CIÚMES
Bebi do veneno que escorre dos teus lábios,
E provei de outro que eu mesmo produzi,
Agora, amor tenho que te dizer.
Vou morrer agora, se não puder matar quem toca em você.
Eu me afoguei algumas vezes em um veneno perigoso. Uma coisa que te consome e faz com que você perca totalmente a cabeça, uma coisa que faz você pensar certamente em mandar tudo pelos ares. Ciúmes. Só de pensar sinto minhas têmporas latejarem dolorosamente. Tinha vontade de destruir à unha todos que tocavam nas pessoas que eu amava. E se parece que eu pirei com a Brown no sexto ano, você não imagina quantas vezes Michael Córner e Dino Tomas foram mortos em pensamento. Eu nunca tinha na verdade provado o gosto insuportavelmente amargo do ciúme até me apaixonar por ela. E aviso que esse veneno mata, te mata aos pouquinhos, derretendo as veias do seu coração. O pior é que sentir ciúmes de algo que você não pode reivindicar é como brincar de cravar pregos no seu coração. Nem tente ser racional, não funciona. Se você prova do veneno...
Eu procurava Gina pelos terrenos d’a Toca para mostrar-lhe as passagens. Tinha acabado de chegar de Londres, onde as buscara, e estava ansiosa para mostrar a ela. De longe vi que ela e Harry estavam sentados sob a macieira de onde recolhiam as maçãs para praticar quadribol. Apressei-me para lá com a costumeira contração no estômago e a idéia fixa de que tiraria Gina de lá.
Meu estômago se contraiu ainda mais ao ver que eles estavam se beijando. Forcei-me a me aproximar, eles não me perceberam pareciam bem distraídos. Quase como se tivesse perdido o controle de meu corpo, me escondi entre os galhos de uma moita próxima. Através das folhas verdes e ressequidas eu observava os dois. Harry de repente puxou Gina para seu colo em um beijo sôfrego e (devo dizer) desajeitado. As mãos dele entraram por sob a camiseta dela e eu quis azará-lo. Mas nada me irritou mais que ver as mãos dela presas no cabelo dele, agarradas entre os fios. Aargh! Tinha algo amargo surgindo na minha língua. Fiquei paralisada ali observando enquanto eles se beijavam. De repente vi a mão de Harry indo até o zíper dela e minha mão involuntariamente alcançou minha varinha. Respirei fundo uma vez, e fitei os nós brancos de meus dedos apertando a varinha. O amargo se espalhou pela minha boca me dando náuseas.
– Ei! – exclamou a voz de Gina. Ergui os olhos novamente e vi que ela havia se afastado um pouco dele.
– Que foi? – ouvi Harry perguntar.
– Não assim. – falou Gina sentando-se ao lado dele, o rosto rubro.
– Você não se preocupava muito com isso. – falou Harry e eu quis estuporá-lo.
– Não quero. – explicou Gina – Não agora.
O aperto no meu peito diminuiu um pouco, o amargo começou a dissipar.
– Gina, você não parecia ter problemas com isso, se me lembro bem. Me lembro que disse que pensava estar preparada...
Harry era um idiota.
– Ok, Gina. Sem problemas. – disse o garoto finalmente.
– Que? – perguntou Gina parecendo distraída. Em que estaria pensando?
– Ok, Gina. Quando quiser fale comigo. Está bem? – não pude deixar de perceber a irritação na voz de Harry.
Logo Gina voltou ao colo dele e voltaram a se beijar. As mãos de Gina passeavam por sob a camiseta de Harry. O amargo preencheu minha boca novamente como se nunca tivesse saído dali...
Sem me conter me preparei para sair da moita e sem querer quebrei um galho. Gina ergueu os olhos com o barulho.
– Hermione! – exclamou Harry retirando as mãos do corpo de Gina.
Ah como eu queria espancá-lo.
– Er...Oi. Desculpem. – tentei falar com uma voz normal – Eu estou voltando de Londres, eu...
Eu olhei para Gina que continuava sentada no colo de Harry e por que diabos ela não levantava?
– Você? – incentivou Gina. Mas eu olhava para outra coisa, um outro problema iminente.
– Ahm...Ronald. – falei fitando o os cabelos ruivos não muito longe.
Harry rapidamente se desvencilhou de Gina e começou a correr em direção à casa.
– Patético. – murmurou Gina distraída.
– Espero que ele chegue no banheiro antes do Rony alcançá-lo. – falei. No fundo queria que Rony o alcançasse e o expulsasse de casa.
– Estava nos espionando? – perguntou Gina de repente.
– Não! – me apressei a dizer me sentindo corar – Eu...quero dizer... Estava te procurando para te mostrar isso. – estendi as passagens para ela.
– O que é isso? – perguntou Gina curiosa.
– Nossas passagens, o avião sai amanhã às 8hs da manhã. – falei sentindo algo se agitar dentro de mim.
– Avião? – ela olhou para as passagens como se fossem insetos perigosos – Por que não podemos aparatar?
– Ah, Gina quero que você ande de avião! Você vai adorar! – falei. Eu tinha pensado nisso, Gina tinha que experimentar o avião.
– Sei não, Herms, essas coisas trouxas... – começou ela. Eu tive que conter para não rir.
– Relaxa, você vai adorar. – falei.
Ela começou a andar e eu a segui. Fiquei pensando na cena e na conversa com Harry que eu havia presenciado. Comecei a desviar sua rota para o salgueiro.
– Ginny... – comecei.
Ela fez uma expressão interrogativa.
– Vocês iam transar? – perguntei de supetão. Esperei a resposta ansiosa.
– Isso é da sua conta? – falou ela. Me irritei de imediato.
– Sim é. Você não tinham usado nenhum método contraceptivo, estavam em uma árvore, podendo ser pegos, consegue imaginar o que o seu pai iria pensar, ou o que o Rony ia... – desatei a falar.
– E é só por isso, que eu não podia transar com ele? – ela me interrompeu.
– Você ia? – eu queria, precisava, saber.
– Ia, Hermione. – respondeu ela, sentando-se sob o salgueiro – Se você não tivesse interrompido.
Ela se deitou com os braços cruzados sob a cabeça. Eu me senti ferver por dentro. Queria dizer um milhão de coisas, um milhão de coisas que eu não podia dizer...Mas tinha algo que eu precisava recuperar.
– Ginny eu... Posso pedir uma coisa? – perguntei pensando em qual seria a resposta dela.
– Se eu puder fazer... – falou ela evasiva.
– Volta para nossa cama? – falei.
– Nossa cama? – ela riu e eu me irritei ainda mais.
– É sério Ginny, não consigo dormir. – falei levemente desesperada. Deitei apoiando a cabeça no peito dela.
– Claro que consegue. – falou Gina baixinho. Ela me envolveu com seus braços e naquele momento eu soube que ela voltaria.
– Você também sente falta. – falei espertamente. Senti seus braços me apertarem um mínimo milímetro.
– Eu vou pensar. – disse ela.
Não agüentava mais aquele amargo dentro de mim. Estava quase me enlouquecendo.
– Gina, deveríamos subir e fazer as malas... – falei pelo que parecia ser a décima vez. Estava ficando enjoada vendo Harry depositar beijinhos no rosto de Gina, e todo aquele...argh! Enfim, por que Gina tinha que ficar tão agarrada à ele? Tão junto...?
– Daqui a pouco – respondeu Gina. Ela parecia sonolenta e se aconchegou ainda mais à Harry.
Eu havia chego ao meu limite.
– Gina, realmente deveríamos subir e fazer as malas... – falei novamente esperando que ela pressentisse o sinal de alerta em minha voz.
– Daqui à pouco Hermione... – ela repetiu.
Aquilo era demais.
– Anda Gina, vamos – falei agora irritada.
A expressão de Harry pareceu captar qualquer coisa, mas não me importei, que ele pensasse que eu estava na TPM sei lá.
Finalmente, Gina suspirou e se levantou.
– Já volto, Harry. – disse enquanto ia para as escadas.
– Você tem que ficar tão colada nele? – falei quando chegamos ao patamar superior.
– Não enche, Herms. – Gina parecia aborrecida.
– Por quê? – insisti.
– Por que o quê? – perguntou Gina impaciente.
– Por que tem que ficar colada nele? – repeti.
– As pessoas gostam de carinho Hermione, estar com o Harry é bom. – Gina fechou a porta do quarto.
– Eu posso te dar carinho... – falei.
Meus olhos se estreitaram quando Gina riu.
– Qual é o lance? Você pode estar com o Ronald, se agarrar com ele e eu não posso ter ninguém? – falou ela indignada.
Pensei por um segundo. Droga! Eu era uma desgraçada egoísta.
– Você me odiaria se eu pedisse isso? – a voz quase não saiu.
Gina me fitou como se eu fosse alguma coisa desprezível demais para ela gastar palavras e se virou para o guarda-roupa.
– Frio ou calor? – perguntou subitamente.
Fitei-a confusa.
– A Australia, Herms. – falou ela.
Meu cérebro estava em outra coisa.
– Mas tem que ficar sempre tão perto? Assim cheios de carinho e beijinhos? – falei ignorando a pergunta dela.
– Devo levar casacos? – ela me ignorou.
– Heim?! Responde! – falei de um fôlego.
A porta do guarda-roupa bateu e ela se virou irritada.
– É bom sim Herms! Eu gosto de ficar assim com ele! Prefere o que? Descer a escada e me encontrar transando com ele? – falou Gina ácida.
– Sabe acho que prefiro! – gaguejei pensando – Melhor do que ver você adorar o colo dele.
Ela revirou os olhos. Tão bonitinha indignada...
– Você é minha Ginny... – falei sem perceber.
– Não! Não sou! – gritou Gina.
– Argh! Estava tudo muito bem! Por que você tinha que começar isso! – falei sem pensar de novo.
– Eu? Eu? Não fiz nada. – defendeu-se Gina.
– Sim! Fez! Eu amo você desde o quinto ano! – pronto falei -- Eu nunca tive ciúmes! – uma mentirinha – E agora você começa... Ginny? Ginny que foi?
Gina deixou o casaco cair e tinha uma expressão entre aturdida e ofendida.
– Desde o... – falou ela fitando-me.
– Ai, Droga! Droga! Não era para você saber disso! – como eu podia ser tão idiota? Depois de tanto tempo escondendo, para falar assim tão idiotamente.
– Quinto ano? – ela me segurou pelo braço, eu nem havia percebido que estava andando pelo quarto. Não consegui fitá-la. – Esse tempo todo?
– Que diferença faz? – perguntei à meia voz.
– Você realmente me ama? – perguntou ela no mesmo tom. Quase ri.
– Ainda tem dúvidas? – perguntei.
– Por que... por que...nunca contou...
Eu estava preparada para essa pergunta.
– Não podia... – respondi.
Gina me puxou e nos sentamos na cama.
– Por que está fazendo isso? Por que não podemos...?
Ela me abraçou e me deixei ficar nos braços dela.
– Não. – falei.
Gina colocou a mão sob meu queixo erguendo a minha cabeça e senti meu coração disparar. Ela aproximou sua boca da minha, muito perto... meu coração parecia que ia sair pela boca, meu estômago se contorceu...e ela apoiou a testa na minha de olhos fechados.
– Está tudo bem. Vai ficar tudo bem, meu anjo. – a respiração dela foi de encontrou ao meu rosto.
Abracei-a forte, sentindo seu coração bater contra meu peito.
– Eu preciso tanto de você. – falei.
– Estaremos juntas, ok? – falou Gina.
– Promete? – perguntei.
– Prometo. – ela me fez olhar para ela de você – Agora vamos arrumar nossas malas. Você tem razão, precisamos de um tempo para respirar.
Não pude conter um sorriso. Essa viagem ia ser perfeita.
Eu estava deitada fitando o escuro, inquieta. Gina estava dormindo comigo de novo. Eu pensava em como seria a viagem... Pensei em ficar tanto tempo sozinha com Gina, em como seria. O seu corpo atrás de mim, parecia transmitir ondas elétricas para o meu corpo.
De repente ela me enlaçou pela cintura. Suas mãos deslizaram pela minha pele sob a minha camiseta, fazendo com que eu me arrepiasse. Sua boca parou no meu pescoço fazendo meu corpo aquecer. Tudo que eu mais queria era me virar e beija-la, toca-la por inteiro. Mantê-la em mim, absorve-la de alguma maneira.
– Eu não posso trair o Rony... – falei como que para me trazer de volta à realidade.
– Eu sei. Mas isso não é trair, é? – ela deslizou os lábios pelo meu pescoço e a respiração saiu arranhada por entre meus lábios.
– Não sei... Mas tem um limite do que posso evitar. – falei.
– Te amo...
– Eu te amo... – murmurei de volta.
Ela acariciava minhas costas, os lábios ainda em meu pescoço. Eu estava perdendo os sentidos.
– Só quero sentir você...nada mais. – falou Gina.
Sua mão passeou pelo meu corpo, pelas minhas pernas...
Virei-me fitando-a. Gina não me soltou. Toquei-lhe os lábios com o indicador, fazendo o desenho de sua boca tão bonita. Eu me perguntava quanto tempo eu poderia resistir à ela. Aproximei o rosto de seu pescoço para sentir seu cheiro, aquele cheiro que parecia me perseguir. Meus lábios roçaram seu pescoço, ela deu um pequeno suspiro e foi como se um interruptor se ligasse dentro de mim. Apertei-a contra mim, erguendo minha perna entre as suas. Ela gemeu meu nome.
– Fala... – perguntei num sussurro perto de seu ouvido.
– Você está me deixando louca... – a voz dela saiu deliciosamente entrecortada.
– Bem vinda ao meu mundo... – sussurrei.
Como que por vingança as mãos dela voltaram passear pelo meu corpo, fazendo com que eu me arrepiasse ainda mais. Até que por fim tocou meu seio. Tentei não gemer, juro que tentei.
– Não geme assim... Dá vontade de ouvir mais. – falou ela implorativa.
“Então me faça gemer mais” pensei.
– Não dá. Tudo em você é muito bom... – falei.
A boca dela percorreu meu pescoço avidamente. Uma das mãos dela deslizou para dentro da minha calcinha fazendo com que eu arfasse.
– Pára. – sussurrei. Era horrível ter de negar a si mesmo. Tudo que eu queria era que ela fosse além, tudo que eu queria era ela.
Ela parou, mas logo sua mão roçou em mim.
– Gina... – arfei.
Gina retirou a mão e nos fitamos por um momento.
– Um dia. Eu vou transar com você... E vai ser de um jeito que você nunca mais vai esquecer.
“Tenho certeza de que não esquecerei” pensei sorrindo.
Beijei o rosto dela.
– Vamos dormir? – falei.
– Qual a exata conotação de dormir nessa frase? – Gina sorriu lindamente.
– Fechar os olhos e sonhar. – disse passando a mão por seu rosto e fazendo com que ela fechasse os olhos.
– Mas ainda é cedo... – falou ela levemente birrenta.
– Meu autocontrole tem limites... Além do mais, amanhã temos de acordar cedo. A viagem. – justifiquei.
– A viagem... Que consolo... – disse ela sorrindo de novo.
Eu ri enquanto me virava. Ela me enlaçou pela cintura novamente. Dormi calmamente. Afinal, ela estava ali comigo. E era minha. Na verdade não sou tão ciumenta assim... Mas o que é meu é meu oras...Tenho certeza que você concorda. Se alguém toca no que é seu você não se enfurece? Minha cara à tapa para quem disser que não. E se você estiver pensando que uma pessoa não pode ser propriedade de ninguém, você está certo. Contudo, se apaixone. Aí a gente, conversa de novo.
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N/A: Esse capítulo é dedicado à Dé Weasley ^^ Obrigado pela companhia moça! Ah, gente eu não revisei esse capitulo (nem o outro) por isso perdoem errinhos ^^”””
PS: Alguém se identificou com os sentimentos de Hermione???