Os dois permaneceram se olhando por alguns minutos que para eles representava décadas ou até mesmo milênios, quem podia dizer o contrário depois do momento tão sublime e intenso que transcorreu entre eles?
Só voltaram a si quando ouviram o motor do carro de um vizinho saindo da garagem, eles estavam praticando no meio da rua. Sem saber o que falar ou até mesmo para onde ir, os dois apenas sorriram um para outro por mais um tempo e continuaram a caminhar em direção a uma praça que ficava no final da rua do condomínio.
Meu Deus o que foi aquilo que aconteceu? Estou com a sensação de que estamos juntos aqui a muito tempo, digo juntos no sentido de estarmos perto um do outro. Eu sinceramente nunca havia sentindo tantos sentimentos e sensações ao mesmo tempo, o olhar dele me levou a uma dimensão que não há palavra que eu possa explicar. Foi algo mágico, mágico não porque magia não existe, mas algo celestial!
Hermione pensava consigo mesma quieta e de cabeça baixa, não percebeu que Ronald também tinha a mesma expressão.
Nossa! Posso jurar que ela viu minha alma me olhando daquele jeito. Se eu não estivesse tão humano poderia supor que ela me viu como anjo através de meus olhos.
Ele olhou de esgueira para ela.
Estou sentindo algo diferente. Eu já ficava estranho perto dela, mas agora não é bem estranho a palavra certa. Não sei dizer. Mas é uma sensação muito boa, pra falar a verdade é maravilhoso.
O ruivo sorriu sozinho.
O que será que ele está pensando? Aiii não quero nem imaginar! Deve estar achando que eu sou uma atirada. Uma qualquer. Aiii não, não.
Ela balançou a cabeça negativamente se culpando.
- Ãhn.. Chegamos? – Hermione foi tirada de seus devaneios de repente, nem tinha visto o tempo passar.
Ela ergueu a cabeça rápido olhando para frente e vendo onde estavam.
- Sim, sim! Chegamos. – Respondeu sem graça.
- Muito bonito aqui. – Disse Ronald caminhando na frente.
- É. Bastante. – Respondeu ela indo atrás dele observando suas expressões. – Gostou?
- Sim. Tem muitas árvores, bastante sombras e flores. – Ele olhou ao redor sorrindo e voltou sua atenção para ela. – Fascinante.
Hermione estranhou o jeito dele não imaginava que um garoto pudesse ter uma reação assim a algo tão simples, afinal existia outras praças muito mais bonitas do que aquela. Ela ficou olhando para ele.
- O que foi? Falei algo errado?
- Não, não é isso. Só achei estranho, quer dizer, engraçado o jeito que você falou. – Ela riu por um breve momento e caminhou até um dos balanços que naquele momento já estava sob uma bela sombra.
- Então falei algo errado. – Ele parou na sua frente.
- Não é isso. – Hermione sorriu mais uma vez.
- Então explique.
- Desculpe. Não é nada com você, mas só achei diferente o jeito no qual se referiu a praça. Os garotos que conheço não são muito fãs de natureza e muito menos ficam fascinados ao ver uma simples pracinha como essa.
- Ah é isso.
- Espere! Não estou insinuando nada. – Ela levantou-se apressada e não percebeu que estava perto demais dele.
Eles se olharam por mais um tempo sem falar, então ele saiu sem jeito e sentou-se no outro balanço, ela com tudo ficou de costas para ele tentando sentir o restinho de perfume que havia ficado no ar.
- Eu... eu entendi a que quis se referir Hermione. – Ronald respirou fundo como se faltasse seu ar, mas voltou ao normal quando ela virou para olhá-lo. Estava aprendendo a disfarçar.
- Desculpe se eu...
- Tudo bem, eu entendi. – Ele sorriu.
- Que ótimo então. –Ela voltou a sentar no balanço.
Eles permaneceram em silêncio por alguns minutos apenas se balançando.
- Aqui é bem agradável.
- É sim, muito, e bem calmo também. Mas o clima está agradável porque logo, logo entrara o outono então começou a esfriar.
- É verdade, havia me esquecido digo. Como se eu não tivesse visto isso durante tantos anos.
- Como assim?
Falei demais.
- Sim, todos os anos da minha vida pelo menos os conscientes. – Ele riu. – Vi as estações passarem.
Não fica falando besteira Ariel.
Hermione sorriu.
Ele é bem enigmático. Eu gosto disso.
Ela sorriu sozinha, o ruivo percebeu e tentou imaginar o que ela havia achado graça.
- Espero chegar em casa e ainda ter um pouco da sua torta.
Os dois riram.
- Não tem problema se não tiver mais eu faço outra, se quiser é claro.
- Seria muito bom.
O assunto morreu mais uma vez.
O que eu falo mais? Quero saber coisas dele, mas não sei se devo perguntar seria muita falta de educação. A gente quase não se conhece.
- Mora a quanto tempo aqui? – Hermione foi interrompida de seus pensamentos.
- Desde que nasci logo após meu nascimento meu pai e minha mãe se mudaram pra cá, antes eles moravam com meu avô em outro bairro.
- E seu avô vem visitar vocês?
- Não. Ele já faleceu. – Ela olhou para baixo triste.
Fica quieto Ariel, como foi fazer essa pergunta, você sabe que o avô dela já morreu. Porém não posso dizer algo que dê a entender que eu sei.
- Ah desculpe, eu não quis...
- Tudo bem Ronald, só fico um pouco triste porque eu e ele éramos muitos chegados, meu avô era praticamente um segundo pai pra mim, fazíamos tudo junto.
- E quando ele faleceu? – Eu sei que eu sei.
- A 1 ano.
- Recente. – Para eu que vi tudo parece que foi ontem. – E foi de quê? – Como sou inconveniente.
- Infarto.
Mentira!
- Não deu tempo de fazer nada? – Como se pudessem.
- Não, papai o encontrou morto já. Ele havia ido a casa dele buscar uns papéis para um negócio grande que eles estavam fechando e quando chegou lá o viu caído. Não deu tempo de nada. – Hermione olhou para baixo.
Marcus foi tão iludido quando seu filho Fabian.
Ronald vendo Hermione tão triste não pode evitar e se aproximou dela mesmo estando no balanço, pegou sua mão, isso fez que a garota o mirasse encontrando seus lindos olhos azuis.
- Não fique assim, não pense no passado, apenas lembre dos momentos bons que vocês passaram juntos, das brincadeiras, dos sorrisos, e até mesmo dos sustos.
Ela estreitou os olhos para ele.
-Como sabe que meu avô gostava de me dar sustos?
Falei demais de novo.
- Avôs fazem isso, é deles. Todo avô faz isso.
- O seu fazia?
Não tive avô.
- Claro, e bota susto nisso. Cada um que vou te contar. – Ele deu uma risadinha a fazendo rir também.
To virando um mentiroso. Mas Senhor é necessário.
- Engraçado por um momento imaginei que soubesse as coisas que meu avô fazia.
- Como assim? Tipo vidente? – O ruivo gargalhou a levando no embalo.
- Ah sei lá. – Ela riu novamente.
- É muito bom te ver sorrir, melhor do que aquele rostinho triste que estava antes. Não gosto de te ver assim. – Mancada. – Não gosto de ver ninguém triste. – Ele tentou corrigir.
- Verdade, nada de tristeza só alegria. – Ela sorriu para ele.
- Isso! – Ronald ainda segurava as mãos dela, ele as acariciava tão sutilmente que Hermione nem percebia, os dois se olhavam intensamente como se fosse a última vez que fariam isso. Eles sabiam que algo estava acontecendo, mas nenhum dos dois se atrevia a conversar sobre isso ou comentar. Aquele não era o momento, arecem tinham se conhecido talvez precisassem de mais um tempo para ter certeza do que era, ou do que estavam sentido. Mas sabiam que algo Havia mudado e continuaria mudando.
- Quero te agradecer mais uma vez.
- Pelo o quê?
- Por hoje de manhã.
- Mas você já me agradeceu.
- Eu sei, mas se você não tivesse chegado não sei o que teria acontecido.
- Por que diz isso?
- Por que eu sentia algo estranho, algo muito ruim. Não sei explicar.
- Agora quero saber, na verdade estamos com essa conversa pendente, aceito suas novas desculpas se me contar o que aconteceu antes de eu te encontrar. – Se ela me contar saberei exatamente o que aconteceu e vou poder protegê-la.
Ela sorriu.
- Tudo bem então. – Hermione olhou para suas mãos e estancou, ele ainda as segurava e ela nem tinha percebido. Ele vendo que ainda segurava suas mãos as soltou gentilmente, mas não deixou de olhá-la esperando suas explicações.
- E então...? – Ele disfarçou.
- Tá. Mas me prometa uma coisa.
- O que?
- Que não irá rir de mim, debochar ou me chamar de louca.
- E porque eu faria isso?
- Não sei, talvez ache estranho ou ridículo o que vou contar, e até mesmo que estou fora da casinha.
- Fora da casinha?
- É tipo, que to louca ou pirando.
- Ah tá. Não, não se preocupe. Prometo que não irei rir. Juro. – Essas gírias.
- Certo. Antes de você me encontrar eu estava na aula de educação física, até aí tudo normal, depois fui para o vestiário tomar um banho, me arrumar, então minhas colegas me deixaram sozinha, eu tomei meu banho tranquilamente até tudo acontecer. – Hermione tremeu ao lembrar.
- O que aconteceu Hermione? Talvez você me contando vás tirar esse peso que está na suas costas, posso senti-lo em você, nas suas expressões como se a fizesse retrair.
Ela riu nervosamente.
- Você é bem observador Ronald.
- Já me disseram isso. Mas continue.
Ela suspirou e continuou.
- Quando eu estava quase saindo do banho ouvi um barulho de porta pensei que ainda havia alguém lá, mas perguntei e não houve resposta, continuei e quando estava terminando de me secar senti perfeitamente a presença de alguém passar nas minhas costas como se alguém tivesse passado por mim, sabe? Foi estranho.
Esses atrevidos. Sujos.
- Sei.
- Perguntei de novo e não ouvi resposta, dessa vez achei que estava louca mesmo. Quando fui me vesti eu ouvi perfeitamente passos logo ali na minha frente, e eu olhei e não vi ninguém, Ronald foi assustador, eu tava olhando para o local ouvindo os passos e não via ninguém. Tomei coragem e quis ir até o final do vestiário quando ouvi o choro de uma criança, aí foi o fim da picada, eu não sabia se estava ouvindo coisas e louca ou se realmente tinha uma criança ali, eu optei pela segunda opção na esperança que fosse uma criança do fundamental que tivesse entrado e eu não havia visto, fui caminhando olhando porta por porta e nada, quando cheguei a ultima o choro cessou e tudo estava em silêncio... – Ela parou, lembrando.
- Tudo bem se não quiser falar mais Hermione.
- Não, eu quero. Preciso falar se não vou explodir. Foi emoção demais pra mim.
- Estou ouvindo.
- Olhei no Box, mas não havia ninguém cheguei à conclusão que estava imaginando então foi quando ouvi alguém me chamar, pude ouvir nitidamente meu nome fluir no ar. – Enquanto Hermione falava Ronald mexeu-se inquieto. – Foi horrível comecei a me sentir pressionada por algo invisível, algo no qual eu não podia lutar. Fiquei fora de mim por alguns segundos, mas consegui retomar a razão e sai correndo. Mas parecia que quanto mais eu corria, mas as vozes ficavam perto de mim, sentia como se estivessem do meu lado correndo junto comigo. – Os olhos da garota lagrimejaram ao contar o que sentiu.
- E o que elas diziam?
- Não lembro muito bem por que estava muito perturbada, mas pude ouvir algumas coisas como: você é minha, vamos te pegar, ouvi risadas, sons de fogo crepitando. – Ela suspirava ao se lembrar de tudo, inquieta levantou-se do balançando e caminhou para baixo de uma árvore.
Ronald levantou-se também e foi atrás dela ficando de frente para suas costas, ela cruzou os braços em frente ao corpo visivelmente inquieta.
- Então tudo ficou preto, eu não vi nada. – Ela riu sem vontade. – Imediatamente pensei que estivesse morrido e eles sejam lá o que eram tinham finalmente me pegado. Meu corpo continuava pesado e só fez com que eu tivesse certeza que tinha morrido. Então ouvi uma voz algo que me fez perceber que eu estava viva. – Ela virou-se para trás e Ronald estava muito perto dela mais uma vez, Hermione suspirou hipnotizada pelos seus olhos. – Ouvi a sua voz me trazendo de volta. – Ela sussurrou o olhando profundamente. – Você me tirou do inferno, por que era lá que eu estava.
Ronald suspirou diante das palavras dela e com um impulso pôs sua mão direta sob o rosto de Hermione a fazendo fechar os olhos e sentir o toque do rapaz, era quente e suave.
A pele dela é tão delicada e macia tem a textura de uma nuvem. A cor de seus lábios é tão chamativa e convidativo, um rosa forte e límpido. Simplesmente linda.
O coração da garota batia acelerado e sua respiração era ofegante e fraca quase imperceptível. Ronald sentia-se igual, podia sentir o coração dela saltar e concluiu que o seu estava da mesma maneira. Não entendia por que. Estava confuso.
- Eu sempre vou estar aqui Hermione, sempre, pra você. – Ele sussurrou para ela. Mesmo de olhos fechados ela sorriu.
- Eu sei. Agora posso sentir isso.
- Pode?
- Sim. – Ela abriu os olhos para mirá-lo. – Pode parecer uma bobagem, mas antes de virmos pra cá e estávamos parados lá na rua senti como se já te conhecesse de algum lugar e isso me fez ter mais confiança em você mesmo tendo te conhecido ontem.
Ele sorriu sendo seguido por ela.
- Está me achando estranha?
- Não. Estou pensando que você tem um dom. – Ela estranhou no modo como ele falou.
- Como assim? – Perguntou colocando a mão direita sobre o peito dele.
- Um dom de encantar as pessoas mesmo as mais desconhecidas. – Ele sorriu.
- E fiz isso com você? – Perguntou olhando dos olhos para a boca dele e vice-versa. Ele engoli seco fazendo a mesma coisa.
- Pode ter certeza que sim Hermione. – Os dois sorriram.
- E é bom?
- Pra mim nenhum pouco. Hermione enrugou a testa.
- O que quer dizer?
- Nada, isso não importa agora, um dia eu te conto.
Ronald e Hermione se olharam intensamente, seus corações batiam no mesmo ritmo, essa pequena conversa só vez com que a vontade dos dois de ficarem mais perto aumentasse ainda mais.
- Desde que te vi senti vontade de fazer uma coisa. – Ela disse de repente chegando um pouco mais perto.
O ruivo prendeu a respiração.
- O que? – Suas pernas tremiam.
Se ela continuar a chegar perto não sei onde vamos parar.
Ela não respondeu apenas deslizou a mão que estava no peito dele até a nuca os aproximando ainda mais, meio sem jeito do que fazer ele com a mão esquerda envolveu a cintura dela delicadamente sentindo-a tremer inteira com o toque, isso o deixou feliz não sabia por que apenas sorriu de lado, ao sentir o corpo dela encostar-se ao seu ele também tremeu e involuntariamente colocou a mão que estava sobre o rosto de Hermione em sua cintura a entrelaçando.
Ela sentiu-se mais confiante ao perceber que ele também queria tanto quanto ela e sem pensar muito Hermione se inclinou um pouco mais para frente ficando na mesma altura que ele e então seus lábios se tocaram, se encaixaram perfeitamente. Hermione sentia os lábios dele quente e úmidos sobre os seus, não havia explicações para as sensações que corriam pelo corpo dela era algo infinitamente belo e puro. Nunca havia sentido.
Primeiramente era só um selinho, mas ao longo dos segundos os dois sentiram necessidade de aprofundarem o beijo, precisavam sentir o gosto um do outro, não era uma opção e sim um fato.
Ronald estava tão perdido nunca havia beijado ninguém era um anjo e jamais pensou na hipótese de ter algum contato com um ser humano ainda mais assim. A morena deduziu que ele estava nervoso por isso não havia a beijado mais intensamente, mas com o desejo que a consumia mais uma vez tomou a frente e entreabriu seus lábios, ele a seguiu prontamente mesmo sem saber o que estava fazendo, em poucos instantes Hermione entrelaçou a sua língua ao do rapaz o estimulando, fazia movimentos com a sua percebendo que ele a seguia.
Ela agarrou-se mais ao pescoço dele, e Ronald apertou a cintura dela colando seus corpos não deixando espaço algum entre eles. Seus beijos eram fortes e intensos igualmente as sensações que percorriam os corpos dos dois, era algo inexplicável. Não sabem quanto tempo ficaram se beijando e muito menos se preocuparam se alguém os olhava, só queriam aproveitar o momento.
ARIEL O QUE ESTÁ FAZENDO?! –Uma voz ecoou em sua mente.
Ronald assustou-se e soltou Hermione rapidamente a assustando também. Ele olhou para baixo colocando as mãos na cabeça, aturdido.
- Ronald o que foi? – Ela perguntou ofegante pelo beijo e pelo susto. – Desculpa se não...
- Não Hermione não é isso. É que...
VEM PRA CASA AGORA, VOCÊ ESTÁ MALUCO?
- Aaah...- Ele gemeu, sua cabeça doía.
- Ronald o que houve? – Ela chegou perto dele colocando a mão sobre o ombro dele.
- Nada Hermione, preciso ir. – Disse ele saindo de perto dela.
- Espere, eu vou com você. – Ela respondeu pegando a mão dele o obrigando a olhar. Foi quando ele percebeu a preocupação nos olhos dela e sentiu remorso. Seu coração apertou.
- Por favor, Mione fique aqui. Depois conversamos tá? – Ele voltou e a beijou na testa. – Não fique preocupada. Tchau. – E saiu correndo a deixando parada no meio da praça.
Ela suspirou preocupada.O que será que aconteceu? Depois de algum tempo olhando para onde ele havia sumido lembrou-se do beijo, o beijo que a muito tempo ela queria dar nele, ela pôs a mão nos lábios e sorriu abobada fechando os olhos. Depois de um tempo sorrindo sozinha e se lembrando de cada instante ela foi para casa queria ligar para a mãe de Gina, iria visitá-la no dia seguinte.
Vou contar tudo a Gina, sei que ela pode me escutar.
...
A caminho de casa Ronald sentia as ideias fervilharem em sua mente, sentia sua cabeça doer, não sabia se era devido à gritaria dentro dela ou pela explosão de adrenalina que subiu e desceu rapidamente pela sua corrente sanguínea durante o beijo com Hermione. Sabia que estava muito encrencado, mas nem a preocupação com seus irmãos o fizeram parar de pensar nos doces lábios de Hermione, das mãos delas em sua nuca o acariciando e o calor que o corpo dela emanava para o seu.
Sentia-se diferente mais vivo do nunca. Sabia por que, mas não queria aceitar, não queria acreditar. Não podia se desviar da missão ao qual havia sido designado. Isso era um pecado. Não seria perdoado por isso.
Caminhava pela rua sem olhar para os lados, estava tão aturdido que não ouvia os próprios pensamentos. Caminhou por alguns minutos até chegar a sua casa, não percebeu o tempo que levou só voltou a si quando ouviu o grito do seu irmão.
- ARIEL, O QUE PENSA QUE ESTÁ FAZENDO? – Carlos estava parado perto da escada com um olhar irado.
Ronald entrou na casa ainda com as mãos sobre os ouvidos para tentar abafar as dores que o consumiam.
- ESTOU FALANDO COM VOCÊ!
- Pare de gritar Miguel. Não vê que ele não está bem. – interveio Valentina abraçando o irmão pelos braços e o ajudando a sentar no sofá.
- NÃO ESTÁ? EU NÃO ESTOU BEM URIEL. VOCÊ VIU O QUE ELE FEZ? – Miguel levantava os braços para cima em sinal de frustração.
- Não é culpa só dele, ela também o beijou.
- Não me lembra esse fato. – Repreendeu Carlos.
- Por favor, pode parar de gritar? – Ronald falou pela primeira vez.
- Aaaah você quer que eu pare de gritar? – Carlos perguntou sarcasticamente. – QUER É? ENTÃO PARE DE FAZER BESTEIRA.
Ronald encolheu-se no lugar fechando ainda mais os olhos.
- CHEGA MIGUEL! – Dessa vez quem gritou foi Valentina. – Quer dizer Carlos. – Ela remediou. - Vamos nos acalmar agora. Ronald não está bem é visível e nós não iremos ajudá-lo se continuarmos a brigar com ele. Isso não é uma atitude certa Carlos e você melhor do que ninguém sabe disso. – A essa altura Valentina estava de pé o olhando profundamente.
Carlos suspirou profundamente e pôs as mãos na cintura vencido.
- Tudo bem. Perdoe-me, eu perdi o controle. – Ele passou a mão pela cabeça impaciente.
- Certo. Devemos relevar, faz muito pouco tempo que estamos em forma humana e não tivemos a oportunidade de aprender a controlarmos nossos sentimentos, se é que isso é possível. – Valentina suspirou. – Vou preparar um chá e pegar algo pra ele comer e, por favor, Carlos seja um pouco gentil. – Ela olhou para o irmão e saiu.
Ronald estava quieto sentado no sofá encolhido como uma criança recuada, Carlos o olhou apreensivo, seu coração bateu descompassado.
- Perdoe-me irmão. – Ele caminhou e sentou-se no sofá que ficava a frente do sofá onde Ronald estava sentado. – Não era minha intenção ter gritado com você, eu apenas me assustei, quer dizer, não sei a palavra certa pra isso. Surpreendi-me quando vi, mesmo nós estando em forma humana ainda temos uma ligação muito forte e por algum motivo acabei vendo através da sua mente.
Ronald o olhou.
- Quer me contar o que aconteceu? Admito que estou bem confuso.
Ronald suspirou, olhou para o irmão novamente e sentou-se ereto.
- Nem eu sei direto o que aconteceu Carlos. – Sua voz era baixa e calma. – Aconteceu de repente. Hermione estava me contando algo que aconteceu com ela antes de eu a encontrar caída no corredor do colégio. – Ele parou, suspirou novamente, olhou para baixo. – Estávamos tão próximos e ela estava tão fragilizada e indefesa, senti uma imensa vontade de protegê-la e cuidar dela. – Ele balançou a cabeça negativamente. – Ela se aproximou mais e quando percebi...
- Estavam se beijando. – Finalizou Valentina que entrava no cômodo com uma xícara de chá e bolachas.
Carlos a olhou incrédulo.
- O que foi? É um fato. – Ela respondeu olhando para o irmão que se limitou a balançar a cabeça negativamente.
- É. – Respondeu simplesmente Ronald pegando da mão da irmã a xícara com as bolachas.
- Tudo bem. – Carlos suspirou vencido. – Era uma coisa que eu não esperava e nem imaginava Ronald. Somos seres celestes, ou melhor, éramos, não somos acostumados a...a...Desfrutar desse tipo de coisa. – Sentia-se constrangido por falar daquele assunto.
- Eu sei. Você acha que eu sou acostumado? Pra mim foi algo estranho e... – Ele parou, sua face ruborizou e ele permaneceu calado.
- E?
O ruivo olhou para os irmãos apreensivos.
- E o que Ronald? – Indagou Carlos mais uma vez.
- Bom. – Ronald se arrependeu na mesma hora de ter dito isso ao irmão.
- O QUE? – Gritou Carlos se levantando. – BOM? COMO ASSIM BOM?
- Calma Carlos.
- COMO QUER QUE EU FIQUE CALMO? HEIN? NÓS VIEMOS PRA TERRA COM UMA MISSÃO VALENTINA E NA PRIMEIRA OPORTUNIDADE ESSE INRESPONSAVEL SAI BEIJANDO O MOTIVO DA MISSÃO! – Carlos estava histérico.
- Não foi bem assim...
- Ah não? E COMO FOI RONALD?
- EU ACHO QUE GOSTO DELA! – Ronald levantou-se gritando e olhando sério para o irmão.
- Jesus! – Exclamou Valentina olhando de um para o outro. – Senhor nos proteja.
- O que? – A voz de Carlos agora era baixa e incrédula. – Acha que gosta dela? A que se refere?
Ronald passou a mão pelos cabelos mostrando impaciência. Saiu de perto do irmão e começou a caminhar de um lado para outro.
- Eu não sei o que está acontecendo comigo, Carlos. Sinto-me muito mais ligado a ela do que antes, quando eu era um anjo eu sempre a olhava de outro ângulo ela nunca pôde me ver, mas ao longo dos anos o sentimento de proteção que eu sentia por ela começou a mudar, fiquei confuso, tentei esquecer e continuei a cuidar dela como me foi designado, mas a vontade de estar com ela era sempre maior e eu acho que algumas vezes ela pôde me sentir.
- Como assim? – Valentina mostrava mais interesse no assunto.
- Sim, hoje mesmo ela me disse isso, claro não com essas palavras, mas deu a entender. Ela sentiu meu perfume, meu perfume celeste e não foi hoje foi de antes por que hoje quando ela chegou perto de mim ela sentiu o mesmo e disse que já tinha sentido antes. Isso prova que ela me sentia.
Carlos bufou alto e deu as costas para o irmão – Era só o que faltava agora.
- Com certeza a confusão que você sentia o fez “chegar” perto dela enquanto era um anjo. – Valentina caminhou até o irmão. – É a única explicação. O amor que sentia por ela já estava se formando.
- Do que está falando Valentina? – Carlos se virou para a irmã, estava irritado.
- Não é obvio Carlos? – Ela olhou de Carlos para Ronald.
- O quê?
- Ele está apaixonado por ela. – Ela sorriu involuntariamente.
- QUE? – Carlos tinha em seu rosto um misto de incredulidade e pavor.
As palavras de Valentina bateram no peito de Ronald como toneladas.
Apaixonado? Não, não pode ser. EU sou um anjo. Ele pensou, olhou para as mãos agora humanas. Era um anjo!
Era humano agora estava sujeito a todos os sentimentos humanos, sem distinção de nenhum deles, estava exposto ao ódio, rancor, inveja, felicidade, tristeza e o principal vulnerável ao amor.
Amor? Hermione? Apaixonado por ela? NÃO! Ele gritou mentalmente.
- Carlos...
- NÃO! Pode parar com isso Uriel.
- Valentina... Carlos. – Respondeu Valentina lembrando o irmão.
- URIEL, ou você está se esquecendo que ele é um anjo, ou melhor, um ARCANJO? Nós somos a mão direita de Deus, estamos aqui meramente para proteger Hermione, guiá-la ao caminho da luz e destruir as trevas PONTO FINAL.
- CARLOS. – Gritou Valentina o desafiando. – Ronald era um anjo e não um arcanjo como nós, ele era degraus abaixo da gente. Ele é quem rodeia a Terra juntamente com os outros anjos está muito mais vulnerável a sentimentos carnais do que nós. Você melhor do que ninguém sabe disso. Você é MIGUEL o Arcanjo Guerreiro, esqueceu?
Valentina estava séria como nunca, olhava penetrantemente para o irmão e não media as palavras para se dirigir a ele.
- É um fato que Ronald se apaixonou por Hermione, mas isso não quer dizer que nossa missão será prejudicada, será mais difícil sim, mas tenho certeza que ele melhor do que nós dois JAMAIS deixaria algo acontecer com ela. – Ela olhou para Ronald que estava parado no mesmo lugar imóvel observando tudo. – Olhe pra ele Carlos, não percebe como ele está confuso com tudo isso? Sentir um sentimento que era reservado para os humanos e não para nós. Se continuarmos a discutir e brigar iremos o perturbar mais e dar aos malditos demônios o que eles querem, Hermione desprotegida.
Essa última frase vez Ronald acordar instantaneamente.
- Nunca! – Exclamou o ruivo olhando para os irmãos.
Carlos bufou diante da reação do irmão.
- Carlos você é o mais sensato de nós dois, se você perder o equilíbrio certamente iremos perder juntamente com você.
- Olhem aqui. – Ronald se pronunciou. – Eu não sei o que estou sentindo. Se estiver apaixonado ou não, o que me importa no momento é proteger Hermione deles e dela mesma se for preciso. Eu estou aqui pra isso e irei cumprir com o que foi entregue em minhas mãos. Entenderam? Eu não quero mais discutir, aqueles malditos atormentaram ela hoje, foi por isso que ela desmaiou, Valentina contou que um deles estava lá e agora já sei o que exatamente aconteceu, eles estão vindo com tudo pra cima dela e se não agirmos logo eles a pegarão. – Ronald engoliu seco.
Valentina e Carlos se olharam profundamente.
- Eu vou lutar sem ou com vocês, por que a minha fé vai me ajudar. – Ronald estava determinado.
- Certo Ronald. Eu nunca disse que não estávamos contigo simplesmente foi informação demais pra mim. Nós iremos proteger Hermione acima de tudo. – Carlos caminhou até ele e pôs a mão direta sobre o seu ombro. – Eu te amo irmão e nunca te deixaria, mas você precisa saber que vem tempos difíceis pra nós e para Hermione, você precisa agüentar por ela e por ti.
- Eu sei e vou conseguir. Meu redentor vive irmão e a mão dele está sobre mim, sobre nós. – Ronald sorriu para os irmãos. Eles retribuíram o sorriso e se abraçaram.
- Senhor esteja conosco nessa caminhada, nos guie de acordo com sua vontade, nos proteja de todo mal e fica conosco todos os dias por que necessitamos da sua presença. Obrigado meu Pai. Amém. – Carlos orou juntamente com os irmãos.
- E agora o que irá fazer com Hermione? – Perguntou Valentina.
- Vou tentar continuar normal, procurar saber melhor o que estou sentindo e ir ao colégio, amanhã é meu primeiro dia. Mas não me esperem para almoçar.
- Por quê? – Valentina estranhou.
- Preciso levar Hermione a um lugar.
Carlos e Valentina se olharam por um instante e balançaram a cabeça para o irmão o incentivando.
Hey pessoal! Estou aqui novamente! :D Mais um capitulo postado! Espero como sempre que gostem e comentem sendo criticas ou elogios, a opinião de vocês é essencial.
Quero agradecer aos comentários dos últimos dias... Já havia perdido a esperança de ter leitores e principalmente algum comentário sijaiosjaiojsiojaiosjioajsioajs Sabem como é, estou a muito tempo aqui na floreios e sempre tive poucos leitores ;(
Pessoal que comentou no último capitulo, POR FAVOR, não deixem de aparecer novamente, adorei os comentários e muito obrigada pelo elogios isso prova que não sou tão ruim como escritora quanto eu pensava isojaoijaisoiajosia
Bem eu acabei fazendo alguns acréscimos nos capitulos anteriores, pois havia me esquecido de colocar algumas fotos e videos se puderem voltar e ler novamente acho que seria mais divertido, acrescentei uma foto do Carlinhos/Miguel no capitulo 8, porque eu não havia mostrado ele para vocês apenas a Valentina/Uriel e também uma foto da Jamile/mala/domal que eu não havia postado, assim vocês verão como eu a vejo. É que estou att os capitulos aqui pelo meu serviço então eu preciso olhar nas comunidades onde posto a fic para ver se me esqueci de alguma coisa já que não estou no meu pc onde fica tudo.
Gente uma pergunta, vocês estão conseguindo acompanhar a fic juntamente com as músicas? Não sei se estou colocando no formato certo. Gostaria que me respondessem.
Então era isso, obrigada mais uma vez e aguardem o próximo capitulo.
Não se preocupe, pois você escreve muito bem e sua história é fascinante, eu adorou fic com universo alternativo e esta nos prende e nos deixar anciosos pelo próximo capitulo. Aliás estou muito curiosa para saber que lugar é esse que o Ronald vai levar a Hermione. Por favor não demore a postar. Bjos e parabéns.
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