Madrugada de 28 de agosto, Frankfurt, Alemanha
Chovia. Torrencialmente. “Não é chuva. São pingos de verão”, ele bufou ironicamente em pensamento.
Havia acabado de chegar à casa a qual Hallie havia lhe dado o endereço na última vez que se falaram por telefone. Trazia Zoe no colo, os sapatos da garotinha e um urso de pelúcia numa das mãos enquanto a mochila da pequena vinha pendurado em seu ombro.
Agradeceu brevemente ao taxista que o trouxera ali e o ajudara com as malas:
- Obrigado – fez entregando-lhe o dinheiro da corrida e mais uma gorjeta
- Tenha uma boa noite, senhor.
Harry observou o homem se afastar rapidamente enquanto puxava o capuz do casaco de couro por sobre a cabeça, de modo a impedir que a chuva o molhasse ainda mais. Uma vez dentro do carro, arrancou e sumiu pelas ruas molhadas.
Tocou a campainha e esperou. Pôde ouvir a movimentação dentro da casa e, em uma questão de segundos, a porta se abriu, revelando uma cabeça loira e olhos escuros de cílios compridos.
O rosto de Hallie estava afogueado – ela, provavelmente, havia corrido para atender a porta – e estampava um enorme sorriso. Não era difícil perceber que ela estivera esperando ansiosamente pela chegada deles. Vestia-se o mais informalmente possível. Shorts curtos e um blusão flanelado. Estava descalça.
Por um momento, Harry quase chegou a confundi-la com Karen. Hallie, que sempre fora tão formal, agora relembrava os antigos hábitos da falecida mãe de sua filha. Mas as gêmeas eram inconfundíveis – ao menos para ele. Hallie era linda – e, agora que estava grávida, estava ainda mais bela –, mas sua beleza jamais se igualara à beleza de Karen. E elas eram idênticas.
- Olá – ele cumprimentou-a.
- Que bom que chegaram! – a loira disse, sua empolgação evidente até mesmo quando controlava o volume da voz, obviamente de modo a evitar que Zoe acordasse. – Deixe-me ajudá-lo.
Hallie rapidamente tomou das mãos de Harry as coisas de Zoe e correu para dentro, chamando pelo marido. Não demorou e Justin Fuller se fez presente.
- Como vai, Harry? – cumprimentou o moreno brevemente com um aperto de mão.
- Cansado, mas bem. Passei por três aeroportos em menos de vinte e quatro horas. Uma loucura – Harry disse em meio a um sorriso.
- Imagino – Justin sorriu. – Entre, fique à vontade – o loiro passou por Harry e já estava adentrando a casa com as malas de Harry. Deixou-as a um canto e fechou a porta. – Nash e Morgan já foram dormir.
- Estão acordados só por nossa causa, não é? – o moreno fez. – Deviam ter ido dormir também. Eu disse a Hall que poderíamos ficar num hotel aqui perto e viríamos pela manhã.
- Que besteira! Estávamos assistindo a um filme. Hall até tentou dormir, mas a ansiedade dela estava incomodando tanto Tessa que ela resolveu incomodar também. Não parou de mexer a noite toda.
- Se fosse menino, certamente seria um bom jogador de futebol – Hallie brincou enquanto acarinhava a protuberante barriga de seis meses e retornava à presença dos homens. – Melhor levar Zoe para o quarto. Deve estar cansado e com fome.
- Cansado, sim. Com fome, não muito – Harry disse.
- Vamos, eu mostro onde fica o quarto de vocês – Hallie se prontificou e deu meia-volta, retornando ao corredor, seguida de perto por Harry e Justin, que levava as malas do moreno.
Uma vez no quarto, Hallie desforrou um dos lados da cama de casal para que Harry acomodasse a filha e Justin colocou as malas ao pé da cama, retirando-se em seguida. Harry beijou a testa da filha e, ainda com a boca em sua testa, murmurou:
- Feliz aniversário, princesa. – Então se afastou e puxou as cobertas de modo a deixá-la aquecida. Acendeu o abajur e afastou-se, colocando-se ao lado de Hallie, que já estava à porta, aguardando-o.
Assim que ela saiu, ele a seguiu e apagou a luz. Deu uma última olhada na filha e encostou a porta.
- Mais um ano se passou – ele murmurou e Hallie afagou seu ombro.
- Ela ainda está aqui, Harry, conosco – a loira apontou o próprio peito e permitiu-se um meio sorriso. – E Zoe é a maior prova disso.
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- Papai? – chamou.
Não obteve resposta.
Olhou à sua volta e estranhou o ambiente. O quarto estava escuro, mas ela sabia que já era dia; podia ver através da cortina entreaberta. A última lembrança que tinha era de estar num carro com seu pai a caminho do... Ela não se lembrava para onde estavam indo. Na verdade, sequer lembrava-se de seu pai ter dito para onde estavam indo. Sabia que estavam em Frankfurt. Lembrava-se de ter chegado ao aeroporto.
A verdade é que perguntara ao pai se já haviam chegado ao destino final duas vezes, e estivera em três aeroportos no dia anterior. Disso ela se lembrava – isso, se não tivesse se atrapalhado e perdido as contas no caminho.
Refez a rota do dia anterior: de Teresópolis ao Rio de Janeiro, o translado fora rodoviário; do Rio de Janeiro a Lisboa e de Lisboa a Frankfurt, o translado fora aéreo. Uma vez no aeroporto, ela e o pai pegaram um táxi e ali estava ela, em um quarto desconhecido de um lugar também desconhecido. Seria o quarto de um hotel? Ou seria de uma casa? Se fosse uma casa, de quem seria?
Mais uma vez perguntou-se: onde estaria?
- Papai? – chamou novamente enquanto se desfazia das cobertas.
Antes que pudesse descer da cama, a porta do quarto, antes encostada, foi aberta e uma cabeça apareceu ali, como se checasse um ambiente onde fosse proibida a entrada. Mas não era seu pai.
- Tia Hall! – Zoe correu em direção à madrinha, que já estava ajoelhada no chão esperando pelo abraço da sobrinha e afilhada, e jogou-se em seus braços.
- Feliz aniversário, minha fadinha! – Hallie desejou, enchendo o rostinho da loirinha de beijos.
Zoe afastou-se e sorriu.
- Obrigada – agradeceu.
- Quantos aninhos agora? – Hallie perguntou.
- Uma mão cheinha! – a pequena disse com um sorriso encantador nos lábios e mostrou a mão aberta, indicando os cinco anos que estava completando aquele dia.
- Muito bem, está ficando velha. Mais velha que eu! – a tia brincou. – Que tal irmos lá para a sala para ver os presentes que a tia trouxe para você?
- Onde nós estamos? – Zoe perguntou.
- Em Frankfurt, na casa do tio do tio Justin.
- Na casa do tio... – Zoe fez, tentando acompanhar o pensamento da tia – do tio Justin?
- Isso mesmo. Tio Nathaniel. Ele está passando férias com a nova noiva em Amsterdã e emprestou a casa para nós passarmos essa semana aqui com você e comemorar o seu aniversário. Que tal?
- Tudo bem. E o meu papai?
- Ele está na sala te esperando junto com seus presentes – Hallie disse enquanto se colocava de pé. Sorrindo, estendeu a mão para a pequena. – Vamos?
As duas loiras caminharam de mãos dadas rumo à sala. Já ao final do corredor, Zoe ouviu as vozes e identificou-as com facilidade, seu sorriso ampliando-se visivelmente. Ela soltou a mão da tia e bateu palminhas, animada, antes de correr.
- Vovó! Vovô! – gritou, jogando-se no sofá onde os dois estavam sentados.
- Olha só quem acordou! – Nash Priestly fez, puxando a neta para depositar um beijo em seu rosto. – Feliz aniversário, amor da vida desse avô. Não fique com ciúmes, Hall. Ainda há muito espaço no coração desse velho para a pequena Tessa.
Hallie riu.
- Tenho certeza que sim, papai – a loira brincou.
- Minha princesinha está ficando mais velha! Cinco anos, hã? – Morgan Priestly fez, limpando os cantos dos olhos, que estavam cheios de lágrimas.
- Pode chorar, vovó. Eu não vou ficar triste com você. Sei que hoje é um dia muito triste e feliz ao mesmo tempo – Zoe disse e puxou de dentro da roupa a correntinha de ouro que trazia a aliança de sua mãe. Beijou-a e murmurou: – Nós amamos você, mamãe. Sentimos sua falta todos os dias.
Aquilo fora o suficiente para que as lágrimas que já estavam nos olhos de Morgan transbordarem e para Hallie soluçar em silêncio, também chorando. Justin rapidamente se colocou ao lado da esposa e a abraçou. Hallie então enfiou o rosto em seu peito, tendo as costas afagadas pelo marido. Morgan, por outro lado, puxou a neta para o seu colo e abraçou fortemente, beijando-lhe a testa enquanto afagava seus cabelos loiros. Nash passou o braço pelas costas da esposa de modo a afagar seu ombro e descansou a outra mão no bracinho de Zoe, que ainda segurava com força a aliança da mãe.
Harry, que estava de pé próximo à janela com uma taça de vinho à mão, observava tudo de fora. Embora compartilhasse da dor da perda de Karen pelos últimos cinco anos, a dor da família sempre seria maior. Eles eram sangue do sangue da mãe de sua filha e somente eles haviam convivido com Karen desde sempre. Sentiu um aperto no peito e foi incapaz de conter as lágrimas que se acumularam em seus olhos.
- Posso ver meus presentes agora? – Zoe perguntou, erguendo a cabeça do peito da avó.
Morgan secou as lágrimas que ainda estavam em seu rosto e sorriu para a neta.
- É claro que pode, querida.
Zoe, novamente, era o centro das atenções. Sentada no chão frio de pedra, ela pôs-se a abrir os presentes que estavam sobre a mesinha de centro e aqueles que lhe eram entregues, um a um. A satisfação e a alegria dela eram o combustível perfeito para manter todos afastados da lembrança ruim que aquele dia trazia, embora a tristeza – ainda que camuflada – sempre estivesse presente.
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- É divino – Justin comentou após provar da taça que o sogro lhe oferecia.
- Appfelwein – Hallie disse enquanto recolocava a câmera fotográfica sobre a mesa de centro e a rodeava para se acomodar no sofá ao lado do marido. – Vinho de maçã. Especialidade local.
- Das especialidades locais, ainda sou apreciador do Handkäse – Harry comentou, entregando a Justin um pedaço do queijo temperado.
- Então podemos ir ao Fichtekränzi. É um bom restaurante para os apreciadores da gastronomia alemã – Morgan Priestly colocou.
- Concordo. Ninguém pode sair de Frankfurt sem comer uma frankfurter ou uma bratwurst – foi a vez de Nash Priestly, avô de Zoe, se colocar.
- Vamos esperar tia Elizabeth, Brittany e Keira chegarem...
Hallie foi interrompida pelo toque de seu celular. Levantou-se num salto.
- Devem ser elas – disse e correu para pegá-lo sobre a mesa de jantar. – Alô?
O rosto dela rapidamente se transformou. Seu sorriso empolgado desapareceu e deu lugar a uma expressão de surpresa. Então esta se desfez e deu lugar a um sorriso imenso.
- Acho que não são os Newbie – Justin murmurou e Harry concordou.
- Vou ganhar mais presentes? – Zoe perguntou, os olhos brilhando de excitação.
- Não sei – Justin respondeu. – Será que ela vai ganhar mais presentes, Harry?
- Acho que não. Você já ganhou muitos, princesa. Não acha? – Harry brincou.
- Não. E tenho certeza que tia Lizzie vai me dar um monte de presentes quando chegar! Tia Brit e tia Keira também – Zoe disse, empinando o nariz e fazendo bico para o pai e o marido da tia. – E eu não vou deixar vocês brincarem com eles!
Harry e Justin riram.
- Zoe? – Hallie se aproximou, estendendo o celular para a pequena. – É para você.
Zoe rapidamente se colocou de pé e tomou o celular da mão da tia.
- Alô?
- Zoe, meu amor – uma voz doce e melodiosa se fez presente no outro lado da linha.
- Mione! – Zoe reconheceu, abrindo um enorme sorriso ao pronunciar, num murmúrio, o nome da mulher. – Que saudade!
- Sim, eu sei. Também estou morrendo de saudades de você, pequenina. Queria muito estar com você nesse dia tão especial. Feliz aniversário!
- Obrigada. Onde está Chloe?
- Está aqui do meu lado quase tomando o telefone de minha mão. Olha, enviei seu presente para o endereço que Hallie me deu. Provavelmente está no gabinete. Por que não vai até lá para buscá-lo? – Hermione sugeriu.
Sob os olhares curiosos de todos, Zoe deixou a sala rumo ao corredor. Harry fez a menção de seguir a filha, mas Hallie impediu.
- É mais um presente. Ela está recebendo as instruções para encontrá-lo – a loira explicou ao moreno num sussurro.
- Quem é?
- Uma velha amiga – Hallie respondeu vagamente.
Zoe alcançou rapidamente o gabinete, ainda segurando o celular de maneira desajeitada. Fechou a porta atrás de si e concentrou-se em ser ‘o mais discreta possível’ quando visse o presente, exatamente como prometera a Hermione.
Caminhou até o centro do gabinete e subiu numa cadeira, ficando de joelhos sobre ela.
- Pronto, onde está o presente? – perguntou, antes de sentir duas mãos cobrindo-lhes os olhos.
- Surpresa! – a voz de Chloe se fez presente e Zoe rapidamente virou-se para abraçar a amiga; o celular de Hallie completamente esquecido sobre a mesa do gabinete. – Feliz aniversário, baixinha.
Hermione não perdeu tempo e entregou uma enorme sacola a Zoe, que ignorou-o e a abraçou. A morena, surpresa pelo gesto, sorriu satisfeita. Como sentira saudades daquela criança!
- Espero que goste – disse, quando se afastaram.
Zoe pegou a sacola e abriu-a, somente para checar o conteúdo.
- Tem mais de um presente aqui!
- Sim. Tem presentes de meus pais e nossos – Hermione disse, referindo-se a ela e Chloe. – São todos seus.
- Puxa, obrigada – Zoe fez e tornou a abraçar Hermione e Zoe. – Vocês vão ficar?
- Infelizmente, não. Temos que voltar para casa. Estou em meu horário de almoço.
- Eu até pedi para ficar, mas estou em treinamento. Mamãe foi me buscar só para vir aqui fazer essa surpresa. Tenho que voltar – Chloe explicou. – Mas fico feliz em ter podido vir e te dar um abraço.
- Fico feliz que tenham vindo também – Zoe disse e sorriu para elas.
- Tem de manter essa visita em segredo, tudo bem? – Hermione pediu.
Zoe ia perguntar ‘por quê’, mas logo a pergunta ficou esquecida em sua cabeça. Inexplicavelmente. Sua curiosidade fora calada. A única coisa que fez foi concordar:
- Tudo bem.
- Nos veremos em breve, pedacinho de sol – Hermione disse e beijou-lhe o rosto. – Ich liebe dich – acrescentou num murmúrio ao pé do ouvido da pequena.
- Também amo você, Mione – Zoe disse em meio a um sorriso.
- Sentimos sua falta, Zoe – Chloe acrescentou e juntou-se à mãe, abraçando-a pela cintura. – Tchau – despediu-se, timidamente.
- Bis bald – Zoe despediu-se e observou-as desaparecerem no ar com um estalido surdo.
Foi então que voltou sua atenção para a sacola que tinha em mãos. Checou novamente seu conteúdo e sorriu, a ansiedade para ver o que havia por baixo dos embrulhos crescente. Já estava alcançando a porta quando lembrou-se do celular da madrinha, esquecido sobre a mesa. Voltou rapidamente para pegá-lo e deixou o gabinete rumo à sala.
- E então? – Hallie fez, aproximando-se da sobrinha.
- Mais presentes! – Zoe mostrou a sacola e devolveu o celular para a loira. – Obrigada, tia Hall.
- De nada, querida – Hallie disse, piscando para a sobrinha.
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- O que vai querer de presente de aniversário? – Tiffany perguntou, acomodando-se na cadeira ao lado do loiro.
- Um beijo – Herod brincou.
Tiffany semicerrou os olhos e balançou a cabeça negativamente, lutando contra um sorriso que insistia em se formar em seus lábios.
- Engraçadinho – a morena fez e depositou um rápido beijo nos lábios do rapaz. – Satisfeito?
- Não, mas como meu aniversário é somente daqui a cinco dias, podemos renegociar... Quem sabe você não faz direito da próxima vez? – Herod insistiu em tom brincalhão e Tiffany deu-lhe um tapa no ombro. – Tudo bem, já parei.
- Acho que farei questão de vasculhar todas as lojas do Beco Diagonal atrás de um garrafão de 20 litros de juízo para você, porque parece que você cresceu e esqueceu o pouco que tinha lá atrás – a morena disse em tom divertido. – Trinta e dois anos. Isso amplia a nossa diferença de idade para cinco anos.
- Somente até janeiro. Então serão novamente quatro anos, e aí poderei, enfim, pedir você em casamento – Herod continuou investindo na brincadeira.
Ambos estavam no aeroporto de Tel Aviv, onde haviam passado os dois últimos dias renovando um contrato que a empresa dos Christow tinha com um fornecedor de tecidos da região. Aguardavam o voo que os levaria a Dubai. Inicialmente, seria uma viagem apenas a negócios e duraria apenas três dias, mas Herod e Tiffany resolveram estender a estadia na cidade mais populosa dos Emirados Árabes para passar ali também o aniversário do loiro.
Tiffany temia as brincadeiras de Herod, embora às vezes cedesse a elas. Era divertido brincar de ‘brigar’ com o loiro, mas ele sempre conseguia conduzir a brincadeira para aquela conversa de ‘casamento’. Ainda que fosse brincadeira, Tiffany tinha medo de se deixar envolver mais do que deveria. E havia momentos em que ela não tinha certeza de que se tratava apenas de uma brincadeira. Isso a preocupava.
Estava bem óbvio que, nos últimos tempos, o laço que estabelecera com Herod estava mais sólido e para ela não parecia fugir ao natural que sentisse uma atração, mesmo que mínima, por ele. Era um rapaz bonito, bem apessoado, gentil e se preocupava com ela. Tudo o que ela procurava num homem, embora não estivesse buscando por um no momento. Aliás, não buscava por um desde o que acontecera entre ela e Nolan, embora tenha saído com dois ou três caras nos últimos oito anos. Não que tenha ido para cama com algum deles. Não, isso não. Ela jamais se deixara envolver novamente. E não fazia sentido dormir com alguém por quem não nutria sentimento algum.
Se apaixonar? Não sabia mais o que era isso.
Muitas vezes perguntava-se se havia mesmo esquecido Nolan. Oras, se não se apaixonara por mais ninguém, o que mais poderia pensar? Mas sabia que não era isso. Apenas não havia aparecido outro alguém que realmente mexesse com ela.
Herod, por outro lado, já admitira para si mesmo estar apaixonado por Tiffany. Fora algo difícil, uma vez que nunca havia acontecido com ele, por maior que fosse o número de mulheres que tivessem acordado em sua cama. Mas era impossível olhar para ela e não sorrir como um bobo. E isso estava ficando ainda mais claro para aqueles com quem convivia. Sua mãe, seu pai, Brianna... E Pansy. Principalmente ela.
Perdera a conta de quantas vezes Tiffany fora assunto de suas conversas com Pansy. Nunca dissera a Pansy que estava apaixonado por ela. Ao contrário, fora a própria quem percebera e colocara a questão. Perguntava-se, desde então, há quanto tempo se tornara tão óbvio o encanto que tinha por Tiffany.
A relação deles, inicialmente, era superficial. Existia somente por causa das crianças. Com o tempo, entretanto, Tiffany permitiu que ele, enfim, fizesse parte de sua vida. E isso só fora possível depois da viagem a Boston.
A partir dali, não conseguia ficar um dia sequer sem vê-la e ele ligava para ela pelo menos duas vezes por dia: uma pela manhã, para desejar ‘bom dia’, e outra à noite, para perguntar como fora o seu dia e desejar ‘boa noite’.
Isso, obviamente, sem contar as outras tantas ligações para convidá-la para almoçar ou jantar, ou quando ligava avisando que a estava indo ver no Ministério. Não obstante, ligava para a casa da morena também duas ou três vezes para saber como estavam as crianças. Ele os amava como se fossem seus.
- Quer mesmo me dar um presente? – ele fez, agora sério.
- Sim, eu acho que estava exatamente tentando descobrir o que você queria de presente, não? – Tiffany disse, sorrindo, e sentou-se sobre uma das pernas na cadeira, virando-se para ficar de frente para ele. Afagou brevemente os cabelos do loiro, logo atrás de sua orelha esquerda. – E então, o que vai querer?
- Quero que Josh e Francine sejam também meus filhos.
Tiffany imediatamente parou de afagar os cabelos de Herod e deixou a mão cair no encosto da cadeira em que ele estava sentado. Sabia que a expressão em seu rosto deveria ser claramente de surpresa, mas não se incomodou em disfarçá-la.
- O que quer dizer com isso?
- Quero que eles tenham o meu nome. Quero que sejam também meus – Herod repetiu. – Quero poder chamá-los de meus, quero poder dividir com você a responsabilidade de cuidar deles.
- Mais do que você já faz por eles? Eles são seus, e você sabe disso.
- Você sabe que eu os amo, Tiffany, como se fossem meus. Da mesma maneira que sei que você os ama como se fossem verdadeiramente seus – o loiro continuou, como se não tivesse sido interrompido. – Eles têm o seu nome. Quero que tenham o meu também.
Tiffany engoliu em seco.
- Tudo bem – assentiu. – Quando voltarmos a Londres tomaremos todas as medidas necessárias para que tenham o seu nome.
- Está falando sério? – Herod fez, não tão seguro do que acabara de ouvir. Pensara que teria de insistir por horas no assunto, talvez até por dias, até que Tiffany concordasse.
- Sim. Eles não poderiam desejar pai melhor...
Não pôde terminar a frase. Fora interrompida por um beijo – no rosto – e um forte abraço que a pegaram de surpresa.
- Obrigado. Tenha certeza de que serei o melhor pai do mundo.
Tiffany sorriu e retribuiu o abraço do loiro. Depositou então um beijo em sua face e afastou-se, buscando fitar os olhos azuis esverdeados dele ao dizer:
- Você já o é, Herod. – Ela alargou seu sorriso e reassumiu o tom brincalhão de antes para acrescentar: – E sei que, se um dia viermos a nos casar, de fato, será também o melhor companheiro que poderei ter.
Ela realmente acreditava nas suas palavras, embora as tivesse dito em brincadeira. Antes, somente conseguia pensar em Nolan para ocupar o posto de ‘marido ideal’, mas depois que se permitira conhecer Herod a fundo, o ex-namorado ganhara um concorrente de peso.
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- Não se preocupem conosco – Hallie disse a Justin já à porta da casa. Despediu-se do marido com um beijo rápido nos lábios e sorriu. – Demorem o tempo que quiserem!
- Está vendo isso, Harry? Elas estão nos despachando! – Justin fez, em tom brincalhão.
- É o que acontecem quando elas querem aprontar alguma coisa – Nash Priestly comentou, rindo. – Certamente aproveitarão que estão somente as mulheres da família para contar histórias... Conheço bem as mulheres de sangue Corrigan e Priestly. – E, ao dizer isso, piscou para a mulher e a filha, as duas lado a lado na porta.
- Eu posso dizer que convivi o suficiente com duas delas para saber como são – Harry acrescentou.
- Muito bem, rapazes, estamos atrapalhando a fofoca. É melhor irmos logo – foi a vez de Frank Newbie se colocar. Ele ainda não deixara a casa. Acabara de chegar com a esposa, as filhas, os genros e a neta. – Ethan e Jeffrey, se vocês não vierem agora, acabarão por serem arrastados porta afora por suas mulheres.
- Sabe que não faríamos isso, papai – Keira disse, surgindo acompanhada do marido pelo corredor.
- Você definitivamente não o faria. A não ser que quisesse parir meus netos antes da hora. Já viu o tamanho de Jeffrey? – Frank Newbie disse.
- Ela não precisaria me dizer duas vezes para eu ir. Se alguém já viu uma das Newbie contrariadas, sabe perfeitamente do que estou falando – Jeffrey brincou e recebeu uma leve tapa no ombro, o que arrancou boas risadas suas e dos presentes.
Dois minutos depois, já estavam todos os homens – Harry, Ethan, Jeffrey, Justin, Frank e Nash – dentro de dois carros.
- Sienna, volte para dentro, querida! – Brittany chamou a filha e aguardou ela se despedir do pai e correr para dentro antes de fechar, finalmente, a porta.
- Pedi ao papai uma daquelas tortas alemãs – a loirinha contou à mãe.
- Hum, nem me fale dessas tortas! São divinas – Elizabeth Newbie comentou.
- Espero que tenha lembrado de seus priminhos, Sienna – Keira disse.
- Pode deixar, tia Keira. Eu pedi ao papai para trazer três pedaços para você – Sienna disse em tom de satisfação.
Todas as mulheres riram.
- Está aí o que você queria ouvir – Brittany disse à irmã, ainda entre risos.
- Vou pegar mais appfelwein – Hallie adiantou-se para a cozinha.
- Hallie – Morgan Priestly a advertiu.
- E mais suco de maçã também – ela acrescentou apressadamente.
- Não se preocupe, Morgan... – Elizabeth começou.
- É, vovó. Tia Hall é doidinha assim, mas tem juízo – Zoe disse, arrancando mais risos das mulheres.
- O que você disse, pequena Zoey? – Hallie indagou, aparecendo à porta da cozinha.
- Tia Hall é doidinha assim, mas tem juízo – a pequena repetiu.
Hallie gargalhou e acrescentou, antes de sumir novamente na cozinha:
- Mais tarde acertaremos nossas contas, sapeca.
- Isso significa que você ganhará muitas coceguinhas – Sienna sussurrou para Zoe.
- É, eu sei – Zoe disse em tom maroto.
- Muito bem. Vamos começar? – Elizabeth fez.
- Esperemos Hall voltar, mamãe – Keira disse, acomodando-se num sofá de dois lugares e estendendo as pernas para apoiá-las num pufe próximo.
- Já estou de volta! – Hallie se colocou. Ela já alcançara o meio da sala, e uma jarra com suco de maçã, quatro copos, três taças de vinho e a garrafa de appfelwein que levitavam ao seu redor se acomodaram perfeitamente sobre a mesinha de centro. – Sirvam-se, garotas.
- Agora podemos começar – Morgan disse e esperou que todas estivessem bem acomodadas e servidas para que ela pudesse se ajeitar em sua poltrona, sentando-se bem na ponta com a coluna perfeitamente ereta, com a taça de vinho de maçã em mãos. – Zoe, querida, alguma vez disseram a você que você parecia uma pequena fadinha?
Zoe assentiu inocentemente com a cabeça, acrescentando em seguida:
- Tia Hall me chama assim sempre. – A pequena então trocou um olhar com a tia, que sorria maternalmente para ela e lhe deu uma piscadela.
- E você sabe por quê? – Morgan perguntou.
Zoe balançou a cabeça negativamente.
- Mas tio Justin disse uma vez que nós éramos descendentes das fadas – ela disse.
- Sim, descendemos dos celtas, que por sua vez eram descendentes de elfos e de Finn – Hallie confirmou.
- Mas não somos necessariamente apenas descendentes de fadas – Elizabeth acrescentou.
- E o que nós somos?
- Fadas? – Sienna arriscou, sem ter certeza do que dizia. Seus olhos azuis buscaram o olhar da mãe, que assentiu breve e discretamente. A pequena completara sete anos no dia 22 de agosto, seis dias antes.
- Somos? – Zoe perguntou, realmente surpresa, os olhos arregalados.
- Sim – Keira disse enquanto acariciava a enorme barriga de gêmeos.
- Fadas? – Sienna fez novamente. – Tipo... fadas... de verdade?
- Sim, fadas de verdade – Morgan assentiu.
- Como aquelas das histórias que o papai me conta antes de dormir? – Zoe indagou, os olhinhos agora brilhando de excitação.
- Não exatamente como as fadas dos contos-de-fadas trouxas – Brittany disse, achando graça da pergunta da pequena.
- Embora elas existam por nossa causa – Keira pontuou. – Mas assim como as bruxas dos contos-de-fadas são diferentes das bruxas do mundo em que vivemos, as fadas que neles estão presentes também são bem diferentes daquelas que de fato existem.
- Sim, de fato – Brittany concordou com a gêmea. – Assim como nem toda bruxa é feia e malvada, de nariz pontudo e voa por aí com sua vassoura, nem todas as fadas são boazinhas, baixinhas e gorduchas e têm varinhas de condão. Os poderes atribuídos às fadas só foram possíveis por conta das fadas que também são bruxas.
- Ou seja, as fadas dos contos-de-fadas são uma mistura das qualidades positivas das bruxas e fadas que existem de fato – Morgan acrescentou.
- Então existem fadas más? – Sienna perguntou, os olhos azuis arregalados.
- Sim. E elas são mais comuns que as boas – Elizabeth contou.
- Mas não pode, tia Liz – Zoe argumentou.
- Infelizmente é possível, Zoe, querida – Morgan disse à neta. – Há várias espécies de fadas. Das pequeninas até as que facilmente podem se passar por humanas.
- Que é o nosso caso – Hallie interrompeu.
- Sim, o nosso caso. Mas é importante que vocês saibam, pequenas fadinhas, que mesmo a fadas más não são tão más assim. É apenas uma forma de dizer que elas trabalham com qualquer tipo de encantamento e não se preocupam muito com o fato de que aquilo que pode trazer benefícios a um sujeito, pode também prejudicar outros – Morgan continuou como se a filha não a tivesse interrompido.
- Que egoístas! – Sienna comentou.
- É exatamente essa a palavra que as qualifica. Elas trabalham apenas para si próprias, ao favor de seus objetivos e daquilo que pode beneficiá-las – Morgan assentiu. – Mas isso não as torna más.
- E o que nós somos, vovó? Não somos como elas, somos? – Zoe indagou, o cenho franzido.
- Não, querida, não somos – a avó a tranqüilizou.
- Nós somos diferentes, Zoe. Apenas isso – Hallie disse com suavidade enquanto afagava os cabelos loirinhos da sobrinha.
- Existem algumas atribuições que somente os descendentes de elfos possuem. Uma delas é o poder de identificar aqueles que mentem. Por definição, somos seres que não toleram falsidade e mentiras, e uma promessa feita a um elfo ou fada jamais pode ser quebrada – Elizabeth explicou.
- Além disso, somos mais ágeis que os humanos, temos os sentidos mais aguçados... – Keira continuou.
- Especialmente a audição, a visão e o olfato – Brittany acrescentou.
- Dormimos menos, também – Hallie disse. – E isso, muitas vezes, é muito útil.
- Podemos alterar nossa forma – apenas no sentido de diminuir quando nos é conveniente – e ficar invisíveis por um tempo limitado – Elizabeth contou.
- Se formos falar todos os detalhes... – Keira suspirou.
- Sim, ficaremos aqui por horas. O dia é de nossa pequena Zoey e nós vamos lhe contar tudo – Morgan interrompeu. – Contaremos tudo a ela e a Sienna.
- Nossas pequenas fadinhas – Hallie brincou.
E ali ficaram, somente as mulheres, horas e horas, entre risos, tortas, sucos e histórias antigas que permeavam as gerações da família que crescia e perpetuava a espécie singular à qual pertenciam.
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Tarde de 18 de setembro, Londres, Inglaterra
Fazia uma semana que não se via uma só nuvem no céu de Londres, após um fim de semana chuvoso. Os dias nublados de outono pareciam ter sido adiados este ano.
A verdade é que o tempo estava mudando, e a meteorologia já anunciava o clima louco que se aproximava. Apesar de os dias apresentarem-se ensolarados, eram amenos – com temperaturas que variavam entre 53ºF e 68ºF –, e ventava muito.
O vento assobiou e Amy apurou os ouvidos, sem retirar os olhos da revista que lia, buscando qual a janela mal fechada que a incomodava. Ao identificá-la, concentrou-se nela e ouviu um baque leve, indicando que conseguira fechá-la e travá-la. O silêncio voltou a reinar, absoluto.
Checou o relógio pela quinta vez em menos de vinte minutos, e o tempo parecia se arrastar. Eles estavam atrasados, o que era estranho. Muito estranho. Fazia quase quarenta minutos que Harry ligara avisando que já chegara a Londres. Por que diabos, então, a demora?
Fechou a revista, impaciente, e estava prestes a levantar-se para buscar outra coisa com a qual se ocupar, mas esqueceu completamente a irritação quando percebeu aqueles conhecidos olhos cor de mel a fitarem. Olhos estes que traziam um ar misterioso inconfundível.
Aquele olhar ela conhecia bem, e agora estampava inúmeras revistas e outdoors por toda a capital do Reino Unido – e, pelo que ouvira dizer, inúmeras outras cidades de toda a Europa.
As duas revistas que tinha em seu colo, inclusive, foram compradas somente pela presença das fotos de sua amiga nas contracapas. Era bem verdade que ela mal acreditava, embora já devesse ter-se acostumado à presença do rosto de Hermione nas campanhas de maquiagem que se espalhavam por cada veículo de comunicação existente – tanto no mundo bruxo quanto no trouxa.
Hermione nada lhe havia contado sobre ter recebido convites para estrelar aquelas campanhas ou ter feito aquelas fotos até que estas passaram a circular publicamente. Quando se deparara com o rosto dela em um outdoor na escaldante tarde de segunda-feira de 31 de agosto, quando se dirigia ao Ministério da Magia, quase batera seu Aston Martin V8 Vantage. Obrigara-se a encostar o veículo no primeiro local permitido e ligou para a amiga, questionando-a a respeito. A resposta que teve? O divertimento da amiga.
“Estava me perguntando quanto tempo você e Liah demorariam a me ligar quando lançassem a campanha”, foi o que ela dissera entre risos.
Suspirou, saudosa. A verdade é que só a havia encontrado uma vez desde que ela fora morar em Paris, no início de julho, e esse encontro ocorrera na tarde do dia 30 do mesmo mês, quando ela estivera em Londres para o aniversário de Francine, filha de Tiffany. Ela estava diferente, Amy não deixara de notar. Havia algo nela que estava diferente. Sentira nela uma cautela que, embora fosse característica de Hermione, nunca houvera na amizade entre elas.
Depois disso, não mais se encontraram. Hermione parecia estar sempre cheia de compromissos e trabalho. Sequer comparecera aos aniversários de Gina, Alexis (filha de Jorge e Katie), Jenna (filha de Percy e Penélope), Phoebe e Mischa (filhas de Olívio e Isabella, que embora os aniversários fossem separados por pouco mais de um mês, sempre os comemoravam em única festa) e Sienna (filha de Ethan e Brittany). Ela sempre ligava, fazia seus votos de felicidade, enviava o presente, mas não aparecia.
Voltou novamente sua atenção para a capa da revista. Era impressionante como ela estava ainda mais bonita naquelas fotos. Não que houvesse algo além do rosto ou somente dos olhos dela nas fotos. Todas as fotos eram em close, principalmente nos olhos belamente maquiados de Hermione. A foto daquela revista, por exemplo, somente trazia os olhos cor de mel da morena. Nada mais.
Suas divagações foram interrompidas pelo abrir da porta da frente da mansão em que se encontrava. Levantou-se num átimo e dirigiu-se apressada rumo ao hall de entrada.
A sensação que teve ao ver o moreno com a mão à maçaneta, carregado de malas e casacos e a pequena Zoe agarrada a um enorme bicho de pelúcia correndo ao seu encontro foi semelhante à de quando Hermione abrira a porta para ela em abril daquele mesmo ano, quando a fora visitar pela primeira vez em Notting Hill. Era algo fora do normal, indescritível.
Quando se abaixou para receber Zoe em seus braços, fechou os olhos e sentiu-a, apertando-a contra o peito. Sentir saudade é realmente inexplicável. Mas a imensidão de sua inexplicabilidade nem se compara à do sentimento que preenche o peito de alguém quando se tem a presença física da pessoa novamente. E Amy conhecia bem esses sentimentos de perda, de saudade e de retorno. Foram tantas as vezes que passara por cada um deles...
- Como você está, meu amor? – perguntou, ao se afastar de Zoe, segurando o rostinho dela entre as mãos.
- Bem – respondeu a loirinha, com um sorriso enorme no rosto. – Estava com saudades.
- Eu também estava morrendo de saudades, pequenina da tia! – E, dizendo isso, Amy puxou-a para mais um abraço.
- Cuidado, desse jeito vai amassar minha filha toda – Harry brincou.
Amy cerrou os olhos ao fitar o ‘irmão’ e, pegando Zoe no colo, foi de encontro a ele.
- Eu deveria amassar a sua cara por ter passado tanto tempo longe, isso, sim – disse, se aproximando dele, e sendo por ele abraçada com força. Ele beijou-a demoradamente no alto da cabeça. – Ai, cuidado com essa barba!
- Reclamona! – o moreno fez, beijando-a na bochecha antes de afastar-se. – Estava com saudades de você, maninha.
- Eu sei – Amy sorriu. – Acho bom você ir à casa de papai mais tarde. Ele só não veio comigo porque essas últimas semanas o trabalho no Ministério está uma loucura! Para todos os departamentos – ela acrescentou.
- Vou passar lá na hora do jantar. Já falei com ele. E vou a York no domingo buscar Embry, ou a fadinha aqui vai me transformar em um sapo! – Harry disse. – E como estão as coisas por aqui?
- Está tudo em ordem. Scott deve estar contando as horas para a manhã de amanhã, quando você retoma o seu posto. Ele estava enlouquecendo. Perdi a conta de quantos “vou pedir um mês de férias para me recompor dessa loucura” ou “só Harry para aguentar essa correria” eu o ouvi reclam... – então ela parou de falar. Analisou-o por um breve instante e recomeçou: – Se quer saber de Hermione...
- Amanhã é aniversário dela e...
Sim, Amy sabia. E doía saber que não veria a amiga em mais um aniversário dela. Mas não adiantava pensar nisso agora. Ela já discutira o suficiente com Hermione no telefone a respeito e acabara resignada quando ela dissera que estaria em São Petersburgo a trabalho.
- Ela pensou que você tivesse desistido dela quando decidiu ir para o Brasil...
- Ela pensou... Eu? Desistido? – ele repetiu, atordoado. – O que quer dizer com isso?
- Ela foi embora, Harry – Amy anunciou, sem rodeios. – Faz dois meses.