Ela adentrou o quarto da filha e caminhou até a sua cama o mais cuidadosamente que pôde para não acordar Sophie. Sentou-se exatamente no meio do colchão e acariciou o rosto de Chloe, fazendo-a despertar.
A pequena abriu os olhos e sorriu para a mãe.
- Hyvää huomenta, minun enkeli – cumprimentou.
- Huomenta, äiti – Chloe respondeu, também em finlandês.
- Hora de levantar. Fleur disse que viria pegar vocês às 9h, e já são 7h30. Vocês ainda têm que se arrumar e tomar café, para estarem prontas quando ela chegar – Hermione disse.
- Tudo bem. Vou escovar os dentes, acordar Sophie e nós desceremos.
- Estarei esperando vocês – a mãe disse, sorrindo, e beijou a bochecha da filha. – Rakastan sinua, tytär.
- Rakastan sinua – Chloe disse e observou a mãe se levantar e sair do quarto.
Hermione estava descendo as escadas quando o telefone começou a tocar e ela ouviu Lucy atender.
- Srta. Granger? – a governanta chamou.
- Sim, Lucy?
- A Sra. Olivier está ao telefone – Lucy informou e Hermione apressou-se para atender.
- Obrigada, Lucy – agradeceu e esperou que ela se retirasse para atender. – Liah! E então, quando veremos o rostinho dessa garotinha?
- É exatamente sobre ela que quero falar. Mel nasce amanhã.
- Ah, mas isso é maravilhoso! E como se sente? Ansiosa?
- Ansiosa, nervosa, preocupada, feliz... enfim! Sou um verdadeiro mosaico de sensações.
- Entendo, e não há nada de anormal nisso.
- É, você não é a primeira a me dizer isso – Liah disse. – Mas mudemos de assunto. Preciso que venha aqui mais tarde.
- É claro, irei sim. Algum motivo especial? – perguntou Hermione, curiosa, enquanto acariciava a região atrás da orelha de Daisy.
- Você saberá quando chegar – Liah disse e Hermione teve um breve flash em que elas estavam reunidas a Amy e, por um instante, abraçava a Liah. – E não tente adivinhar – acrescentou.
Hermione riu, sabendo que Liah se referia ao fato de ela poder prever as coisas.
- Farei o possível – assegurou.
- Tudo bem. Vemo-nos mais tarde, então.
- Sim, mais tarde – Hermione assentiu e pôs o fone no gancho assim que ouviu Liah fazer o mesmo.
Ainda sorria quando entrou na cozinha, seguida de perto por Daisy, que abanava o rabo freneticamente.
- As meninas estão descendo, Lucy. Pode pôr a mesa – disse para a governanta. Com cuidado, bloqueou os pensamentos e estendeu sua proteção sobre todo o aposento, de modo a evitar que Chloe pudesse ouvir a conversa e mesmo os pensamentos de Lucy. – Ah, Lucy, começaremos a arrumar as coisas assim que Chloe seguir para Marselha com Fleur.
- É claro. E por onde pretende começar?
- O quarto de Chloe. Temos de aproveitar que ela não está aqui – Hermione respondeu. – Essa viagem foi providencial! Nem imagino como contaria a Chloe...
- Acho que ela ficará feliz por morar perto de toda a família – Lucy comentou.
- Não, Chloe acabou fincando mais raízes em Londres do que eu gostaria. Zoe, Liah, Amy... Ela é muito ligada às três – Hermione disse. – Mas ela vai se acostumar. Não a estou impedindo de vê-las, afinal. Apenas estamos nos mudando, como tantas vezes fizemos.
“E tantas outras vezes ela me disse que gostaria de ficar”, completou em pensamento.
- Estou feliz que vá conosco, Lucy.
- Estou voltando para casa, assim como vocês – Lucy sorriu em resposta. – Ficaremos aqui até quinta-feira?
- Eram os planos, mas não. Iremos no sábado pela manhã.
- E quando Chloe irá para lá?
- Na quinta-feira. Já falei com Fleur e ela deixará Chloe em nossa casa em Paris antes de voltar para Londres – Hermione explicou. – Agora voltemos à mudança, antes que as garotas cheguem. Pois bem, eu terei que sair quando terminarmos de arrumar o quarto de Chloe, então deixarei você arrumando os livros e as louças. Já separei os livros que ficarão comigo, então você pode guardar todos os outros. Quanto às louças, deixe somente o que for necessário para uso. Todo o restante deverá ser empacotado.
- Tudo bem. Mais alguma coisa?
- Por enquanto não. Eu mesma arrumarei as minhas malas e embrulharei os portarretratos e cristais hoje à noite. Não levarei tudo – a morena ponderou. – Na verdade, semana passada eu e mamãe saímos para encomendar a mobília da casa nova. Eles devem estar chegando para montar em uma ou duas horas. Também comprei os sofás, eletrodomésticos... Enfim! A casa estará pronta quando chegarmos. Mamãe está administrando as coisas por lá – riu.
- Vai manter esta casa aqui, afinal?
- Não me desfaria dela. Voltarei a Londres muitas vezes ainda, e quero sempre ficar num lugar que possa chamar de meu.
- Se quiser, posso vir uma vez por semana para arrumar a casa.
- Seria ótimo! De preferência o dia da semana em que Chloe fique inteirinho na casa da avó – Hermione fez e ambas riram. A morena parou ao ouvir a filha e Sophie se aproximarem. – Estão chegando.
Lucy imediatamente abriu a geladeira e pegou a jarra de suco, enquanto Hermione pegava o cesto de frutas e pães. Em seguida, as duas saíram da cozinha rumo à sala de jantar e colocaram as coisas à mesa.
- Ah, aí estão elas! Bom dia, Sophie – Hermione cumprimentou a loirinha.
- Bom dia, tia Mione – Sophie retribuiu o cumprimento. – Bom dia, Lucy.
- Bom dia, querida – Lucy cumprimentou, sorrindo.
Daisy latiu, querendo chamar atenção para si.
- Acho que Daisy também está dizendo bom dia – Chloe riu e todos acompanharam.
- E então, o que querem comer? – Hermione fez, animada. – Temos bolo, pães, frutas...
E seguiu-se uma refeição leve e tranqüila, embora Hermione não se sentisse tão leve e tranqüila assim. Aquela era a última refeição, o último momento que compartilharia com sua filha naquela casa, embora a pequena estivesse ainda completamente alheia a este fato.
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Estava frio. Realmente frio.
Estavam caminhando pelas ruas do Centro Cívico de Bariloche. Era o último dia ali. Na manhã seguinte, embarcariam de volta para Londres.
- É incrível como lembra a Europa – a ruiva comentou, apertando ainda mais a mão do loiro. – E é lindo... Foi, definitivamente, a melhor surpresa que já me fez. E olha que foram muitas! – Riu.
- Pensei que deixaria passar esse detalhe – o loiro disse em tom brincalhão.
A ruiva parou de andar e colocou-se de frente para o marido.
- Eu tenho o melhor marido do mundo – disse, um sorriso enorme brincando em seus lábios. – E é impossível deixar passar um detalhe como esse – completou, beijando-o em seguida.
- Eu te amo, ruivinha – ele disse, ainda com os lábios colados aos dela.
- Eu também amo você, Malfoy – Gina murmurou antes de jogar seus braços em torno do pescoço de Draco e beijá-lo novamente.
- Uma pena que tenha passado tão rápido – Draco disse quando se separaram e voltaram a andar, novamente de mãos dadas.
- Não repita isso na frente de Sarah – Gina brincou.
- Ela não fez cerimônia alguma quando pediu para ficar em Constança, na casa de Carlinhos e Deborah, quando nós voltamos para Londres – Draco rebateu de imediato.
- E você prontamente consentiu, então não venha com essa para cima de moi – a ruiva brincou. – Depois não venha dizer que eu mimo muito a nossa filha.
- Acontece, ruivinha, que eu tinha planos para nós – o loiro replicou.
- Você só esqueceu de mencionar que esses planos só foram postos em prática uma semana depois que voltamos a Londres. Estou errada, Draco Lucius Malfoy? – Gina pronunciou o nome do marido pausadamente, parando de andar e mais uma vez colocando-se de frente para ele. – Abandonou nossa filha na Romênia e não sentiu nem um pouco de remorso?
- Tudo bem. Da próxima vez eu não faço surpresa alguma – Draco deu de ombros.
- Ah, duvido muito! – Gina riu.
- Melhor que isso! Eu trago Sarah conosco. Você não preferia que ela estivesse aqui com a gente? Seria perfeito! Ela até poderia dormir entre nós dois... – Draco continuou. Gina estreitou os olhos e trincou os dentes. – Muito bem, ruivinha. Capisce, non è vero? – brincou e a puxou para si. Ela arqueou as sobrancelhas, desafiadoramente. Foi o suficiente para Draco sorrir torto e eliminar toda a distância que ainda restava entre eles.
- Você comentou algo sobre Sarah dormir entre nós... – Gina fez, quando se afastaram. – Que tal aproveitarmos que ela não está aqui para fazê-lo e terminarmos isso em nosso quarto de hotel?
- Mas nós mal chegamos ao Centro Cívico...
- Já vimos o suficiente – a ruiva disse antes de selar suas palavras com um selinho e puxar o marido, apressada, na direção contrária a qual vieram.
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Era impressionante como aquele lugar exalava paz. Perguntava-se se metade daquelas pessoas estaria ali se tivesse vivido num lugar tão tranquilo como aquele durante toda a sua vida, sem problemas todos os problemas que haviam deixado para trás ao atravessar aqueles enormes muros. Mais do que isso, perguntava-se se eles iriam querer enfrentá-los quando tivessem que sair dali.
Ela, particularmente, não trocaria aquela paz para viver na loucura que era o mundo lá fora. Ficaria mal acostumada, certamente.
- Bom dia, Hermione – Horatio Lefèvre cumprimentou-a ao vê-la adentrando a recepção.
- Bom dia, Horatio – ela retribuiu o cumprimento. – Como está Pansy?
- Melhor do que ontem. Acordou há duas horas, fez sua primeira refeição, recebeu o pai e agora está com aquele rapaz, Herod Christow.
- Eu posso vê-la?
- É claro. Venha comigo.
Hermione seguiu Horatio através dos corredores até o ambulatório em que estiveram na noite anterior. Pansy viu Hermione através da vidraça assim que ela chegou com o médico e sorriu, fazendo Herod virar-se para ver quem estava ali.
Hermione observou-o beijar a testa de Pansy e afagar sua bochecha, antes de levantar e sair do quarto.
- Como vai, Hermione? – ele cumprimentou-a.
- Bem – a morena respondeu e seus lábios transformaram-se numa linha ao mesmo tempo em que seu olhar desviou para Pansy. – E ela, como está?
- Assustada, principalmente. Mas ela vai ficar bem.
- Não se preocupe comigo. Vim apenas vê-la. Se você está atrasado, deve ir – Hermione disse ao loiro, que a encarou como se ela tivesse dito que havia visto um disco voador sobre a cabeça dele.
- Hermione? – Horatio chamou.
- Vemo-nos depois – Hermione despediu-se e rapidamente seguiu o médico.
Ele apenas abriu a porta do quarto e deixou que ela passasse, antes de fechá-la novamente e acompanhar Herod até a saída. O loiro ainda lançou um ou dois olhares por sobre o ombro para Hermione, mas ela ignorou os olhares completamente.
- Como está se sentindo? – indagou a Pansy.
- Eu vou sobreviver – Pansy respondeu com um humor levemente sarcástico e ergueu os pulsos enfaixados.
- Tenho certeza que vai – Hermione disse, sorrindo. Foi quando ela viu uma foto sobre a bancada ao lado da cama. – Quem é?
- Eu, hum... Uns quinze anos atrás – Pansy deu de ombros e sorriu.
- Uau! Eu não me lembrava que você era... loira – Hermione fez, os olhos arregalados, ao pegar a foto. Seus olhos novamente desviaram da foto para a mulher à sua frente e de novo para a foto. – Inacreditável!
- Não, não é. Eu imagino que você tinha seus motivos para não lembrar que eu era loira. Na verdade, você não devia sequer lembrar que eu existo. Eu tenho dado somente motivos ruins para ser lembrada. Pelo menos nos últimos vinte anos – a morena de olhos azuis murmurou. – Sabe, você sempre foi tão melhor que eu. Em tudo. Eu não tinha como saber disso, porque eu não era exatamente eu... Mas ainda assim, não me orgulho do que quer que Perlla e Priscilla tenham feito quando estavam no controle.
- Como você disse, não era você.
- Você foi capaz de me perdoar por todas as coisas terríveis que “eu” te fiz, te disse e tudo o mais. De deixar todas as nossas diferenças de lado e estar aqui, ao meu lado. Eu só... queria te pedir desculpas e agradecer por você estar aqui.
- Não precisa se desculpar. Eu só fiz o que era certo, e agora estou fazendo porque eu realmente me importo com você – Hermione disse. – Nós nunca fomos amigas, e eu realmente detestava a pessoa que você costumava ser... Mas agora que eu sei quem você é de verdade e eu gosto dessa pessoa.
- Obrigada. Mais uma vez – Pansy disse, os olhos cheios de lágrimas. – Sabe, quando eu acordei, depois dessa loucura... Quero dizer, eu quase morri ontem... E hoje eu percebi o quão irônico é dizer isso. Como posso dizer que eu quase morri quando eu jamais tive a chance de viver? Todo esse tempo outra pessoa tem vivido em meu lugar. Eu só era eu mesma quando eu estava com Herod e com meu pai. Integralmente, só fui eu mesma antes de eu ter ido para Roma com meus pais.
- Você poderá voltar a ser você em breve.
- Só voltarei a viver e a ser quem eu sou realmente quando – e se – elas, as que estiveram vivendo por mim, permitirem.
Hermione não respondeu.
- O que está pensando? – Pansy perguntou.
- Por que não deixa o cabelo crescer?
Pansy riu.
- Que sentido isso faz? O que tem a ver com o que estávamos falando?
- Volte a ser loira. Deixe o cabelo crescer. Talvez seja o primeiro passo para voltar a ser você.
Pansy franziu o cenho e sorriu, assentindo em seguida.
- Vou fazer isso.
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Ele sorria vendo Francine se lambuzando com o enorme algodão doce que lhe comprara. Josh estava ao lado dela e lhe entregara o guardanapo, de modo que ela pudesse se limpar. Francine negou e ele insistiu, mas ela balançou a cabeça e lhe disse que o pegaria depois.
Herod achava engraçado como Josh, apenas dois anos mais velho que a irmã, se portava tão protetor com ela. De alguma maneira, ele podia ver a si mesmo e a Pansy quando eram pequenos, e mesmo agora.
Ele adorava aquelas crianças, adorava estar com elas e se divertia como se tivesse a idade delas. Se identificava com Josh, mas seu xodó era Francine. Ele simplesmente era fã da inteligência, da independência e da simplicidade com a qual a pequena via a vida. Nem de longe parecia que ela havia perdido os pais quando era tão pequenininha.
A coragem e a força de ambos eram inspiradoras.
Levantou-se e aproximou-se deles, uma garrafa de água e dois copos em mãos, assim como alguns guardanapos.
- Vamos? – chamou.
- Já? – Francine reclamou.
- Sua mãe vai chegar cedo em casa hoje e quer que vocês estejam lá quando ela chegar – Herod avisou.
- Você também vai jantar com a gente? – Josh indagou.
- Se vocês quiserem...
- Nós queremos – Josh e Francine responderam de imediato em uníssono.
Ele sorriu e estendeu os copos com água para eles, assim como os guardanapos. Recolheu os palitos de algodão doce e jogou-os na lixeira juntamente com a garrafa vazia de água.
- Temos que falar com sua mãe antes e ver o que ela acha disso. Agora vamos – disse enquanto eles bebiam a água. Imediatamente, ambos saltaram para fora do banco do parque e jogaram os copos descartáveis vazios fora. Então deram as mãos a Herod e os três caminharam juntos rumo ao carro.
- A partir de segunda-feira Tif vai estar de férias – Josh comentou. – Nós poderemos vir ao parque mais vezes.
- Ou ir a Limerick – Francine disse, os olhos brilhando em expectativa.
- Como é Limerick? – Herod perguntou, curioso.
- Ah, é lindo! Todos aqueles castelos e ruínas... – a garotinha contou. – Parece aquelas cidades de contos de fadas!
- Eu imagino – Herod sorriu.
- Você podia ir com a gente a Limerick no Natal.
- Veremos – o loiro assentiu.
Todo o percurso do Hyde Park à Knightsbridge foi embalado pelas lembranças dos últimos dois feriados de fim de ano que os pequenos passaram em Limerick. Eles adoravam o lugar e toda a família de Tiffany que ainda vivia lá. Descreviam tudo e todos com tanto entusiasmo que Herod quase podia ver Limerick e suas belíssimas paisagens.
Ao chegarem na casa dos Haase, foram recebidos pela própria Tiffany.
- Como foi a tarde dos amores de minha vida? – ela perguntou, agachando-se para abraçar os filhos.
- Devo me considerar um deles? – Herod brincou.
- Quase – Tiffany brincou e levantou-se com Francine no colo. Herod beijou carinhosamente sua testa. – Vamos, entre. – O loiro obedeceu prontamente. – Janta conosco?
- Estava esperando que dissesse isso – ele respondeu.
- Herod, querido! – Narcisa apareceu e o cumprimentou. – Tiffany já o convidou para o jantar, suponho?
- Sim, pode colocar mais um prato à mesa – Tiffany assentiu.
- Oh, não será preciso. Jen acabou de avisar que vai jantar na casa da coleguinha, então Herod pode ficar no lugar dela – Narcisa replicou. – A propósito, melhor vocês irem tomar banho. O jantar será servido dentro de uma hora – acrescentou para os pequenos.
- Ouviram Cissa, não ouviram? – Tiffany fez, recolocando Francine no chão. – Direto para o banheiro! – ela deu tapinhas nos traseiros das crianças, ao que elas dispararam escada acima.
- Fiquem à vontade, crianças. Eu vou dar uma olhada no pernil – Narcisa disse, dessa vez para Herod
e Tiffany, antes de voltar para a cozinha.
- As crianças deram muito trabalho? – Tiffany perguntou.
- Nenhum – Herod negou. – Mas vieram do parque até aqui falando de você e de Limerick. A propósito, estou realmente curioso para conhecer o lugar.
- Eu tenho umas fotos lá em cima, se quiser olhar – a morena disse.
- Se não for incômodo.
- De maneira alguma! – ela riu e balançou a cabeça em negativa. – Vem!
Ela deu a mão a Herod e ambos subiram juntos as escadas rumo ao quarto dela.
Uma vez no quarto, Herod sentou-se no sofá de dois lugares vermelho sangue que estava recostado na parede defronte à cama da morena enquanto ela procurava pelos álbuns de retratos dentro do armário.
- Vou para Dubai no final do mês que vem – Herod contou.
- Eu também – Tiffany disse, sorrindo, enquanto colocava quatro álbuns sobre o sofá. Herod riu e pegou o primeiro deles, abrindo-o sobre o colo. Tiffany sentou-se ao lado dele. – Esse é o melhor deles. Eu tinha a idade de Jen quando essas fotos foram tiradas.
- Essa é sua mãe? – Herod perguntou, ao ver uma imagem da morena em seus onze anos com uma mulher belíssima. Os olhos azuis de Brígida cintilavam. Seus cabelos eram louro escuros e seu sorriso era exatamente o mesmo que o de Tiffany.
- Sim – a morena assentiu.
- Vê-se de onde veio a sua beleza – o loiro murmurou.
- É, ela era linda.
Herod percebeu a admiração que Tiffany tinha pela mãe, bem como a saudade que sentia em seu tom de voz.
- E essa é a sua casa – apontou uma foto.
- Não. Essa é a casa da vovó. É onde nós ficamos quando vamos para lá – Tiffany explicou. – A casa que tínhamos lá estava em meu nome e eu a vendi a um de meus primos ano passado.
- Por que você o fez? – Herod perguntou, curioso.
- Eu não vou àquela casa há oito anos. Para mim sempre foi mais cômodo ficar na casa de minha avó depois de tudo o que aconteceu – a morena contou e Herod lembrou-se que Nolan e Caridwen eram vizinhos de Tiffany quando ela morava em Limerick. – Mas esta aqui é a casa onde eu morava – ela mostrou, passando duas fotos. – E essa é Caridwen, irmã de Nolan.
- Ela sempre foi alta assim? – o loiro fez, surpreso.
- Sim. Ela tem 1,80m de altura.
- Modelo?
- Não, mas ela fotografa algumas – Tiffany riu.
Continuaram passando as fotos e logo já tinham visto três álbuns. Restava apenas um agora.
- Este é mais recente – ela disse ao entregá-lo a Herod. – São fotos tiradas quando já morávamos em Londres. De 1998 a 2003.
Herod o abriu e percebeu que havia espaços vazios no álbum logo de cara. Perguntou-se a razão, mas algo lhe dizia que ele já sabia; provavelmente eram fotos em que Nolan estava com ela. Tiffany deveria tê-las arrancado oito anos antes.
As fotos que esse álbum trazia tinham muito mais dos pontos turísticos da cidade que os anteriores. Imaginou que isso se devia ao fato de eles não estarem mais morando em Limerick. Através delas, Herod também pôde acompanhar o que deveriam ser as primeiras viagens de Jennifer. A garotinha sempre fora a cara de Narcisa.
Quando terminaram o álbum, Tiffany pegou algumas fotos que estavam presas à contracapa e entregou-as a Herod, que a encarou com o cenho franzido.
- São parte de minha história também – foi tudo o que ela disse antes de cruzar as pernas sobre o sofá e se aproximar mais do loiro para ver as fotos com ele.
Então Herod começou a passar as fotos. Ficou surpreso ao perceber que eram fotos tiradas no período em que a morena passara pelo processo de quimioterapia. Na maior parte delas, Tiffany tinha lenços na cabeça, mas não parecia mais triste ou menos saudável com a perda de cabelos. Em algumas, porém, os hematomas dos quais ela falara na noite em que contara que tivera leucemia podiam ser vistos. Nestas, ela já não parecia perfeitamente saudável como nas outras.
Havia uma foto onde ela e Narcisa estavam juntas, ambas vestindo roupas de hospital, e Herod supôs que fora tirada no dia do transplante de medula.
Ao final, ele recolocou-as no lugar de onde Tiffany as tinha tirado e fechou o álbum, colocando-o de lado. Mirou, então, a morena.
Se já a admirava antes, agora não restavam dúvidas de que era uma guerreira. Tiffany era uma mulher admirável. Quem a via, sequer imaginava que havia passado por tanto.
Ela o encarava de volta, imaginando o que podia estar se passando na mente dele.
- Eu sei que esse é um comentário idiota a ser feito num momento como esse, mas... Você, definitivamente, consegue ficar bonita de qualquer jeito – ele disse, finalmente.
Tiffany deu um meio sorriso. Herod, então, assumiu uma postura séria e passou o braço pelos ombros dela, puxando-a mais para perto.
- Eu admiro você pela sua força, coragem e por ser a pessoa que é. Você poderia ser uma pessoa amargurada, principalmente por conta de tudo pelo que passou, mas não. Você continua seguindo em frente, disposta a vencer cada dia de sua vida, e isso é totalmente admirável.
Tiffany fechou os olhos e sorriu, abraçando-o pela cintura e recostando a cabeça em seu peito.
- Obrigada por estar aqui, por estar ao meu lado e ter se tornado meu amigo – ela agradeceu.
Naquele instante, Josh e Francine entraram no quarto correndo e pularam no sofá sobre ambos, fazendo a maior algazarra.
Tiffany e Herod então se puseram a fazer cócegas neles, mas eles conseguiram desvencilhar-se e correram para fora do quarto.
- Ah, eu vou pegar vocês, seus pestinhas! – Tiffany disse antes de se levantar.
Herod, entretanto, segurou sua mão antes que ela se afastasse. Ela voltou-se para encará-lo, o rosto afogueado por conta da brincadeira com as crianças.
- Obrigado por me deixar participar de sua vida e da vida das crianças – ele disse. – Nada disso tem preço.
Tiffany sorriu para ele e assentiu. Então os dois dispararam atrás dos pequenos.
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- Então veremos o rostinho amassado de Mel amanhã – Amy brincou ao chegar ao quarto de Liah.
A morena estava sentada na cama, dobrando algumas roupinhas para colocar na sacola que levaria para o hospital na manhã seguinte. As fraldas também já estavam separadas e empilhadas ao lado da sacola.
- Pois eu tenho certeza de que ela será linda! – Hermione disse. – Carequinha, de olhos castanhos acinzentados... A cara da mãe!
- Obrigada – Liah riu. – Tenho certeza que será enorme também.
- E você não acha que essa posição está ruim para a nossa pequena grande Mel? – Amy fez. – Você está praticamente debruçada sobre ela. Onde está Olivier nessas horas?
- Ele está trabalhando. Sem Harry aqui, é ele que assume a chefia do departamento e ele também não vai estar lá nos próximos dias – Liah replicou.
À menção do nome de Harry, Amy lançou um olhar de esguelha a Hermione, que simplesmente baixara os olhos para encarar as mãos e tornou a encarar Liah.
- Onde está minha afilhada? Por que não veio? – Liah perguntou a Hermione.
- Chloe está em Marselha. Foi com Fleur e Sophie para visitar os pais de Fleur – Hermione respondeu.
- E posso saber por que eu não a vejo há mais de um mês? Ela nunca está disponível para vir ver a madrinha dela.
Hermione então abriu a bolsa e pegou a carteira, tirando dela três fotos de Chloe.
- Toma. Essa foi a Chloe que você conheceu. – Entregou a primeira foto a Liah. – Esta foi a Chloe que eu apresentei a todos no dia do aniversário de Reese. – Entregou a segunda foto. – E essa é a Chloe que saiu do treinamento há três semanas.
- Oh. Meu. Deus! – Liah exclamou e resmungou um palavrão inaudível. – Ela está a cara de Harry!
- Tem alguma coisa de Lílian também – Amy acrescentou.
- Quando era pequena, ela parecia mais com Hermione, mas agora eu vejo que já tinha algumas coisas de Harry... O nariz, o queixo, os olhos... – Liah analisou as fotos. – Agora tem tão pouco de Hermione... Mas continua linda.
Hermione sorriu sem graça e pegou as fotos que Liah lhe estendia de volta.
- Seus pais estiveram aqui? – Amy perguntou, mudando de assunto.
- Sim, saíram cerca de quarenta minutos antes de vocês chegarem – Liah assentiu. – Provavelmente irão jantar na casa de Ethan e tomar café na casa de vocês.
- A que horas você vai para o hospital amanhã? – Hermione perguntou.
- Devo sair de casa às 9h. Ainda não sei a que horas será o parto, Keira vai definir quando chegarmos lá – Liah respondeu, enquanto recostava nos travesseiros, deixando as roupinhas de bebê de lado e fazendo movimentos circulares na barriga. Resmungou, aparentemente desconfortável. – Mel daria uma boa jogadora de futebol.
Hermione e Amy riram.
- Muito bem, já que voltamos o assunto para Mel e o nascimento dela, acho que podemos, enfim, ir direto ao ponto que me fez trazer vocês até aqui – Liah recomeçou. – Amy, desde sempre, esteve aqui comigo, foi uma das pessoas que me incentivaram a tentar mais uma gravidez e que esteve sempre ao meu lado quando soube que eu teria o mesmo problema que tivera da outra vez. Além de tudo, é minha cunhada. Fui madrinha de seu casamento com meu irmão, ela foi madrinha de meu casamento, e sabe o quão especial e importante é para mim, não só por isso, mas por ser uma amiga maravilhosa.
- Liah... – Amy começou.
- Deixe-me terminar – Liah interrompeu e segurou a mão de Amy com força, sorrindo para ela. – Hermione foi a minha primeira amiga fora da escola – além de Amy, que veio de brinde por ter-se casado com meu irmão. – As três riram. – Inicialmente, Hermione e eu éramos apenas colegas de trabalho. Ela sempre foi muito fechada, não falava muito, a não ser sobre trabalho, mas eu já a admirava. Quase um ano mais nova que eu, aos dezenove anos, com uma filha de oito meses, mas tão responsável, corajosa e forte... Não era difícil começar a admirá-la. Nos aproximamos realmente por causa de Chloe. Eu facilmente me afeiçoei a ela, que sempre foi uma criança encantadora. E eu a adorava! Isso foi o suficiente para Hermione se abrir comigo e me deixar fazer parte das vidas delas.
Liah sorriu para Hermione, que retribuiu o sorriso e assentiu.
- Então eu te escolhi para ser madrinha de Chloe – a própria Hermione concluiu. – Porque eu sabia que se eu precisasse, você estaria lá para ela, você cuidaria dela como se fosse sua.
- E é exatamente por isso que estamos tendo essa conversa. Eu não sei se estarei com vocês amanhã, se poderemos ter mais uma conversa como esta... E eu preciso escolher uma madrinha para minha Mel, alguém que eu possa ter a certeza de que cuidará dela se eu não estiver aqui ou não puder fazê-lo. Deus sabe como está sendo difícil para eu escolher entre vocês duas, que são as melhores amigas do mundo e duas pessoas que eu sei que posso contar sempre – Liah prosseguiu.
- Me prometa que tentará um menino e eu abrirei mão de ser madrinha de Mel – Amy brincou.
- Amy – Liah repreendeu.
- Estou falando sério, Liah. Deixe que Hermione seja a madrinha de Mel. Então, se você tiver mais um bebê, terei o maior prazer de ser a madrinha dele ou dela – Amy insistiu.
- Vocês sabem que se eu pudesse, deixaria que vocês duas fossem madrinhas de Mel. Verdade seja dita, eu passei o dia inteiro pensando nisso e já havia optado por Hermione, que passou tanto tempo longe. Acho que essa é uma boa oportunidade para dar a ela mais uma razão para permanecer aqui e se sentir parte da grande família que somos nós.
- Eu já me sinto parte disso – Hermione disse. – Ter vocês duas na minha vida, assim como ter Chloe, sempre foi e sempre será o maior presente que Deus me proporcionou. Tenho uma família maravilhosa, mas vocês são a família que eu escolhi para mim.
- E agora eu estou escolhendo você para ser parte da vida de Mel – Liah disse.
Hermione então se sentou na cama, ao lado da amiga e a abraçou.
- Obrigada. Será uma honra ser madrinha de Mel – disse num sussurro emocionado.
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Passavam das 14h no Brasil. Eles já haviam almoçado e estavam apenas conversando agora enquanto bebericavam suas taças de vinho. Harry estava em companhia de Gérard Glenn, do ministro brasileiro, Gabriel Hernani, e de Gianna Martino, a chefe do Departamento de Execução das Leis em Magia.
Zoe ficara no hotel, sob os cuidados da tia-avó, Elizabeth Newbie.
- E então, quando Gianna pretende ir para a Itália? – Harry perguntou.
Gianna estava grávida de quase cinco meses e tinha planos de retornar ao país de origem para que pudesse ter seu segundo filho lá, exatamente como fizera com o primeiro. Além disso, toda a família dela e do marido vivia em Milão.
- No final do mês de outubro – Gianna respondeu em português perfeito, sua voz completamente livre de qualquer sotaque italiano. – Mas estarei de volta em janeiro.
- Isso significa que queremos que você fique conosco durante o período em que ela estiver fora, Harry – Gabriel Hernani disse. – A começar em novembro.