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17. Falling away with you


Fic: Money Honey - Astoria e Draco - COMPLETA


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Falling away with you
(Banda: Muse) 


Derrubei o café no meu casaco enquanto caminhava até o Hotel. Era sexta-feira de manhã. Ótimo. E eu ainda nem podia usar magia, porque havia trouxas por todos os lugares. Então tinha que continuar andando com o casaco manchado.


Um ano. Meu trabalho lá deveria ser por um ano. Mas eu já não estava agüentando depois de um mês, embora persistisse em agüentar.


Aquele não era meu lugar.  Cardiff, a capital do País de Gales, era incrível, mas eu nunca me adaptaria. E eu não amava meu emprego o suficiente para ficar morando ali. As pessoas não paravam para conversar, minha equipe de Obliviadores não era divertida como a que eu tinha em Londres, e eu queria ir embora toda hora. É a sensação de que você achou que podia dar conta, mas você só se enganou, porque você fez escolhas precipitadas.


E o café que derrubei no meu casaco irritou-me profundamente, o que me fez subir até meu andar no hotel, xingando a parede e o mundo.


Rachel Bech era minha colega de quarto, mas não éramos amigas. Só que toda vez que ela me via, agia como se quisesse ser a minha melhor amiga. Eu não entendia por que. Não tínhamos nada em comum. A começar por ela achar música clássica uma coisa chata, ela já falava muito alto, querendo que todos a ouvissem e dissessem que ela tinha razão em tudo o que dizia.


Não me disseram sobre uma colega de quarto, o que já me fez duvidar um pouco das maravilhas que o sr. Locke prometera nesse trabalho.


Mas eu raramente via Rachel. Ela vivia com o namorado. Então quando a encontrei em nosso quarto naquela tarde, espantei-me ao vê-la sentada em sua habitual cama de edredom com gravuras de mini-pufes, cheirando um buquê de rosas.


– Elas não são lindas? – perguntou Rachel quando eu entrei no quarto, tentando limpar com um papel a sujeira do meu casaco. – Veja! Não são lindas? Lucas é tão fofo por trazê-las aqui.


– Lucas? Seu namorado?


– Aham. Você precisa conhecê-lo. Ele faz faculdade de medicina. Está no último ano.


– Medicina... Faculdade? Você namora um trouxa?


De repente seus olhos faiscaram contra os meus. Eu fingi que fui pegar alguma coisa no guarda-roupa, para não ter que encarar a raiva que teve de mim ao me ouvir perguntar daquela forma desaprovadora.


– Já basta minha mãe – abanou a cabeça, recompondo-se. – Não aceitam o casamento, sabe, só porque ele é trouxa. Mas vamos nos casar mesmo assim.


– Ele sabe que você é bruxa?


– Não – disse displicente.


– E o que vai fazer quando ele descobrir?


– Ainda vou continuar casada com ele.


– Hum. Por que você trabalha mesmo no Departamento de Reversão de Feitiços Acidentais?


– O que quer dizer com isso? – ela reparou no meu tom de voz.


– Quero dizer que quando ele descobrir que você é uma bruxa, você vai ter que acabar com a memória dele. Apenas isso. Não tem sentido se relacionar com um trouxa.


– Não diga tanta besteira, isso não tem nada a ver! Pelo amor de Deus, o que você aprendeu durante todos esses anos? Foi por pensamentos como esse que Voldemort destruiu metade do mundo!


Ela me assustou com essa analogia. Eu me arrependi imediatamente das minhas palavras.


– Eu não quis dizer que você não pode se casar com um trouxa – falei. – Eu respeito decisões. Eu só estou... só... isso tem algum sentido? Quer dizer, se casar?


Rachel abanou a cabeça, dando algumas risadas. Estava caçoando de mim? Ela acariciou uma rosa e disse de forma suave:


– Desde quando o amor tem que ter algum sentido? Eu só sei que sinto isso. Já é o suficiente.


Isso era injusto. O amor parecia ser tão fácil para ela.


– Desculpe ter sido estúpida – falei, baixinho. Eu não gostava de pedir desculpas tão rápido assim, mas só não queria descontar a raiva em alguém que não me conhecia e não sabia meus motivos. Fiquei com medo que ela estivesse certa quanto ao meu pensamento ser tão preconceituoso. Prometi a mim mesma que tentaria medir minhas palavras da próxima vez. – Eu só não tive um dia muito bom.


– Está tudo bem. E, em parte, você tem razão. Não sei o que farei quando ele descobrir que sou uma bruxa. Talvez ele nunca descubra, não acidentalmente.


– Você não pode esconder sua identidade a alguém que você ama – eu disse, mas logo em seguida franzi a testa. Por que eu disse isso como se entendesse do que eu estava falando?


Rachel concordou de repente.


– É, tem razão. Mas ás vezes tenho medo que ele não aceite o que eu sou. E se ele achar que sou... você sabe... maluca? Os trouxas têm versões muito engraçadas sobre bruxaria. Acham que somos do mal ou algo assim. Bem, eles não estão cem por cento errados. Nem todos são bonzinhos, não é? Voldemort e toda aquela turma de comensais. Mas eu fico pensando nisso mesmo... em Lucas não me aceitar como sou quando descobrir.


Bem, tive outro pensamento ao vê-la ficar triste de repente, o amor não é fácil para ninguém. Só depende muito de como você lida com isso.


– Tenho certeza de que se ele a ama... ele não vai ligar muito para o que você é – eu aconselhei. – As coisas que te definem é aquilo que você faz e como você age. Exceto quando você não tem escolhas nas suas ações, aí é difícil saber o que vai acontecer.


Minha mente divagou para a lembrança da primeira vez que transei com Draco. Fechei os olhos, para não me aprofundar na inevitável falta que eu tinha daquele calor sufocante. Por que toda vez que eu falava sobre escolhas, eu me lembrava de Draco? E das transas que tivemos?


Verdade seja dita, eu não precisava falar só sobre escolhas para me lembrar dele.


– Astoria? – a voz apressada de Rachel me despertou. – Você tá legal? Eu não entendi muito bem essa parte de escolhas, mas sei que está certa sobre nossa definição. Até que você não é tão fria como eu pensei que você era, Ast.


– Não me chame de Ast.


Ela riu. E, por alguma razão desconhecida, eu ri também. Um pouco. Acho que tentei ser irônica.


– E até que você não é tão...


– Chata? – adivinhou Rachel, fazendo uma careta. – É, bem-vinda ao clube. Eu também me acho insuportável. Sinto muito por terem colocado você aqui, sei que provavelmente você quer ter espaço. Mas, sabe, como eu sempre quis ter uma irmã eu achei que, talvez, a gente pudesse se dar bem. Quero dizer, tem tanta gente aqui que é... sem-graça, por pensarem sempre a mesma coisa. Não ter opinião de tudo. Mas você é diferente e as pessoas não conseguem te odiar, mesmo com as coisas que você fala. Porque você é verdadeira e honesta. Sabe, nesse mundo agora renovado, as pessoas querem ouvir que tudo vai ficar muito bem e que viveremos felizes para sempre, mas não é bem assim. Tem muita gente que ainda tá sofrendo. Tem muita gente que perdeu tudo com a guerra. Não adianta se iludir.


Ela me conhecia há dois meses apenas e já tinha tirado toda essa conclusão sobre mim.


– Eu transmito essa impressão às pessoas?


– É o que todo mundo está comentando. Pelo menos os Obliviadores mais velhos da equipe. E é disso que precisávamos, entende? De alguém que aceita as coisas como elas são. Que aceita a verdade nua e crua, e       que não a contesta só para tentar se sentir melhor.


– Não é bem assim – eu me senti modesta de repente.


Naquele momento Rachel não me pareceu alguém que eu deveria simplesmente deixar de lado e ignorar quando a visse por aí. Ela era bastante observadora. Podia ser espalhafatosa, falando com aquele sotaque rápido e francês que às vezes era quase impossível entender uma frase, mas ela tinha o lado humano que todo mundo tinha, e me aceitava do jeito que eu era.


Fiquei mal por ter tido uma impressão ruim dela sem ao menos ter me esforçado para conhecê-la. Diferente dela, não fui observadora em nada. Eu estava mais distraída do que o normal, pensando nas coisas que deixei para trás.


– Você quer chocolates? – perguntou Rachel, empurrando um grande pacote rosa de vários doces que me lembraram Hogsmeade e a Dedosdemel. Tive tanta nostalgia que até me sentei no pé da sua cama para pegar um bombom. Ou dois. – Lucas comprou alguns bombons para mim, mas acho que ele esqueceu que sou alérgica a derivados de lactose.


– Homens – girei os olhos. – Nunca prestam atenção no primeiro encontro.


– Como você sabe que eu disse a ele que sou alérgica a lactose no primeiro encontro? – ela perguntou chocada.


– Eu só estava palpitando. Mas não pode dizer uma coisa importante no primeiro encontro. Você sabe que tudo o que eles querem é transar no primeiro encontro. E não lembrar que você tem alergia a alguma coisa.


– Não concordo com você. Lucas foi paciente comigo.


– Claro que homens castrados sempre são umas belezinhas.


– Deu pra notar que você não tem a mesma opinião que a minha sobre homens. E você não conhece meu noivo.


– A questão não é que a gente tem opinião diferente. A gente só teve experiência diferente. Então conseqüentemente, nossas opiniões não são iguais.


– Você sempre fica filosofando assim pra suas amigas? – ela tirou sarro, indignada.


Eu apenas dei uma risada e abanei a cabeça. Era difícil me lembrar das minhas amigas, sendo que aquelas que eu tive em Hogwarts nunca mais apareceram na minha vida. Eu não era aquela garota que você via rodeada de amigas a todo o segundo. Eu nem lembro se uma vez já contei meus segredos a alguma delas. Eu só sabia que eu conversava com todo mundo. Eu não era melhor amiga de ninguém, mas também nunca fui inimiga de alguém. Eu sempre preservei meu espaço. E eu gostava de ser assim. Eu era feliz e satisfeita assim. Não necessitava de uma amiga ditando como agir diante de um garoto, ou falando sobre beijos e temendo as expectativas para quando fossemos perder a virgindade com alguém especial.


Rachel parecia ter sido o tipo de garota que eu nunca fui. Era fácil visualizá-la contando todos os detalhes da sua primeira vez com esse tal de Lucas para suas amigas e ficando ruborizada como se só a palavra “sexo” a fizesse querer esconder a cara no travesseiro.


Eu não sei se agora tudo havia mudado para mim, mas eu me sentia alguém diferente. Pelo menos naquele momento, quando eu simplesmente desabafei para o que seria, a meu ver, uma pessoa estranha:


– Eu não tenho muitas amigas.


E coloquei a trufa inteira de chocolate na minha boca, para que, caso ela fizesse outra pergunta, eu estivesse verdadeiramente ocupada demais mastigando e saboreando o doce. Mas Rachel só disse, como se concordasse comigo, o que era meio confuso:


– Não me admira. Sério, é muito difícil confiar em alguém hoje em dia. Entendo você nisso. Eu tive umas quinhentas amigas. Eu era tão popular que eu me sentia sufocada. Sabe, a gente para no tempo e percebe que não valia muito a pena ter cinqüenta milhões de pessoas querendo ser como você e agir como você sendo que no fim você acabava se sentindo sozinha e depressiva.


– Mas eu não me sentia sozinha e depressiva.


– Não? Que estranho.


– Mas você está certa. É difícil confiar nas pessoas.


Eu não conto meus segredos a ninguém.


Isso explicava porque ela tinha tanta certeza que o noivo dela não ia descobrir que ela era bruxa. Mas eu não comentei isso em voz alta.


– Eu também não. E esses doces estão uma delícia. É uma pena você ser alérgica.


– Quer tudo?


– Hum? – eu estava praticamente lambendo os dedos. Não comia doce há tanto tempo... eu precisava disso. Além disso, chocolate curava a tristeza. – Sério? Posso ficar com tudo? Não está envenenado, está?


– Claro que não! Tome. Você definitivamente precisa engordar. Como consegue ter um corpo desses afinal de contas? Deve dar muito trabalho – Eu senti que ela me olhava com inveja. E ela não queria esconder essa inveja. – Eu faço regime, mas desisto na quinta refeição.


– Bem, eu faço muito sexo. – Eu notei que ela ficou ruborizada. Podia ser o efeito dos doces, mas eu me diverti com sua expressão. E quis continuar provocando: – É, muito sexo. Sexo demais. Uma vez eu transei tanto com um cara que jurei ter perdido pelo menos dez quilos. É saudável e muito bom, não tem erro.


– Quer parar de falar assim? – E, como eu realmente imaginei que ela era daquele tipo, ela colocou o buquê de rosas na frente do rosto. Isso só me fez insistir mais.


– Por quê? Vai me dizer que você e o Lucas vão se casar e nunca fizeram sexo?


– Nós... nós fazemos, mas não tanto... Olha, eu não me sinto confortável falando sobre isso.


– Desculpe – falei sinceramente. Nunca tive a oportunidade de conversar com alguém sobre nada típico, mas não que essa fosse a oportunidade certa, mas eu me senti um pouco mais eu mesma. Continuei experimentando os deliciosos doces, com Rachel dando risadas aleatórias, e ela estava com a expressão pensativa, como se realmente tivesse considerado a idéia de que sexo diminuía peso. Eu não agüentei e tive de soltar essa: – Vai testar a dica hoje à noite, está na cara.


– Não! – mas ela estava rindo. Era meio patético para se dizer a verdade. – Bem... talvez...


– Eu sabia!


– Mas é que... Quero dizer, Lucas não tem... ele cansa... muito rápido.


De repente, senti muita pena dela. Felizmente eu não tinha como reclamar muito disso na minha vida, mas tinha como entendê-la.


– Bem, às vezes isso pode até ser melhor – eu disse. – Vocês devem ter bastante diálogo, conversa. Isso é importante, suponho.


– Ah, sim, a gente conversa muito – mas ela não parecia muito feliz com isso. – E acho que isso atrapalha bastante na hora.


Ficamos um tempinho em silêncio, eu tentando não rir de sua desgraça aparente. Eu reparei que não conversava com alguém dessa forma há muito tempo. Mas de repente Rachel perguntou:


– Você tem namorado?


E eu dei por nossa conversa encerrada, dizendo:


– Não. Eu tive, mas terminamos. Bem, eu vou tomar banho agora. Temos que nos encontrar com o sr. Rocke hoje à noite, certo?


– Sim, sim. E não se esqueça os papeis que ele pediu. Ele fica possesso quando esquecem os relatórios.


Eu assenti e antes de entrar no banheiro, Rachel me chamou de novo e me virei para ela.


– Amanhã é sábado – ela contou. – Dia de folga. Você ainda parece meio perdida aqui, posso mostrar a cidade pra você, se quiser.


Eu pensei um pouco e considerei. Eu não podia simplesmente ficar trancada naquele hotel, sendo que havia uma cidade inteira para eu tentar me encaixar, pelo menos por um ano.


– Está bem. Obrigada.


E voltei para o meu espaço.


 


 


Nos dias que se passaram descobri mais sobre Rachel. Ela era sangue puro, mas estava mesmo apaixonada por essa tal de Lucas. Ele era um rapaz alto, magro, e totalmente careta, e não havia dúvidas de que ele era a pessoa mais trouxa que já falou comigo. Eu não conhecia muito sobre tecnologia, mas foi difícil não me encantar com o celular que ele havia me mostrado. Eu tentei parecer super boa no assunto para não dar na cara que eu não sabia nada sobre isso, mas acho que eu agia meio pateticamente, só fazendo perguntas e querendo escutar as músicas que tinha no aparelho. Diferente da namorada, Lucas tinha um ótimo gosto musical.


Eu não fiquei me remoendo, pensando que meu sangue puro ia ficar infectado. Eu não via trouxas como algo a ser ignorado. Contanto que nossa identidade mantivesse segura, eu podia conversar a vontade com qualquer um deles. Lucas era o que sabia de tudo sobre os lugares que estávamos vendo pela janela do ônibus. Você podia andar pela cidade por muitas semanas, mas nunca conheceria a verdadeira maravilha. As paisagens eram tão inspiradoras que eu tinha vontade de pegar um quadro e começar a pintar desesperadamente.


– Próxima parada – anunciou Lucas. – Castelo de Cardiff.


– Castelo?


– Aposto que nunca foi a um castelo antes.


– Não é verdade – eu retruquei, segurando o riso. Quer dizer, eu passei sete anos da minha vida morando em um.


Mas aquele castelo da cidade era uma das construções mais incríveis que já vi desde Hogwarts. Devo admitir que fiquei impressionada. Afinal de contas, nada dali havia sido construído com magia. Não era nada mágico. E eu que achava que nunca haveria graça em algo construído sem magia! Mas de qualquer forma... aquela arquitetura me impressionou bastante.


Depois de nossa visita ao castelo, Rachel insistiu que eu fosse com ela fazer compras. Lucas fez careta, estava na cara que odiava fazer compras, e se despediu da gente. Aceitei, porque eu precisava mesmo comprar algumas roupas novas. E presentes para o meu tio, pois o Natal já estava chegando. Pela primeira vez na minha vida, eu não paguei com dinheiro bruxo. Foi meio estranho, mas as roupas valeram à pena.


– Você vai voltar pra Londres, esse feriado de Natal? – questionou Rachel quando me viu arrumando as malas em nosso quarto.


– Fazer uma pequena visita ao meu tio. Ficar lá até o ano novo. Ele deve estar sentindo a minha falta e só ficou mandando cartas, com medo que eu tivesse sido seqüestrada ou algo assim.


– Você fala bastante do seu tio – ela reparou.


– É, bem, foi ele que me ajudou quando meus pais morreram.


– Na guerra?


Eu assenti. Era estranho falar sobre isso com uma pessoa que eu só conhecia há alguns meses. Então ela revelou:


– Eu perdi meu irmão.


Tive um aperto no peito, lembrando-me de Dafne. Como será que ela estava? O que andava fazendo? Será que ainda se lembrava de mim? Eu nunca estive tão distante da minha família como naquele momento.


– Mas a gente segue a vida! – ela não queria ficar triste por nem dois segundos. Eu a admirei por isso. – Eu vou ficar por aqui mesmo. Vou conhecer a família do Lucas na ceia de Natal. Estou super nervosa.


– Oh, boa sorte – eu desejei, quando já estava fechando a última mala.


– Obrigada. Você também! – De repente ela me abraçou. Eu dei um tapinha em suas costas, sem saber mais o que fazer. Então ela foi embora e me deixou sozinha.


Deitei-me na cama e tirei as cartas que eu havia recebido naquela semana. Cinco do meu tio, dizendo que estava me esperando para a festa de Natal e Tanya ia nos acompanhar. Outra era da Liz (com um P.S do Jake “Volte para me dar um abraço”) e a última era do meu chefe, perguntando como as coisas estavam e enviando uma passagem de volta para Londres por uma semanas. Eu a segurei, feliz que não tivesse que aparatar, porque isso me deixava enjoada e desgastada. Sem contar que eu sempre deixava uma mala para trás. E viagens em trens me acalmavam. Pelo menos uma viagem silenciosa.


 


 


Quando meu tio falou sobre “festa” eu não estava esperando que isso significasse algum tipo de “baile de inverno”. Nunca fui a um baile no Natal. A gente meio que ficava em casa abrindo os presentes, mas achei aquela idéia diferente e não reclamei. Ter passado um tempo fora não foi à melhor coisa do mundo, mas eu adquiri experiência e estava mais confiante quanto a mudar minha rotina. Respirar um ar diferente às vezes era necessário, mesmo que fosse tão estranho. Então eu podia lidar com coisas como bailes, usar um vestido bonito e me arrumar para festas. Não era como se eu desgostasse disso.


Meu tio estava acompanhando Tanya. Eu não tinha um par, mas nem por isso deixei de ir. Reencontrei meus velhos amigos, Liz e Bradley, o que me fez ficar ocupada sentada ao lado deles contando sobre País de Gales, sobre minhas visitas numa cidade trouxa, e alguns fatos do trabalho. Além disso, eu não fiquei sozinha a festa inteira, porque Jake ficava dando em cima de mim até que ele me convenceu a sair da cadeira e dançar.


Olhei para a pista de dança. A música era agitada e os bruxos que dançavam riam, divertindo-se. Quando acompanhei Jake até lá, a dança mudou. Era daquelas que a gente tinha que ficar trocando de par, para ter a chance de dançar com todos. Antiga e tradicional dança, mas divertida. Jake reclamou em voz alta quando tivemos de nos separar, e eu me vi fazendo algum passo de dança a frente de um rapaz bonito e desconhecido, que segurava minha mão e minha cintura. Eu sorri para ele, educada, mas o bom daquela dança era que não havia muito tempo para conversas.


Depois de mais ou menos três caras, voltei a encarar e dançar com Jake.


– Ah, finalmente!


– Ainda não acabou – eu disse, olhando para a movimentação da dança organizada.


– Por que você adora me decepcionar?


Sua risada foi à última coisa que ouvi quando tive de trocar de par novamente, sem perder o ritmo. Eu estava pronta para sorrir para meu par desconhecido, só que o problema era que ele não era desconhecido.


Quando reparei, estava segurando a mão de Draco e eu deveria ter tido alguma reação com a mão dele em minha cintura, certo? Ele ainda começou a se mover comigo de uma forma aplicada e ritmada, sem perder os passos. Nunca havia dançado com ele. Eu fiquei apenas espantada por vê-lo ali numa festa da comunidade – todo mundo estava lá – dançando, que não tive tempo de querer me afastar.


Será que ele me viu e decidiu participar só para poder ter alguma desculpa para me dizer alguma coisa? Era tão típico dele.


Mas acho que as coisas realmente haviam mudado. Não era como se não nos víssemos há uma semana. Eu não o via há cinco meses. Estive fora há cinco meses. Ele parecia mais velho – não de forma adulta ou madura, mas sim cansada e desgastada. Ele devia ter feito a barba para vir àquela festa, porque seu rosto estaria intacto se sua expressão não estivesse ferida.


Ele percebeu com quem estava dançando e dissemos no mesmo tom, na mesma hora:


– O que está fazendo aqui?


Não paramos de dançar. Ele parecia mais espantado do que eu, o que me causou uma estranha sensação de egocentricidade. É claro que ele não me esperava mais. Estávamos mais distante do que nunca, embora ele estivesse praticamente colado em mim naquele momento.


– Não sabia que tinha voltado – disse Draco numa voz equilibrada e naturalmente fria, sem emoção. Seu cabelo estava um pouco mais cumprido do que na última vez, de modo que as mechas loiras caíam sobre os olhos enquanto nos movimentávamos no ritmo da dança.


– Apenas por uma semana – afirmei. De todas as formas que pensei em agir caso um dia fossemos nos encontrar de novo, eu fiquei surpresa com o jeito calmo e decidido que minhas palavras saíram.


Ele soltou-me para trocarmos de par. Faltava mais uma rodada. Por um motivo estúpido, eu não saí da dança. Por um motivo estúpido, eu esperei que chegasse nossa vez de novo. Acho que eu queria ouvi-lo dizer alguma outra coisa. Não sabia ao certo. Quando minha cintura foi segurada novamente pela mão cheia de anel dele, no entanto, nada foi dito. Silêncio. E dançávamos sempre no mesmo ritmo que os outros pares. Não era como se houvesse algum tipo de ato romântico naquela dança. Não era como se fosse só eu e ele dessa vez.


Mas a música agitada parou de repente e as pessoas no meio da pista voltaram a encontrar os parceiros certos. A banda no palco começou a tocar uma música lenta, romântica, subjetiva. E somente quando Draco se afastou, eu notei que ainda não tinha me soltado dele.


Ele me olhou um pouco e virou-se para sair da pista, dirigindo-se a uma mesa isolada no canto da festa, onde só agora eu havia notado que Narcisa Malfoy estava ocupando.


Não, espere. Não era só Narcisa.


Lucius Malfoy estava lá também. Velho e meio entediado, mas estava lá.


Olhei ao redor, como se quisesse encontrar alguma explicação. Até pisquei os olhos com força para testar se era algum tipo de alucinação. Eu ainda estava muito surpresa quando fui até Liz, que se servia de chocolate quente na mesa de doces.


– Eu não sabia que Lucius Malfoy havia saído de Azkaban – comentei casualmente. Liz sempre tinha informações na manga e ela nunca hesitava em contá-las.


– Ah, é meio difícil de acreditar mesmo – ela deu uma breve risada. – Mas é mais difícil acreditar que a família toda veio pra essa festa.


– Quando ele foi libertado? – perguntei.


– Há um mês. Algumas regras mudaram em Azkaban. A família agora terá de fazer algumas trocas pela liberdade do sr. Malfoy.


– Que tipo de trocas? Dinheiro?


– A mansão deles.


– Quê?


– Eu sei. Aquela mansão tem uns quinhentos séculos, mas o passado que ela carrega, por ter sido a sede de Lorde Voldemort durante a guerra, não ajuda muito. O Ministério quer reformá-la para algum tipo de museu ou um orfanato.


– Mas eles vivem lá há anos. Não podem despachar uma família aristocrata de sua própria mansão. Isso é injusto.


– Eu entendo que você esteja do lado dos Malfoy, Ast – ela disse calmamente. – Mas...


– Eu não estou do lado deles, eu só não acho isso justo. Às vezes o Ministério precisa de um trato nos princípios. Ficam falando de justiça e aí vem e...


– Mas nem os Malfoy argumentaram contra essa decisão – continuou Liz depois que a interrompi. – Pelo contrário. Aceitaram que a mansão deve virar um orfanato.


– Não, não aceitaram. Eu sei como eles são – falei intrigada. – Eles nunca aceitariam isso.


– Ou eles aceitavam ou Lucius Malfoy ainda continuaria em Azkaban. Além disso, a atitude da sra. Malfoy por aceitar esta decisão, por doar a própria Mansão... está fazendo as pessoas a considerarem bastante. Até eu fico meio arrependida por ter achado a vida toda que ela era uma vaca. Quem diria. Ela mesma tem noção de que princípios familiares já saíram de moda nesses últimos tempos. A família toda quer se livrar do passado.


Eu estava muito surpresa. A vida não pára só porque a gente vai embora. Muitas coisas realmente mudaram ao meu redor. Eu olhei de novo para a mesa em que a família Malfoy estava. Draco de braços cruzados, olhando para o vazio, e sua mãe segurando a mão do marido sobre a mesa. Lucius falava algo para Draco, mas ele ora negava, ora assentia com a cabeça, sem abrir a boca. Eu soltei a pergunta friamente para Liz:


– E só agora vocês perceberam isso?


– Só agora eles decidiram agir para demonstrar alguma coisa, não é?


Ela tinha razão. Eu mesma provei na pele que ninguém lê nossos pensamentos ou entendem de cara nossos sentimentos.


É preciso agir para ser perdoado.


Tudo bem, eles não estavam completamente perdoados. Caso contrário, as pessoas viriam falar com eles; as pessoas sorririam em suas direções e desejariam feliz Natal a eles. Estavam sentados num canto isoladamente, sem perturbarem e sem serem perturbados. Mas vendo-os ali juntos novamente, em uma festa onde até mesmo as famílias Potter e Weasley estavam, eu não podia negar que eles procuravam por um recomeço.


De repente os olhos de Narcisa encontram os meus, no outro lado do salão da festa. Eu não desviei o olhar. Ela fez um breve aceno com a cabeça. Discreto, mas não indiferente. Eu que achava que ela me odiaria por ter deixado seu filho, ou por ter dado a entender que desistiria dele, fui surpreendida novamente por ela ainda me dar a impressão de que eu era respeitada e aceita, apesar de todas as coisas.


Eu respondi ao aceno, educadamente, e comecei a dar atenção ao pianista do palco, enquanto Liz contava sobre outras novidades, enquanto estive fora.


Eu estava me sentindo bem de alguma forma. Era difícil se acostumar com mudanças, mas tive a breve sensação que eu havia buscado por isso. Tive a certeza, pela primeira vez na vida, que eu estive fazendo alguma coisa certa, alguma coisa de que eu não me arrependeria.


Mesmo que alguns sacrifícios tenham sido tomados, eu não fiz tudo àquilo apenas por mim mesma afinal de contas.


Depois da meia-noite, tendo dançado bastante, era hora de trocar presentes com nossos amigos e parentes. Até o começo da madrugada, eu já havia recebido mais presentes do que todos os anos da minha vida. Foi uma noite reveladora, mas ela estava longe de acabar. Quando resolvi retocar a maquiagem no banheiro, estava passando batom nos lábios e vi pelo reflexo do espelho Narcisa entrando também.


Ela se aproximou da pia e começou a fazer o mesmo que eu com a maquiagem. Não dissemos nada uma para a outra, apenas encarávamos nossos próprios reflexos pelo espelho. Ela meio que estava tentando ignorar a minha presença, mas mesmo assim continuou lá. Achei melhor desejar feliz Natal, ser ao menos educada.


Só que no momento em que me virei para dizer alguma coisa, o batom da mão dela caiu, como se sua mão tivesse perdido a força de repente. Percebi como estavam trêmulas. Eu franzi a testa, assim que a vi pousar a mão contra os olhos e respirar forte.


Não foi preciso perguntar qual era o problema. Ela mesma disse:


– Não estou me sentindo bem.


Uma mulher entrava no banheiro naquele mesmo momento. Quando viu Narcisa agarrar a pia com força, olhou preocupada.


– Sra. Malfoy, o que aconteceu?


– Eu... Oh. – Ela fechava os olhos com força. – Não me sinto bem.


Eu estava assustada quando a mulher saiu do banheiro imediatamente para pedir ajuda. Eu abanei a cabeça, não tinha a menor idéia. Então a voz de Narcisa saiu fraca e fina, quando ordenou a mim:


– Os remédios... me dê os remédios. Está na minha bolsa... rápido...


A bolsa estava sobre a pia e eu a abri velozmente. Tateei todos os cantos até encontrar um frasco de poção azul marinho, frasco que não me era nada estranho. Olhei para o objeto e depois para Narcisa encostada a parede, tentando se equilibrar. Ela não conseguia abrir os olhos.


– Sra. Malfoy, isso é...


– Minha pressão está caindo, Astoria, dê-me logo esse remédio!


– Mas isso é anti-depressivo. A senhora não vai melhorar...


– Apenas me dê! – ela gritou, abrindo os olhos ferozmente. – Eu não perguntei...


Ela tentou pegar o frasco de minha mão, mas eu guardei de volta na bolsa. Não sei porque fiz aquilo, juro. O problema não era meu, certo?


– Sra. Malfoy, isso está viciando a senhora e...


– Isso não é da sua conta, Astoria. Me dê!


– A senhora precisa ir ao hospital... isso não vai ajudá-la...


– Está dizendo que eu sou... doente?


– Não, mas não é saudável e a senhora vai ficar ainda pior se continuar-


Subitamente senti minha bochecha arder, quando Narcisa acertou meu rosto com a mão. Eu arquejei assustada e dolorida, e voltei a encará-la, as lágrimas partindo dos meus olhos que lacrimejavam. Qual é o meu problema com essa família? Por que toda vez que tento ajudá-los, eles me machucam?


– Astoria, eu não quis... – ofegou Narcisa, colocando a mão sobre a boca. Ela se afastou de mim, com medo de que ela pudesse me machucar outra vez. Olhava-me com os olhos arregalados, como se não ousasse acreditar no que tinha feito.


Era como se o tapa tivesse me deixado sem falas e até mesmo congelada. Eu não consegui nem sentir raiva, nem desprezo, nem medo e nem insegurança. Não deu tempo de sentir muita coisa, senão a dor ao lado do meu rosto, porque Narcisa havia desmaiado no chão aos meus pés.


 







o.o


Nem sei o que dizer do capítulo. Então só vou dizer que semana que vem o próximo já vai sair. Estou de férias = rápidas atualizações. E se já escrevi mais caps, não vejo porque demorar. Vocês são tão incríveis com os comentários :) Imagina se todo mundo que lê comentasse? Eu ia postar um capítulo por dia. Senão, por hora. HAHAHA 
té o próximo. 

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Enviado por Felipe S. em 04/07/2011

Capítulo muito bom, sem comentários!

Rachel promete ser um grande alívio cômico, fixando-se na trama. A maneira como você faz o tempo fluir, passar rapidamente sem nos dar uma sensação de pressa é tão fantástica que me dá aquela sensação do tipo "por que eu não consigo fazer isso?" Não chamo de inveja por achar o termo muito pesado. 

Narcisa me surpreendeu, o descontrole, o arrependimento seguido pelo desmaio, simplesmente perfeito. A liberação de Lucio seguida pela doença da matriarca, definitivamente, mostram que os Malfoy's não terão paz tão cedo. 

Ah, confesso que o fato deles terem perdido a mansão meio que me revoltou, sério. Medida totalmente desrespeitosa. Não sei como dizer, mas começo a esperar por um diálogo de Astória com Harry e Cia acerca de tais atitudes do ministério.

Nem chuto nada para o próximo capítulo, afinal, você sempre me surpreende. ^^

Parabéns! :)

Nota: 5

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Enviado por MarianaBortoletti em 04/07/2011

Sabe audiobook? Pois é, eu adoro ler essa fic em voz alta, como se eu fosse a voz narradora... Sim, é estranho, mas eu tenho um fraco por audiobooks e gosto de ler as coisas em voz alta, ainda mais quando são boas desse jeito! Guria, não vou elogiar tua narrativa de novo porque já está implicito em todo comentário que eu faço aqui. Explosão de novos comentadores, hein!

Adorei o capítulo! Gosto desses personagens que surgem, Rachel uma fofa... Gostei dela, tomara que continue. Não consegui não imaginar ela como uma amiga da Astoria daqui para frente. Festa de natal, ah, quero tanto ir numa festa de natal como essa...! Que perfeito, os Malfoys voltando a serem aceitos. Vai demorar, claro, mas estão no caminho. Porém, não consegui não ficar com peninha deles, peninha do Draco. Ele deve ter passado o diabo nesses cinco meses;

E o que foi esse final? Eu disse aqui que o Draco devia ter passado o diabo durante os cinco meses, mas e a Narcisa? Fico com o coração na mão toda vez que ela entra em cena; sabe aquela sensação ruim que eu tinha alguns capítulos atrás? Tu fez se concretizar aqui, quase tive um treco. Minha mão cobriu a boca e meus olhos se arregalaram. Sem mentira.

Ahh, amei que tu estás de férias, assim ganhamos mais capítulos! Não demore a postar mesmo, quero saber o que aconteceu com a Narcisa :\

Nota: 5

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Enviado por Louyse Malfoy em 03/07/2011

um capítulo por dia, ou por hora? omg. poderia ser verdade kkkkkkkkk tadinha da Cisa, bubu. E a mansão? A Deus! Posta logo!

Nota: 5

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Enviado por barbara aguiar azevedo em 03/07/2011

Morri com esse capiitulo. 
Carambaaa.... fiquei totalmentee sem falas...

a vida monótona da Ast, a falta de vida que ela sente por estar longe do Draco.

o Draco sem vontade de viver, a familia reunida... o comportamento da Narcisa... MEU DEUS!!!

Posta logoo!!

Nota: 5

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Enviado por alana_miguxa em 03/07/2011

aiii eu nao vejo a hora da astoria e do draco fazerem as pazes. to louca pelo proximo capitulo.

bjuss

Nota: 5

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