Capítulo 21
Rose quase caiu para trás quando viu quem estava a sua espera. Será possível que depois de todos esses anos, teria que lidar com os mesmos problemas que enfrentou no seu último ano de escola? Todo aquele período “sombrio” não foi o suficiente? Pelo visto parecia que não, já que o passado havia acabado de bater em sua porta e estava sorrindo de forma quase gentil para ela.
- Weasley, você poderia esconder a sua decepção, sabia?
- O que você está fazendo aqui? – Rose ignorou o comentário e perguntou.
- Vim para te dar as boas vindas.
Rose piscou lentamente, tentando associar o que estava acontecendo, mas sem muito sucesso. Até mesmo para ela, que era super inteligente, aquilo não fazia o menor sentido.
- Sabe, eu até entendo o motivo dessa sua carinha de espanto. Não é todo dia que nos esbarramos por aí.
- Não nos esbarramos há quatro anos, Craig. – Rose observou – E eu ainda não consegui entender o motivo de você estar aqui.
- Você pode me chamar de Maris, se quiser. – Marisa sorriu para Rose, que agora mantinha os braços cruzados em frente ao corpo, tentando a todo o custo entender porque aquela garota estava ali falando com ela. – Bom, vou resumir tudo para você de uma forma bem simples: Estou noiva do sobrinho do Ministro.
Ela disse isso como se apenas o seu noivado explicasse toda aquela ceninha de recepção.
Marisa Craig era uma espécie de inimiga de Rose. Não que a ruiva gostasse de guardar mágoa, mas não era fácil olhar para aquela mulher e não se lembrar do que sofreu na escola por causa dela. Maris havia se metido no seu relacionamento com Scorpius e feito sua vida virar um verdadeiro desastre. Ao lado de sua melhor amiga, Paola Gusmand, e de Adam Krum, ela mentiu e causou um caos, não apenas em sua vida, mas também na de Sophie e Vincent. Apesar deles terem se desculpado no final de tudo, não era como se isso fosse apagar todo o sofrimento.
E agora Maris estava ali, sorrindo e agindo como se Rose e ela fossem melhores amigas desde sempre.
Isso não fazia o menor sentido, mesmo com a história do noivado da moça com o sobrinho do Ministro.
- Não quero ser grosseira, mas seu noivado com o sobrinho do Ministro não explica em nada o fato de você estar aqui me recebendo. – Rose começou a dizer – Ainda mais se formos considerar os acontecimentos do passado. Você deveria manter certa distância de mim, e não vir me receber com um sorriso no rosto e uma saudação de boas vindas.
Marisa riu e deu alguns passos em direção a Rose. Cara de pau era pouco para defini-la.
- Quanto rancor no seu coraçãozinho – ela brincou – Mas você está certa, Weasley, considerando o fato de que no passado infernizei sua vida e quis roubar o seu namorado, você tem todos os motivos do mundo para me querer longe. Aliás, como está o Scorpius?
Rose respirou fundo para não começar a gritar e dizer poucas e boas para aquela menina. Não podia parecer uma louca em seu primeiro dia ali, e muito menos atacar a noiva do sobrinho do Ministro, caso contrário sua permanência naquele país estaria com os dias contados.
- Ele está ótimo. – Rose sorriu para Maris, do mesmo jeito cínico que ela fazia – Não que isso te interesse, é claro.
Maris deu de ombros e encarou as próprias unhas pintadas de vermelho. Seus cabelos pretos estavam mais longos do que nos tempos do colégio e com um corte moderno. Ela ainda era linda, elegante e tinha uma expressão bastante suave e amigável, mas Rose sabia o quanto aquela garota podia ser venenosa, então não se deixava enganar.
- Ok, vamos esclarecer algumas coisas aqui – Maris ergueu os olhos para encarar Rose. Não estava mais sorrindo – Você pode não acreditar, mas não ‘tô aqui para te prejudicar ou coisa do tipo. Vim aqui te receber apenas para te livrar da minha sogra e da esposa do Ministro, que estão se roendo para conversar com você e te encher de perguntas sobre seus papais e titio famosos. Não que eu esteja fazendo alguma coisa por você, é claro. Acabei de ficar noiva do Chandler e essa família é cheia de princípios e blábláblá, então preciso bancar a boazinha e fingir que me importo com todo esse circo que armaram com a sua chegada. – ela suspirou, como se falar aquilo tivesse cansado toda a sua beleza – É por isso que estou aqui. Não me importo com você, Rose, e isso não mudou. É claro que não estou disposta a ferrar com a sua vida como antes, mas você continua sendo aquela menina que acabou com os meus planos na adolescência, e eu detesto perder, então você já deve imaginar que não está no top 10 da minha lista de pessoas favoritas do mundo.
- Digo o mesmo. – Rose respondeu, agora mais aliviada por Maris ter sido sincera uma vez na vida e dito a ela o real motivo de estar ali – E... é sério que você ‘tá noiva?
Maris riu e balançou a cabeça.
- Dá para acreditar? Eu saí da escola, fiz uma viagem e pronto, encontrei um cara legal que não gosta de mim apenas por ser linda e gostosa.
- E humilde, não vamos esquecer.
- Tanto faz – Maris deu de ombros – É claro que não fui tão rápida quanto a Paola, que quando reencontrou o Adam já foi se derretendo toda, fazendo declarações e se casando. Dá para acreditar que eles já têm uma criança? Isso é muito para a minha cabeça.
- Claro que é, você não está acostumada com uma coisinha chamada amor. – Rose disse sarcasticamente.
- Isso é verdade. – Maris admitiu sem nenhuma vergonha – Mas estou me acostumando, principalmente quando paro para pensar e vejo que com o Chandler costumo sorrir de verdade e ser sincera, coisa que não costumava fazer antigamente.
Rose riu e revirou os olhos. Aquilo era tão típico de Marisa. Podia não conhecer a mulher tão bem assim quanto Paola, mas sabia que ela não era o tipo de pessoa que achava que o amor era algo pelo qual se devesse lutar, então podia imaginar o quanto estava sendo difícil para ela se adaptar aquela situação. Ela já estava até mesmo fazendo algo para impressionar a família do noivo, coisa que com certeza não faria em outros tempos. O amor muda mesmo as pessoas, ainda que no caso de Maris, a mudança não fosse assim tão notável.
- Vamos para a sala de visitas. – Maris anunciou de repente – Eles estão ansiosos para conhecerem você – ela disse com certo desprezo e lançou um olhar avaliativo sobre Rose e suas roupas. Não era como se a ruiva estivesse arrumada para um encontro com o Ministro e toda a sua família, mas ela estava decente, então aquilo servia – Vamos logo!
Maris atravessou o escritório e abriu a porta, esperando que Rose passasse. As duas caminharam em direção à sala de visitas e Rose não pode deixar de notar o bom gosto que aquela família tinha para decoração. As obras de arte espalhadas eram realmente incríveis e ela se perguntou se algum dia teria o mesmo talento para decorar a sua casa, quando estivesse casada com Scorpius.
~*~
Abraçar e cumprimentar toda a família Weasley estava parecendo fácil perto do que estava passando com a família do Ministro. Os Smith eram muito calorosos e adoravam abraçar, beijar e elogiar, coisa que Rose, definitivamente, não estava assim tão acostumada. É claro que todos os Weasley eram bastante afetuosos, mas aquela melação toda era exagerada e desnecessária. Ser parente do trio de ouro era algo que lhe rendia grandes pontos dentro e fora da Inglaterra.
Rose se sentou com eles e travou uma conversa sobre sua infância, seus tempos em Hogwarts e sobre como conseguiu se tornar a melhor aluna da escola. Ela explicou também alguns detalhes sobre a arquitetura de Hogwarts e sobre como a escola nem parecia ter sido palco de uma guerra tão violenta. Contou também que sim, era verdade que havia fantasmas e um poltergeist, e que Pirraça adorava pregar peças nos alunos – mencionou até mesmo o dia que ele acertou um balão de tinta verde em sua cabeça só porque namorava um membro da Sonserina. Falou sobre Hagrid e seu amor por plantas e animais potencialmente perigosos – os explosivins ainda estavam frescos nas lembranças de qualquer aluno. Encerrou dizendo que Hogwarts era e sempre seria o seu segundo lar.
Quando interrogada sobre sua vida fora da escola, ela confidenciou que seu grande sonho era ser Inominável, mas que isso estava um pouco distante agora, já que estava se dedicando as palestras e aos estudos de novas plantas. Disse também que pretendia se tornar mestre em Poções, já que essa sempre foi uma de suas matérias favoritas.
Passada essa fase de realização profissional e dos tempos da escola, vieram as perguntas sobre o seu relacionamento com o famoso jogador de Quadribol, Scorpius Malfoy.
- Nos conhecemos na escola e não éramos assim tão amigos. – Rose começou a contar. Cassie Smith, a esposa do Ministro, e Gloria Smith, sogra da Maris, ouviam tudo com muita atenção – Na verdade, ele meio que implicava comigo por absolutamente tudo e eu rebatia, porque detestava ouvir as reclamações dele. Começamos a namorar no quarto ano da escola, quando tínhamos quatorze anos. Ficamos noivos no meu aniversário de dezessete anos e estamos juntos até hoje.
- Deve ter sido difícil o início do relacionamento, não é mesmo, querida? – Cassie Smith perguntou – Todo mundo sabe que o pai do Scorpius foi um... um...
- Comensal da Morte? – Rose disse com uma risada – Ah sim, o meu sogro foi um Comensal, mas não teve escolha e todos sabem disso também. Nunca tive problemas na minha família por namorar o filho de um ex-comensal. O problema mesmo foi o fato de Scorpius ser um Malfoy e os nossos pais terem brigado muito no período do colégio. Até hoje meu pai chama o Draco de doninha saltitante, e ele chama o meu pai de cenoura ambulante.
Todos riram e continuaram a conversa, que se estendeu por mais tempo que Rose poderia imaginar. Aquela família gostava mesmo de conversar. Quando mencionou que ainda não tinha muita ideia de onde ficaria, então a esposa do Ministro a convidou para passar uma temporada ali, afinal, ela não precisava se apressar para encontrar um lugar para ficar. Ela ainda tentou rebater aquela oferta, mas não teve jeito. Foi obrigada a aceitar e quando viu, já estava se sentindo quase íntima da família.
Aquilo estava sendo mais fácil do que ela imaginava, afinal.
~*~
Demetria acordou com uma dor de cabeça daquelas. Parecia que seu cérebro ia explodir a qualquer momento e ela agradeceria se isso acontecesse rápido, pois não aguentava mais sentir aquela dor. Irritada, saiu do dormitório disposta a comer qualquer coisa no Salão Principal e rumar para a enfermaria. Nem morta ela tomaria uma daquelas poções horrendas de estômago vazio.
Os corredores não estavam vazios como ela imaginou que fossem estar. Vira e mexe ela esbarrava em alguns alunos que pareciam felizes demais, e ela odiava isso. Na verdade, Demetria odiava qualquer pessoa que acordava e saía por aí saltitando, como se levantar cedo fosse a coisa mais legal do mundo. Detestava levantar cedo e detestava mais ainda o bom humor matinal das pessoas.
Estava a poucos passos do Salão Principal quando viu Anthony parado à porta. Revirou os olhos. Não estava com cabeça para ter uma daquelas conversas chatas com ele, e muito menos disposta a ouvir todo aquele blábláblá que ela conhecia bem. Já sabia que ele ia vir com um discurso barato sobre a chegada de Rachel e como estava preocupado com aqueles boatos que estavam correndo mais rápido que a velocidade da luz. Ela não queria ouvir isso.
E, para a sua surpresa, não ouviu.
- Hey Demi – Anthony se aproximou da namorada e lhe beijou rapidamente – Noite mal dormida? – ele perguntou, ao encará-la e notar que ela não estava tão animada.
- Dor de cabeça insuportável – Demi respondeu – Estava me esperando por quê?
- Quero falar com você.
- Sobre? – Demi perguntou e começou a se preparar para ouvir aquele discurso barato sobre a ex de seu namorado. Mas, para a sua surpresa, não foi isso o que ouviu.
- A ideia maluca da sua prima e do namorado dela darem uma festa na Sala Precisa – Anthony disse – Sempre achei que a Luiza fizesse parte da turma ajuizada da família.
Demetria deu uma risada.
- E ela faz. Provavelmente a festa dela vai ser regada a muito suco e refrigerante, e todos vão jogar Xadrez de Bruxo – Demi garantiu – Não precisa se preocupar.
- Não ‘tô preocupado com ela. ‘Tô preocupado é com a ideia dela de pedir a Felicity para organizar tudo. – Anthony explicou.
- E isso é ruim? – ela quis saber – A Felicity é quase tão boazinha quanto a Luiza.
- A Felicity que você e o seu irmão conheceram quando chegaram aqui, né? Porque aos poucos ela ‘tá voltando a ser o que era.
- E mais uma vez eu pergunto: isso é ruim?
- Não, mas a Felicity é uma típica patricinha de Nova York que adora badalações, e às vezes esquece que estamos no colégio e precisamos ser discretos quando pensamos em dar festas. – Anthony explicou – Se ela for mesmo organizar a festa, é melhor você e o Daniel ficarem de olho.
- Ok então, vamos ficar de olho para ela não extrapolar. – Demi garantiu e então suspirou. Sua cabeça estava mesmo doendo – Olha só, vou entrar, comer qualquer coisa e depois vou à enfermaria, certo? Preciso mesmo de uma poção. Você vem?
- É claro – Anthony respondeu – O que eu vou ficar fazendo aqui parado à porta do salão?
Demetria deu de ombros, sem querer dar a resposta para aquela pergunta. Ele podia muito bem ficar ali parado, esperando a Rachel aparecer para cumprimentá-lo. “Argh, Demetria, pare de pensar essas coisas idiotas”, ela pensou e entrou no Salão, com Anthony ao seu lado.
Viu algumas pessoas olharem para os dois, mas tentou fingir que nada estava acontecendo e caminhou para a mesa da Sonserina, como fazia todos os dias.
- Ei, não quer tomar café lá comigo? – Anthony a segurou pela mão.
Por um segundo, Demi observou a mão dele sobre a dela e sentiu um nó estranho se formar em seu peito. Era esquisito demais pensar que, talvez, ele não a tocaria mais daquele jeito.
- Prefiro ficar aqui – ela disse – Se quiser, você pode se sentar e comer comigo.
Anthony sorriu e se sentou ao lado de Demetria à mesa. Vários alunos já estavam por lá, tomando café e conversando, embora não estivessem tão animados com o recomeço das aulas. Queriam que o feriado tivesse durado mais.
Demi estava comendo um pedaço de bolo quando Rachel entrou no Salão Principal, acompanhada por alguns antigos amigos. Quando a jovem os avistou, seu sorriso aumentou e ela acenou para os dois animadamente.
Anthony correspondeu ao aceno, sem muita empolgação. Demi sentiu seu estômago embrulhar.
- Algum problema? – Anthony perguntou ao ver a sua expressão.
- Vou ao banheiro e já volto, ok?! – Demi anunciou e saiu correndo dali, esbarrando em seu irmão e uma menina enquanto passava pela porta.
Daniel pensou em correr atrás da irmã, mas preferiu ir até Anthony, saber o que havia acontecido.
- Bom dia, cunhadão! – Daniel se sentou ao lado de Anthony. – E aí, cara, o que você disse para a minha irmã sair correndo daquele jeito?
- Bom dia, cara! – Anthony sorriu para o amigo. – Eu? Eu nem falei nada. Ela só levantou, disse que ia ao banheiro e saiu daquele jeito.
Daniel ergueu a sobrancelha e olhou para o prato de bolo que a irmã havia deixado sobre a mesa.
- Ela estava comendo alguma coisa?
- A Demi meio que devorou a comida hoje, acho que deve ser porque não comeu ontem e... Daniel, aonde você vai?
Daniel já estava rumando para fora do salão, quando gritou:
- Me declarar para a Murta que Geme, eu já volto.
~*~
Daniel sabia que poderia ganhar uma séria advertência por entrar no banheiro das meninas daquele jeito, mas não ligou muito para isso. Na verdade, ele sabia que quase ninguém usava aquele banheiro por causa do fantasma da Murta. Deve ser muito chato fazer xixi enquanto um fantasma fica choramingando do outro lado.
E era por isso que aquele banheiro era ótimo para a sua irmã.
- Veio atrás da menina irritada? – a Murta apareceu e perguntou a Daniel.
- Sim, onde ela está?
A Murta deu uma risadinha e apontou para o local onde ficavam as pias.
- Está ali do outro lado enxaguando a boca depois de ter colado tudo para fora – ela fingiu que estava vomitando, fazendo uma imitação barata de Demetria, enquanto Daniel corria para o lugar onde estava a irmã.
A torneira estava aberta e Demi estava parada em frente a pia, encarando o próprio reflexo no espelho. Quando viu o irmão, começou a chorar.
- De novo, Demi? – ele perguntou, preocupado.
Demetria não respondeu. Apenas correu em direção ao irmão e o abraçou forte. Mais uma vez, os problemas do passado estavam vindo a tona.
~*~
Daniel estava no pátio da escola junto com Anthony e um garoto da Corvinal, Jackson Knightley, quando a garota nova chegou. Ashley parecia meio perdida e não usava o uniforme da maneira que deveria ser – no lugar dos sapatos usava botas pretas e sem salto, e a sua gravata estava com um nó completamente mal feito. Ela caminhou na direção do grupo de garotos, como se conhecesse todo mundo ali há muito tempo, o que não estava assim tão distante da realidade.
- E aí? – ela cumprimentou o trio de rapazes.
- O que você está fazendo aqui, Ashley? – Jackson perguntou, como se não tivesse gostado muito da chegada da garota.
- Ah não, você ainda ‘tá naquela fase chata da negação, né? – Ashley perguntou – Ajuda se eu disser que não importa o quanto você negue, isso não vai mudar o fato d’eu continuar aqui?
Ashley sorriu, enquanto Jackson respirou fundo. Daniel e Anthony acompanhavam aquela cena sem entender muito bem o que estava havendo.
- Caras, essa é a minha irmã caçula, Ashley Knightley – Jackson disse sem muita animação – Não que eu tenha muito orgulho disso.
- Nossa, Jack, você conseguiu fazer amigos. ‘Tô impressionada! – Ashley sorriu para os meninos – Devíamos comentar isso na próxima reunião familiar e comemorar.
- Nós não fazemos reuniões familiares, Ashley.
- Não? E o que foi aquilo que aconteceu antes do Natal?
- Aquilo foi o papai e a mamãe tentando convencer a família de que são bons pais e que você não precisa ir para nenhum tipo de casa de reabilitação – Jackson explicou – Não que eles acreditem que ainda há esperança para você.
- Ai que lindo, nossos pais fingem que acreditam em mim – Ashley fez uma expressão sonhadora.
Daniel e Anthony deram uma risada, enquanto Jackson apenas revirou os olhos. Sua irmã não tinha jeito.
- Por que você não ‘tá na aula? – ele quis saber.
- Acordei meio atrasada, me perdi nos corredores e fiquei batendo papo com os quadros – Ashley respondeu – Eu também fiz amizade com o Pirraça.
- Você fez amizade com o poltergeist? – dessa vez foi Anthony quem perguntou, completamente surpreso.
- Ah, não se espanta não, porque essa daí só faz o que não é recomendável – Jackson comentou – Ela foi expulsa da última escola por descumprir as regras.
- Não dá para descumprir uma regra que eu nem sabia que existia. – ela observou.
- Ah claro, porque em toda a escola tem uma regra dizendo: Alunos não devem colocar poção laxante no suco dos colegas. – Jackson debochou.
Ashley observou as próprias unhas pintadas de rosa e deu de ombros.
- Em minha defesa, eu estava tentando fazer o bem maior.
- Mandando todo mundo para o banheiro? – Daniel perguntou com o cenho franzido.
- É claro! Com todo mundo no banheiro, não dá para obrigar ninguém a ficar sentado e ouvindo aquele coral irritante da escola se apresentar pela milésima vez, só porque estávamos próximos do natal. – Ashley respondeu – Eu salvei vidas.
- Você quase matou todo mundo desidratado por causa da diarréia, menina – Jackson a corrigiu.
- Isso é apenas um detalhe – Ashley sorriu para o irmão – Aí, como é que eu faço para chegar à aula de Herbologia? Esse mapa que uma menina do dormitório fez para mim ‘tá me confundindo. – ela abriu o mapa e mostrou para o irmão.
- O mapa ‘tá de cabeça para baixo, Ashley – Jackson pegou o mapa e colocou na posição certa.
- Ahhh, agora sim ‘tá tudo claro. – Ashley disse – Valeu mano! Agora vou lá pegar os minutos finais da aula.
- O professor Longbottom não vai te deixar entrar – Jackson comentou.
- Vai sim.
- E como tem tanta certeza disso?
Ashley riu e pousou a mão no ombro do irmão.
- Porque ao contrário de você, eu sei mentir. – ela respondeu – Sou a rainha da lorota, lembra?
- Você pode ser rainha de qualquer coisa, mas não vão te deixar assistir a aula sem que esteja com o uniforme correto – Jackson disse – Por que está usando botas?
- Porque os sapatos são horríveis – ela respondeu como se fosse o óbvio – E eu não sei dar nó nessa porcaria de gravata.
- Posso dar um jeito nisso – Jackson pegou a sua varinha e com um simples floreio, fez a gravata da irmã dar um nó. Em seguida, transformou as botas da irmã no sapato que as meninas deveriam usar na escola. – Prontinho.
- Não pedi para que mudasse meu sapato.
- Sei que não, mas se você continuasse daquele jeito, algum professor ia ver e brigar, o que resultaria na perda de pontos da Corvinal. – Jackson explicou.
Ela franziu o cenho. Do que ele estava falando, afinal?
- Pontos?
- Todas as Casas competem entre si – foi Daniel quem explicou – Se você faz algo certo, sua Casa ganha pontos. Se faz algo errado, sua Casa perde pontos. E a Casa que tiver mais pontos no final do ano, ganha a Taça das Casas.
- E eu deveria me importar? – Ashley perguntou – É só uma competição idiota.
Daniel riu e balançou a cabeça, concordando. Ele também não via muito sentido naquela disputa, embora gostasse de saber que a Sonserina estava na frente aquele ano.
- Não diga isso na frente dos outros alunos. Eles levam mesmo a sério – Daniel observou.
- Valeu – Ashley sorriu para ele e esticou o mapa de novo – Por onde eu devo ir mesmo? Ah tá, já sei, é para a direita. – ela enrolou o pergaminho e começou a caminhar.
- ‘Tá indo para o lado errado. É para a esquerda, Ashley. – Jackson disse.
- É para a esquerda, minha gente – ela deu meia volta e seguiu pelo caminho que o irmão falou, deixando os rapazes para trás.
Assim que ela estava longe o suficiente para não ouvir nenhum comentário, Daniel e Anthony começaram a rir descontroladamente. Aquela garota era uma figura e totalmente diferente do irmão.
- E essa foi a minha irmã – Jackson comentou.
- Ela é legal – Anthony falou.
- Até a segunda página, acredite – Jackson garantiu – Espera só até ela começar a aprontar para você ver.
- Pelo menos a sua irmã é divertida, Jackson – Daniel disse – A Demi todo dia se pergunta porque não me enforcou com o cordão umbilical, quando ainda estávamos na barriga da nossa mãe.
- E eu todo dia me pergunto por que o meu pai não fez a bendita vasectomia depois que eu nasci. – Jackson suspirou – Bom, o papo ‘tá bom, mas agora temos aula de Defesa Contra as Artes das Trevas. Vamos embora, galera.
~*~
Dominique estava em seu horário de almoço quando decidiu ir fazer um lanche rápido na Casa da Madame Puddifoot. Estava faminta, mas tinha tantas coisas para fazer na Gemialidades Weasley que não poderia se dar ao luxo de aproveitar todo aquele tempo livre comendo. Tinha um estoque gigante para conferir e organizar, e como era o dia de folga de Melissa, teria que fazer isso sozinha, enquanto os outros funcionários se ocupavam com o atendimento aos clientes.
Cumprimentou alguns conhecidos no meio da rua antes de chegar à casa de chá. Era sempre bom rever alguns amigos dos tempos de escola. Ela entrou tão distraída no local – como sempre – que nem percebeu a presença de duas pessoas para lá de conhecidas no local.
Sentados em um canto próximo à janela estavam Dean e Annalice. E eles, sem dúvida, notaram a chegada da loira.
- Déjà vu. – Annalice disse, encarando a loira que estava parada em frente ao balcão, pedindo alguma coisa para viagem – Isso não podia ser mais irônico.
- O que? – Dean perguntou.
- Quando Michael e eu voltamos para a Inglaterra, ele reencontrou a Dominique exatamente aqui. – ela explicou – E ela estava usando aquele mesmo uniforme.
- Se serve de consolo, querida, ela sempre usa esse uniforme, já que trabalha na loja de logros do tio. – Dean disse, tentando acrescentar algum humor naquela conversa, coisa que não deu muito certo. – Bom, para a cena ficar completa, só falta o Mi... – ele interrompeu a própria frase, quando viu Michael entrar pela porta da casa de chá e ir de encontro à Dominique – Bom, agora não falta mais nada.
Dean e Ann observaram o momento em que Michael abraçou Dominique e os trocaram um rápido – porém apaixonado – beijo.
- É... eu acho que eles foram feitos mesmo um para o outro – Annalice comentou.
- Pois é, isso explica o motivo de sermos cornos. – Dean disse casualmente, como se estivesse falando do tempo ou coisa parecida. – Você tem noção do quanto isso aqui está sendo ridículo, não é? – perguntou – Quero dizer, estamos comentando deles ao invés de irmos lá cumprimentá-los.
- Você tem certeza disso?
Dean revirou os olhos e se colocou de pé, estendendo a mão para que Ann segurasse. No minuto seguinte, eles caminharam em direção ao casal que ainda esperava no balcão.
- Olá casal! – Dean cumprimentou os dois, fazendo-os sobressaltarem.
Dominique foi a primeira a encará-los, e o fato de seu ex estar de mãos dadas com a ex de seu atual namorado, não passou despercebido por ela.
- Dean! Ann! Que bom vê-los aqui! – Dominique foi a primeira a manifestar a sua alegria em revê-los – Achei que você fosse ficar perdido para sempre na Irlanda.
- Não é como se eu fosse realmente morar lá para sempre. Mais uma semana naquele país e a minha avó descobriria meu paradeiro, e eu seria obrigado a participar daquelas reuniões de família chatas, que só a família O’Neil é capaz de organizar. – Dean comentou e então encarou Michael, que ainda parecia processar toda aquela informação – E aí, cara, tudo bem?
- Tudo ótimo! – Michael passou o braço pela cintura de Dominique, abraçando-a – Hey Ann! Fico feliz que esteja de volta.
- Eu também – ela sorriu – Muito trabalho com a clínica?
- Aquilo lá virou um caos desde que vocês saíram – confessou – Às vezes sinto que vou enlouquecer.
- Tudo isso porque você é um desorganizado sem tamanho – Annalice comentou – Deveria contratar alguém para ajudá-lo.
Dominique observou aquela cena absurdamente estranha e sentiu vontade de cair na risada. Aquilo era tão esquisito que chegava a ser cômico. Alguém precisava quebrar todo o gelo, ou eles sempre agiriam feito fantoches quando estivessem perto uns dos outros. Foi aí que ela teve uma brilhante ideia.
- Ann? Dean? – ela os chamou.
- Sim? – responderam em uníssono.
- O Mike está enlouquecendo na clínica e, pelo jeito, vocês estão de volta ao país, certo?
- Aham – Dean respondeu.
- Por que não voltam a trabalhar com ele, então? – sugeriu – Annalice, sei bem que foi você quem ajudou o Mike a construir aquilo.
Michael pareceu surpreso com a sugestão dada por Dominique, mas não pode negar que aquela era mesmo uma ótima ideia. Precisava que alguém ocupasse o cargo de Ann e Dean, e não havia ninguém melhor para fazer isso do que... Bom, do que eles mesmos.
- Essa é uma ótima ideia – Michael concordou – Vocês deveriam voltar para lá.
Annalice e Dean trocaram um rápido olhar. A verdade era que eles sentiam falta de seu antigo trabalho e aquela era uma proposta mais do que irrecusável. Apesar da relação dos quatro ainda ser um tanto constrangedora, não podiam negar que estavam mais do que empolgados para voltarem ao trabalho.
- Por mim está ótimo – Dean comentou – Não vejo a hora de ver meus adoráveis pacientes.
- Você não gosta de paciente nenhum, Dean – Annalice revirou os olhos – Sempre perde os prontuários e sempre encontra uma forma de debochar deles.
- Porque eles são estúpidos o suficiente para perguntarem coisas idiotas. – Dean confessou – Vamos lá, meu bem, você precisa concordar comigo nesse ponto.
- O que eu acho, é que você precisa aprender a ser mais humano com os seus pacientes. Só isso!
- É lá vamos nós de novo para mais uma discussão de trabalho – Michael brincou – Vai ser bom ter vocês de volta.
- Vai ser bom voltar – Dean sorriu para o amigo – Bom, Ann e eu já estávamos de saída. Vejo você no trabalho, chefinho. Tchau Dominique! Mande lembranças ao John.
- Ele vai adorar saber que você voltou – Dominique sorriu para Dean – Tchau Annalice!
- Tchau Dominique! – Annalice sorriu para Dominique e para Michael, e seguiu para fora da casa de chá com Dean.
Dominique e Michael ficaram em silêncio durante alguns segundos e então não conseguiram evitar uma risada.
- Ok, isso foi estranho! – Dominique disse, enquanto pegava o seu suco e o seu sanduíche – Obrigada! – ela agradeceu a funcionária da casa de chá e lhe entregou algumas moedas, pagando pela sua comida.
- Estranho até demais para o meu gosto – Michael confessou, enquanto seguia com Dominique de volta para a Gemialidades Weasley – Eles estão mesmo juntos?
- Parece que sim! – Dominique disse – Algum problema com isso?
- Não, por mim tudo bem. – Michael deu de ombros. Cumprimentou alguns funcionários enquanto entrava na Gemialidades Weasley junto com a namorada – Para onde está indo?
- Depósito – ela respondeu enquanto seguia para os fundos da loja – A Melissa ‘tá de folga hoje e eu vou ter que fazer trabalho dobrado. Vou comer por lá e começar a organizar tudo.
Michael não disse nada. Apenas seguiu com Dominique para o depósito, que era um local grande e escuro, onde os produtos eram estocados. Acendeu a luz assim que eles entraram e fechou a porta para que ninguém os incomodasse.
- Você está estranho – Dominique observou – E isso tem a ver com o que aconteceu na casa de chá, nem adianta negar.
- Eu só estava me perguntando...
- Ah, nem termina a frase, certo? – Dominique largou o seu lanche em cima de uma das caixas e se virou para encarar o namorado – A volta do Dean não me afeta em nada e sei que a da Annalice também não afeta você.
Michael franziu o cenho e abriu um sorriso enviesado. Dominique era rápida para deduzir as coisas.
- Ah sabe, é? Quem garante a você que não estou afetado? – provocou, enquanto caminhava em direção a ela com as mãos no bolso.
- Hum, são inúmeros os motivos que me fazem achar que você não sente nada por ela. – Dominique disse – O primeiro deles aconteceu há um tempo, quando você fez sexo comigo quando deveria estar em casa com ela. Céus, as pessoas não costumam sair por aí transando com outras quando estão realmente apaixonadas.
- Bom, em minha defesa, você é muito gostosa.
- Eu sei, e você é totalmente apaixonado por mim – Dominique disse em um tom convencido – E nem adianta negar. Eu sou seu lado bom, lembra?
Michael passou a mão pela cintura de Dominique e a puxou de encontro a seu corpo.
- Você acreditou mesmo naquela história que contei sobre “lado bom e lado mau” quando estávamos em Hogwarts? – Michael perguntou – Querida, você é tão tolinha. Eu só estava tentando te conquistar.
Dominique deu uma risada e jogou seus braços em volta do pescoço de Michael, aproximando seus rostos em seguida. Mordeu o próprio lábio inferior, enquanto encarava os olhos verdes do rapaz.
- Se queria ter me conquistado, deveria ter se empenhado mais – ela disse. Seus olhos fixos nos lábios de Michael, que estavam curvados em um sorriso provocante. Isso não passou despercebido por ele.
- Beija de uma vez, eu sei que você ‘tá louca para fazer isso. – provocou.
- Está enganado mais uma vez. Eu não estou louca para nada.
- Mas eu estou.
E então Michael acabou com toda aquela provocação e a beijou, lento e provocante. Seus lábios se moviam sobre os del, explorando cada centímetro, e suas línguas se enroscavam de forma sincronizada. Mas, eles eram Michael e Dominique, e não podiam ficar naquele beijo lento por muito tempo.
Caminharam para o fundo do depósito, esbarrando em caixas e estantes dispostas no local. Sorte a deles que não derrubaram nada no caminho ou poderiam ser surpreendidos pelos produtos criados por Jorge.
Mike ergueu o corpo de Dominique, para que ela enroscasse as pernas em sua cintura e depois a prensou contra uma parede. O impacto a fez arfar, e ela inclinou a cabeça para trás, a fim de deixar o seu pescoço livre para que ele beijasse.
- Não deveríamos fazer isso aqui, sabia? – ela disse e não conteve um gemido quando ele mordiscou o seu pescoço.
- E por que não? – perguntou com os lábios colados a orelha dela, prensando-a ainda mais contra a parede para que seus corpos ficassem ainda mais colados.
- Porque estamos no meu local de trabalho e isso é errado. – ela respondeu e mordeu o próprio lábio quando sentiu as mãos de Michael subirem por sua coxa, por baixo da saia do seu uniforme.
- E é por isso que é tão bom – ele respondeu e tornou a beijá-la, apenas para calar os seus gemidos. Eles não precisavam pensar no que era certo ou errado quando tudo estava maravilhoso. Suas mãos, ágeis, se livraram daquele excesso de roupas que vestiam. Eles não precisariam daquelas roupas de inverno naquele momento.
Os lábios de Dominique desceram pelo pescoço dele e foram em direção ao seu ombro. Suas mãos desceram por suas costas, arranhando. Ela sabia que ele gostava quando fazia isso. Mordeu seu ombro para reprimir um gemido quando ele penetrou nela. Aquilo tudo era tão proibido que tornava tudo ainda mais excitante.
Seus corpos se moviam de forma sincronizada. A dor por estar prensada na parede e o prazer de ter Michael se movimentando dentro dela, fazia Dominique querer gritar e implorar por mais, mas todas as vezes que pensava em fazer isso, ele a calava com um beijo. Eles estavam quebrando todas as regras transando no depósito da loja, quando deviam estar trabalhando, então era melhor não chamar a atenção para aquilo.
- Oh Merlin – Dominique inclinou a cabeça para trás, sentindo um prazer inigualável. Michael mantinha o rosto afundado em seu ombro, enquanto se movimentava cada vez mais rápido e mais forte. O calor que emanava de seus corpos era tão bom que os fazia esquecer o frio intenso que estava lá fora.
Não demorou e os dois atingiram o ápice. Michael tomou os lábios de Dominique, para abafar seu grito de prazer e o seu próprio gemido. Em seguida, desceu os lábios pelo seu pescoço e permaneceu com a cabeça encostada ali, tentando recuperar o fôlego. Estava completamente extasiado.
- Isso... Nós...
- Deveríamos fazer isso mais vezes – Michael sugeriu, com a voz ainda ofegante, e ergueu a cabeça para encarar a namorada – Vai dizer que não concorda?
- Eu não estou em condições de pensar no momento – ela respondeu, no mesmo tom de voz que ele. – Mike, precisamos nos vestir. Vai que algum funcionário entra aqui? O que vão pensar?
- Que a minha bunda é linda – Michael brincou e então se afastou, para que Dominique pudesse se recompor e tornar a se vestir.
Ele fez o mesmo, embora não estivesse assim com tanta pressa. Por ele, os dois repetiriam a dose e deixariam o trabalho para lá, mas Dominique não ia concordar com aquela ideia, então era melhor nem insistir.
- Por sua culpa meu trabalho está para lá de atrasado – Dominique comentou, olhando para todas aquelas caixas que precisava conferir.
- Como se você não tivesse gostado.
- Eu gostei e é por isso que a culpa é sua! – Dominique disse e então encarou, com um olhar pidão – Michael?
- Sim? – ele respondeu e ao perceber a expressão de Dominique, começou a balançar a cabeça – Não, não, não. Nem pensar que vou te ajudar com isso aqui.
- Se você me ajudar, terminamos mais rápido e eu posso voltar mais cedo para casa. – Dominique disse e deu dois passos em direção ao namorado, com um sorriso provocante – E você sabe, nós dois podemos aproveitar esse tempo com algo mais interessante.
- Acha que suas chantagens sexuais vão funcionar comigo?
- Acho!
- Pois você está certa! Mãos a obra, porque não vejo a hora de chegar em casa.
~*~
Rachel estava sentada em um dos bancos do jardim da escola, lendo um livro de História da Magia. Apesar de grande parte dos alunos detestarem essa matéria, ela simplesmente achava fascinante. Gostava de saber sobre os acontecimentos marcantes do passado que influenciaram o mundo bruxo atual. Para alguns, isso era uma perda de tempo; para Rachel, isso era incrivelmente maravilhoso.
Estava tão distraída em sua leitura, que não percebeu a aproximação de Anthony. Espantou-se quando ele se sentou ao seu lado e retirou o livro de sua mão bruscamente.
- Eeeei – ela protestou – O que há de errado com você?
- O que você faz aqui, Rachel? – Anthony perguntou em uma voz dura – O que você quer, afinal? Quer me infernizar?
Rachel piscou, confusa demais para conseguir associar as palavras agressivas de Anthony. Quem ele pensava que era para agir daquela forma? E pior, quem ele pensava que ela era? Era incrível a capacidade que ele tinha de agir feito um imbecil depois de... Bom, depois de tudo que passaram juntos. Mesmo que não quisesse voltar a ser seu amigo, deveria ter o mínimo de respeito por ela.
- Sinceramente, Anthony, não entendo o motivo de toda essa grosseria. Eu não fiz absolutamente nada para você desde que cheguei aqui. Mas, do jeito que você me trata, parece até que movi o mundo contra você ou coisa pior. – Rachel disse – Eu não quero absolutamente nada de você. Antes, achei que pudéssemos ser amigos, mas depois de ser ignorada por um longo período de tempo, percebi que nossa amizade se foi. Por mim tudo bem, eu entendo. Agora, o que eu realmente não consigo entender é essa sua atitude para lá de infantil. Não quero te infernizar, Anthony. Isso nunca passou pela minha cabeça.
- Se não quer me infernizar, por que está aqui?
- Porque meus pais voltaram para a Inglaterra, oras. – ela respondeu o óbvio – Você sempre soube que eu iria voltar, Anthony. Eles não iriam passar o resto da vida morando na Holanda. O trabalho deles lá era temporário, e você sabia disso. Sabia que a qualquer momento eu estaria de volta à escola.
Anthony respirou fundo. É claro que ele sabia que a qualquer momento Rachel poderia aparecer de novo na escola. Havia dito isso a ele quando, de forma nada gentil, decidiu terminar com ela, incapaz de compreender o fato dela querer morar com os pais. O que ele não imaginava era que, quando Rachel voltasse, ele ficaria confuso, irritado e com medo das consequências.
- Eu amo a Demetria. Você sabe disso, não é?
- É claro que sim! – Rachel encarou Anthony, de repente muito zangada – O que você acha que sou, Anthony? Uma vadia que está disposta a destruir o seu relacionamento? Você me conhece melhor que isso, então nem pense em me ofender! E, caso não tenha reparado, não estou aqui por você e sim porque Hogwarts é uma ótima escola. Se não consegue lidar com minha presença aqui, volte ao seu antigo sistema de me ignorar. Aquilo estava funcionando muito bem.
- Me desculpa, ok?! – Anthony passou a mão pelos próprios cabelos – É só que... Rachel, por favor, não conte a ninguém o que aconteceu ano passado.
- Nunca passou pela minha cabeça abrir a boca a respeito disso, Anthony – Rachel garantiu – Se era esse o seu medo, pode ficar tranquilo e voltar a fingir que nem me conhece. Mas, se quer um conselho, você deveria contar a ela.
Anthony riu, sem humor. Rachel só podia estar de brincadeira.
- Ela me mataria se soubesse.
- Você é quem sabe – Rachel deu de ombros – Só estou dizendo, porque se ela ficou revoltada por não saber da minha existência, você pode imaginar como ela vai ficar quando... Bom, você sabe, quando ela descobrir.
- Ela não vai descobrir!
- Isso não é ter um relacionamento sincero, Anthony!
- Você não sabe nada sobre relacionamento, Rachel!
- Ah é, eu esqueci. Você terminou comigo antes que eu pudesse aprender. Mas quer saber? Muito obrigada! Acho que não aguentaria essa sua nova versão por muito tempo.
Irritado, Anthony se colocou de pé, pronto para ir embora.
- Não conte a ninguém, Rachel!
Rachel apenas balançou a cabeça, indicando que já havia entendido perfeitamente o recado. Em seguida, voltou a ler o seu livro de História da Magia. De repente, estudar o passado não parecia assim uma ideia muito interessante...
~~
N/A: Heeey amores!
Bom, eu disse que não ia demorar com o capítulo 21, então aqui estou!
Não me matem pela volta da Maris, minha gente. Prometo que não é nada disso que vocês estão pensando kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Tbm não me matem por causa da Demi. Ela está passando por um período ruim agora, mas logo vai melhorar... Pelo menos eu espero HAUHAUAH
Enfim, é isso aí! Não tenho muito o que dizer.
Até a próxima!
Amoooooooo vcs (LLL)
Xoxo,
Mily.