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58. Capitulo 58


Fic: A Caricia do Vento. - Concluida - Dramione


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Demorou, mas eu postei! Como sempre. Final de semana passado foi impossivel de postar, e no proximo, irei postar provavelmente no domingo, ja que é feriado! =P

Ginny Potter Malfoy - Nossa, voce vai adorar os proximos capitulos, eles são cheios de tensão e outras coisas que eu não posso contar neh!? Senão perde a graça. hehehe. Beijos

Nana-Moraes Malfoy - Opa, voce vai saber  muita coisa daqui por diante, mas nem tudo será respondido. Ai é fica a encargo da sua imaginação, hehehehe! Só posso dizer isso e mais nada. Espero que voce goste do capitulo. Beijoss

Undiscovered - Oie, eu entendo sua reclamação e tentarei ser mais atenta. Prometo prestar mais atenção, mas infelizmente eu não tenho uma beta para verificar e os capitulos são enormes. Tentarei ser mais atenta. Beijos

Pessoal, é isso! Deixem reviews, como sempre! Eu agradeço! heheheh

--**--
Fitou-o atentamente, mas não havia um lampeijo de emoção por trás da aparência atraente.


 


Sem responder, caminhou na direcção dos cavalos que pastavam nos tufos de grama que cresciam teimosamente no terreno rochoso. Pegou as rédeas soltas e conduziu-os para onde Hermione estava. Uma luz dourada brilhava resolutamente nos olhos dela.


 


Não ia deixar que ele ignorasse a sua pergunta.


 


- Houve tempo de sobra para que tivessem pago o meu resgate - ressaltou ela. - Por que não me soltaram?


- Não se recebeu dinheiro algum - disse, estendendo para ela as rédeas da égua.


- Não acredito em você. - Hermione sacudiu a cabeça. - A essa altura meu pai já teria conseguido pagar praticamente qualquer quantia. Quanto foi que pediram?


 


Inconscientemente, ela tomou as rédeas das suas mãos. Malfoy se afastou, caminhando para o lado esquerdo do baio. Jogou as rédeas sobre o pescoço do cavalo e ergueu o estribo para apertar a cilha.


 


Hermione agarrou-lhe o braço, os dedos se enroscando na fazenda do poncho.


 


- Quanto? - repetiu com voz trémula.


 


Ele olhou para ela, os olhos claros impassíveis, refletindo apenas a sua imagem, e nada dos próprios pensamentos.


 


- Não se pediu dinheiro algum.


 


Sem soltar o seu braço musculoso, Hermione jogou a cabeça para trás. Os músculos da sua garganta se contraíram e ela engoliu em seco.


 


- O que quer dizer com isso?


 - Exatamente o que disse - replicou Malfoy, seriamente. - Não se exigiu dinheiro algum dos seus pais.


- Mas... - Estava confusa, quase atordoada. passou a mão nos olhos, como que para desanuviar a visão, para poder enxergar e pensar com clareza. - Por quê?


 


Indo até o lado esquerdo da égua, ele apertou a cilha da sela de Hermione. Estava ignorando a pergunta, fingindo não tê-la ouvido. Não, deu-se conta a moça, não estava sequer fingindo. Ouvira-a, mas não tinha importância.


 


- Não vai me soltar, vai? - perguntou, com voz tensa e engasgada.


 


Ele a segurou pela cintura. Hermione estava entorpecida demais para protestar quando a colocou na sela. Passando as rédeas sobre o pescoço da égua, deixou-as pousar no arção dianteiro. Ela o observou dirigir-se para o baio e montar tranquilamente.


 


- Não vou a parte alguma até que você me responda - avisou Hermione, desviando a égua da trilha.


 


Ele virou o baio para ficar de frente para ela, fazendo-o andar até que a perna roçasse na dela. As feições impassíveis encontraram o olhar desconfiado da moça.


 


- Você vai ficar - disse Malfoy vivamente, fazendo uma pausa de um segundo para acrescentar: - por algum tempo.


- Por quanto tempo? - insistiu Hermione. - Até se cansar de mim? E então, o que fará? Vai me entregar aos seus homens? Vai me vender?


 


A boca dele se estreitou numa linha severa.


 


- Você faz perguntas cretinas demais.


- Cretinas? - Sua voz falhou. - Por que é cretinice querer saber o que vai me acontecer quando você estiver cheio de mim?


- Quando esse dia chegar, será livre para partir - disse com brusquidão.


- Espera que eu acredite nisso?


- Dou-lhe a minha palavra.


 


A voz era fria e áspera, o tom profundo.


 


O brilho criminoso dos olhos dele desafiava Hermione a contestar a afirmação. Ela engoliu as palavras, duvidando poder acreditar em qualquer coisa que ele lhe dissesse naquele momento.


 


- Eles... os meus pais sabem que estou viva? - perguntou.


- Não sei.


- Mas você tem que saber - insistiu Hermione. - A sua rede de informantes lhe teria contado se estivessem fazendo perguntas a meu respeito.


- Não soube de nada.


- Não pode mandar-lhes notícias? - Seus olhos ficaram cheios de lágrimas, ao se dar conta de que seus pais provavelmente acreditavam que estivesse morta. Depois de tanto tempo, o que mais poderiam pensar! - Não pode ao menos dizer-lhes que estou bem?


- Não é possível.


- É possível! - Sua voz tremia traiçoeiramente. - Potter já me contou inúmeras vezes que há meios de descobrir as coisas. Esses mesmos “meios” podem ser usados para avisar os meus pais.


- Não funciona ao inverso - disse Malfoy, laconicamente.


- Meu Deus, você não tem nenhum sentimento! - O aperto na garganta tornava-lhe dolorosa a respiração. - Deve imaginar o que eles estão sofrendo... sabendo que posso estar morta, mas sem saber ao certo se estou ou não.


- Também seria doloroso para eles saber que está viva e não saber onde está ou poder entrar em contacto com você - ressaltou ele, rudemente.


- Por favor, Malfoy, por favor, mande-lhes notícias - suplicou ela.


- Não é possível. - Tirou as rédeas da sua mão, recuando o baio e virando-se para conduzir a égua ruana. - Não vamos mais discutir o assunto.


- Deus, como odeio você! - exclamou ela, respirando toda trémula, sabendo que era apenas a parte negra de uma emoção mais profunda.


- Já disse isso muitas vezes - escarneceu ele, friamente. - Suas palavras estão começando a se tornar insípidas, de tão repetidas.


 


As notas reconfortantes do violão faziam uma serenata suave para a luz das estrelas do lado de fora da janela. Hermione tentou ignorar a canção, o pensamento voando como sempre, nas últimas semanas, procurando um jeito de fugir.


 


Não havia esperanças com Malfoy presente. Ele a mantinha constantemente ao seu lado, levando-a para toda parte, cônscio de sua existência em todos os minutos, como se soubesse exactamente o que se passava na sua cabeça. Hermione estava contando achar uma oportunidade quando ele partisse para invadir a prisão que fora inspecionar.


À medida que os dias se transformavam em semanas e Malfoy não dava sinal de marcar o ataque, Hermione começou a ficar ansiosa. À noite, na hora do jantar, perguntara com falsa naturalidade quando ele partiria.


 


Fora preciso cada grama do seu autocontrole para não reagir quando ele lhe disse, com a mesma naturalidade, que não ia haver ataque. O prisioneiro já fora julgado, e ia ser transferido para uma prisão americana, para cumprir a sentença\.


 


Hermione voltava à estaca zero, e todos os seus movimentos pareciam estar bloqueados. Não havia saída. E ninguém para ajudá-la.


 


A última nota do violão se esvaiu no silêncio, enchendo o aposento de uma quietude significativa. Uma força irresistível fez que Hermione olhasse por cima do ombro. O pulso se acelerou ao notar o brilho ausente no olhar atento, vigilante de Malfoy. Sentiu um impulso fortíssimo de se dirigir a ele, não para suplicar que a libertasse, mas para sentir o fogo ardente do seu abraço.


 


Era sempre assim. O poder que exercia sobre seu corpo era inquietante. Cada vez que a possuía, Hermione redescobria o êxtase puro da sua posse. Malfoy dominava totalmente os seus sentidos; podia erguê-la a píncaros de paixão que ela nem sabia existirem.


 


O violão foi deixado de lado. Com graça felina, Malfoy se pôs de pé e cruzou a distância que o separava de Hermione, à janela. Ela se perdeu no fogo misterioso dos seus olhos. Embora não a estivesse tocando, podia sentir a perícia sedutora. Dedos fortes e esguios envolveram a carne macia dos seus braços.


 


Hermione sentiu os ossos se derretendo, quando ele a atraiu para junto de si. Seu coração martelava feito louco, contra as costelas.


 


As pulsações alucinadas tornavam uma piada a idéia de fuga. Estava apaixonada por ele. Provavelmente já há muito tempo.


 


O coração se lembrou de quem ele era, o chefe de um bando de renegados. Mantinha-a presa, usava-a como sua mulher sem se importar com a sua vontade. Mas Hermione sabia de tudo isso. Sabia há bastante tempo, e não fazia diferença. O coração nunca era lógico ou sensato.


 


A mão dele afastava a gola da blusa da moça, enquanto seus lábios duros buscavam o local mais sensível do ombro. Um tremor delicioso percorreu-lhe a pele quando ele o encontrou. A luta interior entre o que era sensato e o que era realidade acabou. Desta feita o amor venceu, quando Hermione arqueou a espinha para dar-lhe maior acesso às partes que explorava.


 


Não demorou e ele a tomou nos braços e a levou para o quarto. Desta vez, deitada nua ao seu lado, Hermione entregou-se totalmente. Na doçura da entrega, encontrou a realização do amor. No dia seguinte pensaria nas consequências do seu envolvimento emocional. Naquela hora curtia loucamente o fogo apaixonado da posse.


 


Mas a razão chegou nas asas do medo. O último bastião de defesa fora rompido, e o coração de Hermione não mais lhe pertencia. Vivia apavorada de que ele descobrisse o quanto estava fascinada por ele. Não havia futuro para o seu amor. Hermione sabia que tinha que fugir de Malfoy enquanto ainda lhe restava uma chance de esquecê-lo.


 


 Malfoy tocou-lhe o braço, e Hermione deu um pulo, os olhos arregalados virando para ele, para ver se ele podia adivinhar o que ela estivera pensando. Uma sobrancelha escura arqueara-se zombeteiramente ao ver como ela recuara tão violentamente ao toque.


 


- Disse que queria cavalgar esta tarde. Neville trouxe os cavalos - disse-lhe, numa voz divertida e seca.


- Que bom! - retrucou tensamente.


 


Hermione tremia muito. Enfiou as mãos trémulas no fundo do bolso da calça Levi's para ocultá-las do olhar atento de Malfoy. Passou ao largo dele, com cuidado, evitando o contacto desnecessário. Estava vivendo com os nervos à flor da pele. Aquilo não podia durar muito.


 


A égua ruana relinchou, ante a aproximação de Hermione, jogando o focinho malhado para a frente, para que a maciez de veludo fosse acariciada. Hermione fez-lhe a vontade, os músculos tensos ao redor dos lábios relaxando-se num sorriso.


 


- Alô para você também, Arriba - murmurou, vendo a égua empinar as orelhas ao ouvir o seu nome. - Pronta para uma corrida, não é?


 


Neville debruçou-se na sela para entregar as rédeas a Hermione. Segurando-se no arção, ela botou o pé no estribo e montou sozinha, antes que Malfoy pudesse oferecer-lhe qualquer ajuda. Ele tomou as rédeas do baio das mãos de Neville e caminhou até o flanco do animal, para montar.


 


A mão se fechou sobre o arção da sela. Olhando por sobre a patilha, Malfoy viu Potter vindo em sua direção, em largas passadas, e esperou. Hermione notou a urgência no caminhar de Potter e escutou, curiosa, o diálogo em voz baixa, em espanhol, entre os dois.


 


Depois de um aceno impaciente de cabeça, Malfoy saltou da sela, amarrando o baio ao poste mais próximo, antes de lançar um olhar para Hermione.


 


- Preciso fazer uma coisa - disse-lhe. - Passeie com Neville. Depois me encontrarei com vocês.


- Claro - murmurou Hermione. O sorriso que lançou a Neville era trêmulo. Seu estômago parecia cheio de nós. Vamos?


- Si - concordou ele, com um amplo sorriso, e virou o cavalo na direção do prado onde os cavalos e a pequena quantidade de gado pastavam.


 


Hermione estalou a língua para Arriba, e a égua ruana se pôs a caminho, ansiosa. Cônscia dos olhos escuros que observavam a sua partida, manteve o rosto rigidamente voltado para a frente, recusando-se a olhar para trás, embora soubesse que era o que Malfoy estava esperando. Neville cavalgava a passo com o cavalo, e Hermione não fez nenhuma tentativa de apressar o ritmo.


 


- A señora está preocupada com alguma coisa, não?


 


A voz, de sotaque muito forte, estava cheia de interesse ao olhar para o rosto angustiado dela.


 


- Não. Não, claro que não.


 


Repetiu a segunda negativa mais enfaticamente, , deu uma leve esporeada para incitar a ruana a meio galope prado afora.


 


Vacas irritadas saíam do caminho. Um bezerro saiu correndo, a cauda levantada bem alto no ar. A égua de pernas longas dava passadas compridas; mesmo a meio galope, começou a se distanciar da montaria mais lenta e robusta de Neville. Hermione olhou por cima do ombro, sabendo que ele logo forçaria o cavalo a galopar, se ela se distanciasse muito.


 


Noutras épocas mais despreocupadas, Hermione teria zombado dele por causa da lentidão do seu cavalo.


 


Naquele dia, apenas ficou observando, com um olhar distraído... pelo menos, o olhar era distraído, até ver o cavalo de Neville tropeçar. Mais uma passada e ele caiu para a frente, indo ao chão.


 


Seus olhos espantados viram Neville livrar-se da sela, enquanto o animal caía pesadamente ao solo. Imediatamente, Hermione deu meia-volta com Arriba, para correr para junto do companheiro caído. Neville já estava de pé e andando quando ela o alcançou.


 


- Está bem, Neville ? - indagou, ansiosa.


- Si - respondeu, distante, enquanto exortava o cavalo caído a se levantar.


 


Depois de dar chutes e agitar as pernas, o cavalo apavorado finalmente se levantou, mostrando O branco dos olhos, sacudindo a cabeça nervosamente. O animal ficava mudando de posição, poupando a perna direita dianteira.


 


- Está ferido - disse ela, mas Neville já tinha percebido, e corria a mão exploratória sobre a perna, falando baixo e carinhosamente com o cavalo, em espanhol, para acalmá-lo. - Está muito ruim?


- É... - Neville hesitou, franzindo a testa e concentrando-se para encontrar a palavra inglesa certa - uma torção feia, acho.


 


Hermione soltou um profundo suspiro de alívio.


 


- Que bom. Por um momento temi que... Não terminou a frase.


- Terei que levá-lo de volta ao curral, señora - disse ele, e a expressão era de quem pedia desculpas pelo passeio ter que acabar tão cedo.


- Tudo bem, Neville, compre...


Também não terminou essa frase.


 


O pensamento atingiu-a como um raio. Essa era justamente a oportunidade pela qual estava esperando, o momento exato para fugir. O cavalo de Neville estava manco. Era impossível para ele deter Hermione, ou sair em seu encalço.


Sem se dar chance de pensar uma segunda vez, girou a égua, dirigindo-a para a trilha inclinada que conduzia para fora do desfiladeiro. Seus olhos estavam cheios de lágrimas, e ela não tinha a menor idéia de por que tinham brotado.


 


- Señora! - chamou Neville, surpreendido. Ela enfiara as esporas nos flancos da égua, mas ainda segurava com firmeza o freio. A ruana saltou para o lado, saltitando e empinando, sem saber a qual das ordens obedecer. - Señora! Não vá! Não, señora!


 


Seu queixo tremia enquanto olhava por sobre o ombro. Podia enxergar o ar de medo desesperado no rosto de Neville, que corria na sua direção. Debruçou-se para a frente na sela, deixando o freio livre para Arriba, enquanto chicoteava as ancas da égua com as pontas das rédeas.


 


- Volte!


 


Mas os gritos de Neville já se desvaneciam. A égua disparava encosta acima, os cascos fazendo voar pedaços de rochas e poeira. Hermione olhou para trás uma vez, quase no topo, e viu Neville correndo pelo prado para dar o alarme.


 


Cruzando a garganta, Hermione guiou a égua para descer a montanha, depois deixou-a à vontade. Havia uma pequena trilha ladeada de árvores, que descia sinuosa e tortuosamente. Hermione agarrou-se bem ao pescoço da égua, baixando a cabeça e desviando-se dos galhos que tentavam derrubá-la da sela.


 


Os troncos espalhados pelo caminho reduziram, velocidade a um meio galope, a égua fazendo mudanças fluidas de direção a cada curva da trilha. Parecia que a descida não acabava nunca. Quando o solo ficou plano, a égua passou a trotar, bufando forte, as narinas bem dilatadas para aspirar o ar.


 


O impulso natural de Hermione foi chicotear o animal para fazê-lo galopar, sabendo que Malfoy logo viria atrás dela. O bom senso não deixou que o fizesse. Ainda havia um longo caminho a percorrer para se atingir qualquer tipo de civilização. Era preciso conservar as forças da égua.


 


Quando permitiu a Arriba que cavalgasse a passo, sentiu um vigor reconfortante nas largas passadas da ruana. No vale da montanha, Hermione virou para o sul, tomando o caminho menos acidentado. Para o leste, havia mais montanhas para se atravessar, o que significaria uma velocidade menor e o esgotamento da égua. O vale se estendia para o norte, mas, ao que lhe constava, a terra era irregular e estéril, e escassamente povoada. O sul era a escolha certa. Havia vilas e cidades, campos de mineração e de corte de madeira. Além disso, o terreno do vale era relativamente plano. Daria à égua rápida uma chance de usar a velocidade para se distanciar de qualquer perseguidor.


Olhando por cima do ombro, Hermione não pôde ver ou ouvir ninguém a segui-la. A imagem de Malfoy lhe veio à mente, e seu coração se apertou de saudade. Sacudiu a cabeça para afastar a imagem.


 


Hermione acariciou o pescoço úmido da ruana. Seguiram em frente, alternadamente a meio galope, a trote e a passo, Hermione não tinha idéia de quantos quilômetros tinham viajado, nem quanto tempo se passara. O sol começara a se pôr a oeste. Restavam apenas algumas horas de luz do dia.


 


Foi então que alguma coisa alertou Hermione. Virou-se para ver meia dúzia de cavalos e cavaleiros galopando diagonalmente na sua direção. Reconheceu Malfoy instantaneamente. Por uma fração de segundo pode apenas fitá-los, incapaz de reagir.


 


Esporeou os flancos do animal, e este disparou. Em duas grandes passadas, a égua estava galopando. Adiante, Hermione enxergou uma extensão de terra longa e muito plana. Se pudesse chegar até lá, sabia que a égua velocíssima deixaria os outros cavaleiros para trás.


 


Mas Malfoy também devia tê-la enxergado, e deduzido a mesma coisa. Não subestimava a velocidade da montaria de Hermione. Vinham cavalgando à tola num ângulo para interceptá-la antes que chegasse à área plana. Era tarde demais para desejar tê-los visto um minuto mais cedo.


 


Inclinando-se para a frente na sela, enterrou o rosto na crina esvoaçante do animal. Sentiu o animal distender-se, como se compreendesse a necessidade desesperada da sua amazona de uma maior velocidade. Cada músculo da égua dava o máximo de si, tentando vencer a corrida para a liberdade.


 


Hermione inclinou a cabeça para o lado, olhando por entre a crina clara para distinguir a distância a que se achavam seus perseguidores. Enxergou-os, ainda um tanto longe, o ângulo aumentando.


 


- Vamos conseguir, Arriba! - gritou, exultante. - Vamos conseguir!


 


Não havia possibilidade de Malfoy interceptá-la antes de chegarem ao terreno plano. Ela sentiu uma pontada de dor no peito. Por um segundo, teve vontade de que ele a alcançasse. Queria que a levasse de volta ao desfiladeiro. Mas não diminuiu a velocidade da égua naquele momento de fraqueza.


 


Quando ela e Arriba cruzaram a linha invisível que lhes dava a vitória, Hermione viu Malfoy frear o cavalo, admitindo a derrota. Viu de relance os movimentos bruscos do baio, ao parar de chofre. A seguir desviou rapidamente o olhar. Continuou abaixada na sela, encolhida sobre o pescoço da égua, mas suas mãos não mais exortavam o animal a dar o máximo de si. Mesmo assim, a ruana não diminuiu a velocidade.


 


Simultaneamente, uma explosão rasgou os ares, e a égua cambaleou, interrompendo o galope. A ruana tentou recuperar-se, esforçando-se para manter o equilíbrio. Atordoada, Hermione tentou ajudar, puxando as rédeas para erguer a cabeça da égua e firmar-lhe as pernas.


Mas era tarde demais. A égua caía ao chão. Hermione mal teve tempo de soltar os pés dos estribos e pular da sela. Voou pelo ar. Depois, tudo escureceu.


 


Quando abriu os olhos, deparou com a fisionomia carrancuda de Malfoy. Por um instante de atordoamento, Hermione não soube onde estava, ou o que acontecera. Tentou se mexer, e sentiu uma forte dor na cabeça.


 


- Foi uma idiota em tentar fugir - rosnou ele, apertando os lábios.


 


Hermione fechou os olhos.


 


- Eu sei - concordou, com um pequeno soluço.


 


Sentiu lágrimas nos olhos. Não sabia se queria chorar porque tinha falhado na tentativa de fuga, ou porque estava contente por ele tê-la alcançado.


Era uma idiota por muitos motivos.


 


- Está sentindo dor? - perguntou rudemente.


- Estou - gemeu Hermione, os pulmões estourando com o esforço.


- Onde? - perguntou, sem compaixão na voz, apenas raiva.


- Minha cabeça. - Tentou erguer a mão trêmula para tocar o local e descobriu um milhão de outros locais que doíam. - Em toda parte - arquejou.


- Fique imóvel - ordenou Malfoy.


 


A despeito da raiva, o seu toque era surpreendentemente suave enquanto as mãos procuravam ferimentos específicos. Hermione ficou confortada por isso. O entorpecimento estava começando a desaparecer. Excetuando a dor na cabeça, achava que não estava seriamente ferida em mais nenhum lugar, era só uma pisadura grande devido à queda.


 


Malfoy chegou à mesma conclusão.


 


- Não há nada quebrado.


- Arriba... - Hermione ia perguntar pelo estado da égua valente, mas Malfoy já estava ajudando-a a pôr-se de pé, sustentando-a pelos ombros.


 


O corpo doído protestou, e Hermione teve que se concentrar para fazer os músculos obedecerem. O braço dele continuou a sustentá-la enquanto ela oscilava, atordoada. Seu olhar se fixou num objeto grande, castanho, que jazia inerte no chão. Era Arriba, sem sela e arreios, imóvel na morte.


 


Com um grito abafado, Hermione cambaleou até a égua, caindo de joelhos junto ao animal morto. A mão incrédula tocou o pescoço comprido, a umidade do suor agarrando-se ao pelo do animal. O corpo ainda estava quente, porém não mais pulsava com vida. Não soube exatamente quando viu o buraco e descobriu a causa.


Hermione olhou furiosa e acusadoramente para Malfoy, sem ligar para a dor que fazia latejar a sua cabeça.


 


 - Você a matou! Atirou nela!


 


Não pôde mais falar quando Malfoy se postou diante dela.


 


Abaixou-se e puxou-a para que ficasse de pé.


 


- Acha que eu a teria deixado ir embora?


- Mas não precisava tê-la matado! - exclamou Hermione, tentando livrar-se dele.


Ele a puxou com força para junto de si. A violência do súbito contacto quase lhe tirou o fôlego. Seus braços não conseguiam abrir nenhum espaço entre eles enquanto ele a esmagava contra o peito, sua cabeça jogada para trás para que ele visse as lágrimas magoadas e zangadas nos seus olhos.


- Se houvesse algum outro meio de detê-la, acha que não o teria usado! - rosnou Malfoy. - Acha que, quando tomei o rifle nas mãos, não tinha consciência de que estava me arriscando a matá-la, ou feri-la seriamente! Acha que não tive vontade de chamar a bala de volta, depois que saiu da arma! - A linha da boca estava severamente estreita. - Não tem importância para mim que o cavalo esteja morto.


Não concluiu dizendo que era importante que ela estivesse viva e incólume.


- Mas não foi culpa de Arriba - protestou Hermione, o choque ainda muito recente para achar algum consolo nas palavras que ele apenas sugerira.


- Não, a culpa foi minha de tê-la deixado montar a égua, para começo de conversa. - A voz baixa estava áspera e tensa com uma raiva que mal controlava. - Se não me agradasse à imagem de duas beldades de pernas compridas... - Calou-se bruscamente, enquanto lançava um olhar gélido para além de Hermione. - O que é?


- Uma patrulha vem vindo para cá - Hermione ouviu a resposta de Potter. - Deve ter ouvido o tiro.


 


Hermione foi empurrada na direção do baio de Malfoy, enquanto ele dava uma ordem brusca:


 


- Mande os homens se separarem. Encontramo-nos no desfiladeiro.


 


Antes que pudesse tentar montar, Hermione foi erguida e colocada na sela, Malfoy montando atrás dela. Seus pés ainda não se haviam enfiado nos estribos, e já dava meia-volta com o baio, esporeando-o para galopar. Hermione teve apenas uma visão de relance dos cavaleiros que se aproximavam, vindos do sul, a uma distância considerável. Não pôde deixar de pensar em como tinha estado perto de escapar.


Malfoy virou o cavalo para o nordeste, enquanto o pequeno bando de cavaleiros se dispersava em todas as direções. Carregando peso dobrado, o baio não podia vencer a patrulha na corrida; assim, Malfoy guiou o animal pela encosta íngreme de uma montanha, onde a agilidade do baio criado naquelas altitudes compensaria a pouca velocidade.


 


Em certo momento, quando pararam numa clareira entre as árvores, Hermione sentiu que Malfoy se virava na sela para olhar para trás.


 


- Estão nos seguindo! - indagou a moça.


- Já os perdemos de vista - declarou com voz inexpressiva. Mas não havia como disfarçar a amargura cortante, quando acrescentou: - Não era esta a resposta que queria ouvir, era!


A raiva dele para com ela não diminuíra. Hermione ficou calada. Não havia meios de negar a acusação, embora não fosse a verdade. Ambos permaneceram calados enquanto o cavalo baio se dirigia para o norte, a sotavento da cordilheira.


 


Já estava escuro quando chegaram à garganta do desfiladeiro. O luar prateava o corredor enquanto o atravessavam, o baio trotando, ansioso para voltar para casa. Hermione sentiu um leve aperto no coração, como se também ela estivesse voltando para casa.


 


Potter estava dentro da casa, esperando. Ergueu os olhos, cumprimentando-os sem sorrir.


 


- Estou vendo que se safaram - falou. - Consuelo fez café e tem comida na mesa.


Hermione abriu a boca para dizer que queria apenas ir para a cama, mas Malfoy falou antes que pudesse se manifestar:


- Tomaremos café.


 


Usou o tom de voz que já era bem conhecido de Hermione. Era o que dizia que lhe derramaria o café pela goela abaixo se tentasse recusá-lo. Assim, ela ficou calada e foi sentar-se à mesa.


 


Malfoy serviu duas xícaras, acrescentando uma grande quantidade de açúcar àquela que colocou diante de Hermione. Esta sorveu o líquido forte e negro, sem conseguir olhar para ele, que veio se sentar ao seu lado. Havia um silêncio pesado, opressivo, no ar.


 


Lançou um olhar a Potter, sentado à sua frente. Ele desviou rapidamente o seu, um ar de preocupação e angústia nos olhos azuis.


 


Quase imediatamente, levantou-se da mesa.


 


- Está na hora de ir andando - disse laconicamente, e se retirou sem esperar que alguém lhe desse boa-noite.


 


Hermione sentia, constrangida, o olhar penetrante de Malfoy.


 


- Por que fugiu, Hermione?


 


Levantou bruscamente a cabeça para ele, as lágrimas que afloravam ocultando o amor que brilhava nos olhos pintalgados de dourado.


 


- Tinha que tentar escapar. Tinha que tentar - repetiu.


 


Ele tirou o café das mãos trêmulas da moça, e olhou para ela por um longo momento. O olhar velado não deixava transparecer nada do que ela pensava, mas ela esperou que ele a puxasse da cadeira e a tomasse nos braços, o único lugar que ela agora sentia ser o seu.


 


Ao invés disso, ele virou a cabeça e ficou olhando para dentro da caneca de café.


 


- Precisa dormir. Vá para a cama.


 


Hermione levantou-se, entorpecida, da mesa e se dirigiu para o quarto, onde se despiu e se arrastou para baixo do cobertor. Ficou acordada durante muito tempo, esperando que Malfoy fosse ter com ela, mas finalmente seu corpo cansado e dolorido insistiu para que adormecesse.
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