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18. Heart's a mess


Fic: Money Honey - Astoria e Draco - COMPLETA


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Heart's a mess
(Gotye) 


– A culpa é minha? Como pode ainda ser tão infantil, Draco? – a voz de Lucius estava fria e amargurada. Eu não me sentia nada bem ouvindo, na sala de espera, a discussão entre eles no fim do corredor do hospital St. Mungus. Mas era impossível. As vozes estavam alteradas. – Eu te dei a tarefa de cuidar da sua mãe e nem isso você foi capaz!


– Eu tentei!


– Mas está na cara que você falhou!


– É claro, de quem mais eu poderia ser filho?


– Pare de gritar comigo. Não vai adiantar nada.


– Se ela morrer, eu nunca mais vou olhar pra sua cara. Nunca.


– Ela não vai morrer. Foram só remédios, que você deixou ela continuar tomando.


– Eu não sabia sobre os remédios! Ela estava escondendo de mim! A culpa não é minha, porra! Não é minha! Não pode ser minha, não pode ser... eu juro que tentei... eu juro que se soubesse eu faria alguma coisa...


Eu sabia.


E quando dei por mim, estava levantando-me do sofá para me aproximar deles que, ao ouvirem minha voz, pararam imediatamente de falar. Olharam para mim, mas eu não quis analisar suas expressões. Provavelmente me acharam ousada por interromper uma discussão em família. Mas eu não conseguia mais agüentar. Precisava dizer, antes que eles continuassem culpando um ao outro.


– Eu era a única que sabia que a sra. Malfoy estava tomando antidepressivos e talvez exageradamente.


De repente Lucius voltou-se contra mim.


– O que você tem a ver com tudo isso, afinal de contas, garota? Que diabos está falando? Desde quando conhece minha mulher a ponto de saber o que a própria família dela não sabe?


Pelo visto, ele não se lembrava da vez que passei um tempo em sua Mansão. Pelo visto, Draco nunca conversara com ele sobre mim. Mas eu não ia ficar me remoendo devido a isso. Então Draco fez outra pergunta, uma pergunta mais fácil de ser respondida:


– Por que você não contou a mim, Astoria?


Eu olhei para ele pela primeira vez desde que ajudamos sua mãe a vir ao hospital, desmaiada. Olhei para os olhos dele, que estavam vermelhos como se ele estivesse se esforçando para não chorar. Nunca o vi tão assustado e desesperado quando viu sua mãe caída no chão do banheiro de uma festa no Natal. Tantas pessoas viram sua recaída. Eu não me lembrava da forma como eu havia ficado quando vi meus pais mortos, mas poderia ter sido muito semelhante à dele quando a trouxe para o hospital. Foi a primeira vez que o vi chorar verdadeiramente angustiado, sóbrio. Pois havia motivo, afinal, Narcisa entrara, segundo os médicos, em uma overdose que demoraria alguns dias até que as poções curativas pudessem amenizar o excesso de remédio em seu organismo e fazê-la acordar.


– Ela... – pigarreei. – Ela pediu para que eu não lhe contasse. Na verdade, ela me fez prometer que não contaria a você, Draco, porque ela não queria que você pensasse que ela estava se sentindo fraca. Ela usou os remédios escondidos porque ela queria continuar firme por você, mas ela não se sentia assim realmente. Desculpe, eu sei que eu devia ter desobedecido ela... devia ter contado a você, mas...


– Não – ele elevou a mão, impedindo que eu continuasse falando. – Você não tem que se desculpar por nada. Se eu não tivesse voltado tantas vezes para casa, bêbado, eu teria notado alguma coisa...


– Ela já estava tomando os remédios muito antes disso.


– Há quanto tempo? – ele quis saber especificamente.


Eu falei baixinho, com medo que minha voz revelasse o fato de que minhas melhores lembranças estavam rodando minha mente no momento que revelei:


– Eu descobri horas antes da nossa viagem para o Caribe.


Draco se afastou e foi se sentar no sofá da sala de espera. Lucius me encarava de uma forma que eu não sabia distinguir. Eu não sustentei o olhar, porque fui me aproximar de seu filho.


Eu sentei ao seu lado, lentamente. Tive a impressão de que ele ia se afastar de mim de novo, mas o único movimento que fez foi com as mãos, para arrastar os cabelos dos olhos. Havia algo nele que nunca perdia o brilho. Mesmo com todas as coisas que ele fazia, com todas as besteiras que às vezes dizia... seu olhar e sua expressão exigiam, de certo modo, uma sensibilidade. Você não sente pena de Draco Malfoy, quando o vê arrasado. Você não esquece as coisas que ele fez, você demora a perdoar, mas ainda assim... ele tinha um talento. Ele transmitia naturalmente aquela vontade súbita nas pessoas de querer consolar ele de alguma forma.


– Draco, ela vai ficar bem – eu disse. – Sua mãe é a pessoa mais forte que já conheci.


– Como alguém consegue conviver com uma família como essa, sendo fraca, Astoria? Ter um filho como eu, sendo fraca? Ter um marido como... ele e ainda continuar vivendo do nosso lado, fraca? – Lucius não estava ali perto, mas mesmo assim Draco sussurrava. – É claro que essa pessoa deve ser a pessoa mais forte do mundo.


– E essa pessoa deve ter o coração mais cheio de amor do que é capaz de admitir.


Eu não senti que estava falando apenas sobre Narcisa, quando disse aquilo. Mas não me arrependi de dizer. Afinal, era a mais pura e complicada verdade.


Ele me encarou silenciosamente. Depois olhou para o pai que estava sentado no sofá de frente ao nosso. Ele tinha os braços cruzados e nos observava.


– Eu... – Draco limpou a garganta e enxugou os olhos. – Eu quero ficar um pouco sozinho agora, Astoria, eu acho que você devia voltar para... onde você estaria agora.


Ele tinha razão, mas foi mais difícil me mover do que achei que seria. Não queria deixá-lo ali. Seu pai parecia intimidá-lo. Queria continuar dizendo que tudo ia ficar bem, embora soubesse que isso era inútil.


– Draco – eu me virei subitamente para ele, antes de continuar indo embora. Ele olhou para mim. – Semana que vem... talvez eu não esteja aqui para ver a recuperação de sua mãe. Você poderia... – eu me odiei por gaguejar. – Poderia me mandar uma carta... qualquer coisa... para eu saber que está tudo bem. Mas eu vou entender se você não-


– Claro – ele apenas disse, e depois voltou a olhar para o chão, cutucando o anel do dedão, como eu reparara muitas vezes que ele fazia quando estava ansioso e nervoso.


– Obrigada. Tchau, sr. Malfoy.


O homem não me respondeu, mas não era como se eu esperasse isso. Saí dali o mais rápido possível e voltei para casa do meu tio, onde ele me hospedaria naquela semana até eu voltar a viajar. Eu havia vendido meu apartamento, para conseguir mais dinheiro para as coisas que iria precisar em Gales, mas naquele momento eu me senti arrependida de ter feito isso. Eu queria ir para a minha cama, na garantia de ficar sozinha, não queria conversar com ninguém, não queria explicar nada, nem porque eu estava chorando quando corri para o meu quarto, sem querer saber se tio Frank ou Tanya haviam voltado da festa. Eu estava chorando desesperadamente, de soluçar mesmo. Deitei em minha cama, enfiei o travesseiro na cara e às lágrimas não paravam de cair. Não era só de preocupação, mas eu estava com medo. Com medo de que as coisas que eu quis quando deixei Draco estivessem realmente acontecendo. Com medo de que ele tenha desistido de mim. Com medo de voltar a ficar miseravelmente sozinha na cama, porque estava na cara que eu não conseguia mais ter nenhum outro homem dentro da minha cabeça, muito menos dentro de mim em todos os sentidos.


– Astoria?


A voz do meu tio me fez pular da cama de susto. Ele estava parado atrás da porta semi-aberta. Parecia até com medo de entrar. Mas acho que meus choros estavam tão altos que eu devia tê-lo atrapalhado no sono. Ele queria entender por quê. Não o culpei por isso.


– O que aconteceu? Posso entrar?


Eu enxuguei as lágrimas e afirmei várias vezes. Tentei sorrir para ele, quando se aproximou da cama e se sentou ao meu lado, mas até ele não acreditava em mim.


– Escute, você pode contar para mim sobre qualquer coisa. Eu não sou seu pai, ou sua mãe, mas eu me preocupo com você.


Eu assenti de novo, pateticamente.


– Foi por que você viu Draco Malfoy na festa? Ele fez alguma coisa a você?


– Não – murmurei. Mas essa era a resposta para a segunda pergunta. – É que... as coisas estão diferentes... e... eu não sei o que estou fazendo, tio. Cada vez mais que eu tento aguentar, reprimir, mais... me consome. Essa coisa. – Eu apertei meu peito, doía. – Eu... eu sinto tanta falta dele. Eu sinto tanta falta de ficar com ele!


Fiquei com pena do meu tio. Ele não tinha nada a ver com isso e ainda estava tendo que aturar a sobrinha de vinte - prestes a completar vinte e um – anos, chorando como uma garotinha que perdera seu pônei de estimação. Mas agora que comecei, foi difícil parar.


– E ele me pediu em casamento e eu neguei, porque descobri que é arriscado eu ter filho... e ele brigou comigo e a mãe dele foi atrás de mim e depois ele também foi quando aceitei viajar porque queria que a minha cabeça voltasse ao lugar mas eu não consigo esquecer ele, eu não consigo... E ele disse que eu o ajudei e ele me agradeceu e ele... foi idiota e inconseqüente, e ele pagava uma prostituta para me substituir... eu não sei... eu não sei o que está acontecendo... eu quero fazer alguma coisa certa mas está me machucando muito qualquer escolha que faço...


A cena seria cômica, se não fosse tão desastrosa. Eu estava com a cabeça no ombro do meu tio e ele dava tapinhas de consolos no meu braço, enquanto eu desabafava tudo o que estava acontecendo dentro do meu coração bagunçado, em forma de lágrimas. Eu sabia o quanto era difícil para nós, Greengrass, conseguir dizer coisas para alguém se sentir melhor. Não tínhamos esse tato todo. Por isso me surpreendi com a tentativa de tio Frank dizer, num tom tranqüilo:


– Você só está apaixonada. Vai passar.


– Não vai – teimei. – Não vai passar... eu preciso dele.


– Estranho. Ele que parece precisar bastante de você. Sabe, quando você foi viajar e ficou um tempo fora, Malfoy voltou muitas vezes no meu bar... mas eu não vejo ele ficar bêbado desde aquela noite em que tacaram um copo na cara dele.


– Então pra que ele ia lá se não era para beber até cair? – perguntei com raiva. A imagem dele se esfregando com outra mulher me dava nojo. Mas a resposta não tinha nada a ver com minhas visões, muito menos com minhas expectativas.


– Para saber de você. Ele não fazia perguntas, mas dava para entender qual era a dele, sentando por perto toda vez que eu estava falando com o sr. Johnson sobre o que você escrevia em suas cartas.


Eu levantei meu rosto para encará-lo e ter certeza se ele estava mesmo falando sério.


– Ele fez isso? – Era difícil acreditar. – Você não ia falar isso só para me fazer sentir melhor?


– Não, só estou dizendo o que eu vi e percebi. Acho que vocês precisam conversar.


– Nós já tentamos. Somos um desastre nisso!


– É porque uma conversa não é o suficiente... não dizemos nada do que queremos em uma conversa. Às vezes a gente precisa de uma vida toda para acertar as coisas.


– Por que está dizendo isso?


– Porque eu quero ver você feliz de novo e, ironicamente, você era assim com ele. Querendo ou não, eu gostava de ver você com ele. Era como se você... concertasse a imagem dele. Não era você que perdia alguma reputação com ele, era ele que ganhava com você. As coisas vão se ajeitar. Sempre se ajeitam. Só leva algum tempo quando tudo está meio difícil.


Eu estava tão impressionada com as palavras dele que não consegui continuar chorando. Meu tio nunca havia falado coisas como essas. Eu assenti, compreendendo-o.


– Desculpe, eu sei que o senhor deve estar perdendo a noite de Natal com a Tanya me ouvindo chorar por causa de um cara, mas...


– Você não está chorando por causa de um cara. Você está chorando por alguém que você ama. Agora você só precisa ter um pouco de paciência, e eu vou estar aqui pra quando você precisar, Astoria.


Meu tio sempre pareceu um cara reservado e meio na dele, sem muito o que dizer as pessoas a não ser dicas sobre bebidas, mas agora parecia um conselheiro. A figura paterna que me faltava todos os dias. Eu nunca me senti tão grata e familiarmente amada naquele momento.


– Agora vai dormir um pouco – ele pediu, enquanto eu limpava meu rosto. – Você mal chegou de viagem e já está assim. Mas, antes, quero que você abra meu presente de Natal.


– Mas eu já vi-


– Aquele era do sr. Johnson. Esse daqui é o meu de verdade. Podia ser perigoso você perder se eu lhe entregasse na festa.


Ele tirou do bolso um pequeno papel. Para um presente de Natal, era algo bem pequeno e insignificante a primeira vista. Mas quando abri o envelope, revelando o ingresso para um concerto de piano que ia acontecer no Réveillon daquele ano, em uma casa de teatro, o presente foi, afinal de contas, gigante. Eu sempre quis ir a um concerto de piano, mas nunca achava tempo ou jeito ou dinheiro para isso. Eu abracei meu tio com força, agradecendo-o mil vezes, não apenas pelo presente, mas por ele garantir que eu podia contar sempre com sua ajuda. E não era de hoje.


Desabafar me fez sentir melhor. Pelo menos me deu uma força que não pensava em adquirir, mas sim que precisava. Voltei ao hospital. Uma parte de mim apenas dizia que era uma visita, a outra dizia que era ansiedade. Quando cheguei, disseram-me que Narcisa ainda estava desacordada. Pensei em Draco. Ele não estava na sala de espera e não era hora de visita. Mas... quando fui caminhar entre os corredores, encontrei-o olhando atrás da porta onde o quarto de Narcisa estava. Ele a observava do lado de fora.


Eu não senti minhas pernas enquanto me aproximava dele. Ele não olhou para mim quando disse:


– Achei que ia embora. Já estava preparando uma carta.


– Eu tenho uma semana até lá – respondi mesmo que ele já soubesse disso. – Como você está?


Draco franziu a testa. Provavelmente achou que eu perguntaria qualquer coisa, menos aquilo. De repente algo muito estranho aconteceu. O canto de sua boca se inclinou.


– Eu não quero te deprimir com a minha resposta.


Era um sorriso, mas ele não estava humorado.


– Você sabe, eu achei que minha mãe voltaria a ser feliz – disse baixinho, pensativo. – Quando deram essa chance para o meu pai sair de Azkaban. Achei que ela queria meu pai de volta, e ela queria, é claro, mas... sempre vai estar faltando alguma coisa. Nunca vai ser o suficiente. E eu queria saber que coisa é essa, para conseguir para ela.


Ele estava com a cara tão cansada e parecia não ter comido há dias que eu não consegui evitar dizer:


– Talvez uma refeição? Desde que horas está aqui?


– Eu não saí daqui – ele respondeu.


– Você precisa comer algo, vai ficar passando fome.


– Eu não estou com fome – ele disse cerrando os dentes. Pelo visto, eu não fui a única a sugerir aquilo. – Quero vê-la acordar logo. Ela ainda não me deu o presente de Natal.


– Draco – eu disse com a voz equilibrada. – Draco, não... ouviu os que os médicos disseram? Ela vai demorar a acordar...


– Eu vou ficar aqui até ela abrir os olhos – ele teimou.


Eu conhecia aquele tom de voz, aquela persistência. Eu sabia exatamente que alguma coisa drástica ia acontecer se eu tentasse insistir mais um pouco para ele sair dali. Mas eu não queria ficar cometendo os mesmos erros tudo outra vez. Eu devia ter aprendido alguma coisa nos tempos que passei com ele, certo? Eu devia ter aprendido a saber lidar com isso.


Naquela tarde, pedi ao meu tio para fazer um lanche e um suco para a viagem. Ele embrulhou em um pacote e me entregou. Depois voltei ao hospital e fui até a recepcionista no balcão.


– Olá, posso ajudá-la? – ela perguntou disposta.


Eu olhei para o pacote em minhas mãos. Pra que eu ia fazer isso? Por que eu iria pedir a ajuda a uma recepcionista? Já enfrentei coisas difíceis.


– Não, não, obrigada.


Entrei na sala de espera e não fui decepcionada ao ver que Draco ainda estava lá, deitado no sofá, sem dar a mínima para caso alguém ficasse sem lugar para esperar na sala. Eu não fui até ele. Na verdade, sentei no sofá de frente ao dele e comecei a abrir o pacote do lanche. O barulho o despertou e senti o olhar dele em mim e na minha comida.


– Acho que vai sobrar um – eu disse, percebendo sua expressão. Peguei o segundo lanche. – Toma.


Eu joguei e o lanche embrulhado caiu em sua barriga. Ele olhou para o alimento como se fosse tudo o que ele mais queria. Eu me levantei para beber água, pois sabia que Draco não ia colocar as mãos naquele lanche, se eu estivesse esperando que colocasse.


Quando voltei, então, para a sala, ele já estava devorando a metade do lanche. Assim que voltei a me sentar no sofá, Draco olhou, mas havia se aprofundado demais no saber para parar de comer. Quando terminou tudo, ele jogou o papel fora e voltou a se deitar no sofá, sem antes de dizer:


– Não precisava.


Às vezes ele era tão previsível.


– De nada – respondi, fazendo mentalmente a tradução de suas palavras.


Ele caiu no sono logo mais tarde. Eu fiquei observando ele dormir por algum tempo, antes de me obrigar a ir embora. Mas então olhei ao redor. Ele estava ali, sozinho. Nem Lucius estava por lá. Bem, eu não queria ser algum tipo de tapa-buraco. Mas alguma coisa, alguma força, me fez continuar ali. Talvez eu tivesse nascido para não deixar Draco Malfoy sozinho o tempo todo.


Antes de achar que estava ficando maluca por ter tal pensamento, notei a movimentação repentina na sala de espera. Atrás de mim, vi uma mulher loira chegar com uma cadeira de rodas. Ela estava de costas. Uma mulher ao seu lado disse:


– O bebê já vai nascer. Levem-na para a sala de parto. Rápido!


Um medibruxo atendeu e virou a cadeira da mulher. Eu quase desabei do sofá, não somente pelo susto de ver que a mulher era Dafne, mas por ver que ela estava com o cabelo curto, até o pescoço e muito irreconhecível com a barriga praticamente explodindo de tão gigante.


Minha irmã estava grávida. Eu ia ser tia. Minha irmã estava grávida. E eu não tinha a menor idéia disso até aquele momento.


Eu não teria tanta certeza se era Dafne, se ela não tivesse me visto ali sentada. Esqueceu que estava tendo contrações e dores, para dizer, meio ofegante:


– Eu não acho que está aqui porque sabe que o seu sobrinho vai nascer, Ast. Mas que coincidência! Ai! Cacete, tire isso de mim! – gritou para os médicos. Eles correram para a sala de parto e desapareceram de vista, com Dafne berrando, daquele seu jeito sutil.


Eu estava de queixo caído. Meus olhos estavam arregalados, minhas sobrancelhas juntas, minha mente rodando. Somente a voz arrastada de Draco me fez voltar ao normal:


– É, parece que nem todo mundo está tendo um bom dia de Natal.


Então era isso o que Dafne andou fazendo no tempo que esteve sumida? Engravidando?


– Ela está... grávida – eu disse, piscando. Até me levantei, meio sem sentido. – Como ela... como ela... engravidou? Como isso... aconteceu?


– Bem, naturalmente tudo começa quando o espermatozóide... Que foi? Você fez uma pergunta muito objetiva, Astoria.


Eu abanei a cabeça, mal notando que Draco deu uma breve risada.


– Quero dizer, quem é que poderia ser o pai da criança? – perguntei.


– Alguém que bateu a cabeça e ficou louco.


De repente eu me peguei concordando com ele. Fiquei completamente decidida de que ele tinha razão. Dafne não era idiota a ponto de engravidar de um cara que conheceu na boate ou algo assim. Era? Isso devia ter acontecido propositalmente, não? Ela queria engravidar, certo? Ela tinha conhecido alguém e se casado com esse alguém. Ela não podia ter um filho sozinha! Louco. Muito louco.


Antes mesmo de nascer, eu já estava com pena do meu sobrinho.


– Isso é meio injusto, não? – Draco estava com uma sobrancelha erguida. – Sua irmã pode ter filhos, mas você não tem tanta chance. E são da mesma família.


– É – eu olhei para meus pés. – Também não vejo muita justiça nisso.


O silêncio entre nós gritava a verdade. A verdade de que eu nunca deixei de pensar no que teria rolado se eu não soubesse que era improvável eu ter filhos algum dia. Se a gente tivesse se casado. Se eu estivesse com o anel em meu dedo.


Será que eu ainda estaria amando-o daquela forma tão... reprimida? Era impossível saber.


– Draco – eu disse subitamente. Eu não sei por que falei seu nome, ou o chamei. Foi para quebrar o silêncio? Quando ele olhou para mim, eu tive de pensar rápido, antes que ele me achasse tremendamente idiota, por ficar soltando seu nome por aí à toa. – Tenho certeza que Narcisa irá acordar.


Ele sabia que eu não queria dizer só aquilo, mas não fez perguntas. Apenas confirmou.


– É. Eu não fiquei sem dormir e comer a toa.


– Onde está... seu pai?


– Não sei. Bem, ele é meio imprevisível, não?


– É verdade sobre o que vão fazer com sua Mansão?


– Parece que as noticias rolam pelo mundo todo mesmo – ele comentou meio secamente. – Minha mãe teve um surto, quando aceitou a decisão. Orfanato? Isso é irônico. Parece que as pessoas agora querem tomar cuidado com crianças que não tem pais. Querem abrigá-las melhor. Pode nascer outro vilão ou outro herói de repente. Nunca se sabe, mas o mundo agora tem que ficar preparado pra esse tipo de coisa.


– Você não precisa dizer com desprezo – eu retruquei. – O que sua mãe fez foi uma ação admirável.


– O que minha mãe fez? Que outra escolha ela tinha? E eu rezo para que os espíritos dos meus ancestrais não atormentem seus sonhos por ela ter aceitado! – ele parecia nervoso, não comigo, mas com a situação.


– Até você já me disse uma vez que odeia a mansão.


– E eu odeio! Eu só não sei... eu só não sei onde mais eu me adaptaria. Eu não me vejo morando em uma casa qualquer da esquina.


– Compre outra mansão – sugeri. – Vocês têm grana pra isso.


– Pra quê? Se eu quisesse gastar dinheiro comprando outra mansão, eu usaria esse dinheiro para dar ao orfanato, e não fazendo doação sem sentido, como a mansão da minha família que está em pé há séculos!


– Essa é uma ótima idéia – eu disse de repente. Ele não discordou... como se só tivesse pensado naquilo agora.


Alguém se aproximava e nós dois olhamos quando Lucius Malfoy voltou. Eu não sei, mas quis ir embora. De alguma forma, não era bom ficar num mesmo aposento que ele. Mas quando me levantei, foi ele que se dirigiu a mim.


– O que está fazendo aqui?


– Horário de visita – respondi casualmente. Ele me olhava dos pés a cabeça, intimidador mas não o suficiente para que eu não respondesse a sua simples pergunta.


– Então devo dizer que seu horário acabou, srta. Greengrass.


– O senhor está me expulsando de um hospital? Não acho que o senhor tenha esse direito.


Eu não estava ganhando pontos com isso, mas não era como se eu quisesse vencer alguma coisa dessa vez. Lucius não gostava de mim. Eu não queria ganhar reputação naquele jogo.


– Eu não quero que volte a visitar Narcisa – ele disse baixo e frio.


– Eu não entendo o motivo.


– Você a envenenou.


– Como-


– Se a senhorita se preocupasse com essa família, não teria escondido um segredo dela. Não faz sentido estar aqui, sendo que tudo poderia ser evitado.


Ok. Ele estava me culpando, então? Bem, eu já tinha culpas para carregar a vida toda com essa família. Mas não aquela, não aquela culpa.


– Eu não contei, porque prometi a sua mulher para não contar. E acho que deve saber, eu cumpro com minhas palavras, sr. Malfoy.


– Não fale comigo dessa maneira – ele aconselhou.


– O senhor que não devia falar com ela dessa maneira. – Foi Draco quem disse aquilo. Meio fora da jogada, meio inseguro, mas disse.


– Você está defendendo essa moça contra seu próprio pai, Draco?


Ele se levantou e ficou de frente para Lucius, encarando-o nos olhos.


Essa moça tem tanto direito quanto o senhor de fazer ou dizer qualquer coisa. Não, espere. Ela tem até um pouco mais de direito. O senhor já perdeu a pose de poderoso desde o dia em que fez essa família toda pagar pelos seus erros, Lucius.


A boca de Lucius se moveu, desprezando claramente as palavras do filho.


– Achei que tivesse sentido a minha falta quando estive em Azkaban – disse Lucius de uma forma impossível de decifrar. – Mas está claro que eu não sou bem-vindo. Parece que alguém tomou o meu lugar.


– Ninguém tomou o seu lugar – Draco deu uma risada meio indignada. – Vamos, pai, você já tinha saído desse lugar por sua própria vontade. Quis dar uma de fodão pra cima dos caras do Ministério, querendo ser preso só para as pessoas terem pena de você. Mas não pensou em nenhum momento em minha mãe ou em mim.


– Como pode dizer isso, Draco? Se eu não pensasse em vocês eu os teria entregado a Lorde Voldemort de mãos beijadas.


– Foi exatamente isso o que o senhor fez. Só faltou beijar a mão dele, literalmente.


Lucius deu um passo para frente, ameaçadoramente. Draco não se mexeu. Eu nunca o vi desafiando alguém dessa maneira, muito menos seu próprio pai.


– Se o senhor me bater na frente dessa mulher... – ele apontou a cabeça para mim. – Pai, o senhor vai se arrepender muito. E não estou falando por mim.


– Vamos resolver isso em casa – Lucius respondeu com a voz tão baixa quanto um alfinete caindo no chão.


– É? – ele debochou. – Que casa? Aquela que minha mãe trocou para te tirar da prisão?


– Chega! – eu falei alto e me postei na frente deles. Eu estava furiosa. Furiosa por eles serem tão terrivelmente iguais. Eu estava cansada das culpas. Eu estava cansada de brigas. Eu estava cansada de vê-los tão desesperados para demonstrarem algum tipo de afeto, que eu disse: – Podem culpar um ao outro o quanto vocês quiserem, podem resolver o que tiverem que resolver onde vocês quiserem, mas essas atitudes não vão fazer Narcisa acordar do estado em que ela se encontra. Na verdade, essas atitudes entre vocês dois foi o motivo dela parar onde ela está agora: nesse hospital. Deviam ter vergonha de si mesmos e não tentarem envergonhar um ao outro!


Não esperei nem ver o que um deles tinha para falar. Eu virei às costas e fui embora. Já estava com a cabeça bagunçada devido aos meus sentimentos, a descoberta que minha irmã ia ter um filho e que Narcisa estava desacordada. Além disso, Draco havia enfrentado o pai para me defender. Eu não queria continuar ali, presenciando cenas conturbadas de uma família que, de longe, precisava de ajuda.


Eu não queria admitir, mas...


Eles precisavam da minha ajuda. Quer dizer, não que eu já não tivesse tentado ajudar.  Mas estava tão na cara agora que até doía; eu me preocupava. Eu me preocupava. Era mais forte do que eu... eu me preocupava demais com essa família para... desistir dessas tentativas.


Para desistir deles.


Para desistir dele.


 


 



Gente, ontem tive coragem de reler a fic.
Tirei a conclusão que Astoria mudou bastante. E acho que esse capítulo mostra essa "evolução". Não só dela, do Draco também. Ela desabafar tudo para o tio Frank é porque o negócio tava engasgado nela. E em mim também. HAUAHUAH O próximo capítulo sai nesse final de semana.
Obrigada aos comentários, eu leio eles umas cem vezes por dia, tentando acreditar se são mesmo reais!! :D Vocês me animam! :DDDD Nem sei o que dizer só... peço que continuem comentando! Prometo que os acontecimentos serão devidamente resolvidos! E fico feliz por terem aceitado a Rachel *0*

Agora... 18 capítulos? DEZOITO.
 Devo as cento e poucas páginas no Word a todos que comentaram até hoje! E a quem não comentou, espero que em algum momento eu veja seu comentário. Obrigada honeys.

Editado: MONEY HONEY EM UMA DAS FICS MAIS VOTADAS ATUALMENTE?

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Comentários: 9

Páginas:[1]
:: Página [1] ::

Enviado por MP__Potter em 02/01/2013

Simplesmente perfeito! Amo amo amo!!!!! Escreva muito, escreva mais, vc tem muito talento!!!!

Nota: 5

Páginas:[1]
:: Página [1] ::

Enviado por Felipe S. em 09/07/2011

Desculpa a demora para comentar. :\\\

 

Meldeos, capítulo muito bom! o////

 

Astoria já mostra o carinho enorme que sente pela família Malfoy, seja pelo preconceito que recebem, seja por uma identificação, seja pela necessidade de ser aceita, de fazer parte de uma família.

A história parece caminhar para um momento no qual rancores serão trabalhados, mágoas explicitadas e, espero, tudo resolvido. Meus mais singelos parabéns, de verdade!

Nota: 5

Páginas:[1]
:: Página [1] ::

Enviado por Felipe S. em 09/07/2011

Desculpa a demora para comentar. :\\\

 

Meldeos, capítulo muito bom! o////

 

Astoria já mostra o carinho enorme que sente pela família Malfoy, seja pelo preconceito que recebem, seja por uma identificação, seja pela necessidade de ser aceita, de fazer parte de uma família.

A história parece caminhar para um momento no qual rancores serão trabalhados, mágoas explicitadas e, espero, tudo resolvido. Meus mais singelos parabéns, de verdade!

Nota: 5

Páginas:[1]
:: Página [1] ::

Enviado por MarianaBortoletti em 07/07/2011

Nossa, minha concordância nesse comentário foi terrível... Sorry.

Nota: 5

Páginas:[1]
:: Página [1] ::

Enviado por MarianaBortoletti em 07/07/2011

Oh God, o final do capítulo chegou tão rápido que quando eu percebi já tava lendo a N/A achando que ia encontrar mais coisas ali... rsrsrs Magnífica, como sempre! Ah, parabéns por estar entre as mais votadas, a sensação é realmente maravilhosa!

Gostei muito do capítulo. Achei um capítulo menos tenso do que os anteriores; acho que porque a Narcisa não teve nada muito grave... Odiaria pensar que ela nãi tivesse sobrevivido a mais essa. Adorei o Draco dando a real pro Lucius. Realmente, a coisa toda gira em torno dos maus atos do Lucius, e ele não percebesse isso! O Draco é incrivelmente parecido com ele, mesmo, mas o Draco até reconhecesse um erro; o que não quer dizer que vai sair por aí dizendo isso aos quatro ventos, claro...

Antigamente eu ainda tinha chutes para dar quanto ao futuro da fic, mas ela tem me surpreendido de tal maneira que chutar o futuro já não tem mais graça, porque eu sempre erro. E eu adoro errar quando se trata de Money Honey... Muito bom, esperando ansiosa o próximo!

Nota: 5

Páginas:[1]
:: Página [1] ::

Enviado por Ana Slytherin em 06/07/2011

O tempo de separação fez com quer els evoluissem emocionalmente 
A situaçao devia esta insustentavel pra ela desabafar com o tio 
Narcisa é forte nao importa a situação
A gravidez da Dafne realmente me surpreendeu 
a discussão do DRaco com o pai , Lucius depois de uma temporada em Azkaban ainda culpa a Asty
Nem preciso falar que o cap é otimo e que eu to asiosa por outros neh 

Nota: 5

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Enviado por alana_miguxa em 06/07/2011

aii capitulo muito tenso. quero muito ve os dois se acertarem. mtuuuu boa a fic. quero maisss!!

bjus

Nota: 5

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Enviado por barbara aguiar azevedo em 06/07/2011

MEEEEEU DEUS!!! Morri... sérioo!!

Noossa, vamos ao capiitulo:
Primeiro, familia problemática essa dos Malfoys, hein?! Caramba, só a Astoria mesmo para ter paciencia com eles.

Agora, o que foii esse desabafo da Ast??? Mew, ela estava tão humana, tão sentimental... soltou td que estava reprimindo. Amei. O tio Frank tentando ajuda-la... fantástico.

Dafne gravida???? COMOO ASSIM. (morri de novo) ee o melhor, ela não está puuta da vida com a Ast... preciso saber como isso acontecer, qm é o marido dela... tuuudo.

Quanto ao Draco enfrentando o pai... FANTASTICO, e td pela nossa amada Astória.

Ahhhh, claro que aceitamos a Raquel, ela é uma fofaa!!!

Beijos, B.

ps: vc me mata de ansiedade. Td hora venho ver se vc já postou o proximoo!!! =)))

Nota: 5

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Enviado por Louyse Malfoy em 06/07/2011

COMO É QUE É? CAPÍTULO NOVO SÓ FINAL DE SEMANA? Ahhhhhh não! ):

Nossa a Astora foi muito fofa em levar um lanche pro Draco, kaka.

Ta incrível a história, posta logo pelo amor de Deus! kk

Nota: 5

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