Capítulo III - Sympathy For The Devil
A biblioteca estava praticamente vazia quando Cameron chegou para sua primeira aula de runas antigas com Lily Potter. Escolheu uma mesa mais afastada, para espantar olhares curiosos, e também para o caso de Albus aparecer e entender tudo errado. Ele estava tão ansioso que poderia ter vomitado o almoço inteiro nos livros, já abertos sobre a mesa, se tivesse conseguido tocar em sua refeição. Era a primeira vez que ele e Lily ficariam verdadeiramente a sós; sim, porque todas as vezes em que dormira na casa dos Potter definitivamente não contavam.
Foram muitos os minutos de espera e se Cameron não fosse persistente como era, teria ido embora antes mesmo de sua aluna chegar, toda atrapalhada, dando uma justificativa quase tão inaceitável quanto o próprio atraso.
- Desculpe a demora, Burtis, mas é que quando eu estava vindo, Georgina Kellogg e Daisy Caterpillar travaram um duelo imperdível no pátio. Acho que Daisy foi parar na enfermaria vomitando lesmas, outra vez, e as duas perderam 10 pontos para a Lufa-Lufa. Cada uma. – a garota parecia realmente animada com a história, tão animada que nem parecia se lembrar do nome certo de seu professor particular.
- Tudo bem, Lily. Acho que ver duas meninas brigando no pátio é realmente mais interessante que estudar runas antigas. – Cameron disse, amigável, apesar de chateado pelo descaso da garota com relação à sua aula...e ao seu sobrenome.
- Com certeza! – ela concordou com o tédio estampado no rosto. – Podemos começar, então? Ainda tenho uma aula de transfiguração hoje.
Os minutos que se seguiram provavelmente foram os mais incríveis para Burton e só não foram mais enfadonhos para Lily porque seu professor era um cara engraçado. Ela odiava runas antigas, só cursava a matéria porque era isso ou adivinhação. No entanto, para a surpresa da garota, e dele próprio, Cameron explicava de modo que ela quase compreendia tudo. Quando a aula acabou, ele fez questão de acompanhá-la até a sala de transfiguração e até arriscou uma conversa sobre quadribol.
Assim que deixou Lily em sua sala, Cameron resolveu aproveitar o horário livre e procurar seus novos “sócios”. Não precisou nem se dar ao trabalho, assim que colocou os pés no salão principal avistou Kalvin e Taylor, que disfarçadamente caminhavam em sua direção.
- E aí, Burton, como é que vai? – Kalvin disse em alto e bom som, dando um tapinha amigável no ombro do outro. Em seguida, baixou a voz de modo que somente os três pudessem ouvir – Fontes me informaram que nosso cara está no campo de quadribol e parece que a Weasley do mal também. Estamos indo para lá.
Cameron acompanhou os dois até o campo e ficou observando o movimento a uma distância segura o suficiente para ouvir o que os eles falavam. Grifinória e Sonserina se enfrentariam naquele domingo, o que explicava a presença de espiões sonserinos no treino da Grifinória. Kalvin foi sozinho conversar com o rapaz. Assim que ele se aproximou do loiro, quase foi atingido por um balaço lançado por ninguém menos que Rose Weasley. É, seria uma conversa difícil.
- Uau! Essa garota é o diabo mesmo, hein! – Jacons exclamou, tentando puxar conversa e esconder o susto que levou ao ver o balaço vindo em sua direção.
O garoto apenas lançou um olhar indiferente ao moreno e continuou observando o treino.
- É Malfoy, certo? – Kalvin investiu novamente, nervoso.
O loiro virou a cabeça para encarar Kalvin, sua expressão era mais ameaçadora que indiferente dessa vez.
- Ouvi dizer que tem aparecido muitos trasgos nessa região ultimamente. – comentou, como se aquele fosse o tipo de conversa mais trivial do mundo.
Sem entender muito bem o motivo do comentário, o garoto olhou confuso para o outro e então falou:
- O que você quer?
- Bem, tenho uma proposta pra fazer a você. – ele respondeu, aliviado pela objetividade do outro, já que estava ficando sem ter o que falar.
- Não, não vou fingir ser seu amigo pra todo mundo pensar que você não é gay. Desculpe. – ele disse, rindo da expressão nervosa no rosto de Kalvin.
- Eu não sou gay. E não ia pedir sua amizade. – nem que ele estivesse maluco.- Quero que você saia com uma garota.
- Ah, você quer, é? – ele ironizou, rindo da proposta do outro.
-Você conhece Lily Potter?
- É com essa patricinha que você quer que eu saia? – Malfoy desdenhou.
- Claro que não! Eu vou sair com Lily Potter, mas eles, os Potter, têm uma regra idiota e para a Lily poder sair comigo, você precisa sair com a prima dela.
- E por que você acha que eu faria isso? – Malfoy perguntou, mais uma vez, irônico.
- Porque eu vou pagar. – Kalvin respondeu muito sério.
- ‘Cê tá dizendo que vai pagar para eu sair com uma garota? – Malfoy se mostrava cada vez mais incrédulo e divertido com aquela conversa estranha.
- Você não sabe quem é a prima dos Potter, sabe? – Kalvin lançou um olhar vacilante para a garota ruiva que acabara de descer da vassoura e agora ia em direção ao capitão do time. Malfoy entendeu na hora de quem ele estava falando.
- Espero que você tenha muito dinheiro guardado no colchão, porque meu preço acaba de subir.
- Está me dizendo que aceita?
- Vou dizer quais são minhas condições, se depois disso a proposta ainda estiver de pé, sim, eu aceito. – Malfoy sorriu de lado e olhou de esguelha para a garota que recolhia as bolas do jogo para guardá-las.- Bem, vejamos... Supondo que vamos à Hogsmead, vamos tomar umas cervejas amanteigadas, comprar alguns doces e talvez , depois de dar uma volta pela aldeia ela sinta fome, então vamos parar em algum lugar e comer bolo de caldeirão. Isso vai lhe custar uns 2 galeões e mais 10 sicles, por ela ser quem é. E eu quero o pagamento adiantado.
- 2 galeões? – Kalvin perguntou, assustado. – Eu espero que você consiga sair com ela. Caso contrário...
- Caso contrário o que? – Malfoy perguntou, muito sério.
Kalvin encarou seu olhar ameaçador, respirou fundo e disse:
- Eu vou ficar muito infeliz. Trato feito, Malfoy.
- Espero que esteja preparado para desembolsar a grana neste final de semana, senhor...?
- Jacons, Kalvin Jacons.
Malfoy acenou com a cabeça e se levantou, preparando-se para deixar a companhia do rapaz.
- Ei, aonde vai? – Kalvin quis saber, sem entender que Malfoy já havia encerrado a conversa entre eles.
- Ao trabalho, Jacons. Tenho um encontro a marcar com uma garota. Você devia fazer o mesmo e ir providenciar minha grana.
Dizendo isso, Malfoy deu as costas ao colega e atravessou o campo, indo ao encontro da jovem ruiva que terminava de recolher seus pertences e estava prestes a ir embora. Ele se aproximou amigavelmente, tentando não assustá-la, ou pelo menos não deixá-la nervosa.
- Olá! – ele disse, exibindo um sorriso simpático e quase sedutor. – Estava vendo o treino e devo admitir que você bate bem para uma garota com mãos tão delicadas.
- Você não vai achar minhas mãos delicadas depois que elas arrebentarem esse seu nariz bonitinho. – ela disse, mau humorada.
- Hum, então você não é só um rostinho bonito. É cheia de personalidade também. Gosto disso. – Scorpius disse. De fato, ele gostou da ideia de sair com uma garota incapaz de se derreter ao receber um elogio, mesmo que um como aquele.
- Ah, sim, invisto pesado na construção da minha personalidade para que caras como você gostem disso. Ganhei meu dia. – ela ironizou.
- Ótimo! Então espero você na entrada de Hogsmead, no sábado de manhã. Vou fazer você ganhar muito mais que seu dia.– Malfoy disse, piscando para ela
- Claro, estou louca para ir à Dedosdemel e ao Três Vassouras com você. – Rose respondeu, irônica, dando as costas para o garoto.
- Bem, eu pensei em dar um passeio pelo interior d’ A Casa dos Gritos. – Scorpius correu um pouco para acompanhar a garota, que apertava o passo, tentando se livrar dele - E se ficar com muito medo te deixo segurar minha mão. – ele disse, quase sussurrando com sua voz muito sexy, dando outra piscadela em seguida.
- Mal posso esperar. – ela respondeu, nada preocupada em disfarçar o mau humor, caminhando ainda mais depressa.
Scorpius parou onde estava e deixou que ela fosse embora sozinha. Já havia a importunado o suficiente para criar uma primeira impressão. Um sorriso se formou em seus lábios enquanto via a ruiva caminhar obstinada em direção ao castelo. Sair com ela seria mais difícil do que ele imaginava, mas ele adorava desafios e, a partir daquele momento, fazer Rose Weasley aceitar seu convite havia se tornado o maior deles.
Do outro lado do campo, Cameron, que observara tudo de camarote, e Hugh, que acabara de ser liberado do treino, conversavam desanimados sobre a atuação de Scorpius. Se o garoto havia mesmo aceitado aquela tarefa, ia precisar de ajuda para domar a fera, caso contrário seria esmagado pelo gênio forte da ruiva. E era aí que Hugh entrava.
*** Continua ***
N/A: Hello pessoas!
Yey, eu voltei \o/
Então, mais um meio capítulo para vocês! Espero postar o resto dele em breve.
Mas e aí, o que acharam da primeira aparição do Scorpius?
Eu sei que está faltando um pouco de romance e talz, mas to seguindo mais ou menos a ordem dos acontecimentos no filme (afinal isso aqui é uma adaptação esculhambada do 10 coisas que eu odeio em você, como eu já disse em algum lugar) e tudo mais, então a pegação só vai rolar no próximo mesmo...hehehe
Enfim, aproveitem essa primeira parte do capítulo e por favoooor COMENTEM até seus dedos caírem!
Até breve.