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11. Verde e Branco


Fic: Cansei de Ser a Mesma III


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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11


Verde e Branco


 


 


         O dia se sucedeu de acontecimentos um pouco trágicos: Eu me recusei a voltar a trabalhar, fiquei enfiada no quarto de hotel; Soube, através de comentários no restaurante do hotel que mais três famílias trouxas foram encontradas feridas em algum local afastado de Londres.


 


         Uma enxurrada de funcionários do Ministério veio atrás de vagas e não encontraram. Não era alta temporada de férias ou algum feriado nacional, mas todos os hotéis bruxos estavam lotados. Comprei uma edição de meio dia do Profeta Diário contra minha vontade, mas com a lei que proibi o uso de aparelhos trouxas pelos funcionários do Ministério, estou com mãos e pés atados em questões de informação.


 


         Logo, a primeira reportagem era sobre o Centenário da Caçada aos Vampiros de Londres; relatava, com uma visão bem otimista, que a festa não poderia vir em momento melhor e que a segurança será tão reforçada como a chegada do Papa em uma zona de conflito.


 


         Comparação idiota, eu sei, mas o evento contava com uma lista com tantos nomes de poder que intimidaria ou convidaria até a pior de todas as ameaças.


 


         E eu não estava inclusa nessa lista.


 


         Subi para o quarto e arrumei uma pequena mochila com um par de roupas, produtos de higiene e acessórios que usamos para torcer pelo time de Ron.


 


         Eram quase sete da noite quando uma pequena coruja conhecida bateu no vidro da janela e eu dei espaço para que ele entrasse. Peguei a carta de suas patinhas e conjurei um pires com comida especial para ela.


 


         Foi então que me surpreendi mais uma vez.


 


         Lupin pedia que nós fossemos para sua casa no interior com urgência. Independente do que tinha acontecido, eu não ia esperar Harry dar as caras no hotel, eu iria sem ele.


 


         Deixei a carta flutuando na frente da porta para que quando ele chegasse, conseguisse atender ao pedido do amigo também.


 


         Dispensei a coruja e, ignorando algumas regrinhas de aparatação do Ministério, aparatei na frente da casa colonial do casal. Não pisava ali desde o seu casamento e senti falta daquela mulher.


 


         O sol estava se pondo atrás de grandes montanhas ao leste e um vento fresco tirava meus fios de dentro de um coque mal feito. Andei sobre as pedras e logo estava na varanda do local. Nem precisei tocar a campainha, Lupin me recebeu revelando uma face não muito feliz e alguns arranhões pelo rosto.


 


         Lhe dei um singelo abraço e entrei. Senti envolta em uma bolha de proteção, daquelas que eu colocava em meu apartamento. O clima da casa estava mais quente do que lá fora, as luzes estavam mais fracas e logo procurei com os olhos, Tonks.


 


         - E o Harry?


 


         - Trabalhando. – Soltei um pouco indiferente. – Mas eu acho que daqui a pouco, ele chegará.


 


         Dei uma boa olhada em Lupin. Seu cansaço estava mais visível agora. Não fazia muito tempo que eu não o via, mas era o suficiente para concluir que emagreceu. Meu bigode estava um pouco maior juntamente com seu cabelo lanzudo que caía sobre os olhos. Eu diria que está como um lorde britânico em decadência.


 


         - Por que da urgência? – Andamos até a saleta e vi algumas malas perto da televisão. – Estão de mudança? – Perguntei assustada.


 


         - As circunstâncias estão nos obrigando. – Sentou-se atraindo um copo de whisky que estava bebendo antes de eu chegar. – E como anda o Ministério?


 


         - Um caos, para variar.


 


         - Novos ataques.


 


         - A cada hora. – Sentei-me ao seu lado. – O que houve, Remo? – Perguntei mais intensamente.


 


         Nesse momento, escuto passos descendo a escada de madeira. Ergui meu olhar para o vulto vestido de roxo pousar ao lado da grande porta. Dos pés até a cabeça, pude perceber que Tonks estava diferente. Usava roupas mais largas e seu rosto estava mais redondo.


 


         Foi então que ela se aproximou e meus olhos se encheram de lágrimas. Levantei-me e com todo cuidado, dei um abraço naquela mulher.


 


         Senti então seu ventre crescido. Uma sensação estranha tomou conta do meu corpo, queria sair correndo, matando todos os desgraçados que estão colocando esse mundo em guerra. Deixei as lágrimas caírem quando toquei, com as duas mãos, a barriga de cinco meses de Tonks.


 


         A mulher estava grávida.


 


         - Você estava grávida antes do seu casamento...! – Deixei mais lágrimas caírem.


 


         - Bruxas metamorfógas demoram a perceber já que podemos mudar nosso corpo. – Com um pensamento, a barriga desapareceu.


 


         - Eu prefiro ao natural. – Ri. – Vocês vão mudar por causa disso? – Me afastei um pouco olhando o casal profundamente.


 


         - Estamos indo para a América do Sul, vamos ficar até o bebê nascer ou até isso tudo acabar.


 


         Um soco imaginário deixou meu estômago dolorido. Todos estavam sendo afetados, até aqueles que nem faziam mais parte desse mundo.


 


         - Nós iremos essa noite. Queríamos nos despedir de vocês. – Ela suspirou. – ou apenas de você. – Soltou tristemente. – Esse dias, tive sonhos que você e Harry estavam distantes. – Encarei confusa.


 


         - Besteiras. – Ri sem graça.


 


         - Espero que essas besteiras não fiquem tão evidentes quando estiverem de frente com o seu real inimigo. – Ela balançou a cabeça saindo de um pequeno transe. – As grávidas são pessoas realmente esquisitas, falam coisas engraçadas, não é querido?


 


         - E onde vocês estão morando? – Perguntou sem dar muita atenção a esposa.


 


         - Em um hotel bruxo, perto de Londres.


 


         - Entendo, a dedetização do apartamento nunca terminará, não é? – Alfinetou. – Não culpo vocês de ter escondido isso de quase todo mundo, mas não acredito que vocês ainda acham que todos acreditaram nessa mentira.


 


         - Não precisamos mais esconder nada, Remo, a guerra está declarada.


 


         Doía dizer aquilo.


 


         - Vocês deveriam passar um tempo fora. – Comentou Tonks.


 


         - Não podemos. A vingança de Draco Malfoy é contra nós, ele fará de tudo para nos afetar. – Suspirei. – Fico feliz e aliviada com a partida de vocês.


 


         Fiquei ao pé da porta. Dei um abraço apertado em Lupin, desejando sorte, paciência e saúde. O abraço em Tonks foi o mais doloroso; Deitei a cabeça em seu ombro e, como um flashback, todos os nossos momentos passaram na frente dos meus olhos.


 


         Nossas risadas, nossas confissões, nossos desesperados, nossas parcerias contra o crime. Tudo, tudo em questões de segundos.


 


         Separei-me e abri a porta, passando pela bolha novamente.


 


         - Vocês serão os padrinhos! – Gritou de dentro da casa quando atingi o ponto de aparatação. Eu sorri de volta, orgulhosa e feliz.


 


         Aparatei dentro do quarto. Tudo estava intocado. Fiz com que a carta queimasse e virasse cinza em três segundos. Caí na cama agarrando um dos travesseiros fofos.


 


Não me lembro de muita coisa depois disso.  


 


         Acordei com alguém balançando meu ombro esquerdo. O sol, que entrava fielmente pela janela aberta me deixou ainda mais acordada. Espreguicei-me vendo um vulto entrar no banheiro e o chuveiro se ligar. Tateei o travesseiro ao lado e só senti minha mochila ao lado de outra.


 


         Hoje era o dia do jogo.


 


         A televisão estava ligada em um noticiário que relatava as “mortes misteriosas” por Londres. Nem dei muita atenção, apenas levantei e fui para a sacada, esperando Harry sair do banheiro para que eu possa usá-lo. No auge do nosso namoro, essa porta entreaberta e um chuveiro ligado era o estopim para irmos juntos para o banho, se é que me entendem.


 


         O sol reinava solitário lá em cima. Eram quase nove horas, combinamos com Gina e Tony – Sarah, a pedido dos seus pais morrendo de saudades, foi fazer uma rápida visita a França, mas todos sabem que o real motivo era as mortes pela cidade – às onze horas na frente da fonte do átrio do Ministério. Ron já estava na concentração do time há três dias.


 


         Era o time nacional da Irlanda – time do ruivo – contra O Puddlemere United. Era um amistoso para a abertura dos principais jogos da Grã-Bretanha.


 


         Quando o moreno saiu do banho, entrei rapidamente sem trocar uma única palavra. Tomei uma ducha que me deu energias para me produzir e verificar se eu não tinha esquecido nada. 


 


         Voltei ao quarto e dei de cara com um moreno sério e pensativo, sentado na cama, olhando para sua mochila perto dos seus pés. Conjurou alguns sabonetes baratos de hotéis em tintas verdes e brancas para passarmos no rosto mais tarde.


 


         Todos os pingos que caíam no chão voltavam ao corpo e logo, se secavam. Peguei minha roupa, deixando a toalha em cima da cadeira. Troquei-me sem virar para ele e tomei uma poção para secar e selar cachos.


 


         - Está pronta? – Perguntou quebrando o silêncio.


 


         - Sim, vamos. – Soltei sorrindo falsamente, jogando minha mochila nas costas e aparatando sozinha, ignorando a mão estendida do rapaz.


 


         Logo no átrio, grandes cortinas estavam pairando a dois metros das cabeças dos mortais com os símbolos do Puddlemere United bordados com uma fina linha dourada.


 


         Ron era considerado traidor da pátria por jogar em um time que não fosse do seu país natal. Harry apareceu ao meu lado, em seguida. Gina e Tony estavam a três metros de nós, sentados em bancos de madeira, ao lado da ponte. A ruiva já estava trajada com a camisa do time do irmão e seu rosto estava metade verde.


 


         Tony era simplório, tinha apenas faixinhas sobre as bochechas e uma bandeira nas costas.


 


         - Olá, casal. – Disse Gina animada.


 


         Insensatamente, eu não encarei a menina. Dei um sorriso amarelo e fui abraçar o outro moreno.


 


         - Temos que sair logo daqui antes que de sermos lixados! – Soltou Tony analisando um bando de caras vestidos de vermelhos que vinham em nossa direção.


 


         Harry regia a grupo indo até uma área mais vazia para invocar o portal. O jogo seria no extremo norte da Inglaterra, pertíssimo da Irlanda. Ele tirou um relógio de pulso antigo e colocou em cima de um pequeno banco.


 


         Nos ajoelhamos e encostamos os dedos nos quatro pontos do objeto. Com menos de dois segudos, estávamos naquela viagem fantástica.


 


         Giramos freneticamente e a falta de ar no cérebro falou mais alto. A viagem demorou menos de meio minuto; Antes mesmos de terminar com nossos gritos, tínhamos caído na superfície fofa da grama.


 


         Cuspi algumas plantas que ficaram coladas nos meus lábios e bati a sujeira da roupa. Naquele lugar o dia estava igualmente lindo como no centro de Londres; O sol bateu na minha pele branca e eu já senti ficar um grau mais morena.


 


         Ao longe, vimos a grande arena de Quadribol, outra coisa que estava muito bem enfeitada. Começamos nossa caminhada rumo ao acampamento, onde ficaríamos até o jogo começar e a noite que o sucedera.


 


         À frente, solitário, Harry caminhava, encarando o chão e a paisagem. Mais atrás, eu, Gina e Tony – mesmo não conseguindo manter uma comunicação fiel a ruiva.


 


         Demoramos mais de meia hora para avistar a primeira cabana e os primeiros torcedores da Irlanda. Por sorte, daquele lado, eram apenas os duendes verdes, sem nenhum contado com os dourados do outro lado.


 


         Nos lembramos do acampamento da final da Copa de Quadribol, em nosso quarto ano; Estava lotado, cheio de barracas, o espaço era disputadíssimo. Agora, o espaço não é a maior preocupação. Fazendo contas mentais, eu pude ver apenas um terço de toda torcida da Copa de Quadribol.


 


         Paramos em frente uma barraca conhecia: tinha bordados com a letra W em todo o tecido de revestimento e uma insígnia verde que pairava sobre a porta de entrada.


 


         Gina passou por nós entrou correndo na pequena barraca mágica. Eu me senti com quatorze anos novamente, não tínhamos preocupações maiores, éramos bobos e gostávamos de uma zona.


 


         Essas duas últimas partes ainda estavam de pé.


 


         Entramos sem mais delongas. Tony ficou abismado com a barraca, afinal, nunca tinha entrado em uma dessas, mas a surpresa também pegou eu e Harry. Com Ron ganhando muito bem com Quadribol, a loja da família estar indo à mil maravilhas e Gina ganhando bem com seu trabalho no ministério, os Weasley estavam bem de vida e puderam reformar a velha barraca que cheirava a dragão queimado.


 


         Tinha mini-tendas para o total de sete quartos, dois banheiros, a sala principal era tão grande e tão suntuosa que eu não sabia para onde olhar.


 


         Molly saltou de um pufe gigante e veio nos abraçar sempre dizendo que estávamos mais magros do que de costume e que estava feliz em nos rever.


 


         - Seu pai está com o Rony, Gina! – Soltou depois que a ruiva perguntou pela terceira vez. – Por favor, se acomodem! Esse é seu quarto, Ginny. – Apontou para o aposento. – Esse é o seu, Antônio, e esse é o de vocês.


 


         A nossa cama era maior do que a deles e propositalmente, o local também era maior. Passei a frente de Harry, deixando a mochila ao meu lado e deitando naquele colchão mole.


 


         - Me ajude com o chá, Ginny! – Ordenou a mãe do outro lado da tenda, na pequena cozinha.


 


         Harry caminhou lentamente até a cama, deixando sua mochila ao lado da minha e deixando seu corpo cair ao meu lado. Ficamos encarando o teto: no centro, havia um pequeno lustre com pedrinhas que tintilavam e ao redor, um fino tecido lilás dando a impressão de estarmos em um picadeiro.


 


         - Você ia me contar sobre sua ida até a casa de Lupin? – Perguntou secamente.


 


         - Como- - Comecei virando minha cabeça aos poucos para ele.


 


         - Todas as aparatações aparecem em uma lista contínua no departamento de transportes. Pedi que um estagiário de lá me avisasse, caso visse seu nome.


 


         Senti uma leve frustração.


 


         - E o que você foi fazer lá?


 


         - Tenho que lhe dizer tudo que eu faço ou deixo de fazer? – Soltei, ríspida.


 


         - Sua crise de ciúmes está me deixando muito irritado.


 


         - O mundo não gira em volta de você.


 


         Ele levantou-se e se retirou da tenda, deixando Tony assustado e confuso. Sentei na cama procurando em sua bolsa as tintas verde e branca. Conjurei um pequeno espelhinho e comecei a minha pintar, lentamente.


 


         Molhei o indicador na tinta verde e o dedo médio na branca, fazendo duas listras em cada bochecha. Também fiz uma linha verde que ia do começo da testa até a ponta do nariz e continuava no queixo até o meio do pescoço.


 


         Tirei aquela roupa de garota urbana e vesti a grande camisa que Ron tinha nos presenteado, uma para cada um, com seu nome nas costas.


 


         - Uma perfeita irlandesa. – Ouvi a voz rouca de Tony entrar no meu aposento e sentar na beirada da cama. – Vocês estão em um momento ruim?


 


         Prendi o cabelo em um coque e me sentei a sua frente.


 


         - Estranho conversar disso com você.


 


         - Não é estranho, princess. – Estava com saudades de ser chamada desse jeito. – Somos amigos, certo? – Rimos. – Você também está distante da Gina, o que está acontecendo?


 


         - Nada, esse é o problema. – Bufei agarrando os olhos.


 


         Ele pensou um pouco e seu rosto acendeu em espanto.


 


         - Oh! Não me diga que eles- -


 


         - Eles não estão tendo um caso. – Respondi antes de concluir. – Harry foi convido para o Centenário junto com Gina, com direito a nomes lado a lado no convite. – Ele fez uma careta. – E eu não fui convidada.


 


         - Venham tomar chá! – Pediu Molly gritando da cozinha.


 


         As horas passaram divinamente enquanto tomávamos o chá de Molly. Conversávamos e colocávamos todos os assuntos em dia. Nesse meio tempo, Harry voltou, um pouco mais calmo, mas se recusou a se juntar a nós. Arthur também chegou, com ele, veio Fred e Jorge, e diferentemente de Harry, sentaram-se conosco.


 


         A conversa ficou mais prazerosa ainda. Evitamos falar de mortes, guerras e trevas, as conversas variavam do sucesso da loja dos irmãos até os últimos jogos de Ron.


 


         Eu adorava conversar com toda família Weasley, eles eram a família que me restou.


 


         Dentre tantos risos, meu olhar se voltou para Harry, sentado na cama, jogando uma bolinha de um lado para o outro. A solidão dele me fez mover meu corpo até a cama e sentar aos seus pés.


 


         Segurava a xícara modesta com as duas mãos e analisava toda a falta de expressão do moreno em seu movimento contínuo. Deixei a xícara pairando no ar e resgatei as tintas de dentro da sua mochila. Sentei-me ao seu lado, próximo ao seu corpo e molhei a ponta dos dedos. Ao primeiro toque da tinta com seu rosto, ele parou de jogar a bolinha e ficou encarando o outro lado.


 


Fiz o mesmo desenho que eu e depois segurei em seu queixo, forçando a me encarar.


 


         - Lupin e Tonks estão fugindo. – Soltei seu rosto e guardei as tintas. Seu olhar mudou e ficou longamente confuso. – E Tonks está grávida.


 


         - Grávida? – Um mix de alegria e desespero tomou conta de seu corpo.


 


         - E eles já foram.


 


         Minguou seu sorriso e cruzou os braços.


 


         - Para onde?


 


         - América do Sul. – Meneou a cabeça. – Eles queriam contar a notícia com os dois juntos, mas você estava trabalhando.


 


         - Queria ter me despedido. – Ficou um pouco chateado e pude reconhecer uma pequena lágrima formar em seu olho esquerdo.


 


         Dentre tanto ciúme, infantilidade e raiva que seu sentia, também aflorava o sentimento de necessidade. Aquele sentimento que não me deixava ficar longe nos tempos de colégio, mesmo eu namorando a população masculina de Hogwarts e Harry ainda com seu namoro firme com Ginny.


 


Encarei a bolinha que caiu de suas mãos e rolou até a os pés da cama. Em um movimento rápido, ele pegou seu rosto e grudou no meu. Fiquei totalmente sem reação, apenas pairando minhas mãos sobre seu ombro e deixando minha coluna reta.


 


E a necessidade se calou.  


 


         Quase uma hora depois, começamos a nossa caminhada até a grande arena. Harry, agora, preferiu conversar com a parte masculina da família Weasley, enquanto eu, Gina, Tony e Molly vínhamos mais atrás sem muitas palavras.


 


         Passando por um pequeno barranco, Gina e eu ficamos mais atrás do que todos, sendo o estopim para puxar assunto comigo.


 


         - Você está brava? – Perguntou um pouco inocente e eu fui mais inocente ainda.


 


         - Com o quê?


 


         - Com o fato de eu ir à festa com o Harry. – Suspirei.


 


         - Não, só fiquei surpresa. – Odiava mentir para Gina, ela sempre descobria.


 


         - Então, não tem problema? – É, e eu odiava ainda mais quando ela fingia que não descobria.


 


         - Não, sério, pode ir. – Vomitei as palavras ficando dois metros longe da ruiva, me corroendo por dentro sem demonstrar um pingo por fora. – O seu namorado não vai importar? – Joguei verde.


 


         - Ele nem vai saber, Hermione, é puramente profissional. – Me alcançou. – Ele queria ir jantar, mas eu inventei que ia ficar na sua casa.


 


         - Minha casa? Eu não tenho mais uma casa, Gina. – Soltei rispidamente odiando a idéia.


 


         - Mas ele não precisa saber!


 


         - Todos sabem. – Eu estava intragável.


 


         - Ele não sabe. – Confirmou um pouco alterada. – E nem irá saber.


 


         - O que ele faz, Gina? – Desta vez, a ruiva não ia escapar.


 


         - Faz o quê?


 


         - O que ele faz da vida? Trabalha, é um vagabundo? É um comensal?! – Eu não estava fazendo graça, mas arranquei risadas nervosas da ruiva.


 


         - Ah, ele trabalha em uma agência de comunicações.


 


         - E eu conheço?


 


         - Pode até ser.


 


         - Não é no Profeta Diário, não é? – Fiz uma careta ao perguntar e ela fielmente negou. – Então, aonde?


 


         - Que diabos, Hermione, quantas perguntas...! – Desta vez, que ficou a frente foi ela.


 


         - Eu tenho o direito de saber quem é o namorado da minha amiga, certo? – Alcancei com um pouco de dificuldade.


 


         - Ele é loiro, bonito, rico, tem um bom trabalho e quase nenhum vício. – Sorriu ao lembrar do namorado.


 


         - E quando você vai apresentá-lo? – Gargalhou.


 


         - Todos os namorados que eu apresento para vocês não duram mais de três meses!


 


         - Oh, você foi cruel! Nós não goramos seus namoros.


 


         - Meu irmão, sim.


 


         - Não apresente para ele, oras.


 


         Depois de subir um pequeno morro, avistamos a arena bem mais de perto e sua imensidão encheu nossos olhos. Gritos e cornetas enfeitavam nossos ouvidos junto com o hino da Irlanda sendo tocado em gaita de fole bem ao nosso lado. O nosso grupo se juntou totalizando oito pessoas trajadas e pintadas de verde e branco.


 


         Arthur nos conduziu até uma portinhola com um grande homem parado fazendo feições de mal. Ao ver o patriarca, ele sorriu e deu passagem. Tivemos que nos abaixar para poder passar pela portinha para cair em um grande elevador. Quando todos entraram, Arthur impulsionou uma velha alavanca e fomos para o além. O frio na barriga e o gritinho inicial histérico foram inevitáveis. Quando pousou, meu estômago voltou ao lugar e o barulho ficou ainda mais intenso.


 


         A noite ia caindo aos poucos e as luzes, flashes e fogos de artifício iluminavam aquele por do sol estonteante nas montanhas.


 


         O camarote dos Weasley era magnífico. Dizem que foi construído em cima dos escombros do camarote da Família Malfoy, mas, boatos à parte, tinha uma bela vista de toda arena.


 


         Os mais jovens, eu, Harry, Gina e Tony fomos até a borda, ficando com as mãos apoiadas nas fortes vigas de ferro que formavam um W. Deixamos nossas mochilas de lado e começamos a procurar Ron no meio de tantas vassouras que cortavam o céu. Arthur enfeitiçou a bandeira oficial do time e a jogou sobre o W em ferro, dançando conforme o vento.


 


         Um show de pirotécnico patrocinado pelas Gemilidades Weasley fez com que todos ficassem abismados durante sete minutos. O tradicional duende verde dançou aos olhos de tomos e terminou com um grande W.


 


         Show à parte, o time da Irlanda foi apresentado e por último, como capitão do time, Ron entrou, triunfante em sua vassoura. A torcida foi ao delírio, Ron era um ícone para a Irlanda, devia ter milhões de fãs.


 


         O time fez a apresentação com vôos especiais por todo o campo e o ruivo parou na nossa frente.


 


         - Estou feliz que vieram!


 


         - Não perderíamos isso por nada! – Disse Harry vendo o amigo ir para sua posição, o gol.


 


         O Puddlemere United também se posicionou e esperou os dois apanhadores ficarem frente a frente e o juiz apitar o início da partida.


 


         - Eu sinto saudades. – Soltou Harry com um mero sorriso de canto de boca analisando todo aquele preparo que antes, ele era responsável.


 


         - Eu também sinto... – Gina se meteu no meio do nosso dialogo suspirando com os olhos cheios de lágrimas.


 


         Ignorei ouvindo o apito do juiz e os gritos da torcida. A Goles já começou com um dos artilheiros da Irlanda, deixando o Puddlemere desconcertado. O pomo voava alto e longe dos dois apanhadores. Ouvi até Harry dizer que aquele apanhador não era dos melhores, preferia seu antecessor.


 


         Eu nunca entendi muito sobre Quadribol, sempre era a excluída da conversa entre Ron, Harry e Gina, mas sabia que o pomo era o objeto de desejo que um balaço na cabeça doía horrores.


 


         Vibramos com uma defesa engraçada de Ron e xingamos o juiz por dar uma falta a favor do Puddlemere. O jogo estava realmente nos trazendo fortes emoções.


 


         Foi então que nossas atenções vieram para um balaço mal arremessado do time adversário direto para o camarote. Só deu tempo de abaixarmos e ouvir o estrago que fez ao atravessar a parede de madeira.


 


         - Essa foi por pouco... – Soltei voltando a prestar atenção no jogo. 


 


         Levemente, mirei meu olhar no buraco de quase cinqüenta centímetros de diâmetro e me assustei pelo tamanho do estrago e por ver, subitamente uma cabeça conhecida andar e sumir, como se estivesse invisível.


 


         Aqueles efeitos de susto como mãos suarem, olhos ficarem agitados e coração disparar aconteceram comigo. Pensei que podia ser apenas uma brincadeira da minha cabeça como também pensei que podia ser a mais pura verdade.


 


         Ele não se arriscaria de vir até aqui, no meio de tanto segurança.


 


         Olhei para todos ali e estavam bem distraídos com o jogo então, podia escapar. Dei a desculpas que ia ver se ninguém se feriu e também, ninguém me impediu.


 


         Saí do camarote e peguei as finas e tortas escadas na direção que vi aquela cabeça andar. Atropelei algumas pessoas, pisei nos pés de outras e não parava de subir. Saquei a varinha de dentro de um bolso da calça e o título de Auror de outro.


 


         Pedia licença, gritava, os mandava mexerem logo aqueles gordos traseiros vendo que o meu alvo poderia ficar ainda mais distante.


 


         Foi então que percebi que não tinha mais escadas para subir. Estava no topo da arena de Quadribol. O vento naquela parte era muito mais forte e as pessoas não povoavam aquele espaço. Foi então que eu parei e dei um giro completo em meu eixo, achando estar ficando maluca.


 


         Onde já se viu? Draco Malfoy não seria tonto o bastante para aparecer em um evento como esse. A não ser que queira colocar uma maçã na boca e lhe dar de presente.


 


         Me achando a pessoa mais estúpida do mundo, ameacei a voltar para as escadas mas uma movimentação perto de grandes caixas que continham os fogos de artifício me fez pausar.


 


         Deixei a varinha em prontidão e lentamente, me aproximava do pequeno barulho. A tensão tomou conta do meu corpo e a minha respiração ficou mais alta do que os gritos dos torcedores lá em baixo.


 


         A dois metros da caixa, sinto algo pousar do meu lado e me fazer congelar a espinha e todos os movimentos.


 


         - Eu nunca pensei que você viria atrás de mim. 

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