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61. Capitulo 61


Fic: A Caricia do Vento. - Concluida - Dramione


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Nossa, só um review? Poxa pessoal, pq a economia? Isso é muito triste... mas bem, não irei deixar de postar por isso, certo? ;) Ainda mais agora, que estamos chegando na reta final da estória. Espero conseguir terminar de postar ainda nas férias. 
Ahhh sim, ja tenho outra história em vista para adaptar! =) Sabe, eu não consigo deixar de postar... é um vicio! (que medo!). hehehehe.

Nana-moraes Malfoy - Bem, voce é a leitora mais fofa! Meo, voce comentou em todos os capitulos desde que voce começou a ler a fic! Isso me deixa muito feliz... apesar de não ter sido eu quem escreveu, meo, é muito importante ter um review de incentivo e tals! =) Obrigada mesmo, espero que voce goste do capitulo! ;) Ahhh sim, espero por um review hein?! ^.^

Bem, é isso pessoal, espero que voces gostem do capitulo! ;)

Beijos
Angel_S 
--**-- 


A mão que lhe tapava a boca mal lhe deixava ar para respirar. O pouco que Hermione conseguia inspirar vinha maculado com um odor fétido da mão. Ela dilatava as narinas, tentando absorver o oxigênio, mas a respiração era ofegante, devido ao medo e ao esforço.


 


Quando a mão foi retirada, Hermione gritou:


 


- Malf... 


 


Um lenço sujo foi enfiado brutalmente em sua boca, quase sufocando-a. Outro pedaço de pano foi amarrado ao redor da cabeça, para manter a mordaça no lugar. Deram um nó no pano à altura da nuca, e fios de cabelo ficaram presos no nó, aumentando a dor no couro cabeludo.


 


Ao ser colocada à força sobre uma sela, Hermione viu de relance o segundo raptor. Não foi surpresa ver Neville Ortega. Parece que tudo sempre conduzira a esta situação, desde o dia em que ele matara Rony na estrada. A terrível sensação de inevitabilidade assustou-a.


 


O sorriso obsceno parecia estar gozando do terror nos olhos cor de âmbar dela, os dentes quebrados e amarelados semelhantes às presas de um cão famintos. Amarrou suas mãos no arção da sela, não lhe dando chance de escorregar do cavalo e correr.


 


Segurando as rédeas, montou no próprio cavalo. O primeiro homem já estava na sela, à espera. Seguiu Ortega, que ia mostrando o caminho. Ao invés de seguirem por entre as árvores, para o leste, estavam voltando para o lago. Ela teve um lampejo de esperança. Se não a levassem para fora do desfiladeiro, haveria uma chance de poder alertar alguém.


 


Estavam quase ao nível do lago, andando bem junto da face norte do desfiladeiro. Abruptamente, Ortega freou o cavalo, enrijecendo o corpo. Hermione olhou para a frente e viu Neville impedindo o caminho, um rifle na mão. O segundo homem cavalgou depressa para a frente, como que para esconder Hermione dos olhos de Neville, mas este já a vira e estava fazendo uma pergunta em espanhol, com voz fria.


 


Seu coração bateu com força, de alívio. Havia lágrimas nos cantos dos seus olhos. Neville sabia o quanto ela desprezava e temia Ortega. Jamais acreditaria em qualquer história que o astuto homem pudesse inventar. O olhar se desviou para aquele animal nojento que fingia ser humano. Também dessa feita, ele seria detido.


Foi então que os olhos viram o que Neville não podia ver; a visão dele estava bloqueada pelo outro cavaleiro, e pela montaria de Ortega. Este tirava a faca da bainha, lenta e cuidadosamente. Hermione tentou soltar um grito de advertência, mas o lenço abafou o som. Sua tentativa desviou para si a atenção de Neville. Era por este momento que Ortega estava esperando... quando os olhos vivos de Neville não vigiassem cada movimento seu.


 


Com a velocidade de um raio, arremessou a faca. Tarde demais, Neville se deu conta do seu erro. Tentou levar o rifle ao ombro, mas a lâmina da faca já se enterrava em seu peito, jogando-o para trás. O grito de terror de Hermione não pôde sair da sua garganta.


 


Ortega esporeou o cavalo, puxando as rédeas da montaria de Hermione. Ela conseguiu ver de relance o corpo de Neville em convulsões, no chão, quando passaram por ele, E então o cavalo foi virado na direção da face rochosa do desfiladeiro, para subir uma trilha apagada que subitamente apareceu por trás de uma grande pedra coberta de limo. Um segundo caminho para se sair do desfiladeiro. Uma trilha que Hermione desconhecia.


 


Após saírem do desfiladeiro, cavalgaram rapidamente para o oeste. Hermione podia sentir a montaria tropeçando de exaustão, retesando-se contra as rédeas que insistiam em puxá-la.


 


Viu o jeito nervoso com que os dois homens olhavam para a trilha atrás deles. Sabia que estavam forçando os cavalos para deixar o máximo de distância possível entre eles e o desfiladeiro. Fosse qual fosse o destino deles, Ortega pretendia atingi-lo antes que qualquer perseguidor pudesse alcançá-los. Hermione podia apenas rezar para que Malfoy estivesse na pista deles, agora.


 


O cavalo de Ortega tropeçou e quase caiu de joelhos. Um repelão selvagem nas rédeas fê-lo levantar a cabeça, enquanto Ortega xingava ferozmente o animal em espanhol. Hermione viu as manchas de sangue na espuma que cercava a boca do cavalo, e sentiu uma onda de piedade pelo animal ferido, depois concluiu que devia guardar a piedade para si mesma. A sua hora iria chegar, e então estaria recebendo das mãos de Ortega uma forma diferente e mais degradante de selvageria.


 


Na primeira clareira rochosa que alcançaram, Ortega parou para dar um descanso aos animais, sentindo finalmente que, se os forçasse mais um pouco, logo estariam todos a pé. Hermione sentia-se tão encalorada e cansada quanto os cavalos. Suas mãos e dedos estavam entorpecidos pela corda apertada ao redor dos pulsos. No entanto, o medo a deixava duplamente alerta.


 


Os dois homens desmontaram, bebendo avidamente dos cantis. Hermione tinha consciência do quanto a sua garganta estava seca. A mordaça que lhe machucava a boca fazia o maxilar doer, o pano secando a língua até que ela parecesse áspera como madeira. Somente quando haviam bebido até se fartar foi que eles deram água aos cavalos.


 


Mudando de posição na sela, ela tentou aliviar os músculos dormentes dos braços. O couro rangeu, chamando a atenção de Ortega para ela. Seus lábios se abriram num sorriso lascivo ao fitar a frente da blusa.


 


O sol lá em cima estava quente, e o suor escorria profusamente dos seus poros. Ensopava-lhe a blusa, fazendo que o tecido se colasse à pele. Hermione retesou-se, consciente da nitidez dos contornos dos seios, os mamilos projetando-se contra o tecido.


 


A pele ficou repentinamente pegajosa de medo quando Ortega se dirigiu ao cavalo dela. Tentou ser estóica, sabendo que ele adoraria vê-la tremer diante de si. Não conseguiu evitar a contração dos músculos ante o toque das mãos gorduchas, quando ele soltou a corda do arção da sela.


 


Puxou-a da sela com um repelão. Foi uma tática deliberada para fazê-la cair pesadamente nos seus braços. Sua mão agarrou um dos seios da moça. Riu maliciosamente ante o grito abafado de protesto. Hermione tentou recuperar o equilíbrio, que lhe daria forças para opor resistência.


 


O outro homem disse qualquer coisa em espanhol para Ortega. Hermione compreendeu algumas palavras, o bastante para saber que seu outro raptor achava que aquela não era a hora nem o local para Ortega fazer o que pretendia. Mas Neville Ortega continuou a sorrir, enquanto argumentava que os cavalos estavam descansando Hermione se contorcia desesperadamente nos braços dele, os pés mal tocando o chão. O outro homem sacudiu a cabeça e começou a se afastar.


 


Mas Ortega chamou-o de volta, girando Hermione nos braços de modo a que ficasse de frente para o segundo homem. A mão que massageava tão rudemente o seio estendeu-se para agarrar a gola da blusa, rasgando-a de alto a baixo antes que Hermione pudesse detê-lo.


 


O tecido rasgado foi puxado para o lado, deixando à mostra os globos sedosos dos seios, que subiam e desciam rapidamente devido à respiração ofegante e apavorada. A voz de Ortega parecia desafiar o seu comparsa a ignorar o prêmio que haviam capturado.


 


Soluçando de encontro ao lenço, Hermione fez um esforço sobre-humano e conseguiu libertar-se das mãos dele. Tentou correr, mas Ortega agarrou uma das pontas da blusa, rasgando-a mais ainda. O segundo homem segurou-a quando ela tentava fugir daquele a quem mais temia. Enquanto ele a prendia firmemente, Ortega terminou de arrancar-lhe o resto da blusa. Hermione debatia-se feito louca na tentativa de evitar que ele lhe desabotoasse as calças.


 


O homem tinha dificuldades em segurá-la, mas estava conseguindo. Hermione sentiu a ereção apertando-se contra o seu traseiro, e soube que ele a estupraria tão logo Ortega terminasse. As calças já estavam arriadas até as coxas.


 


Hermione deu um chute em Ortega, visando o seu sexo. Ele agarrou o pé antes que pudesse acertar o golpe, e puxou-lhe as calças. Ela agora estava alucinada de medo, berrando o nome de Malfoy sem parar, mas o lenço que a amordaçava impedia que os gritos saíssem.


 


Estava sendo forçada a se deitar no chão, retorcendo-se e debatendo-se como uma cobra sobre carvões quentes. O homem agarrou-lhe os pulsos amarrados, erguendo-os acima da cabeça para impedi-la de se levantar, enquanto Ortega tentava tirar as próprias calças.


 


Houve uma explosão, e subitamente os braços de Hermione não mais estavam imobilizados acima da cabeça. Rolou de barriga para baixo e tentou se levantar. Ortega já corria para os cavalos. Houve outra explosão e Hermione viu-o cair.


 


Sua mente aterrorizada finalmente se deu conta de que a explosão fora um tiro. Virou-se para ver Malfoy entrando na pequena clareira, com o rifle engatilhado. Atrás dele vinham Potter e um terceiro homem.


 


Hermione desabou, soluçando de alívio. Os olhos cheios de lágrimas viram Ortega tentando desesperadamente se arrastar. Houve outro tiro, e ele parou de se mexer. Malfoy estava de pé junto ao corpo, rolando-o de costas com a ponta da bota, o cano do rifle apontando para a cabeça.


 


Então, Hermione percebeu Potter ajoelhado ao seu lado. Tirou a jaqueta e cobriu a sua nudez. Ela agradeceu com os olhos.


 


- Graças a Deus, você está bem - murmurou Potter, e começou a soltar o lenço que lhe amordaçava a boca.


- Não toque nela! - rosnou Malfoy. Os dentes estavam à mostra, como os de um animal, enquanto dava meia-volta e apontava o rifle para Potter.


 


Potter, que o conhecia, parou instantaneamente, com as duas mãos à mostra, enquanto as afastava lenta e cautelosamente dela. Hermione, que o amava, sentiu uma pontada fria de medo ao ver a selvageria gélida estampada em suas feições. A expressão negra e inflexível dos olhos dele era assustadora. Não pôde deixar de crispar-se, insegura, quando ele se dirigiu para ela.


 


Sem dizer palavra, inclinou-se para soltar a mordaça. O toque era suave, mas não alterou a rigidez implacável do maxilar. Um misto de soluço e suspiro de alívio saiu de sua boca, quando o lenço foi retirado. Lágrimas escorriam-lhe dos cílios, mas Hermione não conseguia chorar como tinha vontade. Malfoy enfiou uma faca entre os seus pulsos, cortando a corda que os prendia, antes de endireitar-se e afastar-se. Ela estava entorpecida demais pelo choque para se levantar sozinha.


 


Nem Potter nem o outro cavaleiro ousavam fazer um gesto para ajudá-la. Ficou ali largada, sem saber o que fazer. Queria o conforto cálido dos braços de Malfoy, mas ele parecia envolto em gelo, duro e insensível.


 


Voltou à clareira, trazendo três cavalos e um cobertor. Entregando as rédeas ao terceiro homem, Malfoy caminhou até onde Hermione jazia no chão. Depois de desenrolar totalmente o cobertor, agachou-se junto a ela, usando-o como um biombo enquanto ela retirava a jaqueta de Potter e jogava-a para ele.


 


Hermione sequer tentou ajudá-lo enquanto Malfoy a enrolava no cobertor, como se fosse um bebê. E, como um bebê, tomou-a nos braços e carregou-a até o alazão.


Potter estava parado junto à cabeça do alazão.


 


- E quanto a eles? - fez um sinal para os corpos dos dois homens.


- Deixe-os aí para os animais comerem - replicou Malfoy, por entre dentes cerrados. Virou-se secamente para o terceiro homem e mandou que trouxesse os cavalos dos mortos.


 


Hermione tremeu, e ele apertou mais o abraço, esmagando-a contra o peito. Ela se encolheu mais no cobertor, o único lugar onde parecia encontrar calor. A volta ao desfiladeiro foi longa e opressivamente silenciosa.


 


Ao chegarem à casa, Malfoy desmontou agilmente do cavalo. Ainda carregando Hermione, fez sinal ao vigia para abrir a porta. Por sobre o seu ombro, Hermione viu Potter começar a desmontar, mas Malfoy fechou a porta com um chute no momento em que cruzaram a soleira. Caminhou direto para o quarto, parou junto à porta e colocou-a de pé; suavemente.


 


O rosto dele era uma máscara endurecida, gravada em bronze, com olhos negros frios e sem emoção.


 


- Fique aqui - ordenou Malfoy.


 


Não sabendo se devia tomar as palavras literalmente ou não, Hermione não se mexeu. De qualquer modo, duvidava ser capaz de fazê-lo. Estava atordoada demais com tudo o que acontecera. Ouviu ruídos que ele fazia na cozinha. Fugazmente, Hermione ficou imaginando onde estaria Consuelo, depois lembrou-se da faca furando o peito de Neville.


 


Quando Malfoy voltou, teve vontade de perguntar sobre Neville, mas a pergunta ficou entalada na sua garganta. O vapor se elevava da bacia que ele colocou no meio do piso. Estendeu uma toalha ao seu lado e caminhou para junto de Hermione. Os olhos dilatados, que mal piscavam, fitaram-no enquanto ele tirava o cobertor do seu corpo e o jogava para um lado. Levando-a até a bacia, colocou-a de pé dentro dela.


 


Com um sabonete e água morna, Malfoy começou metodicamente a lavar-lhe cada centímetro com a indiferença de um médico. Hermione permaneceu calada e imóvel, como um manequim, lembrando-se de outra feita, quando fora ela a esfregar o corpo para limpá-lo do toque de Neville Ortega. Talvez Malfoy também se estivesse lembrando daquela vez, e agora a lavava para se desculpar do fato de estar sendo preciso fazer aquilo uma segunda vez.


 


Após enxugá-la, Malfoy levou-a para a cama, deitando-a e cobrindo-a com o cobertor. Sentou-se à beira da cama, ao lado dela, por um minuto. Hermione ansiava para que ele a tomasse nos braços e lhe proporcionasse a segurança e o calor do seu abraço. Olhou, desolada, para os olhos escuros. A indiferença que havia neles era cruel. Teve vontade de suplicar-lhe que a abraçasse, mas não conseguia dizer uma só palavra.


 


Uma lágrima escorreu dos seus cílios, parecendo congelar-se numa gota de cristal na sua face. Ele impou com a ponta do dedo, um músculo se contraindo no maxilar. Sem uma palavra, levantou-se e saiu do quarto. Hermione virou o rosto para a parede e se entregou ao sofrimento. Ouviu a porta da frente se fechando, e cerrou os olhos.


 


Depois que o sol se pôs, Malfoy voltou para casa, trazendo-lhe comida. Hermione tentou recusá-la, mas ele insistiu em que comesse. Foram as únicas palavras que dirigiu a ela. Ela conseguiu engolir um terço da comida, antes de afastar o prato. Ele o pegou e se retirou.


 


Pela manhã, o procedimento se repetiu, só que Hermione comeu menos. Não sabia onde Malfoy havia dormido, mas não tinha sido com ela. Retraiu-se, igualmente, face ao alheamento dele.


 


Mais uma vez, Malfoy saiu da casa tão logo ela comera. Hermione se levantou, incapaz de enfrentar a idéia de que ele a encontrasse na cama pela terceira vez, e olhasse para ela como se fosse uma estranha. Após vestir-se, caminhou até a porta da frente. O silêncio da casa vazia era sufocante. Sentiu-se semi-nauseada.


 


Pensou em sair para o ar puro da montanha, mas o guarda recusou-se a deixá-la sair, sacudindo a cabeça com tristeza, ao fazer sinal para que voltasse para dentro. Era prisioneira de novo, confinada à casa.


 


Inquieta, Hermione andou pela casa, a dor lhe rasgando o coração e deixando-lhe os nervos em frangalhos. Ficava olhando através da janela as sombras que o sol lançava, esperando pelo meio-dia, quando Malfoy lhe traria o almoço. Mas, quando o sol chegou ao auge, foi Potter quem trouxe a comida. Ao vê-lo, o controle de Hermione, mantido;por um fio, desmoronou.


 


- O que deseja? - exclamou, escancarando a porta quando ele bateu. Potter entrou na casa, trazendo uma pequena bandeja.


- Que bom ver que já está de pé. - Os olhos verdes percorreram-na de alto a baixo, numa ligeira avaliação. - Trouxe-lhe um pouco de comida. Malfoy disse que não anda comendo direito.


- Se está tão preocupado, por que não veio ele mesmo trazer a comida? - Enfiou as unhas nas palmas das mãos, a mágoa intensa que sentia libertada com amargura. Hermione nem tinha consciência do que fazia, quando ergueu o braço e derrubou a bandeja, lançando-a com estrondo ao chão. - Não tenho comido porque não tenho sentido fome... e ainda não sinto! Pode dizer isso a Malfoy, já que é evidente que ele nem suporta mais me ver!


- Hermione, não é isso. - Potter sacudiu a cabeça com tristeza, o olhar meigo encontrando-lhe as chamas amarelas nos olhos.


- Não é? - disse ela, a voz sufocada. - Não dirigiu uma palavra a mim, nem sequer me tocou! Nem mesmo pôde dormir na mesma casa, ontem à noite.


- Você não está compreendendo - começou ele.


- Não, não estou compreendendo? - gritou frustrada e magoada. - Onde está ele agora! O que está fazendo? Por que não pode...


 


Estava ficando histérica, a voz entrecortada de soluços Potter segurou-a pelos ombros.


 


- Ele está com Neville, Hermione - disse, severamente. inspirando bruscamente, fitou-o por um instante, depois deu meia-volta. Ele não tentou detê-la, mas Hermione sentiu que a observava quando ela abraçou o estômago revolto. Ondas de náusea a envolveram, mas lutou contra elas.


- Como vai ele? - perguntou, com voz funda.


- Ainda inconsciente. Perdeu um bocado de sangue - respondeu Potter, suavemente. - A faca não atingiu os pulmões, mas não sabemos que danos internos causou.


 


Hermione deixou pender a cabeça, cerrando os olhos com força.


 


- É tudo culpa minha. Se não tivesse tentado alertá-lo, poderia ter visto a faca na mão de Ortega.


 


Ele colocou um dedo sob o queixo dela, levantando-o.


 


- Não pode se culpar, Hermione. Neville sabia que não podia tirar os olhos de cima de Ortega nem por um segundo. Mas no modo como ele pronunciara as últimas palavras fez que olhasse para ele.


 


- Sabe o que aconteceu?


 


Potter meneou a cabeça afirmativamente.


 


- Neville estava consciente quando o encontramos. Como, não sei. Conseguiu arrastar-se até o lago. Malfoy, eu e o guarda o encontramos quando fomos procurá-la. Alguém tinha contado a Neville que vira Ortega e Chávez tirarem três cavalos do curral. Neville ficou desconfiado e começou a segui-los. Foi então que deparou com vocês três.


 


 Ela estremeceu, lembrando-se.


 


- Quando eles derrubaram Neville, não pensei que houvesse alguma chance de vocês nos alcançarem antes que eles...


 


Potter não lhe deu chance de terminar a frase, tomando-a nos braços.


 


- Malfoy conhece essas montanhas como a palma das mãos. Logo que viu a trilha que estavam tomando, utilizamos atalhos para interceptá-los.


 


A cabeça de Hermione apoiou-se de leve no seu ombro, encontrando algum conforto no abraço. Ele embalou-a suavemente.


 


- Agora tudo acabou.


 


Hermione murmurou. Pensando no alheamento cortante de Malfoy, Hermione negou com voz tensa:


 


- Não de todo. Malfoy...


 


A porta da frente se abriu e ele entrou, parando de chofre ao ver Hermione nos braços de Potter. A máscara que cobria as feições se derreteu enquanto chamas escuras de raiva ardiam-lhe nos olhos. Suavemente, Potter afastou Hermione de si, e retribuiu sem temor o olhar irado.


 


- Contei a Hermione sobre Neville - falou, à guisa de explicação, depois passou calmamente por Malfoy e saiu.


 


Malfoy continuou a fitar Hermione, conseguindo controlar aos poucos a raiva. O olhar se desviou súbita e significativamente para a bandeja de comida espalhada pelo chão junto aos seus pés.


 


- A comida foi preparada para ser ingerida, não para ser jogada ao chão - disse gelidamente. Poderia ter suportado a raiva, mas essa indiferença gélida a deixava fora de si.


- Coma-a você mesmo! - gritou Hermione. - Não a quero!


 


Ele pareceu esticar-se até o máximo de sua altura, frio e reservado.


 


- Vamos deixá-la para as baratas, então.


 


Malfoy começou a se afastar, mas Hermione não podia deixá-lo ir-se. Agarrou-o pelo cotovelo para impedir a sua saída. Ele parou, olhando para ela, enquanto os olhos dela perscrutavam-lhe o rosto em busca de alguma indicação do motivo do seu comportamento para com ela.


 


- O que é, Malfoy? O que há de errado? - perguntou, ansiosa. - O que foi que eu fiz? Culpa-me pelo que aconteceu a Neville? Acha que fui com Ortega de boa vontade?


 


Hermione lembrava-se de como estivera certa de que a informação do cavaleiro lhe dizia respeito. Ele puxou pelos ombros contra si.


 


- Você devia recriminar-me pela minha estupidez, Hermione - disse Malfoy, a respiração agitando-lhe o cabelo. - Quase custou a vida de um bom homem e amigo leal seu... Neville ainda pode morrer. Não sei. E quase a jogou nas mãos de um homem que teria abusado de você com a sua luxúria. - A voz dele estava áspera, com uma raiva selvagem que se voltava contra si próprio. - Mereço o seu ódio e a sua desconfiança, por falhar em protegê-la quando a forcei a aceitar a minha proteção, levando-a para a minha cama. Vi o modo como você se encolheu diante de mim lá nas montanhas, o medo que havia em seus olhos quando olhou para mim.


 


- Eu estava com medo - admitiu Hermione, apoiando-se nele, fechando os olhos -, com medo daquela fúria fria em seus olhos. Mais tarde, pensei que você me culpasse pelo que acontecera. Não o odeio. Como poderia?


 


Teria acrescentado “quando o amo tanto”, mas ele já reclamava os lábios dela num beijo firme e possessivo. Hermione abraçou-lhe o pescoço, enquanto ele a tomava nos braços e a levava para o quarto. O calor do abraço fez com que ela esquecesse a angústia anterior. No entanto, faltava alguma coisa. Hermione percebeu isso, depois de alguns dias. Eles não haviam recuperado aquela magia especial que os unia antes do incidente. Havia uma parte de si mesmo que Malfoy não entregava. Primeiro, tentou convencer.se de que, quando Neville demonstrasse sinais de recuperação, Malfoy voltaria a ser o mesmo. Mas isso não aconteceu. Neville ainda estava muito fraco, mas começava a reagir aos cuidados amorosos da mulher, Consuelo. E, ainda assim, havia vezes em que Malfoy se escondia por trás de um olhar velado, examinando Hermione em silêncio, como se esperasse descobrir alguma coisa. Esses momentos a deixavam preocupada, não importando o quanto tentasse ignorá-los.


 


A parte dele na cama estava vazia. Quando Hermione acordava, era raro encontrar Malfoy ali. Acordava com o sol, deixando-a dormindo. Uma dor de cabeça pressionava-lhe as têmporas. Hermione franziu a testa e tentou afastar a dor, esfregando o local com a ponta dos dedos. Passos leves entraram no corredor. Hermione virou a cabeça na direção do som, mexendo-se depressa demais, e uma súbita tontura deixou-lhe o rosto sem cor. Consuelo apareceu à porta do quarto, sorrindo.


 


- Buenos dias, Hermione.


- Buenos dias. - O cumprimento soava débil aos seus próprios ouvidos. - Como está passando Neville hoje?


 


Houve uma afirmação, em espanhol, de que estava muito melhor, antes que Consuelo estalasse a língua para Hermione e implicasse com ela por alguma coisa. Hermione franziu a testa, certa de que não havia compreendido a mulher. Culpou a dor de cabeça atordoante, concluindo que afetara a sua concentração.


 


- O que disse, Consuelo? - pediu, para que o comentário fosse repetido. A repetição não aumentou sua compreensão das palavras em espanhol. Consuelo tentou de novo, combinando-as com pantomima e mímica. A boca de Hermione abriu-se de espanto quando Consuelo embalou uma trouxinha imaginária nos braços, apontou para Hermione e disse “bebê”.


- Não é possível - protestou Hermione, com uma exclamação abafada. Mas um raciocínio rápido fez que visse que era mais do que possível. Era provavelmente verdade. Estava grávida. Passou a mão na barriga, como se pudesse sentir o bebê que crescia dentro de si.


 


A barriga estava lisa e macia como sempre. Por enquanto. Como fora ingênua em não ter suspeitado, pensou Hermione, com raiva. Um mês e meio, dois meses. Deus, nem conseguia se lembrar.


 


Imediatamente, Consuelo notou que Hermione não havia percebido. A meiga mulher se apressou a tranqüilizá-la, dizendo que a notícia era maravilhosa. Hermione compreendeu mais pelo tom de voz da mulher do que pelas palavras em si. Por um momento, só pôde sentir choque e confusão. Depois, entendeu um comentário referindo-se à satisfação que Malfoy sentiria. E de repente Hermione deu-se conta de que ele teria que saber que ela esperava um filho seu.


 


Deu um jeito para que Consuelo saísse do quarto, para ficar sozinha e pensar direito na descoberta. Uma parte dela resplandecia com a idéia de ter um filho de Malfoy no ventre. Mas também havia medo... medo, porque não havia médicos naquela região. Estaria dando à luz uma criança sob condições que podiam apenas ser classificadas como primitivas.


 


Quanto a Malfoy, desejava-a agora, que era bonita e tinha um belo corpo. Mas quanto tempo duraria o desejo, quando a barriga ficasse do tamanho de um melão, e as suas pernas compridas parecessem tão graciosas quanto a de uma pata desajeitada!


 


Hermione começou a chorar.

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Comentários: 1

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Enviado por Vanessa Gomes em 30/06/2011

Nossa to chorando horrores aqui!! Como o malfoy pôde deixar de abraçar e consolar ela depois de tudo o q aconteceu?? Que raiva dele...

Eu tinha pensado no meio do cap que era meio impossível mesmo ela não estar grávida ainda. Enfim, acho q isso não vai prestar...

Aaah claro que entende que é meio complicado pra escrever do ponto de vista do malfoy, mas que ia ficar maravilhoso ia... Enfim, quem sabe quando vc terminar suas outras longs... eu não me importo de esperar! HAUSHAUHSAUSHUAHSUAH

Bom, espero que o próximo cap venha logo... bjoos

PS: desculpa não ter comentado o cap passado, mas to tão cheia de coisas pra fazer que fazia quase um mês que eu não mexia no computador... ;)

Nota: 5

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