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39. Capítulo XXXIX


Fic: Harry Potter e a Wendelin Phoenix.


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Mais um ano letivo estava chegando ao fim; agora faltavam apenas dois meses. Logo completariam onze anos desde a batalha épica que fora travada naqueles mesmos jardins que agora admirava através da vidraça da janela. Desde então, a calmaria reinara sobre a milenar Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts.


A sala estava vazia. Sua última turma saíra cinco minutos antes; alunos quartanistas da Corvinal e da Sonserina.


Os ruídos quase inaudíveis às suas costas indicavam que os materiais que estavam sobre as mesas e dentro do enorme armário de carvalho antigo ainda se movimentavam e assumiam uns os lugares dos outros. Esperou que tudo se assentasse e virou-se para a sala. Baixou os olhos para sua mesa. A turma que estava a caminho era formada por setimanistas da Grifinória e da Sonserina. As sextas-feiras eram dias de trabalhar com alunos sonserinos; somente uma das seis turmas que tinha não contava com a presença deles.


Batidas à porta fizeram-na apurar os ouvidos. Apesar do barulho que vinha do corredor, ainda não era a sua turma que estava lá fora; eles teriam entrado sem a menor cerimônia.


- Entre – ordenou.


Com um estalido mínimo, a porta se abriu.


- Professora McGonagall – uma voz grave e rouca atravessou a sala. Não foi preciso que ela erguesse os olhos para saber de quem se tratava.


- Hagrid, não deveria estar na Floresta? Os quartanistas da Sonserina que estavam comigo teriam aula com você, que eu saiba.


- Sim, professora. Sonserina e Lufa-Lufa – o meio-gigante confirmou. – Mas alguém pediu para ver a senhora.


Isso fez com que a professora de Tranfiguração erguesse, finalmente, os olhos para encará-lo.


- Ora, mas eu não me lembro de estar esperando ninguém, Hagrid. – Ela caminhou por entre as mesas e cadeiras de encontro à porta. – E minha próxima turma já está a caminho...


Hagrid então se afastou, como que abrisse caminho para alguém.


- Desculpe, professora. Eu não queria incomodar. Disse isso a Hagrid, mas ele insistiu que a senhora iria me receber... – uma voz feminina começou a explicar, mas Minerva não permitiu que ela continuasse.


- Srta. Granger! Ah, Hagrid, por que não me disse antes que era ela? A deixou esperando aí fora... – Ela adiantou-se para cumprimentar Hermione. – É um prazer revê-la após tantos anos, querida. – Sorriu maternalmente.


- Eu acho melhor deixá-las a sós. Meus alunos já devem estar me esperando – Hagrid disse.


- Tudo bem, Hagrid. Obrigada – Hermione agradeceu.


- Passe mais tarde na minha cabana para conversarmos e Chloe conhecer Grope. – Ele sorriu simpaticamente para mãe e filha.


- É claro – Hermione assentiu e observou o meio-gigante acenar para Chloe enquanto se afastava.


- Ele vai mesmo me apresentar um gigante? – Hermione viu os olhos de Chloe brilharem diante da hipótese.


- Sim, ele vai – confirmou, sorrindo. – A propósito, professora, esta é Chloe, minha filha.


- Ah, é claro! Seus avós já me falaram sobre você, Chloe. E, Hermione, devo dizer que ela é você aos onze anos – Minerva comentou.


Vislumbrou, então, seus alunos se aproximando no final do corredor.


- Uma pena que meus alunos tenham chegado. – Ela disse e deu um passo para fora da sala, ficando ao lado de Hermione à porta.


- Eu não quero atrapalhar nada, professora. Se quiser, posso esperar.


- Oh, não! Podemos conversar enquanto eles se acomodam – Minerva disse, balançando a cabeça. – E então, Chloe vem para Hogwarts em setembro?


- Só ano que vem, na verdade – foi a própria Chloe quem respondeu.


- Ela completa onze anos somente em fevereiro. Vai passar o próximo ano letivo inteiro estudando em casa.


- A senhora disse que meus avós tinham falado a respeito de mim. Onde os encontrou? – Chloe disparou assim que a professora abriu a boca para dizer algo, interrompendo sua linha de pensamento.


- Eles vieram aqui há alguns anos conversar com Dumbledore e eu estava presente.


Epa! Hermione não sabia disso. Perguntou-se que assuntos seus pais teriam para tratar com Dumbledore. Nada lhe ocorreu. Eles sabiam que Chloe seria uma bruxa , se é que isso poderia ser uma dúvida mesmo para eles – era inevitável, mesmo que o pai de sua filha fosse trouxa. E ela já tinha se formado, também.


Agora, por outro lado, perguntava-se como eles chegaram à escola. Trouxas não podiam encontrar lugares mágicos, e Hogwarts certamente se incluía nisso. “Dumbledore sabia”, ela concluiu. Ele sabia que eles viriam e, provavelmente, teria providenciado a visita de um modo mais fácil para seus pais.


“Uau, quem é ela?”


- Será que ela vai substituir McGonagall? – ela ouviu alguém sussurrar.


- Eu não sei, mas eu realmente não me importaria – alguém respondeu, ainda num sussurro.


“Não pode ser! Hermione Granger está em Hogwarts?”, um pensamento de uma garota ecoou em sua mente.


- É, é ela mesmo – uma outra voz respondeu à uma pergunta que ela não fora capaz de captar diante de tamanho burburinho.


Percebeu que aqueles alunos que agora entravam na sala pareciam conhecê-la, e ela simplesmente não sabia como.


- Hermione, infelizmente eu preciso entrar e colocar ordem na sala. Os alunos parecem curiosos com a presença de vocês – a professora comentou, mirando cada um dos alunos que passava pelo corredor e que entrava na sala.


Hermione sabia que ela não podia ouvi-los como ela e Chloe – a essa altura ela já estava atenta a tudo –, mas os olhares curiosos que eram lançados a elas deixavam bastante claro o interesse que os alunos tinham para com as visitantes.


- Oh, não se preocupe comigo. É o seu trabalho, afinal. Além disso, receio que tenha tumultuando as coisas o suficiente por hoje.


- Creio que queira falar com Dumbledore. Bem, ele está na sala dele e provavelmente já sabe que você está aqui – Minerva disse. – Agora deixe-me entrar. E, se possível, nos dê o privilégio de sua companhia durante o almoço. Certamente os outros professores gostarão de vê-la aqui.


- É claro – Hermione sorriu. – Vemo-nos mais tarde, então.


A professora sorriu e entrou na sala, fechando a porta atrás de si.


- Por que está tão quieta? – Hermione indagou à filha.


- Eu estava distraída.


- E eu bem sei com o quê – a mãe arqueou uma sobrancelha, sabendo que a filha ainda vagava entre um pensamento e outro daqueles que passavam por elas. – Viu algo de interessante?


- Algumas coisas sim, outras nem tanto. – Chloe deu de ombros.


Silêncio.


- Jura que não ouviu nada? – a pequena indagou, descrente.


- Pouca coisa.


Mais silêncio. Hermione pegou a mão da filha e ambas começaram a caminhar rumo às escadas.


- Alguns dos alunos que passavam pareciam te conhecer – Chloe murmurou.


- É – Hermione suspirou. – E eu me pergunto como – murmurou muito baixo.


- Só consegui identificar que uns ou outros leram sobre você em algum lugar – a pequena disse, respondendo, em parte, à dúvida da mãe.


- Sobre mim? – Agora Hermione estava realmente surpresa.


- Foi o que eu disse, não?


- Estranho – pensou.


- Não muito. Eu ouvi relacionarem seu nome ao de Wesley.


Hermione riu.


- Os Weasley são uma família, Chloe. Provavelmente relacionaram meu nome aos dos Weasley. Ronald Weasley, talvez – disse. – E... Harry Potter.


- Eles, os Weasley, estudaram aqui com você?


Houve uma pausa em que Hermione deu um suspiro de resignação.


- Sim. E Rony e Harry, o pai de Zoe... Eles eram os meus melhores amigos.


Chloe pareceu pensar um pouco sobre aquilo, mas logo tornou a falar:


- Isso significa que eu já posso entender as demasias?


Hermione não se conteve e riu mais uma vez.


- Acho que isso é tudo que posso lhe contar por enquanto.


- Não pode nem me contar como foram seus anos em Hogwarts?


- Em outro momento – disse, mas viu a filha fazer beicinho. – Hoje à noite, ok? Assim estaremos os três juntos e poderemos contar tudo sem deixar passar nenhum detalhe.


Chloe parecia duvidosa e tinha uma sobrancelha erguida.


- Tudo bem – disse, por fim.


Quando finalmente chegaram ao saguão, deram de cara com uma figura alta, esguia, de barbas e cabelos compridos e brancos como a neve, que contrastavam com a túnica vinho comprida que arrastava ao chão e ao chapéu pontudo de mesma cor. Os olhos extremamente azuis e cintilantes, sorriam enquanto fitavam as duas se aproximarem através dos oclinhos de meia-lua.


- É um enorme prazer tê-la conosco mais uma vez, Hermione – a voz rouca do diretor ecoou no ambiente vazio. – E um prazer ainda maior poder finalmente conhecê-la, Chloe Ann.


“Ele é um Mangid, não é?”, Chloe indagou à mãe via pensamento.


Hermione assentiu discretamente, mas totalmente ciente de que ele também ouvia.


- Professor Dumbledore – Hermione cumprimentou-o brevemente, com um pequeno sorriso nos lábios.


- Hagrid me disse que você veio aqui na madrugada de ontem, mas eu estava fora, infelizmente. Resolvendo alguns assuntos com Nicolai Poliakoff e com Olímpia Maxime.


Hermione sabia que após Igor Karkaroff ser morto pelos Comensais da Morte, Poliakoff, o irmão mais velho de um dos rapazes que disputara o Torneio Tribruxo de 1994, que já era professor no Instituto Durmstrang de Magia e Bruxaria, assumira a direção


- Teremos Torneio Tribruxo no próximo ano, presumo.


- Oh, sim. Desta vez será em Durmstrang – Dumbledore assentiu.


- O último que tiveram foi em 1994, certo? Eu li a respeito. Tornou-se duvidoso o caráter do Cálice de Fogo e as escolas participantes, pelo menos Beauxbatons e Durmstrang, resolveram suspender o Torneio por tempo indeterminado. Bem, eu, particularmente, teria sugerido que o Torneio fosse retomado em 2002, já que Voldemort havia sido derrotado anos antes – Chloe comentou. – Eu pensei que levariam mais cem anos antes que fôssemos ver a um novo Torneio Tribruxo. Decerto as regras sofreram novas modificações após todos esses anos. Dezesseis, não é?


Dumbledore ouvia atentamente e Hermione apertara a mão da filha discretamente, de modo a repreendê-la.


- O quê? – ela fez para a mãe, num sibilar.


- Eu, particularmente, Chloe, devo dizer que você é uma pessoa de muitas opiniões formadas – Dumbledore disse, sorrindo. – Vamos, garotas. Acredito que poderemos estar mais confortáveis em meu escritório.


Hermione assentiu com um gesto breve e puxou Chloe. As escadas que levavam ao escritório do diretor já estavam ali, apenas esperando por eles. Seguiram Dumbledore. Chloe subia as escadas encantada e, ao chegar ao final delas, ficou encarando a gárgula.


- Ela te assusta? – Dumbledore perguntou.


- Não. Eu gosto dela – Chloe respondeu, virando-se para encará-lo. – Gosto de aves exóticas.


Dumbledore sorriu e Hermione não conteve um riso.


- Tem um vocabulário bastante vasto para alguém de apenas dez anos. Fez um bom trabalho, Hermione – disse. “Nesse aspecto ela também lembra um bocado você”.


- Obrigada, senhor – ela agradeceu e viu o diretor virar-se para abrir a porta.


- Chloe ficará encantada com Fawkes. Tem sorte de ela ter renascido há apenas quatro meses e estar sadia.


- Fawkes? – Chloe fez, sem entender.


- Uma fênix – Dumbledore explicou enquanto convidava-as para entrar em seu escritório. – Creio que a sua visita não seja apenas uma visita. Estou certo, Hermione?


- Absolutamente.


- E devo conversar com Chloe antes de conversarmos, certo?


- Sim – Hermione assentiu.


Estava levemente surpresa que o professor soubesse exatamente a que estava ali, embora não tivesse conhecimento do que Chloe era – ou do que Amy supusera que fosse.


- Se quiser visitar seu antigo aposento de monitora-chefe enquanto eu converso com Chloe, tem total liberdade para isso. Atualmente estamos com monitores-chefes da Corvinal e da Sonserina.


- Seria perfeito.


- Fique à vontade, Hermione. Decerto ainda sabe o caminho – o diretor lhe sorriu.


Hermione acenou brevemente, soltou um beijo no ar para a filha e seguiu por um corredor estreito, ladeado por archotes e antigas portas também estreitas de carvalho.


- Esta, Chloe, é Fawkes – ouviu Dumbledore apresentar antes de sumir pela sexta porta de carvalho.


---


- Quando vocês viajam?


- Iríamos no mesmo dia que você, mas como Mel deve nascer no início de julho, você estará liberado até o dia 7 de julho – Harry respondeu. – Está tudo planejado para o dia 28 de junho.


- Brasil, aqui vamos nós – Scott brincou. – Ficaremos no Rio de Janeiro?


- Teresópolis, provavelmente. É onde fica o Ministério da Magia brasileiro. Mas poderemos estender um pouco a estadia e visitar o Rio.


- E pretende mesmo passar parte das férias por lá?


- Sim. Ficarei duas semanas além do período programado pelo Ministério. De lá seguiremos para Lisboa. Não pretendo passar mais do que um fim de semana em Portugal. Depois Itália e Alemanha. E, quem sabe, não vamos a Cannes ou Nice?


- Ou os dois? – Scott comentou. – Juro que só não te acompanho por causa de Mel e Liah.


- É compreensível. Você vai estar louco para voltar antes mesmo de pisar em solo brasileiro – Harry riu. – E você faz o tipo papai coruja.


Scott deu um sorriso amarelo e jogou uns papéis que segurava no moreno de olhos verdes.


- Papai preocupado, talvez – corrigiu o amigo.


Harry riu.


- Por falar no assunto, como foi com Liah na consulta desta manhã? – perguntou.


- Está tudo bem com ela e com o bebê, mas não podemos deixar de tomar certos cuidados. O médico liberou que ela fosse ao aniversário de Reese, então provavelmente nos encontraremos depois do expediente.


- Acho que poderemos sair mais cedo hoje. Não há nada demais para ser feito. Segunda-feira, por outro lado... – Harry fez uma careta de desgosto.


- Você vai me desculpar, Harry, mas essa semana foi pura enrolação.


- Por que desculparia você por dizer algo que eu também diria? – Harry fez, arqueando uma sobrancelha. – Em parte a culpa é minha, afinal, fiquei fora por dois dias...


- Ah, francamente, Harry! O que são dois dias para quem vive para isso aqui?


- O suficiente para tudo desandar – o moreno respondeu. – De qualquer modo, acredito que poderemos almoçar em casa e ter a tarde livre para descansarmos um pouco antes desta noite. E, no seu caso, mimar a sua esposa.


Scott riu.


- Acho que ela precisa ser um pouco mimada – disse. – Vamos almoçar na casa de Ethan. É aniversário dele hoje – Scott comentou. – A propósito, Potter, não pense que esqueci do que me disse anteontem.


- E o que eu te disse? – Harry se fez de desentendido.


- “Você verá com seus próprios olhos, Olivier” – Scott repetiu exatamente o que Harry lhe dissera dois dias antes. – E eu estou ansioso para ver com meus próprios olhos – desafiou.


- Ah! Isso! – Harry riu. – Pois você verá, Olivier – prometeu.


---


Ela levou a mão ao pequeno buraco que se escondia atrás de uma pedra giratória e pegou a pequena chave de ferro que ali jazia. Perguntou-se se teria havido outro monitor ou monitora-chefe da Grifinória depois de Gina. Isabella lhe contara que, como supusera, a ruiva fora monitora-chefe no ano seguinte à formatura de Hermione. Mas e depois dela, quem teria ocupado aquele quarto?


Suspirou e deixou seus devaneios de lado. Abriu a porta e adentrou o aposento.


Estava escuro. As cortinas grossas de veludo cor de vinho estavam fechadas sobre as finas cortinas de seda branca e não se movimentavam. A cama de casal estava forrada e todo o quarto impecavelmente limpo. Não havia sinal de vida naquele quarto frio e sombrio. Era como se nunca tivesse sido ocupado, e nem de longe tinha o calor de quando ela era a ocupante.


Aquele lugar estava frio exatamente como estivera nos dias que sucederam a sua estadia na ala hospitalar da escola, sob os cuidados de Madame Pomfrey, e sombrio como nas noites em que passara em claro e chorara horas a fio.


Talvez todo aquele calor só estivesse ali por conta dos dias e noites que compartilhara com Harry. Talvez aquele lugar fosse como um templo que abrigaria momentos que estariam ali para sempre guardados. Talvez aquele fosse o templo do amor que ali se consumara.


De alguma maneira, sentia que aquele lugar seria para sempre seu. Para sempre seu... e dele, de Harry.


---


- Lune Magazine, em homenagem à dona.


- Muito comum, Blaise – ela descartou.


Luna e Blaise Zabini e Evanna Powter estavam na casa do Sr. Lovegood discutindo acerca dos assuntos dos novos projetos que tinham. Luna presenteara o pai dois anos antes com uma nova casa em Fulham, próxima à sua.


- Aimer Bien Magazine?


- Blaise! Isso é muito brega! – A loira revirou os olhos. Onde já se viu chamar uma revista de variedades de Amor Bom ou Muito Amor?


- É um bom nome – Evanna Powter ponderou. – Se estiver planejando escrever uma novela ao estilo mexicano.


- Éclat Magazine – o Sr. Lovegood, até então concentrado em talhar um pedaço de madeira numa placa de “bem-vindo” para colocar à porta da casa e, aparentemente, alheio à discussão, sugeriu.


- O que disse, papai? – Luna perguntou.


- Éclat Magazine – o Sr. Lovegood repetiu. – Não é um nome muito criativo e se aproxima muito mais de um nome para revista de fofoca, como a Star Magazine, mas foi o melhor que consegui pensar.


- Éclat... – Evanna repetiu. – É um bom nome – comentou e virou-se para Luna. – Uma palavra pequena e de impacto, francesa e cujo significado é brilho. Sim, é um bom nome.


- Talvez possamos fazer duas revistas. Assim teríamos como agradar a todos e mais espaço para cada matéria feita – Blaise sugeriu.


- Hum – Evanna tornou a ponderar. – É, é uma ideia a se considerar. Além disso, os lucros seriam ainda maiores se soubéssemos como dividir as matérias.


- E o que você sugeriria, Evanna? – Luna perguntou.


- Primeiramente teríamos que criar um grupo para gerir as duas revistas – disse e inclinou-se sobre a mesa de vidro, os dedos das mãos entrelaçados. – Deixem-me explicar. Seriam dois grupos pequenos de jornalistas, cerca de cinco a sete profissionais em cada uma das revistas. Então teríamos uma editora, neste caso, eu, que poderia cuidar de tudo, das admissões e da edição de ambas. É importante que tenhamos correspondentes externos e uma quantia em caixa reservado somente para as viagens que seriam necessárias.


- E qual a quantia em questão? – Blaise perguntou, interessado.


- A quantia que vocês pretendem investir é mais que suficiente para manter as duas revistas por pelo menos oito meses, com jornalistas correspondentes na França, Canadá e nos Estados Unidos. Para começar é o bastante. Mais tarde, se quiserem, podem pensar em programas de televisão.


- E os nomes, quais você sugeriria? – o Sr. Lovegood indagou, finalmente se colocando de novo.


- Acho que a sugestão do senhor, Sr. Lovegood, é perfeita para uma revista que fale sobre assuntos mais femininos – Evanna respondeu. – A Éclat Magazine poderia trazer artigos sobre estética, moda, entrevistas com personalidades famosas e casa e jardim, além da coluna social. Já a Echo Magazine traria notícias, entrevistas, artigos e colunas sobre atualidades e sobre quaisquer outros assuntos de seu desejo. E ambas, tanto a Éclat quanto a Echo seriam geridas pelo Grupo Echo Jornalismo e Publicidade.


- Eu acho os nomes ótimos – Blaise relaxou em sua cadeira. – E você, Lu?


- Eu também gostei. São curtos, marcantes e criativos – Luna opinou. – Papai?


- São nomes muito bons. Acho que vão agradar – o Sr. Lovegood disse.


- Então já temos os nomes das revistas. Podemos começar assim que vocês autorizarem – Evanna finalizou.


- Você tem carta branca, Evanna. Segunda-feira vamos conhecer o espaço em que a editora da revista funcionará – Luna disse.


- Como quiser, Luna.


---


- Receio que Amy possa estar certa, Chloe. Você pode ser uma Mangid, e tem características suficientes que indicam isso, mas existem características que fogem à regra.


- O senhor se refere ao fato de eu ter apresentado os dons muito cedo, certo?


- Você disse que tinha cinco anos quando começou a ouvir os pensamentos de sua mãe e reconheceu nela alguém como você – Dumbledore recapitulou. – O fato, Chloe, é que um Mangid somente demonstra maior facilidade em aprender coisas novas antes dos dezessete anos. É após a maioridade que começam a surgir novas habilidades, como ouvir pensamentos.


- Com o senhor foi como com a minha mãe e Amy?


- Sim. E isso me lembra que você, ao contrário de sua mãe, que é uma nascida trouxa, já tinha conhecimento da magia desde que passou a entender o mundo. Desse modo, eu poderia muito bem dizer que era algo totalmente normal você desenvolver dons que sua mãe desenvolvera somente mais tarde – Dumbledore disse, a voz branda. – O fato é que eu e Amy também crescemos sabendo que éramos bruxos e só desenvolvemos estes mesmos dons que você desenvolveu tão precocemente aos dezessete anos.


- E o que isso pode significar?


- Eu não sei, Chloe. Amy estava certa ao sugerir que estudássemos o seu caso mais de perto – o diretor parecia sério ao dizer isso. Então, ele encarou a garotinha por cima dos oclinhos de meia-lua. – Você está certa de que quer se submeter a isso?


- Sim, estou. E minha mãe já está ciente disso.


- E sabe o que isso significa, certo?


- Sim, eu sei – Chloe assentiu.


- Muito bem. Esperemos sua mãe voltar e eu conversarei com ela. Se preferir, Chloe, posso pedir que alguém leve você para conhecer o castelo.


- Tudo bem. Acho que minha mãe vai mesmo preferir que eu esteja longe enquanto conversam – Chloe disse, um sorriso brincando em seus lábios.


Dumbledore sorriu e observou-a levantar-se e se aproximar do poleiro de onde Fawkes a encarava.


- Ela tem um olhar inteligente – comentou, acariciando a cabeça da ave. – E é tão bonita...


Passos no corredor atrás do diretor chamaram sua atenção.


- Parece que mamãe chegou – Chloe disse após um suspiro, ainda sem tirar os olhos da fênix.


- Dumbledore? – uma voz feminina chamou, e Chloe soube que não era sua mãe.


- Alissa – Dumbledore cumprimentou a mulher de pele alva, cabelos negros como carvão que caíam lisos até o meio das costas e olhos igualmente negros. Ela vestia uma túnica negra que lhe cobria todo o corpo. – Alissa, esta é Chloe Ann, filha de Hermione.


- Hermione... Hermione Granger? – Alissa fez, aparentemente confusa.


Dumbledore assentiu.


- Chloe, esta é Alissa Black, mãe de Amy e professora de Aritmancia. Está em Hogwarts conosco há trinta anos. É ela quem vai levar você para uma volta nos terrenos do castelo.


- Olá – Chloe sorriu para Alissa.


- E então, vamos? – Alissa convidou, estendendo a mão para a pequena. Chloe lançou um olhar a Fawkes e sussurrou algo como “nos vemos depois” e depois a Dumbledore, que a incentivou a acompanhar a professora com um breve aceno.


O diretor observou as duas deixarem o seu escritório. Seus pensamentos giravam em torno de Chloe, e não somente pelo fato de ela representar uma criança diferente no sentido de suas anormalidades, mas no sentido de ter uma mente tão boa e tão aberta mesmo sem ter tido um pai.


Chloe tinha uma mãe maravilhosa, isso era incontestável, mas Dumbledore conhecera muitas crianças que, por não ter uma família bem estruturada, haviam se tornado pessoas difíceis, individualistas. E já fora comprovado que isso realmente mexia com a psique de uma criança e, mais tarde, do adulto em que ela se transformará.


Ele não tinha certeza se a garotinha já sabia quem era seu pai. Em momento algum a conversa que tiveram migrou para um ponto que se aproximasse do assunto, mas ele poderia conversar abertamente a respeito com Hermione, aproveitando a ausência de Chloe.


Hermione não demorou a chegar após a saída da filha. Ela voltou pelo mesmo lugar em que saíra quase cinquenta minutos antes.


- Senhor? – chamou.


- Pode entrar, Hermione – Dumbledore respondeu e, quando a morena já entrara em seu campo de visão, disse: – Chloe saiu com Alissa para dar uma volta pelo castelo. Achei que gostaria de conversar a sós.


Hermione sorriu.


- Eu estava mesmo me perguntando como conversaria com o senhor com Chloe aqui – murmurou.


- Sente-se, Hermione. E fique à vontade para começar quando quiser.


- Eu nada tenho a dizer, senhor. Eu só gostaria de entender o que minha filha é realmente, se é que ela é mesmo diferente.


- Sem dúvidas ela é diferente, seja uma Mangid ou o que quer que ela seja – Dumbledore disse. – É claro que só poderemos ter certeza se explorarmos a natureza dela, o que implica submetê-la a um treinamento com pessoas especializadas em desenvolver sensibilidade a poderes e habilidades incomuns. – O diretor fez uma pausa, em que entrelaçou os dedos sobre o colo. – Felizmente, temos Jason G. McCoy para nos ajudar nisso.


- E de que tipo de treinamento estamos falando? – Hermione perguntou, temendo que a resposta fosse exatamente a que esperava.


- Não é o mesmo a que submetemos você, Harry, Draco e Gina. Este treinamento é um pouco doloroso e exaustivo, porque serão estimulados todos os sentidos dela. A maioria dos ataques, por assim dizer, serão psicológicos, já que a maior parte das habilidades de um Mangid está ligada a isso.


- Era o que eu temia – a morena sussurrou, mais para si mesma do que para o diretor. – E quando ela começa?


- Vou falar com Jason e entrarei em contato com você. O treinamento é rápido, deve durar cerca de três semanas, com cinco encontros semanais. É importante que saiba que estaremos acelerando o processo de amadurecimento de Chloe e que ela terá todas as suas potenciais habilidades desenvolvidas durante esse período. Talvez seja isso que tema... que ela perca ainda mais de sua infância com isso, afinal, nem de longe ela parece uma garotinha de dez anos.


- Me preocupa muito mais o processo por que ela vai passar para desenvolver essas habilidades. O amadurecimento precoce já é uma realidade e, neste caso, apenas uma consequência – Hermione disse, seu tom assumindo um traço sombrio.

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