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22. Bliss


Fic: Money Honey - Astoria e Draco - COMPLETA


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Bliss


 


 


Parecia estranho eu querer ir ao cemitério depois de passar uma semana em lua de mel na França, mas Draco nem sequer questionou aquele meu desejo quando voltamos. Ele entendeu que era importante; eu não visitava meus pais há muito tempo, e eu tinha tantas novidades desde então. Não que eu conversasse com as lápides deles, mas ficar em frente a elas me dava sensação de que eles liam meus pensamentos, conheciam meus passos. Por isso que quando eu me agachei para depositar uma rosa, como de costume, na lápide do meu pai eu acabei falando com uma voz trêmula: “Estou casada agora” e não achei que isso soara uma grande novidade, não achei que eles ficariam espantados se estivessem vivos.


– Vocês iam adorar ver a Mansão deles – eu acrescentei com uma leve risada. Passei a mão no rosto e encarei Draco em pé atrás de mim, com as mãos no bolso do sobretudo preto. Ele tinha a expressão aflita, a testa franzida e as sobrancelhas quase juntas. Havia cortado o cabelo, mas ainda estava cumprido pouco abaixo das orelhas, o vento esvoaçava-os para o lado e eu ainda continuava sem entender porque reparava em detalhes tão aleatórios dele. Mas eu também reparava que havia muitas coisas se passando pela cabeça dele.


Eu me levantei e fiquei ao seu lado para segurar sua mão. Ele parecia absorto e quando finalmente me viu em pé, perguntou:


– Acha que eles iriam gostar de mim?


– De você não sei, mas do dinheiro... e do sangue-puro, talvez. Quem sabe eles teriam nos obrigado a casar, não é? É bem a cara deles...


– Eu não consigo entender como você consegue suportar. Se fossem meus pais... eu teria... não sei. Como você consegue? – Ele soou admirado e espantado ao mesmo tempo.


– Acha que sou fria por não chorar toda hora pela morte deles? – rebati.


– Não – ele sussurrou, não querendo espantar o silêncio daquele cemitério. – Não... eu acho que você é forte.


– Há uma grande chance de eu ser mais fria do que forte.


– E há uma grande chance de você ser mais forte do que fria.


– Cinqüenta por cento cada lado então. Não vamos discutir.


Ele abriu um sorrisinho e colocou os braços nos meus ombros para sairmos de lá caminhando. Retomamos a discussão que estávamos tendo antes de entrarmos no cemitério, algo sobre os motivos de haver lua de mel. E era isso o que estava acontecendo entre nós ultimamente. Atos singelos como o de caminharmos juntos, conversas idiotas e discussões sem fundamentos, risadas sem motivos. Tudo bem, na lua de mel não paramos de fazer sexo, mas não teve sexo. Era bom... conversar com ele sobre coisas idiotas às vezes. Draco era um homem de opiniões interessantes, mesmo que eu não concordasse com algumas delas. Mas ríamos, e isso parecia tão bom e prazeroso quanto sexo. Melhor ainda quando havia os dois ao mesmo tempo.


Não deixava de pensar durante aqueles primeiros meses de casados em como o nosso relacionamento foi do avesso. Começamos com sexo e agora é que estávamos realmente nos conhecendo. Não apenas um ao outro, mas a nós mesmos. Agora eu não queria saber como iria terminar. Então eu olhava para nossas alianças e para a forma como nós – e eu não me referia somente a mim e a Draco – estávamos felizes. Pensar na palavra “terminar” chegava a ser insultante.


Eu ainda trabalhava no Ministério. Continuava apagando memórias e fazendo relatórios para o chefe. Se alguma vez eu quis parar com isso? Não, eu me ocupava com algo que, para muitos bruxos, era importante. Mesmo que ficar sentada numa mesa escrevendo sem parar me deixasse cansada, eu podia agüentar porque gostava de me manter útil. Além disso, Rachel contava que algumas pessoas achavam que, casada com Draco Malfoy, eu ia só depender do dinheiro deles e ficaria sem emprego.


Rachel! Ela se mudou para Londres, não tendo mais motivos para ficar em País de Gales. Trabalhávamos juntas e às vezes eu a visitava em seu apartamento que, curiosamente, foi o meu algum tempo atrás. É, ela comprou aquele apartamento. 


– Então é disso o que falam nas minhas costas? – indaguei enquanto almoçávamos no restaurante do Ministério.


– É, mas não se preocupe. Só estão com inveja.


– Inveja? Isso é irônico.


– De qualquer forma, ouvi aquele homem – Rachel apontou com o olhar para um homem elegante, de terno azul e cabelos castanhos almoçando atrás da nossa mesa – falar sobre a Mansão dos Malfoy. Será que não é ele... o responsável por tornar o lugar um orfanato?


Eu fiquei olhando para aquele homem. Ele não estava sozinho, mais dois colegas seus sentaram ao redor da mesa. Voltei a olhar para Rachel. Ela era boa em escutar conversa alheia. Um pouco fofoqueira, mas completamente ao meu favor.


– Sim, ele apareceu outro dia por lá. Eu não estava mas Draco me contou. Disse que tínhamos um mês para encontrar outro lugar para ficar.


– Isso é revoltante – Rachel abanou a cabeça. – Não podem tirar a mansão assim de vocês.


– Não vão tirar.


– Você vai falar com ele?


– Discutir se for necessário. Ainda consegue olhar para ele?


– Sim.


– Me avise quando ele estiver saindo da mesa.


Enquanto eu terminava de almoçar, Rachel falava, almoçava e observava o homem no outro lado do restaurante. Eu estive tentando encontrar chances de poder encará-lo naqueles últimos dias. Seu sobrenome era Moore, descoberta imediata pois era fácil ouvir um pouco da conversa estabelecida entre aqueles homens no restaurante. Finalmente Rachel fez um sinal com a cabeça. Olhei para trás. O sr. Moore se despediu dos seus colegas, segurando uma maleta, e então começou a sair do restaurante do Ministério a passos pesados.


Eu não falei nada ao sair da mesa, mas ouvi Rachel desejando boa sorte. Eu não ia abordar o homem a tal forma, apenas o segui durante o caminho até o elevador e entrei com ele ali. Ele me cumprimentou educadamente, como faz com qualquer funcionário do Ministério.


– Já a vi por aqui – ele disse de repente, olhando-me dos pés a cabeça com um sorriso. – Trabalha para o sr. Locke, se não me engano.


– Sim.


– Greengrass, não é?


– É... – eu abri um sorriso estranho. – Eu era um mês atrás, pelo menos.


– Hum – o homem entendeu e olhou para o brilho da aliança em meu dedo. – Quem é o felizardo?


– Draco Malfoy. Já deve ter ouvido falar dele.


O sr. Moore encarou a maleta de sua mão, para não ter que me encarar. Ficou um silêncio entre nós, até que eu voltei a falar de uma forma displicente e tranqüila:


– Ouvi dizer que quer tirar a mansão deles também. Um mês até lá, não? E a gente nem moveu um passo.


Ele estava rezando para que o elevador parasse logo.


– Não posso fazer nada por você agora – ele murmurou.


– Não quero que faça nada por mim, sr. Moore. É pela minha família.


Sua risada debochada esquentou meu sangue.


– E você tem orgulho de citá-los como sua família?


– Tenho – eu respondi, e ele parou de rir.


– Ainda não posso fazer nada por você. E não quero fazer nada por eles.


O elevador deu um solavanco e parou. Sem olhar para os lados, sr. Morre desceu do elevador e continuou andando apressado pelo saguão.


– Você não tem o direito, sabe – eu disse me aproximando dele, também apressada.


– Aquelas crianças precisam de um lar. E caso não tenha reparado, as pessoas adoraram a decisão de Narcisa Malfoy. Isso vai fazer bem pra reputação deles.


– Não foi uma decisão dela. Vocês fizeram uma troca, ela só queria que Lucius saísse de Azkaban, mas em nenhum momento deram escolhas a eles. E eu aposto que isso não tem nada a ver com as crianças órfãs. Isso é completamente pessoal.


– Sim – o sr. Moore parou de andar tão bruscamente que quase tropecei nele. Olhou para os meus olhos ao admitir: – Se é isso o que quer saber, é completamente pessoal.


– Não é tirando a mansão deles que vai fazer alguma coisa se resolver – eu disse com firmeza. – Se quer tirar alguma coisa deles, isso é se rebaixar. E eu tenho certeza de que ninguém vai querer se rebaixar no tempo em que estamos.


– Eu estou atrasado, não tenho tempo de discutir isso com você.


– Então quando terá tempo? Eu estou livre na segunda-feira.


Ele ia dar as costas, mas eu fiquei com raiva e o virei para mim.


– Nos dê uma chance – falei com a voz equilibrada, soltando-o. – Chance de lutar por uma escolha. Sei que gostam de argumentos, podemos apresentá-los a você ou a qualquer outra pessoa envolvida nessa situação, mas não é justo fazer isso por... assuntos pessoais.


O sr. Moore me encarou com um certo tipo de... curiosidade.


– Você parece uma mulher firme, por vir até aqui e insistir, mas não posso fazer nada. Realmente não posso, tudo já foi organizado, estamos...


Não terminou de dizer, pois fomos interrompidos. No saguão de entrada, uma mulher aproximou-se de nós dois segurando um garoto de três anos no colo.


– Markus, que bom que te encontrei. Olá – ela sorriu para mim, simpática, ao chegar mais perto. O garoto estava dormindo em seu colo. – Vocês estão tendo um assunto muito sério? É que... só para te lembrar, querido, que hoje é aniversário do Jason, então estou indo para casa mais cedo.


– Está bem, Joanne – o sr. Moore disse rispidamente. – E quantas vezes eu já disse para você não me interromper quando estou falando com alguém?


– Só achei que...


– Achou errado. E tire esse garoto daqui, não pode trazer crianças de três anos no Ministério.


Joanne olhou para ele com desprezo, ignorando sua pose de simpática e antes de se afastar murmurou: “Não sei por que me casei com você.”


Quando ela saiu, Markus ajeitou o paletó e voltou a me encarar.


– Como estava dizendo, não posso fazer nada. Já está tudo decidido. Então comece a arrumar as malas, você e sua família.


Sabe quando você tem aquela sensação de que o mundo é muito pequeno? Eu estava tendo essa naquele momento, quando Markus voltou a andar o seu caminho. Alguém que abandona uma mulher grávida tem muita coragem de tirar a Mansão de uma família também. Nunca vi um homem tão antiético em minha vida. E olha que eu já conheci muitos homens em minha vida, incluindo Sebastian.


– Sabe, Markus, você é muito corajoso – eu disse em voz alta.


– E você é muito ousada por continuar me seguindo – ele agora parecia realmente irritado. –Nada que você disser vai me fazer mudar de idéia, mocinha. A sua família não presta.


– É, e eu sou a tia do seu filho. Essa parte da família parece que também não presta.


– Não venha com ironia.


– Oh, eu não fui irônica. Eu realmente sou tia do seu filho.


Markus olhou para os lados, alarmado. Eu estava com tanta vontade de rir. Não porque era engraçado, mas sim porque era desastroso! Para o lado dele, é claro. Ele agarrou meu braço com força e me levou para um canto onde ninguém podia nos escutar.


– Me solta – eu pedi, com desprezo.


– Do que está falando? Tia do meu filho? Você é irmã de Joanne?


Eu olhei com outra atenção para o sr. Moore. Sim, era um homem atraente, de olhos verdes. E os cabelos castanhos eram penteados e cheirosos. Eu só não reparava nisso porque eu tinha outro homem. Mas ainda conhecia o estilo de Dafne. O estilo de homem que ela preferia. Mais velho, o relógio de ouro em seu pulso deduzindo automaticamente que era muito rico. E, coincidentemente, estava tentando tirar a Mansão dos Malfoy depois de ter engravidado a minha irmã.


– Não acredito que Dafne não revelou o sobrenome dela – eu murmurei, piscando várias vezes. – Quer dizer, acredito sim.


– Dafne? Dafne Greene?


– É, é. Dafne Greene. Ela mentiu para você também. Nunca foi muito orgulhosa da família que tem. Meu Merlin, eu estou impressionada.


– Você é irmã de... Dafne?


– Na maior parte do tempo eu não tenho vontade de responder “sim”, mas nunca tive tanto prazer em dar essa resposta a alguém. Mundo pequeno, não?


Ele não sabia para onde olhar.


– Ela teve... teve o bebê?


– Teve ou ela comprou o Dimitre com todo o dinheiro que você deu pra ela.


– Então meu filho chama Dimitre?


– Não venha chamando ele de “meu filho” agora, ok? Porque você abandonou eles.


– Eu não abandonei, eu só...


– Não quero saber suas desculpas. Eu quero saber se você vai deixar a Mansão em paz.


Markus voltou àquela pose de poderoso.


– E por que eu faria isso? Está me ameaçando?


– Oh. De fato, eu sou capaz de contar a sua esposa, Joanna, e parece que você tem medo de perdê-la. Ela te deu esse relógio? Lindo mesmo.


– Você não tem o direito de fazer isso – ele disse desesperado, escondendo o relógio de um modo patético com a outra mão.


– E você não tem o direito de tirar a Mansão da minha família! – eu disse tão alto que acho que gritei. – Nada vai me fazer calar, Markus, o que agora eu sei. E mesmo se você tentar algum feitiço de obliviação, eu sou completamente imune a isso. Eu trabalho nesse setor e...


– Haverá uma última reunião nessa sexta-feira. Quinto andar – ele disse, interrompendo-me, a voz baixa e defensiva. – Apresente seus argumentos ao resto da equipe. Lute pela escolha de vocês. Tente convencer que a Mansão deve continuar sendo suas. Mas não diga nada a minha mulher. Nada. Por favor.


Ele estendeu a mão para mim. Estávamos fazendo um acordo?


Apertei a mão dele, garantindo que conseguiríamos a mansão. Ele não argumentou contra, apenas abanou a cabeça e deu as costas novamente, com passos duros como se tivesse revelado um de seus maiores segredos. Fiquei ali parada, raciocinando tudo o que acontecera naqueles dez minutos mais surpreendente da minha vida. O mundo era mesmo pequeno. Pequeno e irônico.


 


 


Esperei Draco terminar de rir. Estávamos juntos na banheira, e eu tinha minha cabeça encostada em seu peito, enquanto sentíamos a temperatura morna da água. Eu contara a ele o que descobri e quem conheci naquela tarde. A reação dele foi ficar um segundo surpreso e no outro começar a gargalhar.


– Você tem noção de que isso não é engraçado, né? – eu perguntei séria, depois que ele terminou de rir e voltar a roçar o sabonete em meus ombros daquele jeito distraído e suave.


– Nem sempre precisa ser engraçado para nos divertir – a voz dele era trêmula, como se tentasse segurar a risada.


– Não podemos nos divertir com a desgraça alheia.


Ele pigarreou e tentou fingir que estava sério. Mas foi minha vez de rir.


– A quem eu quero enganar? Eu fiquei com vontade de fazer a mesma coisa quando descobri quem ele era e o que fez a Dafne. Gargalhar na cara dele. Além de engravidar a minha irmã, quer tirar essa mansão de vocês. Tem gente que não presta.


– Mas eu não deixo de pensar em como Dafne, querendo ou não, nos ajudou nisso.


– É – eu soltei outra risada, mais leve, mais tranqüila. Mas eu estava com a voz baixa quando disse: – Eu espero que ela esteja bem.


– Sério?


– Sei que minha irmã não é um exemplo de pessoa. Ninguém é. Mas... está cuidando de um filho sozinha. Isso deve ser terrível. Eu não consigo imaginar como ela está conseguindo.


– Talvez ela não esteja conseguindo.


– Prefiro pensar que ela está se esforçando para conseguir. Dafne nunca nunca foi de se esforçar para nada, exceto quando quer pintar um quadro. Seria bom ela se esforçar para outras coisas mais...


– Importantes?


– Humanas. Não sei explicar.


– Sabe – Draco arrastou meu cabelo dos ombros e começou a depositar beijos em meu pescoço. – Eu acho que as pessoas têm o que elas merecem ter... muito embora eu não tenha feito nada tão grandioso para merecer o que eu tenho agora.


Eu sorri um sorriso bobo.


– E você se refere a mim?


– Oh, não, estou me referindo a minha beleza. Eu não mereço ser tão gostoso assim.


Mas ele segurou meu queixo e me fez encará-lo para me beijar. Um beijo que no começo não parecia ter intenção nenhuma exceto de mostrar que ele me amava, mas logo em seguida ele agarrou minha cintura e eu me virei de frente para ele, apoiando as pernas uma de cada lado de seu corpo.


Estava silencioso no banheiro, exceto pela nossa respiração. Nossos lábios se moviam calmamente, e Draco levava sua língua a minha e elas se roçavam. Meus braços estavam ao redor do seu pescoço, e meus dedos acariciavam o cabelo molhado de sua nuca. Mesmo que eu estivesse em seu colo, e ele dentro de mim, encaixado, só permanecíamos nos beijos, concentrados nos lábios.


Eu me afastei um pouco e beijei suas pálpebras com um tipo certo de ternura. Enquanto isso, sua mão apalpava um de meus seios, excitando-me. Eu comecei a me mover sobre ele e era tão bom fazer aquilo dentro da água que eu me descobria muito mais prazerosa do que em qualquer outro lugar. E Draco gostava de me ver assim, jogando a cabeça para trás para ele lamber meu pescoço. E nossos corpos nunca deixavam se mover um contra o outro, colados com a água da banheira e a nossa transpiração.


Eu apoiei minha testa na curva do seu pescoço enquanto o sentia gozando dentro de mim. Acho que o orgasmo foi tão intenso que eu até fiquei zonza, mal conseguindo respirar direito. Mas já fizemos de forma muito mais intensa antes e eu nunca tinha tido aquela sensação de tontura como estava tendo agora.


Ele enrolou seus braços ao meu redor, abraçando-me.


– Está muito calor aqui – falei, ofegante, saindo-me de cima dele que se levantou para pegar as toalhas.


Quando enxuguei meu rosto, me senti melhor e consegui respirar mais tranquilamente. Draco olhava para minha cara, com um sorriso idiota.


– Eu te deixei tonta.


É, pode ser, mas eu acho que não era ele que estava me dando essa sensação de enjôo também.


– Achei que já tivesse se acostumado com isso – eu brinquei, ignorando a sensação porque ela passou assim que saímos do banheiro. Eu abotoava a blusa de Draco em meu corpo quando vi um jornal sobre a cama, aberto numa matéria sobre Gringotes, que anunciavam que eles precisavam de funcionários.


Draco tirou da minha mão.


– Ei, o que é isso? – perguntei. – Por que está vendo sobre isso?


– Acho que vou começar a trabalhar lá – revelou com uma voz baixa.


– Vai? E você decidiu isso agora?


– Na verdade, desde que você foi para País de Gales. Eu estive tentando procurar um emprego... e agora eles me aceitaram. Cansei de depender do meu pai.


– Isso é ótimo – eu disse, impressionada. Ele deu de ombros.


– Não é grande coisa.


– Claro que é. Aceitaram você em Gringotes. Tem noção do quanto isso requer muita confiança?


– Então aqueles duendes estão ficando malucos.


– Pode ser, mas você conseguiu essa oportunidade. Devia se orgulhar por tê-la. E quando você vai começar?


– Amanhã – ele disse sem me encarar.


– Não acredito que você só ia me contar agora.


– Eu não queria ser pressionado.


– Quem disse que eu ia pressionar você?


– Minha mãe ia. E se eu contasse a você, você ia contar a ela. Que ia contar a meu pai e... Bem, de qualquer modo vou ter que acordar cedo amanhã – ele contou, fechando a cara.


Eu dei risada, vingando-me de todas as vezes que ele ria quando eu tinha que acordar cedo. Se eu não o conhecesse bem, teria certeza de que Draco estava nervoso, ansioso e até com medo. Medo de estragar tudo. Por isso demonstrava estar sem paciência e com pouca vontade, já que ele dependia dessas duas coisas.


– Veja pelo lado bom, vamos tomar café da manhã juntos de agora em diante.


Consegui fazê-lo parar de reclamar depois disso.


Parecia que as coisas estavam mesmo ao nosso favor naquela semana. Draco começar a trabalhar em Gringotes me ajudou a encontrar o endereço de Dafne através da sua conta por lá e eu, finalmente, fui até Long Island... não para uma visita. Mas para terminar uma conversa.


Ela ficou muito surpresa – e nervosa – quando atendeu a porta da sua casa e viu quem era. O muxoxo que ela deu foi indecifrável.


– Precisamos conversar, Dafne – eu disse. – Se não me convidar para entrar, podemos falar aqui mesmo.


Ela abriu mais a porta, dando passagem para mim.


A casa dela era bonita. Não porque tinha móveis caros, mas porque as paredes estavam infestadas com seus quadros mais incríveis. Havia pinceis jogados em todos os lugares, e Dimitre estava sentado no sofá da sala, jogando o resto na nossa direção. Não com muita força, mas eu tive reflexo o suficiente para desviar de um antes de ser atingida. Ele resmungou algumas coisas quando Dafne o levou até seu berço, que ficava perto da cozinha. A casa era do tamanho de um apartamento, exceto que era mais aconchegante e bagunçada.


– O que você quer saber? – ela perguntou. – Eu já disse tudo o que aconteceu.


– Não, eu... eu quero te contar uma coisa.


Dafne ergueu a sobrancelha.


– Que você está muito feliz? Ora, não precisava se incomodar! Eu não quero saber.


Tanto tempo vivendo com minha irmã, eu aprendi a ignorá-la, de modo que não me incomodei e disse:


– Eu encontrei Markus no Ministério. Por que não me disse que ele trabalhava também?


– Você perguntou de mim. E não dele.


– É, tem razão. Mas poderia ter citado algo do tipo “ele está tentando tirar a Mansão da sua nova família”. É – eu observei sua expressão. – Ele quer transformar a Mansão em um orfanato, não sabia?


– Ele não quer fazer isso, Astoria. – Dafne guardava os pinceis em uma caixa e sua expressão era cansada.


– Ele falou para mim.


– Ele mentiu a você. Ele mentiu a todo mundo. Transformar em orfanato – debochou. – Como se alguém como ele se importasse com crianças sem pais. Ele quer roubar aquela Mansão. Assim que ela se transformar em um orfanato.


– E você sabia disso o tempo todo? – eu perguntei chocada.


– Sim. – Agora ela olhava para mim com aqueles olhos grandes e verdes, iguais ao do filho. – Eu sabia por que eu que dei a ele essa idéia.


– Você o quê?


– Mas foi só uma idéia, ok? Eu não sabia que ele ia adiante com isso. Eu...


– Dafne – eu olhei para ela, desesperada. – Por que você é tão desprezível?


– Eu não sei! – ela gritou de repente, fazendo Dimitre até parar de chorar. Eu continuei estática, desejando encontrar aquela resposta. – Eu não sei, tá legal? Eu não sei por que eu sou assim, eu não sei por que dei a ele aquela idéia. Talvez porque eu tenha inveja de você! É, é isso. Inveja!


Inveja de mim? Você sempre foi melhor em tudo! Sempre foi a mais bonita, a mais popular, a mais...


– Não, você não vê? Inveja do que você tem, não do que você é ou do que você faz! Eu tenho inveja de tudo o que você conquistou! Você tem... alguém que te ama, um... marido. E uma nova família! Mesmo eles não sendo os melhores do mundo, eles gostam de você, eles te consideram uma coisa grande!


Ficou um momento em que não dissemos nada no qual sua voz ainda pairava pela casa. Eu não consegui pensar no que dizer, por que Dafne não terminou.


– Você quer saber também porque eu não abortei? Ou porque eu não dei esse garoto para alguma família que está precisando? Eu vou te dizer.


– Por que você quer que eu sinta pena de você? – adivinhei de uma forma hostil. Estava afetada com as coisas que ela havia confessado. – Eu não tenho pena de você, eu tenho pena de Dimitre, que...


– Porque eu perdi tudo, Astoria – ela respondeu, ignorando-me. – Eu perdi nossos pais, eu perdi o tio Frank, ele me odeia apesar de ser bonzinho demais para demonstrar, e eu perdi você... Eu perdi você para os Malfoy. Não entende que... não é você o problema? Quando eu entreguei eles ao Ministério e o sr. Malfoy foi preso... eu queria livrar você deles... porque eu ficava pensando... o que vão fazer com a pequena Astoria? Eu achei que eles iam... piorar a sua vida, machucar você, te tornar uma pessoa ruim.


– Eles não são pessoas ruins, Dafne! – eu retruquei.


– Você está certa – ela admitiu finalmente. – E sabe como eu descobri isso? Quando Narcisa me deixou entrar na Mansão no dia do seu casamento. E mal sabia ela que eu fui culpada por fazer o Ministério querer tirá-los daquele lugar. Não desconfiou de nada, até... sorriu pra mim. Disse que eu era bem-vinda. E eu ainda fiz o marido dela passar uma temporada em Azkaban. Mas a culpa rodava minha cabeça. Conhece isso? Culpa. É novidade para mim também. E então eu vi a cerimônia e... nunca vi Draco Malfoy sorrir nos sete anos que estudei com ele. Pelo menos não tão pateticamente feliz.


– E você espera mesmo que eu acredite nisso, Dafne? Em tudo o que você está falando? Que eu acredite que você se arrependeu?


– Sim! É o que eu espero, mas não é o que eu peço. Se eu fosse você, nem tentaria ouvir minhas desculpas. Mas, infelizmente, eu não sou você.


– Não tem que querer ser o que eu sou – falei indignada. – Sinceramente, minha vida não foi tudo aquilo depois que fugi de casa, depois que papai e mamãe morreram. Eu... lutei pelo que eu tenho agora. Eu não ganhei tudo tão fácil assim.


– Só quando o Ministro te deu oitocentos galeões pelo seu quadro.


– Aquilo foi pura sorte.


– Talvez. Mas você tem algum motivo para ter sorte, não? Você é uma boa pessoa. Eu não sou. Não adianta nada ter boas intenções, se eu não sei como agir de forma certa. Eu nem sei se alimento meu filho direito.


Agora ela parecia prestes a chorar. Nós duas olhamos para o bebê, que olhava para o ventilador do teto com os lábios abertos em forma de “o”, concentrado em entender porque o objeto estava rodando.


– Às vezes ele é tão fofo – disse Dafne, baixinho. – Quando não está berrando... sabe? É por isso que quis tê-lo, porque ele é a única coisa que eu tenho agora. A única coisa que faz as pessoas elogiarem o que eu tenho. “Nossa, mas que gracinha! É seu?” E eu posso responder que sim. Dimitre é meu. E... e... isso me faz sentir bem de alguma forma.


Dafne encostou-se ao berço e passou a mão no cabelo castanho dele.


– Eu sei que não fui uma boa irmã...


– Ok, Dafne, ok – eu disse de um jeito impaciente. – Não precisa dizer mais nada. Não gosto quando as pessoas tentam se redimir. Parece que elas estão em um leito de morte, não dá para ouvir, ok? Eu só quero que faça uma coisa.


– O quê?


– Você pode nos ajudar. Se está mesmo arrependida, diga ao pessoal do Ministério que Markus Moore quer roubar a Mansão. Diga as intenções dele. Talvez assim possamos...


– Não – Dafne disse depressa, meio que se afastando. – Não, Astoria, não me peça isso.


– Mas é só você dizer que ele te confessou e...


– Eu não quero olhar para Markus. Eu não posso.


– Dafne...


– Não me peça isso, por favor! – lágrimas brotaram em seus olhos e sua voz ficou desesperada e trêmula. – Eu não quero ver aquele homem na minha frente, ele me deixa... fraca, com vontade de implorar por ele... me rebaixar... se eu olhar para ele eu vou pular nos braços dele e eu serei enganada novamente. Não é isso o que eu quero. Eu ajudaria, Astoria, eu ajudaria, mas... não assim.


– Está bem – eu falei, tentando acalmá-la. – Foi só... uma idéia.


– Mas vocês irão conseguir ficar com a mansão, se ele sabe que você sabe que ele me engravidou. É um dependente da família da mulher dele. Só é rico porque herdou a fortuna do sogro falecido. Se a mulher dele souber e se divorciar dele, não terá mais nenhum dinheiro. Tenho certeza que ele fará qualquer coisa para ainda ter o dinheiro.


– Mas não é o que você adoraria fazer? Acabar com tudo o que ele tem, se vingar do que ele fez...


– Esqueceu? Eu não posso acabar com tudo o que ele tem, porque ele está me bancando secretamente, por causa de Dimitre. Se ele perder todo o dinheiro... eu também perderei a casa e minha conta em Gringotes. Não posso. E se não entender pelos meus motivos, tente entender pelo Dimitre. Eu não quero que ele viva miseravelmente, por que se ele viver assim vão tirá-lo de mim. E a assistente social está pegando no meu pé.


Não soube como ir contra aquela decisão de Dafne. É difícil imaginar como tudo isso aconteceu, mas de repente eu entendi seu ponto de vista. Eu compreendi seu desespero, que era concreto e sincero, compreensível. Se eu estivesse no lugar dela, pensaria da mesma forma.


– Certo – eu disse com a voz baixa. – Eu entendo. Não precisa entrar mais nessa história. Eu vou dizer a eles que os Malfoy não merecem pagar por tudo o que foram obrigados a fazer na guerra. Não vamos conseguir a mansão porque um cara só quer encobrir a própria pele, mas sim porque os Malfoy merecem.


– Agora que você é uma deles ninguém pode ir contra esse argumento.


Dafne se afastou até a cozinha, para não ter que me encarar. Confesso ter ficado feliz por ela sair dali de repente. Eu estava com a garganta seca, vontade de chorar, chorar porque nós não tínhamos uma conversa civilizada desde... desde sempre. Nunca conversamos dessa forma, argumentando o ponto de vista uma da outra, sem deixar as coisas levarem a um nível crítico, como puxões de cabelos e socos no nariz.


Ela voltou e eu engoli o choro quando a vi segurando uma bandeja. Os biscoitos de chocolates estavam grudados um no outro. O cheiro parecia bom, mas eu fiquei com ânsia só de senti-lo.


– Você? Fazendo biscoitos de chocolate? – Eu estava em outro mundo?


– Dimitre adora. Ele come tudo.


– Você dá biscoitos pro seu filho de sete meses? – perguntei chocada.


– Se ele fica feliz eu não vejo qual o problema! – ela protestou. Depois olhou para a bandeja e para mim. – Você não quer que eu a convide para jantar, quer?


Um pouco do meu enjôo tinha a ver com o pensamento de comer biscoitos da minha irmã, mas não compreendi porque meu estômago ficava embrulhando daquela forma. Embora não parecesse horrorosa a idéia de experimentar aqueles biscoitos, eu não ia conseguir colocar nada na boca.


– Eu comi antes de vir pra cá, então não cabe mais nada – eu menti. Não comi nada antes de viajar até Long Island para falar com ela. Mas realmente não caberia nada.


Falei tchau para Dimitre e saí dali o mais rápido que pude, querendo tirar aquela sensação de mal-estar. Querendo me livrar daquele cheiro de biscoito. E tentar compreender as palavras de Dafne. Inveja do que eu tenho?


 


 


Eu não acordei bem naquela sexta-feira. Estava nervosa com a reunião e com o fato de que eu ia encarar Markus outra vez e que tudo dependeria de argumentos naquela discussão. Foi Draco quem me acordou de manhã; eu havia perdido a hora. Meu despertador era intuitivo, estava dentro da minha cabeça. Só que tudo o que estava na minha cabeça era uma vontade incontrolável de continuar dormindo.


– Ei, você tá legal? – perguntou Rachel quando eu a encontrei no Ministério e caminhamos em direção ao nosso departamento. – Parece um pouco desligada.


– Estou morrendo de sono – estranhei. O elevador abriu e entramos juntas. Havia uma senhora do nosso lado, de postura rígida e exemplar. Eu ainda estava indignada quando falei a Rachel: – E Draco e eu nem transamos a noite inteira, então não entendo. Olá, sra. Finnigan.


Rachel me lançou um olhar de alerta para que eu não ficasse falando sobre essas coisas ao lado de uma pessoa completamente alheia, principalmente de uma senhora. Mas eu nem parecia estar ligando.


– Eu espero sinceramente que o sr. Locke não dê muito relatório hoje – reclamei. – Não estou com cabeça pra ficar escrevendo porcarias. Vai ter aquela reunião hoje à noite e não consigo parar de pensar nisso. E eu fui visitar Dafne ontem. Puta que pariu.


A sra. Finnigan saiu do elevador quando parou. Eu ia sair também, mas Rachel me segurou, impedindo que eu desse um passo para frente.


– O nosso é o próximo andar, fofa.


– Viu? Se eu tiver que escrever mais um relatório minha cabeça explode.


Ficamos em silêncio enquanto subíamos. De repente Rachel falou:


– Posso te confessar uma coisa? Eu estou dormindo com Caleb.


Eu olhei para ela, confusa. Rachel tinha uma expressão de culpa.


– Quê? E daí? O que isso tem a ver...?


– Sei lá, eu não consigo esconder essas coisas. Precisava contar pra alguém. Mas vocês tiveram uma história. Não sei se você ia ficar brava, então eu já desabafei. Melhor descobrir através da minha boca, e não na das outras pessoas. Pode me xingar e...


– Meu Merlin, Rachel – eu falei, quase bufando. – Tem coisas melhores com o que se preocupar. Eu não vou te repreender. O que Caleb e eu tivemos não foi uma história. Sabe um livro? Sabe o que escrevem em rodapé da página de um livro? É, foi mais ou menos isso o que nós fomos. O rodapé de uma página. Contanto que você não acorde ao lado do meu marido, eu vou ficar muito feliz por você toda vez que dormir com algum outro homem. E Caleb é um cara legal, vai te fazer bem.


O suspiro aliviado de Rachel foi tão patético que eu continuei rindo, o que era insensível da minha parte, uma vez que ela realmente pareceu preocupada com a minha reação. Devia ter lutado contra toda a sua força para me confessar uma coisa dessas.


– É que quando minhas amigas ficavam com meus ex, eu odiava tanto. Achei que você era assim.


– Não, de fato não sou.


E quando andávamos até nossas mesas fiz perguntas e quis saber detalhes, mais porque eu a considerava uma distração e não porque eu realmente queria ficar sabendo da noite dela com Caleb. Mas Rachel gostava de falar sobre isso, então dava para aturar.


– Ele é bom, mas os sapatos ainda são horrorosos – contou, fazendo-me rir.


Só não consegui mais rir porque o sr. Locke me fez escrever mais dois relatórios naquela manhã.


 


 


Narcisa e Lucius chegaram para a reunião às oito horas em ponto. Eu estava esperando eles numa pequena sala do quinto andar, sentada com cinco homens que deveriam ser responsáveis pelo destino da Mansão. Eu não sei o que um Weasley tinha a ver com isso, mas entre eles estava um homem de óculos e cabelos ruivos, também esperando o início da reunião. Era um tal de Percy.


– E Draco? – perguntei quando Narcisa e Lucius sentaram-se a mesa. – Ele disse que ia participar também, não disse?


– Sim, mas ele ainda não voltou de Gringotes – disse Narcisa pacientemente, vendo que eu estava um pouco alterada. – Fique calma.


– Estou calma! Vocês que deviam estar nervosos. A mansão é de vocês... a propósito, aqueles homens não gostam de atraso.


– Vamos começar sem Draco Malfoy então – disse Markus, levantando-se de imediato.


– Não, não podem começar sem Draco – eu retruquei nervosa.


– Acho melhor não discutir agora – disse Lucius encarando-me cautelosamente. Depois voltou aos homens e permitiu: – Podemos começar sem ele.


Eu não achava aquilo certo, mas Lucius tinha razão sobre eu não discutir. E eu nem entendia porque eu estava tão nervosa assim. Eu tinha tudo naturalmente decorado. Eu não ia fazer um discurso, apenas argumentar. Dizer que não havia fundamento tirar a Mansão deles.


Markus parecia ser o “chefe” daquela equipe. Enquanto ele apresentava qual era o trabalho dos homens então presentes, mais pessoas sentavam-se ao redor da mesa e mais nervosa eu fui ficando. Eu tinha certeza de que nenhum deles gostava dos Malfoy. Era fácil notar pela forma como encaravam Lucius. Estávamos em volta de uma mesa, e Markus continuou falando, mas o Weasley o interrompeu:


– A idéia de usar a Mansão Malfoy para o lar das crianças não foi nossa, foi sua, Markus. Que deixe isso bem claro. Eu só estou aqui porque o orfanato no qual eu inspeciono está contando com a ajuda que você prometeu. Achei que tivesse deixado claro que eles – apontou para nós – estavam de acordo com isso. E agora vem me dizer que eles mudaram de idéia?


– Foi uma troca – Lucius disse. – Uma troca que minha esposa fez. Era a única forma que nos apresentaram para me tirar de Azkaban. Não foi exatamente uma questão de escolha. Então tecnicamente não temos nenhuma idéia para ser mudada.


Weasley olhou para Markus, de um modo crítico mas equilibrado.


– Não foi isso o que me disseram. Quero dizer... o sr. Malfoy ia sair de Azkaban de qualquer forma. A idéia da Mansão virar um orfanato foi apresentada para nós como um ato voluntário dos senhores. – E olhou na direção de Narcisa e Lucius.


Voluntário! – crispou Narcisa, sem se conter. – O senhor é um Weasley, não é? Conhece que não fazemos trabalho voluntário.


– É exatamente por isso que acho que há alguma coisa errada nessa história. Desde o começo!


De repente todo mundo olhou em direção a Markus. Ele estava suando e olhando para mim. Eu sustentava seu olhar, carregando seus segredos em minhas mãos.


– Acho que houve um mal entendido – ele disse baixinho. – Eu entendi que...


A porta da sala se abriu novamente e Draco entrava acompanhado por um pequeno bruxo enquanto se aproximava da mesa oval. Uma cadeira se materializou ao meu lado e ele se sentou ali. Parecia tranqüilo, calmo, muito confiante. Apoiou os braços sobre a mesa, olhou para os homens, perguntando:


– Perdi alguma Mansão?


E riu secamente, ajeitando o colarinho da camisa.


– Você chegou atrasado – eu repreendi.


– Eu estava depositando mil galeões na conta do orfanato – ele disse, não para mim, mas para aqueles homens. – Os duendes tiveram que reagir a surpresa, e só isso demorou cerca de uma hora. E mais duas horas até eles entenderem que eu estava falando sério. Tive que atrasar um pouco.


O quê? – exclamou Lucius. – Draco, o que você... ele não está falando sério.


– Não é isso o que vocês precisam? – perguntou Draco. – De dinheiro? Problema resolvido, então! Agora podem deixar a mansão em paz. Podem deixar a gente em paz.


– Draco, não... – Narcisa tentou impedir. – Mil galeões é...


– Muito dinheiro, eu sei. Mas dá para nos sustentarmos sem isso. Temos mais cinco gerações de herança no nosso cofre. Quem sente falta de mil galeões?


– Você depositou mil galeões na conta do orfanato? – perguntou Weasley, estupefato. – Isso é impossível.


– De nada, Weasley. Podemos ir para casa agora?


– Sim – Markus disse finalmente. – Sim, podem. Houve um mal entendido, não vamos mais tirar a Mansão de vocês. Obrigado pela consideração, tenham uma boa-noite.


– Espere! – exclamou um homem que eu não conhecia. Ele bateu a mão contra a mesa, irritado. Markus nem se mexeu, parecia incapaz. – Não estamos entendendo nada!


– E que diferença faz agora? – retrucou Markus. – O rapaz depositou todo o dinheiro que vocês precisavam. Por que estão reclamando? Não precisam da Mansão deles.


– Porque eu acho que você mentiu para nós, sr. Moore – disse o Weasley, ajeitando os óculos. – E para os Malfoy também. Queremos uma explicação. Você tinha alguma outra intenção, além de transformar a Mansão dos Malfoy em um orfanato? O senhor sempre foi ganancioso, não fico surpreso por achar que estava se aproveitando da situação deles para você ficar com os direitos daquela mansão milionária!


Ele ia retrucar, mas então começou a confusão. Um cara acusou Moore de ser um mentiroso de duas caras, depois Weasley concordou, e Markus tentava argumentar, mas ninguém realmente queria ouvi-lo. E nós quatro ficávamos observando aquela discussão sem saber o que dizer ou o que fazer. Podíamos ir para a casa? Eu estava nervosa, estressada, transpirando e, ainda por cima, querendo vomitar.


Eu me virei para Draco e confessei num sussurro em meio a discussão dos homens, respirando firme:


– Querido, eu não estou me sentindo bem.


Ele olhou para mim e agarrou meu rosto. Deve ter visto o quanto eu estava pálida e quase caindo da cadeira. Aquelas vozes que não paravam de falar e de exclamar! Aqueles homens que não davam a mínima para nós! Eu me sentia muito enjoada. A sensação que eu tive a semana toda só que cinco vezes pior. Por que justamente naquele momento?


– Astoria, que foi?


– Me leve pra casa logo... – resmunguei segurando sua camisa e me levantando.


– Vamos – ele disse bruscamente, segurando-me pela cintura como se tivesse medo de que eu caísse a qualquer momento. Eu não duvidava disso, porque estava zonza. Narcisa olhou para nós e percebeu o que estávamos fazendo. Sendo assim, chamou Lucius e nós saímos da sala, mas não era como se outros realmente tivessem prestando atenção nisso ou tentassem nos impedir. Estavam ocupados demais discutindo entre eles, não tínhamos nada a ver com aquilo agora!


Quando aparatamos no jardim da Mansão cheio de flores e gramas muito verdes, eu me desvencilhei de Draco e corri atrás do arbusto mais perto e vomitei. Simplesmente vomitei. Quando parei, eu estava com lágrimas nos olhos e uma dor desconfortável no meu abdômen. Rezei para que nenhum deles viesse até ali entender o que estava acontecendo, mas era uma reza inútil.


Os três apareceram e eu me senti envergonhada por ter usado o jardim deles para vomitar. Mas como poderia me segurar? Estava sem força para dizer alguma coisa, embora um alívio me percorresse. Draco se aproximou e limpou tudo com um feitiço, depois se agachou ao meu lado, me olhando preocupado e afastando uma mecha do meu cabelo no rosto. Mas não perguntou nada. Eu acabei dizendo, trêmula:


– Eu sempre fico assim quando aparato. E eu ainda comi alguma coisa estranha hoje, então...


Era um desculpa ridícula. Mesmo que tivesse convencido Draco e Lucius com ela, eu não convenci Narcisa. Depois de ter certeza de que eu estava bem, Draco começou a discutir com seu pai sobre o dinheiro que depositou para o orfanato, de modo que não repararam quando Narcisa me levou para o canto perto do piano na sala e perguntou baixo:


– Há quanto tempo está sem menstruar?


Eu fiz que não, ainda me sentindo um pouco fraca. Eu fiz que não porque eu não tinha a menor idéia.


– Eu parei de me preocupar com isso quando descobri que não poderia engravidar.


– Pois não devia ter parado – ela ralhou. – “Sempre fico assim quando aparato” – Narcisa olhou para o teto como se me achasse ridícula. – Pode esconder àqueles dois, mas não a alguém que passou por isso.


– É impossível – minha voz saiu fina e desafinada. – Não posso estar...


– Vá ao seu médico para ter certeza – Narcisa pressionou, olhando para meus olhos assustados.


Eu era péssima, incapaz de lidar com aquilo. Tentei descobrir se eu estava grávida três vezes durante a minha vida toda, mas fazer isso sozinha me apavorava muito mais. Eu não queria passar por isso de novo. Na expectativa do resultado... olhando para uma poção adquirir uma cor, sem ninguém ao meu lado para me apoiar. Eu não queria ficar sozinha naquele momento, onde meus pressentimentos eram preocupantes.


Então pedi a Narcisa como se eu estivesse em frente a minha mãe:


– Vai comigo?


Narcisa suspirou.


– Amanhã, então. Não conte nada ao Draco. Conheço o filho que tenho e se contar a ele o que ainda não temos certeza, ele vai agir drasticamente.


– Está bem – achei aquela idéia ótima. – Está bem, e me desculpe por ter vomitado no seu jardim.


A expressão de Narcisa ficou mais afável.


– Oh, diga quantas desculpas quiser. Nada vai se comparar ao dia em que fiz a mesma coisa, só que dentro do vaso de flores preferido da Morgana. Acho que ela não perdoa até hoje. – Mesmo assim, estava parecendo se lembrar orgulhosamente de um dos momentos mais engraçados de sua vida.


Imaginar a reação da Morgana naquele episódio me fez rir, apesar da sensação estranha que ainda me consumia. Até pude me sentir apta a prosseguir e, a qualquer custo, encarar o que estava acontecendo comigo. Encarar de forma adulta, não como se eu ainda fosse uma adolescente, porque eu não era. Não mais.


Naquela noite, fiquei apenas observando Draco dormir ao meu lado. Eu não conseguia pregar os olhos de jeito nenhum, mesmo que eu estivesse com sono. Eu fiquei olhando para o perfil do seu rosto sereno quando estava dormindo – e quem sabe sonhando. Fiquei pensando que eu não estava sozinha. Que o que eu realmente tinha podia ser mesmo digno de inveja.


Eu só não podia deixar isso se desfazer, independente do que estava para vir.


 


 


 


 


 


Eu disse que poderia demorar a postar esse né? Então, acho que menti. ASHIUSAHSAIUHSA


Pessoal, obrigada pelos comentários. Sem eles, como já disse, Money Honey não sairia do prólogo! Então agora acontece que a vida da Astoria tá muito mais interessante que a minha (Y)


A história da Dafne e a mansão, no final das contas, estavam conectadas, e acho que Markus virará o próximo "probleminha" dessa segunda parte. E a Dafne confessar que tem inveja do que a Astoria conquistou e que tinha perdido a irmã foi uma das cenas que eu mais queria escrever desde o começo. Mas ainda tem muitas outras que quero escrever. Espero que tenham gostado!


Sobre o final do capítulo...
Há dúvidas de
 chegamos ao momento mais esperado da fic?  


 

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Comentários: 8

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Enviado por J. Malfoy em 26/07/2011

Finalmente cá estou eu comentando. Há mais ou menos três dias descobri Money Honey e desde então não consegui parar de ler. Adoro o modo como você desenvolveu a personalidade de cada personagem, o crescimento da Astoria e o amadurecimento do Draco foram fantásticos! Sou completamente apaixonada por sua versão de Narcisa Malfoy, ela é tudo o que eu sempre imaginei na Cissy.

Quanto ao capítulo, foi maravilhoso como todos os outros. Yuupi! Eles conseguiram ficar com a mansão!! Acredito que Dafne esteja realmente arrependida e que aos poucos ela vá mudando. Torço por uma reconciliação entre ela e a irmã. Será Markus o novo problema da família Malfoy? Acho que sim.
Asty grávida, mas devido ao estado delicado dela, prevejo complicações a caminho. /Trelawney mode on\    O pequeno Scorpius está chegando *u*

Até o próximo capítulo!

Nota: 5

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Enviado por MarianaBortoletti em 25/07/2011

Guriiiia, espero que tu continue escrevendo essa fic até ficar velhinha. Não consigo pensar em como vou me sentir quando ela se aproximar de um final! Que capítulo maravilhoso, como sempre impecável e cada vez mais evidenciando esse teu dom pra coisa. Lindo *-*

Ri alto quando Draco chegou na reunião: "Perdi alguma mansão?" rsrsrsrs Sabia que a gravidez da Dafne serviria para algo maior. E o que foi a conversa das duas? Eu sempre achei que a Dafne sentia algo assim mesmo, na vez do quadro ficou muito evidente. Astoria crescendo e ela ficando onde estava, envolta em problemas? É, tenho pena dela, tomara que depois dessa conversa, as duas se acertem mesmo e ela comece a se dar bem (não de um jeito ilegal, claro). Adorei essa atitude toda da Astoria, cresceu muito, está muito madura. Acho que já falei sobre isso ser um trunfo. Não canso de dizer.

E que venha Scorpius Malfoy *-* Não demore para atualizar! Bjs

Nota: 5

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Enviado por Ana Slytherin em 25/07/2011

Realmente o mundo é pequeno.Markus com cara de quem vai ser o proximo problema
Espero que a Asty esteja mesmo gravida, seria uma nova etapa da vida dela junto ao Draco
Adorei o capitulo , até o proximo 

Nota: 5

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Enviado por Mohrod em 24/07/2011

MAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAIS! *-*

Nota: 5

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Enviado por barbara aguiar azevedo em 24/07/2011

Amiga, que fic fantástica!!

AMEIII mtuuu esse capiitulo!!! =))

As coisas estão se ajeitando, está td ficando clarooo eee o momento esperado está vindo!!!

AHHHH, que ansiedade para saber o que vai acontecer!!! 

 

Beijos, B.

Nota: 5

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Enviado por Carolzinha Gregol em 24/07/2011

Amei o capitulo *-* Markus, dará mais problema para frente sinto isso é/ haahah AH, ASTÓRIA ESTA GRÁVIDA ???? FALA QUE ESTA! POOOOOOOOOOR FAVOR! EU QUERO A ASTORIA GRÁVIDA AGORA-nnn euri hahahahahahahahahahahahaha gostei mesmo! ELES CONSEGUIRAM A MANSÃO *-* GRAÇAS A DEUS.

Nota: 5

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Enviado por Felipe S. em 24/07/2011

Mundo pequeno, mesmo. Já comentei antes, mas comento de novo, o jeito que você mal termina uma trama e já começa outra é fantástico sério. Agora, aparentemente, teremos Scorpius e Markus para dar uma problemática à situação dos Malfoys. Fantástico, sério.

 

Dafne parece ter mudado, parece que, finalmente, passou a valorizar a família. O capítulo meio que justificou uma série de atitudes da loira, gostei disso, de verdade. xD

 

Ah, pra variar, gostei bastante do capítulo! Até o próximo. (:

Nota: 5

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Enviado por Louyse Malfoy em 24/07/2011

MEU DEUS! A CADA CAPITULO ESSA FIC SE SUPERA MAIS!

A evolução da Astoria é gigante! Ela cresceu muuuuuuito!

Tanto quanto Draco amadureceu!

Markus, o pai do filho de Dafne? Tadinho do Dimitre

Dimitre? Meu Deus, até o nome da criança é lindo.

Eu sonho em dar esse nome ao meu filho desde os meus oito anos, depois que assisti um desenho!

E A HISTÓRIA DA MANSÃO?

Que ótimo que eles conseguiram! Quero esse Draco para mim! 

Até o Percy apareceu na hist, haha.

ASTORA GRÁVIDA FINALMENTE? *w*

Não demore a postar, pelo amor de Deus! 

Nota: 5

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