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29. Forgiven not forgotten


Fic: Money Honey - Astoria e Draco - COMPLETA


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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 Forgiven, not Forgotten


Aquele não era mais o bar do Frank. Quando entrei, foi como ver outra estrutura diante dos meus olhos, nada igual aos tempos em que fui uma garçonete, ajudando o meu tio a pagar as contas. A lembrança era tão distante que parecia ter ocorrido em outra vida, que não foi a minha. Mas isso não queria dizer que estava ruim. Aquele já não era mais o bar do Frank, porque havia virado um restaurante.


O tempo levou meu tio a construir o que ele sempre sonhou. Apesar de ter começado com um bar quase caindo aos pedaços, ele agora terminaria cuidando de um dos restaurantes mais visitados do Beco Diagonal atualmente. Antes, tão humilde, tão simples, agora mais simples ainda, mas essa simplicidade atraía bruxos de qualquer espaço, de qualquer região, até lotá-lo em uma noite de sexta-feira.


Assim que me aproximei de uma mesa com Scorpius e Draco, encontrei a quem eu estava procurando. Dafne passava o pano em uma das mesas ali perto e assim que me aproximei ela parou imediatamente.


– Uau, não está usando magia? – falei impressionada.


Ela tirou a mecha loira de seus olhos e cumprimentou a Draco e Scorpius com um aceno, enquanto eles se acomodavam nas cadeiras. Eu continuei em pé, encarando minha irmã.


– Não venho aqui há tanto tempo – comentei. – Sorte a sua estar trabalhando aqui nessa época.


– Eu ajudei esse lugar a ficar o que ele está agora. Pergunte ao tio Frank. Se eu trabalho em uma espelunca, é melhor que seja numa espelunca digna.


Olhei ao redor. O lugar não era mais escuro e sombrio. Tinha um tom claro, as mesas eram limpas, e não havia nenhum bêbado espalhado pelo chão. Quando encarei Dafne de novo ao ouvi-la falando sobre dignidade, percebi que as coisas estavam mesmo melhorando.


– Quero conversar com você – eu falei.


Dafne largou o pano sobre a mesa e caminhou comigo até um lugar especialmente vazio e quieto. Cruzou os braços, daquele seu jeito naturalmente hostil que eu já me acostumara a lidar, e esperou até eu começar a falar.


– Tanya me vendeu a loja dela – contei.


Uma novidade que ainda acho difícil crer, mas quando eu disse isso em voz alta para Dafne, eu finalmente acreditei. Tanya estava precisando de dinheiro para pagar a cirurgia de sua irmã, que estava à beira da morte em um hospital do mundo trouxa. Como sua exposição não rendia mais nenhum dinheiro, muito menos um quadro, ela me fez uma inesperada visita na Mansão. Contou-me sobre a situação de sua irmã e o desejo que tinha de mantê-la viva, mas que o dinheiro não era o suficiente para pagar cirurgia alguma. Ela perguntara-me se eu ainda pintava quadros. Jamais parei de fazê-lo, principalmente depois que descobri que Scorpius gostava tanto de me ver pintar. Tanya sorrira ao vê-los e disse-me com essas palavras: “Um dia você será reconhecida por isso, Astoria.” E então eu aceitei sua proposta, nós negociamos. Eu aceitei ficar com a loja, montar uma exposição não apenas minha, mas de outras pessoas.


Mesmo assim, eu não conseguiria fazer tudo isso sozinha. Por esse motivo eu estava ali, querendo conversar com Dafne.


– O... quê? – Dafne descruzou os braços e me olhou incrédula. Mas tão rápido fora sua emoção que se esvaziou e deu lugar aquela mesma expressão de descaso. – Bem, já não era sem tempo. Ela estava falindo. Que seja feliz com tudo o que você tem agora, Astoria, sinceramente.


Ela ia dar as costas, mas a conversa não havia acabado.


– Eu queria que você me ajudasse a investir – falei, segurando o braço dela para não sair dali. – Querendo ou não, Dafne, seus quadros são poderosos.


Nem eu acreditava que cheguei aquele ponto de pedir sua ajuda. Dafne ergueu uma sobrancelha:


– Você vai dividir o lucro?


– Dividir? Você sabe fazer isso? Eu estava pensando em lhe dar os lucros.


– Não vou aceitar sua caridade.


Foi uma jogada perigosa essa minha de dizer que eu iria dar a ela todo o lucro. Eu queria testá-la, para ouvir aquelas palavras. E Dafne, pela primeira vez em anos, não me decepcionou. A questão não era ser caridoso. A questão era dividir. Será que conseguiríamos?


– Mas e a oferta? – tentei de novo. – Você aceita?


Dafne me olhou piscando, como se ainda não acreditasse em mim.


– Vou pensar sobre isso. – E deu as costas.


Em palavras de Dafne Greengrass isso queria dizer sim, e eu me dirigi com um sorriso indiscreto à mesa em que Scorpius e Draco estavam.


– Então vocês duas realmente vão trabalhar juntas? – quis saber Draco. Eu fiz que sim.


– Acho que estava precisando mudar mais alguma coisa. Não vale a pena, sabe? – comentei. – Ela é minha irmã, sempre vai ser. Não podemos fugir disso. Sem contar que é uma coisa que posso fazer para ajudá-la com Dimitre, sem realmente, você sabe, me sentir obrigada ou intrusa.


Markus, afinal de contas, não conseguiu a guarda total do filho, depois do julgamento. No entanto Dimitre tinha a chance de morar com ele durante um mês a cada ano. Esse era o mês que Dimitre estava fora da vista de Dafne por enquanto. Ela, mesmo assim, estava bastante confiante de que logo o encanto que o garoto tinha pelo pai iria se esvaziar. Ela acreditava que Dimitre nunca mais pediria para visitar Markus, porque descobriria que não valia à pena. Isso pareceu ser o mais importante para ela. Tudo bem o garoto passar um tempo com o pai, contanto que Dimitre ainda queira estar com a mãe. Sem dúvidas, Dafne queria ser amada. Eu devia ter reparado nisso há muito tempo, afinal. E não era só ter aquele sentimento que eu tinha por Draco, mas também, principalmente, um sentimento parecido com aquele que eu tinha pela minha família.


Os jantares para os quais Narcisa e Lucius eram convidados nunca deixaram de existir. Nossa presença para as outras famílias parecia ser essencial. Não era certo afirmar que éramos ignorados, mas não havia abraços calorosos, por exemplo. Não que esperássemos isso, jamais esperamos. Éramos as pessoas que os convidados apenas avistavam.


Até um momento, Scorpius se acostumou com tudo aquilo. Ele era tão fechado quanto eu em jantares como esses, mas estava sempre procurando alguma coisa com o que se ocupar. Eu só tentei deixar bem claro que quebrar pratos não era divertido, e nunca mais um incidente como aquele aconteceu.


Eu não considerava ir a jantares uma coisa ruim, exceto quando eu via pessoas importunas. As vezes que me esbarrei com a aquela tal de Katherine pelos salões são incontáveis. Certa noite, então, enquanto dançava com Draco durante uma música lenta na festa, perguntei:


– Querido, você seria sincero comigo se eu perguntasse uma coisa?


– Claro – ele disse, sem piscar.


– Você realmente iria se casar com a Katherine se eu não tivesse me arriscado a voltar com você?


– Sim – ele disse e, como prometera, foi sincero. Nem ao menos desviou os olhos do meu. Continuei com a postura ereta, tentando não errar os passos da dança ao ouvir aquela resposta um tanto óbvia. Assenti, apenas compreendendo.


É claro que ele se casaria. Qualquer coisa para manter o sangue-puro nas veias, independente da época em que estávamos. Narcisa e Lucius nunca deixaram de nos lembrar que os status dos Malfoy devem ser definitivos. Não devido a um critério, mas sim aos anos de existência que a família tinha daquele modo. Mudar isso seria drástico. Mas, apesar de tudo, eu me lembro de nunca mais ter escutado queixas sobre os trouxas ou qualquer coisa relacionada a isso naquela mansão. Não rasgávamos o jornal se víssemos uma matéria falando apenas de trouxas, por exemplo. Na verdade, não entrávamos nesse assunto. Lucius curiosamente se abstinha a ele. A questão do sangue relacionava-se apenas para o núcleo interno da família agora.  O que importava era manter a aristocracia. O que importava era apenas a família. Não o seu passado, mas o seu futuro, a sua nova geração. Estávamos descobrindo se era possível mantermos os aspectos antigos de forma moderna, menos rígida, mas, claro, ganhando uma essência respeitada, na tentativa de mostrar que ser um sangue-puro não era agir, afinal de contas, de forma preconceituosa, uma vez que esses motivos incendiaram a inesquecível guerra, e nenhum de nós queria repetir um caminho daqueles.


Então, pensando sobre como isso era importante, dar um herdeiro sangue-puro e coisa e tal, não me fez questionar Draco sobre sua resposta.


– Você sabe disso, não sabe? – ele perguntou, franzindo a testa. Meu rosto provavelmente não estava escondendo o que eu sentia. Era um ciúme incapaz de não transparecer. – Você me fez enxergar isso, quando recusou o meu primeiro pedido, Astoria. Eu iria me casar com outra mulher, mas eu estaria amando você. Conseqüentemente, então, eu não seria feliz se me casasse com outra mulher. Eu não teria Scorpius. Eu não estaria gostando da minha vida, se eu não estivesse com você. É essa a diferença. Eu poderia casar com qualquer outra mulher que pudesse me dar um filho, mas eu só poderia ser feliz assim com você.


Aquela resposta fez meu peito estufar. Inclinei o rosto e pousei meus lábios nos dele, manchando-os com o batom vermelho. Sorri e continuamos a dança, da forma mais elegante que podíamos.


 


 


Depois que Scorpius fez oito anos, parei de trabalhar no Ministério. Sempre soube que aquele trabalho não ia durar a vida inteira e não era exatamente isso o que eu desejava para mim. Nunca pensei, entretanto, que eu chegaria a ser dona de uma exposição de artes. Muito menos ter uma parceria com a minha irmã. Acho que nunca vi Dafne tão satisfeita em sua vida, como naqueles tempos em que ela estava trabalhando com aquilo que ela mais amava. Descobrimos juntas que ter apenas a exposição não lucraria tanto, então eu tive a idéia de transformar a loja não apenas em uma venda de quadros, mas também em um lugar em que as pessoas teriam a chance de aprender as técnicas de pintura.


– Então está dizendo que eu vou ser professora? – perguntou Dafne estupefata.


– Você me ensinou a pintar, lembra? Sei que não é muito paciente, mas pense que se as pessoas começarem a pintar quadros, elas vão querer vender e nós temos os recursos para tudo isso. Seria um bom investimento.


– Pode ser – admitiu. – Vou tentar, mas se não tiver ninguém interessado nas minhas aulas, a culpa será totalmente sua.


Quando éramos crianças, Dafne me ensinava a desenhar e a pintar. Querendo ou não, arte sabia nos unir, e me fazia acreditar que realmente éramos irmãs, mesmo que de formas muito distintas. Ela gostava de demonstrar que sabia de alguma coisa mais do que outra pessoa, então achei que aquela realmente seria uma boa idéia. Era sim, mas demorou um tempinho para dar certo ou até mesmo para Dafne se acostumar.


Quando se acostumou e deu certo, não conseguiu mais parar, e, além de ganhar dinheiro com as aulas, Dafne teve capacidade de vender três quadros em um mês. Se ela continuasse assim, conseguiria galeões suficientes para comprar a casa dos sonhos dela, que era à beira do mar, com Dimitre.


Uma vez ela me agradeceu. Talvez estivesse muito emotiva com todas aquelas vendas, mas mesmo assim Dafne me agradeceu. Disse-me que não seria nada sem mim.


Com essas palavras.


Confesso que, ao ouvi-la dizendo isso, tudo o que senti foi vontade de abraçá-la. Não hipocritamente, mas de maneira sincera. Eu sentia falta de uma irmã, ou de um abraço dela. Acho que estava conseguindo recuperar aquilo que perdi devido ao meu orgulho, minha mágoa e raiva de antigamente. Aqueles últimos anos foram feitos para que eu recuperasse e ganhasse tudo o que merecia, depois de tanto tempo com as coisas confusas e inexplicáveis que aconteceram dentro de mim.


Eu merecia a felicidade com minha família.


 


 


 


 


Draco sempre temeu aquilo, desde o dia em que Scorpius nasceu.


Estávamos jantando quando ele apareceu com um livro em mãos. Narcisa prezava a leitura, mas aos poucos percebemos que não era preciso induzir Scorpius a ler um livro. Desde que aprendeu a decifrar os mistérios das palavras, ele se interessava naturalmente, ainda mais quando havia gravuras nas páginas. Gravuras chamativas.


Como a marca negra.


– Pai – Scorpius parecia intrigado quando se sentou a mesa, pousando o livro em frente à Draco. Ele tinha mania de contar o que lia e tentava dar sua opinião, mesmo que muitas vezes não fizesse nenhum sentido.


 – Tire o livro da mesa de jantar – Draco mandou. Provavelmente não estava muito interessado em ouvir as divagações de Scorpius naquela noite. – Estamos comendo.


Scorpius o ignorou.


– Olha, eu achei essa foto. É parecida com o desenho que tem no seu braço, não é?


Draco parou de comer e olhou para Scorpius. Depois para o livro. E depois para Scorpius novamente.


– Onde achou esse livro? – a voz de Draco estava parcialmente fria.


Scorpius abaixou a cabeça, prevendo a iminente bronca.


– Você entrou na biblioteca do seu avô de novo? E os livros que nós demos a você? É para você ler aqueles livros.


– Mas são chatos e eu queria...


– Guarde esse livro.


– Mas pai...


– Guarde, Scorpius! E nunca mais ouse entrar na biblioteca sem permissão.


– Eu pedi para a mãe – Scorpius disse com a voz baixa. – Ela deixou.


Draco me olhou de forma zangada.


– Ele tem o direito de ler o que ele quiser, Draco – falei com neutralidade. – Além disso, sua mãe mesmo diz que devemos prepará-lo para quando ele for para Hogwarts.


– Hogwarts? Ele só tem nove anos ainda!


– Exatamente – eu respondi, encarando-o.


Draco voltou a olhar para Scorpius, que nos observava de uma forma apreensiva, mas firme. Reparou que não faltava muito tempo assim. Dois anos nós sabíamos que iam passar correndo.


– Posso ver a marca do seu braço? É igual a essa! – apontou Scorpius para a gravura do livro.


– Não – mentiu Draco, sem mover um músculo. – Não é igual.


Era a mesma.


– Aqui fala que ela representava a união de... – Scorpius levou o livro para mais perto e sibilou, conforme a leitura: – Comensais da Morte... Pai, você já ouviu falar desse nome? É muito estranho. Vol...


Com rispidez, Draco arrancou o livro da mão dele e saiu da mesa, na direção da sala.


– Não quero que leia esse livro, Scorpius. Arranje outra coisa para fazer. Nós já devíamos ter tacado fogo nisso daí.


Scorpius foi atrás dele tentando impedi-lo. Eu não saí da mesa, mas ainda ouvia os dois discutindo lá na sala.


– Por que não posso ler esse livro?


– Não é hora para conversarmos sobre isso – disse Draco. – Vai dormir.


– São apenas sete horas da noite. Não joga no fogo!


– Isso não vai mudar a sua vida. Agora volte para o seu quarto, já que você não quer jantar. E leia livros para a sua idade.


– Eu odeio aqueles livros.


– Você iria odiar esse também.


– Mas era muito mais interessante.


– Nunca repita isso.


– Por q...?


Vai dormir, Scorpius! – Draco aumentou o tom de voz, irritado e zangado.


Quando Scorpius subiu as escadas a passos pesados, eu me aproximei de Draco perto da lareira. Ele observava o fogo crepitar contra o livro das Trevas, que ia se transformando em cinzas.


– Quero pensar que ele só é curioso. E não interessado nisso – falou num sussurro.


– Deverá contar a ele... toda a história, todo o significado da sua marca. Você o conhece, ele não aceita uma coisa sem explicação. Se não falarmos nada, Scorpius vai descobrir sozinho. Pode ser pior.


– Não estou preparado.


– Quando estiver então. Mas não o deixe ignorante do nosso próprio passado por mais tempo. Não é certo evitar essa conversa.


– Tenho vergonha do passado.


– Eu sei – falei suavemente e o abracei pelas costas, apoiando o queixo. – Todos nós temos, mas nem por isso devemos esconder do nosso próprio filho.


– Não quero que ele me odeie ou desconfie de mim.


– Ele nunca faria isso.


– Mesmo quando descobrir que nossa família se aliou às trevas na Guerra? Foi assim que comecei a duvidar do meu pai. Das merdas que ele fez. Demorou anos para perdoá-lo.


– Não é a mesma coisa, não foi sua culpa. E Scorpius é meu filho também. Dizem que sou do tipo que agüenta qualquer verdade. Vamos esperar que ele tenha puxado esse meu lado.


Ele se virou para mim e abriu um sorriso pequeno.


– Eu sempre quero que ele puxe todos os seus lados. Porque apenas nos defeitos, ele puxou a mim.


– Não é verdade – eu disse, zangada.


– Diga-me então que qualidades eu tenho?


– Você se preocupa com Scorpius. Para mim, essa é a maior qualidade que um pai pode ter. E é persistente ao seu modo. E Scorpius é mesmo persistente. Escute – percebi que ainda não era o suficiente. – Você é muito mais do que pode perceber, Draco. Acredite em mim. Eu não estaria casada com você há tanto tempo se você não tivesse nenhuma coisa boa aqui dentro – eu dei tapinhas em seu peito, mostrando seu batimento cardíaco.


Ele me deu um rápido beijo, praticamente imperceptível. Depois falei:


– Se você quiser, eu converso com Scorpius, explico porque você ficou assim. Ele odeia quando você briga com ele.


– Não. Sinto que não é a hora... e quando for, eu quero dizer tudo a ele. Ver cada expressão do rosto dele. Só preciso me sentir preparado.


– Tenho certeza que você vai se surpreender com o filho que tem.


Ele fez que sim e passou à mão no cabelo, nervoso, como se estivesse sendo designado a um teste assustador.


Ouvimos um barulho vindo da escada. Scorpius ainda não havia subido. Ele estava olhando para nós dois no último degrau quando fui verificar o que acontecera.


– Scorpius – disse Draco alarmado e surpreso por perceber que ele poderia ter escutado a conversa. No entanto, Scorpius subiu o resto da escada correndo, sem dar tempo de explicarmos qualquer coisa.


Deixamos que ele ficasse sozinho em seu quarto por um tempo, mas pouco antes das onze horas tive de verificar se estava dormindo. Com um dedo, bati na porta e não obtive sua resposta. Apenas a portase  abriu um pouco e eu consegui entrar no quarto.


Scorpius estava dormindo em sua cama e eu me aproximei para levantar o cobertor até seus ombros. Quando fiz isso, ele se moveu, abrindo os olhos.


– Boa noite – eu disse, sorrindo.


– Mãe – ele murmurou em tom de curiosidade –, eu não entendo.


– O que não entende?


– O pai está escondendo alguma coisa.


– Não, querido... ele só não acha que está no momento certo para falar com você sobre...


Scorpius levantou a cabeça e apoiou o braço no colchão, quando não terminei a frase.


– Sobre o quê?


– Tem coisas que você deve saber sobre sua família – expliquei – que mais tarde as pessoas vão lembrá-lo disso, e pode ser que não seja de um jeito muito... orgulhoso. Você não vai entender agora e...


Ele me interrompeu.


– É sobre o desenho que papai tem no braço? Ele não gosta dele. Então por que ele tem?


– Não é... não é um desenho, Scorpius – eu disse, hesitante. – É uma marca.


– O que é uma marca? – ele perguntou, com a testa franzida.


– Aquilo que você ganha quando não tem escolhas. – Draco estava na porta do quarto com os braços cruzados. Nós dois olhamos para ele, que se aproximava. – Eu não tive, então ganhei isso. – Sendo assim, levantou a manga da blusa e mostrou a imagem cravada na pele, não tão nítida como antigamente, mas ainda assim reconhecível. – Na época, chamavam isso de marca negra.


Scorpius piscou e Draco continuou.


– Seu avô tem uma igual, mas a dele já está sumindo, sobrou aquela cicatriz. Acho que vai se desintegrando com o tempo.


– Por que você tem essa marca, pai?


– Como eu disse, não tive escolha. Há alguns anos, bem antes de você nascer, houve uma guerra. Nossa família entrou para o lugar errado dessa guerra, e foi isso o que recebemos.


Scorpius ainda olhava muito intrigado. Podia ler bastantes livros, mas não era a mesma coisa do que visualizar os conceitos de uma guerra, principalmente naquela sua idade.


– Ainda não entendeu? – questionou Draco. Olhou ao redor do quarto e se dirigiu para pegar o tabuleiro de xadrez na mesinha. Eu observei enquanto ele voltava a sentar-se em frente à Scorpius na cama, apoiando o tabuleiro entre os dois. – Você entende bastante esse jogo. É mais ou menos parecido com a situação do mundo bruxo naquela época. Pense que as peças negras são os inimigos. O rei – Draco segurou a peça negra e mostrou a Scorpius – chama-se Lord Voldemort.


– E a rainha?


– Nagini. Uma cobra. Você sabe, ela não deixa ninguém derrubar o rei. Agora... os peões... nós vamos chamá-lo de Comensais da Morte. Eu fui um desses. Eu e seu avô.


Scorpius, que olhava fixamente para o tabuleiro, encarou Draco com uma expressão surpresa e intrigada.


– O senhor... foi um inimigo?


– Você entendeu rápido.


– E a mamãe? – perguntou. – Também foi?


– Não. Eu fiz o que estou fazendo agora. Só assistindo – respondi.


– E o que são as peças brancas? – voltou a perguntar, depois de pensar um pouquinho.


– Aqueles que lutam contra os inimigos – respondeu Draco. – Chame o rei branco de Harry Potter.


– Vovô já falou esse nome uma vez.


– Sim. E imagine que todas essas peças brancas vão lutar contra as peças negras, para impedir que as peças negras derrotem seu rei. Mas pense uma coisa, Scorpius, os peões inimigos não estão aqui no jogo porque querem. Bem, alguns sim, mas outros não. Imagine esse um rei cruel, que faz qualquer coisa para influenciar uma multidão de sangues-puros, como nossa família, a formar esse exército. Deve saber que muitos inimigos não tiveram escolhas na guerra verdadeira. Alguns até se arrependeram, mas quando quiseram mudar de lado foi tarde demais. Eles já haviam entrado no jogo, já tinham sua marca negra. E em xadrez, você sabe, nenhuma peça negra se mistura com a peça branca.


Eu achei que aquela explicação foi muito mais complexa do que se Draco tivesse optado em dizer com palavras mais simples. No entanto, Scorpius manteve-se calado, pensativo, raciocinando o que aprendera naquele momento. Talvez meu filho fosse bom em analogias, pois coçou a cabeça e disse:


– Então... aquela marca que eu vi no livro... todos os peões negros tem? Não é só você e o vovô?


– Não mesmo.


– Só que vocês foram os peões que quiseram mudar de lado?


– Sim, Scorpius.


– E o senhor perdeu esse jogo?


– Mas isso foi bom, porque quando o rei foi destruído, os peões se livraram dele, tiveram liberdade.


– Se o rei foi derrotado... então quer dizer que... as outras peças que protegiam ele tiveram que ser estraçalhadas também! Não podiam sobrar peões.


– É isso o que chamamos de guerra. Hoje agora eu penso na sorte que nossa família teve, Scorpius. Nós sobrevivemos a tudo isso.


Draco pousou uma mão no ombro dele, sem saber mais o que dizer, enquanto Scorpius ainda tentava descobrir o que tudo aquilo significava.


Logo depois Draco se levantou.


– Bem, você tem que voltar a dormir agora. Um dia vai entender o que não entendeu hoje.


Scorpius assentiu com a cabeça, sempre fazendo seu cabelo mover-se sobre os olhos. Sem reclamar, então, se enfiou de novo embaixo das cobertas. Porém, antes de atravessarmos a porta, Scorpius disse baixinho:


– Eu não ia querer que o senhor fosse estraçalhado naquele jogo, pai... mesmo sendo do time inimigo.


Só que antes que Draco pudesse reagir àquela declaração, Scorpius virou-se para o outro lado da cama, sem fazer questão de ter uma resposta imediata. Draco então olhou para mim. Eu sorri com uma expressão de “Eu te disse”. Estávamos sempre nos surpreendendo com o filho que tínhamos.


– Obrigado, Scorpius, isso... hum, significa muito – Draco murmurou antes de atravessar a porta.

A caminho de nosso quarto, ele me abraçou aliviado.


 


 


 


 


Meus amores, o que posso dizer sobre esse capítulo? Não teve problemas, mas sim acontecimentos que nos levam ao rumo final de Money Honey. *Nem acredito que estou dizendo isso*. Mas esse foi o penúltimo capítulo, gente. Semana que vem, se tudo correr certo, eu trarei a vocês o último, acompanhado com algumas explicações. Sinto uma tristeza boa, de satisfação, afinal, consegui realizar um grande feito, que foi de não apenas montar uma fic até o fim, mas de ter ganhado leitores tão bons como vocês. Obrigada!!! E a falta que escrever sobre a Astoria vai me fazer? Nem consigo explicar.


Espero, então, que tenham gostado desse capítulo, que eu não tenha decepcionado em alguns aspectos. Continuem palpitando, comentando, opinando, votando, tudo.


Money Honey pode estar no fim... mas não quer dizer que terá realmente acabado. (Alguém entendeu?)


Explico na próxima N/A.
comentem!! 

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Comentários: 9

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Enviado por alana_miguxa em 29/08/2011

aii serio capitulo perfeito! tua fic eh mtuuu perfeitaa! parabens!

Nota: 5

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Enviado por Felipe S. em 28/08/2011

Antes de qualquer comentário, eu entendi certo e você deu a entender que teremos uma continuação? *__*

 

Penúltimo capítulo e tudo começa a ter seu devido fim, a explicação da marca negra, a história de Dafne, o comportamento de Scorpius, tudo!

 

Não sei oq falar, só posso elogiar tamanho talento e agradecer pela força de vontade de continuar essa história, me proporcianando inúmeros momentos de felicidade ao perceber uma atualização e distração ao ler seus textos maravilhosos.

 

Pokerwell, muito obrigado por escrever essa historia incrivel, por criar um Astoria tão perfeita, tão sutil, tão humana. Espero, de coração, que haja uma continuação ou que você comece outra fic, uma vez que seus textos são incríveis!

 

Inté o próximo :*

Nota: 5

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Enviado por Mohrod em 28/08/2011

ah, meu coração quase parou, agora, de tão lindo que foi esse capítulo! *-*

o jeito todo fofinho do scorpius, inteligente e racional, uma criança que realmente não tteve influências que o draco teve... é lindo, adorei!  heuhuee

posta logo, tá?

 ah, nem acredito que a fic vai acabar! :C

beijos

Nota: 5

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Enviado por Carolzinha Gregol em 27/08/2011

Estou chorando, como assim acabar? não pode acabaaaaaaaar, escreve mais! FAZ UMA CONTINUAÇÃO pelo amor de Deus, do Scorpius em Hogwarts, uma continuação qualquer coisa, eu amo essa fanfic, não para ela! NÃO PARA ESSA FANFIC! Que linda! amei mesmo! cada cena ficou liiinda.

Nota: 5

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Enviado por Lívia G. em 27/08/2011

NÃO ACREDITO QUE ESSE É O PENÚLTIMO CAPÍTULO! Não acredito mesmo, não queria que essa fic acabasse :/ To muito ansiosa pelo próximo (e último) capítulo.

Nota: 5

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Enviado por MarianaBortoletti em 27/08/2011

Ahh, eu esqueci de comentar sobre o posicionamento deles quanto ao sangue e tals, que eu tinha pedido por mais no capítulo anterior. Adorei, simples e direto, com modificações. As consequências da guerra, como já dizia o resumo. Não precisa necessariamente ser preconceituoso sendo um sangue-puro, lindo :D

Nota: 5

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Enviado por MarianaBortoletti em 27/08/2011

Não, espera, eu tive um ataque cardiaco aqui. Como assim esse é o penúltimo capítulo e tu não avisou nada disso antes, garota?! É como descobrir que a tua inscrição em um concurso não foi validada quando tu está conferindo as respostas da prova! Menos mal é descobrir que não ficaremos orfãos de Pokerwell *-*

Fiquei emocionada com esse capítulo. Muito profundo, bonito, com uma pegada sentimental muito louca. Imagino que aquele tenha sido o final da Dafne, então eu posso comentar que adorei! Eu gostei bastante dessa Dafne que tu criou e ver que ela pode ter tomado jeito é lindo. Na verdade, acho que tudo se delineou nesse capítulo: tio Frank com o restaurante que sempre quis, Dafne e Astoria vivendo do que mais gostam e, claro, Draco enfrentando seu maior medo e sendo aliviado de qualquer culpa maior. Adorei o modo como ele explicou sobre coisas tão pesadas para uma criança de oito anos. Achei perfeita a comparação com as peças de xadrez. Scorpius é, com razão, o meu segundo Malfoy preferido, sensato, não agiu mal, entendeu tudo e tem apenas que digerir direito as informações, imagino, para que o discurso defensivo saia direito depois. Adorei, simplesmente perfeito.

Nota: 5

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Enviado por Ana Slytherin em 26/08/2011

A hora que o Draco sempre temeu acabou chegando e Scorpius como sempre me surpreendeu
Quero tanto o proximo capitulo , a fic é tão boa e me da uma tristeza saber que vai acabar mas me deixa feliz por ter a oportunidade de ler uma fic tão bem escrita 

Nota: 5

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Enviado por Louyse Malfoy em 26/08/2011

Que linda essa conversa do Draco e do pequeno Malfoy *-*

AAAH, NÃO ACREDITO!

Então, vamos ter uma segunda parte? Uma continuação?

Ou talvez um antes, da Ast no tempo de escola? OMG*

Espero por mais ):

Beijos e parabéns por esa fic tão linda.

Nota: 5

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