Ele deixou-se relaxar no enorme sofá da sala de tevê, fitando-a.
- Se essa italiana chegar e nos encontrar aqui, nós estamos mortos – disse. – Literalmente.
- Cala a boca, Christow! Nós somos sangues-puros. – Tiffany revirou os olhos, no entanto, ela não estava tão segura quanto tentava aparentar. A verdade é que afastar a hipótese parecia ser uma boa idéia.
- É, mas se eu bem entendi, aquela amiga de vocês também era sangue-puro e morreu aqui – Herod estremeceu.
- Ela morreu numa mesa de parto.
- Mas foi encontrada aqui.
- Por Morgana, Christow! Não vai acontecer nada conosco. Não há chance de essa tal Perlla Panettiere voltar para casa essa noite; ela vai estar mais ocupada dizimando as famílias que julga impuras.
- Ok, você venceu – o loiro suspirou. – E que horas essa sua amiga vem?
- Ela me ligou falando a respeito de um imprevisto e disse que provavelmente estaria aqui entre 23h e meia-noite. – Tiffany disse. – E já são 23h49m.
- Está no horário – Herod murmurou.
- Sim, eu sei – a morena suspirou. – Os ataques geralmente acontecem após a 1h, então, mesmo que ela chegue à meia-noite, ainda teremos alguma vantagem com relação à italiana.
- Hum – fez o loiro, como quem assentia e não tinha nada de mais interessante para dizer.
- Só tem uma coisa que eu não entendo...
- O quê? – Herod indagou, curioso.
- Ah, o fato de todas as evidências apontarem Pansy Parkinson e não haver nenhuma prova concreta ou nenhum rastro de que seja ela a assassina de todas essas pessoas.
Tiffany olhava uma lista comprida de vítimas, onde três nomes estavam destacados e seus respectivos endereços listados numa folha anexa. Havia inúmeros outros nomes ali: os anteriores aos destacados, riscados; os seguintes, ainda aguardando a sua vez. “E essa vez não vai chegar”, garantiu a si mesma.
- E isso te preocupa?
- De certa forma – ela assentiu. – Nós temos dois nomes, mas eu podia jurar que Hermione estava certa, que Parkinson realmente estava, se não por trás, pelo menos vinculada a todos esses assassinatos. Em vez disso, quando chegamos ao endereço que nos levaria ao assassino, descobrimos outro nome.
- Perlla Panettiere.
- Sim – suspirou enquanto confirmava com um aceno. – E agora, mesmo sabendo de quem se trata o assassino, eu simplesmente não consigo acreditar na inocência de Parkinson, como se eu pudesse sentir que ela está envolvida nessa história toda.
- Você ainda acredita na palavra de Hermione, certo? Isso porque confia nela. Talvez por ela se mostrar tão segura do que dizia quando afirmou que era Pansy o tal bruxo assassino, por ser alguém de conclusões confiáveis, certeiras.
- Sim, ela é esse alguém, sem dúvida.
- No entanto, mesmo os bons erram – Herod argumentou.
- Ela também disse isso – Tiffany murmurou. – Mas não é só por causa de Hermione que eu acredito nisso. Quero dizer... no fato de Pansy Parkinson estar por trás desses assassinatos. É como se essa compulsão, essa obsessão dela em ‘caçar’ os nascidos trouxas a entregasse, entende? E, como eu disse, as evidências... – ela parou, de súbito, como se não tivesse mais palavras para continuar. Suspirou novamente e balançou a cabeça negativamente, os olhos baixos. – Não acredito na inocência dela.
- E eu não estou dizendo que ela é inocente, Haase – o loiro arqueou uma sobrancelha.
- Mas você disse que... você disse que não sabia nada sobre um possível envolvimento dela nessa história! – a morena assumiu um ar de acusação.
- E eu não sei, de fato – ele assegurou, levantando-se e caminhando até a poltrona que Tiffany ocupava, sentando-se em seu braço. – Mas essa fixação dela, essa ‘obsessão’, como você chamou ainda há pouco, já está extrapolando limites.
Tiffany então se pôs de pé num salto e encarou o rapaz, as feições sérias e duvidosas.
- O que você quer dizer com isso?
Herod hesitou pela primeira vez em horas.
- Christow...
- Quero dizer que, com muita sorte, Harry Potter irá aparecer para trabalhar amanhã – ele respondeu, também sério.
- Você está me dizendo que ela...
- Sim. E não. – Ele interrompeu-a. – Pansy jamais teria sangue frio o suficiente para fazê-lo com as próprias mãos, por mais que almejasse isso – garantiu. – Ela mandou que fizessem o serviço.
- Por Deus! – Tiffany levou as mãos à boca, os olhos arregalados em sinal de pânico.
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Acordou totalmente despida, as cobertas enroladas por todo o seu corpo. Aguardou por um instante, buscando a presença de mais alguém no aposento. Não havia nem sinal de respiração além da sua própria no quarto. Só então se virou para a outra extremidade da cama e percebeu que estava absolutamente só ali.
Tentou lembrar-se de tudo o que acontecera durante aquelas poucas horas que estivera ali, naquele quarto, e um filme passou pela sua cabeça. Não só um filme dos acontecimentos recentes, mas de toda uma vida, um filme completo.
Ela e Harry Potter foram amigos na infância e na adolescência. E, muito mais do que amigos, foram namorados, verdadeiros amantes.
Sua mãe sempre dissera que ela havia tido apenas um homem em sua vida e esse mesmo homem seria o pai de Chloe. E, ela bem sabia, além do pai de Chloe, somente se envolvera com Chad.
Prendeu a respiração ao assimilar a conclusão a que havia acabado de chegar.
“Então eu tenho que matar o... o pai... o pai de minha filha?”, ela tinha os olhos arregalados, cheios de horror.
Levantou-se rapidamente e procurou por suas roupas. Elas estavam dobradas sobre uma poltrona vermelha e grande que ocupava um canto no quarto. Antes de pegar as roupas, repôs seu relógio de pulso e verificou as horas.
Meia-noite.
Não tinha muito mais tempo. Tinha que correr para contatar Tiffany, Amy e Isabella antes que o bruxo finalmente começasse a agir. E, além delas, precisava falar com Rhina e Alecia imediatamente.
Vestiu-se apressada. Estava recolocando os óculos quando percebeu o celular vibrando dentro de seu sobretudo, a luz piscando por debaixo do pano. Pegou-o e ele parou de vibrar. Abriu-o e lá estava:
1 mensagem recebida
Abriu sem pestanejar.
Parkinson é mandante de um atentado a Harry Potter
“O quê?”, ela sentiu o peito arfar. Pela primeira vez sentiu-se verdadeiramente suja por fazer parte de um esquema como aquele; ela estava a serviço de Pansy Parkinson, afinal! “Pansy Parkinson”, ela fez questão de repetir o nome em seus pensamentos, um sentimento de nojo, de desprezo consumindo-a por dentro.
Sabia que aquele era o momento de ligar para Rhina e Alecia, mas decidiu que, tendo onze horas restantes, aquilo poderia ser resolvido cara a cara mais tarde.
Sentou-se na cama e enviou uma mensagem para Amy, sabendo que ligar chamaria muita atenção, visto que a casa estava imersa num silêncio fúnebre.
- Papai? – uma voz de criança chamou e Hermione sentiu o corpo gelar.
Apertou o botão ‘enviar’ do telefone celular e guardou-o rapidamente antes de virar-se para encarar a criança. E lá estava ela, coçando os olhos de maneira desajeitada. Os cabelos loiros caíam lisos e levemente despenteados emoldurando rosto da menininha. Engoliu em seco ao reconhecê-la.
“Então ele tem uma filha?”, ela sentiu-se cruel por ter chegado tão perto de assassinar o pai daquela criança encantadora; o mesmo homem que era pai de sua filha.
- Você não é o papai – a loirinha parou de coçar os olhos e baixou as mãos. – Helena!
E ela veio correndo ao encontro de Hermione, subindo na cama e abraçando-a. Hermione estava em estado de choque, por isso não retribuiu o abraço de imediato, mas quando conseguiu reunir suas forças novamente, abraçou a criança com toda a força e o carinho que pôde, as lágrimas rolando silenciosa e lentamente pelo seu rosto.
- Zoe, meu raio de sol – ela suspirou, ainda com a menina no colo.
Harry estava à porta, observando a cena. Ouvira Zoe chamar por ele e viera ver o que estava acontecendo. Tinha certeza que era falta de sono, visto que a pequena dormira cedo demais.
Sentiu algo despertar dentro de si ao ver Hermione abraçada à sua filha, como se fosse também dela. Quantas vezes fantasiara ter Hermione ali, naquela cama? Quantas vezes imaginara como seria formar uma família ao lado dela?
Ainda um tanto quanto emocionado com a visão, com o carinho que uma reservava à outra, bateu à porta, chamando atenção para si próprio.
- Papai! – Zoe levantou-se e correu para o pai, que a pegou no colo como que por reflexo. – Eu perdi o sono e vim ver você. Eu ia pedir para ficar aqui com você até que eu ficasse com sono de novo, mas só encontrei a Helena – ela apontou Hermione, que já estava de pé, devidamente vestida e com o sobretudo pendurado em um dos braços.
Harry então deixou os olhos pousarem na morena, uma expressão confusa em seu rosto.
- Helena? – ele arqueou uma das sobrancelhas.
- Eu gostaria de poder explicar, mas agora não é a melhor hora – ela respondeu. – Hum... Eu... Ha-Harry... Talvez seja melhor você aprontar uma mochila com duas ou três mudas de roupa para Zoe. Há muita coisa acontecendo e você terá de vir comigo, e eu não quero que ela fique sozinha aqui.
- Eu não estou entendendo.
- Vou levá-la para a casa de meus tios na França. Lá ela terá companhia e quem cuide dela, pelo menos até que nós estejamos de volta – explicou. – Eu te explicarei tudo quando voltar. – Finalizou. – Por que não me mostra seu quarto, Zoe? Vamos arrumar suas coisas para você visitar a Chloe, o que acha?
- Oba! – a menininha sorriu e precipitou-se para o colo de Hermione.
- Troque-se. Eu volto num minuto – ela disse para o moreno antes de sair do quarto com Zoe.
Enquanto arrumava uma pequena mochila para Zoe, entregava-se e deliciava-se com o falatório da menininha. Em poucos instantes descobriu a paixão da loirinha pelo Quadribol.
- Quando eu aprendi a ler, disse ao papai que queria ler um livro sobre Quadribol, mas eu não consegui entender nada – contou. – Então eu tive que concordar com ele e voltar para os meus livros de contos. Eu gosto um bocado daquele, Os Contos de Beedle, O Bardo. Foi o tio Rony que me deu de presente no meu aniversário, mas eu ainda não sabia ler, por isso papai teve que ler para mim.
Hermione sorriu e estendeu a mão para Zoe. Quando a pequena aceitou, ela pegou-a no colo, segurando-a com firmeza, a mochila sobre um dos ombros.
- Eu quero que você feche os olhos e me abrace bem forte – pediu.
Zoe o fez prontamente.
- Pronto. – Disse.
- Agora só abra os olhos ou solte quando eu disser que pode, ok?
- Ok – a pequena assentiu.
Sem mais, Hermione desaparatou. Numa fração de segundo estava no quarto que ocupava com Chloe na casa de Carl e Marcia na França.
“Chloe, anjo, acorde”, pensou com intensidade.
“Mamãe? É Zoe...?”
“Sim, querida”, confirmou com um aceno. “Quero que você vá chamar sua avó”.
Chloe assentiu e desfez-se das cobertas, alcançando a porta num salto.
- Pode abrir os olhos, raio de sol – Hermione disse, a voz suave.
- Onde nós estamos? – Zoe olhou em volta.
- Na França, exatamente como eu disse a seu pai – a morena sorriu. – Esta é a casa de meus tios, Carl e Marcia. E este é o quarto onde você ficará com Chloe até eu voltar – explicou.
- E onde está Chloe?
- Ela está vindo – respondeu e, no instante seguinte, a porta se abriu e Chloe entrou acompanhada de Jane, que amarrava o roupão na altura da cintura. – Aí está ela.
- Olá, Zoe! – Chloe sorriu para a garotinha que ainda ocupava o colo de sua mãe.
- O que houve, Herms querida? – Jane indagou, os olhos cor de mel indo e vindo de Hermione para Zoe.
- Eu não tenho muito tempo para explicar. Apenas preciso que Zoe fique aqui e conto com vocês para cuidar dela – Hermione disse, dirigindo-se à mãe e à filha.
- É claro, querida. – Jane concordou.
- Esta é minha mãe, Zoe. O nome dela é Jane – apresentou.
- Posso te chamar de vovó? É assim que eu chamo a vó Molly, e ela nem é minha avó de verdade.
- Claro que pode, pequenina – Jane se aproximou e tomou-a para si. – Pode ir tranqüila, Herms. Ela está segura aqui.
- Sim, eu sei – assentiu. – Prometo que, quando eu voltar, explicarei tudo.
Chloe e Jane acenaram num gesto de entendimento.
- E o papai?
- Ele virá amanhã – Hermione beijou a testa da loirinha, depois a bochecha de Chloe e a testa da mãe. – Eu volto logo – disse antes de aparatar novamente.
Estava mais uma vez no quarto de Zoe. Voltou à suíte do casal. O moreno estava sentado à cama, as mãos entrelaçadas, os cotovelos apoiados nos joelhos e os olhos fixos em um ponto qualquer do chão.
Percebendo a presença dela, ele levantou os olhos para a porta. Fitou-a por alguns instantes e colocou-se de pé. Hermione viu-o se aproximar lentamente, como que com cautela, como se não acreditasse que a tinha ali. Ele parou de frente para ela, os olhos fixos nos seus. Ela sentiu como se ele estivesse despindo, desarmando, arrancando de si todas as suas defesas.
Ele tomou seus lábios com delicadeza e ela simplesmente não teve forças para resistir. No entanto, a razão gritava dentro de si, implorando por atenção, chamando-a de volta à realidade. Ergueu uma das mãos e levou-a ao peitoral do moreno, afastando-o de si.
- Nós temos que ir – murmurou.
- Ir aonde? – ele indagou.
- Kensington, High Street, 30 – ela respondeu e viu-o empalidecer. – Você tem que vir comigo. Não por mim, mas por Karen, pela mãe de sua filha.
- Tudo bem – ele concordou após um longo instante de silêncio e um pesado – e sonoro – suspiro. – Vamos no meu carro.
Hermione estava prestes a alegar urgência e que talvez fosse melhor aparatar, mas o desejo de esclarecer ao menos algo de seu passado falou mais alto e ela assentiu.
Já haviam ganhado as ruas quando ele deu um suspiro tão profundo que até perturbou o silêncio em que se encontravam.
- Onde...
- Suécia, Noruega, Finlândia, Alemanha... Algumas idas aos Estados Unidos e visitas regulares à Paris, à Copenhagen e à Berna. – Ela respondeu antes que ele terminasse de formular a pergunta.
- E por que Zoe te chama de Helena?
Hermione riu nervosamente, achando um pouco de graça na ‘inocência’ da pergunta dele, quando aresposta era tão óbvia.
- Se você esperasse mais um pouco, iria saber o motivo – respondeu. – Ora, Harry, francamente! Como eu poderia voltar à Grã-Bretanha correndo o risco de ser atacada por um assassino? E não só por isso, porque Pansy Parkinson parece bastante empenhada em eliminar todos os direitos que ainda restaram aos nascidos trouxas e abortos, certo? – fez. – Para todos os efeitos, sou Helena Gauer, funcionária da Academia Internacional de Aurores e, atualmente, instrutora da Escola de Aurores do Ministério da Magia britânico.
- Espera aí... Você está me dizendo que esse tempo todo você esteve recebendo Zoe em sua casa?
- Bem... – ela seu um meio sorriso. – Não. Só na última semana, desde que encontrei Zoe, Hallie e Justin no parque. E eu nem sonhava que ela era sua filha – comentou. – Eu simplesmente... me encantei pela garotinha.
- E ela por você – o moreno acrescentou. – Não fala em outra coisa a não ser “Helena, Chloe e Daisy” – ele riu.
- Nos conhecemos por conta de Daisy. E Chloe simplesmente se apaixonou por Zoe – contou. – Aliás, ela é uma criança apaixonante! Fez um bom trabalho, Harry.
- Obrigado – Harry sorriu, mas logo ficou sério novamente e estudou-a por um momento.
- Preste atenção à rua – Hermione alertou.
Harry obedeceu.
- Você teve alguém? – perguntou. – Quero dizer... Você tem uma filha...
- Morei três anos com um cara. – Ela contou. – Engravidei do segundo filho, mas perdi o bebê. No início de 2005 nos separamos por conta do trabalho – continuou. – Da distância, na verdade. – Corrigiu-se. – Hoje ele é casado e já tem um filho. Ambos, ele e a mulher, são dois grandes amigos.
Harry nada disse, mas sentiu uma pontada de ciúmes. Hermione riu.
- O quê? – ele indagou.
- Você não é digno de sentir ciúmes, Potter. Você também se envolveu com alguém e Zoe é fruto disso.
Ele não respondeu de imediato. Estacionou o seu Maserati Gran Turismo e virou-se para ela.
- Você desapareceu sem deixar vestígio algum – ele retrucou. – Eu te esperei por três anos, mas então Karen apareceu e...
Hermione calou-o, depositando o indicador sobre os lábios do moreno.
- Eu não estou te cobrando explicações – ela então deu um selinho nele e se afastou sorrindo, saltando do carro em seguida.
---
- 0h25m.
- Calma, Tif – Isabella pediu. – Ela deve estar a caminho.
- Ela chegou – Amy saiu de um breve transe e ergueu os olhos para a porta.
Ela estivera concentrada em Harry, esperando que alguma visão ou presságio acerca do ‘irmão’ pudesse alertá-la a respeito do que quer que estivesse acontecendo com ele. Desde que chegara fora informada por Tiffany sobre os planos que Pansy Parkinson reservava ao moreno e prometera: “Se algo acontecer a Harry, eu mato aquela vadia!”
Ouviu-se um estampido vindo do primeiro andar, como se uma porta tivesse batido, e passos se seguiram, até que Hermione finalmente surgiu na porta. Imediatamente Amy, Isabella e Tiffany se colocaram de pé.
- Mi! – Isabella adiantou-se para cumprimentar a antiga amiga, mas voltou de costas, aparentemente surpresa com alguma coisa.
Hermione havia empacado à porta e estendia a mão para alguém. No instante seguinte, a morena adentrou o aposento de mãos dadas a Harry Potter.
- Graças a Merlin! – Tiffany suspirou, aliviada não só por Hermione estar ali, mas também por ela ter recebido sua mensagem.
Amy, por outro lado, dividia-se entre o alívio por Hermione ter finalmente chegado, a gratidão de ver Harry a salvo e a surpresa por vê-los juntos. Sem mais, correu para abraçá-los. Quando se afastou, iniciou uma ‘conversa’ com a amiga.
“Você...”, pensou de modo que só Hermione ouvisse.
“Sim, eu já sei de tudo”, Hermione assentiu.
“E ele?”
“Achei melhor contar depois”, explicou. “E espero contar com sua ajuda”
“Claro, Herms”
Amy sorriu.
- Desculpe a demora. Além dos imprevistos, ainda tive que resolver algumas coisas quando recebi a mensagem de Tiffany – Hermione disse, por fim.
- Ainda temos tempo – Herod disse.
- Você deve ser Herod Christow – a morena se aproximou, abrindo a mente para captar os sinais que ele emanava. Por mais que tentasse, não conseguia ver maldade nele.
- Sim. E você deve ser Hermione.
- Para todos os efeitos, até que isso tudo acabe, sou Helena Gauer – ela replicou. E ele pareceu ter entendido. – Tiffany, a lista...
- Aqui – Tiffany entregou-lhe.
Hermione estudou-a por um instante e depois checou os endereços.
- Certo – ela suspirou. – A divisão está clara, então. Herod e Tiffany, vocês vão a Leeds, casa dos Boyle. Isabella e Amy, vocês ficam aqui e vão a Fulham, casa dos Fincher. Eu e Potter vamos a Dover, casa dos Jenkins – orientou. – Não há como saber aonde ela vai primeiro, então quem a encontrar, entra em contato com os outros.
- Tudo bem – todos concordaram.
- Vamos, então – Tiffany disse e puxou Herod para fora do aposento.
Os demais os seguiram e, já fora da casa, separaram-se. Tiffany e Herod sumiram no ar quase que imediatamente, acenando brevemente para os outros.
- Cuidado – Amy disse a Hermione antes de se afastar.
E Hermione entendeu. Ela e Harry eram os únicos que realmente corriam perigo entre eles, ela principalmente.
- Ficaremos bem – garantiu e aguardou que as duas amigas também aparatassem. – Castelo de Dover, só por garantia de que não nos separemos.
Harry assentiu e ambos aparataram também.