Nunca tivera que encarar uma morte tão normal. Imaginara-se morrendo de tantas maneiras, menos daquela.
Um atropelamento era normal demais para uma pessoa como ela, que já enfrentara a morte de maneiras tão esquisitas. Aos doze anos, em seu primeiro ano em Hogwarts, podia ter morrido esmagada ou engolida por um trasgo. Também poderia ter morrido por estrangulamento em meio à corrida contra o tempo que ela, Harry e Rony travaram em busca da pedra filosofal. Isso, é claro, sem mencionar o basilisco, em seu segundo ano. Até mesmo sobrevivera ao ataque de um Comensal da Morte em seu quinto ano, durante o ataque ao Departamento de Mistérios, e a seis dias de inanição, após a batalha travada em Hogwarts após a sua formatura.
Mas ela não estava pronta para morrer, não agora. Não quando tinha Chloe e uma nova vida a começar tão logo. Antes que pudesse pensar em o que quer que fosse, saltou para trás, dando duas piruetas no ar; ela não estava enferrujada, afinal.
Então o carro passou, ainda em alta velocidade, tão perto dela que até seus cabelos levantaram com a rajada de vento. Arfando, viu o veículo se afastar. Estava parada no meio da rua, observou, aterrorizada. Engoliu em seco. Mais um segundo e ela teria morrido, então tudo estaria acabado – da pior maneira possível.
Mas isso nem de longe a perturbava tanto quanto a sua visão naquele momento. Poderia pensar em seu ‘quase-acidente’ depois.
Decidida, correu para a conhecida escadaria de mármore e subiu apressada.
Tocou a campainha uma vez e esperou. Nada. Passaram-se alguns segundos e ela tocou de novo. Mais uma vez, nenhuma resposta. Nem Betty estaria em casa? E Embry, por que não estava latindo?
Sem mais – e já preocupada –, quebrou a maçaneta com um golpe. “Espero que Harry me perdoe por isso”, pensou ao adentrar a casa.
Ela sentiu um aperto no peito ao constatar – confirmar, sua mente automaticamente a corrigiu – que a casa estava vazia. Não havia vida ali; não havia a alegria de Zoe, os latidos de Embry, o cheiro dos bolos maravilhosos de Betty ou do perfume másculo e irresistível de Harry.
Inevitavelmente, uma lembrança da última noite veio à sua mente.
Ela estava deitada de bruços sobre ele, o dedo correndo sobre seu peito, fazendo círculos, enquanto ela sorria como uma criança. Ela o sentia fazer o mesmo em suas costas nuas. Parou e ergueu o olhar para ele.
- O que foi?
- A aliança – ela murmurou e ergueu o anel de ouro branco que estava pendurado no cordão que o moreno usava no pescoço. – Você não a tirou nem mesmo quando estava com Karen?
- Eu a tirei no momento em que resolvi apresentá-la ao mundo como minha namorada. Fazia três anos desde o seu sumiço e eu estava revoltado por não ter nenhuma notícia sua. Ironicamente, eu encontrei o orbe com a profecia no mesmo dia, e isso só me deixou mais irado – ele contou, os olhos e a mente distantes. – Aquele dia também era a oportunidade perfeita para eu me desfazer do passado e aceitar Karen como meu presente e, talvez, futuro. Houve uma reunião entre amigos na casa de Isabella e Olívio, e então eu levei Karen, contei a todos sobre nós e pedi que não se falasse mais em seu nome em minha frente ou na dela. Eu os fiz prometer que deixariam você fora de todas as nossas conversas.
Hermione apenas escutava. As lembranças de Harry gritavam por sua atenção e ela as via, uma a uma, na mente do moreno enquanto ele relatava.
- E foi assim por todos os anos que se seguiram – ele fez uma pausa. – No entanto, Karen conseguiu descobrir sobre você. Infelizmente, isso aconteceu no mesmo dia em que veio a falecer, após o complicado parto de Zoe, de modo que eu jamais soube e jamais saberei de que maneira ela descobriu. Eu não precisei solicitar o silêncio de ninguém desta vez. Depois da morte de Karen, todos continuaram seguindo à risca o pedido que eu fizera três anos antes. Mas eu não precisava que falassem de você para que meus pensamentos vagassem para você. E eu sempre me perguntava as mesmas coisas: onde e como você estaria? Haveria casado? O que estaria fazendo? Demoraria a voltar?
“Pensar em tudo isso e não ter nenhuma resposta me corroia todas as noites, quando eu deitava, encarava o teto e as preocupações do dia me davam trégua. Quando eu estava com Karen, essa sensação era atenuada pela presença dela. O meu medo era somente que você voltasse e eu tivesse que machucar uma de vocês mais do que eu machucaria a mim mesmo por ter de escolher entre vocês. Enquanto eu estava com Karen, eu torcia para você ter encontrado alguém e que estivesse feliz com essa pessoa ao mesmo tempo em que sabia que surtaria ao vê-la com outro homem.
“Então Karen se foi e deixou Zoe em seu lugar. E Zoe se tornou a minha vida, a minha razão de viver. A aliança, que eu passara a usar pendurada no cordão, não voltou para o meu dedo, mas todos os dias ela esteve sobre o lugar onde você pertencia. O anel de noivado que eu dera a Karen esteve junto com a nossa aliança por dois anos. Então eu comprei um cordão de ouro para Zoe e desde então ele sempre esteve e sempre estará com ela, o fruto da minha união com Karen.”
Ele parou de falar ao mesmo tempo em que a sua mão parou nas costas de Hermione. Então ele a fitou com intensidade e trouxe a mão para o rosto dela. Colocou uma mecha de seus compridos cabelos atrás da orelha e afagou seu rosto com as costas da mão.
- Você também usa a aliança – ele observou.
- A aliança e esse anel – Hermione murmurou, enquanto estudava a própria mão, apoiada sobre o peito do moreno. – Eu os tirei por poucas vezes, quando as ocasiões não permitiam que eu os usasse – “Como quando eu estava executando as vítimas que me eram designadas”, pensou. Então ela ergueu os olhos e sorriu para ele. – Sabe, eu sempre soube que foram presentes de alguém importante. Mamãe sempre disse que eu só tivera um homem em minha vida antes de... – Hermione parou de falar subitamente. – Eu só conseguia imaginar que eram presentes deste homem. Que eram presentes seus – ela disse, seu tom era intenso. – Eu ainda tenho todas as jóias que você me deu.
- Eu ainda guardo o maior presente que você me deu, embora não tenha certeza de eu ainda o tenho.
- E o que seria esse presente que o faz soar tão confuso quando fala dele?
- Você.
Hermione sorriu sem jeito e desviou o olhar do dele por um instante, antes de beijá-lo. Quando ela se afastou, percebeu que havia a sombra de um sorriso em seu rosto. Ele a fitava intensamente, como se pudesse penetrar, investigar sua alma apenas com um olhar. A mão dele voltou a percorrer suas costas, então parou num ponto sensível próximo à sua cintura. Ela sentiu enrijecer com o toque.
- O que é isso? – ele perguntou e então se ajeitou na cama e nos travesseiros de modo que pudesse ver o lugar onde sua mão estava pousada. Havia ali uma marca rosada em alto relevo. – Uma cicatriz?
- Não é nada, Harry – Hermione apressou-se em dizer.
- Mas é claro que não é nada, Hermione. É muita coisa! – Harry replicou. – O corte que originou essa cicatriz só pode ter sido muito profundo, e eu nem preciso ser médico para saber disso. E a marca tem pelo menos dez centímetros de comprimento.
- Doze – Hermione corrigiu sem pensar.
- Doze! – Harry exclamou, exasperado. – Um corte de doze centímetros! Além disso, é recente. E você fala com essa naturalidade...
Hermione sabia que ele estava certo. O corte era recente – datava de sua missão à Grécia – e fora profundo, realmente grave. Mais alguns milímetros para a direita e teria acertado em cheio o seu rim esquerdo. Mas agora não havia nada com que ele devesse se preocupar. Ela estava bem, não estava? Já passara pela cirurgia que fora necessária e não houve grandes danos.
- Harry, eu estou bem. Foi apenas um acidente. O Box do banheiro lá de casa soltou e caiu em cima de mim, então eu me afastei por reflexo e acabei me cortando na quina de vidro da pia – ela inventou uma desculpa. – Agora vamos parar de falar disso? – Ela tornou a se aproximar dele e depositou um beijo em seus lábios, os olhos abertos para captar a reação dele. Mas Harry sequer se mexeu. – Melhor que isso, vamos parar de falar?
Então ela ajoelhou-se na cama e enlaçou-o pelo pescoço, beijando-o avidamente. Ele tentou resistir por um momento, mas logo cedeu e rolou na cama de modo que ficasse sobre ela, o assunto anterior completamente esquecido.
A mão de Hermione agora estava sobre o corte. Ela sentia raiva de si mesma por ter permitido ser atacada daquela maneira. Ela esperava que aquele ataque surpresa pelas suas costas não tivesse aberto precedentes para um futuro ataque.
Ela já eliminara dois dos homens da rede de prostituição em que atuava na Grécia e agora estava no quarto do terceiro. Ela usava um vestido vermelho-sangue justo, curto e decotado, maquiagem pesada, com batom de um vermelho escarlate nos lábios e cílios postiços, botas pretas de cano alto e salto agulha, meias arrastão também pretas e seus cabelos estavam presos num penteado sensual.
Ela prendera o homem na cabeceira de ferro da cama e abrira o seu roupão lentamente, seduzindo-o. Estava ajoelhada na cama, uma perna em cada lado de sua cintura, as mãos erguidas, uma de cada lado de seu rosto, afastadas a cerca de um palmo de suas têmporas. Estava tão concentrada nele que só despertou quando sentiu uma pontada nas costas.
- Prasica! – a voz esganiçada de uma mulher ecoou às suas costas enquanto ela sentia algo quente escorrer do lugar em que havia sido atingida. O cheiro invadiu as suas narinas enquanto o sangue ensopava rapidamente o vestido vermelho.
Virou-se para encarar sua mais nova companhia. Era uma das garotas, na verdade uma mulher de trinta e poucos anos, aparentemente envolvida com o homem que estivera prestes a matar no instante em que ela invadira no quarto.
A mulher trajava um roupão de seda vermelho sobre a camisola de seda preta. Seus cabelos negros, cheios e ondulados estavam soltos e caíam livremente pelas suas costas até a altura da cintura. Sua pele era dourada e seus olhos dois poços negros e profundos, sem fim. Era claramente descendente de ciganos e chamava-se Tarsila.
- Eu ouvi bem? – Hermione perguntou em inglês, sabendo que a mulher eslovena a entenderia perfeitamente. – Você me chamou de vadia?
- To je tisto, kar ste. Prasica! – a mulher repetiu.
- Não, querida. Isso é o que você é. – E Hermione avançou para a mulher. Não a mataria, mas não podia deixar que ela se lembrasse do ocorrido.
Com um estalar de dedos, a imobilizou. Sorriu ao ver o olhar assustado que a mulher lhe lançava. Ergueu as mãos em torno do rosto dela e fixou seus olhos nos dela. Tomou-lhe as lembranças dos últimos anos – dos anos de prostituição –, e transmitiu a ela alguns pensamentos, providências que ela deveria tomar assim que acordasse. Então, sem mais, fez com que ela adormecesse e livrou-a do feitiço paralisante.
Feito isso, terminou o seu serviço e sumiu porta afora, sabendo que o seu destino seria o hospital mais próximo.
Ouviu passos às suas costas. Alguém estava subindo a escadaria de mármore que dava para a casa. Os passos pararam e houve um momento de total silêncio até que a porta se abrisse, iluminando a sala. Virou-se a tempo de ver de quem se tratava antes mesmo de a porta escancarar-se totalmente.
- Betty! – Hermione suspirou, aliviada.
- Olá, minha querida – Betty cumprimentou-a. – Fizeram um estrago na maçaneta da porta, hã?
- Oh, é – Hermione assentiu com vigor. – Hum, Betty?
- Sim? – Betty respondeu sem olhar para Hermione, enquanto sacava a varinha e apontava para a maçaneta quebrada, restaurando-a num piscar de olhos.
- Onde estão Harry e Zoe?
- Oh, você não sabe? – Betty fechou a porta e encarou Hermione, surpresa.
- E o que eu deveria saber?
- Eles vão passar uma temporada fora. Foi uma decisão de última hora, ao que me parece – a governanta contou. – O Sr. Potter somente me pediu que arrumasse a mala de Zoe e fez alguns telefonemas. Então ele próprio saiu levando a mala que fizera para ele e a que solicitara para Zoe. Eram malas grandes, devo dizer – Betty comentou. – Há mais ou menos uma hora o Sr. Evans veio e levou Embry para York, então eu fui pagar umas contas que o Sr. Potter deixou.
- E quando eles voltam, Betty?
- Sem previsão. Apenas sei que ele fará uma longa viagem com a pequena Zoey.
Aquilo era o suficiente.
- Muito bem, obrigada, Betty – Hermione agradeceu.
- Por nada, querida. Se cuide.
- Farei o possível – a morena prometeu, sorrindo.
Então deixou a casa e desceu as escadas apressada, aparatando sem se importar se havia pessoas ali que pudessem vê-la sumindo no ar.
No instante seguinte, estava no Ministério da Magia, atravessando o átrio iluminado rumo ao elevador. Agradeceu mentalmente por estar vestida adequadamente para o ambiente de trabalho. Trajava uma blusa de mangas curtas branca, trabalhada em preto, shorts de cintura alta pretos e sapatos fechados pretos. Prendeu os cabelos num coque despojado ainda enquanto caminhava.
Seguiu diretamente para o Departamento de Mistérios. Uma vez na Sala Circular, esperou que as portas parassem de girar para seguir adiante. Ao abrir a porta que daria para a Sala do Tempo, notou que havia mais de uma pessoa ali dentro.
- Amy? – chamou.
- Herms? – Amy apareceu cerca de doze metros à sua frente, aparentemente surpresa.
Amy, Hermione logo descobriu, estava ali com Seamus Croaker e Isabella.
- Como vai, Croaker? – Hermione cumprimentou-o brevemente. – Bel, você achou os documentos que separei para você?
- Sim, não se preocupe – Isabella respondeu.
- Ótimo.
- Já está de volta, Hermione? – Croaker perguntou.
- Ainda não. Só vim porque precisava falar com Amy. – E ela lançou um olhar significativo à amiga.
- Vocês continuam sem mim? Volto num minuto.
- Claro. Pode ir, Amy – Isabella incentivou, enquanto Croaker apenas assentiu com a cabeça.
Então Amy acompanhou Hermione para fora da sala. Seguiram em silêncio para o escritório. Hermione desfez o feitiço que selava a porta e a abriu. Amy entrou logo atrás dela, fechando a porta atrás de si.
- Por que eu tenho certeza de que o que quer conversar comigo nada tem a ver com Chloe dessa vez? – Amy fez.
- Ames – Hermione repreendeu.
- Tudo bem. Ele foi para o Brasil – Amy revelou. – Vai passar dois meses lá e depois segue viagem com Zoe. Ele e Karen haviam planejado algumas viagens para quando Zoe estivesse crescida, então...
- Ele não disse nada a respeito disso.
- Talvez ele fosse contar, mas ele decidiu viajar hoje – Amy amenizou.
- Ele podia ter vindo a mim – Hermione seguiu irredutível. – Ele sabia onde me encontrar. Ele tem o meu telefone.
- Herms, ele precisa de um tempo. Você precisa de um tempo – Amy disse. – Vocês não estão sabendo como lidar com essa nova situação em que se encontram. – Hermione abriu a boca para contestar. – Eu sei, eu sei que vocês têm tentado, que são bons amigos e que a convivência tem sido maravilhosa, mas ele já havia deixado bem claro que não era só isso que ele queria. E tem sido muito difícil para ele.
- Então ele deveria ter esperado, como disse que faria.
- E ele esperou, até aqui – Amy replicou. – Até onde deu. – Então ela se aproximou de Hermione e pegou as suas mãos, segurando-as com força. – Olha, eu vou te dizer o mesmo que eu disse a ele quando ele veio se despedir de mim: eu não sei – e talvez seja melhor eu não saber – o que houve entre vocês dois e o que fez ele tomar a decisão de seguir viagem, mas eu acho que vocês precisam de um tempo para colocar a cabeça no lugar, para pensar sem a presença do outro, porque estando próximos, vocês acabam por sucumbir aos desejos mais íntimos de vocês. É inevitável. E isso pode acabar machucando vocês, os dois. Por ora, é melhor assim, Herms.
- Não há como ser melhor assim, Amy.
Amy encarou Hermione sem entender.
- Oh, céus! Você está apaixonada – observou.
- E ele não está mais aqui – Hermione concluiu. – Eu estava pronta para lhe contar sobre Chloe e tudo o mais, mas parece que cheguei tarde demais.
- Ele vai voltar, Herms. Ele não pode ficar longe por muito tempo. Tem que estar de volta até meados de setembro.
- Uma pena que desta vez talvez seja eu a não estar presente quando ele vier me procurar. Espero que não seja tarde demais – Hermione disse, seu tom inflamado pela mágoa.
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- Eu ouvi direito, mamãe? – Gina perguntou, adentrando a cozinha da mãe junto com Draco. – Katie está grávida?
- É, querida! Jorge acabou de ligar do St. Mungus – Molly confirmou. – Lembra-se que ela estava com aqueles enjôos terríveis?
- Jorge e Alexis também estavam com os mesmos enjôos, segundo eu soube – Draco comentou.
- Exatamente por isso não suspeitaram logo de uma possível gravidez – Molly explicou. – Mas Jorge e Alexis logo melhoraram, enquanto Katie permaneceu enjoada.
- Quanto tempo? – Gina inquiriu.
- Quatorze semanas.
- Ora, e ela não percebeu que as regras estavam atrasadas? – Gina fez, num misto de diversão e surpresa.
- Katie é uma atleta, querida. É comum que as regras atrasem para pessoas que estão em constante e intensa atividade física – Molly explicou.
- Bem, lá se foram as chances de Katie participar das finais da eliminatória da Copa Mundial de Quadribol do ano que vem. Espero que a perda não influencie nos resultados – Draco comentou. – Você podia jogar no lugar dela, Gin.
- Você quer mesmo me tirar do Quartel General de Aurores, não é? – Gina virou-se para o marido, as mãos na cintura, exatamente como Molly Weasley fazia.
- É uma oportunidade de fazer algo que você gosta e que é boa e ainda conseguir uma licença no Ministério – Draco disse, dando de ombros. – Sem perdas e sem danos. Seu cargo ficará intacto esperando sua volta.
- Eu também gosto e sou boa no que faço no Quartel General de Aurores, Malfoy – a ruiva retorquiu, os olhos semicerrados. – Mas eu gostei da idéia – admitiu. – E então, mamãe, eles já sabem o sexo do bebê?
- São dois meninos e uma menina – Molly disse, com a naturalidade de quem diz que o dia está lindo.
- Espere – Gina não conteve o riso. – Trigêmeos? São três?
- Sim, são três. Dois meninos e uma menina – a matriarca Weasley assentiu enquanto mexia um doce de pêssego que estava fazendo.
- Ai, meu Deus! Jorge deve estar louco! – Gina sorriu.
- Eu também enlouqueceria se soubesse que seria pai de três crianças de uma só vez – Draco murmurou, sombrio, os olhos arregalados em sinal de horror.
- Não nesse sentido, seu idiota! – a esposa retrucou. – E Alexis? Eu sei que a diferença entre ela e os trigêmeos será enorme, mas ela deve estar adorando! – Gina fez, sonhadora. – Imagine como Fred não deve estar! Ele vai morrer de desgosto. Logo ele que sempre se orgulhou tanto dos gêmeos que Angelina lhe deu – a caçula zombou.
- Bem, agora ele não é o único a ser pai de gêmeos. Carlinhos será pai de duas meninas. E, bem, Jorge também pode se dizer pai de gêmeos, afinal, há chances de os meninos serem univitelinos – Molly fez.
- Isso significa que além de um óvulo se dividir em dois, ainda foi liberado mais um de brinde – Draco comentou, ainda assombrado. – Quem sabe fazer filho é outra coisa, não é?
Molly e Gina riram.
- E Katie nem queria! – foi a Sra. Weasley quem comentou.
- Já pensou, Draco, se eu engravido de novo e vêm gêmeos? – Gina brincou com o marido.
- Não quero nem pensar – Draco disse, sua expressão fazendo a esposa e a sogra rirem ainda mais.
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Estava novamente à porta da mãe. Ela pôde ouvir as vozes que vinham de dentro do apartamento e concluiu que seu pai já retornara. Abriu a porta e viu a expressão de surpresa que sua mãe fizera ao vê-la ali.
- E então, querida? – Jane perguntou, apreensiva.
- Ele desistiu de mim – Hermione foi direto ao ponto, embora não estivesse certa de sua afirmação.
- Como assim ‘desistiu’? – a mãe perguntou, sem entender.
- Ele seguiu com a vida dele sem me deixar nenhuma satisfação.
- Herms, você já parou para pensar que você também o deixou esta manhã sem nenhuma satisfação? – Jane arqueou uma sobrancelha, assinalando um ponto em que Hermione não pensara.
- Jane, querida, quem está aí com você? – Seu pai apareceu na sala naquele exato momento. – Herms, minha princesa! – Ele veio em direção a ela e a abraçou.
Hermione fechou os olhos e correspondeu ao abraço do pai, sentindo-se segura nos braços dele. Os cabelos loiros de Stan Granger estavam grandes e, portanto, desalinhados e a barba por fazer. Seus olhos azuis claros a fitavam com o conhecido calor e reconhecimento de sempre e ela sentiu-se confortada por estar com seus pais. No fim das contas, eles eram o seu maior e verdadeiro porto seguro.
- Eu vou voltar com vocês – anunciou para os pais.
- Tudo bem, querida. Nós já terminamos mesmo e estávamos de saída quando você chegou – Jane assentiu, um sorriso maternal estampando o seu rosto.
- Oh, sim. Estávamos apenas terminando de lacrar as caixas – Stan confirmou. – Você pode vir conosco, Herms.
- Não, mamãe, você não entendeu. Eu não tiraria vocês da rota para Paris só para me deixarem em Orléans mesmo que eu não tivesse outros meios de chegar lá – Hermione apressou-se em dispensar a carona. – O que eu quero dizer, mamãe, é que eu vou morar em Paris também. Em definitivo.
- Mas, Hermione... – Jane começou, confusa.
- Está decidido, mamãe. E é uma decisão definitiva. Vocês estão indo para Paris também, não estão? Estão retornando às raízes – a morena argumentou, ignorando a mãe. – Muito bem, vou morar na cidade em que nasci e onde toda a minha família nasceu e vive. É lá aonde pertenço e é lá onde quero viver.
- Talvez seja uma decisão precipitada, Herms – foi Stan quem argumentou.
- Não. Eu sei o que eu quero e o que estou fazendo – garantiu.
Houve um longo momento de silêncio. Jane e Stan se entreolharam, evidentemente preocupados. Hermione sabia que eles, no fundo, estariam felizes por manter-se perto da filha e da neta, e fora isso que fortalecera a sua decisão: estar próxima à sua família.
- Tudo bem, querida – Jane assentiu, por fim. – E quando você vai?
- Vou no primeiro fim de semana de julho – Hermione respondeu sem mais rodeios.