O salão principal estava estranhamente quieto naquela tarde. Sim, claro que ainda faltavam muitas turmas a serem liberadas para a hora do almoço, mas eu não conseguia achar aquilo normal. Havia alguma coisa diferente no ar, algum clima, algum indício de que uma bomba estava prestes a cair sobre nossas cabeças: tudo estava bem demais.
Eu estava sozinha na mesa da Grifinória, o almoço acabara de ser servido e eu queria almoçar o mais rápido possível. Estava com o estômago vazio desde o café da manhã e a barriga já roncava implorando por alimentos. Eu estava faminta.
No salão relativamente cheio, comecei a observar as pessoas e seus jeitos e trejeitos. Suas manias, suas expressões, seus sorrisos. Meu olhar vagava sem rumo aparente entre as mesas das outras casas até que um lufa-lufa loiro me chamou a atenção. Não que estivesse olhando para mim ou algo do tipo, pelo contrário, nem mesmo parecia notar que eu estava naquele salão. Porém, estava conversando tão animadamente com alguns colegas de classe que eu não pude deixar de sorrir. Não pude deixar de admirar aquele sorriso uma vez mais. Ele era tão bonito e fora tão importante para mim... E eu sabia que ele gostava de mim, isso era o mais importante. Ele gostava mesmo de mim. Foi quando uma mecha do cabelo loiro caiu-lhe nos olhos e ele levantou o braço direito para ampará-la e deixou a mostra uma marca leve de dois corações no pulso. É, ele gostava mesmo de mim.
Deixei um sorriso meio bobo escapar por entre meus lábios enquanto encarava a comida no prato. Era tão bom sentir-me assim, querida por alguém... Mesmo que esse alguém não fosse o alguém que eu esperava. Levantei a cabeça e perdi o olhar na multidão que agora se formava no salão. Logo, meus olhos pararam na pessoa que eu estivera procurando. A sonserina de cabelos castanhos claros estava sentada à sua mesa, tranquilamente. Estava com o mesmo ar de despreocupação de sempre. Eu ri. Era divertido estar com Felícia. Ela me fazia sentir realmente tranqüila, como se nada pudesse me ferir de novo. De repente, conversas alheias aos meus pensamentos acabaram por tirar-me deles, vendo que as últimas turmas de Sonserina e Grifinória tinham finalmente chegado para o almoço.
- Eu sei, mas ele não ia fazer aquilo tudo com o Snape se não estivesse com muita raiva do que ele disse. – disse um grifinório do ultimo ano que acabara de chegar a mesa. Comecei a prestar atenção. Quem teria feito algo contra o Snape?
- É claro que não, mas eu realmente não acredito que o Malfoy esteja mesmo gostando da Granger. – deixei meu queixo cair. – Isto é, eles se odeiam desde sempre! – completou o garoto. Agora, eu queria mais do que tudo saber do que eles estavam falando.
- Ah, cara. Mas é até difícil acreditar. Por que o cara ia cair de porrada no próprio padrinho só porque ele chamou a menina de... de que foi mesmo que ele a chamou?
- Acho que foi puta... Alguma coisa assim. Eu nem sei o que quer dizer.
- É, nem eu. Mas pelo tanto que ela chorava, não parecia ser coisa boa.
Eu estava perplexa. Snape chamara Mione de puta e Draco fora defender sua honra. Draco. Draco?? Por que ele o fizera? Felícia tinha que saber disso. Fui correndo à mesa onde ela estava, mas a morena já sabia da novidade. Era incrível como os boatos se espalhavam rápido naquela escola. E eu dizia isso por experiência própria.