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50. Capítulo L


Fic: Harry Potter e a Wendelin Phoenix.


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Ele tinha duas fotos à mão e as comparava sob o olhar do homem negro sentado defronte a ele do outro lado da mesa.


- Impressionante, impressionante – disse, a voz rouca. – Eu não pensava que fosse possível me impressionar com mais nada em minha vida, mas vejo que me enganei.


- Sabe qual o meu palpite, senhor – Jason McCoy disse.


- Sim, e eu próprio já estou considerando-o válido, meu caro Jason – Alvo Dumbledore o olhou sobre os oclinhos de meia-lua.


- Ela parece bem mais velha do que é realmente.


- Hermione sempre pareceu mais velha do que os outros.


- Não falo somente do modo de agir e de pensar. Fisicamente, ela facilmente pode passar por uma garota de quatorze ou quinze anos. E, como pode ver, as mudanças foram expressivas. Ela era a cara de Hermione e agora...


Batidas à porta fizeram com que os dois desviassem a atenção do assunto.


- Entre – o diretor ordenou.


A porta se abriu e duas figuras femininas surgiram.


- Bom dia – cumprimentaram em uníssono.


- Bom dia, garotas. Fiquem à vontade – Dumbledore disse, um sorriso afável no rosto.


- Mestre – Hermione disse antes que ela e Amy fizessem uma pequena reverência.


- Hermione. Amy. – Jason retribuiu o cumprimento também com uma reverência.


Então as duas se acomodaram e esperaram em silêncio.


- Muito bem – o diretor começou. – Jason chegou cerca de quarenta minutos antes de vocês, então eu pude saber as impressões que ele teve a respeito de Chloe durante o treinamento a que foi submetida. Amy, segundo eu soube, somente teve contato com Chloe hoje. Estou certo?


- Sim, senhor – Amy assentiu.


- Hermione, por outro lado, acompanhou o treinamento de Chloe, mesmo que à distância, e pôde conferir o resultado nas últimas três semanas – Dumbledore continuou.


- Eu mantive Amy informada durante todo o processo, compartilhei informações – e mesmo as minhas preocupações – com ela, então é como se ela tivesse acompanhado o treinamento assim como eu, senhor – Hermione fez questão de sinalizar.


- E o que achou do resultado que viu, Amy?


Amy hesitou por um momento, escolhendo as palavras que melhor descrevessem as suas impressões.


- Honestamente? Chloe não parece ter dez anos desde muito antes do treinamento. Ela sempre fora madura demais para a idade dela, e inteligente demais também. A garotinha não deixa escapar nada. Nada. E isso sempre reforçou a semelhança que ela tinha com Hermione – Amy disse. – Tenho certeza, senhor, que esta também foi a impressão que o senhor teve quando a encontrou. Desde o primeiro momento.


Dumbledore nada disse, mas acenou positivamente uma única e breve vez.


- Quanto ao resultado que eu vi hoje? – Amy riu nervosamente e engoliu em seco. – Eu não poderia estar mais impressionada. Há um mês eu encontrei uma garotinha que era a cópia exata da mãe, exceto pelos olhos verdes e pelos cabelos escuros e lisos. Hoje eu a encontro novamente e é impossível negar que ela seja filha de Harry, tamanha é a semelhança. Mais do que isso, há muito de Lílian nela.


- Continue, Amy – o diretor pediu.


- Hoje eu pude perceber uma coisa que muitas pessoas deixaram passar durante todos esses anos. Harry pode ser muito parecido com James Potter, mas há algo nele – além dos olhos – que é de Lílian. E isso também está em Chloe, só que de uma maneira muito mais evidente, entende? – Amy continuou. – Mas Hermione está impregnada nela, em todos os sentidos. Nos trejeitos, nas atitudes, na maneira de falar e mesmo em alguns traços que permaneceram.


- Hermione? – fez Dumbledore, solicitando uma participação de Hermione.


- Eu nunca a achei parecida comigo, mesmo que as pessoas apontassem as semelhanças a todo momento. Bem, pelo menos não tão parecida quanto as pessoas diziam que ela era – Hermione disse, um sorriso tímido brincando em seus lábios. – Mas eu passei a acreditar e a me ver nela. Ver a garotinha que eu fui aos onze anos. Afinal de contas, eu tenho fotos de quando eu tinha a idade dela! E depois, quem melhor do que os nossos amigos e familiares, aqueles que nos conhecem tão bem, para apontar essas semelhanças? Então as coisas começaram a acontecer de uma maneira que eu não previra e ela foi para o Centro de Treinamento. E quando finalmente terminou e eu fui pegá-la...


Nossa! Eu não sei se fiquei impressionada, se fiquei assustada... Mas em choque, com certeza, eu fiquei. E eu sei que ela percebeu.


Hermione trocou um breve olhar com Amy e a amiga lhe sorriu, incentivando a continuar.


- ‘Eu sei que eu estou diferente, mamãe. Eu tinha acesso a espelhos, sabe?’, foi o que ela me disse. E eu não pude evitar sorrir – ela tinha razão; as salas de treinamento são rodeadas por espelhos.


- E quanto às outras mudanças? – Dumbledore perguntou. – Amy?


- Eu ainda não tive contato com elas, senhor.


- Hermione?


- Acho que talvez seja melhor o próprio mestre lhe falar a respeito, senhor – a morena disse. – Eu posso comentar como tem sido conviver com essas mudanças.


- Jason já me falou a respeito e já temos algumas teorias, as quais poderemos compartilhar com vocês depois de fazermos o que eu planejei para esta pequena reunião – Dumbledore disse. – Conte-nos como tem sido a convivência com Chloe desde que ela retornou do treinamento.


- Eu tenho conseguido lidar facilmente e a própria Chloe está se policiando, tentando manter-se longe dos pensamentos alheios. Mas não é algo com que qualquer um possa conviver.


- Imagino – o diretor assentiu. – Bem, não vou exigir muito de você agora, Hermione. Jason, a palavra é sua agora.


- Muito bem. Eu estive estudando os resultados que obtivemos com Chloe, Hermione, mas infelizmente permanecemos estagnados e sem saber o que ela é realmente. Nada parece coincidir com o fato de ela ser uma Mangid. Há uma possibilidade de que ela o seja, mas não uma Mangid comum.


- Desculpe a interrupção, mestre, mas como ela poderia ser uma Mangid, mas não uma Mangid comum? – Amy perguntou.


- Não responda agora, Jason – Dumbledore interrompeu. – Primeiramente, sinto-me na obrigação de caracterizarmos um Mangid. Gostaria de começar, Amy?


- Bem, eu acredito que um Mangid possa ser caracterizado pura e simplesmente pelas suas habilidades – Amy começou. – São cinco, se não me engano. A primeira habilidade demonstrada é a capacidade de aprendizado acelerado. Normalmente, ocorre quando a criança ainda é pequena. Os Mangids são crianças essencialmente curiosas, gostam de pesquisar e saber das coisas.


- Excelente descrição, Amy – o diretor disse, satisfeito. – O aprendizado acelerado é definitivamente uma marca dos Mangids. Os interesses, sobretudo, dos pequenos Mangids são muito diferentes dos de uma criança que não o é, sempre procurando por assuntos muito além do que uma criança normalmente seria capaz de entender. A segunda habilidade, como todos sabemos, consiste na leitura de pensamentos. Um Mangid é um excelente legimente.


- Então vêm a terceira e a quarta habilidades, que aparecem quase que simultaneamente, não havendo necessariamente uma ordem para que elas ocorram. São elas a capacidade de mover objetos com gestos e executar feitiços simples sem verbalizá-los e sem auxílio de uma varinha – McCoy completou.


- Então a quinta, última e não menos importante – Dumbledore prosseguiu. – Os Mangids têm sensibilidade a presságios.


- O que não necessariamente significa que eles tenham visões. Os presságios vêm por meio de sensações incomuns, como calafrios, tonturas e visão desfocada, normalmente ocorrendo os três simultaneamente – Amy sinalizou.


- É importante salientar, entretanto, que Mangids podem ou não profetizar um único acontecimento durante a sua vida – foi o diretor quem acrescentou. – Essas profecias, obviamente, não são como as profecias realizadas por profetas e adivinhadores, como é o caso de nossa conhecida Sibila Trelawney. As profecias de um Mangid são visões claras de algum acontecimento que se sucederá, seja em breve, seja em longo prazo.


Hermione mexeu-se desconfortavelmente na cadeira e Amy lançou-lhe um olhar significativo, do qual ela desviou os olhos. Mordendo o lábio inferior e com os olhos movimentando-se, nervosos, sem fixarem-se em um ponto, ela acabou por atrair atenção para si.


- Há algo errado, Hermione? – Dumbledore perguntou, seu tom preocupado.


- Não, senhor, eu só estou... Um pouco tonta, só isso.


- Amy? – O diretor fitou a outra moça sobre os oclinhos meia-lua. As sobrancelhas estavam arqueadas e ele parecia questioná-la silenciosamente.


Amy irradiava dúvida e apreensão, e o olhar que ela lançara a Hermione ao final do discurso de Dumbledore não passou despercebido.


- Há algo que gostaria de me dizer ou perguntar? – Dumbledore inquiriu.


Amy não respondeu de imediato. Ela baixou os olhos e umedeceu os lábios, engoliu em seco e seu olhar pousou sobre Hermione, depois movendo-se para o diretor, para McCoy e novamente para Hermione. Ela abriu a boca para falar, mas foi como se algo a travasse. Então ela suspirou e balançou o mais discretamente que pôde a cabeça para a amiga, que sequer a fitava.


E foi como se isso atraísse o olhar de Hermione, que trincou os dentes e olhou-a de lado. Fora um breve olhar, mas tão significativo quanto o que Amy lhe lançara anteriormente.


Amy tornou a olhar para Dumbledore.


- Nós caracterizamos um Mangid, e ambos concordamos com a descrição sugerida, uma vez que o somos – ela disse, referindo-se a ela e ao diretor. – Hermione, entretanto, tem visões presentes, passadas e futuras. Sabemos que existe uma profecia que explica tais visões. Mas quanto a Chloe, bem, há mais do que isso, e não há profecia nenhuma que a envolva ou explique a razão de ela ter tantas habilidades incomuns.


- Sim, de fato – Dumbledore assentiu.


- Como Hermione, Chloe tem visões – Amy pontuou. – Chloe consegue manipular e transmitir pensamentos, induzi-los às pessoas que normalmente não poderiam ouvi-las.


- E por “pessoas que normalmente não poderiam ouvi-las”, você refere-se aos que não são Mangids e aos que não são legimentes? – o diretor perguntou.


- Sim. E mais do que isso, ela consegue penetrar nos pensamentos de um excelente oclumente, nos pensamentos de qualquer um que não saiba como driblá-la – a morena continuou.


- A única maneira de mantê-la longe é não pensar naquilo que você deseja esconder – Hermione foi quem continuou. – E deve ser de uma maneira discreta. Você não deve pensar em coisas estranhas, ou ocupar a mente com elas. Também não pode pensar em muitas coisas ao mesmo tempo ou pensar em não pensar em nada, porque ela vai saber que você está escondendo algo dela e vai buscar em tudo o que você já pensou o que você está escondendo dela.


- Ela tem a capacidade de saber tudo em que você já pensou durante cada dia de sua vida – Jason McCoy, até então em silêncio, explicou. – É uma das habilidades mais interessantes que Chloe apresenta.


- E essa habilidade vem junto com a capacidade de bloquear os próprios pensamentos de modo que nem mesmo o melhor legimente seja capaz de lê-los? – Amy sugeriu. Sem nenhuma resposta, ela prosseguiu. – E mais meia dúzia de outras habilidades, suponho.


- Onde, exatamente, você pretende chegar, Amy? – McCoy questionou.


- Mestre, eu sei que você entende bastante disso, sei que você estudou bastante acerca das habilidades que um bruxo ou um Mangid deve apresentar. Mas existem outras tantas habilidades que não se encaixam em nada, em nenhum grupo de pessoas.


- E de que habilidades estamos falando?


- Quantas pessoas você conhece que apresenta a capacidade de sentir quando estão pensando em você? Quantas pessoas você conhece que são capazes de bloquear esses pensamentos ou visões mesmo à distância? Sabe, eu não ouvira falar de uma pessoa que pudesse fazer com que outra pessoa não pudesse pensar em você até duas semanas atrás. Mais do que isso, eu não sabia que era possível ver o que outra pessoa está fazendo neste exato momento do outro lado do mundo.


- Então eu te questiono: quantas pessoas você conhece que são capazes de fazê-lo? – McCoy respondeu com a mesma pergunta que lhe fora feita pela morena.


- Duas – Amy respondeu em tom desafiador. E McCoy teve de admitir que não esperava por aquela resposta. Ele fizera a pergunta à Amy somente para provar que ambos estavam no mesmo patamar de conhecimento acerca daquele assunto, mas aparentemente a filha de Sirius Black estava um patamar acima.


Naquele instante Hermione teve um acesso de tosse. Dumbledore desviou sua atenção para a morena. Amy rapidamente desfez o contato visual que mantinha com McCoy e voltou sua atenção para a amiga, implorando que ela a perdoasse pelo que estava fazendo. McCoy ainda fitava Amy com curiosidade quando esta levantou e entregou a Hermione um copo com água.


Hermione bebeu todo o conteúdo do copo de uma só vez, ainda encarando Amy.


- Herms, eu...


- Faça o que tem que fazer – Hermione disse ao entregar o copo vazio à amiga.


Amy assentiu e respirou fundo, apertando o copo com tanta força que poderia quebrá-lo. Então ela virou-se para Dumbledore e McCoy.


---


Harry saiu do banheiro já vestindo as calças jeans, esfregando a toalha nos cabelos negros molhados. Ainda estava descalço e sem camisa. Sorriu ao ver a filha acordada, os olhinhos verdes fitando a televisão. Assistia a desenhos animados.


- Bom dia, princesa. – O moreno sentou-se na cama e beijou as bochechas da filha várias vezes.


- Bom dia, papai – Zoe disse, sorrindo. – O que vamos fazer hoje? Você prometeu que não ia trabalhar e que ia ficar comigo...


- Está me vendo de terno, por acaso? – Harry brincou.


- Você ainda não terminou de se vestir, então não posso saber se vestirá o terno – a pequena respondeu.


- Pois nós iremos ao teleférico. O que acha?


- Lá está mais frio que aqui? – Zoe perguntou.


- Com certeza – Harry disse. – Mas estaremos bem agasalhados.


- Papai, por que aqui está fazendo tanto frio se estamos no verão?


Harry riu.


- É verão lá em Londres, querida. Aqui no Brasil é inverno, por isso está fazendo frio.


- E por que aqui é inverno e lá é verão? – Zoe perguntou.


- Por que faz tantas perguntas difíceis?


- Mione não acha minhas perguntas difíceis.


“Hermione de novo”, Harry pensou desgostoso. Zoe estava sempre falando dela e de Chloe, e a freqüência não diminuía com o passar dos dias. Estavam ali há exatamente dezoito dias e Zoe fazia o nome de Hermione presente mesmo nos momentos em que ele conseguia esquecer a morena, tornando ainda mais difícil a decisão dele de afastá-la de seus pensamentos – e sentimentos.


- Ela não as acha difíceis porque tem sempre uma resposta para tudo – ele replicou. “Mesmo que as respostas não sejam satisfatórias”, concluiu em pensamento.


Zoe franziu o cenho por um instante, mas não insistiu no assunto. Então seus olhinhos voltaram a fitar as imagens da televisão.


- É mais fácil entender quando eles falam pausadamente – ela murmurou desgostosa.


“Pausadamente”, Harry repetiu em pensamento, sorrindo consigo mesmo. “Acho que a convivência com Chloe e Hermione tem sido boa, afinal.”


Ele sabia que seria impossível afastar Zoe de Chloe e Hermione, por isso não pensava naquela convivência como algo passado. Ao contrário, imaginava que, quando estivessem de volta à Londres, a convivência seria ainda maior.


- Quando quem fala pausadamente? – ele perguntou, enfim.


- Eles! – Zoe apontou para a televisão, onde o Pernalonga falava sem parar, e Harry entendeu que se referia aos personagens do desenho animado.


Harry riu.


- Melhor a senhorita se levantar e se aprontar, ou eu irei ao teleférico e deixarei você aí – disse, em tom de aviso, embora brincalhão.


- Tudo bem. Eu já não estava entendendo nada mesmo – Zoe murmurou e abriu seu melhor sorriso antes de afastar as cobertas e correr para o banheiro sob o olhar divertido do pai.


---


O silêncio é uma dádiva de Deus. Não há nada melhor que o simples silêncio, onde se pode meditar, descansar a mente. Há aqueles, entretanto, que o preferem para pensar, refletir, ordenar o caos que é a mente humana. Existem momentos em que se pode compartilhá-lo com alguém... em que não são necessárias palavras; o silêncio basta. Mas também há momentos em que o silêncio é incômodo. Aquele era um destes.


Hermione mexeu-se desconfortavelmente na cadeira, sentindo todos os olhares sobre si. Amy, ao contrário dos outros, que a olhavam curiosos, parecia pedir desculpas em seu silêncio.


Aquele mesmo silêncio se estendia por vários segundos, e talvez minutos até.


- É verdade – ela disse, por fim. – Eu e Chloe temos uma conexão mais forte, e tão forte a ponto de eu poder sentir a presença dela e ela a minha. Podemos nos comunicar à distância, ver o que está fazendo e onde está a outra, embora eu saiba bloqueá-la, e ela não a mim. – Suspirou. – Eu


realmente acreditava que isso fosse algo normal, uma vez que as duas somos Mangids e mãe e filha, algo até então inédito.


- O que, convenhamos, já é algo anormal – McCoy comentou.


- É, eu sei – Hermione assentiu e a sombra de um sorriso sem graça surgiu em seus lábios. – O fato é que a conexão é tão forte que durante todo o treinamento de Chloe eu estive realmente mal, como se todos os efeitos que ela sofria estivessem também atuando sobre mim – e parou ali, sem dar maiores detalhes. – Então cada nova habilidade descoberta era como um balde de água fria sobre a minha cabeça, uma verdadeira surpresa.


- E por que diz isso? – McCoy perguntou.


Insegura, Hermione fitou do homem negro a quem chamava de mestre por alguns instantes antes de desviar seu olhar para Dumbledore, e, então, para Amy.


- Por que eu compartilhava de cada uma dessas habilidades. Então eu buscava me aprofundar, saber como a própria Chloe descrevia cada um dos processos pelos quais seu corpo passava, cada reação aos novos poderes apresentados. E quando você os descrevia, mestre, eu percebia que tais descrições eram exatamente as que eu daria para cada um dos poderes e habilidades que tenho.


“Mas eu posso mais do que simplesmente controlar a mente das pessoas, seus pensamentos, sentimentos e vontades; eu posso ver cada pensamento e cada acontecimento da vida de uma pessoa, se for de minha vontade. E é tão fácil que posso tornar uma pessoa louca, ou dependente do que quer que seja.


“Muito mais do que simplesmente ver o presente ou o futuro, consigo ver um passado que eu jamais vivi, e isso acontece desde muito antes de eu poder ver o presente ou o futuro – talvez por conta da profecia.


“Eu posso causar dor sem sequer tocar em algo ou alguém. E consigo matar, se elevar essa minha capacidade ao extremo. Assim, sem armas, sem varinhas, sem contato. Ao mesmo tempo, posso fazer uma pessoa simplesmente sentir nada, ficar inerte pelo tempo que eu desejar. É como se eu cegasse, ensurdecesse e tornasse muda a minha ‘vítima’, tudo ao mesmo tempo. Ou, como prefiro dizer, é tal como se a matasse sem tirar sua vida realmente, uma vez que tudo à sua volta passa despercebido e ela se torna incapaz de sentir mesmo um toque, ou a dor.


“Se formos mais a fundo nessa habilidade, chegaremos ao ponto em que posso curar pessoas. Ferimentos, dores. Posso aplacar sofrimentos, acalmar. Tomar toda a angústia, dor e sofrimento para mim com um pouco de concentração e o simples contato de minhas mãos em suas têmporas. Eu absorvo essa angústia, esse sofrimento ou essa dor, e então é como se nunca tivessem existido.


“Eu consigo alterar minha forma – e isso vai muito além do fato de eu ter uma forma de animago –, bem como a de qualquer pessoa sem que esta perceba. Meus cabelos, meus olhos, meus traços, minha altura... Tudo pode ser alterado de modo a eu me tornar irreconhecível. E posso alterá-los separadamente.


“Estive fazendo isso com Chloe durante os últimos três meses. Eu precisava manter seus olhos castanhos como os meus, quando eles são verdes esmeralda, vivos e intensos como os do pai. E tornei-a ainda mais parecida comigo do que ela era de fato assim que tomei conhecimento dessa minha capacidade. Eu precisava que ela fosse o mais próximo possível do que eu fui quando tinha a idade dela.


“Infelizmente, hoje já não posso fazer grandes mudanças. Com a aceleração do desenvolvimento psicológico – e mesmo físico – dela, algumas coisas só podem ser feitas com o conhecimento dela ou se a mente dela estiver completamente vulnerável.”


Hermione fez uma pausa.


- Algum aspecto físico significativo? – McCoy perguntou.


- Nada é tão significativo quanto o fato de meus cabelos terem um crescimento mais acelerado do que o normal – Hermione respondeu de imediato.


- Todas as características comuns a um Mangid se aplicam a você? – o mestre insistiu.


- Sim – a morena respondeu objetivamente.


Ela sabia que Amy e Dumbledore também a encaravam, e a expressão da amiga, ela tinha certeza, era de perplexidade; ela nunca imaginara que Hermione fosse capaz de tanto.


O silêncio se estendeu e o diretor a fitou por um longo instante. Hermione bem sabia que ele não a estava apenas fitando. A mente de Dumbledore trabalhava numa velocidade impressionante, mas ela não se deu o trabalho de vasculhar seus pensamentos e conclusões; ele os entregaria por si mesmo.


- Professor? – Amy quebrou o silêncio, hesitante. – Ela... Hum, elas não são Mangids, são?


Dumbledore não respondeu de imediato. Ele levantou-se e Amy e Jason McCoy o fitavam – e acompanharam-no caminhar pela sala –, a expectativa crescente. Hermione, no entanto, não olhava para nenhum dos três. Sua atenção estava completamente voltada para Fawkes, que retribuía seu olhar com curiosidade e reverência.


- Não, Amy, não são – Dumbledore disse e tornou a sentar-se, entrelaçando as mãos sobre o colo. – E diante de tais revelações, não poderia chegar a uma conclusão diferente. – Uma pausa. – Hermione, você é uma Safira – revelou, por fim.

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