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8. the other side


Fic: Money Honey - Astoria e Draco - COMPLETA


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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The other side


Alguns dias depois que comprei uma nova varinha, fui visitar meu tio na prisão em Londres. Não era um lugar como Azkaban. Na verdade, não era tão terrível assim, pois não era exatamente uma prisão de bruxos. E quando entrei no prédio e os policiais me levaram até sua cela, Frank Greengrass estava jogando xadrez animadamente com um colega de prisão, careca, gordo e forte.


– Essa foi uma bela jogada, Eugênio, mas... hum, cheque-mate – ele disse, rindo assim que derrubou o rei do adversário. Eugênio deu um soco na mesa.


– Tio? – estranhei. Quando ele me viu, ficou tão surpreso que nem ligou que Eugênio tivesse quebrado seu tabuleiro.


– Astoria, querida, o que faz aqui?


– Eu não sei o que eu estou fazendo aqui, na verdade. O senhor foi preso por apostar dinheiro? Isso não faz sentido.


– Era dinheiro roubado. Não que eu tenha roubado. Mas os caras me enganaram, eu fui bobo e ingênuo.


– Você não devia estar preso.


– Sim, devia. Além disso, eu não pagava as contas do bar no dia certo.


– Tio, isso é um desastre.


Claro, porque podia ser muito bem evitado.


– Mas não se preocupe comigo, Astoria, eu estou melhor do que você pensa. Fiz vários amigos. – Ele me apresentou a Eugênio, que havia sido preso por ter dormido enquanto estava dirigindo e atropelou um cara inocente no meio da rua. – Aqui não é tão ruim. Não há dementadores, pelo menos. É só algum tipo de castigo...


Eu estava achando aquilo bizarro, mas resolvi apenas assentir e concordar.


– Por quanto tempo ficará aqui? – perguntei.


– Por mais alguns dias. Você está cuidando bem da casa?


– É... – hesitei. – Sim.


Exceto que não entro nela há um bom tempo.


– Sinto muito deixá-la sozinha. Não encontrou nenhum emprego?


– Estou resolvendo isso. Tentei algumas lojas ou livrarias no Beco Diagonal, mas... não estão contratando ninguém.


– Escute, quando eu sair daqui, vou recuperar meu dinheiro e pagar todas as contas que não paguei. E voltarei a ter meu bar. Você sabe que será sempre bem-vinda a trabalhar.


– Obrigada – eu disse, embora não quisesse voltar a trabalhar por lá.


– Eu tenho um emprego muito bom para você, moça – disse Eugênio. – Lá fora, tenho um amigo, ele é cafetão e...


– Eugênio! – exclamou meu tio. – Esta é a minha sobrinha.


– Desculpa, coroa. Mas – ele olhou sinceramente para mim – você parece ter... jeito! Entende? Ganharia muito dinheiro com isso.


– Acho melhor eu já ir embora – falei, pestanejando. Meu tio girava os olhos. – Tchau, tio Frank.


– Desculpe por isso.


– Nah – dei de ombros. – Ele tem razão. Não é como se eu já não tivesse tentado.


Ele me olhou como se eu tivesse assassinado alguém.


– Brincadeira – esclareci, com medo que ele tivesse acreditado. Draco estava me infectando; fiquei meio preocupada. – Não se preocupe com isso. Estou ótima.


Ele abanou a cabeça.


– Mesmo se não estiver brincando, a vida é sua, você decide o que quiser, Astoria. Eu nunca fui um bom exemplo de tio. Desde que sua tia faleceu... Ando desastrado. Esqueço das coisas. E estou ficando velho...


– Você devia ter falado isso para os guardas. Assim você não seria preso.


– E eles iam me levar para um asilo! Nem pensar.


Eu ri. As prioridades do meu tio eram sempre estranhas. Não que ele fosse muito velho. Estava na faixa dos cinqüenta e nove. Mas ele preferir a prisão a um asilo? Ah, era estranho.  Mas só me despedi dele, um pouco ressentida quando fui embora e não contei que eu estava me envolvendo com Draco Malfoy... e com sua família também. Não sei o que ele pensaria sobre isso. Eu estava me aproveitando porque eles tinham dinheiro e uma mansão incrível? Eu estava me vendendo? Eu estava pagando de prostituta particular? Não estava preparada para saber. Eu já havia entrado nisso; seria difícil me livrar.


Draco me levou para almoçar naquela tarde. Ele veio me dizendo que estava cansado da comida de sua mãe. E que ele queria fazer algo diferente. Por isso, estávamos caminhando no Beco Diagonal naquele momento. Era fácil para mim; revia alguns ex-colegas que falavam oi com sorrisos animados. No entanto, ao ver quem estava ao meu lado, o sorriso meio que desaparecia e eles continuavam seus caminhos, sem parar para conversar ou saber como as coisas estavam. Em parte, eu gostava disso porque eu estava em uma época que contar as novidades exigiria muita mentira e dissimulação. Isso esgotava. Mas, por outra, eu sentia a rigidez de Draco enquanto ele passava por alguém, e era intrigante.


Quatro anos. Fazia quatro anos desde a batalha em Hogwarts, desde o ano em que Harry Potter derrotara Lord Voldemort. Quatro anos... quando eu tinha quinze anos, achava que quando chegasse esse momento – a paz –, as pessoas teriam voltado a rotina dizendo que tudo estava bem. Mas não chegava nem perto disso. Algumas construções no Beco Diagonal ainda estavam destruídas. As lembranças ainda eram nítidas demais na mente delas. Elas agiam como se agora quisessem se vingar de tudo e haveria aquela marca na pele de cada um de nós até o fim dos tempos.


– Talvez da próxima vez eu deva pintar o meu cabelo antes de sair por essas ruas – ele disse, cutucando o prato delicioso de bife e macarrão que pedimos no restaurante. Aquele lugar pelo visto não tinha problema com Comensais.


– Se você quiser parecer um covarde a si mesmo... – falei, descontraída, mas queria que o comentário o afetasse.


De que adiantaria Draco ter sobrevivido a tudo... só para ficar se escondendo?


Talvez ele também pensasse isso, porque ele nunca chegou mesmo a pintar o cabelo. No máximo, apenas um corte.


Quando acabamos de almoçar, quis comprar um sorvete e mesmo que Draco insistisse em pagar tudo, eu não aceitei. Eu ainda tinha galeões e níqueis suficientes para me alimentar, é claro, eu não estava necessitada ou passando fome. Aos poucos, comecei a notar que ele achava que, pagando as coisas para mim, o fizesse se sentir uma pessoa melhor.


– Você já pensou em doar dinheiro a uma caridade ou um orfanato? – perguntei e ele ergueu uma sobrancelha. Achei que ele ia responder algo do tipo “Eles não transam comigo”, mas Draco apenas disse:


– Estava apenas tentando ser cavalheiro nesse encontro.


Ele não entendeu porque comecei a rir.


– Não acho isso engraçado – ele disse muito sério.


– Então... – me recompus – estamos saindo juntos? Como namorados? Se sim, devíamos ficar de mãos dadas.


– Eu posso namorar do jeito que quiser.


E deixou isso bem claro, continuando a andar com as mãos no bolso da calça. Não me importei. Nem mesmo eu sabia como era namorar. Já tive alguns garotos que ficavam no meu pé durante o quarto e quinto ano de Hogwarts, mas não era como se eu realmente gostasse disso. Então não reclamei.


Draco parou de andar subitamente. Eu estava a uns cinco passos a frente dele quando notei isso. Me virei, curiosa para saber o que aconteceu.


– Veja – ele disse olhando para uma loja movimentada ali ao lado. – Isso parece ser do seu interesse.


Chegamos mais perto. Estava havendo uma exposição de artes na loja. Várias pessoas andavam com seus filhos, olhando os quadros pintados. Fiquei encantada e me aproximei mais, para entrar na loja. Estava um pouco amontoada. Enquanto andava, alguém reclamou que não podia entrar com sorvetes. Eu ignorei. Queria ver as pinturas. Sempre fora um passatempo para mim e eu nunca realmente havia estado numa exposição antes. Não como aquela. Eram pinturas diferentes, estilos diferentes, e cada vez que passava por um quadro, havia sempre uma sensação passando por mim.


– Assustador – comentou Draco quando ficamos olhando para um quadro em que havia a gravura de um menino agarrado a um bicho de pelúcia na sua cama e embaixo dela as mãos de um dementador se revelavam assustadoramente. – E você gosta de ver essas coisas?


Ele parecia o mais entediado dali, embora expressasse opiniões, como se os quadros também o fizesse sentir coisas.


– Eu gostei mais desse – apontou para um quadro lindo. Era perfeito. Os detalhes magníficos. Era uma paisagem. Os galhos das árvores pareciam se mover; o vento demonstrado na figura dava a sensação que batia contra o meu rosto. Era um dos melhores quadros daquela exposição, decididamente.


Desde criança, eu pintava quadros, claro, mas sempre quis alcançar o nível da perfeição, e nunca consegui. Talvez não fosse meu estilo. No entanto, quem tinha o talento fenomenal para chamar atenção com seus quadros lindos e perfeitos era Dafne, minha irmã. Eu passei minha infância vendo-a pintar e eu saberia reconhecer de longe um de seus quadros.


Eu apenas não acreditei que aquele estivesse em exposição.


Olhei para Draco e quis ir embora. A pior parte disso era não conseguir detestar a pintura.


– Acho que já vi o suficiente – falei. – Vamos embora.


Era tarde demais para não ser vista. Dafne estava ao lado, conversando com um rapaz, e quando me viu, era como se nunca tivéssemos nos separado. Tudo continuava a mesma coisa entre nós.


– Orgulhosa de mim? – sorriu. Eu quase deixei o sorvete cair ali. – Ah, a propósito, você nunca chegou a conhecer a meu noivo... Astoria, este – ela virou o rapaz moreno e forte, para apresentar: – é o meu noivo, Edgar Mars. Nós vamos nos casar ano que vem. Acho que você já deve ter ouvido falar dele. Edgar é um dos melhores jogadores de Quadribol atualmente.


– Sério? Achei que fosse Ginny Weasley – falei, apertando a mão dele como se não tivesse outra escolha.


Jogadores. Entre os homens. – Ela girou os olhos. – Ah, céus. E é Ginny Potter, agora. Onde andou por esse tempo? Se drogando? – Ela deu um sorrisinho falso a Draco. – O que achou do quadro,  Draco?


Ele olhou para mim antes de dizer:


– É bonito, mas nunca o teria em minha sala.


– Astoria, você veio expor um de seus quadros também? – ela decidiu ignorar Draco e fazer aquela pergunta. – Sabe, você devia. Não sabe a quantidade de galeões estou ganhando só por colocar este quadro e receber incríveis elogios. Até Harry Potter olhou para o meu quadro. Você devia ver... eles quase cogitaram em comprar. Eu poderia ser milionária!


– É, isso é definitivamente incrível, Dafne. Mas prefiro continuar me drogando.


O sorriso dela desapareceu e sua expressão ficou um pouco obscura.


– Continua sendo a mesma engraçadinha de sempre. Imaginei que viveria para esse lado depois que simplesmente sumiu. Então isso explica a companhia? – e apontou para Draco. – A propósito, Draco, a Pensy também vai se casar.


– Estão doando maridos por aí? – ele indagou, franzindo a testa.


– É uma pena que esteja assim, Astoria, você poderia estar famosa, como eu. – Ela juntou as sobrancelhas, enquanto eu tossi forçadamente. – Lembro de suas pinturas. Até que não são ruins. E você poderia colocar na sua biografia que eu lhe ensinei a fazer pinturas a óleo.


– Sim, claro – menti. – Nossa, isso seria incrível para você! Bem, nós já estamos indo. Vamos voltar para o mundo das drogas.


Quando saí da exposição, comecei a devorar os últimos pedaços do meu sorvete de chocolate enquanto passávamos pelas pessoas na calçada.


– Ei, vá com calma. Você nem me ofereceu um pedaço.


– Quer? – perguntei, mas só havia sobrado o palito. Eu o joguei fora. – Merda, desculpe.


– Ela tem um ponto, sabe – comentou Draco um tempo depois. – Você devia mesmo expor um de seus quadros ali.


– Dafne não ia gostar da concorrência – ri.


– Seus estilos são completamente diferentes.


– O dela é perfeito.


– Certo, sim. Mas não é melhor que o seu.


– Você só diz isso para tentar me fazer sentir melhor – eu disse. Estava tentando conter as lágrimas por um tempo. Ver como Dafne estava radiante, com um noivo, e ganhava dinheiro fazendo o que ela mais gostava... não achei justo. E se eu tivesse continuado a viver ao lado dela... será que eu estaria naquela situação em que estou agora? Então reparei que Draco estava tentando me fazer sentir melhor. E parei de andar para puxá-lo para um beijo. – Obrigada.


 

*** 


Desabei com a cabeça em seu peito nu, ofegante e exausta. Era difícil terminar o dia lidando contra isso. Tomava conta, uma vez que o sexo se postava vagarosamente dentro de mim, e nossos corpos suados bombardeavam um contra o outro numa explosão viciante de êxtase até o orgasmo mais intenso.


– Oh, devíamos parar com isso... – falei quando, sem sair de cima dele, encostei a cabeça em seu peito, sentindo-o transpirar e gozar. Comecei a gostar mais da sensação de fazê-lo perder o fôlego. Era como alcançar algo impossível e eu estava conseguindo todas às vezes.


– Ficou maluca? – enquanto se recompunha, ele enrolava uma mexa do meu cabelo no dedo indicador, sem reparar que fazia isso. Estávamos deitados no chão do quarto, pois a cama já não parecia ter mais espaço para nós dois. – Como é que se faz parar algo fodidamente delicioso?


– Eu não sei, mas isso... é muito bom para ser saudável...


Voltei a olhar para ele, e quando recuperássemos um pouco do nosso fôlego, já estaríamos pronto para perdê-lo novamente. Mas já estávamos no limite. Eu não conseguia mais mexer nenhum músculo. Estavam entorpecidos. Doloridos. Eu queria ficar ali, só descansando, em silêncio.


– Não é fácil te manter satisfeita – comentou Draco um instante depois, como se lesse meus pensamentos.


– Você consegue isso todas as noites – eu garanti.


Ele olhou para o relógio prensado na parede a nossa frente.


– E ainda são apenas seis horas. O que vamos fazer até o sol se pôr completamente? – perguntou inocentemente.


– Não sei... eu estava pensando... aquela exposição... me deu vontade de voltar a pintar.


– Sério? Você está mesmo tão cansada assim? – ele riu pelo nariz mas realmente não reclamou quando saí de seus braços e me levantei. Seus olhos me acompanhavam enquanto eu ia até o banheiro. Não me incomodei. Eu gostava do modo como ele reparava em meu corpo. Fazia com que eu ficasse me olhando no espelho por vários minutos, querendo saber qual parte dali ele mais apreciava. Pelo sexo que fazíamos, ele dava bastante atenção aos meus seios. Eu os detestava. Mas, por outro lado, mesmo quando não estávamos no quarto, sem roupas, ele tinha um interesse curioso pelas minhas coxas.


Por que eu pensava essas coisas? Por que me preocupava tanto com o que ele pensava sobre mim? Encarei-me novamente no espelho. Meus olhos azuis refletidos pelo vidro.


O que você está fazendo aqui?, perguntei-me. Você não queria ficar nessa mansão, com ele, mas agora... você está se aproveitando. E se você se acostumar a isso? Vivendo na luxuria agora enquanto Dafne pelo menos se esforçou um pouquinho para expor seu dom as pessoas. E o que você fez até agora?


E o que eu havia feito até agora? Nem mesmo morando na minha própria casa eu estava.


Draco tinha razão ao dizer que, quando você olhava pela janela do último andar da mansão, a vista era incrível. As montanhas, o céu... tudo. Mas não apenas o horizonte, como também o jardim, o portão de sua própria mansão.


Enquanto escurecia, eu estava na sacada, encarando o pincel entre meus dedos. Eu não sabia o que pintar, mas sabia que queria isso. Mas por onde começar? Olhei a tela branca, depois voltei a olhar para aquela paisagem. Mas como o sol havia se posto, os perímetros ficavam silenciosos e me medonhos.


Passei a trabalhar na pintura durante duas noites, sem Draco perceber. Ele sabia que eu ficava na sacada durante a noite. Uma vez, ele entrou e viu o que eu estava pintando. Sentou-se atrás de mim e envolveu seus braços no meu corpo, de um jeito que nunca fizera antes. Sua mão sempre pousada na minha coxa – ah, merda, eu me acostumei a isso. Ele me observou pintando durante meia hora, sem dizer nada.


– Você não está entediado? – perguntei baixinho.


– Estou muito entediado – ele afirmou, mesmo assim continuou ali.


– Hum... – Olhei para a tela. Eu não estava nada satisfeita com aquela pintura, mas não sei porque continuei pintando.


– Está ficando bom – Draco milagrosamente elogiou. – Mas não estou gostando. Você está fazendo detalhes. Vai ficar diferente das outras que você já pintou.


Eu não pensava que ele fizesse esses comentários para me ajudar. Era mais porque ele tinha opinião e queria se expressar. Raspei a ponta do pincel na borda, fazendo um sombreamento, mas de repente apertei o objeto com mais força na tela, magoada comigo mesma, e se aquilo fosse um papel eu o amassaria, no entanto, apenas rabisquei a tela, misturando as cores, rindo. Ele tinha razão. Por que eu iria fazer algo perfeito? Não fazia sentido!


– Ah, assim ficou melhor – disse Draco, mas não sabia dizer se ele estava sendo sarcástico.


– Draco, acho que vou voltar para minha casa – falei, jogando o pincel ao meu lado.


– Quê? Por quê?


– Já estou aqui há três meses. Estou me aproveitando de você.


Ele ficou calado. Tirou os braços ao meu redor. Não queria ter falado o que vinha me consumindo há algum tempo, dessa maneira... tão direta. Mas me senti melhor confessando aquilo.


– Você não está-


– Estou sim. Eu já devia estar trabalhando.


– Você só tem dezoito anos ainda, pare de ficar se preocupando com isso.


– Como posso parar? Eu estou sozinha, meu tio foi preso e eu tenho que me sustentar. Além disso, tenho dezenove – corrigi. – Eu completei ontem.


– Por que você não me falou? Eu poderia lher dar um presente...


– Pare, Draco, não posso continuar deixando você fazer isso por mim.


– Astoria, não me incomodo.


– Mas eu sim – falei, baixinho, virando minha cabeça para encará-lo.


Draco passou um dedo pelo meu cabelo, tirando-o do pescoço para beijar minha pele, arrepiando-me. Ele falou perto do meu ouvido:


– Achei que tivesse gostado das transas.


– Eu não estou reclamando disso. – Afinal, era a melhor parte do meu dia. – Só quero procurar algo que seja apenas meu. Depois que vi Dafne hoje, sinto que preciso buscar alguma coisa. Nada do que está aqui é meu.


– Bem, eu estou aqui.


Querendo ou não, foi meu coração que reagiu a isso. Ele tinha razão. Passamos tanto tempo juntos naqueles últimos dias que não tinha como não negar. Draco era a única coisa que eu podia dizer que era... hum, minha.


– Mas está dizendo que isso não é o suficiente, não é? – ele disse secamente e se levantou. Encostou-se no mural da sacada olhando para o céu daquela noite. – Não entendo, pois... parece que para mim está sendo o suficiente. Não estou insistindo que fique por aqui, mas sua presença reanimou essa casa. Precisávamos um pouco disso. Você nunca conversa sobre a guerra e não é porque a ignora. Sentia falta de poder ter outro assunto com alguém do lado de fora. De poder, você sabe, rir ou algo assim, sem me sentir sujo.


Eu fiquei ao seu lado e, hesitante, pousei minha mão na dele.


– Draco... – franzi a testa. – Só vou sair daqui. Entre nós, nada vai mudar a não ser que queira que alguma coisa mude.


Ele olhou para nossas mãos. Depois disso fiquei meio receosa de que fosse me mostrar que só fez sexo comigo porque eu estava vulnerável e estava alcançável e fácil demais no momento. Fiquei meio receosa de que eu tivesse me exposto a tanto para ele, que a rejeição fosse me machucar.


Mas corri muitos riscos na minha vida. Não ia deixar aquilo me afetar, se ele decidisse deixar tudo de lado só porque eu iria voltar a viver na umilde casa do meu tio.


– Você não sabe o quanto eu odeio ser desprezado. – explicou, parecendo frustado consigo mesmo. – Até outras mulheres, com quem transei antes, elas me desprezavam... Estou cansado de parecer sujo e... culpado. E estava cansado de dormir sozinho.


– As pessoas não te conhecem agora, Draco – eu disse silenciosamente.


– É – ele concordou, apertando meus dedos. – Você está tendo o previlégio de conhecer a parte boa de mim, Astoria. Pelo menos a que estou tentando melhorar. Você acha que estou me saindo bem?


– Depois que aquele cara no Beco Diagonal cuspiu nos seus pés? Não, acho que você não está se saindo bem com as pessoas.


– E com você?


– Bem, pra mim... você foi o homem mais gentil com quem eu dormi – falei, querendo que ele não fizesse o “gentil” soar como algo pejorativo. – Você me salvou de um maníaco, e me deu um lugar para ficar enquanto eu estava ruim, não importa quais os seus motivos. E você me deu uma idéia incrível.


– Que idéia? Sexo na sacada?


Girei os olhos.


– Pensei seriamente e decidi que vou expor meus quadros naquela exposição – falei pacientemente.


– Tenho certeza de que vai fazer isso para calar a boca da sua irmã.


Eu sorri de lado. Pelo menos um pouco até dizer:


– Talvez. – Totalmente. – E mesmo que as pessoas odeiem todos esses quadros... pelo menos terei algo para mostrar a elas.


– Hum. Pessoas decididas me atraem – ele reparou nisso, enquanto me puxava para ele. – Mulheres decididas me atraem.


Gostei da maneira como ele enfatizou isso, antes de me puxar para um beijo, mais quente, mais intencional. Mesmo que às vezes houvesse frieza em seus atos, sempre notei que seus beijos eram o contraste de suas ações.







ah eu disse que ia postar esse cap no fim de semana, mas não deu tempo. sorry, guys :X Mas muito obrigada por todos os comentários! Ainda bem que vcs nao tem nada contra NC, assim não terão nada contra essa fanfic AHUAHUAHA espero que tenham gostado desse cap novo. Comentem! 

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Comentários: 5

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Enviado por MarianaBortoletti em 10/05/2011

Meenina, parabéns! Meus comentários nunca são lá grandes coisas (e eu tenho inveja boa dos comentários profundos do Felipe, hahah), mas essa fic me toca de um jeito que me deixa alheia a grandes análises. Mas, vamos lá.

Amei o capítulo. Impecável, como sempre. Essa narração perfeita expõe a Astoria de um jeito que me deixa na dúvida quanto a qualquer coisa que ela fala. É isso mesmo que o Felipe falou, é uma mistura de coisas que a gente não consegue diferenciar e duvido que ela mesma consiga. Amo essa personagem, muito bem elaborada, muito humana!

Draco é um capítulo a parte, meu segundo personagem favorito de toda a saga e eu nunca teria como reclamar porque ele é exatamente aquilo que eu imagino que seja o Draco depois da Guerra. E não só o Draco, mas essa visão pós-guerra tão recente; quatro anos é pouquissimo tempo e eu acho que tu tá sabendo levar isso de maneira esplendorosa.

Preciso me dizer ansiosa pelo próximo?! :D Parabéns, mais uma vez!

Nota: 1

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Enviado por Mademoiselle Delacour em 09/05/2011

Alguns sentimentos começaram a surgir, não? rsrsrs Adorei!

A Astória deveria dar um belo chute na bunda da Dafne com esses quadros viu? Tipo se o Harry Potter quase comprou os da Dafne, ele irá comprar o da Ast XD 

Bjoos :*

Nota: 5

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Enviado por barbara aguiar azevedo em 09/05/2011

Concordo em numero genero e grau com os comentários acimaa.

O romance deles é a diferença da sua fic, é original eee mtuuuu bom, não cansa, nuncaaa!!!
Vc desenvolveu um Draco real, sem lenga-lenga... é o mesmo de smp... (arrogante,irônico...), mas com um quê de sentimentalismo na medida certaaa!!!
Eeee Astória, nem se falee- maravilhosaaa.

Aaaa espera do proximoo cap.!!! =))

Nota: 5

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Enviado por Mohrod em 09/05/2011

caramba, to adorando!

 concordo com o Felipe S., você expõe muito bem os sentimentos da Astoria, essa mistura que a gente nunca consegue definir se é medo, amor, receio e várias outras coisas.... e o Draco, nossa, eu penso que ele seria exatamente assim, sem perder o jeito possessivo, irônico e arrogante, porém, com algum carinho, algo que, no íntimo, ele queira expressar.

 Então, posta logo!!! tou louca pra saber o que vai acontecer!

 beijão!

Nota: 5

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Enviado por Felipe S. em 09/05/2011

O romance desses dois é tão diferente. Gosto de ver os receios da Astoria, o orgulho junto com o medo de amar, você passa de maneira muito clara isso, parabéns.

Depois dessa fic, começo a ver o Draco de uma maneira que nunca parei para analisar. Tô achando que Sebastian, daqui a poco, vai dar as caras, um abalo no relacionamento dos dois, talvez?

Esperando o próx capítulo! ;D

Nota: 5

Páginas:[1]
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