FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout  
FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout
FeB Bordas para criar o Layout
FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout
FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout
FeB Bordas para criar o Layout
 

(Pesquisar fics e autores/leitores)

 


 

::Menu da Fic::

Primeiro Capítulo :: Próximo Capítulo :: Capítulo Anterior :: Último Capítulo


Capítulo muito poluído com formatação? Tente a versão clean aqui.


______________________________
Visualizando o capítulo:

23. Capítulo XXIII


Fic: Harry Potter e a Wendelin Phoenix.


Fonte: 10 12 14 16 18 20
______________________________

 


Quarenta e oito horas, era o tempo que ela tinha. Às 11h de quarta-feira, findo seria o seu prazo. 


- Temos que sair mais cedo se for para almoçar fora – Jane Granger anunciou. – Já são 11h e ninguém tomou banho ainda.


- Ninguém, não! A Jess está pronta. – Hilary defendeu. – E eu só preciso me trocar.


- Richard está lá em cima. Estava indo tomar banho quando eu desci – fez Hermione, adentrando a sala.


- E Paul saiu com nossos pais – Ashley gesticulou para si mesma e pra Hermione.


Richard Blanc e Paul Lefèvre eram, respectivamente, os maridos de Hilary e Ashley Vernet, suas primas.


- Ah, é claro! Foram jogar golfe – Marcia assentiu. – Pois eu acho que eles não voltarão tão cedo. É melhor que preparemos o almoço ou peçamos alguma coisa.


- Tem razão. Eles e as crianças chegarão famintos! – Jane concordou.


- A Jess dormiu, Mione? – Hilary perguntou à prima.


- Como um anjo – Hermione sorriu. – Acho que Richard aproveitou a folga para cuidar de si mesmo. Você o explora, Hil – fez, num tom falsamente repreensivo.


- Que nada! Ele é louco pela Jess. – Ashley comentou. – Nem saiu com os outros para jogar. Vê?


Hermione riu.


- Tirou a sorte grande, Hil – disse para a prima.


- Oh, sim! Não é todo homem que deixa de fazer o que gosta com os amigos para ficar em casa cuidando de criança, não – Marcia concordou. – Richard é um rapaz de ouro, Hermione. Mas se eu não tivesse segurado as pontas desse relacionamento em casa, certamente eles não estariam casados.


- Eles brigavam muito! – Ashley acrescentou ao comentário da mãe. – De ficarem dias sem se falarem até ele aparecer lá em casa de madrugada perguntando por que ela não atendia aos telefonemas dele... Ele é louco por ela.


- E é médico – Hermione piscou para Hilary.


- Não vejo muitas vantagens num relacionamento onde nós nos vemos somente no trabalho ou duas vezes por semana em casa. – Hilary murmurou desgostosa. – Normalmente, é claro. Enquanto estou em licença à maternidade, consigo vê-lo quatro vezes por semana, sendo que apenas em duas noites ele dorme em casa.


- Bem, a conversa está muito boa, mas eu vou me mudar temporariamente para a cozinha – Marcia avisou antes de se levantar.


- Eu vou com ela. – Jane anunciou. – E, meninas, cuidado com a fofoca – piscou para as três que sobravam.


Hermione, Hilary e Ashley riram.


- Me conta, Ash. Como andam as coisas no mundo criminoso?


- Trabalhoso – Ashley suspirou. – Nossos últimos casos foram bastante delicados.


- É claro! Uma mulher que mata o próprio irmão não pode ser normal, não é? – Hilary comentou em desaprovação.


- Ela está sendo tratada dentro da prisão. Conta com a assistência de psiquiatras e tem atenção redobrada por conta do caso. – Ashley explicou. – Os médicos acham que há grande chance de ela cometer suicídio.


- É uma louca! – Hermione resumiu.


- Mais ou menos – Ashley murmurou. – Temos um caso de DPM. 


- Distúrbio de personalidade múltipla – Hermione disse. – Nossa, então deve ser terrível para ela.


- Para mim, continua sendo uma assassina, não importa quantas pessoas existam dentro dela. – Hilary bufou.


- Mas você disse que foram ‘casos’, no plural. Quais outros...? – Hermione sempre se interessara por esses assuntos, e Ashley sabia disso. Estava acostumada a responder as inúmeras perguntas da prima, assim como contava com a ajuda dela em muitos casos.


- Bem, vão desde um pai que seqüestrou o filho de dois anos porque a mulher não quer voltar para ele até o caso de uma mulher que estava em tratamento psiquiátrico e se matou porque o marido saiu de casa e levou a filha de cinco anos e o casal de cães dela – ela citou. – E o mais chocante de todos: um homem que seqüestrou e assassinou uma mulher grávida de oito meses a facadas.


- Por Deus! – Hermione tapou a boca com as mãos, chocada.


- Você não tinha me contado esse – Hilary tinha os olhos arregalados e parecia tão chocada quanto Hermione.


- Eu não posso sair contando todos os casos que trabalho, e você sabe disso, Hil – Ashley disse. – Mas eu soube que também vêm ocorrendo muitos assassinatos na Grã-Bretanha.


Hermione engoliu em seco.


- É, pois é – confirmou.


- Foram doze só na semana passada. – Ashley continuou e Hermione percebeu que ela estava bem informada.


- É um número grande, se pararmos para observar. Uma verdadeira chacina! – Hilary comentou. – Você não tem medo? Você sabe... com sua filha pequena e seus pais...


- Às vezes nós temos que jogar com a nossa própria sorte – Hermione respondeu, enigmática. – Bem, e a empresa de turismo de vocês? Vai de vento em popa, não é?


Ashley e Hilary se entreolharam rapidamente, sem entender a súbita mudança de assunto.


- É, pelo menos nos negócios nós não andamos tendo muita dor de cabeça – Hilary respondeu.


- Deixamos o papai frente à agência. Ele sempre foi um excelente administrador... – Ashley continuou.


- Puxa, então Carl deve estar adorando!


- Se está... – as irmãs fizeram em uníssono e sorriram.


Ouviu-se então um choro e um rápido movimento no andar de cima. Novamente o silêncio.


- Santo Richard! – Ashley riu.


- Ah, meu marido é um amor! – Hilary também riu.


---


Doze horas se passaram. Tendo em vista tal fato, agora só lhe restavam pouco mais que trinta e seis horas.


Os cabelos estavam naturais desde o dia anterior; não havia motivo algum para mantê-los lisos quando não precisava bancar outra identidade. Levemente ondulados, mas ainda suaves e leves, eles pendiam até pouco acima da cintura. E agora precisava concordar com Amy: ela nunca os tivera tão grandes.


Trançou-os completamente e vestiu o macacão justo e preto que já havia separado. Era curto nas pernas, terminando no meio das coxas, e de mangas compridas nos braços, se ajustando perfeitamente a cada curva de seu corpo. A meia calça, também preta, que usava estava coberta por uma bota sem salto de cano alto.


Jogou a túnica negra sobre o corpo. 


Num bolso discreto do macacão, colocou o celular, programando-o e desligando-o. Só estava levando o aparelho para o caso de alguma emergência, mas sabia que não precisaria dele.


“Limpo, rápido e prático”, lembrou das palavras de Alecia.


Aquele já se tornara um lema pessoal, e não apenas uma orientação de trabalho.


Suspirou e voltou-se para a cama de casal do quarto. Chloe dormia profundamente. “Meu anjo”, pensou, fitando-a ternamente. Caminhou até ela e beijou sua testa com delicadeza.


- Eu te amo, anjo – murmurou baixinho e se afastou, tomando cuidado de não pisar em Daisy, que dormia ao pé da cama, mais parecendo uma grande almofada de cor caramelo cheia de pêlos.


Já postada no meio do quarto, baixou os olhos, incapaz de se encarar diante do espelho. Com um movimento rápido, apagou as luzes e acendeu o pequeno abajur que estava na mesinha de cabeceira.


Cobrindo a cabeça com o capuz negro, lançou um último olhar à filha e desapareceu.


---


As batidas insistentes à porta já estavam começando a irritá-lo. Desceu as escadas contrariado e olhou através do olho mágico, quase rindo de nervosismo quando viu quem estava do outro lado da porta.


- Madame Newbie – ele disse, cordial.


- Boa noite, Harry – ela cumprimentou enquanto atravessava o portal e o moreno fechava a porta às suas costas. – Desculpe-me o horário, mas eu acabei de chegar da Suíça, você sabe, estava passando o feriado com a família. E com o trabalho, também fica um pouco difícil encontrar tempo... Na verdade, só tive um tempo livre agora.


- Muito trabalho? – Harry seguiu a mulher até a sala de visitas, procurando manter um diálogo agradável, mesmo quando se perguntava o que diabos ela viera fazer ali.


Elizabeth Newbie evitava vir à sua casa desde sempre, mas principalmente após a noite em que Karen...


- Oh, sim! Você não imagina o caos que está aquele departamento! Mas está tudo sob controle, graças a Finn. – Ela sorriu amavelmente. – Deve estar se perguntando a que venho, não?


- De fato – Harry admitiu.


- Imagino que Zoe já esteja dormindo, certo?


- Sim. Há quase três horas.


- Ela dorme tanto quanto a mãe – Elizabeth comentou, sonhadora. – Bem, eu vim fazer uma busca a respeito uns arquivos antigos meus que estavam em posse de Karen. Nunca imaginei que fosse precisar deles novamente, então... Eu espero que não se importe.


- De maneira alguma! Eu apenas não sei onde encontrá-los. A bem da verdade, nem mesmo sei se ela guardava algo aqui. Ficaria bastante surpreso se ainda houvesse alguma coisa...


- Hall juntou tudo o que achou no antigo apartamento delas duas, mas dei por falta de um último arquivo. Estou certa que foi entregue ela um envelope no dia da morte dela, Harry. E eu creio que ele ainda está aqui. Talvez Betty pudesse me auxiliar na busca.


Harry hesitou. Havia algo de mal contado naquela história, mas que mal faria deixá-la procurar o que queria?


- Eu vou chamá-la – ele disse antes de partir para os corredores.


Elizabeth passou os olhos ao redor da casa. Estava impecável como sempre. Fitou as escadas. Havia uma luz vinda de um dos aposentos lá em cima.


Ela sabia que havia muito mais a procurar naquela casa do que apenas o envelope desaparecido de Karen. Harry Potter tinha muitas das informações que ela precisava.


O moreno voltou não muito depois, acompanhado de Betty. A senhora usava os cabelos brancos presos a um coque na altura da nuca, e vinha amarrando o roupão enquanto arrastava, apressada, suas pantufas no chão.


- Boa noite, Madame Newbie – cumprimentou, fazendo uma breve reverência.


- Boa noite, Betty. Perdoe-me a indelicadeza de tirá-la da cama, mas eu preciso de sua ajuda. – Elizabeth explicou.


- É claro, no que a senhora precisar.


A campainha soou e Elizabeth suspirou aliviada.


- Ah, Harry, esqueci de avisar! Que cabeça a minha – ela sorriu enquanto gesticulava. – Uma amiga vem me ajudar e é provável que seja ela à porta. Espero que não se importe.


Se Harry já estava desconfiado, agora ele tinha todos os motivos para crer que havia muita coisa por trás daquela súbita visita.


- Não há problema algum – ele assentiu, por fim, e abriu a porta.


Uma loira de cabelos compridos, nariz fino e reto e olhos extremamente verdes estava diante de si. Era muito bonita, notou.


- Olá, boa noite – ela sorriu sem jeito e mordeu o lábio inferior. – Você é Harry Potter – ela cumprimentou, estendendo a mão para ele.


Harry apertou a sua mão e reparou que ela segurava a bolsa nos ombros com uma firmeza singular, como se estivesse ansiosa.


- Sim, sou – ele confirmou, sabendo que não era necessário. – E você é...


- Caroline Hastings – Elizabeth Newbie foi quem respondeu. – Ela está comigo, Harry.


- Ah, é claro – ele concordou. – Entre, por favor.


“Ok, isso está realmente estranho”, pensou. Quando Elizabeth dissera amiga, ele imaginara uma senhora em seus cinqüenta e poucos anos, e não uma criança. “Tudo bem, é exagero. Ela deve ter vinte anos”.


- Com licença – e Caroline passou por ele e postou-se ao lado de Elizabeth, cumprimentando Betty com um breve aceno.


- Bem, eu acho que não precisarão de mim por enquanto, mas se precisarem de alguma coisa, estarei em meu escritório – ele apontou o andar de cima e deu um meio sorriso, depois se retirando. – Com licença.


Ele subiu as escadas rapidamente e sumiu de vista.


- Tudo bem, por onde começamos? – Caroline indagou.


Elizabeth ponderou um instante e virou-se para Betty, dando um sorrisinho simpático.


- Betty, onde estava o seu patrão duas horas atrás?


- O Sr. Potter passou a tarde fora com a filha e retornou há cerca de quatro horas. Então ele fez a pequena Zoe tomar banho e ambos ficaram em seu quarto assistindo tevê. Acredito que ele permaneceu lá depois de levar Zoe para o quarto dela quando ela adormeceu.


- Hum – assentiu e virou-se para a loira: – Você conseguiu o que eu te pedi? – indagou.


- Sim – Caroline confirmou. – HJG. – Codificou para que só Elizabeth pudesse entender.


- Perfeito – a Dama de Ferro sorriu. – Obrigada, Betty. Por enquanto é só.


- Sim, senhora. Precisando, sabe onde me encontrar – Betty fez uma breve reverência e se retirou.


- Acha que será mesmo necessário? – foi Caroline quem perguntou.


- Ainda não, mas um feitiço da ilusão será muito útil para você – Elizabeth respondeu num murmúrio. – Nós aproveitaremos que ele está fora do quarto e começaremos por lá. Certamente não encontraremos nada no quarto de Zoe e, segundo Hallie, Karen dizia haver um quarto na casa que sempre estava fechado, então podemos eliminá-lo automaticamente.


- E o gabinete?


- Este ficará por último. Tenho certeza que ele não vai dormir enquanto estivermos aqui.


- Deve haver uma biblioteca nesta casa. Ela é muito grande para tão poucos cômodos – Caroline comentou enquanto analisava a casa.


- No subsolo – resumiu.


Sem mais, ela fez o feitiço de ilusão em Caroline e sem precisar de nenhum esforço, ela própria desapareceu. Ela era uma descendente de elfos e fadas, afinal! O poder de ficar invisível estava em seu sangue e não seria necessário feitiço algum para atingir aquele objetivo.


Guiou a loira pela voz.


- É a última porta do lado direito do corredor – murmurou e apressou-se em subir as escadas, sabendo que Caroline vinha logo atrás.


Deu uma olhada no gabinete e viu Harry absorto na leitura de um livro. Entraram no quarto do moreno e encostaram a porta.


Elizabeth então reapareceu e fez sinal para que Caroline fizesse o mesmo.


- Procure nos armários e eu vou revistar as cômodas e as caixas – ordenou.


---


Observou a casa de longe. Havia dois cômodos acesos no segundo pavimento. Um deles estava evidentemente ocupado, visto a intensidade da luz que se podia observar através da janela. O outro, no entanto, tinha a luz fraca – e ela supôs ser de um abajur ou de uma lanterna.


No cômodo mais iluminado não havia nem sinal de movimento, enquanto no outro era possível observar sombras se movimentando para lá e para cá, sempre com movimentos rápidos. As sombras então sumiram, como tivessem aquietado. E ela avaliou as outras janelas. Havia mais quatro naquele andar, duas em um dos lados da casa e uma na extremidade oposta. A última estava solitária num terceiro lado do enorme retângulo que era aquela casa. 


Chegou à conclusão de que não poderia mais esperar. Assumiu a forma de uma raposa e correu rumo à imponente casa, alcançando o segundo andar com facilidade. Esgueirou-se por uma das janelas e percebeu que estava num ambiente aberto, uma espécie de saleta que dava para o corredor não muito comprido. 


Havia duas portas de um lado do corredor – uma delas fechada e a outra aberta, a que dava para o aposento iluminado – e três de outro, onde todas as portas estavam fechadas, mas apenas a última tinha uma fresta de luz vinda por debaixo dela.


A luz vinda da primeira sala do seu lado direito iluminava boa parte do corredor. Aspirou o ar. Havia quatro pessoas naquele andar. De dentro do quarto que estava ocupado, ouviam-se dois pares de pés e sussurros, além de folhas de papel sendo remexidas. As outras duas, no entanto, estavam em silêncio, quietas.


Sem mais, adiantou-se e correu pelo corredor para a porta que estava aberta.


---


Caroline era rápida e precisa, eficiente em tudo o que fazia. Em pouco mais de quinze minutos, ela já havia revistado todos os armários e já estava ajudando Elizabeth, que era mais minuciosa em sua busca, abrindo pastas e fichários, revisando documentos à procura de qualquer coisa que pudesse ajudar.


- A escrivaninha – apontou e avançou com a loira para lá.


Procuraram por todas as gavetas e nada acharam – até a última.


- O que é isso? – Caroline apontou uma espécie de material diferente das que encontraram nas gavetas anteriores. – Parece uma espécie de forro.


- Deixe-me ver – Elizabeth endireitou os óculos e abaixou-se, agachando-se ao lado de Caroline, que estava sentada no chão e parecia bem à vontade. 


Com muito cuidado, ela tateou toda a extensão da gaveta, procurando algum sinal de que fosse realmente um forro. Quando conseguiu, encontrou um buraco onde se encaixava perfeitamente um dedo. 


- E é um forro. – Sorriu e puxou o material para cima ainda com cautela, deixando à mostra um caderno e um envelope pardo. – Achamos.


- Vai entregar a Hermione? – Caroline perguntou enquanto observava Elizabeth folhear o caderno, os olhos esquadrinhando rapidamente as páginas escritas.


- Eu, não. Você – apontou Caroline. – Você voltará a casa dela ainda esta madrugada e deixará o envelope e o caderno sobre um lugar visível, de preferência, assim como deve devolver o vira-tempo. – Explicou. – Eu vou escrever uma carta, você deixará tudo junto para que ela encontre o mais rápido possível. Não podemos nos permitir mais uma morte sequer.


A loira assentiu.


- E quanto à chave?


- Explicarei a respeito, ela vai entender – Elizabeth garantiu.


- Devo ir agora?


- Ainda... – mas os olhos de Elizabeth perceberam um movimento do lado de fora do quarto. Alguém acabara de passar pela porta, as sombras entregaram. – Ainda não. – Murmurou e pôs-se de pé, correndo para a porta, entreabrindo-a em seguida.


Viu algo esgueirar-se para o gabinete. 


“Algo, porque alguém não pode ser tão peludo”, pensou.


---


Retornou à forma humana. A única coisa visível naquele aposento, que ela agora sabia ser um gabinete, era uma enorme poltrona preta de costas para a porta.


Caminhou silenciosamente até a poltrona, preparando-se para o ataque. Ele estava ali, sentado, um livro em mãos.


Nunca imaginou que teria sido tão fácil chegar até ele. Pensou que encontraria uma série de obstáculos no caminho, seguranças, talvez. Mas não. Claro que havia mais gente ali, uma provavelmente adormecida e duas que pareciam estar mais ocupadas com alguma coisa dentro do quarto.


Seria muito simples e rápido. Ela poderia simplesmente matá-lo e sumir, e quem quer que estivesse ali, jamais saberia.


Deu um passo adiante e baixou o capuz, certa de que ele não teria notado a sua presença.


“Ele é um exímio auror, não o subestime”, repreendeu-se mentalmente.


Estava pronta para atacar; ergueu as mãos em direção a ele.


Naquele exato momento, no entanto, ele moveu a cabeça para o lado e deixou-a pender na poltrona, relaxando. Ele teria adormecido?


---


“O que é isso?”, ele notou algo por entre as páginas do livro e puxou.


Era uma fotografia. Ele e Hermione apareciam juntos na imagem que ele reconheceu ser do Réveillon de 1997/98. Ele a abraçava pela cintura e beijava o ombro bronzeado da – até então – namorada. Ela sorria abertamente e o olhava de esguelha.


---


Balançou a cabeça negativamente e procurou concentrar-se novamente. E, mais uma vez, estava prestes a tirar sua vida quando ele puxou algo de entre as páginas e fitou com curiosidade.


Ela simplesmente estacou ao ver a si própria na imagem. E ele...


Sim, ela tinha certeza que era ele na foto. Mas não foi apenas aquilo que a intrigou; a intimidade expressa naquela imagem era gritante. E ela não se lembrava de nada daquilo, mesmo tendo fotos e mais fotos daquele mesmo dia na casa de York, onde estavam apenas ela, seus pais e parte de sua família que vivia na França: Carl, Marcia, Ashley e Hilary.


O que significava aquilo, afinal?


Sentiu uma vertigem tomar conta de seu corpo e deixou-se afogar na escuridão. Flashes. Eles eram rápidos e pouco se podia absorver ou mesmo entender das imagens que lhe eram apresentadas. Quando voltou a si, concluiu que ele fizera parte de seu passado. Mas aquilo não importava agora. Depois falaria com Amy e extrairia dela tudo o que pudesse, mesmo sabendo que já não faria diferença alguma; ele estaria morto.


---


“Mas o que diabos ela está fazendo aqui?”, Elizabeth Newbie pensou ao vê-la baixar o capuz.


Hermione Granger estava ali, no gabinete de Harry Potter, a uma distância de pouco menos de um metro das costas da poltrona onde ele estava sentado. Ela tinha as mãos erguidas na direção dele, as palmas abertas.


Perguntou-se o que ela estava fazendo ali, parada. E não só isso: o que ela viera fazer ali? Teria resolvido ela mesma procurar alguma coisa que levasse ao bruxo assassino, exatamente como ela e Caroline vieram fazer?


Ao mesmo tempo em que se desesperou, sentiu-se aliviada por ser ela e não o tal bruxo. Sim, Elizabeth sabia que Harry era filho de uma nascida trouxa e, se fosse mesmo o bruxo, certamente ele e Zoe seriam eliminados aquela noite mesmo.


Ao perceber Hermione se aproximar dele, pôde ver exatamente o que aconteceria caso ele se desse conta de sua presença: ele estranharia, exigiria saber o que ela fazia ali e Elizabeth não poderia fazer muita coisa para ajudá-la.


Resolveu, por fim, intervir. Caroline já estava atrás de si e tentava observar o mesmo que ela.


Viu a morena vacilar dentro do gabinete e seus olhos perderem o foco por um instante e então se aproveitou da situação.


---


Ela não soube quando nem como, mas foi tirada de seus devaneios. Ouviu um movimento rápido às suas costas e antes que pudesse reagir, tinha um pano úmido pressionado sobre seus lábios e nariz. Um cheiro forte invadiu suas narinas e ela buscou ar pela boca. Sentiu o ar queimar em sua garganta e, sem mais, seus sentidos esvaírem-se como fumaça.


Adormeceu.

Primeiro Capítulo :: Próximo Capítulo :: Capítulo Anterior :: Último Capítulo

Menu da Fic

Adicionar Fic aos Favoritos :: Adicionar Autor aos Favoritos

 

_____________________________________________


Comentários: 0

Nenhum comentário para este capítulo!

_____________________________________________

______________________________


Potterish.com / FeB V.4.1 (Ano 22) - Copyright 2002-2026
Contato: clique aqui

Moderadores:



Created by: Júlio e Marcelo

Layout: Carmem Cardoso

Creative Commons Licence
Potterish Content by Marcelo Neves / Potterish.com is licensed under a Creative Commons
Attribution-NonCommercial-ShareAlike 3.0 Unported License.
Based on a work at potterish.com.