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16. Confissões da meia-noite


Fic: O HERDEIRO DE HORUS - Notícias a 3-10-11


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Capítulo 16 – Confissões da meia-noite



Existem fases da nossa vida em que nos sentimos perdidos. Por mais que nos digam que tudo está bem, sempre achamos que tem algo errado connosco, que falta alguma coisa em nós, ou no nosso relacionamento com os outros. Então choramos, esperneamos, ficamos deprimidos e sem vontade de continuar aquilo que começámos. Mas para isso servem os amigos. São eles que nos dão força, nos fazem acordar para a realidade e nos fazem ver que não estamos sozinhos. É apenas por eles que recuperamos o nosso ego
Da torre de Astronomia, podia observar-se uma lua crescente, reflectida no lago, o Salgueiro Zurzidor, agora calmo, nos jardins e, para lá dos terrenos de Hogwarts, a densa Floresta Proibida. Era tudo isto que deprimia o jovem Remus Lupin. Daí a uma semana seria lua cheia. Tudo aconteceria de novo… as transformações dolorosas… a solidão… não, ele nunca ficava só nessas alturas. Não… os seus amigos estavam lá, os seus companheiros de brincadeira. E seria assim, até aos seus últimos dias em Hogwarts, porque eles não seriam os Marotos, se não tivessem aquelas “pequenas” aventuras mensais.
Como monitor, ele podia circular pelo castelo à noite, sem correr o risco de ser repreendido por um professor. Aquele era o seu lugar preferido. Conseguia ficar ali horas e horas, apenas a olhar a lua. Mas nesse dia, as suas intenções eram outras.
Lá no fundo, junto da cabana de Hagrid, três vultos seguiam, guiados por uma ténue luz. Eram eles o seu objectivo. Remus estava ali para vigiar os dois Marotos, que iriam cumprir detenção nessa noite. Como ele ficara furioso naquele dia. Por pouco, seriam ele e Frank a entrar naquela floresta e não os devidos culpados. Mas, no fim, eles fizeram as pazes, sempre faziam. Além disso, ainda tinha a história de juntar James e Lily. Ele não se tinha esquecido disso e, agora que tinham Marlene como aliada, tudo se tornaria mais fácil. Poder-se-ia até dizer que, tinham uma espia em território inimigo.
Viu os amigos entrarem na escuridão da floresta e desaparecerem segundos depois, acompanhados de Hagrid e do seu cão de guarda. Agora eles estavam por sua conta. Não podia fazer mais nada. Foi com este pensamento que decidiu regressar à torre.
Os corredores estavam silenciosos àquela hora. Não havia sinais de professores, ou de alunos transgressores. Apenas se avistava de tempos a tempos um outro monitor, que tal como Remus, aproveitava o seu estatuto para passear.
Mas, ao passar pelo corredor do terceiro andar, ele ouviu um ténue gemido. Alguém estava a chorar. Aproximou-se, pé ante pé, tentando seguir o barulho, até chegar a uma tapeçaria. O choro vinha de lá. Como era possível? Um tapete a chorar? Não… havia ali alguém. Mas não se lembrava de existir ali uma passagem secreta.
- Está aí alguém? – sussurrou ele. Imediatamente o choro cessou. – Quem é que está aí?
- P-por fa-favor… tirem-me daqui! – era a voz de uma menina – Prenderam-me aqui e eu não consigo sair.
- Espera um pouco que eu já te tiro daí!
Remus levantou a tapeçaria, esperando ver alguma porta. Mas a única coisa que viu foi parede. Bolas! Como é que a libertaria agora? Maldito fosse quem fez aquilo. Mas… se ela estava do outro lado da parede, tinha de haver uma porta ali!
“Claro, Lupin, seu totó. És um Maroto, ou não és?” pensou ele confiante e apontando a varinha à parede.
- Aparecium!
Nesse mesmo momento, uma pequena porta surgiu na sua frente, que ele não teve dificuldade em abrir. Dentro daquilo que parecia ser um armário de vassouras, uma garota, que parecia ser do primeiro ano, encolhia-se sentada no chão, abraçada aos seus joelhos. No momento em que os olhos dos dois se cruzaram, um sorriso brilhante surgiu no rosto da menina, antes mesmo de se atirar ao pescoço do Maroto.
- Remus! Estou tão feliz por te ver! O Malfoy e a tia Bella prenderam-me aqui dentro e eu não consegui fazer nada.
- Nymphadora! – exclamou Remus, corando vivamente, por ter uma garota de 11 anos agarrada a ele com toda a força. – Quantas vezes o Sirius já te disse que te afastasses dos Slytherin, principalmente da Bellatrix e do Regulus?
- Eu sei, Remus, mas não deu para evitar. Eu estava atrasada para a aula e tropecei neles. Depois eles fizeram-me isto.
Remus não deixou de sentir pena dela. De tantos parentes que tinha naquela escola, Sirius era o único que se preocupava realmente com ela. Mas, desastrada como Nymphadora era, metia-se em confusões com Slytherins, mesmo sem ter intenção. Na maioria das vezes, sempre tinha um dos Marotos para a defender. Era difícil ser renegada pela família, apenas porque era filha de um nascido Muggle. Era uma grande estupidez essa história de sangue puro.
- Tens de regressar ao dormitório de Ravenclaw. Já é quase meia-noite e não devias andar por aqui a esta hora!
Nymphadora não saiu do sítio e encarou Remus, olhando-o directamente nas suas orbes azuis.
- Nymphadora?! Passa-se alguma coisa?
- Remus… - disse ela corando e olhando para o chão envergonhada - … eu queria dizer-te uma coisa… mas… eu tenho vergonha… e… não quero… que…
- Nymphadora, para de gaguejar e fala de uma vez!
- Ah?! Não… não… esquece…
- Fala… - era impressionante como Remus conseguia ser imensamente carinhoso.
- Remus, prometes não rir de mim?
- Prometo! Agora fala, porque tens de regressar ao dormitório.
- Euquerodizerqueestouapaixonadaportidesdequeteconheci!
Remus ficou de boca aberta. O que é que ela tinha dito mesmo? Ele tinha percebido bem, ou foi o efeito “falar tudo de uma vez?”
- O que é que disseste?
- Eu disse que estou… apaixonada… por ti… desde que te conheci…
O Maroto ficou sem palavras. Era a primeira vez que alguém se declarava a ele. E para piorar a situação, além de ser uma menina do primeiro ano, ainda era a prima protegida de um dos seus melhores amigos.
- Nymphadora… eu… sinto muito, mas eu acho que o que tu sentes por mim não é paixão. Tu podes sentir admiração, ou gostar como amigo, mas ainda és muito nova para saber o que é esse sentimento tão profundo. E, cogitando a possibilidade de que estás mesmo apaixonada por mim, tu sabes que eu não correspondo a esse sentimento, e mesmo que correspondesse, existem coisas na minha vida que me impedem de aproximar de alguém.
- Porquê?!
- Pode ser que eu um dia te conte…
- É pode ser… um dia…
Remus reparou que Nymphadora ficou muito triste. Ele não queria magoar a menina, mas também não queria que ela se iludisse. Se ela continuasse a criar expectativas, iria sair muito mais magoada do que o que já estava. Sim… foi melhor não deixar que a queda fosse maior. Um dia ela iria compreendê-lo.
- É melhor ires rápido para o dormitório!
Nymphadora hesitou.
- Remus, outra coisa…
- Sim?
- Não me chames Nymphadora, eu odeio esse nome. Chama-me Tonks. É o que os meus amigos me chamam.
- Está bem… Tonks.
Enquanto observava Tonks correr pelo corredor, Remus pensava em como a vida era injusta. Por mais que quisesse ser feliz, sempre teria aquele “problemazinho” a dificultar-lhe a vida. E aquilo era apenas o começo. Quando saísse de Hogwarts e já não tivesse as asas de Dumbledore para o proteger, aí as coisas iriam começar a piorar. Iria ser descriminado, olhado com desconfiança e todos se afastariam dele. Todos não… tinha sempre os seus amigos, aqueles a quem confiava a sua vida. Eles nunca o abandonariam e nunca se deixariam levar por preconceitos. Eram eles que davam significado à sua vida.


************************************

Entretanto, na Floresta Proibida, Sirius e James seguiam de perto Hagrid e o seu cão, Fang. Que ideia aquela: mandá-los para a Floresta Proibida. Se ao menos fosse lua cheia e eles estivessem ali como animagus para acompanhar Remus.
- Hagrid?! Afinal o que é que viemos aqui fazer?
- Tem calma, James, estamos a chegar ao nosso destino.
Já tinham caminhado durante alguns minutos. Apesar de conhecerem bem a Floresta, ela parecia bem menos assustadora quando os quatro Marotos se juntavam para percorrê-la, durante a lua cheia.
- Sabem uma coisa? Lembro-me perfeitamente da primeira vez que vos trouxe aqui.
- Sim, Hagrid. Foi daquela vez em que nos quiseste apresentar aos centauros!
- Não James…- interrompeu Sirius - essa foi na nossa terceira visita. A primeira foi quando o Hagrid nos apresentou ao seu Erupente de estimação. Pensei que iria ficar sem rabo! Porcaria dos chifres!
- A culpa foi tua, Padfoot. Ninguém te mandou atacá-lo!
Sirius fez uma expressão ofendida:
- EU?! Atacá-lo?!
- Sim… acho que ele não gostou muito de ter levado com um jorro de tinta vermelha em cima enquanto comia.
- Só queria ensiná-lo a entrar no espírito académico de Gryffindor. Seria a nossa mascote.
James olhou chocado para o melhor amigo.
- Como?! Tu querias pôr um rinoceronte vermelho de 20 toneladas e, porque não dizer, EXTREMAMENTE PERIGOSO como mascote dos Gryffindors?! Tu andas a passar demasiado tempo com o Hagrid!
Hagrid olhou para os dois. Uma lágrima começou a surgir no canto do olho direito.
- Smallie não era um rinoceronte! Era um Erupente! Coitadinho… já faz 15 anos que morreu… Se calhar foi da tinta… nunca mais saiu… acabou por ser expulso da manada por ser diferente. Não conseguiu sobreviver sozinho.
- Coitadinho?! Coitadinho de mim que estive durante 30 minutos a fugir de um rinoceronte vermelho furioso com um único objectivo: espetar a porcaria do chifre no meu rabo! Não sei porque demoraste tanto a pará-lo Hagrid! Agora que está morto, já não espeta aquela coisa assassina em sítios que não deve…
James deu uma cotovelada em Sirius, para que este não continuasse com comentários que fizessem Hagrid chorar mais. Aquele barulho já começava a atrair predadores. Através dos arbustos, podiam começar a ver-se sombras de seres que habitavam ali. Até que seria agradável encontrar centauros. Mas o único com quem realmente se dava bem era com Firenze.
Como que adivinhando o que James pensou, Hagrid falou:
- Firenze fez muita falta nesta floresta. Ainda bem que o deixaram regressar.
- Regressar?! Como assim regressar?!
Hagrid olhou para os dois, apercebendo-se de que estava a falar com alunos do passado, que de nada sabiam acerca da história dos centauros.
- Desculpem-me, eu não me lembrei que vocês não sabiam. Firenze foi chamado pelo professor Dumbledore para dar aulas de Adivinhação, porque o Ministério expulsou a Sybill. Pobrezinha… ainda bem que o professor a deixou continuar a viver aqui. Grande homem, o Dumbledore. Os centauros ficaram furiosos com Firenze e expulsaram-no do grupo.
- Oh! Então como é que ele regressou?
- Meu jovem James. Só uma pessoa conseguiu convencer os centauros a juntarem-se a nós. Depois desta aliança, eles aceitaram Firenze de volta.
Hagrid continuou o seu caminho, perdido nos seus pensamentos, deixando dois jovens curiosos atrás de si. Para o alcançarem, os dois tiveram de correr.
- Ei… Hagrid… mas quem foi a pessoa que os convenceu a aliarem-se a nós?
- Uma das melhores pessoas que eu conheço e um dos maiores feiticeiros que existem à face da Terra. A mesma pessoa que nos trouxe a paz e derrotou o “Quem-nós-sabemos”. Mas… eu não devia estar a dizer-vos isto! Isto pode alterar definitivamente o futuro! Eu não…
- Hagrid, tem calma… não disseste nada que não pudéssemos saber. Afinal nós sabemos que Voldemort está morto, não é? Alguém tinha de ter a responsabilidade disso! Mas já agora, quem foi?
Por um momento, Hagrid ia falar e os Marotos conheciam a sua tendência para falar coisas a mais. Mas no momento seguinte, ele arrependeu-se.
- Deixa de ser curioso, Sirius. Ele não ia gostar de saber que eu te contei. Já lhe basta que todos o tratem por “O Menino que Sobreviveu”… Eu não devia ter dito isto. Não me perguntem mais nada que eu não possa responder-vos.
James sorriu traiçoeiro. Aquilo tinha-o deixado curioso. Iria arranjar algum jeito de descobrir quem era essa pessoa de que Hagrid falava. Olhando para Sirius, reparou que este lhe sorria. Provavelmente pensou no mesmo. Mas agora não era o momento certo para puxar pela língua de Hagrid. Mais tarde tentaria.
- Então, Hagrid, conta-nos lá o que é que viemos aqui fazer.
- Então… – disse Hagrid com voz nasalada – Nasceu há uns dias uma cria de Cerberus. Quando eu a encontrei ela estava sozinha e iria morrer à fome. Provavelmente alguém a abandonou aqui. Eu trouxe-vos cá, porque irão cuidar dela enquanto eu vou a outro lugar.
- Ahm… Hagrid?! Os Cerberus não são conhecidos por devorarem humanos?
- Não te preocupes, Sirius! Eles só são perigosos quando são adultos. Esta cria tem menos de uma semana. Nem dentes tem… ainda.
- Isso deixa-me mesmo confiante… – ironizou Sirius.
- Não digas isso… eu tenho a certeza de que vais gostar dele.
Sem que tivessem reparado, Hagrid tinha-os conduzido até a uma clareira na floresta, junto a uma encosta, onde se podia observar a abertura de uma gruta. Do seu interior podia ouvir-se o que pareciam ser latidos de cachorros. Era para lá que iam.
A gruta era iluminada pelo luar reflectido nos cristais multicolores incrustados das paredes, dando-lhe um toque de fantasia e de magia. As estalactites e as estalagmites cresciam desordenadamente a partir do tecto e do chão. Um pequeno lago límpido completava este cenário de sonho. Junto ao lago, naquilo que parecia ser um ninho de hipógrifos, qualquer coisa se mexia.
- Sirius! Olha só… ele parece-se contigo quando eras bebé, com a diferença de tu teres apenas uma cabeça e ele ter três!
Por mais que Sirius se tivesse aborrecido com as palavras de James, isso foi imediatamente esquecido. Ninguém iria ceder aos encantos daquela criatura. Parecia um cachorro bebé de três cabeças e, mal viu Sirius, os seus olhinhos brilhantes focaram-se nele. Sirius, sem pensar duas vezes, aproximou-se e fez uma festa no dorso do animal. Como que querendo seguir o exemplo de Sirius, James tentou aproximar a sua mão, mas rapidamente teve de a desviar antes que ficasse sem um dedo.
- Parece que ele gosta de ti, Sirius!
- Pois é, Hagrid. Os animais da mesma raça reconhecem-se! – disse James entredentes, fazendo festas na sua própria mão, como que se certificando de que ela estava inteira.
- O que é que disseste, James?
- Nada, Hagrid. Apenas disse que o Sirius se dá muito bem com cães.
Hagrid pareceu convencido com a resposta. Porém Sirius sabia muito bem o significado das palavras do amigo, pelo que lhe lançou um olhar assassino.
- Muito bem, meninos. Agora vão ficar aqui a tratar dele, enquanto eu vou a outra parte da floresta!
- Onde vais Hagrid?
- Não nos deixes aqui sozinho com este monstro em miniatura!
- Que exagero, Prongs, ele é só um cachorrinho indefeso.
- Claro, Padfoot, um cachorrinho que quase me arrancou a mão!
- Isso é porque tu não sabes lidar com cães.
- Mas sei lidar contigo!
- Vocês vão parar de discutir e fazer o que vos mandei! – Hagrid, que já estava do lado de fora da gruta, regressou para os calar. – Se fizerem muito barulho vão atrair predadores e eles vão encurralar-vos aqui. Não terão para onde fugir… - Vendo que os rapazes tinham entendido, Hagrid continuou – Eu vou visitar o meu meio irmão, o Grawp.
- TU TENS UM IRMÃO, HAGRID! E NUNCA NOS DISSESTE ISSO?
- Ei, Padfoot fala mais baixo. Hagrid, ele é tão grande como tu, ou é mais pequeno?
Hagrid deu um sorriso orgulhoso.
- Nem uma coisa, nem outra, o Grawp tem o dobro da minha altura. Ele não é mestiço como eu.
- Então eu acho que prefiro ficar por aqui mesmo com o monstrinho. – declarou James, arregaçando as mangas do uniforme até ao cotovelo e encarando o Cerberus – Vamos lá ver do que tu és capaz, Cyrus?
Hagrid abanou a cabeça descrente e saiu, deixando apenas James que encarava a criatura seriamente e Sirius que o olhava aborrecido.
- Cyrus?! Cyrus?! Não podia ter-lhe arranjado outro nome? Por pouco chamavas-lhe Sirius!
- Eu pensei nisso, Padfoot. Mas o cachorrinho não merece ter um nome tão feio…
- O meu nome não é feio! É o nome da estrela mais brilhante do céu!
Cyrus, do seu abrigo, olhava com curiosidade os dois jovens a discutirem um com o outro. Se ele fosse capaz de pensar, provavelmente estaria a imaginar porque é que os humanos são tão esquisitos. Porque é que discutem por coisas tão supérfluas como o nome de um animal? Para criaturas como ele, tudo se resumia a coisas simples como comer, dormir, caçar… Por que é que os humanos complicavam tanto as coisas?


************************************

A Sala Comum dos Gryffindor estava quase vazia. Mas pouca gente não era significado de muita calma. Por incrível que parecesse, a causadora da balbúrdia era nada mais, nada menos do que Hermione, que discutia com Ron… mais uma vez.
Junto à lareira, Harry e Ginny observavam divertidos esta nova discussão. Harry já tinha tentado acabar com ela, mas apenas recebeu olhares cortantes, pelo que se limitou a aproveitar o momento, sem interferir.
- Se tu te esforçasses não precisavas que te ajudasse sempre! Se tu não te lembras, não és o único que és monitor!
- É… mas eu também tenho os treinos de Quidditch… tu nunca entendes o meu lado! Só pensas em ti!
Pronto, pensou Harry, Ron tinha atingido o ponto fraco de Hermione. Se havia algo que ela detestava era que a acusassem de ser egoísta. Agora sim, a discussão ia aquecer.
- Pois ouve bem, Ronald Weasley, porque é a última vez que vou repetir: NUNCA MAIS, MAS NUNCA MAIS MESMO, EU VOU DEIXAR-TE COPIAR OS MEUS TRABALHOS, OU AJUDAR-TE NO QUE QUER QUE SEJA! SE ACHAS QUE EU SOU EGOÍSTA, POIS BEM… VOU SER MESMO!
Todo o divertimento de Harry começou a desvanecer-se. Se não os parasse, esta briga ia ficar pior do que a do terceiro ano, ou a do ano anterior.
- Claro, agora achas-te a vítima, não?
- Não, Ron, eu não acho. Eu “sou” a vítima!
- Pois, pois… e eu? Eu não sou? Tu podias ajudar-me e recusaste-te!
- O que tu querias era que eu fizesse o teu trabalho! Eu recuso-me a fazer isso. Ajudar-te é uma coisa, fazer os trabalhos por ti, nunca!
- CHEEEEGAAAA!
Todos se calaram olhando chocados para Harry, que se tinha levantado e olhava para eles furioso. Lily, que estava perto deles a estudar com Marlene e Alice, assustou-se com o berro de Harry. Todos no salão prestaram atenção ao moreno.
- Eu não quero saber quem é a vítima e quem é o culpado. Eu estou farto! FARTO! SEIS ANOS A AGUENTAR ISTO! Se quiserem continuar a discutir dessa maneira, bem podem esquecer que eu existo. PERCEBERAM?! Eu não estou com paciência para aturar isto. Se quiserem matar-se, matem-se. MAS FAÇAM-NO LONGE DE MIM!
- Harry…
- NÃO QUERO SABER HERMIONE! ÉS TÃO CULPADA QUANTO O RON!
- Harry, tem calma! Não vale a pena chateares-te com eles. Já os conheces. Devias estar habituado.
- Eu não posso ter calma, Ginny. Não posso quando vejo dois cabeças duras que se amam e que só se magoam um ao outro. ESTOU FARTO, PERCEBERAM?! – Sem dizer mais nenhuma palavra, Harry subiu as escadas do dormitório, batendo a porta com toda a força.
Ron e Hermione nem se mexeram. Ron continuava sentado numa poltrona e Hermione continuava de pé na sua frente, com o dedo apontar-lhe o nariz. Durante todo aquele discurso de Harry, nem uma mosca foi ouvida.
- É melhor eu ir falar com ele! – falou Ron por fim.
- Não, Ron! Tu e a Hermione, certamente têm muito para conversar. E espero que estejam arrependidos do que acabaram de fazer… Agora vou falar com o Harry.
Quando Ginny chegou ao dormitório masculino, Harry estava estendido na cama, de barriga para cima. Não conseguia ver-lhe a cara. Mas pela reacção que tinha acabado de presenciar, ele devia estar muito magoado. Mas, ao aproximar-se da cama, o seu queixo caiu. Harry, ao vê-la, abriu um grande sorriso.
- Então, Ginny? Foi convincente?
- Eu não acredito, Harry! Tu fingiste aquilo tudo?
- Sim! E então, resultou?
- Seu malvado! Pela cara deles, estão a sentir-se as piores pessoas do mundo.
- Ainda bem… se tudo correr bem, amanhã vamos ter mais um casal feliz em Hogwarts.
- Seu safadinho!
Harry sorriu marotamente. Agarrando Ginny pelo braço, puxou-a para si. Os seus rostos estavam próximos.
- Mas tu adoras este safadinho aqui, não é?
- Só quando ele não se arma em herói!
Harry fez um olhar ofendido.
- Eu não me armo em herói!
- Ai não? Qual foi mesmo o motivo porque acabaste comigo no fim do ano passado?
- Ok, ganhaste! Mas o herói agora vai fazer o que todos os heróis fazem depois de salvar a donzela em perigo!
- E o que é?
- Isto…
Harry quebrou a distância que o separava de Ginny e beijou-a apaixonadamente.
- Eu amo-te, Ginny! – disse Harry quando se separaram.
- A sério?! Olha que eu ainda não tinha percebido! – agora foi a vez de Ginny sorrir marotamente – Estou a brincar! Eu também te amo.
- Sabes o que é que eu acho? Eu acho que devíamos dar uma espreitadela àqueles dois, só para garantir que não se matam!
- Concordo!
Os dois esconderam-se debaixo da capa da invisibilidade! Seria bom não serem vistos. Harry tinha visto no Mapa Maroto que Ron e Hermione estavam numa sala vazia, provavelmente a discutir mais um pouco. Aproximaram-se devagar, esperando ouvir a qualquer momento os gritos dos dois. Mas eles não vieram. Na verdade, tudo estava silencioso.
- Será que se mataram?! – sussurrou Ginny.
- Sei lá! Com eles tudo é possível.
Abriram a porta com cuidado, para não serem apanhados. No interior da sala, não havia nenhuma discussão, não havia mortos, nem nada que se parecesse com isso. Não… o que os dois viram deixou-os felicíssimos. FINALMENTE!
Fechando a porta silenciosamente, Harry e Ginny decidiram deixá-los a sós, a aproveitar aquele beijo de tirar o fôlego. A vontade era de lhes dar o flagrante. Mas Harry conteve-se. Os melhores amigos, mais do que ninguém, mereciam ser felizes.




Nota da Autora:

Meus amados leitores…

Há dois dias passei por um dos piores momentos, desde que comecei a escrever esta fic. Comecei a desesperar pala falta de comentários, pensando que ninguém gostava do meu trabalho. Como muitos sabem, cheguei mesmo a pensar em desistir de escrever.

Mas, ao longo desse dia, fui recebendo o apoio de muitos que já leram o que eu escrevi. Aí, eu comecei a acordar e ver que afinal estava bastante enganada. Apercebi-me de quantos leitores estavam dispostos a apoiar-me. Emocionei-me bastante com a quantidade de mensagens que tenho recebido desde então, a incentivar-me a continuar. Por isso, eu decidi levantar a cabeça e sentar-me em frente ao computador, para começar a escrever o novo capítulo. Demorou, eu sei, mas ele também é bastante grande.

Lightmagid: A minha grande amiga, o meu maior suporte… QUEM ME DÁ MAIS FORÇA! Obrigada por tudo! Tal como disseste, “os amigos são o nosso bem mais precioso” e tu foste uma grande amiga. ÉS A MAIOR E EU ADORO-TE!!!

Sanga: Obrigado pelo comentário e por me incentivares a continuar a escrever. Espero que continues a acompanhar e que continues a gostar da minha história. Eu tentarei sempre dar o meu melhor!

Molly: Eu emocionei-me muito a ler as tuas mensagens de apoio. Eu li o que escreveste umas dez vezes e não canso de voltar a ler. Sabes o que eu acho? O teu nome diz tudo. O teu comentário teve o mesmo efeito de um abraço à lá Sr.ª Weasley. Acho também uma pessoa que escreve tão bem como tu escreves (deu para perceber pelo comentário) e com tanto carinho, como tu demonstraste comigo, é uma pena que não escrevas uma fic também! Nunca pensaste nisso? Tenho a certeza de que te sairias bem. Mais uma vez, obrigada, do fundo do coração.

Ellessar: Ainda bem que não esperaste para acabar de ler, para comentar! Eu estava mesmo a precisar de apoio. Mas eu não percebi uma coisa! Disseste que não gostaste por vezes de algumas ideias. Um favor que peço é que, quando isso acontecer, digas logo logo que não gostaste. Assim ainda poderei tentar melhorar no capítulo seguinte. Obrigado por tudo.

Alexandra Black Potter: Eu não vou desistir. “Simplesmente perfeita”? Estou emocionada! Não acho que seja tão perfeita assim. Mas fico contente que alguém ache isso. Espero que continues a comentar. Bjocas.

Carlapiks: Não precisas de vir cá para me matar. EU VOLTEI! Gostei daquela parte “venho aqui humildemente”. Pelo menos não foi um “SE NÃO COLOCAR LOGO EU TE MATO! OUVIU?!” Estou a brincar. Sempre que quiseres ameaçar, estás à vontade. Espero que tenhas gostado da detenção do Sirius e do James. Mas essa tópico ainda não acabou. Ainda vai haver Cyrus nesta história. E QUE HISTÓRIA É AQUELA DE DIZER “que fofinha, até chorou”? Outra coisa: valeu a pena esperar, não? Agora já sabes quem é o Magid Dourado, não é? Estava fantástico aquele capítulo. PARABÉNS LIGHTMAGID! Ela merece, não é, Carlapiks! Só de vez em quando é que dá vontade de matá-la. Como quando ela “quase” matou o Sirius. Pobrezinho! Muitas, muitas, muitas, muitas, mas muitas beijocas para ti.

JP Pontas: Estou felicíssima que tenhas comentado, ainda mais sabendo que não costumas comentar. Não imaginas como isso é importante para mim. Espero não ter assustado muito com aquele “AVISO EXTREMAMENTE IMPORTANTE”. Mas agora eu já o apaguei! Espero que continues a acompanhar esta fic. Um grande abraço.

Luana Coelho: Mistério?! Ainda não viste nada… eu tenho na minha cabeça umas ideias meias estapafúrdias. Só ainda não sei como é que as vou desenvolver. Mas quando chegar a hora certa eu vou descobrir. Bjocas.

Tia Fer: Estás a ver? Eu não desisti… cá estou eu de volta. Queres um conselho? Não desesperes como eu! A Molly diz e eu concordo com ela que “nossa perseverança com certeza é recompensada um dia”. Não faças greve e continua a escrever. Dá essa alegria aos leitores que acompanham as tuas fics. Força e obrigada por tudo.

Julinha Potter: É verdade… a Marlene quando entrar em acção vai ser um caos. Ela pode ter umas boas ideias quando quer. Veja-se por exemplo a história da revista… Bjocas muito grandes.

Mione_Granger,Karonte,Brenda_Mione e Lar: Ena pá, quatro de uma vez? Tanta coisa! Boa ideia a vossa, quatro a escrever a mesma história. Quatro cabeças pensam melhor do que uma, não é? Digo-vos o mesmo que disse a Tia Fer. Não entrem em pânico e continuem a acreditar que os comentários vão aparecer quando menos esperarem. Têm é de divulgar mais a fic. Boa Sorte. Bjocas.

Gabriel Rocha: Eu vou fazer-te a vontade e vou continuar a escrever. Espero que continues a acompanhar e a comentar. Beijos.

Leo Potter: Adorei o teu comentário. Reparando bem, nós acabamos mesmo por escolher nomes de personagens com quem nos identificamos. Não é que eu seja parecida com o Harry, mas em certos aspectos, como a timidez, talvez me pareça um pouco, mesmo. Não penses que eu escolhi o nome Guida por causa na tia do Harry (que horror). Não, eu chamo-me Margarida. Deixa-me feliz saber que te viciei e que não descansaste enquanto não paraste de ler. É com mensagens como esta que eu tenho vontade de continuar a escrever. Obrigado por tudo. Beijos.

Alissa Carvalho: Foi por pouco que respondi ao teu comentário. Estava prestes a colocar este capítulo quando reparei que tinhas comentado. Fiquei felicíssima que tenhas comentado, uma vez que é a primeira vez que o fazes. Isso faz-me sentir muito especial. Obrigada. Um grande beijo.


OLHEM SÓ! Eu sempre critico a Lightmagid pelos comentários enorme e o meu acabou por ficar maior do que os dela. Eu não me importo. Se eles são grande é sinal de que tem muita gente a comentar. Sempre que possam, por favor, comentem. Fico contente com qualquer mensagem, seja ela um elogio, uma mensagem de incentivo, ou mesmo críticas negativas e ameaças de morte (isto é para ti, Carlapiks!).

Mais uma vez agradeço todo o apoio que me deram. Vocês são os melhores leitores do mundo e eu não poderia ter mais sorte. Eu adoro-vos a todos. Fiquem bem e divirtam-se muito.

Um grande abraço,
Guida Potter.

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