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9. Cavaleiro de Armadura Brilhant


Fic: Da Magia á ilusão com CAPA


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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A primeira coisa que Draco percebeu na carruagem, foi que ela não estava se movendo, parada no meio da rua coberta de neve.
A segunda coisa foi que não tinha cavalos.
Ele puxou as rédeas de Jack para faze-lo parar, e abaixou-se na sela, seus músculos das pernas aliviados da tensão. Por um minuto, franziu o cenho para a carruagem, perguntando-se por que todos pareciam tê-la abandonado.
A terceira coisa que notou foi os corpos deitados na neve vermelha.
Sua testa desfranziu-se e seus olhos se arregalaram. Agarrou um punhado da crina de Jack e deslizou para o chão. Draco percebeu que seu coração estava agitado, e sabia que era por causa da possibilidade de Gina ser um dos corpos.
Primeiro, observou a carruagem, apenas para achá-la vazia, o que não era muita surpresa. Então ele circulou pela área e analisou cada pessoa jogada no chão, podendo respirar normalmente quando viu que nenhum tinha cabelos ruivos brilhantes. De fato, a única pessoa que não usava armadura era o homem que Draco suspeitava que fosse o cocheiro, deitado perto do assento em frente à cabine.
Então onde estava Gina e o homem que tinha visto entrar com ela?
- Sua Alteza!
Draco virou-se, alarmado, e fitou a área de onde a voz havia vindo. Para seu choque, seus olhos pousaram em Harry, que estava amarrado em uma árvore. Lentamente, sua surpresa foi dissolvendo-se em diversão, quando caminhou vagarosamente até ele.
- Potter? – indagou, cruzando os braços e desdenhando. – Como diabos você se amarrou a uma árvore?
A corda havia sido passada tantas vezes ao redor dele que cobria de seus ombros a seus pulsos. Pela observação de Draco, ele parecia um pouco bravo, mas foi com alguma compostura que disse:
- Eu não me amarrei aqui. Isso foi feito por outra pessoa.
- Onde está Gina? Amarrada em outra árvore aqui perto?
- Essa não é uma situação de brincadeira, Alteza – censurou Harry, franzindo as sobrancelhas – Fomos atacados por ciganos.
Draco fitou-o sem expressão por um minuto, antes de dizer com olhos estreitos:
- Não estou entendendo.
Harry observou-o como se ele fosse um idiota, sua expressão exasperada e claramente apontando que achava que Draco era algum tipo de burro incompetente por não entender.
- Ciganos, Alteza! – enfatizou – Eles atacaram a carruagem, mataram os guardas, e roubaram os cavalos.
Draco elevou uma das sobrancelhas e soltou um suspiro pelos seus lábios.
- Então Gina está amarrada em outra árvore ou não? – perguntou.
Harry fechou os olhos por um instante, e murmurou algo sob um suspiro, tentando manter a paciência.
- Eles levaram-na, Alteza – disse gradualmente, abrindo os olhos e fixando-os em Draco.
- Os ciganos?
- Não, os cavalos – explodiu Harry, parecendo irritado. Então continuou: - Claro, os ciganos, Alteza!
Por um segundo, Draco não tinha certeza se sorria ou ficava nervoso. O tom sarcástico da resposta de Harry era exatamente o que o moreno diria em sua época normal. Após uma breve pausa, Draco decidiu não optar por nenhuma das expressões, e por fim reclamou:
- Por que você não os impediu?
Harry encarou o outro com a testa franzida, um olhar que dizia francamente “Você é um idiota completo, Draco Malfoy”.
- Perdoe-me, Alteza – disse friamente, sua voz cheia de zombaria – Da próxima vez certificarei-me de lutar contra eles de olhos fechados.
Draco olhou-o com desprezo.
- Bem, você tentou pelo menos?
- É claro que tentei – disse severamente – Não queria que a princesa fosse raptada. Agora que ela foi, de qualquer forma, o rei provavelmente me mandará trabalhar no campo de fazendas fora da cidade por deixar os ciganos levarem-na embaixo do meu próprio nariz.
- Certo. Bem, Potter, eu poderia ficar aqui e faze-lo companhia por todo o dia...
- Aposto que poderia – interrompeu Harry cruelmente.
Draco fingiu que não o ouviu.
- ...mas eu devo voltar ao castelo. Para chamar alguém para soltá-lo e tudo o mais. – Ele virou-se e começou a caminhar de volta para a estrada, mas só havia dado dois passos quando Harry chamou-o.
- Você mesmo não poderia me desamarrar?
Draco tornou a fitá-lo. “Não, não tenho a minha varinha, de que outra forma eu conseguiria desamarra-lo?” perguntou-se, mas disse em voz alta:
- Eu poderia, mas onde estaria a graça? Eu prefiro deixá-lo assim por um tempo. – Harry encarou-o com tanto veneno que o loiro teve que rir – Estou só brincando, Potter – disse. Ele esfregou as duas mãos juntas para aquece-las – Mas não posso soltá-lo sozinho, sinto muito.
- Bem, você não vai tentar salvar Sua Alteza Gina?
- Não estava planejando isso – disse Draco diretamente, seu sorriso desaparecendo. – Eu sei que você deve pensar que sou algum tipo de guerreiro, mas honestamente, eu não sou. – “Pelo menos não com uma espada” adicionou mentalmente. Se tivesse sua varinha, poderia vencer qualquer trouxa sem derramar uma gota de suor.
- Nunca pensei que fosse um guerreiro, Alteza – contou Harry friamente, mexendo a cabeça para tirar uma mecha de cabelo negro de seus olhos – Só imaginei que fosse tentar salvá-la.
Draco olhou-o sem expressão. Não sabia ao certo a razão de seu coração estar batendo estranhamente, ou por que se sentiu tão desconfortável ou inseguro quando viu a carruagem deserta, mas reconhecia que tinha algo a ver com Gina. Simplesmente recusava-se a admitir o fato de que talvez estivesse preocupado com ela. Raramente ficava preocupado com alguma coisa, muito menos com pessoas. E muito menos ainda com pessoas como Gina Weasley.
- Por quê? – perguntou a Harry sem rodeios.
- Quer saber de uma coisa, Alteza? Eu realmente não me importo com o que você faz – respondeu, contorcendo-se nas cordas – Não posso mais sentir nada abaixo de meu pescoço, e isso é extremamente desagradável, então eu não me importaria se você fosse direto para o castelo.
Draco franziu a testa para ele, incerto do que fazer. Faria sentido dar a volta e apenas galopar Jack de volta para chamar ajuda, não faria? Os homens do rei iriam seguir os ciganos facilmente e trazer Gina sã e salva.
Mas também faria sentido desamarrar sozinho Harry de alguma forma, mandá-lo de volta ao palácio, e então tentar achar os ciganos ele mesmo, enquanto eles ainda estavam por perto. Apesar de ser apenas um homem, que não tinha experiência com espadas ou nenhum tipo de táticas de batalha que não incluíam o uso de punho e varinha – e ele duvidava que algum cigano iria se importar com punhos ou ter uma varinha; provavelmente partiriam para cima dele com uma faca – ele poderia evitá-los de fazer algo horrendo a Gina. Apenas tomar conta dela, vigiá-la de longe.
- Espere um pouco – disse Draco, ainda ponderando.
Ele virou-se e voltou para a estrada, aproximando-se de um guarda morto na neve. Esse homem claramente havia sido capaz de desembainhar sua espada antes de ser assassinado, pois ela estava atirada a apenas alguns passos de seu corpo. Draco dirigiu-se ao cavaleiro cuidadosamente e pegou a arma, o punho parecendo congelar em seus dedos nus. Abafando um calafrio, ele retornou a Harry e a árvore.
- Vou cortar as cordas – anunciou – e então você vai correr o mais rápido que puder para o castelo.
- E você vai atrás da Sua Alteza?
- Não, estava planejando ficar aqui para ter certeza que ninguém roubará os corpos – respondeu Draco seriamente. Não parou para ver a reação de Harry, e caminhou para trás da árvore, para que quando cortasse as cordas, não cortasse acidentalmente o braço de Harry.
Não foi fácil. A espada não era como uma faca, pois era bem mais longa. Quando firmava um pedaço da corda entre seus dedos, a outra mão tinha que ir quase até os ombros, pois a lâmina era tão longa e o punho tão atrás. Contudo, Harry não fez nenhum som de impaciência, ou nenhuma indicação que demonstrasse que pensava que Draco era um idiota por demorar tanto. Levou quase cinco minutos para cortar uma volta da corda, e então Draco teve que dar voltas ao redor do tronco para desatá-la, sentindo-se um retardado caminhando em círculos.
Finalmente, Harry ficou livre da árvore; deu alguns passos, e caiu na neve. Draco não fez menção de ajudá-lo, mas Harry explicou brevemente:
- Minhas pernas estão dormentes. A circulação deve voltar logo – Draco observou ele fazer massagem em seus braços, tentando fazer o sangue fluir, antes dele lançar ao loiro um olhar irritado – Você sabe – disse, azedo – que cada segundo que fica parado aqui, fica mais difícil seguir os ciganos. Parece que vai nevar novamente; siga os passos deles enquanto ainda são recentes.
Draco olhou de cara feia, sentindo-se um pouco tolo por estar parado ali, e disse:
- Apresse-se e volte ao castelo – deu a volta e jogou a espada perto do cavaleiro que havia emprestado-a. Então se dirigiu ao seu cavalo Jack, que estava fossando na neve para tentar achar grama.
Dessa vez, Draco conseguiu subir na sela meramente com algum esforço, e encorajou-se a agüentar os passos dolorosos enquanto se dirigia a Harry. Assim que passou, ele estava recém pondo-se de pé. Draco supôs que ele voltaria ao castelo em aproximadamente quarenta minutos, e esperançosamente levaria mais vinte minutos para a ajuda alcança-lo.
A neve pisoteada e desordenada na floresta era obviamente o caminho que os ciganos haviam tomado. Draco não tinha certeza há quanto tempo eles haviam partido, mas devia ser uns bons dez minutos. Foi então que percebeu que nem sabia se eles estavam caminhando ou andando a cavalo. Por tudo que sabia, poderiam estar a milhas dali agora, se estivessem com montaria. E isso – infelizmente – era o provável, já que haviam roubado os cavalos da carruagem.
Draco conseguiu que Jack mantivesse um galope rápido, decidindo que se tivesse alguma chance de alcançá-los logo, teria que se apressar. Depois de apenas alguns segundos, começou a se arrepender da decisão de ter ido atrás de Gina sozinho.
Por que estava fazendo isso, de qualquer forma? Ele não era obrigado. Tinha certeza que os ciganos não a matariam, pelo menos não se eles esperavam algum lucro de tê-la seqüestrada e viva. Mas então, havia uma chance de nem saberem que ela era a princesa. O garoto deu-se conta de que não sabia muito da situação, deveria ter perguntado mais a Harry. Agora era tarde demais, entretanto. Teria que descobrir por si próprio.
Outro pensamento invadiu-o. Por que não trouxera a espada? Amaldiçoando-se, ele fez Jack parar, e olhou por sob os ombros. Não podia ver a carruagem mais – devia estar atrás de muitas árvores. Não podia voltar agora. Além disso, não sabia como usar a espada. Então não era realmente uma perda total.
“Na verdade, é sim” disse a si mesmo, franzindo o cenho e pressionando os calcanhares no flanco do cavalo para faze-lo correr novamente. “Mesmo que eu não saiba lutar, poderia tentar e assustá-los, fingindo que sei o que estou fazendo.”
Mais uma vez, era tarde demais. Devia ter pensado um pouco antes de pular no cavalo e sair correndo.
Mesmo sem uma espada, entretanto, o primeiro passo era alcança-los.
Para a sorte de Draco, Jack não precisava muito ser dirigido. O animal parecia saber que estavam seguindo um rastro – ou talvez podia simplesmente sentir o cheiro dos outros cavalos. De qualquer forma, o príncipe podia se concentrar mais em ficar confortável do que se preocupar com a direção.
Depois de quase dez minutos, o rosto de Draco estava doendo pelo frio, seus dedos estavam vermelhos e quase dormentes. Não havia pensado em pegar um par de luvas antes de ir. Mas então, não tinha imaginado que teria que correr no meio da floresta em um cavalo por cinco horas.
Passados mais cinco minutos, notou que o céu estava escurecendo. Olhando com distração os ramos da floresta parecidos com esqueletos, rezou para que não significasse que iria nevar. Mas se não fosse neve, seria o aproximar da noite. Ficaria mais frio então. Não sabia o que preferia, mas de qualquer forma, estava ficando mais e mais frustrado.
Ele nem ao menos tinha uma espada, porque não estivera pensando direito e deixara-a para trás, mas se não tivesse feito isso, não saberia como usá-la. As únicas coisas que tinha eram mãos frias e um cavalo. Contra ciganos que provavelmente lutavam uns contra os outros apenas por diversão, essas “armas” não o levariam a lugar algum. Ele seria massacrado imediatamente, e sabia disso.
“O que há de errado comigo?” perguntou-se. O que possivelmente fazia-o pensar que conseguiria sozinho? Deveria ter galopado de volta ao castelo com Harry para pegar o exército do rei. Ou pelo menos ter sido esperto o bastante para trazer a maldita espada. “É por que eu espero impressionar Gina? É por isso que estou correndo pela floresta gelada para lutar com homens violentos? Pois eu espero mostrar a ela como sou valente e destemido?”
Se essa era a razão, então ele era definitivamente um tolo. Lembrava-se de seus anos em Hogwarts, quando sempre desdenhava todos os garotos patéticos da Lufa-lufa, Corvinal, Grifinória e ocasionalmente Sonserina que faziam de tudo para impressionar alguma garota, dando a ela o mais caro buquê de rosas falantes que Hogsmeade tinha a oferecer. É claro, as garotas quase sempre ficavam lisonjeadas pela maneira como as flores falavam tão fragil e docilmente, tanto cantando músicas de amor em francês quanto recitando poemas românticos em espanhol. Elas nunca entendiam uma palavra, mas sempre beijavam o garoto que havia as presenteado, e era sempre repugnante e revoltante.
Mas comprar rosas para uma garota... isso era normal. Cavalgar em um cavalo e arriscar a própria vida por uma garota que se odiava... isso não era normal. Nem um pouco.
“Eu a odeio” pensou. “Realmente odeio.” Então por que, do fundo do coração, ele havia beijado-a aquela manhã como nunca havia beijado nenhuma garota antes? “É, Malfoy, do que se tratava aquele beijo?” perguntou-se. Deus, havia quase perdido o controle naquela hora, e ela havia pedido que ele parasse.
Tinha sido uma situação totalmente embaraçosa. Primeiro por realmente tê-la agarrado, e segundo porque ela havia dito que não queria.
Obviamente ela o queria. Mas ela também claramente não queria quere-lo. Ele percebeu que ambos sentiam-se basicamente da mesma forma sobre o outro, o que fez ele ficar de cara feia por razões que desconhecia. Entretanto, sabia que ela o queria no sentido deles terem um relacionamento. Ele a queria apenas para sexo.
Ou pelo menos, era isso que tentava dizer a si mesmo. Sendo virgem, não sabia realmente. Mas como havia dito anteriormente a si mesmo, seus sentimentos certamente desapareceriam no minuto em que voltasse a Mansão Malfoy. Qualquer parafuso que tivesse a menos na sua cabeça agora, que estava fazendo-o desejar Gina, iria voltar ao lugar assim que as coisas estivessem normais de novo.
Um minuto depois, Draco pensou ter ouvido um grito adiante. Não podia ter certeza, por causa de todo o barulho que Jack estava fazendo enquanto corria, então puxou as rédeas para que parasse. O cavalo bufou, rodou a cabeça, e parou quieto, respirando severamente pelo exercício.
Draco abaixou-se confortavelmente na cela e ouviu cuidadosamente. Estava definitivamente escurecendo – a noite se aproximava. As nuvens cinzas pareciam flutuar logo acima da copa das árvores, deixando a floresta com uma aparência nebulosa e fantasmagórica. Ele tremeu ao estudar a área em sua frente.
As árvores eram muito próximas umas das outras para que ele pudesse ver muito à frente, mas conseguia ouvir movimentos. O som de passos – claramente de humanos – “então eles não estão a cavalo”, pensou, aliviado. Conforme ia escutando, havia também berros indecifráveis e risadas agudas. “Esse é o som de um bando de homens, certo.”
Julgando pela distância do barulho, Draco supôs que estivessem a aproximadamente três minutos a frente, se galopasse Jack com velocidade. Mas não queria anunciar sua chegada – a única arma que possuía era o elemento surpresa – e o cavalo fazia muito barulho. Se esses ciganos fossem espertos, iriam se esconder quando ouvissem o animal se aproximando, pois certamente poderia ser alguém atrás deles. Draco teria que cavalgar alguma distância, depois deixar Jack para trás e caminhar.
Satisfeito com o que precisava fazer a seguir, ele pôs Jack em um meio galope; seus ouvidos atentos para que soubesse quando haviam chegado perto o bastante.
Após dois minutos, viu alguns ciganos atrás de árvores. Parou o cavalo e rapidamente desmontou. Jack imediatamente colocou seu nariz na neve e pôs-se a procurar grama. Draco observou-o por um segundo, perguntando-se se devia amarrá-lo. Decidiu deixá-lo solto; ele ficaria ocupado por horas atrás de grama. O garoto deu um tapinha no flanco dele, silenciosamente agradecendo-o por não dar um coice, e virou-se, começando a caminhar apressadamente na direção do som dos ciganos.
Draco viu que eles viajavam em um grupo grande. Alguns deles, de costas, pareciam bêbados, pois riam detestavelmente e batiam nos ombros de outros, e não pareciam ser capazes de se agüentarem em pé. De qualquer forma, não viu Gina. Acreditava que ela estava em algum lugar adiante.
Primeiro, antes até de tentar salvá-la, ele precisava localiza-la. A única forma de fazer isso não era seguir em frente, e sim contornar o grupo. Era um grande risco, apesar de tudo, pois seria mais fácil de alguém vê-lo. Precisava ficar aonde ele pudesse vê-los, mas eles não.
Arqueado, sentindo que tinha que se abaixar, Draco apressou-se e desviou para a esquerda. Certo de que estava a uma boa distância ao lado do grupo, parou atrás de uma árvore grossa, e endireitou-se. Contemplando por trás do tronco, viu-os entre as folhagens de árvores próximas, ainda conversando em voz alta e soando como se estivessem todos se divertindo. E ainda não conseguia ver Gina.
Amaldiçoando-se entre dentes, correu para frente, achando outra grande árvore que usou de esconderijo. Dessa vez, avistou o cabelo vermelho fogo de Gina, notando que ela estava perto do grupo em frente. Estava caminhando atrás de quatro cavalos brancos, sem ninguém a tocando para impedi-la de escapar, mas havia vários ciganos que estavam apenas a alguns passos dela.
Tudo bem, ele achara-a. O que poderia fazer agora?
Franzindo o cenho, continuou a ir de árvore em árvore para manter Gina a vista. Sentia-se levemente estúpido, mas desde que ninguém o visse, não era tão ruim assim. Tinha mais coisas com que se preocupar, como por exemplo, como iria enfrentar uma dúzia de homens crescidos sem uma só arma.
“Uma distração” pensou antes de deixar a segurança de uma árvore para achar outra, observando Gina caminhar cada vez mais para longe. “Distrações sempre funcionam.”
Mas como ele poderia criar uma distração, ainda mais uma grande o bastante para distrair o grupo inteiro de ciganos? Sem mencionar que se eles corressem para verificar o que era, alguns permaneceriam para cuidar de Gina. Lutar com um cigano já seria difícil o bastante, pois o homem provavelmente teria tempo de chamar os outros.
Então o que poderia fazer? Se não uma distração, então o quê? Agora estava começando a se arrepender de ter deixado Jack para trás. “Um cavalo talvez pudesse ser útil” disse a si mesmo, franzindo as sobrancelhas. Mas é claro, ele não estivera pensando adequadamente, e agora era tarde demais.
De repente, um homem a frente do bando gritou. A tropa toda parou, o homem bêbado de trás tentando silenciar as risadas. Draco pressionou-se contra o tronco, tentando ter certeza de que nenhuma parte do corpo estava visível, e rezando para que eles não tivessem parado porque haviam avistado-o.
- Descansem, cavalheiros! – alguém anunciou – Temos pelo menos até o cair da noite antes que o rei comece a procurar pela princesa. Então eu sugiro que vocês tirem vantagem dessa oportunidade, pois iremos viajar a noite toda!
Vários deles resmungaram, e um soluçou tão alto que Draco pode quase apontar o exato homem que o fizera. Mas não ousava olhar por trás da árvore, sabendo que seria mais fácil para eles verem-no ou ouvirem-no agora que não estavam conversando. Escutou o som de seus passos pesados quando caminharam pela neve, o diálogo alto reiniciando.
Por um breve instante perguntou-se se deveria correr para longe deles. Agora que estavam descansando, provavelmente iriam espalhar-se, e alguns poderiam se aventurar pelas áreas da árvore em que estava escondido. Mas não arriscou; iriam ouvi-lo e vê-lo correndo. Então prendeu a respiração e aguçou os ouvidos no caso de alguém que se aproximasse.
Quase dez minutos passaram-se, e ele não escutou nada exceto pela suas vozes roucas e risadas grossas. A escuridão estava rapidamente chegando agora – Draco sabia que devia restar apenas mais meia hora de luz do sol. Acreditou que Harry devia estar chegando ao castelo, então esperançosamente a ajuda estaria logo a caminho.
Então pensou em algo. Se o resgate estava vindo, por que ele sentia que devia salvar Gina com suas próprias mãos? Poderia apenas observar de uma distância e garantir que nada horrível acontecesse com ela. Até então, não ouvira um piu dela – mas pensando bem, não conseguia escutar muito por causa do barulho que os ciganos estavam fazendo. Ainda assim, sabia que ela não estava gritando, então contando que não estivesse sofrendo ou quase morrendo, ele não precisava fazer nada.
Finalmente ele criou coragem de olhar por trás do tronco. Os ciganos haviam se dividido em grupos de quatro ou cinco, sentando em círculos em cima de uma madeira ou uma rocha, a maioria tentando fazer pequenos fogos em pedras lisas, longe da neve. Draco perguntou-se brevemente onde eles haviam achado essas coisas para sentar, porque duvidava seriamente que carregassem pedras com eles, mas então achou que eles haviam encontrado nas redondezas enquanto ele estivera se escondendo atrás da árvore. Mas isso não importava. Agora precisava achar Gina novamente.
Draco procurou, e descobriu-a sentada perto de um grupo não muito longe dele. Bem, pelo menos podia ficar de olho nela.
Ele abafou um suspiro e escondeu-se atrás da árvore. Abaixando sua cabeça, esfregou suas mãos em seu rosto. Não havia nada que pudesse fazer sem ser morto a não ser observá-la. Teria que simplesmente esperar o rei e suas forças chegarem antes de tentar salvá-la.
Ele perguntou-se por que se sentia tão inquieto e irritado pela idéia de esperar.
* * *
- Vou desamarrá-la, garota – disse o líder, que Gina havia descoberto se chamar Alec. – Mas se você tentar fugir, eu vou pessoalmente cortar sua garganta. Entendeu?
Gina concordou. Realmente nem se importava mais. Não estava mais assustada sem sentido – ou talvez estivesse, pois se sentia meio dormente. Nem doeu muito quando Alec partiu as cordas de seus pulsos e cortou a pele do osso na parte inferior de seu polegar, fazendo-o sangrar. A esse ponto estava mais brava com esses ciganos idiotas, brava que eles pensassem que podiam seqüestra-la como meio de receber dinheiro do rei. “Como se ele fosse pagar algo por mim” pensou secamente. “Provavelmente ele vai escrever uma carta para eles agradecendo-os por terem o livrado de mim, porque eu sei que ele e a ‘mãe’ não me suportam.”
- Sente – ordenou Alec, despertando-a de seus pensamentos amargos e apontando para o chão. Gina deu a ele um olhar irritado, apenas para receber um gracejo atravessado em retorno. – Desacostumada a sentar na neve, Sua Alteza? – seu sorriso desapareceu – Acostume-se, moça. Se depender de mim você vai ficar conosco por um longo tempo.
- Não depende de você – murmurou Gina, apesar de duvidar um pouco, e sentou na neve. Pela primeira vez estava grata por usar muitas saias, pois assim demoraria mais para a neve derreter e atravessar suas roupas. Alec pareceu não ter ouvido o comentário – ou se ouviu, ignorou-o.
Cobrindo o dedão machucado da mão em sua saia, mais por frustração que pela dor do sangramento, olhou para cima e emburrou-se. Ao seu lado, Alec havia sentado em uma longa madeira que mantinha ele e mais dois outros ciganos fora da neve. Havia vários outros homens sentando no mesmo círculo, todos ouvindo um outro que contava de uma aposta que havia perdido uma vez. Um cigano estava tentando fazer pegar uma fogueira no meio do grupo, apesar da lenha que usava estar molhada.
“Que idiota” pensou, revirando os olhos para ele. “Fui raptada por um bando de retardados fedorentos e ignorantes.”
Alguns minutos se passaram, e Gina começou a sentir o frio atravessar suas saias. Tentando ignorar, tirou o tecido de cima do corte e fitou-o. Ainda estava sangrando, e agora estava começando a pulsar. E doer. Não era tão fundo assim, mas Alec tinha conseguido cortar uma boa parte da pele, quase do tamanho de uma unha.
Os ciganos de seu círculo de repente ficaram mais barulhentos, e ela olhou para cima, perguntando-se de que se tratava a excitação, e viu que o homem finalmente havia começado o fogo. É claro, só obtivera sucesso porque tirara a lenha molhada e substituíra-a por ramos secos das árvores, mas pelo menos era um fogo. Levou apenas alguns instantes para o calor alcança-la, apesar de que suas costas e extremidades estivessem ficando cada vez mais dormentes da neve.
Ela fitou os outros grupos. Muitos eram parecidos com ao que estava – todos estavam xingando, rindo, aclamando e gritando. Todos os ciganos que havia visto até agora tinham barba e bigode, com longos cabelos oleosos, e dentes tortos e amarelos. Também podia ver marcas profundas na pele da maioria deles, provavelmente por sífilis ou casos graves de acne. Definitivamente não era agradável olhá-los... ou cheirá-los.
Gina olhou de novo para a sua mão. Sim, certamente estava começando a doer agora. Novamente, pressionou sua saia contra o machucado, antes de pressionar seus dedos contra o pulso. Seu pai contara uma vez que para parar o sangramento de algo na mão, tinha que evitar a circulação de sangue. A parte mais fácil de fazer isso era o pulso, e ela apertou-o forte, soltando-o de vez em quando para que o sangue das outras partes da mão pudesse fluir.
Após cinco minutos de fazer isso, ela tirou a saia e examinou novamente. Ainda estava sangrando, mas percebeu que não estava tão mal quanto antes...
Abruptamente, uma mão áspera e imunda agarrou seu pulso, exatamente onde ela havia segurado um segundo antes. Com uma arfada, olhou para cima para descobrir o rosto desprezível de Alec, antes de puxá-la e levantar-la.
- Ai! – gritou ela, tentando manter o equilíbrio – Que diabos está fazendo...?
Olhando para a mão cortada dela, ele interrompeu:
- O que aconteceu, garota? Você se cortou? – sua voz era como seda envolta em lâmina: macia mas malvada.
Furiosa, ela tentou tirar sua mão dele, mas ele segurava forte. Os outros ciganos em volta da fogueira pareciam divertidos pelo esforço dela, e continham o riso. Tentando ignorá-los, ela disse:
- Não, eu não meu cortei. Você me cortou, seu nojento filho da p***.
Ele não parecia ter escutado-a. Ao invés disso, seus lábios curvaram-se em um sorriso repugnante.
- Posso curar para você, menina. – E com isso, inesperadamente ele sentou de novo na madeira, e, ainda segurando o pulso dela, puxou-a consigo. Com um grito assustado, ela perdeu o equilíbrio e caiu no colo dele, de frente. Ela sentiu os braços dele deslizarem em volta de suas costas quando tentava vira-la. Gina esbofeteou a coxa dele com sua mão livre, xingando-o em voz alta, o que apenas fez os outros ciganos rirem. Percebeu que o resto do acampamento havia interrompido suas conversas, e sabia que estavam provavelmente olhando-os e se divertindo.
Alec conseguiu vira-la, de maneira que estava deitada de costas no colo dele. Suas bochechas queimando tanto de raiva quanto de vergonha pela forma que estava posicionada em cima dele, estendeu a mão e tentou tirar os dedos dele de seu pulso.
- Me solte! – gritou a ele, e recebeu apenas gargalhadas altas em resposta.
Sua mão esquerda parecia não perturbá-lo, pois ele não fez menção de prende-la. No entanto, puxou-a apenas com a custódia da mão direita para que se sentasse, sorrindo orgulhosamente e revelando seus horríveis dentes, antes de pressionar seus lábios contra o pescoço dela.
A sensação disso provocou calafrios desagradáveis nela, congelando seu coração. Usando a mão livre, colocou seu palmo no peito dele, tentando jogá-lo para longe, e inclinou sua cabeça para o lado para que ele não tivesse acesso fácil a sua garganta. Ele ignorou completamente as tentativas de livrar-se dele, e beijou sua mandíbula, depois sua bochecha. Então, sem avisar, ele estendeu a mão e agarrou seu rosto com o polegar pressionado contra uma bochecha e o resto dos dedos na outra. Ele puxou-a de encontro a si e beijou em cheio seus lábios.
O grupo inteiro de ciganos irrompeu em aclamações e vaias.
Completamente revoltada, Gina puxou com força para soltar sua mão, e já que ele não estava mais tentando segurá-la, libertou a mão. Então colocou o punho esquerdo no rosto dele e empurrou-o, absorvendo ar puro quando suas bocas se separaram.
- Qual o problema, garota? Nunca foi beijada por um verdadeiro... – ele começou a perguntar com um sorriso irônico. Mas ela interrompeu-o ao bater sua mão direita na bochecha dele, esbofeteando-o com toda a força que pôde.
O som do tapa pareceu ecoar através da floresta, e o acampamento todo estava em silêncio. A cabeça de Alec balançou para o lado, e ele não se moveu, piscando. Gina encarou-o por um momento, furiosa e sentindo vontade de vomitar, e notou com um toque de satisfação que não apenas deixara uma marca vermelha no rosto dele, mas também o manchou com o sangue de seu corte.
- Não ouse tocar em mim novamente – bradou ela, e levantou-se. Não iria ficar com eles por mais um minuto – preferia arriscar sua vida do que permanecer com eles e ser humilhada.
Mas Gina havia dado apenas três passos quando ouviu ele dar um berro de raiva. Ela olhou para trás bem na hora de vê-lo arremessar-se atrás dela, agarrando um punhado da saia e sacudi-la. O material rasgou, mas ele havia conseguido atrasa-la. Ela viu uma cara de fúria total no homem antes que ele jogasse seu corpo em direção do dela, derrubando-a para o chão e parando pesadamente em cima dela.
Gina começou a entrar em pânico agora, percebendo que devia ter se controlado e não tê-lo esbofeteado. Agora ele estava lívido, e podia até matá-la com sua ira. “Gina, por que você não consegue aprender a controlar o maldito temperamento Weasley?” ela gritou para si mesma.
- Má jogada, garota – murmurou Alec, seu peso pressionado contra o corpo dela de modo a mante-la presa. Ela debateu-se e lutou, mas sabia que ele tinha quase o dobro de seu peso, e não tinha como sair de baixo dele. Ela conseguiu colocar seus dois palmos nos ombros dele e tentou empurrá-lo antes que ele agarrasse as duas mãos, pressionando as articulações umas contra as outras, e reprimindo-as acima de sua cabeça na neve fria com uma única mão.
Ela chutou seus pés, a única parte do corpo que podia se mover. O pânico estava lentamente fundindo-se em terror mais uma vez. Ela gritou:
- Saia de cima de mim! Tire suas malditas mãos de cima de mim! Você não pode...
- Você é de longe muito mimada, princesa – cortou ele calmamente, recuperando seu tom delicado novamente – Muito frágil...
- Eu não me importo! Me levante, agora! – sua voz era estridente e aguda, e soava como se estivesse histérica. “O que provavelmente estou” pensou ela de modo turvo, vendo Alec novamente aproximar seu rosto e beijá-la. Ela bradou contra ele, tentando virar a cabeça e sair de baixo dos lábios dele. Mas a cada tentativa, ele seguia-a.
“Oh, Deus, não consigo respirar” pensou, batendo suas pernas loucamente. Ela puxou seus braços, tentando soltá-los. Ele estava segurando-as apenas com uma mão, afinal. E ela tinha que se libertar. Estava quase pronta para vomitar. O cheiro horrível dele estava enchendo suas narinas, e ele tinha gosto de suor – como algum remédio mágico que sua mãe sempre a dava quando era mais nova e estava com dor de garganta, aquele que sempre a dava ânsia de vômito. Sua cabeça estava ecoando com as risadas e gritos dos outros ciganos, e estava começando a sentir-se mal.
Com um puxão de força, sentiu uma de suas mãos – a esquerda não ferida – deslizar do agarramento de Alec. Sem hesitar, pressionou-a contra a testa dele, levantando sua cabeça. Assustado, ele abriu os olhos e olhou-a enquanto removia o palmo da mão dela da sua testa. Em outro golpe ela estendeu a mão e fincou suas unhas na bochecha direita do homem, arranhando-as na carne o mais rapidamente que pôde.
Alec soltou um uivo de dor, e ela observou quatro linhas vermelhas aparecerem na pele dele. Agora sabia que isso podia se encaminhar para um dos dois caminhos – o primeiro era que ela pudesse se aproveitar da distração, levantar e sair correndo. O segundo era que ele se tornasse mais bravo ainda e estrangulasse-a.
Felizmente, o primeiro caminho parecia estar se concretizando. Ele aliviou a pressão de sua mão direita, e conseguiu libertá-la. “Agora,” pensou ela, sem fôlego. “só preciso tirar esse corpo de cima de mim.”
Mas foi mais fácil falar do que fazer. O peso do homem era o dobro do seu. Gina colocou suas mãos na cara dele, tentando levantá-lo. Não deu certo, pois um segundo depois os dedos dele estavam em volta de sua garganta.
Então o segundo caminho também aconteceu.
Ela permaneceu assim por um instante, antes dele conseguir fechar completamente a traquéia dela. Gina tirou a mão esquerda do rosto dele, e tateou cegamente na neve por algo que pudesse usar como arma. Uma vareta, talvez, que pudesse encravar nos olhos dele. Mas ela achou apenas a neve gelada, lisa e tão fria que parecia queimar sua pele.
Seus pulmões já estavam começando a implorar por ar, e Alec estava apertando mais forte ainda na sua ira. Ela encarou o rosto dele, que era uma máscara de cólera e ódio, fazendo-o aparentar ser dez vezes mais feio que antes.
“Por favor, preciso fazer alguma coisa!” pensou freneticamente, apesar de não saber a quem se dirigia. Começou a enfiar seus dedos na neve. Havia algumas polegadas de profundidade, ela julgou, antes que seus dedos percorressem o chão. Mas espere – não era o chão. Sua mão cavou mais fundo, e o que ela pensou ser o solo era na verdade um objeto esférico sobressaltado – uma pedra! Se pudesse, teria gritado de alegria.
Ela enlaçou seus dedos envolta da rocha – era da metade do tamanho de um balaço, apesar de certamente ser grande o bastante para ajudá-la – e tirou-a da neve. Estendeu sua mão o máximo que pôde. Alec estava ocupado demais fitando-a e tentando estrangular a sua vida para ter notado. Embora vários ciganos terem procurado gritar um aviso, era tarde demais. Gina bateu a rocha bem na cabeça dele, logo na sua têmpora.
Foi um barulho desgraçado de ruptura, e os dedos de Alec afrouxaram-se. Seus olhos giraram para trás da cabeça, o sangue pingou no vestido de Gina. Então, com um leve lamento, o rosto dele caiu pesadamente na bochecha dela, o queixo em seu ombro. Ela piscou, tirando as mãos do homem de sua garganta, e o ar encheu os pulmões da garota. Era difícil respirar, pois ele ainda estava em cima dela, mas era oxigênio. E era maravilhoso.
Ela havia de fato salvado-se. Havia golpeado-o – ou talvez até matado-o. Apesar de estar apavorada pela idéia de ter matado uma pessoa, sabia que se não tivesse feito isso, então ela mesma estaria morta.
Agora, entretanto, ela tinha o grupo inteiro de ciganos para enfrentar. Eles não ficariam muito felizes por ela ter ferido seriamente o seu líder. Então talvez não estivesse muito a salvo ainda.
Freneticamente, empurrou Alec para longe de si, rolando-o para o lado. Ela sentou-se, limpando o sangue de sua bochecha e pescoço, e contemplou o acampamento. Todos estavam fitando-a, alguns apavorados, outros parecendo um pouco enfurecidos. Nenhum deles moveu-se, e por um segundo, tudo parecia incrivelmente quieto.
“Apenas levante-se” instruiu Gina a si mesma. “Levante-se devagar, vire-se e corra.”
Ela começou a erguer-se, mas o movimento pareceu despertar o bando. Um homem soltou um grito, e um instante depois o grupo inteiro estava berrando para ela. E não eram palavras de agradecimento.
- Oh... – murmurou, sentindo-se fraca com a visão, e terminou de levantar-se. Quando deu a volta, preparando-se para correr através da floresta e tentar perdê-los de vista, eles estavam pondo-se de pé, prontos para atacá-la.
Havia apenas cambaleado uma pequena distância na floresta antes de olhar a sua frente e ver alguém parado no seu caminho. Por um breve segundo, seu coração precipitou-se de medo, pois achou que era outro cigano. Mas foi apenas por um instante, pois ele não era um homem moreno e sujo.
Era Draco.
- Que diabos está fazendo aqui? – ela gritou para ele, mais por estar absolutamente impressionada do que outra coisa. O que ele estava fazendo ali? De aonde havia vindo? Devia ter estado escondido nas árvores próximas, pois quando havia olhado um minuto antes, o caminho estava livre.
Ela deu um breve olhar por cima dos ombros e viu que os ciganos estavam a dois segundos de pegá-la. Imediatamente não importou o que Draco estava fazendo ali – ele apenas estava e isso era bom o bastante para ela.
- O que parece que estou fazendo aqui, Weasley? – replicou ele – Salvando sua maldita vida, é isso.
Bem, isso funcionou para ela. Gina lançou-se para trás dele, instantaneamente sentindo segurança e alívio encher seu corpo inteiro. Pelo menos não teria que lutar sozinha mais. Logo que estava alguns pés atrás dele, olhou para trás e viu os ciganos, que haviam parado brevemente, encarando Draco. Estavam todos em uma multidão, segurando espadas ou grandes facões. As expressões em seus rostos pareciam claramente assassinas.
- Está bem, cavalheiros – disse Draco calmamente, e Gina podia ouvir a ironia em seu tom – Vocês terão que passar por mim primeiro. O príncipe. De Gales. Tentem; eu os desafio.
Os ciganos pararam. Mas apenas por um piscar de olhos. Um segundo depois, eles avançaram como em uma onda monstruosa. Draco meramente teve tempo e a inteligência de virar e correr para o lado de Gina.
- Droga, não pensei que eles fossem realmente vir – protestou, nem sequer olhando-a.
“É claro que eles viriam” pensou ela, contendo sua resposta brava. “Você é apenas um, seu idiota. Como se fosse capaz de conte-los...”
Sua mente esvaziou quando Draco, em um rápido movimento, curvou-se e enlaçou seus braços ao redor da cintura de Gina. Sem avisar, ele levantou-a contra seu ombro como se seu peso não fosse mais que um saco cheio de penas.
Por um momento ela ficou chocada em descrença, apertando suas mãos firmemente nas costas dele para que não caísse. Então ele começou a fugir, e ela olhou para cima e viu os ciganos correndo atrás deles, e recuperou novamente os sentidos.
- Draco, o que você está fazendo? – gritou ela, tentando olhar por trás dos ombros para ver o rosto dele – Eu tenho pernas. Posso correr!
- Não com toda a porcaria que está vestindo – disse ele, já sem fôlego. – Então apenas cale a boca, certo?
Ela prendeu um lamento e retornou seus olhos para os ciganos. Eles estavam avançando, pois Draco não estava mais se movendo tão rapidamente. A única razão dos primeiros não terem alcançado-os ainda era por causa das árvores. Já era um milagre que o garoto conseguisse se mexer carregando algo tão pesado quanto ela.
“Ele é tão estúpido!” pensou ela. “Que diabos ele pensa que está fazendo? Sendo um herói?”
Um minuto depois, esses pensamentos foram afastados de sua mente. Ela sentiu sua garganta fechar quando vários ciganos separaram-se do resto do grupo e adiantaram-se, fazendo um círculo em volta dela e de Draco. “Eles vão nos fechar” percebeu, sentindo como se seus ossos tivessem se tornado rocha dura.
- Draco – sussurrou ela, talvez um pouco baixo demais. Quando ele não respondeu, ela disse mais alto: - Draco!
- O quê? – ele estava irritado, e respirando com dificuldade.
- Eles estão nos cercando – contou, tentando falar apesar do nó em sua garganta. Sua voz era silenciosa e áspera.
- O que você espera que eu... – ele começou a dizer entre dentes, quando de repente, a sorte deles piorou tremendamente.
O pé de Draco prendeu-se em algo, e ele tropeçou no chão.
Gina soltou um “ai!” quando atingiu o chão, seu corpo deslizando dos ombros de Draco e chocando-se no chão. Sua cabeça bateu forte, e ela mordeu a língua. Um gosto estranho encheu sua boca, que ela imediatamente reconheceu como sangue. Sentiu o braço do garoto esticado em cima de seu estômago. Espantosamente, levantou a cabeça e viu-o, apoiado em um cotovelo, seus olhos fixados nos ciganos, assim que eles começaram a contorná-los.
A garota sentiu o medo irromper em suas veias, mais frio que a neve em baixo de si. Momentaneamente imaginou uma dessas espadas enfiada nela. “Apunhalada” pensou com distração. “Deve ser a pior maneira de morrer...”
Nebulosamente, sentiu Draco deslocar-se ao seu lado. Piscando, percebendo que estava quase cega de lágrimas que haviam aparecido do nada, tentou clarear a vista e ver o que ele estava fazendo mais adequadamente. Ele moveu-se e inclinou-se para cima dela, seu peito apenas há alguns centímetros do rosto dela. A mão direita dele deslizou para trás da cabeça dela, amortecendo-a da neve. Ele descansou sua testa no topo da cabeça da ruiva, e podia ouvir sua respiração áspera, tão perto do ouvido dela. Levou um instante para ocorre-la, mas quando aconteceu, sentiu um tolo relâmpago de espanto que derrotou seu medo e terror.
Ele estava protegendo-a. Defendendo-a da cintura para cima com seu corpo. Uma onda de calor agitou-se dentro dela, e por um breve segundo, ela sentiu calma. Apesar de saber que ele não era uma grande defesa, pois tudo que tinham que fazer era esfaquea-lo e tira-lo de cima dela, esse gesto era algo tão inesperado, tão humano, que ela sentiu seus músculos relaxarem – mas por apenas um pequeno instante.
Quando mais uma vez sentiu a neve gelada contra sua carne, como se a lembrando de que provavelmente não estava segura, Gina ficou tensa novamente. O som do que parecia milhões de passos pesados encheu sua mente, e ela espiou por trás do braço de Draco. Um par de pés, tão perto que podia alcançá-los e cutucá-los com os dedos, estava diretamente paralelo a cabeça dela. Movendo seus olhos, percebeu que havia mais pés, apesar de não poder ver além dos joelhos. Mas já era o bastante. Fechando fortemente os olhos, suas lágrimas quentes deslizando silenciosamente pelas bochechas, Gina virou seu rosto em direção ao peito de Draco e respirou pesadamente, tentando acalmar seus nervos.
“Apenas deixe isso acabar logo” rezou.
- Parece que não haverá realeza sobrando para reinar – disse uma voz estridente e bruta, que soou logo acima de Draco – pois estou prestes a matar os únicos herdeiros reais.
Veio o barulho das risadas secas dos outros. Gina estendeu a mão e agarrou as pontas da capa de Draco, como se cravando seus dedos em algo pudesse ajudar a combater seu medo. Não ajudou.
Ela ouviu Draco inalar ar entre dentes cerrados, e seu corpo inteiro ficou rígido. Ambos ouviram o leve metal retinindo – o distinto som de alguém movendo uma espada. Gina prendeu a respiração, sabendo muito bem que se não fizesse isso iria começar a chorar.
O tempo pareceu parar pelo que pareceu uma vida inteira, mas depois, Gina supôs que foi provavelmente por dois segundos. Então, através do silêncio em seus ouvidos, ouviu um leve barulho, o zumbido de um objeto brando voando no ar. Um momento depois, o ar silencioso irrompeu em gritos confusos e passos pesados. Ela não ousava se mexer, horrorizada de que o que quer que estivesse acontecendo, provavelmente não fosse a favor deles.
De qualquer forma, Draco parecia curioso pela razão de não estar morto ainda, ou pelo menos cravado nas costas com uma espada. Ele tirou a mão de trás da cabeça da princesa e deslizou para o lado, de forma que não estava mais em cima dela. Dividida entre medo de que ele não estava mais a protegendo, e felicidade de poder ver algo de verdade, ela apoiou-se em um cotovelo e fitou a floresta em confusão.
Os ciganos estavam fugindo para as profundezas da floresta. Ao seus pés e aos de Draco estava atirado um homem com uma flecha atravessada em seu pescoço, a espada ainda em sua mão frouxa. Vários outros corpos estavam estendidos perto, todos mortos por flechas.
- Que diabos...? – murmurou Draco, sentando-se.
Gina sentou-se também, notando brevemente que estavam juntos o bastante para a perna esquerda de Draco estar parcialmente em cima da dela. Tentando tirar isso da cabeça, tentando acalmar as batidas de seu coração, ela secou suas bochechas úmidas e virou-se. Atrás dela, correndo rapidamente em direção a eles, estavam muitas dúzias de homens, usando armaduras e segurando espadas ou carregando arcos e porta-flechas nas costas. “Bem, isso explica alguma coisa” pensou.
A maioria deles passou direto por Gina e Draco, mas um homem que não vestia nem armadura nem estava com flechas, parou e deu a eles uma breve saudação.
- Suas Altezas, permitem-me escoltá-los a um cavalo.
Ao seu lado, Gina sentiu Draco relaxar. Então, ignorando o jovem que ofereceu a ele uma mão, o príncipe levantou-se sozinho. Assim que o homem encurvou-se perto de Gina e pegou a sua mão para levantá-la, Draco repreendeu:
- Ei, amigo, não toque nela. Eu cuido dela. – O homem rapidamente endireitou-se, concordando, e deu um passo para o lado. Gina tentou esconder um sorriso quando Draco ajudou-a.
- Então o que está acontecendo exatamente? – perguntou o príncipe. Gina encostou-se contra ele, e quando ele não pareceu notar, ela ousou colocar seu braço em volta da cintura dele.
O jovem gesticulou na direção em que cavaleiros e arqueiros haviam surgido, indicando que eles deviam seguir para essa direção. Lentamente, usando Draco como suporte, Gina começou a caminhar. O homem acompanhava o passo deles pacientemente quando explicou resumidamente:
- Sua Majestade mandou seus melhores cavaleiros para a floresta, Alteza. Tivemos sorte em encontrá-los. Se tivéssemos chegado um segundo depois, temo que ambos teriam morrido. Felizmente, pudemos impedir o homem que estava prestes a assassiná-lo, Sua Alteza. Esse servo...
Gina parou de ouvi-lo, sem vontade de escutar a história. Eles haviam vindo, e isso era tudo que importava para ela no momento. Queria mais do que nada poder tirar seu maldito vestido nojento, jogar-se na cama, e dormir por vinte e quatro horas seguidas.
“Acabou” pensou, nunca tendo experimentado tanto alívio antes. “Não estamos mortos, e não estou mais na posse dos ciganos.”
Nunca havia se sentido tão entusiasmadamente feliz como no momento.
Após uma caminhada de dois minutos, eles chegaram em uma clareira, onde havia vários cavalos e mais duas dúzias de cavaleiros e arqueiros, aparentemente esperando para serem ordenados a fazer algo. Um homem, que parecia importante, desmontou de seu cavalo e se aproximou dela e de Draco, dando-os um curto aceno.
- Suas Altezas, Sua Majestade mandou-me pessoalmente para vê-los transportados de volta ao castelo em segurança. Sua Alteza, – disse, obviamente dirigindo-se a Gina, pois olhou para ela – sua mãe pediu para que andasse no meu cavalo...
- Ela não vai andar no cavalo de ninguém – repreendeu Draco.
Se Gina tivesse energia para rir, ela teria. Entretanto, apenas sorriu, esgotada, e disse:
- Na verdade eu preferiria cavalgar com Draco. Tudo bem? – ela não contou que se sentiria dez vezes mais segura com Draco do que com ele. Ninguém precisava saber disso além dela mesma.
O homem importante pareceu sem fala por um segundo, antes de concordar brevemente.
- É claro, como Sua Alteza queira – então virou-se para Draco – Achamos esse cavalo não muito longe daqui. – Ele gesticulou para um cavalo atrás – É esse que cavalgastes anteriormente?
- Sim.
Gina virou seu rosto para olhá-lo:
- Você tinha um cavalo – disse firmemente, franzindo as sobrancelhas – e você chegou a pé? Por que você não correu e levantou-me no ar?
Ele sorriu ironicamente para ela.
- Você lê muitos livros. Eu nunca faria isso.
“Certo, eu deveria ter sabido” disse ela a si mesma, suspirando pesadamente. Sentindo suas pálpebras começarem a cair, ela dirigiu-se ao homem que parecia importante e disse:
- Apenas leve-nos para casa o mais rápido que puder.
O senhor fez uma saudação.
- É claro, Sua Alteza.
Gina relaxou um pouco contra Draco, descansando sua cabeça nos ombros dele e fechando os olhos.
- Obrigada. – disse ao príncipe, silenciosamente. Quando ele não respondeu imediatamente, olhou-o, e achou-o fitando-a com uma expressão indecifrável.
Ele sorriu ironicamente:
- Disponha... Alteza.
Gina sentiu os cantos de sua boca puxarem-se em um sorriso. Contemplando-o uma última vez, ela pensou: “Meu cavaleiro de armadura brilhante.”
Pela primeira vez em muitos dias, ela encontrou força para rir.
Nota da Autora: Ok, final feliz aqui.
Ah, e se por acaso você está se perguntando: Eu sei exatamente quem é o cúmplice e o assassino. Só para você saber, pois eu fiquei conhecida por ter escrito uma fic cegamente e não ter idéia do que as pessoas iam fazer ou o que ia acontecer. Então eu realmente tenho um desfecho planejado – infelizmente, é no caminho que conduz a ele que estou um pouco confusa ainda.
No Próximo Capítulo: Gina manda um empregado buscar Alexandria na cidade, e algum equívoco é cometido. Ela tem uma conversa franca com Harry e descobre fatos importantes. Seria dele mesmo a arma do crime? Descubra no Capítulo 10 – Mentiras e Enganos.

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