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35. Capítulo XXXV


Fic: Harry Potter e a Wendelin Phoenix.


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Olhando para Chloe naquele momento, ele teve certeza de que fora ela a garotinha que estava no Volvo que deixava York dois meses atrás, enquanto ele caminhava, desolado pela perda de sua bisavó, pelas alamedas da pequena cidade. E pensar que ele estivera tão perto de Hermione...


- Por que não senta, Harry? – a voz de Hermione o trouxe de volta.


- Eu... Uh! – Harry piscou com força e balançou a cabeça negativamente, a fim de livrar-se dos pensamentos e lembranças. – Desculpe!


Ele colocou Zoe na cadeira defronte a Chloe e ocupou a que estava de frente para Hermione.


- Então, Harry... Como você já deve saber, essa é minha filha, Chloe – Hermione a apresentou ‘oficialmente’.


- É, os traços não negam – ele sorriu. – Tem certeza que não a substituíram por um clone seu?


Chloe riu, mas aquela não parecia ser uma piada realmente nova para ela.


- É o que todos dizem. Não com as mesmas palavras, mas a essência é a mesma – Chloe murmurou. – E você é Harry Potter, não é? Todos te conhecem...


- Faço de suas palavras as minhas – Harry riu. – É o que todos dizem.


- Com licença – um garçom se aproximou. – Gostariam de pedir algo?


- Fique à vontade, Harry – Hermione disse. – Eu bebo qualquer coisa.


- Uísque? – Harry ergueu uma sobrancelha.


Hermione bufou e revirou os olhos. Então encarou o garçom.


- Uma garrafa de vinho, por favor – pediu e viu Harry sorrir. – E suco de laranja para as crianças.


- Vai fazer o pedido da refeição agora, senhora? – o garçom perguntou, enquanto anotava as bebidas solicitadas.


- Senhorita – Hermione corrigiu automaticamente.


- Oh, perdão, senhorita – o garçom desculpou-se.


- Hum, filet mignon ao molho madeira e salmão à moda da casa – ela pediu, sem sequer tocar o cardápio.


- Sim, senhorita. Vou fazer o pedido e em, no máximo, quarenta minutos estará tudo pronto – então o garçom se retirou.


Os quarenta minutos seguintes foram preenchidos por animadas conversas em que Zoe era a maestrina. Ela parecia fazer de toda e qualquer novidade algo esplendoroso. Contou a Harry que Chloe sabia falar onze línguas além do inglês e Hermione vinte e oito; que Chloe fazia ballet, como ela, fazia kung fu e ginástica olímpica desde pequena e jogava tênis; e que Chloe sabia tocar piano e estava aprendendo a tocar violino, e tudo sozinha!


A pequena chegou a sugerir, inteligentemente, que Chloe fizesse ballet com ela.


- É uma boa idéia – Hermione avaliou. – Ela está querendo fazer outros tipos de dança, mas se já temos uma academia, é provável que tenhamos qualquer um que ela escolha.


- É impressionante... Tal como a mãe! Eu só não entendo como vocês conseguem tempo para fazer tudo isso... – Harry murmurou, entre uma garfada e outra.


- Bem, ela só vai à escola, joga tênis, pratica kung fu e ginástica e, antes, fazia ballet – Hermione disse. – Não há nada de impressionante. É até menos do que todas as atividades que uma criança faz hoje em dia. E como Zoe disse, o restante ela aprendeu sozinha! Ela gosta de tentar coisas novas...


- Como você – o moreno comentou. – Até nisso são parecidas!


Hermione e Chloe se entreolharam e trocaram um sorriso, então Chloe voltou sua atenção para o prato de comida, quase vazio. Zoe também comia sozinha, embora ainda não soubesse cortar a carne.


- Ela está ficando parecida com você – Hermione comentou, apontando a loirinha.


- Você acha? – o moreno fez, surpreso.


- Sim. Ela já tem muitas coisas que são suas...


- Tia Hall disse a mesma coisa – Zoe entrou na conversa.


- Ah, Zoe, foi bom você falar em sua tia! Hall ligou hoje procurando por você. Ela tinha novidades – Harry contou à filha. – E imagino que você, como amiga, também vai gostar de saber – ele disse para Hermione.


- Ah, ela finalmente descobriu que está grávida! – Chloe exclamou. – Já não era sem tempo. Demorou, até! – fez, antes de enfiar uma boa garfada de comida na boca.


Harry olhou surpreso para Hermione.


- Nós já sabíamos, Harry – a morena disse, sorrindo sem graça. – Antes mesmo de ela saber.


- Eu vou ganhar um priminho? – os olhos de Zoe se iluminaram.


Hermione sentiu um breve transe tomar conta de si.


- Uma priminha – Chloe corrigiu, vendo a mente da mãe e antecipando sua visão.


Mais uma vez Harry lançou um olhar assustado para Chloe, e novamente olhou para Hermione, como que inquirisse a respeito de tudo o que a garotinha dizia tão despreocupadamente.


Hermione suspirou e descansou os talheres no prato.


- Chloe é alguém especial, Harry. Mais do que eu ou que Amy – ela disse. – Amy está pesquisando a respeito, mas achamos que ela é uma Mangid.


Harry franziu o cenho e apenas assentiu. Então lhe ocorreu uma idéia.


- Ei, Hermione! – ele também descansou os talheres no prato e bebeu um gole de água. – Quantos, exatamente, de seus antigos amigos você já reencontrou?


- Você, Amy e Bel – ela respondeu de imediato. – Por quê?


- Bem, acho que Rony e os outros gostariam de te ver... E, hã, sexta-feira à noite será a festa de aniversário de Reese, a filha mais velha de Rony e Lilá e...


- Espere um momento! Rony... E Lilá? – Hermione interrompeu-o. – Você está brincando, não é?


- Na verdade, não. Eles estão juntos há algum tempo... – Harry respondeu.


- Reese fez aniversário ontem, assim como Charlotte – Zoe disse.


- E quem é Charlotte? – Hermione inquiriu a Harry.


- É a filha de Zabini e Luna – o moreno respondeu. – Você nem imagina como as coisas mudaram!


- É, eu... estou vendo – a morena comentou, um tanto surpresa ainda, o cenho franzido. – Mas você ia dizendo...


- Então! Acho que o aniversário de Reese é uma oportunidade perfeita para você reencontrar os outros, e para fazer uma surpresa também. Você e Chloe poderiam ir conosco – ele sugeriu. – Todos eles ficariam felizes em ver você e saber que está de volta.


Hermione ficou em silêncio, ponderando.


- Hum – ela fez. – É, talvez seja uma boa idéia. 


---


Ele encostou o carro no meio-fio e desligou-o.


- E então? Não valeu a pena? – perguntou, virando-se para encará-la.


- Ah! – ela suspirou. O que dizer nessas horas? – Seu avô é uma pessoa fantástica, Christow!


- Sim, ele é. E gostou bastante de você – Herod comentou.


Tiffany riu e esfregou as mãos, encarando-as, sem jeito.


- Obrigada, Herod. Foi uma noite maravilhosa – ela fitou-o e sorriu.


- Disponha – ele assentiu com um gesto, observando-a sair do carro.


- Ah, que ótimo! – ouviu a morena exclamar.


- Algo de errado? – Herod indagou, baixando o vidro da janela do carona. Nenhuma resposta. Apreensivo, o loiro saltou do carro e alcançou Tiffany num átimo, postando-se ao lado dela. – Tiffany?


- Meu irmão – a morena disse, sem se mover.


- O que tem ele?


- He... – Ela virou-se para encará-lo, mas logo baixou os olhos. – Christow, é melhor eu entrar. Eles estão me esperando.


- Tudo bem e... – ele gesticulou e fechou a boca, mordendo os lábios. – Bem, até amanhã.


Herod deu um meio sorriso e, enfiando as mãos nos bolsos, deu a volta no carro e acenou antes de entrar e arrancar, sumindo em poucos segundos na noite densa e escura.


Tiffany atravessou os jardins bem cuidados de Cissa, ainda encarando o chão. Sabia que Draco estava em casa, só esperando por ela. Provavelmente inventara uma desculpa qualquer para ir à casa da mãe e se recusara a ir embora antes de ver a ‘irmã’. Perguntava-se o que estava acontecendo com o loiro, o porquê de tamanha marcação. De que ele desconfiava, afinal?


Pegou-se questionando a si mesma se ele teria trazido Gina e Sarah com ele. E seu pai, Thomas Haase, estaria em casa? Imaginou que sim, ou o Jaguar XF de Draco não estaria fora da garagem.


Abriu a bolsa e procurou pelas chaves de casa. Ao encontrar o pequeno molho, ocorreu-lhe uma idéia: por que não checava a garagem? Não queria ser pega desprevenida, certo?


E foi o que ela fez. Seguiu para a porta lateral da garagem e a abriu cuidadosamente, fechando-a atrás de si o mais silenciosamente possível. Então acendeu as luzes e verificou que seu carro, um


Lexus IS-F vermelho, estava exatamente entre outro Lexus IS-F – este preto, pertencente a seu pai – e um Mercedes CLC Coupé – prateado, pertencente a Narcisa, que o tinha apenas por necessidade.


É, aparentemente, seu pai estava mesmo em casa.


Apagou as luzes e caminhou para a outra porta, na extremidade oposta do aposento, que dava para o final do hall de entrada da casa. Ainda não eram muito mais do que 22h, então era bastante provável que todos estivessem acordados, embora, antes de sair, tenha pedido a Cissa para colocar as crianças na cama antes das 22h.


Entrou em casa e seguiu para a sala, de onde as vozes de Thomas e Draco vinham.


- ... Acho que o fato de ela fazer aniversário em dezembro vem lhe rendendo motivos para acreditar que pode ficar um semestre sem freqüentar a escola.


- Não deixa de ser compreensível, Draco. Para ela, completos os seus onze anos, não há necessidade alguma de continuar indo à escola, uma vez que irá para Hogwarts. E ela já percebeu que é mais velha que a maioria dos colegas dela.


- E o que eu posso fazer? Eu não pretendo que ela deixe de ir à escola. E Gina também acha que “é importante para a formação do caráter de Sarah, principalmente nos tempos de hoje, onde há uma discriminação arraigada nos bruxos com relação aos trouxas”.


- E ela está certa. É realmente importante que nós tenhamos contato com eles para entender que todos somos iguais, exceto pelo fato de nós podermos fazer coisas que não é possível para aqueles que não têm sangue bruxo. Mas você perguntou o que pode fazer, certo? Se ela não quer freqüentar a escola, então a coloque em cursos que sejam interessantes aos seus olhos. Sempre é uma boa opção, e pode ser muito útil para ela mais tarde. Estudar em casa não é um problema...


- Hum, é... Tem razão.


Tiffany apareceu na porta. Seu pai estava de costas para ela e Draco de frente para ele, ambos sentados nas poltronas próximas à lareira.


- E acho que pode ficar feliz, Tom. – Draco sorriu. – Ela pensa em ser medibruxa, como você.


Tiffany não resistiu e riu também, lembrando-se de que, com a idade de Sarah, ela própria queria ser medibruxa, somente porque achava o que o pai fazia fascinante – e realmente interessante. Arrependeu-se, pois acabou atraindo a atenção de Draco.


- Tiffany – Ele se levantou e aproximou-se dela, beijando-lhe a testa.


- Draco – ela cumprimentou-o, sem emoção. – Eu não acredito que você vai continuar atrás de mim, como se eu fosse uma criminosa – sibilou, fitando seus olhos com intensidade.


- E eu suponho que seja um equívoco ou muita presunção de sua parte imaginar que eu vim aqui atrás de você, querida irmãzinha.


Tiffany estreitou os olhos, lançando ao loiro um olhar duro.


- Papai! – Ela desviou de Draco e caminhou ao encontro do pai, beijando-lhe o rosto. – Imaginei que estivesse em casa.


- Uma hora os plantões têm que nos dar uma folga, certo? Na verdade, estou livre desde hoje pela manhã, mas tive que voltar ao St. Mungus hoje à tarde para fazer uma troca com Sebastian. Volto a atender pela manhã – Thomas riu. – Cissa me disse que tinha saído com Herod Christow...


- E ela não mentiu. Foi uma noite agradável.


- Ah, Tif, querida! Pensei que fosse demorar mais a chegar – Narcisa disse, juntando-se a eles. Ela abraçou o filho pela cintura e o loiro retribuiu o gesto.


- Oh, não! Amanhã todos nós trabalhamos, e não era nada além de um jantar. Eu gostaria de recusar, e o fiz, apenas porque estava lidando com Herod. Mas foi John Christow quem me convidou, então não pude dizer não, embora esteja muito cansada.


- Você deveria tirar uns dias de folga, filha – Thomas sugeriu. – Sei que você tem férias atrasadas e pode tirá-las a qualquer momento, basta querer.


- Vou deixar para julho, papai. Assim passarei mais tempo com as crianças.


- Uh, dois meses de férias?! – Draco fez. Sabia que Tiffany sempre tirava as férias em agosto, e o fato de ter mencionado que as tiraria em julho significava que emendaria as férias que acumulara no Natal anterior, quando pegou um caso complicado. Ela sempre tirava vinte dias de férias e guardava dez para o Natal ou vice-versa. – Que maravilha, não?


- Na verdade, apenas um mês. É isso ou não terei férias de Natal – Tiffany retrucou. – Bem, eu vou subir. Boa noite!


Ela beijou a bochecha do pai mais uma vez, sorriu para Narcisa e lançou um olhar indiferente a Draco.


Ao chegar a seu quarto, acendeu as luzes e jogou a bolsa de qualquer maneira sobre a enorme poltrona que se encontrava ao lado da cômoda. Tirou os sapatos e encarou os pés inchados – se ficara mais do que seis horas, em dois dias, sem sapatos altos, fora muito.


Fechou as cortinas e caminhou até o armário. Abriu-o e separou um blusão; ela queria dormir o mais à vontade possível. Já estava a meio caminho do banheiro quando bateram à porta.


- Eu imaginei que viria – ela disse, sem virar para encarar a nova companhia. – E já estava me perguntando quanto tempo você levaria para se livrar de meu pai e de Cissa.


Um riso foi abafado às suas costas.


- Foi por isso que deixou a porta aberta, então? Estava me esperando?


Ela virou-se, um ar sarcástico tomando conta de si.


- Ora, Draco! Você é a pessoa mais previsível que eu conheço. – Riu.


- Eu diria o mesmo de você. – O loiro enfiou as mãos nos bolsos da calça e seu sorriso torto sumiu. – Até ontem.


- Eu tinha certeza que você ia tocar no assunto. – Ela voltou a dar as costas para Draco. – Eu já disse: estava com o pessoal do Ministério.


- Em Leeds?


- Em Leeds – ela repetiu, secamente, encarando-o com feições duras. – Pode chegar lá no Ministério amanhã e perguntar à secretária de Potter se ele foi trabalhar hoje. Certamente ela vai dizer que ele esteve lá rapidamente e saiu. Se não se der por satisfeito, ligue amanhã mesmo para Olívio e pergunte se Isabella passou a noite em casa. Eu tenho certeza que ele vai dizer que não, e que ela só retornou ao final da tarde – ela sugeriu. – Mas, se o fizer, aproveite para perguntar a Olívio se ele se importa, porque... Oh, tenho uma novidade: ele é marido de Isabella.


- E eu sou seu irmão. E me preocupo com você.


- Está tudo bem, Draco. Vê? – Ela gesticulou para si mesma e apontou o próprio rosto.


- Você está de maquiagem – Draco assinalou, em tom brincalhão.


Tiffany não resistiu e riu.


- Você não existe, Malfoy.


Draco riu e aproximou-se dela, abraçando-a.


- Eu amo você, baixinha – disse e beijou o alto de sua cabeça.


- Nem tão baixinha assim. – Ela afastou o rosto do peito dele e mostrou-lhe a língua.


- Para um cara de 1,85m, alguém com 1,68m não é lá muito alta, não é? E, para mim, você e Jenny sempre serão as minhas baixinhas.


Tiffany sorriu.


- Eu também amo você – sussurrou e voltou a encostar a cabeça em seu peito.


---


Estacionou o carro e puxou o celular do bolso da calça, discando o número que mais aparecia na sua lista de chamadas efetuadas, mas principalmente na lista de chamadas recebidas.


- Já estou aqui fora – ele anunciou.


Observou a casa por uns instantes e viu duas loiras à porta, conversando. Despediram-se rapidamente e uma delas veio rumo ao carro, enquanto a outra acenava para o mesmo carro – ao que ele brevemente estendeu o braço para fora e acima do carro e acenou de volta – e fechava a porta.


Aquela que se aproximava, tinha os cabelos presos a um rabo-de-cavalo e vestia shorts cáqui justos que acabavam pouco acima dos joelhos e uma camiseta pólo feminina branca. Ele diria que nunca a vira se vestir de modo tão simples se ela não estivesse coberta por ouro, scarpins vermelhos escandalosamente altos e finos para a ocasião e uma bolsa que qualquer madame invejaria.


Ele sorriu. Aquela era sua mulher, e se não estivesse exatamente daquele jeito, não seria.


Ela abriu a porta e acomodou-se rapidamente, jogando a bolsa por cima do ombro para o banco traseiro do carro.


- Como vai o meu marido lindo e perfeito? – Ela abriu seu melhor sorriso, daqueles radiantes e de mostrar todos os dentes, e inclinou-se para aproximar-se dele. Roçou a ponta de seu nariz no dele e beijou-o brevemente.


- Cansado – ele suspirou e sorriu.


A esposa entendeu que ele não estava contando tudo.


- Mas... – ela incentivou-o a continuar.


- Tenho novidades.


- E posso apostar como é algo bom!


Ele riu de lado e arrancou com o carro.


- Ok, já entendi – a loira suspirou. – Só vai contar quando chegarmos à casa de Molly, certo?


- Eu recebi um convite para trabalhar no Departamento de Jogos e Esportes Mágicos – ele entregou.


- Ah, Rony, mas isso é maravilhoso! – Ela o abraçou, eufórica, distribuindo beijos por todo o seu rosto.


O ruivo freou bruscamente, fazendo a mulher se assustar, ainda pendurada em seu pescoço.


- Você está louco? – ela indagou, indignada.


- Lil, você está, literalmente, em meu colo e bloqueando a minha visão. Eu não posso dirigir assim – ele respondeu, de modo carinhoso.


- Querido, você sabe que eu não resisto ao meu marido quando ele está dentro destas calças apertadas... – Ela sorriu, sedutora, e beijou-lhe os lábios. – Tão sexy... – Agora os seus lábios e sua respiração estavam na orelha do ruivo.


- Lil... Em casa – ele murmurou enquanto a loira dava continuidade ao seu jogo de sedução.


Incapaz de resistir, ele tomou os lábios dela, quase que agressivamente.


- Eu estava com saudades – ela disse, os lábios ainda nos dele.


- Eu viajei por dois dias, Lilá – o ruivo riu.


- Ronald Weasley, dois dias é muito tempo.


- Sim, é. Mas eu cheguei ontem.


- E ontem foi aniversário de Reese. Qual foi a atenção que sua esposa teve?


Rony riu de novo.


- Mas como a minha mulher é carente – comentou e depositou um beijo em seus lábios. – Semana que vem eu vou à Escócia. Teremos o primeiro jogo das eliminatórias da Copa Mundial de Quadribol na quinta-feira. – Então ele aproximou a boca do ouvido dela. – Podemos estender a estadia para o fim de semana se você quiser ir comigo.


Sentiu a esposa se arrepiar e afastou-se para fitar seu rosto. Ela tinha um enorme sorriso brincando em seus lábios.


- Acha que Molly poderá ficar com as crianças? Ela não iria se importar, não é?


- Pode perguntar a ela quando chegarmos à Toca – Rony sugeriu.


- Também seria muito bom se Gina estivesse por lá, não é? – Lilá voltou para o seu banco e colocou o cinto de segurança. – Afinal, Sarah, Reese e Phil estudam na mesma escola.


- Acho que Gui, Carlinhos ou uma das meninas poderão cuidar disso, não se preocupe – Rony assegurou. – Mas o que você, Sra. Weasley, ficou fazendo com a Sra. Zabini até uma hora dessas? Gina me disse que você estava lá desde as 8h.


- Eu juro que estávamos tratando de assuntos profissionais.


Rony riu.


- É claro – ele assentiu, não muito convencido.


- Falo sério, Ronald.


- Então vocês trataram de assuntos profissionais o dia todo?


- Er... não exatamente. Pela manhã nós resolvemos as coisas dos aniversários das meninas. Fomos almoçar no The Gate e depois fomos às compras. Comprei um vestido maravilhoso para usar na festa de Reese. Ah, e o da nossa princesa não é menos bonito. Ela vai ficar tão linda! – ela contou, sorrindo. – Enfim! Depois fomos jantar no Quo Vadis... E, Rony, você não vai acreditar!


- Encontrou seu estilista preferido por lá? – Rony zombou.


- Não, seu sem graça! – Lilá fez uma careta, desgostosa. – Luna e Blaise se tornaram sócios do Sr. Lovegood e os três resolveram ‘aposentar’ O Pasquim.


- Como é? – o ruivo fez, surpreso, chegando a desviar a atenção da rua para a esposa por um momento.


- Pois é. Enquanto jantávamos, Luna encontrou uma mulher com uma beleza digna de capa de revista de moda. Só vendo, Rony! Uma verdadeira beldade! E olha que ela nem se veste tão bem assim. Usa aqueles terninhos e calças de alfaiataria retos e sem graça... No máximo um macacão de malha escura, tomara-que-caia e calças compridas, como o que estava usando hoje – ela contou. – Mas os óculos... Meu Deus! Mesmo os de grau... cheios de estilo! Lindos e maravilhosos como sua bolsa e seus sapatos scarpin...


- E quem era a mulher, Lilá? – Rony foi direto ao ponto.


- Evanna Powter, a editora da nova revista que eles estão planejando. Aparentemente, não têm um nome ainda, mas já se sabe que será direcionada a todos os públicos. E quando eu digo todos, são todos mesmo! A revista vai ter edições para bruxos e trouxas.


- É uma ótima idéia. Que tipo de revista será, finalmente?


- Do tipo “para todos os gostos”. Terá artigos de medicina, direito, notícias de acontecimentos, passatempos, colunas sociais, curiosidades, matérias sobre alguma personalidade e entrevistas. Uma revista completa – Lilá completou. – E eu, sua amada esposa, Lilá Weasley, serei a colunista social e de moda.


Rony olhou surpreso para Lilá, mas um sorriso se crispando em seus lábios.


- Uau, Lil! Parabéns – ele alargou seu sorriso.


- Obrigada, querido – ela agradeceu, satisfeita consigo mesma. – A propósito, Rony, encontrei o espaço perfeito para a minha loja. Tenho também o melhor fornecedor de tecidos e as melhores costureiras. Acho que podemos finalmente começar – contou. – Não é perfeito? Você aceita o convite para trabalhar no Departamento de Jogos e Esportes Mágicos e continua com a seleção irlandesa de Quadribol por mais cinco anos, como planejado. Eu posso, enfim, ter a minha loja após dez longos anos desenhando para a Inditex. E sendo colunista numa revista, poderei divulgar a minha marca.


- Eu já aceitei o emprego no Departamento de Jogos e Esportes Mágicos, Lil. Eles vão conciliar o meu horário de trabalho com a obrigação que tenho para com o time.


- Perfeito! Vê como tudo não poderia dar mais certo? – Lilá sorriu enquanto eles cruzavam a fronteira de Londres rumo à estrada que levava à Toca. 


---


- Engraçado – fez.


- O que é engraçado? – Hermione perguntou, enquanto puxava os cobertores para cobrir a filha.


- Em meus longos dez anos, dois meses, treze dias... – ela olhou o relógio de pulso brevemente e sorriu para a mãe. – Duas horas e dezessete minutos...


- E os segundos? – a mãe brincou.


- Eu nasci às 20h40, não importam os segundos – Chloe replicou, veemente. – Enfim! Durante toda a minha vida, não houve uma pessoa sequer que tivesse dito que eu era a sua cara sem acrescentar em seguida “exceto pelos olhos”... Até hoje – ela comentou. – Talvez ele precise de óculos.


Hermione riu, lembrando-se que o amigo usara óculos por muitos anos.


- É, então acho que ele os aposentou muito cedo. – A pequena também riu. – Ele é mais bonito pessoalmente, não acha?


- Sim, ele é um homem muito charmoso – Hermione concordou.


- A voz dele é tão bonita, também. Grossa e suave ao mesmo tempo... Ele não parece nada aquele homem que tinha seus atos questionados pelas revistas.


- Querida, isso é demais para você entender...


- Hum, é sempre isso. Pergunto-me quando serei capaz de entender as demasias – Chloe revirou os olhos, contrariada.


Hermione riu. O vocabulário de Chloe lhe parecia cada vez mais avançado para alguém de sua idade.


- Muito em breve – respondeu.


- Hum – fez a pequena, resignada. – Eu não sabia que você o conhecia.


- Nem eu – Hermione murmurou, de modo que seria inaudível às pessoas que não tinham os privilégios concebidos à ela e à filha. – E isso se inclui nas demasias. – Sorriu e beijou-lhe a testa e, em seguida, tocou a ponta de seu nariz com o indicador, fazendo-a sorrir também. – Boa noite, anjo. Mamãe te ama – disse antes de apagar o abajur e se levantar.


Retirou-se em seguida, deixando a filha adormecer ao lado de Zoe.


Ela deixou o quarto e foi para a sala de estar, onde sua mãe e Hilary ainda se encontravam.


- Ainda não dormiu? – Hermione perguntou à prima, referindo-se à Jessica.


- Acabou de adormecer – Hilary respondeu com um sorriso cansado no rosto. – Só estou garantindo que não vá acordar quando eu colocá-la no berço.


- E você, querida? Pensei que já tivesse ido dormir... – Jane se levantou e veio de encontro à filha.


- É, eu deveria estar dormindo. Estou cansada, mas não parece ser o suficiente para quem tem tanto em que pensar. – Hermione suspirou. – E por que você ainda não foi dormir?


Jane riu.


- Eu estou subindo, moças lindas. – Hilary se aproximou e depositou um beijo na testa da tia e um no rosto da prima. – Vou deixar vocês conversarem, ok? Além disso, Richard deve estar chegando amanhã cedo e eu quero estar acordada para recebê-lo.


- Tudo bem, Hil – Hermione assentiu. – Boa noite.


- Boa noite, querida – Jane desejou à loira. – Boa noite, pequenina – fez para Jessica, que parecia imersa num sono solto.


- Boa noite – Hilary disse e deixou o aposento.


- E então, Jane Claire, por que ainda não foi dormir? Aliás... Onde está papai?


- É sobre isso que eu quero falar com você, querida – Jane disse e puxou a filha para que sentassem no sofá.


- Aconteceu algo com o papai? – Hermione indagou, alarmada.


- Não, querida. Ele está em Londres. Foi fazer os últimos acertos sobre a venda da clínica – a mãe respondeu. – Ele volta amanhã cedo.


- Ah, mas isso é ótimo! – A morena abriu seu melhor sorriso e afagou a mão da mãe. – Não valia mesmo a pena manter a clínica sem que estivesse funcionando.


- Mas estava funcionando, querida. Nós tínhamos três colegas trabalhando lá e estávamos tendo bons lucros. Mas como eu e seu pai queremos vir para a França, decidimos vender a clínica a eles.


Hermione estacou, boquiaberta.


- Vocês... – ela interrompeu-se e fechou os olhos, balançando a cabeça negativamente. – Quando você diz “vir para a França”, você quer dizer...


- Vir morar aqui? – Jane completou a pergunta da filha e assentiu, um sorriso triste em seus lábios. – Sim. Definitivamente.


- Eu... – Hermione começou, sem saber ao certo o que dizer. Então disfarçou: – Ah, que bom, então... Nossa família está toda aqui, afinal! E vocês têm a clínica do vovô, certo?


- Querida, não precisa disfarçar seu desapontamento...


- Não! Não, mamãe. – A morena balançou a cabeça freneticamente, sorrindo para a mãe. – Eu acho ótimo que vocês venham. De verdade – garantiu. – E quando vocês pretendem vir?


- Logo após a primeira quinzena de junho. Não é nada imediato. Ainda estamos procurando uma boa casa.


- É claro. – Hermione sorriu. – Já colocaram as casas à venda?


- Somente a de Godric’s Hollow, e já temos um comprador. Seu pai está providenciando os papéis. A de Londres nós vamos deixar para anunciar quando já estivermos aqui – Jane explicou. – Mas não é só isso, querida.


- Pode dizer, mamãe. Eu sou toda ouvidos!


- Herms, quem é Helena?


- Ah, isso! – Hermione deu um sorriso amarelo. – Mamãe, essa é uma longa história! Eu só posso garantir que não cometi nenhum crime e não tenho nenhuma pendência com a justiça. – Ela sentiu remorso por saber que, em alguma medida, estava mentindo para a mãe. – É coisa do próprio trabalho.


- E por que disse a Zoe que se chamava Helena? Herms, ela é uma criança...


- Eu sei, eu sei! Mas eu não podia contar a verdade... Não ainda! Ela já sabe de tudo, eu já expliquei e... Já está tudo resolvido, também. Agora eu sou Hermione, só Hermione...


- Tudo bem, querida. Fique tranqüila, eu não estou aqui para te julgar... Em absoluto! – Jane sorriu maternalmente para a filha. – Agora vamos subir. Está tarde.


Hermione não pôde evitar uma olhadela no relógio com o comentário da mãe. 23h11.


- Tem razão – e dizendo isso, as duas se levantaram, abraçaram-se e deixaram a sala.


Subiram as escadas juntas, sorrindo uma para a outra, num daqueles raros momentos ‘mãe e filha’.


---


Colocou a última muda de roupa de Chloe dentro da mala e fechou-a. Separou a mochila que Zoe trouxera e colocou-a sobre a mala que acabara de fechar.


Seu celular, que estava jogado sobre a cama, começou a tocar.


- Bom dia, Madame Newbie – atendeu.


- Bom dia, Hermione, querida. Estou ligando para confirmar o almoço de hoje – Elizabeth disse. – Ao meio dia no Mirabelle está bom para você?


Hermione olhou rapidamente para o relógio sobre a mesinha de cabeceira. 7h30.


- Ao meio dia está perfeito – disse, por fim.


- No Mirabelle – Elizabeth repetiu.


- Sim, é claro. Até mais tarde, Madame Newbie.


- Até, Hermione – e a linha ficou muda.


Suspirou e imediatamente tentou o número de Tiffany. Secretária eletrônica. Jogou o celular na bolsa e colocou-a sobre um dos ombros, enquanto no outro ombro ia a mochila de Zoe. Pegou a mala e as chaves do carro e desceu as escadas.


Zoe e Chloe estavam sentadas à mesa com Hilary, Richard, Jane e Carl. Tomavam café enquanto conversavam com os presentes. Ashley e Paul, naturalmente, não estavam ali, uma vez que ambos residiam em Paris e tinham sua própria casa. Marcia havia saído para trabalhar pouco antes das 7h, então também não estava presente.


- Bom dia para quem eu ainda não vi hoje – Hermione cumprimentou, sorrindo para Richard e Hilary. – Chegou muito tarde, Richard?


- Saí do plantão às 2h, e com a graça de Deus a estrada estava livre. Foi mais ou menos uma hora e dez minutos de viagem.


- Ah, então foi uma viagem tranqüila – Hermione comentou. – Bem, agora é a minha vez de torcer para que a estrada esteja livre.


- Em plena manhã de quinta-feira? Certamente estará – Carl comentou.


A campainha tocou.


- Acho que você poderá perguntar ao seu pai como está a estrada – Jane comentou enquanto sorria e levantava apressada para atender a porta.


- Quer ajuda, Mione? – Carl ofereceu-se.


- Não, obrigada, Carl – Hermione sorriu e agradeceu. – Meninas, não demorem muito, certo? Não podemos nos atrasar.


- Ok – Zoe e Chloe assentiram em uníssono.


- Bom dia! – Stan se aproximou, trazendo consigo uma pequena sacola e um casaco pendurado no ombro. – Bom dia, princesa. – Ele beijou a testa da filha. – Já vai voltar para Londres?


- É, eu tenho que levar Zoe para casa e tenho um almoço a ‘negócios’, por assim dizer. À tarde vou visitar uma amiga e à noite tenho mais negócios para resolver – ela explicou. – Enfim! Não tenho muita escolha. É voltar ou... voltar.


- Mas ela volta na semana que vem, Stan – Jane disse. – Agora venha, querido. Deixe as coisas ali no canto e venha, sente-se conosco e tome seu café da manhã. – chamou. – Aposto como não comeu nada quando saiu de lá.


- Na verdade, deixei uns sanduíches prontos para a viagem – ele sorriu enquanto sentava-se à mesa.


- Bem, eu vou colocar as coisas no carro. Chloe, quando terminar, leve Daisy – Hermione disse para a filha. – Ela é sua responsabilidade.


- Tudo bem – Chloe assentiu.


Hermione adiantou-se então para a garagem e abriu o porta-malas de seu Volvo XC60 e arrumou as coisas lá dentro.


Surpreendeu-se ao perceber que Chloe a seguira e que Daisy vinha atrás dela.


- Eu já tinha terminado – Chloe murmurou, antes que a mãe perguntasse. – Venha, Daisy – chamou a cadela enquanto abria a porta traseira do carro para que ela entrasse.


- Ainda vou voltar para me despedir – Hermione avisou.


- Eu sei. Mas você não vai demorar lá. E eu queria falar com você...


- Aconteceu alguma coisa?


- Não – Chloe foi sucinta. – Mamãe, você sabe que eu nunca te pedi algo realmente, não é?


- Depende. Se um irmão, um piano e um violino não contarem... De fato, não me pediu nada realmente – Hermione pontuou. – O que você quer?


- Um cavalo. E aulas e equipamentos de hipismo – a garotinha respondeu, sem rodeios.


- E aonde você pretende encaixar isso em sua agenda lotada de afazeres?


- Há sempre espaço para mais um – Chloe abriu seu melhor sorriso.


Hermione riu.


- Veremos – concluiu e fechou o porta-malas.

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