Seu vestido estava sobre a cama. Por sorte, conseguira um em tons leves e primaveris em meio à nova coleção séria e de tons escuros que a Whistles lançara. E o melhor: era bonito e prático.
Vestiu-o e estava ajeitando-o na cintura quando Chloe entrou no quarto em seu vestido azul bebê.
- Estou me sentindo mais velha com esse vestido – disse.
- Você está linda – Hermione disse, encarando-a pelo reflexo do espelho.
- O coque que Lauren fez ficou ótimo – a pequena disse, torcendo o pescoço para vê-lo no espelho.
- E você não queria ir ao salão, não é? – a mãe brincou.
- Seu cabelo também ficou bonito. Gosto deles assim, também... Lisos com cachos pouco acentuados nas pontas. E preso desse jeito.
- É o penteado comumente chamado menina-moça, o mesmo que eu sempre faço em você, só que Lauren fez o meu um pouco mais trabalhado com essa meia trança.
- Ficou diferente – Chloe comentou. – E seu vestido é realmente bonito.
Hermione tornou a ajeitá-lo.
- É, não é? – fez, observando-o no espelho.
O vestido terminava acima do joelho e era estampado em tons muito claros, exceto pelo preto, que aqui ou ali manchava o tecido. A faixa verde dava um toque final ao desenho da peça, compondo as alças cruzadas às costas e tornava à frente na altura da cintura antes de voltar às costas para finalizar com um laço cujas pontas desciam até a barra do vestido.
Sentou-se para calçar o scarpin preto de salto agulha cuja textura oscilava entre o fosco e o envernizado com pequenas pedrinhas de brilhante desenhando a lateral externa do sapato.
No instante em que Hermione colocou-se de pé novamente, a campainha tocou.
- Já são 19h? – fez, surpresa.
- 19h01 – Chloe respondeu.
- Ah, meu Deus! – Hermione exclamou enquanto precipitava-se escada abaixo com Chloe em seu encalço.
Segurou a maçaneta, respirou fundo e abriu a porta. A esta altura, Daisy já estava abanando o rabo, agitada, em meio às suas pernas.
- Harry – cumprimentou brevemente.
- Hermione. Chloe.
Hermione prendeu a respiração. “Chloe!”, sua mente gritava o nome da filha. Esquecera-se completamente dos olhos de Chloe. Agradeceu mentalmente por não ter acendido a luz do hall, que estava parcialmente iluminado pela luz que vinha das escadas. Virou-se para a filha e concentrou-se exclusivamente nos olhos dela. E, num piscar de olhos... Pronto! Estava feito.
- Chloe, anjo, você pode subir e desligar as luzes? E traga a minha bolsa, por favor. Está em cima da cama – pediu à filha.
- Tudo bem. Eu já volto – Chloe disse antes de subir as escadas.
- Quieta, Daisy! – Hermione exclamou para a cadela, que aquietou-se e sentou-se automaticamente.
- Impressionante! – Harry disse, sorrindo.
- Alguns anos de prática – a morena disse, também sorrindo.
- Não só isso.
Hermione encarou o moreno de olhos verdes um tanto quanto confusa.
- É impressionante como você consegue me surpreender sempre.
- Que bom. Isso significa que continuo a mesma sabe-tudo imprevisível de sempre – ela disse, divertida.
Harry riu e balançou a cabeça.
- Eu pensei que você não pudesse ficar mais bonita, e mais uma vez você me surpreendeu – disse e observou Hermione desviar os olhos, o rosto enrubescendo.
- Eu vou colocar Daisy para dentro – foi tudo o que disse. – Fique à vontade, eu volto num minuto.
- Estou bem aqui fora. Zoe está no carro e eu quero ficar de olho nela – Harry explicou, tranquilizando-a.
A morena limitou-se a assentir e saiu, Daisy seguindo-a de perto. Chloe voltou à sala no mesmo instante em que Hermione sumiu de vista.
Ela lançou olhares discretos ao moreno, mas sempre voltava a baixar os olhos, claramente desconfortável.
Hermione voltou e se aproximou da filha, que entregou-lhe algo.
- Você leu meus pensamentos, anjo – disse em tom brincalhão.
Ela colocou o fino cordão de ouro que continha pequenas imagens do Sagrado Coração de Cristo e da Nossa Senhora posicionados um abaixo do outro, finalizado com uma pequena cruz. O cordão complementava o seu conjunto de jóias escolhido para aquela ocasião.
Os pequenos brincos que usava eram discretos em seus três furos em cada orelha, sendo dois pares de brilhantes e o terceiro e principal que continha os três ouros: branco, amarelo (tradicional) e vermelho (rosado). A pulseira que usava no pulso direito era também fina e de ouro, com quatro símbolos de proteção pendentes. Seu relógio suíço era minúsculo e também de ouro fora de sua bisavó e ocupava o pulso esquerdo. Nos dedos uma pequena aliança de ouro que sempre usava na mão direita e dois anéis maiores no mesmo dedo da mão esquerda.
- Vamos? – perguntou.
Chloe automaticamente saiu e desceu as escadas, alcançando o Maserati Gran Turismo de Harry. O moreno, entretanto, apenas abriu espaço para que Hermione pudesse sair. Ela fechou a porta às suas costas e sorriu ao ver que o Harry lhe oferecia o braço, aceitando-o.
- Ansiosa? – ele perguntou quando já estavam dentro do carro. Chloe e Zoe estavam conversando no banco traseiro e não prestavam atenção.
- Um pouco nervosa, na verdade – Hermione disse.
- Podemos voltar quando você quiser – Harry disse.
- Não precisa se incomodar comigo, Harry. Não quero que você deixe de aproveitar a festa por minha causa – Hermione dispensou. – Quando eu achar que está na minha hora, eu volto com Chloe.
- ... cheiro de carro novo – ouviram Chloe dizer.
Hermione viu Harry rir e olhou as duas pelo retrovisor.
- O que tem “cheiro de carro novo”, Chloe? – perguntou.
- Eu disse que gosto de cheiro de carro novo.
- E eu disse que papai trocou de carro no mês passado, mas que ele não é muito criativo, porque trocou por um igual ao que ele tinha – Zoe disse.
Todos riram, até mesmo Zoe, sem nenhuma consciência do porquê de estar rindo.
- Os carros são diferentes, Zoe – Harry disse, encarando a filha pelo retrovisor, enquanto ela fazia o mesmo.
- Sim, eles são, mas têm o mesmo nome.
Harry sorriu e estava pronto para explicar à filha quando Hermione tocou a sua mão direita, que estava apoiada na marcha. Ele interrompeu-se automaticamente e voltou sua atenção para a morena, que lhe sorriu. Ele entendeu, então, que ela compreendia o leve constrangimento dele e que não era preciso explicar nada. Ele só não sabia que ela iria tomar a palavra para si:
- Deixe-me explicar, Zoe – ela começou. – Provavelmente, o carro que seu pai tinha era um modelo mais antigo desse mesmo carro e, com o passar do tempo, ficou ultrapassado. E como ele já conhecia o carro e gostava deve, optou por trocá-lo pelo modelo mais novo, entendeu?
Zoe não respondeu. Ela pareceu ponderar a respeito, assentiu quase que imperceptivelmente e permaneceu quieta, ainda pensativa.
Hermione, por sua vez, lançou um olhar a Harry. O moreno acenou brevemente com a cabeça, os lábios retorcidos numa linha fina que, no escuro, Hermione não soube dizer se ele sorria ou se trincara a mandíbula, desconfortável. Mas, a julgar pelo aceno, supôs que ele apenas agradecia silenciosamente a ela.
- Fique tranqüilo. Mesmo Chloe, que é mais velha, faz esse tipo de comentário – disse e sorriu. – Acho que nossas filhas em muito se parecem.
Harry, entretanto, riu e balançou a cabeça em negativa.
- Chloe é muito fechada. Já Zoe... É o oposto – comentou. – Quem quiser se aproximar de Zoe certamente não encontrará nenhuma resistência.
- É, acho que eu pude perceber isso – Hermione concordou.
“Você também me acha fechada, mamãe?”
“Acho que você se parece comigo em mais esse aspecto, e acho que Harry também concorda comigo”, Hermione pensou, em resposta. “Ele se identifica com você também. Acho que deveria tentar se aproximar um pouco dele”.
Esperou a resposta de Chloe, mas esta não veio. Em lugar disso, a garotinha tornou a conversar com Zoe:
- Ainda falta muito?
- Vai ser na casa da vovó Molly. Os filhos dela têm casas lá, inclusive o tio Rony – Zoe disse, sem responder à pergunta de Chloe.
“Rony? Ronald Weasley?”, Chloe dirigiu-se à mãe. “É o amigo do qual você falou, não é?”
“Sim, anjo. Nós estamos indo para A Toca, a casa dos Weasley”, Hermione respondeu. “O aniversário é da filha dele”.
- ... eu não sei chegar lá, mas papai sabe – a voz de Zoe interrompeu o diálogo. – Falta muito, papai?
- Acabamos de sair da cidade, agora não falta muito – Harry respondeu.
Hermione esperou que as pequenas retomassem o diálogo para, então, falar:
- Você não me disse que iríamos à Toca.
- Pensei que você soubesse. Ou, pelo menos, tivesse visto – o moreno disse.
- Eu não costumo ler a mente das pessoas até que seja necessário ou que eu seja convidada a fazê-lo.
- Tudo bem. – Uma pausa. – Gui, Carlinhos, Rony e Gina mantêm casas n’A Toca. Gui e Rony moram lá permanentemente, enquanto Gina e Carlinhos passam algumas temporadas por lá. No caso da caçula, quase todo fim de semana ela está lá com Draco e Sarah. Carlinhos, por outro lado, ainda reside na Romênia com Deborah e Jared. Eles vêm uma vez a cada dois meses.
- Hum – Hermione fez. – E quantos anos têm a filha de Draco e Gina?
- Oito. E Jared, filho de Carlinhos e Deborah, seis – Harry respondeu, depois riu. – Vai ficar impressionada com a quantidade de netos que o Sr. e a Sra. Weasley têm.
A morena riu também.
- Imagino. Muitos filhos, netos em dobro.
- Mais que isso. Já são doze, mas Fleur e Deborah estão grávidas.
- Então não são mais que quatorze, Harry.
- Errado de novo. – Harry tirou a atenção da rua por um instante e fitou-a. – Deborah está esperando gêmeos. São quinze.
Hermione não sabia se ficava surpresa ou não com o número. Ela já imaginava, mas sabia que quando chegasse à Toca o número ia ter um peso muito maior do que quando apenas dito.
- Eu imagino que você já tenha freqüentado almoços, jantares e outras festas com a família, não? – Ela viu o moreno assentir. – Deve ser uma loucura.
- E a cada ano fica pior. Só não tanto porque as crianças estão crescendo e muitos têm a mesma idade. Onze dos quinze nasceram entre o final de 1998 e o início de 2003.
- Ainda assim são cinco anos de diferença entre o primeiro e o último desse período.
- É, tem razão. Mas são crianças fantásticas, você vai ver.
- Eu não poderia imaginar que não o fossem, Harry. Eles são parte de uma família fantástica.
- Papai, não esqueça que domingo nós vamos almoçar na casa da vovó Molly. Tio Fred e tio Jorge combinaram de jogarmos Quadribol – Zoe lembrou.
- Eu estou lembrado, Zoe. – Harry sorriu para ela pelo retrovisor antes de fazer uma curva fechada e entrar numa estrada de barro.
- Vocês jogam Quadribol? – Chloe perguntou, e algo em seu tom traduzia o encantamento da garotinha.
- Sim – Harry respondeu. – Desde os tempos da escola.
- Harry se tornou o mais novo apanhador de todos os tempos – Hermione comentou. – Ele joga desde os onze anos.
- Você nunca recebeu convites para profissionalizar? – Chloe já estava abraçada ao banco de carona, olhando, fascinada, para Harry.
- Alguns.
- Mais de trinta – Hermione respondeu e Harry a encarou surpreso. – Você pensou nisso, e algumas revistas são boas fontes também.
- Mamãe, eu quero uma vassoura – Chloe exigiu.
- Chloe! – a mãe repreendeu e sabia que não precisava dizer mais nada; Chloe entenderia.
- Bem-vinda ao clube – Zoe disse, quase num sussurro.
Harry riu e Hermione suavizou.
- Quem sabe quando você entrar para Hogwarts? – fez para a filha.
- Papai diz a mesma coisa – a loirinha contou.
Naquele instante, duas casas entraram no campo de visão de Hermione. Uma delas tinha apenas uma luz fraca acesa, provavelmente vinda das escadas ou do hall, e a outra, mais atrás, estava bem iluminada e apresentava movimento em seu interior. Reconheceu a primeira como a verdadeira Toca, embora parecesse, mesmo no escuro, reformada.
- Onde está a casa torta que eu conheci? – perguntou, brincando.
- Pergunte a Gui quando encontrar com ele.
Harry estacionou o carro no telheiro e Hermione observou que os demais carros estavam espalhados pelos jardins. Checou o relógio de pulso. 19h37. Era cedo, concluiu. Mas por que havia tantos carros, então?
- Você disse que a festa começava a que horas mesmo? – perguntou enquanto rodeava o carro de modo a alcançar o moreno.
- Eu não disse.
- Acho que todo mundo já chegou – Zoe disse, expressando a mesma observação que Hermione fizera.
- É, parece mesmo – Harry disse e, já com Zoe no colo, ofereceu o braço a Hermione, que prontamente aceitou, ainda tentando entender o que Harry queria dizer nas entrelinhas de suas palavras. – A intenção era exatamente chegar depois que todos estivessem aqui. Assim, você seria uma verdadeira surpresa.
- Harry... – Hermione começou a repreender.
- A festa começou às 18h – ele finalmente respondeu.
- Você não devia ter feito isso, Harry – a morena disse, ainda em tom repreensivo. Ela detestava ser o centro das atenções.
Harry ignorou a fala da morena. Hermione suspirou. Houve um momento de silêncio. Chloe adiantou-se para ficar ao lado da mãe e deu a mão a ela, segurando-a firme.
- Não eram cinco casas? – Chloe perguntou. “Estava prestando atenção, hã?”, a voz da mãe ecoou em sua mente. – Só estou vendo duas.
- As casas de Gina e Carlinhos ficam atrás da de Rony e a de Gui fica do outro lado, um pouco mais afastada. – Ele apontou um ponto próximo das sebes altas por cima das quais, anos antes, os Weasley atiravam os gnomos durante o processo de desgnomização.
Agora eles estavam a poucos metros da porta da casa que Hermione julgara ser a de Rony; estava aberta. Hermione, naturalmente, conseguiu captar alguns diálogos, mas um, em especial, chamou sua atenção:
- Jorge, querido, onde está Rony? – ouviu Molly Weasley perguntar.
- Nos fundos com o pessoal – Jorge respondeu prontamente.
- E Lilá?
- Atrás da senhora – foi a própria quem respondeu, seu tom divertido.
- Ah, querida! Chame Rony por mim e avise que Harry chegou.
No mesmo segundo, a matriarca dos Weasley apareceu à porta, trajando um vestido roxo berrante.
- Harry, querido! Estava preocupada. Pensei que não viria m... – Ela estacou, boquiaberta. – Oh! Oh, meu Deus!
Hermione e Harry trocaram um olhar.
- Como vai, Sra. Weasley? – a morena cumprimentou, levemente constrangida.
- O que houve, mamãe? Você está branca! Parece que viu um fantas... – Rony interrompeu-se no meio da frase e seus olhos seguiram os de sua mãe, correndo de Hermione para Harry, e novamente para Hermione. – Hermione – sussurrou, por fim.
- Rony. – Ela acenou para ele e esboçou meio sorriso tímido.
Hermione mordeu o lábio inferior e soltou-se delicadamente do aperto que a mão de Harry ainda exercia em torno da sua. O ruivo avançou um passo, sem jeito, e parou. Então ele falou por cima do ombro:
- Lilá?
- Sim, Rony? – A loira apareceu a porta e a sua reação não foi muito diferente da que Rony ou Molly Weasley demonstraram. Ela pareceu balbuciar, admirada, alguns “wow” antes de finalmente conseguir dizer algo em voz alta, mesmo não atingindo mais do que um silvo fraco: – E-er... Deus, esta é mesmo Hermione Granger?
- Lilá, traga Reese aqui um instante – o ruivo ignorou a pergunta e pediu à esposa, sem virar-se para fitá-la.
- Claro. – E Lilá sumiu.
Foi nesse instante que Rony finalmente se aproximou de Hermione ao ponto de tocá-la, mas foi a morena quem lhe estendeu as mãos. Ele hesitou em aceitá-las, como se não acreditasse realmente que ela estava ali, diante de si, após tantos anos. Encarou Harry, que sorriu e assentiu uma vez, incentivando-o. Por fim, Rony segurou as mãos de Hermione e a abraçou em seguida.
- Mione...
- Rony – ela disse, sorrindo, enquanto seus olhos enchiam-se de lágrimas.
Quando afastaram-se, sorriram entre si e Hermione estendeu uma das mãos para Molly, que ainda a observava, os olhos marejados; ela parecia estar em choque.
Harry colocou Zoe no chão e aproximou-se de Molly, trazendo-a consigo para perto de Rony e Hermione.
Hermione abriu os braços oferecer um abraço àquela que sempre fora como uma terceira mãe para ela e a senhora ruiva não hesitou em aceitar. Chorava copiosamente em seu ombro, enquanto a própria Hermione lutava contra o nó que se formara em sua garganta.
- Minha menina, por onde você andou esses anos todos? Por que não mandou notícias? – Molly murmurava entre soluços.
- Por que estão todos tristes, papai? – Zoe perguntou.
- Eles não estão tristes, princesa. Estão chorando de alegria.
- É melhor entrarmos. Hermione poderá nos contar tudo em outra ocasião – sugeriu Rony.
- Sim, é melhor. – Molly desfez-se do abraço e acompanhou o filho, sendo amparada por ele enquanto secava o rosto e os olhos.
- Espero que nem todos reajam assim, ou Lilá me odiará por ter estragado a festa da filha dela – Hermione sibilou para Harry, que riu.
- Não acho que teremos mais choro. Você conhece a Sra. Weasley, sabe como ela é...
- Sim, eu sei – ela confirmou num sussurro, ainda sentindo o nó em sua garganta.
Finalmente adentraram a casa, seguindo de perto Rony e Molly. Lilá já estava de volta, acompanhada por uma garotinha ruiva, o nariz salpicado de sardas e olhos de um azul intenso.
- Hermione, esta é nossa filha, Reese – Rony apresentou, colocando uma das mãos no ombro da pequena e, com a outra, abraçando Lilá pela cintura.
- Como vai, Reese? Me contaram que seu aniversário foi terça-feira, então... Feliz aniversário – Hermione sorriu.
- Obrigada – Reese respondeu e sorriu timidamente.
- Vocês não têm só ela – Hermione observou.
- Oh, não. Temos um menino, também – Lilá disse, sorrindo.
- Sim, Phillip. Ele está com os primos lá dentro. – Rony acrescentou. – Venha, tenho certeza que os outros ficarão felizes em tê-la conosco.
Naquele momento, um garotinho ruivo passou correndo, atravessando a sala, quando Jorge Weasley o pegou.
- Epa, garotão! Assim você vai quebrar os cristais de sua mãe, e ela certamente não ficará feliz com isso – o tio disse.
- Certamente que não ficaria – Lilá disse, ainda que sorrisse para o filho.
- Mas Kyle pegou as moedas que o tio Fred me deu e disse que ia dar aos gnomos!
- Ele vai devolver, Phil – Rony tranqüilizou-o, pegando-o no colo de Jorge. – Então, Mione, este é Phillip. Phil, esta é Hermione, uma amiga do papai.
- Oi – o ruivinho acenou, sorrindo.
- Ele é a sua cara, Rony – Hermione disse.
- É o que dizem – o ruivo disse, orgulhoso.
- E esta garotinha... É sua, Hermione? – Lilá perguntou.
- Oh, sim. Chloe é minha filha.
- Pode soar repetitivo, porque tenho certeza que já lhe disseram algumas vezes, mas ela se parece muito com você – a loira observou.
- Muito mesmo – Rony concordou.
- Uau, impossível! Hermione Granger?! – Jorge finalmente se colocou, alto o suficiente para despertar a curiosidade de alguns presentes.
- ... veja, Arthur! – a voz de Molly chamou atenção de Hermione.
A matriarca dos Weasley vinha acompanhada pelo marido, por Fred, Gina e uma garotinha que podia muito bem ser uma versão loira da Gina de onze anos que ela conhecera.
- Eu. Não. Acredito! – Gina quase gritou ao ver Hermione e correu para abraçar a amiga. – Meu Deus, é você mesmo? Quando mamãe disse, eu quase ri da possibilidade...
- Calma, Gina, deixe-a respirar – Arthur Weasley disse, um tom divertido em sua voz. – Como vai, Hermione?
- É evidente que ela está bem, papai. A propósito, Hermione, os anos lhe fizeram muito bem – Fred brincou.
Hermione riu.
- Muito bem, obrigada. E espero o mesmo, Sr. Weasley – disse. – E, hum, Fred... Viu, ainda posso reconhecer vocês! – Ela riu – Espero que possa tomar isso como um elogio.
- Uh, é claro – Fred aproximou-se e abraçou-a.
- Senti falta de você e de suas peças.
- Pois espere até ver como eles estão dezenas de vezes piores – Gina disse.
- Melhores, você quis dizer, não? – Jorge corrigiu a irmã.
- Foi o que eu quis dizer. – A ruiva riu. – Ah, Hermione, você não imagina como fez falta esses anos todos! Perdi a conta de quantas vezes passamos tardes e mais tardes tentando adivinhar onde você poderia estar...
- Hem hem – alguém pigarreou.
- Amy – Hermione sorriu para a amiga.
Amy estava ao lado de Harry, com Zoe no colo e Chloe segurando a sua mão livre.
- É melhor você vir comigo, ou meu pai virá arrastar você até a mesa onde ele está – a morena de olhos azuis disse em tom brincalhão.
- Oh, e nós não queremos isso, certo? – Hermione brincou.
- Vocês vão me desculpar, pessoal, mas muita gente já soube que a Srta. Granger está aqui e estão todos exigindo a presença dela – Amy disse e puxou Hermione.
Os Weasley observaram as duas morenas se afastarem.
- Harry? – Rony chamou.
- Hum?
- Desde quando, cara?
- Ela está de volta desde novembro, mas eu só soube esta semana.
- Ela está tão bonita! – Molly comentou.
- Quem é a garotinha? – Gina perguntou, embora já imaginasse a resposta.
- Filha dela – Lilá respondeu de prontidão, confirmando as teorias da cunhada.
- É uma graça, não é? – Gina comentou. – Linda!
- Parece ser tímida – Arthur também exprimiu sua opinião.
- Hermione não me parece muito menos tímida que a garotinha – Fred disse.
- Ela só não está totalmente à vontade – Molly replicou. – Faz tanto tempo...
- Onze anos, mamãe – Rony concordou. – Onze anos...
- Bem, acho melhor ir cumprimentar o restante do pessoal – Harry disse.
- Vá lá, cara – Rony incentivou e observou o moreno se afastar.
Os Weasley dispersaram-se. Molly e Arthur seguiram para juntarem-se ao pessoal da antiga Ordem da Fênix, Fred fora atrás de Katie enquanto Jorge dissera algo como ir procurar “Carlinhos e Gui”. Lilá, por sua vez, tomou Phillip do colo de Rony e seguiu com ele e Reese para dar-lhes de jantar.
Rony e Gina, por outro lado, permaneceram ali.
- Ele me parece cauteloso. Demais. – Gina comentou, e seu tom era preocupado.
- E você acha que tem a ver com ela, não é?
- Estou convicta disso. As coisas não estão saindo como ele imaginava que seriam.
- Ela tem uma filha.
- Ele também, Rony – a ruiva replicou. – O fato é que muito tempo se passou e hoje cada um tem a sua própria vida. Não deve estar sendo fácil para nenhum dos dois, embora ela não demonstre tanto quanto ele.
- Harry nunca a esqueceu de verdade, Gina.
- Eu sei. E vemos isso nos olhos dele. Eles brilham a cada gesto, cada palavra dela... Ter ela de volta já é mais do que ele poderia esperar, mas ainda há esperança nele de que eles possam retomar o amor que viveram na adolescência – ela pontuou.
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- ... e eu não acho que ele vá suportar perdê-la de novo – Amy dizia ao pai, num outro ponto do aposento.
- Eu também não – Sirius concordou, com ar preocupado.
Eles observavam Hermione e Harry à distância. Hermione tinha Zoe no colo enquanto conversava com Remo Lupin, Alastor “Olho-Tonto” Moody e Nimphadora Tonks. Harry, por outro lado, conversava com Olivio Wood e Rony, mas os olhares que lançava a Hermione eram facilmente percebidos. Chloe ainda estava ao lado da mãe, mas parecia entretida em uma animada conversa com Sophie.
- Ela está tão bonita, tão cheia de vida... E a garotinha, Chloe... Uma princesinha! – Alissa comentou.
Aaron se aproximou com uma taça de vinho em cada mão e entregou uma delas a Amy.
- Porque eu sei que a minha esposa adora – sussurrou em seu ouvido e lhe beijou a bochecha. Amy sorriu e ofereceu-lhe um selinho. – Importam-se se eu roubar a sua filha por um instante?
- Já a roubou há dez anos, meu caro, e a mantém em cativeiro até hoje – Sirius brincou.
Alissa, Amy e Aaron riram.
- O que houve para você me roubar assim? – Amy perguntou, já afastada do pai e da mãe.
- Liah e Scott chegaram.
- Ah, isso! Tudo bem, melhor eu chamar Hermione. Chloe quer ver Liah – a morena disse e saiu atrás da amiga. – Com licença um instante... Infelizmente vou ter que tirar nossa querida Hermione de vocês por alguns minutinhos.
- Sem problemas, Amy – Lupin disse, sorrindo.
- Mas só porque é você, mocinha – Tonks acrescentou.
- Ah, obrigada! Eu juro que a trago de volta – prometeu antes de puxar Hermione consigo. – Liah chegou.
- Eu pensei que ela não viria mais...
- Hoje é aniversário de Ethan, então nós fomos todos almoçar na casa dele. Liah e Scott saíram um pouco mais cedo que eu e Aaron, mas como Scott é superprotetor demais, então... Se Liah não descansasse pelo menos três ou quatro horas, ele não a deixaria sair da cama.
- Eu compreendo. E para as poucas vezes que ela pode sair de casa, hoje foi um dia um tanto pesado, não?
- Sim, mas falta pouco agora – Amy comentou. – Mas ande logo, Herms!
- OK, OK! Vou chamar Chloe – Hermione disse, por fim.
Amy esperou que a amiga fosse e voltasse para que, juntas, fossem receber Liah. Aaron juntou-se a elas já do lado de fora da casa.
Liah e Scott vinham de mãos dadas atravessando o gramado. Aparentemente, a morena apoiava-se no marido e caminhava o mais cuidadosamente que podia. O vestido longo e tomara-que-caia de Liah era azul marinho com flores em tons de azul e perolado, acompanhado de uma echarpe também azul marinho.
- Liah! – Chloe correu ao seu encontro, parando à pouca distância, com medo de provocar qualquer dano à saúde da madrinha e do bebê que ela esperava.
- Chloe, meu pingo de gente... – Liah estendeu a mão para a afilhada, parando de andar por um instante.
A garotinha se aproximou e segurou a mão de Liah, apertando-a bem forte, os olhos cheios de lágrimas sorrindo como seus lábios.
- Não acho que eu ainda seja um pingo de gente – Chloe disse, sorrindo.
- Ah! – Liah suspirou em meio a um riso. – Não, é claro que não. Mas para mim, sempre vai ser o meu pingo de gente. – Sorriu carinhosamente para Chloe. – Que saudade, pequenina! – Ela abraçou-a, de lado, deixando a mão de Scott para trás.
- Então essa é a garotinha da foto, hã? – Scott sorriu para Chloe.
- Sim, é ela. Chloe é a minha afilhada. Chloe, esse é meu marido, Scott – Liah apresentou e, de relance, viu Hermione, Amy e Aaron parados próximos à entrada da casa, aguardando-os. – Agora vamos. Quero dar um abraço em sua mãe.
- Tia Liah! – Gwen e Sean surgiram de algum lugar nos vastos jardins d’A Toca, correndo.
- Sean! Gwen! – Aaron chamou atenção dos filhos, que pareceram entender o recado e diminuíram o passo ao se aproximar da tia.
- Ai, que vontade de apertar essas bochechas gostosas da tia! – Liah brincou enquanto retomavam a caminhada rumo à casa de Rony.
Gwen e Sean não acompanharam o caminhar lento de Liah e correram de encontro aos pais, que ainda estavam parados ao lado de Hermione à porta da casa de Rony. Chloe, por outro lado, vinha segurando firmemente a mão da madrinha.
Liah segurava firmemente a barriga de seis meses com a mão livre, enquanto Scott a abraçava de lado pela cintura. Agora eles juntavam-se ao grupo que os esperava.
Aaron foi o primeiro a cumprimentá-la, depositando um casto beijo em sua testa, abraçando-a em seguida.
- Aaron, não faça como se não me visse há dias – ela brincou com o irmão.
- É bom não tentar dizer isso ao Ethan – Aaron avisou.
Scott riu atrás de Liah e ela lançou-lhe um olhar fulminante.
- Desculpe, mas você pedir isso ao Aaron ou ao Ethan é como pedir o dia não virar noite – o marido disse.
- Não ligue para eles, Liah – Amy interveio. – Vamos entrar, já estão todos aí.
- Eu não disse, Olivier? – Liah voltou-se para o marido com um ar de superioridade.
- É por isso que Liah é inesquecível! – Hermione cochichou para Amy, que assentiu, sorrindo.
- Eu ouvi isso – Liah avisou. – Scott, essa é a mãe de Chloe, e minha amiga, He...
- Sinto muito, Liah, mas eu vou ter que sequestrar a sua amiga por um instante – uma voz masculina interrompeu as apresentações e Hermione sentiu um braço possessivo em sua cintura puxá-la para longe dali.
- Como quiser, Potter. E pelo tempo que quiser – Liah gritou, aos risos. Amy e Aaron também riam, enquanto Scott os encarava confuso, tentando entender a piada interna. Para Chloe, nada estava claro o suficiente. – É, acho que eu terei que apresentá-los depois. Quanto a você, dona Chloe, quero que venha passar um fim de semana comigo. Pode avisar sua mãe que, se preciso, eu e Scott vamos pegar você em sua casa!
- Olha, isso foi uma intimação – Scott alertou.
Chloe riu.
- Eu vou falar com mamãe. Mas esse fim de semana eu vou para a casa de Marcia e Carl em Paris, então teremos que marcar para o próximo.
- Não tem problema. Mas, nesse caso, terei que cobrar uma visita dobrada.
- Whoa! Isso, sim, é um problema – Aaron brincou.
- Deixem de serem abusados! Vamos, Liah, vamos entrar – Amy afastou Scott e Aaron e caminhou com Liah e Chloe para dentro de casa.
- Quando essas aí se unem contra nós, ninguém as segura – Aaron comentou enquanto adentravam a casa.
- Liah sozinha já vale por um batalhão, e sua mulher não ajuda muito quando se junta a ela.
- Pois nós teremos problemas mesmo quando estiverem as três juntas. É aí que você vai saber o que é ser esquecido pela sua mulher.
- Três? – Scott indagou, confuso.
- É, a mãe da afilhada de sua mulher é a melhor amiga da minha mulher e morou por dois anos com Liah na Suécia. Dá para imaginar? – Aaron explicou, mas naquele momento Scott só tinha atenção para o casal que atravessava a porta da frente da casa, a mesma pela qual passaram instantes atrás.
- Aquela não é...
- Hermione Granger? Sim, é ela.
- ... a mãe de Chloe?
- Também.
Harry, que tinha a mão na cintura de Hermione, aproximou-se dos rapazes.
- Scott, deixe-me apresentar a você Helena Gauer.
- É um prazer conhecê-lo, Scott. É marido de Liah, certo?
- Helena Gauer? – Scott fez, cético.
Aaron riu.
- É, também pode-se dizer é ela.
Scott balançou a cabeça freneticamente e tentou pôr um sorriso no rosto antes de voltar a fitar Hermione.
- Desculpe-me, eu... É um prazer conhecê-la também, Hermione. – Ao dizer o nome verdadeiro da morena, Scott lançou um olhar significativo a Harry. – E maior prazer é saber que estou diante de Helena Gauer.
- Ah, você já ouviu falar sobre mim, então – e aquilo não era uma pergunta.
- Quem nunca ouviu falar em Hermione Granger ou Helena Gauer?
Hermione ruborizou e baixou os olhos por um instante.
- Bem, eu acho melhor ir falar com Liah. Eu... ainda não pude cumprimentá-la – e ela lançou um olhar de soslaio para Harry.
- Eu vou com você.
- Não, Harry, fica – Hermione pediu e baixou a voz para que somente ele ouvisse, embora seus olhos estivessem sobre Scott. – Scott quer lhe dizer algo.
- Tudo bem – ele assentiu e observou-a se afastar para juntar-se a Liah e Amy.
- Agora estão todas juntas – Aaron disse a Scott. – E nós somos três homens abandonados pelas suas respectivas amadas.
- Nesse aspecto vocês são mais sortudos do que eu – Harry murmurou, desgostoso. – Há reciprocidade.
- Liah nunca me disse que tinha morado com ela na Suécia – Scott comentou.
- E ela morou? – Harry fez, surpreso. Lembrava-se de Hermione ter dito que morara na Suécia, mas não sabia que ela conhecia Liah, muito menos que chegaram a morar juntas.
- Morou – Aaron confirmou. – Por dois anos. Liah é madrinha de Chloe, Harry.
- E por falar nisso, Potter, você ainda tem que me explicar direito essa história.
- O quê? Eu disse que ela tinha voltado – Harry brincou com Scott.
- É – Scott trincou o maxilar. – Você disse.
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Hermione colocou Zoe na cama e a cobriu.
- Durma bem, raio de sol – sussurrou antes de depositar um beijo no alto da testa da loirinha.
Apagou o abajur e fechou a porta cuidadosamente ao sair. Seguiu então para aquele que um dia fora seu naquela enorme mansão. Chloe dormia profundamente na enorme cama king size. Suspirou pesadamente.
- Eu já disse que vocês podem ficar aqui se quiserem – Harry ofereceu pela quarta vez aquela noite.
Ele estava recostado no portal da porta, observando mãe e filha no quarto que ficara desocupado por tanto tempo.
- É um convite bastante tentador, mas eu não posso ficar. Eu disse que seria melhor virmos direto para cá somente por causa de Zoe, que veio dormindo o caminho todo, mas eu e Chloe temos que ir para casa.
- E agora Chloe está dormindo.
Hermione riu.
- Harry, eu tenho que descansar se quiser ir para a festa de amanhã. Os últimos dias foram demasiadamente cansativos e eu estou um caco.
- Não, você está deslumbrante – Harry disse e se aproximou dela.
Hermione riu mais uma vez.
- Harry...
- Shhh... – ele tocou os lábios dela com o dedo, calando-a, depois contornou-os suavemente. – Eu senti a sua falta, e ainda sinto, então não me repreenda por simplesmente querer que você preencha o lugar ao qual você pertence em minha vida.
- Eu não o estou repreendendo.
- Que bom, porque você sabe que eu não vou desistir de você.
- Eu não gostaria que desistisse. Mas eu preciso de tempo. Eu preciso regularizar a minha vida, e eu tenho Chloe... E ela sempre virá em primeiro lugar, Harry.
- Eu não me importo. Zoe também vem em primeiro lugar – ele disse e afagou o rosto de Hermione com as costas da mão.
Hermione então saiu do alcance de Harry, deixando o quarto. Atravessou o corredor e rumou para a enorme sala que havia no segundo pavimento da casa. Harry a seguiu, exatamente como ela previra. Ela se aproximou da janela e ficou ali, sentindo o vento lamber seu rosto. As mãos quentes do moreno pousaram sobre seus ombros nus, e ela fechou os olhos. Sentiu-o afastar seus cabelos e depositar um cálido beijo em seu pescoço.
Inclinou a cabeça para o lado e ele beijou um ponto próximo à sua mandíbula, fazendo-a estremecer com o toque.
Sem mais, ela virou-se para ele e deixou-se ser beijada. Um beijo intenso, saudoso, porém calmo.
- Eu preciso ir – ela disse ao findar o beijo e afastar-se, olhando-o nos olhos.
- Hermione...
- Harry, você é um homem maravilhoso. Qualquer mulher daria tudo para estar com você. É só que... é complicado.
- Algum dia você vai me contar exatamente o que é tão complicado?
Hermione mordeu o lábio inferior e levou a mão ao rosto do moreno, acariciando-o.
- Um dia – prometeu. – Um dia, eu prometo, vou te contar tudo.
Ela puxou-o para si e beijou-o brevemente.
- Por você, Harry, eu voltaria rastejando se preciso – disse antes de beijar sua bochecha e sumir pelo corredor.