Abriu os olhos repentinamente, como se estivesse acordada todo o tempo. Estava deitada sobre o peito dele, o grosso cobertor vinho cobrindo-lhe o corpo nu.
O mais cuidadosamente que pôde, ergueu a cabeça para fitá-lo. Ele dormia profundamente. Antes que pudesse perceber, estava sorrindo. Foi quando se deu conta de que o dia estava amanhecendo; através da enorme janela defronte à cama, a qual fora esquecida com a cortina aberta, ela podia ver o céu azul celeste mesclado por tons alaranjados.
Procurou pelo relógio na mesa de cabeceira e assustou-se ao ver que já eram 5h06. Levantou-se quase que num salto e Harry mexeu-se atrás dela.
“Ah, diabos!”, esbravejou em seus pensamentos e saiu da cama, andando nas pontas dos pés.
Recolheu seu vestido em tom perolado e o par de sapatilhas de mesma cor que estavam ao pé da cama. Dando uma última olhada à cama – e ao moreno –, seguiu para o banheiro. Tomou um banho rápido e vestiu-se, deixando o banheiro logo em seguida.
A casa inteira estava silenciosa, mas ela aguçou os ouvidos ainda assim. Ela podia ouvir a respiração e o coração de Embry, que estava no andar de baixo. A julgar pela constância, o filhote de golden retriever só podia estar dormindo ou muito quieto. Então ouviu passos rápidos. Era Betty, e seus passos eram abafados por conta das pantufas que usava.
Deixou o quarto e fechou a porta cuidadosamente atrás de si. Foi à saleta que ficava ao final do corredor e sua atenção automaticamente voltou-se para a enorme fotografia emoldurada e pregada na parede. Foi inevitável que um sorriso surgisse em seu rosto. Então ela viu um álbum sobre uma das cadeiras estofadas que ali estavam.
Aproximou-se e pegou-o. Abriu-o e notou que havia fotos ainda soltas. Com cuidado, separou-as e passou a olhar as fotos que já estavam em seus devidos lugares. Havia várias fotografias das crianças, sozinhas, com Giuly e mesmo com ela e com Harry. Também havia muitas dos cães enquanto brincavam nos vastos jardins da propriedade.
Caridwen conseguira fotos incríveis, uma mais bonita que a outra. Porém, as que chamaram a atenção de Hermione foram as que estavam ela e Harry, especialmente uma em que era possível sentir a tensão, a inegável atração que havia entre ambos, e esta era quase palpável. E eles estavam apenas trocando um olhar.
Ela mordeu a face interior das bochechas e tornou a pegar as fotos que ainda estavam soltas. Não demorou a descobrir por que ainda não haviam sido pregadas: eram cópias das que já ocupavam seus devidos lugares no álbum.
Sem mais, fechou o álbum e recolocou-o no lugar em que estava instantes antes. Em seguida, atravessou o corredor e desceu as escadas. Betty estava na cozinha e, se fosse discreta o suficiente, não chamaria atenção para si mesma. Adiantou-se até a sala de estar e recuperou a sua bolsa.
Já estava alcançando a porta quando sentiu tudo à sua volta girar e foi como se quilos e mais quilos de concreto a tivessem pregado no chão. Então sua visão ficou turva e ela viu Chloe, sentada na cama, as pernas cruzadas e os olhos fechados.
“Estou voltando para casa, anjo”, pensou com intensidade e viu a pequena abrir os olhos quando a bloqueou. Suspirou e abriu a porta. Fechou-a atrás de si e assim que ouviu o trincar da trava, aparatou.
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Horas mais tarde...
A visão que tivera fora demais para ela. Nunca suspeitara que pudesse acontecer ou que pudesse ter acontecido.
Estava em Orléans, Jessica dormindo em seus braços enquanto Hilary, Chloe e Michael estavam na cozinha preparando uma panela de brigadeiro quando ela veio. Era uma visão clara, como um futuro certo e que já estava em desenvolvimento. Ela sabia que aquela não era uma visão que poderia ser alterada; ela simplesmente não dependia de escolhas.
Quando ela se foi e a visão de Hermione voltou, seus olhos estavam ardendo e ela sabia que estariam vermelhos, injetados de sangue. Fechou-os e manteve-se assim por alguns instantes para que a vermelhidão os deixasse. Depois, levantou e subiu as escadas, rumando para o quarto de Jessy.
Colocou a pequena no berço com cuidado e tornou a descer e seguiu direto para a cozinha.
- Dormiu? – Hilary perguntou ao ver a prima adentrar a cozinha sem Jessica.
- Sim, e eu já a coloquei no berço – Hermione assentiu.
- Temos uma hora de folga até que acorde novamente – Hilary disse, sorrindo.
- Ela sempre acorda mal-humorada – Michael comentou.
- Você vai sair, mamãe? – Chloe se aproximara da mãe e a abraçara.
Hermione baixou os olhos para fitar a filha, que agora devia ser menos de vinte centímetros mais baixa que ela.
- Sim, estou indo a Londres – Hermione assentiu.
- Vai demorar muito? – foi Hilary quem perguntou.
- Na verdade, não. Vou só resolver um ou dois assuntos, mas eu volto antes do jantar.
Chloe lhe lançou um olhar indagador, o que foi suficiente para que Hermione a bloqueasse. Chloe poderia penetrar os pensamentos de qualquer um facilmente, mesmo os de um excelente oclumente, mas, por alguma razão, Hermione sempre obtivera sucesso em mantê-la longe de sua mente.
A conexão que mãe e filha tinham tornou-se dezenas de vezes mais forte enquanto Chloe estava no treinamento, e mais forte ainda quando ela estava de volta, suas habilidades totalmente desenvolvidas.
Hermione temia por isso. Sabia que era uma questão de tempo até que Chloe conseguisse desvendar o passado de sua mãe e descobrir quem era seu pai. Todos os dias ela esperava pelo momento em que a pequena a abordaria e diria que já sabia toda a verdade, e sabia que precisava estar preparada para o que viria, para a reação dela caso descobrisse sozinha. E todos os dias imaginava inúmeras maneiras de contar, sabendo que todas elas machucariam não somente a filha, mas a si mesma e a Harry.
Engoliu em seco e desviou-se de tais pensamentos.
- É melhor eu ir. Quanto mais cedo eu for, mais cedo voltarei – disse e beijou o nariz fino da filha.
- Volte logo – Chloe sussurrou.
- Voltarei, anjo – Hermione prometeu. – Até mais tarde, Hil, Mike.
- Até, querida – Hilary lhe sorriu.
Quando Hermione aparatou, seus pensamentos mais uma vez estavam em Chloe.
As mudanças pelas quais sua filha passara durante o treinamento não se limitavam aos aspectos psicológicos. Fisicamente, a pequena parecia ser outra pessoa. Seu rosto, além de seu tamanho, fora o que mais mudara. Ela já não era tão parecida com a mãe, muito menos parecia uma criança de dez anos. Os traços estavam mais maduros e ela agora tinha muito de Harry em si. O nariz, o queixo, a boca, o formato do rosto e, por fim, os olhos. Os cabelos haviam crescido tanto e tão rápido que poderiam ter se passado dois anos sem que ela tivesse os cortado e agora eles desciam até um palmo acima da cintura. Ainda eram lisos, embora apresentassem a mesma ondulação que os de Hermione tinham nas pontas. E eram escuros como os de Harry.
Era como se sua filha tivesse envelhecido três ou quatro anos em apenas duas semanas. Qualquer um que a visse na rua facilmente lhe daria treze ou quatorze anos, embora ela ainda fosse baixinha para tal idade, principalmente tendo pais tão altos – Hermione media 1,72m e Harry 1,90m.
Harry. O nome ecoou em sua cabeça e foi o suficiente para fazê-la estremecer.
Precisava de sua mãe, precisava de seus conselhos e, mais do que isso, precisava tomar uma decisão sobre o seu futuro, principalmente agora que tivera aquela visão.
Ela sabia que sua mãe estava em Londres e iria direto para o apartamento dela em Notting Hill.
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- Tem certeza, Harry? – Gérard Glenn indagou, as sobrancelhas erguidas.
- Sim, senhor. Eu iria no dia 28 com o restante da comissão, mas não há nenhum problema em ir alguns dias antes. Hoje são 12, então são só duas semanas de antecedência.
- Tudo bem. Vou avisar Hernani de sua chegada.
Harry sabia que Gabriel Hernani era o ministro da Magia brasileiro e que Gérard Glenn mantinha uma amizade de longa data com ele.
- Na verdade, eu já falei com Gianna.
- Gianna?
- Gianna Martino, chefe do Departamento de Execução das Leis em Magia – Harry explicou.
- Ah, a italiana!
- Ela mesma, a que foi naturalizada brasileira.
- Uma beldade.
- Quarenta anos, casada e com filho pequeno.
Glenn riu.
- Continua sendo uma beldade. Ela teve uma carreira promissora no mundo trouxa – comentou. – Ex-modelo – acrescentou. – Enfim, Harry, ainda assim vou avisar Hernani.
- Obrigado, Sr. Glenn.
O ministro fez um gesto rápido com a cabeça, assentindo.
- Vai mesmo emendar as férias à viagem ou os planos também mudaram quanto a isso? – perguntou.
- Não, os planos continuam os mesmos. Estava planejado que ficaríamos no Brasil até o final de julho, mas devo ficar duas semanas a mais por lá. Retorno à Europa em meados de agosto. De lá sigo para Lisboa e então Veneza. Vou levar Zoe para conhecer alguns lugares da Itália e da Alemanha. Karen planejou algumas viagens para nós antes de... – Harry interrompeu-se e engoliu em seco. – Acho que ela ficaria feliz em saber que não os deixei de lado.
O ministro sorriu, indulgente.
- Você merece esse tempo para você e sua filha, Harry – disse. – Quando você vai?
- Devo embarcar às 16h25.
- Então acredito que esteja de partida, não? – Glenn comentou e checou o relógio de pulso. – 14h38.
- Sim. Fiz o check-in antes de vir para cá, então vou apenas pegar Zoe e seguir direto para o aeroporto.
- Vai mesmo para Teresópolis?
- Vou saber quando chegar lá. – Harry se levantou. – Até a volta, senhor.
- Até, Harry. – Eles trocaram um aperto de mão por sobre a mesa. – Boa viagem.
Harry acenou brevemente e deixou a sala.
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- Mãe? – chamou, hesitante.
Jane estava na cozinha, concentrada em guardar suas louças nas caixas de papelão dispostas por todo o aposento, praticamente vazio. Ela, que estava de costas para a porta, virou-se e deixou de lado as louças para falar com a filha. Aproximou-se e a abraçou.
- Ah, querida! Eu não ouvi você chegar... – disse ao se afastar.
- É, a porta estava só encostada.
- Claro, claro. Seu pai foi buscar umas caixas e deve ter deixado a porta aberta para facilitar a entrada – Jane assentiu, sorrindo. – E onde está Chloe? – Ela olhou atrás de Hermione à procura da neta.
- Ficou em Orléans.
- Devia tê-la trazido – a mãe comentou. – A propósito, querida, ontem à noite liguei para a casa de Hil e ela disse que você não estava. Liguei mais tarde e você ainda não tinha retornado...
- É, ela comentou comigo hoje de manhã. Perdoe-me não ter retornado a ligação, mamãe, mas eu estava tão esgotada e precisando de um tempo para mim, entende? – Hermione desculpou-se.
- Sem problemas, Herms. Não era nada demais, eu só queria falar com você – Jane dispensou as desculpas. – Mas devo confessar que fiquei curiosa para saber onde estava. Certamente não estava resolvendo assuntos de trabalho, hã?
- Eu poderia estar resolvendo assuntos de trabalho, sim, mamãe. Assim como poderia estar com minhas amigas...
- Mas não estava com Liah ou com Amy, e muito menos resolvendo assuntos de trabalho, ou Hilary me diria. No entanto, ela apenas disse que você saíra para jantar. Em Londres. – Jane afirmou e ergueu uma sobrancelha.
- Sim, mamãe, eu estava aqui em Londres – Hermione assentiu, revirando os olhos. – Mais especificamente em Chelsea, na casa de Harry.
- Ah! É tão bom, querida, ver como vocês estão se dando bem... Mas me preocupa que vocês estejam tão próximos de novo quando existe um segredo tão grande envolvendo-os... Algo que ele deveria saber desde o momento em que vocês se reencontraram.
Hermione engoliu em seco.
- Eu sei. E agora são quase dois meses desde que eu o reencontrei e eu ainda não tive coragem de lhe dizer. Eu nem imagino qual será sua reação quando souber... – murmurou. – Eu... Eu vou perder ele de novo...
- Herms, como você pode reaver algo que você mesma fez questão de perder? – Jane segurou as mãos da filha e puxou-a para que sentassem nas cadeiras em torno da mesa de mármore negro. – De que você tem medo, exatamente?
Hermione não respondeu. Ao invés disso, baixou a cabeça e começou a chorar silenciosamente, as mãos pousando sobre seu colo, inertes entre as mãos da mãe.
- Herms, filha... – Jane apertou as mãos dela e soltou uma delas para levar até o queixo de Hermione e erguer seu rosto.
Hermione fixou os olhos nos da mãe e fez alo que jamais fizera antes e que jamais faria, principalmente com um trouxa, se fosse em outras circunstâncias: ela mostrou-lhe suas lembranças mais recentes, tudo o que acontecera nos últimos dois meses. E, ela sabia, para Jane era como ver um filme. Então lhe mostrou a visão que tivera mais cedo.
“Essa foi uma visão que tive hoje mais cedo, uma visão que de algo que irá se concretizar em meados de novembro”, pensou e fez com que esse pensamento fosse transmitido juntamente com a visão.
- Oh, meu Deus! – Jane exclamou ao final. – Filha... – Ela escorregou da cadeira para o chão e, ajoelhada diante da filha, abraçou-a.
Hermione ainda chorava.
- Ele esteve lutando esse tempo todo por mim, por meu amor e eu evitei isso a todo o tempo, mãe. Quando dei por mim, já tinha acontecido – disse, controlando os soluços. – Eu me apaixonei de novo, mamãe. Pelo mesmo homem, pelo meu melhor amigo. E tudo é tão estranho... É como se o tempo não tivesse passado, mas também é como se uma eternidade estivesse entre nós. – Então a voz de Hermione tornou-se firme, sem embargos. – O problema é que não é a eternidade quem nos separa agora; é uma mentira.
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Ela estava terminando de se arrumar para seguir para o Ministério da Magia quando a campainha tocou.
Largou os brincos sobre a bancada do banheiro e desceu as escadas apressada. Anita, a secretária, já estava a caminho da porta.
- Pode deixar, Anita. Eu atendo – disse e prontamente Anita obedeceu. Abriu a porta e surpreendeu-se ao ver de quem se tratava. – Harry?
- Amy – o moreno de olhos verdes cumprimentou-a.
- Mas que surpresa! – ela comentou, agora levemente preocupada.
- É, e elas nem começaram de verdade – Harry murmurou.
- Entre, Harry. – Amy abriu espaço para que o ‘irmão’ o fizesse. – Aconteceu alguma coisa? – ela perguntou, fechando a porta.
- Eu vim me despedir, Amy – o moreno revelou sem rodeios.
- Mas eu pensei que você só fosse viajar no final do mês!
- Sei disso. Eu só... preciso de um tempo para mim – ele disse.
- Harry, essa viagem é a trabalho. Isso não é tirar um tempo para você – Amy replicou. – Aconteceu alguma coisa? – repetiu a pergunta que fizera anteriormente.
Harry não respondeu. Amy estudou Harry com aqueles enormes olhos azuis por alguns instantes.
- É Hermione, não é? – concluiu. Mais uma vez Harry nada disse. – Bem, em outro momento eu diria “pare de ficar fugindo, Harry”, mas talvez seja mesmo melhor você passar um tempo fora da Inglaterra – Amy disse. – Eu não sei – e talvez seja melhor eu não saber – o que houve entre vocês dois e o que fez você tomar essa decisão, mas eu acho que vocês precisam de um tempo para colocar a cabeça no lugar. De qualquer modo, saiba que eu vou estar aqui esperando por você.
- Obrigado, Amy – Harry agradeceu.
- Eu te amo, Harry Potter – Amy disse antes de abraçá-lo e beijar uma de suas bochechas enquanto afagava os cabelos negros dele, os olhos enchendo-se de lágrimas.
Harry retribuiu o abraço e fechou os olhos, trincando a mandíbula.
- Eu te amo, Amy Mackenzie.
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- Apaixonada, com muitos assuntos pendentes e tantos segredos – Jane murmurou para a filha, enquanto afagava seus cabelos e secava suas lágrimas. – Filha, como você pôde deixar que as coisas chegassem a esse ponto? – Suspirou. – É claro que isto não é um sermão. Estou só preocupada com você, com a minha neta e... – Ela não continuou, mas Hermione entendeu o que a mãe queria dizer. – O que você pretende fazer, querida?
Hermione baixou os olhos, respirou fundo e tornou a olhar nos olhos castanhos de sua mãe.
- Eu não sei, mamãe.
Jane apertou as mãos da filha.
- Herms – Jane tocou o peito da filha –, aqui dentro você já sabe o que fazer, o que deve fazer. – Sorriu maternalmente. – Siga apenas o que seu coração está mandando você fazer. Não é hora para pensar no que virá depois. Ele tem o direito de saber, e você tem o direito de ser feliz. E se você só será feliz ao lado dele, talvez essa seja a hora de contar.
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Ele atravessou o hall rumo à porta, a mochila da filha pendurada no ombro. A mulher loira vinha logo atrás dele, trazendo sua filha no colo.
- Obrigado, Hall.
- Ficar com Zoe sempre é maravilhoso, Harry – Hallie dispensou o agradecimento. – Justin não vai ficar muito feliz quando souber que você a levou de volta e ele não pôde se despedir – brincou.
- Para onde nós vamos, papai? – Zoe perguntou.
Ao perceber a hesitação de Harry, Hallie respondeu:
- Vocês estão indo para o Brasil, minha querida. Sabe onde é?
- É longe, não é?
- É, sim, muito longe – Hallie assentiu. – Olha, Harry, eu estou pensando seriamente numa maneira de impedir você de levá-la – Hallie disse. – São dois meses e meio, Potter! Você não podia fazer isso com essa tia coruja.
- Eu prometo que você poderá passar um mês com ela, se quiser, quando nós voltarmos – Harry disse.
- Está falando sério? – Hallie arqueou uma sobrancelha.
- Não – Harry admitiu, rindo. – Mas poderá passar uma semana. Prometo.
- Vou fazer melhor. Vocês retornam à Europa em meados de agosto, certo?
- Certo.
- Bom, eu sei que você não será capaz me impedir de passar o aniversário de Zoe com ela, e eu estou sabendo que você estará em Frankfurt no final de agosto.
- Onde fica Frankfurt? – Zoe interrompeu.
- Na Alemanha, querida – Harry respondeu. – E, sim, Hall, eu espero estar em Frankfurt no final de agosto, se nenhum imprevisto me pegar pelo meio do caminho.
- Muito bem, então eu irei encontrar vocês lá. Eu e Justin.
- Wow, será ótimo. – Harry sorriu, então checou o relógio. – Hall, nós temos que ir agora. Já são 15h22 e o vôo sai às 16h25.
- Odeio essa história de chegar uma hora mais cedo no aeroporto. Parece que nós não temos outras coisas para fazer – Hallie murmurou. – E em uma hora dá para fazer muita coisa.
Harry riu.
- Tchau, Hall.
- Boa viagem, Harry – a loira desejou e se aproximou para beijar a bochecha da sobrinha. – Tia Hall vai sentir muitas saudades de você, minha fadinha.
- Eu também vou sentir saudades, tia Hall.
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Ela não pensara duas vezes antes de aparatar ali. Atravessou o beco e rapidamente chegou à rua, atravessando-a, os olhos fixos na enorme mansão do outro lado.
Sabia exatamente o que tinha que fazer. Não podia guardar aquele segredo por nem mais um dia. E havia mais. Ela não conseguia imaginar a reação do moreno quando soubesse de tudo. Esperava que ele não ficasse tão magoado quando ela lhe contasse a verdade que escondera por dois meses.
Sentiu os olhos arderem e parou imediatamente de andar, levando as mãos às têmporas. Uma visão estava vindo, ela sabia disso.
Harry tinha Zoe no colo e uma sacola pendurada no ombro e dois casacos nos braços. Ele estava atravessando uma porta de vidro, muitas pessoas seguindo o mesmo caminho que ele fazia. Agora o moreno atravessava um corredor comprido com largas janelas à sua esquerda. Ela pôde ver dois ou três grandes aviões através delas.
Então tudo sumiu e ela despertou ao ouvir o som estridente de uma buzina de carro. Moveu a cabeça rapidamente na direção em que o som vinha, contínuo. Então ela viu. O carro era grande e avançava rápido, a velocidade muito além dos sessenta quilômetros por hora permitidos naquela rua. Mesmo que o motorista freasse, não seria capaz de parar a tempo.
E, pela sexta vez em sua vida, ela estava vendo a morte de perto.