no chão. Junto com o barulho do trovão, o copo nas mãos da loira finalmente quebrou, e ela apertou os cacos de vidro firmemente em sua mão. Uma careta de dor estava em seu rosto, o sangue escorria, pingando na janela, mas ainda assim ela estava longe de se sentir em paz. Loren encolheu-se no canto da janela e um arrepio frio passou por seu corpo. Ela voltou o olhar para o céu nublado, agora sem estrela alguma.
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O calor daquela noite o estava deixando mais nervoso ainda, Fred levantou-se da poltrona e fitou o céu vazio de estrelas. Por alguma razão aquela atitude o deixou mais tranqüilo, olhar o céu naquele momento parecia o mais certo a se fazer.
“Nos seus livros, nos seus discos
Vou entrar na sua roupa
E onde você menos esperar
Eu vou estar”
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Enfim havia acabado. Todos os detalhes pensados durante meses estavam prontos. O resultado final fazia uma alegria emanar de seu corpo e passar não apenas pelo lindo sorriso da jovem, mas também por todo o seu corpo. Ela correu para fora da linda casa, a casa de seu sonhos, tudo como ela sempre imaginara que seria.
Ela ainda olhou rapidamente para a cerca de entrada da casa, pintada caprichosamente de branco, que rendeu muitos dias de divertimento ao jovem casal, tentando pintá-la, causando várias sessões de beijos e peças de roupas meladas de tinta, mais que isso, havia rendido dias inesquecíveis. Correu até os fundos da casa e sorriu ao ver o pequeno jardim.
O jardim que ainda não possuia flores, nunca pareceu tão lindo e convidativo. As gotas de chuva que começavam a cair nunca pareceram tão agradáveis, o toque delas em sua pele era prazeroso. Podia sentir sua roupa grudar em seu corpo molhado. Seu cabelo começava a grudar em seu rosto mais ela não ligava, apenas girava de braços apertos, recebendo como uma grande bênção a chuva que caia.
-Onde você está?
A voz vinda de dentro da casa a fez sorrir mais ainda e ela abriu os olhos, mas continuou de braços abertos. Logo ela viu um rapaz lindo, com cabelos negros espetados e olhos verdes surgir na porta dos fundos, de frente para ela.
-Gi, você vai acabar pegando um resfriado. - O dono dos olhos verdes a olhou preocupado.
-Então vem ficar resfriado junto comigo... - Ela sorriu sapeca. - Vale a pena.
Harry olhou atentamente para o corpo da jovem e logo depois para o seu rosto iluminado.
-Alguém pode aparecer. - Ele respondeu com seu jeito tímido.
-E o que tem? Estamos na nossa casa. NOSSA CASA! - Dessa vez ela gritou, sorrindo mais ainda.
Era nítido que o rapaz de olhos verdes estava louco para correr na chuva de encontro à linda jovem ruiva.
Logo ela sentiu os braços fortes dele abraçando seu corpo e abriu os olhos para ter certeza de que aquilo tudo era verdade.
-Nossa casa. - Ele sussurrou no ouvido dela fazendo-a se arrepiar.
-Sim. E estaremos aqui para sempre daqui a uma semana, juntos para sempre!
-PARA SEMPRE! - Harry a apertou mais ainda e a suspendeu no ar.
Ambos molhados, ensopados, roupas coladas no corpo, completamente alheios ao seu redor. Rodando felizes pelo jardim do fundo de uma casa em um bairro trouxa comum de Londres.
Gina sentia Harry a rodando e o contato quente do corpo dele ao seu. Beijou os lábios dele com vontade e assanhou os cabelos negros molhados.
-Para sempre. - Ela repetiu por entre os lábios dele.
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Victória abriu os olhos devagar, não queria esquecer o que havia acabado de ver, sabia que não era um sonho, não um simples sonho. Antes que conseguisse divisar alguma coisa no ambiente fracamente iluminado do quarto, ela ouviu uma voz forte e ao mesmo tempo doce ao seu lado.
-O que é para sempre?
Ela não sabia que estava sorrindo, nem mesmo que havia pronunciado aquelas palavras em alto e bom som. Muito lenta e preguiçosamente ela se mexeu nos braços dele - que estavam em volta de seu corpo - e aspirando antes o delicioso perfume do corpo do moreno, ela o encarou.
Minutos antes Harry havia ouvido Gina dizer aquelas palavras, a julgar pela expressão no rosto da ruiva ela estava tendo um sonho muito bom. Viu quando ela acordou e ele perguntou. Apreciou a movimentação dela na cama e assim que seus olhos se encontraram ele passou a mão pelo rosto delicado.
-Dois jovens comemorando alguma coisa, talvez a casa em que passariam o resto de suas vidas. - Ela conteve o sorriso ao ver a expressão intrigada dele. - Despreocupados com a chuva que caia e os molhava sem piedade. - Agora ele sorria. - Girando como loucos no fundo da casa. - Definitivamente o sorriso dele era lindo. - Se beijando apaixonadamente...
Ela não continuou, o contato intempestivo dos lábios dele nos seus era algo que ela precisava retribuir. Beijaram-se lentamente, saboreando o gosto de tudo aquilo, de todas aquelas emoções, sensações...
Nada o deixava mais feliz do que ver Gina recordando momentos felizes da vida de ambos. Algo parecia disparar em seu peito e o aquecia, deixando-o em paz e em completo estado de felicidade.
Separaram-se e Harry a apertou contra seu peito, não falaram nada durante algum tempo, o calor do abraço um do outro era o suficiente, suficiente para expressar qualquer sentimento e mais eficiente do que mil palavras.
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-Cara você sabe que horas são? Até eu consegui chegar antes de você, isso é um milagre. - O ruivo olhou preocupado para o amigo.
Harry não disse nada, apenas se sentou olhando bobamente para a sua mesa de trabalho no ministério.
-Eu tenho que dizer que detestava quando você ficava com cara de velório sentado nessa cadeira, mas essa sua cara de felicidade tá me dando enjôo. - O ruivo brincou fingindo ânsia de vômito.
Saindo de seu devaneio matinal, Harry jogou uma bola de papel particularmente grande em direção a Rony que se desviou.
-Vamos ao trabalho que é melhor, acho que você não gostaria de saber detalhes da minha felicidade. - O moreno alfinetou.
-Ah não, me poupe dos detalhes sim? Ninguém merece ouvir o melhor amigo falando sobre a sua irmãzinha.
-Irmãzinha? - Harry ergueu uma sobrancelha, era engraçado como Rony sempre insistia com aquilo.
-Irmãzinha sim, e vamos mudar logo de assunto.
Os amigos riram gostosamente por um instante, antes de voltarem à realidade.
-Alguma novidade sobre o Pretick? - Quis saber Harry.
-Nada, o cara definitivamente sumiu, faz duas semanas que não aparece no trabalho...
-Isso é estranho, muito estranho.
Antes que Harry e Rony continuassem confabulando sobre o sumiço de Pretick - como sempre acontecia nos últimos dias - a porta da sala se abriu e passou por ela uma esfogueada Marjore.
-Algum problema? - O ruivo foi mais rápido.
-Ouh, acho melhor vocês continuarem sentados. - A mulher astuta e fiel companheira de trabalho dos dois fechou a porta e fez sinal para que eles não se levantassem. - Acharam o chefe do departamento de mistérios.
-Pretick? - Harry quis confirmar.
-Que eu saiba não existe outro.
-Vamos atrás do desgraçado. - Rony se levantou.
-Acho que ele não vai poder dizer nada... - Aquelas palavras despertaram uma onda de tensão na sala. - Na verdade poucas pessoas conseguem dizer alguma coisa sem a língua.
-O que?! - Dessa vez era Harry que havia levantado.
-Não se dê ao trabalho Potter. - Marjore completou ao ver Harry tentando sair da sala. - Pessoas sem língua e mortas não dizem nada.
-Ele está morto? - Rony estava a milímetros de Marjore.
-Encontraram o corpo dele nas imediações de Nunavut, um território que pertence ao Canadá.
-O que diabos ele estava fazendo no Canadá? - Harry passou a mão pelos cabelos, nervoso.
-É isso que os outros aurores estão tentando descobrir. O fato é que o corpo dele não está muito agradável de se ver, se é que vocês me entendem. Tem um símbolo esquisito na testa dele e o pessoal não consegue descobrir o que é. Um circulo com...
Antes que Marjore terminasse Harry e Rony se encararam, ambos tinham certeza de que símbolo ela estava falando e saíram da sala, com Marjore ainda falando atrás deles.
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A visão do corpo de Pretick realmente causou náuseas em muitos dos aurores que aparataram nas imediações de Nunavut. Um número grande deles preferiram cuidar dos trouxas que acharam o corpo, do que tentar analisar o que havia acontecido.
Assim que aparatou na cidade que mais parecia fantasma, tamanho o silêncio do lugar, Harry viu a necessidade de providenciar roupas de frio. Tudo era coberto pelo branco da neve e a temperatura deveria estar muitos graus abaixo de zero.
Ao se aproximar do corpo de Pretick, Harry reprimiu uma careta. O corpo estava coberto por algo que parecia uma lama aquosa, as mãos do homem não existiam e a julgar pelo que se via da boca aberta, a língua realmente não estava ali. O sangue que estava espalhado pelo lugar havia sido completamente congelado pela temperatura, e só não havia um fedor insuportável justamente pelo frio que tinha praticamente congelado o corpo do pobre homem. O chefe do departamento de mistérios, o homem que Harry mais havia perseguido para saber algo sobre Gina, não mais poderia informar nada.
-O que você acha que houve? - Harry questionou Afilen, seu chefe na sessão de aurores.
Afilen estava abaixado de frente para o corpo de Pretick e fumava um de seus cigarros. Ninguém mais parecia interessado em estar lá, e os vários aurores percorriam a redondeza atrás de outras pistas.
-As coisas estão começando a ficar animadas Potter. - Afilen respondeu.
-Isso porque você não sabe da metade. - Rony soltou e recebeu um olhar reprovador de Harry.
-É, eu sei que você estão escondendo algo, espero que não se arrependam, porque eu poderia ajudar. - O chefe falou sem tom de ressentimento.
-Acho que sua ajuda seria importante. - O ruivo insistiu e virou-se para o amigo - Isso está cada vez mais sério Harry e com certeza a ajuda de Afilen seria bem vinda.
-Concordo com o seu amigo ruivo. - Afilen se levantou e fitou os dois amigos.
Harry respirou fundo, visivelmente confuso.
-Vamos Potter, se eu quisesse fazer alguma coisa contra vocês já teria feito. Sem contar que apaguei, diga-se de passagem sem autorização, a memória de dois aurores que viram a sua mulher naquele dia da invasão da sua casa. Isso está ficando comprometedor até mesmo para mim. - O homem jogou o cigarro no chão banhado pela neve e pisou nele.
-Assim que voltarmos, podemos conversar na sua sala. - Harry havia decidido.
-No ministério não, estou mais atento do que imaginam rapazes e pelo visto existem pessoas demais circulando por lá. - Dessa vez Afilen encarou seriamente Harry e Rony que pareceram surpresos com a resposta.
-Na minha casa então. - O moreno marcou recebendo a concordância dos outros dois.
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-Ah não!!! - A garotinha de cabelos vermelhos resmungou derrotada.
-Eu disse que você ia perder. - Falou uma mulher de cabelos vermelhos.
-Ah mais sou eu que sempre ganho. - Um garotinho de cabelos negros resmungou ofendido.
Victória riu das duas crianças que estavam em casa com ela. Ela, Mel e Gustavo – filho de Jorge e Karine – estavam brincando de caça aos duendes, um jogo infantil que consistia em pegar duendes escondidos nas diversas áreas do jogo. Era divertido, as pequenas criaturas desenhadas no tabuleiro e magicamente animadas, corriam por todos os lados e os jogadores com redes pequenas, tentavam apanhá-las. Haviam bosques e rios desenhados no tabuleiro e os duendes poderiam se esconder pelos mais diversos lugares.
Os três passaram a tarde toda brincando e Victória se divertia com a irritação das crianças por perderem o jogo. Eles estavam sentados ao redor do tabuleiro em cima da cama do quarto de Harry e Victória. Então ela pegou um travesseiro e declarou guerra contra os pequenos.
-Vamos decidir isso de uma forma civilizada. - falou antes de atacar Mel.
A pequena ruivinha pareceu adorar o ataque e rolou pela cama, pegando outro travesseiro e avançando para Gustavo que já havia se armado.
Em pouco segundos a balbúrdia havia se instalado. Como três crianças eles corriam por toda a casa disparando travesseiros e atacando uns aos outros. Em meio às gargalhadas e travesseiradas o grupo parou de repente. Um barulho de algo sendo literalmente explodido os fez tremer.
-Silêncio. - Victória puxou a varinha e com as duas crianças atrás de si ela começou a descer a escada.
A sala parecia completamente normal, se não fosse a porta da frente estar completamente destruída. A ruiva sentiu seu corpo tremer, mas as duas crianças que andavam segurando em sua roupa com força a fizeram continuar.
Victória havia chegado perto do sofá quando um raio vermelho passou a milímetros de seu corpo e ela caiu para o outro lado.
-Para trás do sofá. Agora! - Ela gritou enquanto Mel e Gustavo se escondiam atrás do lugar aonde ela havia mandado.
Tudo bem, ela tinha uma varinha. Não sabia como usá-la, mas ainda assim tinha uma varinha. Outro raio. Ela nem mesmo viu de que cor era, isso nem mesmo tinha importância, o importante era não deixar que nenhum deles lhe atingisse. Ainda olhou mais uma vez para o rosto assustado das crianças antes de tentar localizar de onde vinha o seu atacante.
E ela localizou, do lado oposto surgiu um homem que ela conhecia muito bem, principalmente pelo ultimo encontro. Antes que ela pensasse, surgiu em sua boca as palavras.
-ALARTE ASCANDARE!
Victória viu um jato sair forte de sua varinha e atingir um surpreso Clarck. O corpo dele foi jogado para cima e caiu com violência no chão. Gemendo de dor ele tentou se levantar, mas como um fogo imenso que havia acabado de começar e tinha chegado a um barril de gasolina, ela continuou.
-IMMOBILUS!
Parado como uma estátua Clarck continuou no chão, imóvel. Porém Victória sentia que as coisas não haviam parado por ai, havia mais. Com os sentidos em alerta ela ouviu um pequeno ruído vindo do seu lado esquerdo.
-ESTUPEFAÇA!
A ruiva disparou, acertando o alvo que parecia completamente surpreso, ela não sabia de quem se tratava, mas tinha certeza que eles não esperavam por reação nenhuma. Para aquelas pessoas e até para ela mesma, ela não saberia usar magia, então eles não tinham o que temer. Engano o deles.
Um jato azul foi jogado em sua direção, com os reflexos rápidos - vindos de algum lugar que ela não sabia – Victória girou para o lado oposto e encarou uma mulher de cabelos negros e expressão maníaca.
-EXPELLIARMUS!
Victória disparou enquanto recebia uma chuva de feitiços silenciosos da mulher. A ruiva correu pela sala, sendo seguida por diversos raios, a mulher que a perseguia era muito mais poderosa que os outros. Victória podia ver e ouvir os pedaços das paredes por onde ela passava, caindo ao chão. Poeira caia sobre seu corpo e ela tentava localizar a mulher sem ser atingida por um feitiço.
-ESTUPEFAÇA!
A ruiva tentou disparar, mas o feitiço passou longe do corpo da mulher. Outros raios passaram a milímetros de seu corpo e paredes explodiam a sua volta.
-QUE LINDO, ELA ESTÁ LEMBRANDO DAS COISAS.
Victória ouviu a voz irritante da mulher, debochando claramente e parecendo se divertir com a situação.
-Ah, onde está aquela menininha ruiva tão linda?
Algo se remexeu dentro de Victória ao ouvir aquelas palavras, e ela procurou desesperadamente encontrar Mel atrás do sofá. Aquilo com certeza a distraiu, talvez fosse justamente esse o intuito da mulher. Um raio vermelho atingiu sua costela no lado direito e ela gritou de dor, havia sangue.
-IMPEDIMENTA! - A ruiva disparou, mas a mulher desviou habilmente.
-LOCOMOTOR MORTIS! - Novamente Victória tentou, todos os feitiços que vinham em sua cabeça ela colocava para fora, antes que a mulher chegasse perto dela.
-Ah mas você só usa feitiço de criança. Vou te mostrar um de gente grande. - A mulher sorriu debilmente. - CRUCIUS!
Ela não sabia que estava gritando, ela não sabia que estava se contorcendo de dor no chão da sala sendo assistida por uma apavorada Mel. Ela nem mesmo sabia quem era, seu corpo todo parecia queimar em brasa, sendo espetado por diversos objetos pontiagudos e ela não podia se concentrar em mais nada, apenas na dor que estava sentindo. Tão logo tudo havia começado, havia acabado. Victória arfava e tossia sem ar no chão empoeirado da sala de estar.
-Viu? Esse é um feitiço de gente grande. Agora vamos ver se uma menininha ruiva consegue resistir tão bravamente quanto a mãe.
Aquilo foi como ganhar ânimo instantaneamente, Victória ergueu o tronco do chão e encarou friamente a mulher que se dirigia até Mel.
-MINHA FILHA NÃO BELATRIZ!
Mais uma vez o elemento surpresa era um fator importante, Belatriz Lestrange surpreendeu-se por ter sido reconhecida pela ruiva e como em toda batalha – e Victória mesmo havia provado disso – um único segundo de desatenção pode significar a derrota para qualquer um dos dois lados.
-PETRIFICUS TOTALUS!
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NB Pri: MANA!!!!!!!!!!!!!!! Primeiro eu fiquei com peninha da Loren e de sua irmã. E também do Fred coitado... Se bem que ele aproveitou bem a talzinha, né? Tira a minha pena dele... Harry e Gina *-* \o/ *-* Foi tudo tãoooooooooo lindo!!!!!! Mas você tinha que terminar o capítulo com um pouco de ação, não é??? Ô mulher impiedosa... O capítulo ficou maravilhoso, como sempre. Bjks e te amo.
NB Pam: Quem nunca ouviu aquela frase: “É fácil conquistar uma mulher a cada dia. O difícil é conquistar a mesma mulher todo dia!”. Como se já não bastasse o Harry ser o herói do mundo bruxo, ter olhos verdes maravilhosos e principalmente ser o príncipe encantado, ele ainda conseguiu conquistar a Gina mais uma vez! *suspira* Onde é que acha um desses mesmo? rsrs Mana, você começou esse capítulo tão romântica! Amei! Só a lua e as estrelas de testemunha..ai, ai. Quase fiquei com dó da Endria, quase. Dó mesmo eu fiquei do Fred, tadinho, sofrendo por amor, nem piada ele consegue fazer! Algo me diz que se esses dois se acertarem, a reconciliação vai ser quente! hihihi A Bella é aquele tipo de pessoa que chamamos de estraga prazer né?! Ela sempre chega para acabar com a felicidade dos outros. Poxa, ela interrompeu uma guerra de travesseiro! Isso é sagrado! Rsss... Capítulo perfeito mana! Ótimo presente de aniversário! Amo-te. Beijosss!
N/A: Primeiro a respostas dos comentários pessoal:
Nicole Evans – Oi Prima, primeira a comentar rssssssss... Tadinha da Mel mesmo (autora assobiando). A vc tá me chamando de tarada? Um cap. Meu tem que ter Nc? Que é isso? Eu sou um anjo hihihihi... obrigada por sempre estar aqui prima e olhe eu recebi o comunicado do site, me chame se eu puder ajudar em algo, não abandonei o projeto, pelo menos não totalmente rsssss... beijos.
Myrthes – Até que eu não demorei tanto né? Rsssssss... obrigada pelo comentário, beijos.
Sônia Sag – SÔÔÔÔÔÔ!!!! (Abraça) Gostou da mesa da cozinha é? Ahuahuahauah... menina levada vc, pensando nas mesas de Hogwarts hauhauahu... beijos e obrigada pelo comentário lindo.
Tonks Butterfly – Olá menina, obrigada pelo comentário e algumas perguntas até foram respondidas nesse capítulo viu? Quanto a sua filhinha, não copie o nome da minha filha (Luiza) viu? Hauahuahau... Beijos.
Lili Negrão – OIIIII... foi bom conversar com vc no msn, mesmo que tenha sido pouco rssss... minha fic seja eterna? Hihihihii... tadinha de mim rssssss... mas fico muito feliz que vc goste tanto assim dela. Quanto a Mel, acho que ela vai acabar ficando traumatizada huahauahu... tadinha da ruivinha. Vc viu nesse cap. Algumas coisas sobre a Endria/Loren né? Acho que algumas coisas ficaram mais claras em relação a ela. Beijos.
MarciaM – Vc tem razão, acho que o pobre do Harry vai ficar ouvindo os gritos da Gi durante muito tempo ainda rssssss... e como vc viu as coisas estão longe de se resolverem. Obrigada pelo lindo, carinhoso e empolgante comentário, VALEU!
Mérope Slytherin Houghton – Não morra do coração agora não querida, ainda temos muitas coisas hauhauahau... O Harry macho foi bom né? Ele dando um socão no chefe da Gina, vc adoram um homem assim né? Hauahuahau... eu tb adoro kkkkkkkkk... Um novo poder concebido na mesa da cozinha? Hauahuahau... é uma possibilidade rsssss... Gostou do Quasar foi? Obrigada pelos lindos comentários mana. BEIJOS!!!
Acel – Obrigada pelo comentário, é um grande motivação. Beijos enormes.
Miaka-ELA – Vc tb gostou do Harry macho né? Hauahuahau... meninas assanhadas vcs rssssss... beijos e obrigada.
Amanda – Ah obrigada viu? Espero ter conseguido fazer vc gostar desse capítulo tb. Beijos.
Victor Farias – Olá!!! Altas conversas no msn hauhauahu... bem eu acho que já respondi a sua pergunta né? Kkkkkkkkk... é exatamente o que lhe falei: descrever os sentimentos e não as simples ações. Beijos e conversamos mais no msn.
Gina W. Potter – Obrigada pelo comentário rsssssss... que bom que vc gostou do cap. E da NC. Beijos.
Lola Potter – Que bom que vc gostou dos bonequinhos rsssss... me diverti escrevendo, e a NC tb né? Beijos enormes!!!
Daniela Paiva – Obrigada pelo comentário querida. Beijos.
Nanda Potter – Sua tarada!!!! hauahauahu... querendo ser a Mel pra ser abraçado pelo Harry kkkkkkkkk... todo mundo tá achando que o novo Potter foi concebido na cozinha hauahuahau... meninas pervertidas rssssssssss... obrigada pelo elogio pra minha Nc, que bom que não ficou vulgar!!! E o seu pedido foi atendido, espero que tenha gostado da declaração de amor da Gina. Ah, obrigada pelas idéias, dos nivers, natal e tal, pode ter certeza que estou pensando nelas. Agora saia do milho que eu já atualizei hauahuahu... beijos.
Yumi Morticia Voldemort – Obrigada pelo lindo comentário. Beijos.
Prika Potter – Que bom que vc gostou do cap. Obrigada pelo comentário, valeu.
Sally Owens – Ah SALLY MARIA!!! (abraça) Fico feliz que tenha gostado do cap. Quanto a Endria/Loren vc viu mais algumas coisas sobre ela que não sabiamos, espero que tenha gostado, claro que ainda falta esclarecer muitas coisas. Que bom que vc gostou da Nc mana. Beijos enormes.
Naty L. Potter – Obrigada pelos comentário sempre tão empolgantes. Seu desejo foi realizado viu? Ela falou que o ama, espero que tenha gostado. BEIJOS GRANDE!
Carol potter – Valeu, espero que vc goste desse capítulo tb. Abraço, linda.
Carol lee – Ah não vou deixar ninguém na mão mesmo, até pq adoro escrever e ler os comentários fofos de vcs! Obrigada.
Sueniaaraujo – Obrigada mana, fico feliz que tenha gostado do capítulo passado. Beijos enormes.
Mi Potter – Obrigada por acompanhar sempre minha fic, esteja sempre aqui e não fuja rsssssssss...
Mone_Potter – Fico grata pelo comentário, milhões de beijos.
Maria Lucinda Carvalho de Oliveira – Eu nem demorei tanto né? Hauahuahau... obrigada pelo comentário, valeu.
Renata Freire – Obrigada, obrigada e obrigada... valeu mesmo pelo comentário.
Claudio Souza – (autora vermelha) Ai obrigada pelos elogios, vc me deixa tão feliz!!! Fico feliz que vc tenha gostado. Beijos.
Drika Granger – Ah que bom que vc leu minha fic... (abraça) fico feliz que tenha gostado dela, e não suma viu? Rssssssss... espero que esse capítulo tenha sido legal pra vc tb. Um grande beijo por suas lindas palavras.
Ana jú – Vc gosta de ver o Harry sofrer né? Hauahuah... gostou do “isso não foi legal” kkkkkkkkkkk... mas esse moreno tá fogo mesmo, tem que cortar as assinhas dele hihihi... beijos e obrigada pelo comentário.
Fl4v1nh4 – Velu pelo comentário.
Byanne naare lima oliveira – Obrigada pelo apoio. Beijos.
Georgea – hauahauahauah... só vc mesmo Geo, mas realmente a mesa da cozinha ficou mais convidativa ultimamente kkkkkkkk... beijos e obrigada mana.
And GW – Menina malvada vc! (aponta a varinha) como ainda não tinha comentado? Vou perdoar só dessa vez viu? Hauahauahu... não liga pra mim, eu não sou muito normal não rsssssss... valeu pelo comentário lindo. Um grande abraço.
Gi Mary – Vc é não comentava minha pobre fic? Hihihihi... vou lançar uma azaração heim? (bate o pé) rsssssss... valeu por ler, isso é muito importante pra mim. Obrigada mesmo e não ligue pra minha maluquice viu? Abraços.
Édson Barbosa Santos – Obrigada pelo comentário. Beijos.
Camila Diggory – Valeu pelo comentário, e assim que tiver um tempo eu passo na sua fic. Um grande abraço.
Mari Black – Ah muito obrigada mesmo pelo comentário, fico muito feliz que vc tenha lido e gostado da fic, principalmente das cenas Nc que são a minha maior preocupação. Beijos enormes.
Leka Evans – Valeu pelo comentário, espero que goste desse capítulo.
Karina Krum – Obrigada por me aperrear por atualização, isso é um incentivo. Beijos.
Kakau – hauahauahau... mesmo vc mandando que eu não imaginasse eu imaginei vc babando hauahuahauahu... deixa pra lá hihihi,,, obrigada pelo comentário e o Harry é tudo mesmo rssssss... beijos.
Bernardo Cardoso da Silva – BEZINHOOOOOOOOOOOOOOOO!!! (abraça, afofa e amassa) que bom que vc leu o capítulo rsss... beijos amigo e aguardo a sua ajuda na outra fic!
Bruna Helayne – Eu respondi vc no e-mail né? Rssssssss... beijos e obrigada pelo comentário.
Ronaldo Melo – Obrigada mesmo pelo comentário, e apareça mais vezes aqui nessa casa. Beijos.
N/A: Bem, antes que as azarações cheguem até mim, eu gostaria de dizer que sou inocente hihihihi... espero que o capítulo tenha sido bom para vcs e aguardo os comentários. Quero dizer que vcs podem saber mais sobre minhas fics e fazer perguntas na comunidade (link logo abaixo), além de ter o forum e meu multiply que estou tentando arrumar ainda rssss... beijos pessoal e até a próxima atualização que agora será na fic nova e depois nessa, podem passar lá viu, a autora não reclama hauauahau...
Comunidade Orkut: http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=25567175
Forum: www.lumusmaximum.com
fic nova: http://www.floreioseborroes.net/menufic.php?id=22064
multiply: http://patyolanda.multiply.com/
BEIJOS NA BUNDA DE TODOS!!!!
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