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1. Uma sombra na escuridão.


Fic: Uma sombra na escuridão


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i. Dúvida

Tudo é negro ao meu redor!

Não é apenas o negro da escuridão, mas da ausência de luz, da luz da vida, da esperança, da consciência...

Escuridão: estado de espírito dos perdidos – ela me habita.

É o vazio que me circunda. A imagem do nada, pairando ao redor.

— Onde estou?

Sinto que essa dúvida me acompanha há muito, vindo à mente nos breves momentos que consigo emergir de um estado de transe.

— Eu existo?

É possível conceber uma criatura vagando em meio ao nada?

A dúvida entre o infinito e o concreto. O equívoco entre o impossível e o real.

ii. Medo

Tento apoiar-me no vazio – é impalpável; busco distinguir uma sombra além – não há nada; procuro ouvir os sons da existência – só o vácuo me responde.

Sei que meus olhos estão abertos, mas nada vejo: estou contagiado pela atmosfera sombria que me envolve.

Não há aromas, o ar é morno, parado, sufocante.

O ambiente transpira desespero: carente do som de um mero rangido, da brisa de um simples sopro, da chama tênue e frágil de uma vela.

Um sentimento de aflição cresce no peito que eu não sinto bater. O pavor me domina – a ênfase do medo: desconhecido, inaudível, imaterial, inexplicável...

iii. Lembrança

— Quem sou?

Não estive sempre aqui, mas estou vagando há muito tempo neste negrume.

“Negro!” – Sussurros ecoam...

Já os ouvi antes, neste suposto transe, despertando minha consciência: por causa deles encontro forças para lutar.

“Negro! Preto!” – Continua zunindo, oferecendo raros momentos de lucidez...

Lembranças daquilo que fui. Mas, meu corpo... Não o sinto... Se realmente tenho um.

“Negro! Preto! Black!” – Os murmúrios se intensificam...

Sim, lembro-me disso: é familiar. Um nome, uma designação que há muito não me é dirigida.

Os sussurros insistem, recordo ouvi-los antes... Além do Véu... E vim ao seu encontro.

Agora me lembro:

— Sou Sirius Black!

iv. Memórias

Entre o desespero de não saber quem sou e a amargura de lembrar que fui um nada. Recordo dos acontecimentos que me trouxeram aqui: a Sala da Morte... A batalha... Bellatrix... O Véu.

— Foi tudo muito rápido!

Que castigo me foi imposto? Minha punição será vagar eternamente em meio ao limbo? Sem usar meus sentidos? Ou valer-me de minha argúcia?

Um vulto negro se distingue à frente, um espectro, destacando-se na escuridão: reflexo do meu eu, a sombra do que fui...

A efígie do meu rosto... Descarnado... Expressão vazia do meu interior.

Observo minha trajetória naquela imagem: vislumbres de reminiscências.

v. Aversão

— Sangue-puro!

Grupo de aristocratas hipócritas, tão orgulhosos de sua estirpe, tão altivos por sua ascendência...

“A mui antiga e nobre Casa dos Black” e seus princípios decadentes. Eu desprezava aquela superioridade e arrogância, repudiava seus inversos valores morais.

Retribuíram na mesma moeda: meu pai considerou-me um “traidor do sangue” – negou-me a herança de seu nome imaculado; meu irmão deu-me as costas enveredando pelo caminho das Trevas – teve o fim esperado; minha mãe não somente me “queimou” de sua tapeçaria: extirpou-me do coração – se é que algum dia teve um.

Mas... E eu? Não me parece agora ter tido melhor destino.

vi. Negação

“Volte para teus amiguinhos de ‘sangue-sujo’... Volte para tuas pulgas!”.

Um cão sarnento – é o que era aos olhos da família.

Ainda criança, tinha convicção que não era a vida que queria. Logo, não retornava a Grimmauld Place nas férias, o “velho lugar sombrio”. Fui um espírito precoce, no que concerne à rebeldia.

Renegado, retribuí da mesma forma. Mas, confesso, na insignificância que me encontro: a ausência dos laços de sangue, a privação do amor familiar, me calaram fundo no peito – o primeiro pedaço arrancado do coração.

Um cão negro... O peito sufocado na escuridão... A consciência mergulhada nas trevas.

vii. Destino

Hogwarts: o melhor período de minha vida! Creio que, se eu ainda tiver um rosto, um breve sorriso estará estampado nele agora. Sorriso igual ao que vi refletido no espelho do dormitório da Grifinória, na minha primeira noite após a cerimônia de seleção.

O acaso me fez dividir as acomodações com James, Remus e Peter... Destino?

De qualquer maneira, havia um equilíbrio ali: eu era a confusão, Pettigrew a covardia, Potter a audácia e Lupin a razão.

Nossos feitos tornaram-se célebres em nossa época e após ela. Todos nos observavam, ou por admiração ou por discordância... Dentre estes, alguém especial.

viii. Conflito

Um alguém destinado a se abrigar pela eternidade num nicho escondido do coração, sem jamais saber de sua real importância. Um sentimento nunca deixado à mostra, mas que se manteve sempre presente – imortal. E, mesmo agora, que suponho não mais estar preso ao mundo material, a emoção se difunde pela minha essência ao degustar essas recordações.

De todas as emoções que comungamos, o amor é a única que tanto pode nutrir e fortalecer como, fatalmente, fazer-nos definhar e sucumbir.

Não esperava conhecer o amor tão cedo, simultaneamente às minhas explosões de rebeldia. A sensação de bem querer se fazia conflitante.

ix. Cores

Vê-la passar era como assistir às quatro estações do ano desfilando seus predicados intangíveis perante os deuses: seus cabelos cor de cobre simulando um verão de fogo, os olhos de esmeralda realçando os tons da primavera, o branco de sua alma imaculada representando a pureza do inverno, a nuança em pastel de sua pele macia ressaltando o frescor do outono.

Todas as cores se entregando submissas ao seu comando, curvando-se à sua passagem, estendendo-se aos seus pés.

Tive a felicidade de conviver com ela, e uma coisa sempre me foi evidente: era impossível conhecer Lily Evans e... não se apaixonar!

x. Amor

Cedo, conheci minha alma-gêmea, que entenderia meus atos e segredos. Sentia isso em sua presença ou à sua simples lembrança: sua aura de bondade, seu estigma de justiça – suas palavras tornaram-se um dogma para mim.

Seríamos o par perfeito? Teria descoberto o amor verdadeiro?

O que importava? O coração disparava e meus pensamentos eram todos dela – para mim isso era o bastante.

Minha afeição cresceu como uma febre mal tratada. Mas, um entrave interpôs-se em meu caminho: Potter.

Audaz, antecipou-se: seus sentimentos eram tão puros quanto os meus – tive de escolher entre confrontá-lo e abster-me do amor da minha vida.

xi. Distância

Prongs era um amigo, alguém também especial – jamais ousaria atravessar o caminho de seu desejo mais autêntico; e Lily o correspondia, apesar de toda a história de desavenças que acompanhou a trajetória dos dois.

Qual o preço de uma amizade sincera? Seria equivalente ao valor da própria felicidade?

— Para mim, sim!

James foi quem me acolheu, me fez conhecer o sentido de uma verdadeira família: nada mais justo do que pagar-lhe com o valor mais alto que me estivesse disponível.

A distância tornou-se necessária desde então:

“O maior sofrimento vindo do amor é amar alguém que você não pode ter”.

xii. Desilusão

Observar a quem amava em segredo nos braços de outro foi doloroso – o segundo pedaço do coração arrancado do peito. Como eu sofri por ela, pela desilusão do amor amputado: a dor da solidão.

A emoção era intensa, o desejo pelo inalcançável, a cobiça pelo inatingível: mesmo agora, que não possuo os sentidos, a desilusão me invade a alma e me corrói o espírito.

Sentimentos fortes há muito ocultos, sempre contidos, nunca revelados. Definidos por uma simples frase, decorada para a eternidade, jamais pronunciada:

“Te amar é como tentar tocar uma estrela, você sabe que nunca alcançará, mas continua tentando”.

xiii. Morte

A dor pela perda dos dois não foi pior porque transformou-se rapidamente em ódio! Ódio de Voldemort, pelo ato em si... Ódio de Wormtail, pela traição e... Ódio de mim mesmo, que me abstive da tarefa de protegê-los.

A tristeza e o desgosto me invadem e aguçam o sentimento de incapacidade, tornando meu espírito mais escuro do que as trevas que me cercam, fazendo-me imaginar o gosto amargo da culpa que saboreei por muito tempo: minha alma chora, mas não sinto as lágrimas escorrerem pelo meu rosto.

Se ainda me restava alguma fração do coração, ela foi extirpada naquele momento.

xiv. Fracasso

— Doze anos... Em Azkaban!

A lei dos bruxos não precisava julgar-me: eu mesmo já aplicara o veredicto:

— Culpado! – Por fracassar em minha vingança... Por abandonar à sorte aqueles a quem amava... Por abdicar à felicidade...

No cárcere, recordava o olhar duro dos amigos... Mas, não havia ódio nele: apenas tristeza, angústia e decepção. Eu poderia suportar a raiva, poderia conviver com o horror... Mas, a aversão, o nojo, o desprezo – eram demais para mim.

Percebo agora que a escuridão que me envolve não é de todo estranha... Ela tem me acompanhado por toda vida... Meu passado, presente e futuro: negro!

xv. Desespero

— Dementadores!

O ar gelado... A sensação de angústia e desesperança... Os mantos negros pairando no ar rarefeito... Criaturas das trevas – semeadoras da escuridão.

Em meus pesadelos, ouvia as palavras malditas de minha mãe, via os olhos sem vida do meu irmão, sentia o cheiro asqueroso do Lord das Trevas – tinha certeza de estar só.

O sugar indômito da luz e das lembranças não me dobraram: sempre fui um cão vadio. Mas, o fato de não poder me fiar nas lembranças de Lily me levavam ao desespero: era o que de pior eles podiam me roubar – preferia o vazio da morte.

xvi. Esperança

Nos breves momentos de fuga, camuflados pelos meus poderes de animago, buscava a imagem dela num canto escondido de pensamento. Ansiava pelas cores que ela sempre emanava, para que o vermelho de seus cabelos aquecesse meu coração, que o verde dos seus olhos me trouxesse alguma esperança, que o branco de sua alma me brindasse com a paz.

Mas, não há cores na mente de um cão, apenas um borrão. E, mesmo sua imagem embaçada era difícil de definir: apenas os tons de cinza e preto que me acompanhavam e invadiam minha alma. Grifando e colocando ênfase na minha inutilidade.

xvii. Retorno

Um motivo, um ideal, uma razão para viver, mesmo que para concluir minha vingança: as grades não me contiveram – fui subestimado.

Redimi-me, recuperei minha imagem ante meu afilhado: se não era pai de fato, fiz o possível para dar-lhe o amor correspondente.

Ao final, foi apenas uma mudança de clausura. Confinado na maldita Mansão dos Black, aturando os gritos e desvarios emoldurados da matrona enlouquecida a assombrar-me constantemente, suportando as traições do capacho Kreacher, tendo os fantasmas do passado que evitei por tanto tempo entranhados no meu dia-a-dia. A vergonha e a impotência dominavam-me e mais uma vez faziam-me sucumbir.

xviii. Derrota

Harry mostrou-se tão audaz quanto o pai, via o arroubo dele em seus olhos, ao mesmo tempo em que sorvia os traços da ascendência de Lily mergulhados no verde profundo.

Uma oportunidade para mostrar meu valor e, quando aconteceu, estava pronto: o Ministério da Magia, o Departamento de Mistérios, a Sala da Morte!

Bellatrix: a ilustre herdeira da arrogância e superioridade dos Black! Não esperava ser mais uma vez sobrepujado, e logo por quem sempre representou com perfeição tudo aquilo que eu neguei e condenei a vida inteira.

A derrota me levou do mundo dos vivos, mas não ao fim.

xix. Sombras

Sei que não estou só. E, entre as sombras que me cercam, sinto a presença daquela que foi a luz das minhas manhãs, o perfume de todas as primaveras, o toque macio do despertar para o sentimento maior, o gosto peculiar do desejo.

Seguirei seu rastro até alcançar o infinito, buscarei seus sinais pelo tempo da eternidade, conquistarei o infindável e desbravarei o desconhecido.

Procurando, em cada sombra que encontrar, por aquela que deu um sentido à minha vida e, quando nossos espíritos reencontrarem-se, abrirei meu peito e entregarei minha alma à ela, pois o coração já não o possuo.

xx. Penitência

Não será aqui a minha nova prisão, tampouco me sentirei no mezanino do inferno: afastarei a tristeza, repudiarei a solidão, enjeitarei a angústia.

Se este é meu destino – lutarei contra ele. Se essa é a minha pena – não a aceitarei. Já sofri pelos meus erros. Já penei pelos meus deslizes. Já paguei as minhas dívidas.

Buscarei a luz, refulgindo em tons de verde e vermelho: lá encontrarei a paz, lá poderei finalmente ser feliz.

E, na escuridão que me envolve e que faço parte, tenho em mente aquilo que busco e anseio: não serei apenas mais uma sombra na escuridão.

FIM


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