Severus entrou desabalado em seus aposentos com a jovem desmaiada em seus braços, a depositou em sua cama e a cobriu com suas colchas verde-musgo. Em seguida, foi ao laboratório e ficou aliviado ao ver que tinha em estoque poções fortificantes, poções contra anemia e poções para elevar a pressão arterial para níveis normais, a fim de estabilizar o quadro da jovem.
Por algum motivo, Severus sentia que havia ligação entre o episódio na enfermaria antes do feriado com o desmaio atual, certamente o sangramento aumentado da última vez ocasionara uma anemia. E, por um motivo mais estranho ainda, Severus estava sensibilizado acima do padrão aceitável com o estado de saúde de uma estranha e, pior ainda, de uma estranha que também era sua aluna.
Severus elevou a cabeça da jovem, lhe deu as três poções e ficou assombrado ao ver, duas horas após a administração que a pressão arterial de Mione continuava baixa, o que era completamente anômalo, já que aquela poção para hipotensão era a mais forte que existia. Aquele resultado só aparecia nas vítimas de uma maldição das trevas que Severus conhecia só superficialmente: a Sanguinus Mortificus!
“Mas de quem a Senhorita Granger recebeu esta maldição? Esta maldição é praticamente desconhecida mesmo dentro do círculo dos bruxos das trevas e é preciso muita destreza ao executá-la, já que ela é tão forte que causa modificações fatais no material genético do bruxo atingido, matando instantaneamente os homens e lentamente as mulheres. Então, por que essa bruxinha teimosa não contou a ninguém sobre o ocorrido?”.
Severus ficou subitamente pálido e concluiu: “Por Merlim! Agora me lembrei que a hipotensão persistente é um sintoma típico de uma nuance da maldição, não da maldição como um todo. A hipotensão que não responde a medicamentos é típica de quem chama a maldição para si. Por que uma moça tão jovem, tão cheia de vida faria uma coisa dessas?”.
A posição deitada não deixava a pressão cair para níveis fatais, mas a vida de Mione estava por um fio. Se não descobrissem e preparassem a cura em questão de um dia ou dois a jovem certamente morreria.
-Você não pode morrer!- dizia Severus com o olhar transtornado olhando para a jovem que estava extremamente fraca em seu leito.-Daria minha vida para que você ficasse bem!
Nisso, Mione abre os olhos lentamente e diz com voz quase inaudível:
-Não diga isso! Assim todo meu esforço para você ficar vivo terá sido em vão.
A verdade atinge o coração de Severus como milhares de farpas de espinhos. “Não, ela não podia ter feito isso por causa dele!”.
-Por que fez isso, Hermione?-diz um Severus extremamente alterado e com lágrimas nos olhos. -Já não basta os danos que cometi contra pessoas inocentes quando comensal eu ainda preciso morrer com mais essa culpa?!
-Desculpa. -diz Mione com os olhos banhados de lágrimas. -Só queria seu bem porque eu te amo!
Severus não consegue segurar a carga emocional que lhe era oferecida e acaba prostrado diante do leito em que a jovem exauria suas poucas forças com o pranto. Porém, criando forças de um momento de sofrimento extremo, Severus acaricia o rosto da jovem, a beija suavemente nos lábios e diz:
-Vou até o fim do mundo por você, minha querida! Nem que eu tenha que morrer vou descobrir a cura da maldição!
Descumprindo uma das maiores promessas de sua vida, Severus deixa Mione aos cuidados dos outros professores da escola e vai a Hogsmeade desaparatar para a Mansão Prince. Lá certamente, encontraria a resposta que procurava. O motivo de tão poucos bruxos a conhecerem era o fato de seu criador ser Brice Prince, o impiedoso avô de Severus e grande amigo da família Malfoy. Então, certamente Malfoy era o executor. Lucius era sortudo de estar em Askaban, pois perto de um Severus furioso até um dementador pareceria bonzinho.