3 de julho de 2009
Rhina havia acabado de chegar à agência. Vinha tirando o casaco enquanto atravessava os corredores. Algumas garotas a cumprimentavam brevemente, outras lhe passavam recados e novidades. Rapidamente, alcançou a sua sala e Marija, sua assistente e secretária pessoal, levantou-se e aproximou-se a passos rápidos com a agenda à uma mão e a caneta à outra.
- Bom dia, Rhina.
- Bom dia, Marija – Rhina respondeu ao cumprimentou enquanto adentrava sua sala com Marija em seu encalço. – Meu café?
- Em sua mesa. Sem espuma, como pediu. A propósito, chegou uma encomenda de Natasha Novak. Deixei o envelope sobre sua mesa.
- Ah, finalmente! – Rhina fez, dando a volta em sua mesa para checar o envelope que a cunhada havia lhe mandado. – E Alecia?
- Está em reunião com Amélie Le Clair no momento. Hermione também está na casa. Ah, e as modelos que você solicitou já estão se preparando para as fotos.
- Ótimo. A reunião com Jean Pierre está confirmada?
- Sim. Ele ligou pouco antes de você chegar e disse que já estava a caminho.
- Amélie veio a quê?
- Parece que ela está em busca de garotas propaganda para a sua nova linha de jóias.
- Há quanto tempo ela está aqui?
- Mais de uma hora. Ela solicitou modelos com rostos mais expressivos e marcantes, e nossas melhores modelos são as que não são somente modelos, se é que me entende.
- Sim, eu entendo. E a maioria delas está em serviço agora – Rhina ponderou, recostando-se em sua enorme poltrona, a mão apoiando o queixo, os olhos perdidos num ponto qualquer da sala. – Daremos um jeito. Quais são os nomes que temos disponíveis?
- De acordo com os padrões estabelecidos por Amélie, temos Anaïs e Caitria, mas pensei que talvez você fosse usá-las para a campanha de Jean Pierre.
- Eu já havia separado as duas para apresentar a ele. Se Amélie se contentar com apenas uma modelo... Talvez possamos negociar.
- Poderiam ser as mesmas modelos para ambas as campanhas – Marija comentou. – Anaïs tem somente dois contratos assinados no momento, um deles chegando ao fim no próximo mês. Caitria, que é uma de nossas matadoras, tem somente o contrato com Rudi Gernriech e não assumiu nenhum serviço por agora.
- Hum, bem pensado. Traga os books delas, por favor, e me anuncie a Alecia.
- Não será necessário – foi a própria Alecia quem disse, adentrando a sala da sócia. Amélie Le Clair a acompanhava de perto. Amélie era o tipo de mulher que Rhina não suportava. Aquele sorriso falso – tão falso quanto seus cabelos loiro-aguados – que não lhe saía dos lábios a irritava profundamente, tanto quanto a sua magreza excessiva e suas pernas compridas. – Rhina, creio que Marija a tenha colocado a par das solicitações de Amélie, não?
- Sim, e eu já estava levando dois nomes para ela – Rhina respondeu de pronto, colocando um sorriso falso no rosto. – Como vai, Amélie?
- Je vais bien, mon cher. Muito bem – Amélie apertou brevemente a mão de Rhina.
- Ah, mas isso é ótimo. Sente-se, por favor – Rhina disse e foi acompanhada por Alecia e Amélie. – Marija, os books.
- É claro. Só um instante.
- E então, Rhina, em quem você pensou para mim? – Amélie perguntou.
- Anaïs, sua conterrânea, e Caitria, uma modelo sueca. São dois perfis completamente diferentes, assim terá mais facilidade em escolher a modelo de sua preferência. É claro que podemos negociar para que as duas estrelem a sua campanha, se preferir.
- Veremos – Amélie fez.
- Tenho certeza que sairá daqui com a sua modelo – Rhina comentou e viu Alecia revirar os olhos. Precisou conter o riso.
Eficiente, Marija retornou à sala de Rhina naquele mesmo instante, trazendo os books solicitados. Colocou-os sobre a mesa de Rhina e saiu em seguida, retornando com uma bandeja com uma garrafa térmica e uma jarra de água. Serviu o chá para as três mulheres e deixou a sala em definitivo, fechando a porta às suas costas.
- Aqui estão – Rhina entregou os books a Amélie. Na capa de ambos vinha o nome da respectiva modelo.
Rhina e Alecia observaram em silêncio Amélie passar página por página, analisando as fotos com atenção, principalmente aquelas em que o rosto era o foco da câmera.
Anaïs tinha os cabelos de um loiro morango suave, com cachos bem definidos. Seus olhos eram de um azul intenso, seu rosto oval, com traços muito marcantes. Já Caitria tinha os cabelos louros claro-acinzentados e olhos ainda mais claros e intensos que os de Anaïs, o rosto quadrado e ainda mais marcante que o da colega.
Amélie fechou os books e suspirou.
- Quero outra – foi tudo o que disse.
- Outra? – Alecia fez. – Não vai ficar com nenhuma das duas?
- Não – Amélie disse e Rhina prendeu a respiração, tentando conter a raiva. – Ficarei com as duas e mais uma.
- Infelizmente só temos essas duas disponíveis no momento. As outras modelos estão com muitos contratos ou estão fora do país a trabalho – Alecia disse. – Pensei ter dito isso assim que você chegou, Amélie.
- Muito bem, então procurarei outra agência, já que as modelos de vocês são tão cotadas – Amélie anunciou em tom irônico e pôs-se de pé.
- Espere, Amélie – Rhina pediu, também colocando-se de pé. O contrato que Amélie propusera era milionário e, mesmo que tivesse que posar de modelo, Rhina não o perderia. – Vou entrar em contato com as meninas. Preciso apenas que estabeleça um perfil mais detalhado para a terceira modelo. Loira, morena, ruiva...?
- Ficará ao seu critério. Quero apenas um rosto novo e marcante – Amélie disse.
Foi quando o telefone tocou, interrompendo o diálogo.
- Sim, Marija?
- Jean Pierre já está aqui, Rhina.
- Peça para ele aguardar aí fora. Vou ao encontro dele – Rhina disse e desligou o telefone. Dando a volta em torno da mesa para ficar frente a frente com Amélie, estendeu a mão: – Encontrarei a modelo que você quer, Amélie. Enviarei o nome e as fotos para o seu hotel até as 20h. Tem a minha palavra.
- Muito bem, estarei ao aguardo – Amélie disse e apertou a mão de Rhina. Em seguida, deu as costas e, acompanhada de Alecia, que fez uma careta para a sócia e pronunciou algo como “bruxa” ou “vaca” – Rhina não conseguiu distinguir – e a acompanhou na saída da sala.
Rhina então desfez o sorriso falso e fez uma massagem nas maçãs do rosto.
- Eu odeio Amélie Le Clair – fez num murmúrio quase inaudível, revirando os olhos e encaminhando-se para a porta. Renovou o sorriso e tentou parecer o mais natural possível. – Jean!
- Rhina, ma chérie! – o francês pôs-se de pé e aproximou-se. Apesar de ser possuidor de um estilo um tanto quanto irreverente, Rhina sabia que Jean Pierre era homem no sentido literal da palavra, e com ‘h’ maiúsculo. Mais do que isso, era um homem belíssimo, que chamava atenção em qualquer lugar onde pisasse.
- Como vai, Jean? É um prazer recebê-lo mais uma vez. Sempre fiel! Não sabe como é importante para nós ser a sua preferência para suas campanhas.
- Gosto de você e de suas modelos. É difícil encontrar uma agência com tantos rostos novos a cada ano – Jean beijou a mão de Rhina com delicadeza e ela sentiu as pernas fraquejarem. Era incrível o efeito que ele tinha sobre ela. Um efeito que poucos homens exerciam... A voz, o sotaque, o cheiro, os cabelos levemente grisalhos... Tudo nele era sexy.
- Devo dizer, então, que sei exatamente o que você precisa.
Jean Pierre riu e aproximou-se do ouvido de Rhina, ainda segurando a mão dela:
- Espero que um jantar esta noite esteja entre as coisas que eu preciso – fez, maliciosamente.
- Avaliarei a proposta – Rhina respondeu, sorrindo, satisfeita. – Mas temos outros assuntos a resolver, e não temos muito tempo.
Dito isso, a morena se encaminhou para a sua sala com o francês em seu encalço. Fechou a porta atrás de si assim que ele passou por ela e os dois acomodaram-se à sua mesa.
- Aqui está o que tenho para você – ela estendeu para Jean o book de Caitria. – Caitria. É sueca. Se não gostar dela, temos uma francesinha também. Sei que sua preferência são as morenas, mas como você disse que a campanha é para o outono-inverno, supus que preferiria as mais branquinhas dessa vez.
- Você tem uma boa visão de moda e do que fica bem ou não numa campanha publicitária – Jean comentou enquanto analisava as fotos de Caitria. – É uma modelo belíssima.
- Sim, é um de nossos melhores rostos.
O telefone tocou e Rhina imediatamente estendeu a mão para atender.
- Sim, Marija?
- Só pra avisar que Hermione está entrando – a voz de Marija anunciou ao mesmo tempo em que a porta da sala abria.
Rhina recolocou o fone no gancho.
- Bom dia – Hermione cumprimentou. – Vous devez être Jean Pierre. Enchanté!
- Oui, ma chérie. Enchanté! – Jean Pierre fez, galante, pondo-se de pé e beijando a mão de Hermione com delicadeza. – Et votre nom, ce qui est?
- Hermione Granger.
- É um prazer conhecê-la, Hermione – Jean Pierre disse e beijou novamente a mão de Hermione.
Hermione sorriu brevemente para ele e voltou-se para Rhina.
- Desculpe interromper, Rhina, mas temos alguns problemas com as datas daquele trabalho. Duas de nossas garotas estarão em Seattle também a trabalho. Foi solicitado hoje mais cedo que elas fossem para lá até o terça-feira da semana que vem e elas devem ficar lá até sexta-feira.
- Diabos! – Rhina esbravejou baixinho. – Então teremos de adiar?
- Eu sugeri a Alecia que saíssemos daqui no dia 13.
- Perfeito. Pode agendar. E cuide para que nada mais seja marcado para essa semana. Nenhum ensaio, nenhum desfile... Nada.
- Cuidarei disso – Hermione disse. – Foi um prazer conhecê-lo, Jean. – E ela deixou a sala.
- Desculpe, mas estamos re-agendando uma série de compromissos nos últimos dias por conta de um trabalho grande a ocorrer nas próximas semanas. Eu não teria permitido interrupções se não fosse Hermione e se não fosse sobre esse trabalho.
- Vejo que ela é das mais importantes aqui, não?
- Sim, e uma das mais antigas também.
Jean Pierre fechou então o book de Caitria e devolveu-o a Rhina.
- Eu quero ela.
- Como? – Rhina fez.
- Eu quero que ela estrele a nossa próxima campanha. Ela é perfeita, exatamente o que eu preciso.
- Mas Jean...
- Sem mais, Rhina.
- Ela não é uma de nossas modelos, Jean. Acho que ficou bem claro quando ela entrou aqui.
- O que ficou bem claro foi que ela é um rosto novo, bonito e marcante, exatamente o que eu preciso. Os olhos dela são perfeitos para a nossa proposta. Olhos amendoados, cor de mel e marcantes – Jean disse. – Se ela não é uma de suas modelos, devo dizer que estão desperdiçando uma beleza que seria muito apreciada por sujeitos como eu, que precisam de rostos como os dela.
- Não acho que ela vá concordar...
- Chame-a aqui e eu a convencerei. Pago cachê dobrado para ela e cinquenta por cento a mais do valor inicial para vocês. Se não for ela, não será nenhuma das outras garotas.
Rhina trincou o maxilar e respirou fundo. Resignada, tomou o fone do gancho e discou.
- Marija? Peça que Hermione venha aqui imediatamente.
- Mas ela acabou de sair daqui.
- Não interessa. Quero ela em minha sala em um minuto – Rhina disse e recolocou o fone no gancho.
Ela e Jean Pierre se encararam por alguns instantes até que a porta foi aberta e Hermione adentrou o aposento.
- Alguma mudança nos planos?
- Não exatamente – Rhina disse. – Jean Pierre quer lhe falar um instante.
- Em que posso ser útil? – Hermione perguntou ao francês.
- Quero que seja o rosto da nova coleção de cosméticos da empresa que represento.
Hermione, que fora pega de surpresa pela proposta, riu nervosamente.
- Desculpe, deve estar havendo algum engano... Eu não sou modelo.
- Eu já lancei a proposta a Rhina. Seu cachê será dobrado e a Razzle Dazzle terá cinquenta por cento a mais de lucros.
- Não se trata de dinheiro. Como eu disse, não sou modelo.
- Hermione, escute... As fotos serão apenas de rosto. Você fará apenas algumas fotos e depois as selecionará para os calendários, outdoors e revistas. Trata-se apenas de publicidade. E, obviamente, você comparecerá à festa de lançamento da linha – Rhina intercedeu.
- Não seria algo exclusivo nem definitivo. Poderíamos fazer novas campanhas no futuro, e eu realmente ficaria feliz se você fosse nossa garota-propaganda, porque, como eu estava dizendo a Rhina, seu rosto é novo, bonito e marcante. E seus olhos são perfeitos para a proposta em questão. Trata-se de uma linha de cosméticos, afinal!
- Seria só isso, Rhina? – Hermione perguntou, um ar cético pincelando sua voz.
- Podemos conversar sobre o que eu tenho em mente depois.
- E então? – Jean Pierre insistiu.
Hermione desviou o olhar de Rhina para ele e dele novamente para a amiga. Estava realmente decidida a negar, mas havia algo que a estava tentando naquela proposta, embora ela não soubesse exatamente o quê.
- Eu nunca imaginei que diria isso um dia em minha vida, principalmente por detestar ser o centro das atenções... – ela começou.
- Mas... – Jean Pierre fez.
- Eu aceito.
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7 de julho de 2009
Liah tinha Mel no colo e caminhava pelo quarto enquanto a colocava para dormir. Scott observava ambas entre uma camisa dobrada ou outra. Fazia cinco dias desde o nascimento de Mel e ele tinha que seguir para o Brasil o quanto antes. O programado era que ele chegasse lá no dia 8 de julho, portanto, seu voo sairia naquela noite.
- Quando você volta? – Liah perguntou.
- Chego na noite do dia 25.
- Hum – a esposa fez, pensativa. – Pensei que fosse ficar um mês lá.
- Falei com Harry e com o ministro e eles compreenderam a situação, então permitiram que eu voltasse antes. Além disso, com o Harry viajando, alguém terá que ficar no lugar dele no departamento.
- Depois que ele voltar, então, você tira férias.
- Depois que ele voltar, eu tiro férias – Scott assentiu.
Liah se aproximou do marido e beijou-lhe a face de modo desajeitado. Não podia ficar nas pontas dos pés para diminuir os 20cm que os separavam nem se aproximar muito por ter Mel nos braços.
A campainha tocou.
- Está aberta – a morena disse, cuidando para não levantar a voz demais e assustar Mel, que estava quase dormindo. – E quando ele volta?
- Não tenho certeza. Ele comentou algo sobre ter recebido uma proposta para ficar lá no Brasil até janeiro...
- Com licença... – uma voz se fez presente, interrompendo a conversa.
- Hermione! – Liah cumprimentou a amiga, que aparecera no hall.
- Como vai a minha afilhada linda?
- Está bêbada de sono! – Liah respondeu.
- Está certa! Tem mais é que aproveitar enquanto não tem preocupação com nada, só dormir e comer –Hermione fez. – Como vai, Scott?
- Bem, e com um pouco de pressa. Tenho que estar no aeroporto em quarenta minutos.
- Quer que eu fique com Mel para você ajudar ele, Liah? – Hermione se ofereceu.
- Seria ótimo, Mione. Você faria isso por mim?
- É claro! Por que não faria?
E Hermione colocou a sacola que trouxera sobre a poltrona da sala, assim como a própria bolsa e tomou Mel do colo de Liah.
- Desculpa não poder te dar atenção. Se quiser, pode ir para o quarto dela. Eu vou adiantar aqui e já vou ver como vocês estão – Liah fez.
- Não se preocupe conosco.
E Hermione foi para o quarto de Mel. À porta, havia uma plaquinha que indicava o nome da pequena. Mel Stephenie Olivier. O quarto era todo em tons de roxo e lilás, o sonho de toda garotinha. Havia alguns detalhes em rosa, que tornavam o quarto ainda mais feminino... Era lindo! Liah sempre tivera bom gosto.
Com cuidado, sentou-se à poltrona com Mel e ficou a velar o seu sono tranquilo.
Pensou em como sentia falta dos primeiros dias de Chloe, em o quão maravilhosa era a sensação de ser mãe. Inevitavelmente, lembrou-se de quando perdera o seu segundo filho, há seis anos, e no quão despedaçada ficara.
Não soube quanto tempo havia se passado enquanto estava ali, quando Liah se fizera presente, despertando-a de seus devaneios.
- Você é louca por crianças, não é?
- Principalmente quando ainda cabem em meu colo – Hermione assentiu, sorrindo. – Ela é um anjo, Liah.
- É, ainda bem que dei sorte – a morena brincou. – A propósito, não tive chance de te agradecer como se deve pelo que você fez...
- Ia dar tudo certo de qualquer maneira, Liah. Eu apenas garanti isso.
- Não, Hermione. Nós duas sabemos que houve um princípio de hemorragia, e nós duas sabemos que isso poderia ter feito um mal terrível a você.
- Está tudo bem, não está? Então não há por que se preocupar!
- Não foi o que ouvi Keira te dizendo.
- Eu estou bem, Liah, não se preocupe com isso.
- Liah? – Scott chamou.
- Já vai? – Liah perguntou quando ele apareceu na porta.
- Sim, vou chamar o táxi.
- Estou de carro. Se quiser, posso deixar você no aeroporto, Scott – Hermione ofereceu-se. – Não seria incômodo. Eu tenho que ir a Harlington pegar uma encomenda quando sair daqui.
Ela tinha, na verdade, uma vítima em Harlington. E iria eliminá-la ainda àquela tarde.
- Sendo assim, tudo bem.
Hermione pôs-se, então, de pé e entregou Mel a Liah, beijando-lhe a mãozinha e, em seguida, a bochecha da amiga.
- Virei vê-las amanhã pela manhã, tudo bem? – fez.
- Estaremos esperando – Liah sorriu.
Assim, ela e Scott deixaram a casa rumo ao Aeroporto de Heathrow. Durante praticamente todo o caminho o silêncio imperou. Em alguns momentos trocaram palavras sobre Liah e Mel, fizeram comentários sobre o calor infernal que fazia em Londres nos últimos dias e previsões para as semanas de verão que ainda viriam.
Já no aeroporto, Hermione despediu-se do marido da amiga.
- Não se preocupe, ela ficará bem – disse.
- Eu sei disso, mas ainda acho que é um pouco cedo para deixá-las sozinhas.
Hermione riu.
- Eu sei bem o que é isso. Eu já tive que deixar Chloe com minha mãe muitas vezes para viajar a trabalho – comentou. – Faça uma boa viagem. Mande lembranças minhas a Harry e dê um beijo em Zoe por mim – acrescentou.
- Claro, como quiser – Scott disse. – Cuide de Liah e Mel por mim.
A morena limitou-se a assentir, mas antes que Scott deixasse o carro, chamou-o:
- Scott?
- Sim?
- Você disse algo sobre Harry voltar só em janeiro...
- Ele recusou a proposta. Quando menos você esperar ele estará de volta – Scott disse. – Ele é louco por você, Hermione – garantiu antes de afagar rapidamente a mão dela e deixar o carro, e nele uma Hermione pensativa.
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8 de julho de 2009
- E que dia você vai me levar para ver Mel? Você prometeu... – Chloe argumentou.
- Eu sei, anjo.
- A mãe de Sophie vai me deixar na casa da vovó amanhã. Ela disse que você virá para Paris hoje à tarde. Então poderemos ir juntas vê-la na sexta-feira ou no sábado.
- Nós vamos a Berna este fim de semana. Será o casamento de Keira e nós não podemos deixar de ir – Hermione disse.
Ela se fitava no espelho. Já havia alguns minutos desde que terminaram de fazer a sua maquiagem e arrumar o seu cabelo. Viu alguém acenar para que ela se apressasse através do reflexo do espelho. Assentiu uma vez e pediu mais um minuto.
- ... pelo menos eu verei Chad.
- Liah deve ir para o casamento também, eu só não sei se ela levará Mel.
- Ligarei para ela e a convencerei a levá-la. Eu mesma me oferecerei para cuidar de Mel – Chloe disse e Hermione não conteve o riso.
- Ela ainda é muito novinha, meu amor. Não faz uma semana que Liah deu à luz! Mel terá só nove dias daqui até sábado. Além disso, a mãe de Liah está em Londres, Chloe, e provavelmente será ela quem ficará cuidando de Mel. Tenha um pouco de calma e eu levarei você para vê-la. Só mais uma semana, está bem?
Resignada, Chloe assentiu.
- Tudo bem.
- Nos vemos amanhã – Hermione disse. – Eu amo você.
- Eu também amo você, mamãe – e a linha ficou muda.
Sentiu-se péssima. Já havia cinco dias desde que se mudara para Paris. Sabia que no dia seguinte teria de enfrentar a difícil tarefa de explicar a Chloe que haviam se mudado mais uma vez. Por um lado, sabia que a pequena ficaria feliz por estarem perto de toda a família, mas sabia também que ela não aceitaria tão facilmente ter deixado Amy, Liah e Zoe para trás.
Com um suspiro, Hermione levantou-se e fitou-se atentamente no espelho. A mulher que a encarava de volta não parecia ser ela. Era irreconhecível com toda aquela maquiagem. Não podia dizer que não estava bonita, porque não era verdade. Estava bonita, só... não era ela.
Sentia-se desconfortável, mas Jean Pierre lhe garantira que quando os flashes começassem, todo o desconforto iria embora. Naturalmente.
Quando finalmente deu as costas para o espelho do camarim, o celular voltou a tocar.
- Olá, mamãe – disse ao atender.
- Por que saiu tão cedo hoje? Cheguei aqui e não encontrei você. Então Lucy me disse que voltou a Londres. Que houve?
- Vim resolver uns assuntos do trabalho, mas voltarei para o jantar. Será na casa da vovó, certo?
- Sim. Estaremos esperando você, então. Baiser, chèrie.
- Baiser, maman.
Sem mais, ela deixou o celular sobre a penteadeira, ao lado da própria bolsa, e encaminhou-se para o local onde seriam feitas as fotos.
O ensaio durou o dia inteiro. Até mesmo o seu almoço fora providenciado por Rhina. Tivera de comer durante o breve intervalo de trinta minutos que lhe fora dado já depois das 14h.
Ela trocara de maquiagem e penteados três ou quatro vezes e fizera cerca de trezentas fotos. Não pudera ver todas, mas as poucas que viu ficaram magníficas. Teria de voltar na semana seguinte para e escolher, juntamente com Jean Pierre e Rhina, as fotos que iriam para a campanha.
Fora elogiada por algumas modelos da agência que estavam assistindo ao ensaio, bem como pela produção de Jean Pierre e pelo fotógrafo. Rhina também acompanhara o ensaio, embora vez ou outra tivesse de se ausentar para atender a telefonemas.
Estava cansada, mas ao mesmo tempo satisfeita por não ter feito feio. Nunca fizera fotos antes, a não ser para os anuários das escolas trouxas. Lembrava-se de ter feito uma espécie de book quando criança, mas somente por capricho da avó e da mãe. Chloe também o fizera. Duas vezes, sorriu ao lembrar-se. A primeira vez quando tinha apenas seis meses e a segunda quando tinha quatro anos.
Terminou de trocar-se e, despedindo-se de todos brevemente, deixou a agência para, enfim, retornar à sua casa. Em Paris.