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12. Capítulo XII


Fic: Harry Potter e a Wendelin Phoenix.


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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A única coisa que ela pensou em fazer naquele momento foi correr para o seu quarto. Ela sabia que tinha informações a compartilhar com Hermione e com a tia, mas naquele momento havia uma vida correndo perigo e a responsabilidade era inteiramente sua.


“E da insistente teimosia e vontade de se provar dele”, ela suspirou.


E, ela lembrou, poderia contar a elas a identidade do bruxo que vinha cometendo todos aqueles assassinados quando voltasse.


Abriu o armário que Harry designara para ela e pegou o primeiro sobretudo que pôde alcançar, colocando-o por cima do vestidinho de verão que usava.


De frente para o espelho, tirou a cortina de cabelos loiros ondulados de dentro do sobretudo, jogando-os sobre as costas. Seus olhos pousaram na imagem refletida, exatamente sobre a sua barriga. Sabia que era arriscado sair àquela hora da noite, principalmente com uma barriga daquele tamanho e àquela altura da gravidez.


O médico lhe dissera que o bebê podia nascer a qualquer momento a partir daquele dia, já que era grande demais para o tempo de gestação. Ela fechou os olhos e procurou livrar-se daqueles pensamentos. Agora existia uma coisa que lhe importava mais do que a própria vida.


Era egoísta pensar daquela maneira, era como se a vida do bebê que não importasse para ela. E como importava! Ela preferia morrer a colocá-lo em perigo.


Um dilema, um impasse. Estava entre as vidas das pessoas que mais importavam em sua existência: seu noivo e sua filha. Mas o que ela podia fazer? Viver sem um deles seria demais para ela e, pior, não se perdoaria se algo acontecesse a Harry. A culpa seria dela, afinal! Se ele não tivesse encontrado aquele papel, certamente ela não teria que se preocupar daquela maneira.


Desceu as escadas o mais rápido que pôde, tomando o máximo de cuidado para manter o equilíbrio.


Ela se perguntava se ele sabia onde estava indo, se ele sabia a quem pertencia aquela casa... Se ele sabia o perigo que estava correndo indo até lá.


Pegou o celular e discou o número de Harry. Caixa postal. Respirou fundo e tentou Scott. Chamou e ninguém atendeu. Tentou de novo. Nada. Enviou então uma mensagem de texto:


KENSINGTON, High Street, 30


Esperava que ele entendesse o recado.


Correu para a garagem e pegou as chaves de seu BMW X6 vermelho. A vaga do Maserati Gran Turismo preto de Harry estava vazia.


Dirigiu então para o endereço, uma mão no volante e outra na barriga. Diminuiu a velocidade dez minutos depois.


O carro de Harry não estava ali. Aquilo a preocupou, mas não tanto quanto encontrar a casa completamente escura e fechada. Perguntou-se se seria poupada pelo fato de ser sangue-puro e estar grávida e um frio correu por sua espinha.


Permaneceu dentro do carro por mais alguns minutos, esperando por qualquer sinal de movimento suspeito dentro ou fora da casa. Nada. Ela viu carros passarem com certa regularidade na rua, mas o movimento logo foi diminuindo e aos poucos ela percebeu que perigoso seria se ela ficasse ali, sozinha, dentro do carro.


Tirou tudo o que poderia representar algum valor do campo de visão de quem estava fora do veículo para dentro dele, colocando sob os bancos estofados ou no porta-luvas. Sabia que não era necessária tal medida àquela hora da noite quando se tinha películas quase impenetráveis e negras nos vidros, mesmo assim o fez.


Ela não era materialista; nunca ligara para todo o dinheiro que sua família tinha, mas seu carro era o seu xodó particular.


Saltou, por fim, levando somente as chaves consigo – e a varinha no bolso interno do sobretudo.


Destrancar a porta foi, sem dúvida, a parte mais fácil, mas não teve dificuldades em lidar com o escuro também – estava acostumada, como boa auror que era. A varinha, que sacara ainda do lado de fora, ia bem firme em sua mão.


Era uma casa comprida, embora não fosse larga, o que tornava os corredores mais compridos que o normal. Mas o que não ajudava, principalmente nas condições físicas em que se encontrava, era o fato de a casa possuir três andares.


“Escadas”, ela pensou desgostosa.


Com os olhos atentos e os ouvidos apurados, caminhou até o fim do corredor. Naquele primeiro andar estavam três salas e a cozinha, todos diretamente interligados sem nenhuma parede para separá-los – e vazios.


Subiu as escadas mais lentamente do que o necessário. Dessa vez encontrou duas portas pelo corredor, este sensivelmente mais curto do que o anterior por conta de um espaço razoavelmente grande e aberto onde se encontravam colunas embutidas às paredes, repletas de livros.


Ao arrastar-se pelo corredor, abriu a primeira porta. Tratava-se de um pequeno gabinete com direito a escrivaninha, tevê, frigobar, computador e mais prateleiras. A segunda porta, já no final, era um banheiro grande, pelo menos maior do que um convencional. Aquele andar estava vazio também.


A escada que levava ao terceiro pavimento ficava localizada na saleta aberta, por isso ela teve que voltar ao início. Antes de subir, olhou para cima e só então notou que aquela sala fora elaborada para ser completamente aberta, livre de teto ou paredes que a limitassem. Ela tinha uma visão boa do que a aguardava no andar superior: a escuridão.


Isso não a intimidou, mas saber que ali podia haver alguém que já estava ciente de sua presença e estava acompanhando cada passo que dava de camarote não a agradava muito.


Levou a mão ao corrimão e apoiou-se. A escada era em espiral e ela tinha traumas quanto a isso – simplesmente odiava escadas, principalmente aquelas, que não lhe forneciam segurança alguma. Começou a subir os degraus de mármore polido, procurando manter os pés firmes sobre eles. Chegou ao último com um suspiro de alívio.


Deu um passo à frente, pronta para seguir em sua busca, e esbarrou-se em algo duro, algo que não tinha a consistência de uma parede... em alguém.


Todo o resto aconteceu muito rápido.


Tomada pelo instinto de proteção, deu um passo para trás e percebeu que estava sem chão.


Tudo girou e sentiu bater em vários obstáculos até que finalmente a queda cessasse. E a última cena que viu foi uma figura encapuzada descer as escadas apressada, agachar-se ao seu lado, tocar seu pulso e depois sua testa com a mão gélida e delicada, murmurar algumas palavras e, com um estalido, desaparatar.




---




1h18m


Ele pegou o celular no bolso para tirá-lo do silencioso. Estivera num jantar com Liah e suas famílias antes que seus pais voltassem para a Bulgária – e Liah detestava quando o celular dele tocava durante esses encontros.


 Sua testa enrugou-se ao abrir o flip.


2 chamadas perdidas


“Era de se esperar”, pensou. Mas ele começou a se preocupar quando viu de quem eram as ligações.


Karen Priestly


Se Harry queria falar com ele, por que não ligara de seu celular? Ele nunca ligava do celular de Karen. Ele teria esquecido? Não, Harry nunca esquecia o celular. Aquilo estava estranho.


- O que foi, Scott? – Liah indagou.


Ele levantou o olhar para ela e rapidamente voltou sua atenção para o aparelho telefônico, sem responder. No visor aparecera outra informação:


1 mensagem recebida


E também era de Karen. Abriu para ler.


KENSINGTON, High Street, 30


Era um endereço, nada mais.


“Ok, isso está ficando realmente estranho”, ele pensou.


- Scott Johan Olivier, se você não me responder... – Liah ameaçou.


- Eu preciso sair – ele interrompeu-a.


Liah encarou-o boquiaberta.


- Aonde você vai? – sua voz era baixa, mas exigente.


- Não muito longe.


- Não foi o que eu perguntei.


- Eu já volto – ele deu um selinho na esposa e virou-se.


- Você desvia de balaços tão bem quanto se desvia de perguntas?


Scott não respondeu; ele já havia batido a porta atrás de si. Não queria perder tempo dirigindo, então aparatou ali mesmo.


Correu para a porta da casa que o endereço indicava. Forçou a maçaneta, que abriu facilmente. “Péssimo sinal”, seus lábios se comprimiram numa linha estreita. Ele correu rapidamente, procurando algum sinal de vida naquele lugar. Ouviu alguns gemidos vindos do andar superior e seus olhos arregalaram.


A voz era falha, como se a boca da pessoa estivesse cheia de água ou como se ela estivesse se engasgando. Havia dor naquela voz.


- Harry? – ele chamou. – HARRY?


Precipitou-se para as escadas, subindo os degraus de dois em dois.




---




Ele acabara de chegar ao endereço que encontrara no envelope. Estudou a casa por alguns instantes, do alto para baixo e percebeu algo estranho quando seus olhos alcançaram a porta: ela estava aberta.


Seus olhos vagaram para um ponto mais adiante na rua e ele viu algo que realmente o preocupou.


O BMW X6 vermelho de Karen estava parado no outro lado da rua, mais à frente.


Bufou e saltou do carro, batendo a porta com força sem se preocupar em trancá-lo ou qualquer outra coisa. Correu para dentro da casa.


- Harry? – uma voz grave chamou seu nome. – HARRY?


E um movimento no final do corredor alarmou-o. Ele reconhecia aquela voz, reconheceria em qualquer lugar. Scott.


Alcançou o final do corredor sem muito esforço e subiu as escadas apressado.


A visão que teve fez com que se apavorasse. Sentiu uma onda de pânico invadir o seu peito e ele jogou-se para frente, caindo de joelhos ao lado do corpo de Karen, agora sendo examinada por Scott, que ergueu os olhos para ele, a expressão preocupada.


- O que aconteceu?


- E-eu... eu ca-caí... – ela esforçou-se para responder.


Ela apertava a barriga com força e parecia sentir muita dor.


- Você está bem? O que está sentindo? – Harry se aproximou dela, colocando a mão sobre sua barriga e depois olhando ao redor dela, procurando sinais de machucados ou de sangue.


- A bolsa de água estourou, Harry – foi Scott quem respondeu.


E Harry continuou afagando o corpo da noiva até que sentiu o vestido úmido sob sua mão.


- Temos que ir direto para o St. Mungus, ela precisa de atendimento médico – o moreno sentenciou. – Pegue as chaves do carro dela e o deixe em minha casa. Eu a levo em meu carro para o hospital.


- Tudo bem – Scott se levantou e ajudou Harry a erguer Karen do chão.


- Como chegou aqui? – ele perguntou ao amigo.


- Ela tentou falar comigo, mas não conseguiu, então mandou uma mensagem de texto com o endereço – Scott respondeu. – Acho que ela veio à sua procura.


Harry baixou os olhos e balançou a cabeça negativamente.


- Vamos!


Eles se apressaram em descer as escadas com cuidado. Ao final, Harry pegou-a no colo e Scott apressou-se em sair dali.


Já no carro, Harry podia ouvir a respiração inconstante da noiva. Ela tinha os olhos fechados, as duas mãos em torno da barriga e parecia concentrada em seu exercício respiratório.


Quando chegaram ao hospital bruxo, Harry solicitou uma maca e deixou para preencher o formulário de internação assim que Karen fosse devidamente atendida.


Thomas Haase foi quem cuidou dela, acompanhado de Keira Newbie – prima de Karen –, Luna Lovegood e o restante de sua equipe.


- Eu receio que tenhamos que levá-la para o centro cirúrgico agora – o doutor informou. – Keira, providencie para que todo o material esteja pronto em dez minutos. Teremos que fazer uma cesariana de emergência ou...


- Ou o quê, doutor? – Harry indagou.


- Ou o bebê pode morrer, Harry – foi Keira que respondeu, os olhos preocupados. – Com licença – ela saiu.


- Ela sofreu alguns traumatismos com a queda, mas nada muito grave – Haase começou. – Mas devo avisar que o parto é de risco ainda assim. Não sabemos que conseqüências a queda pode trazer para ela ou para o bebê.


A maca foi levada e Thomas Haase se aproximou de Harry, colocando a mão sobre seu ombro.


- Espere! – Karen reunira todas as suas forças para erguer-se e dizer aquilo. – Harry...


Harry caminhou apressado para alcançá-la.


- Nena, não faça esforços – ele afagou seus cabelos. – Vai ficar tudo bem – ele garantiu, sem confiar muito nas próprias palavras.


- Har-Harry – ela arfou. – Her... – ele a viu engolir em seco e respirar com dificuldade.


- Nena – ele repreendeu e olhou ternamente para ela.


- Her-hermi... Hermi-o... Hermione, Harry – ela conseguiu dizer. – E-ela... – Karen fechou os olhos.


- Não diga mais nada, Karen – ele pediu, trincando os dentes. – Levem-na – ordenou para os curandeiros.


- Não! Espere – ela pediu novamente e estendeu a mão para ele. – Eu te amo, Harry. E, se al-algo acon-contecer a mim...


- Não vai acontecer nada com você, Nena...


- Di-diga à nos-nossa fi-filha que eu a ame-mei muito – ela gaguejou.


Harry contraiu o maxilar e desviou os olhos.


- Pro-prometa, Harry – Karen insistiu.


- Eu farei – ele garantiu antes que os curandeiros se afastassem e suas mãos se separassem. – Eu te amo, Nena – ele murmurou para si mesmo ao ver a equipe de Thomas Haase se afastar levando-a.


Ele observou o medibruxo sumir no fim do corredor. Scott apareceu logo em seguida.


- E então? – ele indagou preocupado.


- Acabaram de levá-la para o centro cirúrgico – Harry informou com a voz rouca.


Ele deixou-se escorregar pela parede até que estivesse sentado no chão, os olhos cobertos pelas mãos.


“Eu gostaria que nascesse antes de o início do mês, mas pretendo fazer parto normal”, ela dissera.


Bem, o primeiro desejo tinha sido concedido com o inverso do segundo.


Ele permaneceu ali no chão por quase duas horas. Scott estava sentado numa cadeira próxima, Liah ao seu lado – ele ligara para ela enquanto levava o carro de Karen até a sua casa.


Hallie Priestly, Elizabeth e Brittany Newbie também estavam ali. O silêncio era total.


Harry lembrou-se das palavras que Karen lhe dissera. Entre elas, ela citara Hermione. Ele perguntou-se como ela soubera...


No entanto, seus pensamentos foram cortados quando alguém murmurou que o doutor se aproximava. Ele se pôs de pé, acompanhado dos outros. Harry pôde notar que Keira não estava com ele. Todos esperavam, ansiosos, pelas palavras dele; elas não vieram de imediato.


- Como elas estão, Thomas? – Elizabeth Newbie foi quem indagou.


- A menininha está na maternidade tirando as medidas e tomando o primeiro banho – ele começou. – Nasceu saudável, com 51cm e quase 4kg – acrescentou. – Mas quanto à Karen... – Thomas Haase comprimiu os lábios e baixou os olhos por alguns instantes. – Ela sofreu uma hemorragia após o parto, uma grave hemorragia, e não resistiu – ele concluiu e Harry pôde ver Brittany e Elizabeth Newbie abraçando Hallie, a gêmea de Karen. – Eu já havia considerado a hipótese por conta da queda... Eu sinto muito.


O médico baixou os olhos novamente e se retirou.


Harry estava completamente sem reação. Sentiu Scott dar tapinhas de leve em seu ombro, o rosto desolado... A expressão vazia de Liah, em choque.


Karen tinha vinte e seis anos...


Os flashes e a voz de Karen ecoavam em sua mente. O dia em que ele soube que ela estava grávida, a viagem à Suécia para contar aos pais dela, o dia em que eles começaram a arrumar o quarto do bebê em sua casa, o primeiro exame, o primeiro chute, o passeio ao parque àquela tarde...


Ou o simples sorriso dela, aquele assim, meio de lado... O modo como seus olhos eram penetrantes e vívidos...


Ele estava no chão de novo, os olhos fixos num ponto qualquer, arregalados. Ele tinha a sina de perder aqueles que amava, só podia ser. Primeiro seus pais, depois Hermione e agora Karen. Sentiu repulsa de si mesmo.


Despertou de seus pensamentos quando ouviu alguém chegar afobada.


- Harry! – era Amy.


Ela correu para ele e se ajoelhou ao seu lado, abraçando-o.


- Harry, eu vim assim que soube! – ela murmurou, procurando os seus olhos.


O moreno olhou-a com ceticismo.


- Assim que soube? – ele riu com sarcasmo.


- Eu vi, Harry. Nunca acontecera nada parecido comigo antes, mas eu vi o que estava acontecendo – ela tinha um olhar desolado. – Como você está, meu irmão? – abraçou-o mais apertado dessa vez.


- Em choque – ele respondeu, baixando os olhos.


- Eu sinto tanto... – Amy tinha os olhos molhados. – Ninguém esperava isso, Harry. Eu sei que você está cansado de me ouvir repetir isso, que eu disse e repeti milhares de vezes seis anos atrás...


- Ela falou de Hermione – Harry interrompeu e levantou os olhos de repente.


Amy arregalou os olhos, surpresa.


- O-o quê? – indagou, gaguejando.


- Antes de ir para o centro cirúrgico. Ela parecia saber alguma coisa sobre Hermione – o moreno confirmou.


“Ela não conseguiria”, Amy pensou desgostosa.


- E como está sua filha, papai? – ela mudou de assunto.


- Como você sabe? – ele perguntou, surpreso.


- Eu preciso mesmo responder? – Amy deu um sorriso triste.


Naquele exato momento Keira apareceu. Ela não usava mais o jaleco branco, seus cabelos estavam soltos novamente e ela carregava uma grande bolsa no ombro. Tinha uma aparência desoladora.


- Keira, querida – Elizabeth a abraçou e Harry pôde ver a loira soluçar nos braços da mãe.


- Eu não consigo acreditar, mamãe – ela se afastou, as mãos no rosto, enxugando – em vão – as lágrimas que teimavam em cair. – Ela estava tão cheia de vida, tão linda... – e Keira caminhou em direção a Harry. – Eu sinto tanto, Harry.


- Eu sei, Keira. Ela era sua prima! Você era tão ligada a ela quanto eu. Vocês cresceram juntas! – Harry estendeu as mãos para ela e apertou-as com firmeza. – Eu também sinto muito. Eu a amava – ele concluiu e, finalmente, as lágrimas invadiram seus olhos.


- Harry? – Hallie se aproximou e Harry nada disse, apenas aceitou o abraço que ela lhe oferecia.


Todos esperaram que ele se acalmasse.


- Tome, Harry – Scott estendeu um copo com água para ele.


- Obrigado – Harry bebeu de olhos fechados, sentindo o líquido percorrer todo o seu aparelho digestivo.


- Eu consegui tirar uma foto dela com a filhinha... – ele ouviu Keira, ainda com um ar triste, dizer à prima, à mãe e à irmã enquanto remexia a bolsa. – A menininha é tão linda!


- Onde ela está? – Harry perguntou, subitamente e todos se voltaram para ele.


- No berçário. Acho que já pode vê-la – Keira respondeu.


- Eu vou com você, Harry – Amy anunciou.


Harry se despediu dos demais e juntou-se a Amy novamente. Eles seguiram juntos para o berçário. Ficaram observando os bebês que ali estavam, sem conseguir identificar quem era a menina. Era difícil lidar com aquela situação, com aquele bolo de sentimentos indigerível. De um lado o nascimento de sua filha, do outro a perda da mãe dela.


- Ela é aquela ali – Keira se aproximou, apontando o bebê que estava no colo de uma curandeira. – Tem os olhos verdes – anunciou com um sorriso triste no rosto.


“Eu realmente espero que ela tenha os seus olhos”, a voz de Karen ecoou em seus ouvidos e ele fechou os olhos, sorrindo brevemente com a lembrança daquela tarde que agora lhe parecia tão distante.


- Eu posso carregá-la? – Harry perguntou algum tempo depois.




- Venha comigo – Keira chamou-o e eles seguiram pelo corredor até um toalete.


Ela lhe apontou uma caixa na parede e ele apertou o botão, passando o álcool em gel nas mãos e esfregando-o sobre toda a extensão de sua pele, vestindo um avental verde piscina em seguida.


- É descartável – ela informou antes de entrar no berçário e trazer a filha dele no colo.


- Ela é linda, Harry – Amy lhe disse. – Parabéns – desejou, sem jeito.


Harry acenou levemente e tomou a filha dos braços da medibruxa.


- Tome – Keira lhe estendeu uma mamadeira. – Eles tiraram o que puderam dela antes de levá-la...


O moreno sabia exatamente para onde levaram o corpo de sua noiva. Mas tentou não pensar naquilo. Seus olhos voltaram-se para a pequena que estava em seu colo, os olhinhos miúdos quase fechados, entorpecida pelo sono. Ele deu-lhe a mamadeira e ela, instintivamente, sugou o conteúdo.


Harry sorriu ternamente, um sorriso que ainda tinha suas marcas de tristeza, e virou-se para procurar Amy. Ela sumira.


- Ela foi trocar-se para poder pegá-la – a loira murmurou. – Você tem que dar um nome a ela – a loira continuou, apontando a ‘sobrinha’.


Harry pareceu pensar. Não se lembrava de Karen ter dito um nome de sua preferência. Eles sequer conversaram a respeito de nomes... Preferiram deixar para dar um nome ao bebê quando ele nascesse.


- Zoe – ele anunciou, por fim.


- Zoe – Keira repetiu. – É um bom nome. Grego, não é?


Ele assentiu.


- Significa vida.

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