Não demorou muito e o clima na mesa mudou repentinamente. Os sorrisos haviam sido levados por uma ventania de sentimentos. Não havia respostas e nem se quer comentários. A verdade havia sido despejada da forma mais cru possível. O pai de Luísa tremia os lábios e a mãe apenas olhava para a filha, sem saber o que dizer. Sabe se que o silêncio é um dos maiores temores do ser humano. Porque este pode ter mil significados.
- Eu já desconfiava. – disse a mãe da menina quebrando o torturante silêncio.
- E porque não me contou? – perguntou o pai da garota.
- Por que não tinha certeza sobre isso. – a mãe da menina suspirou fundo. – Eu acho que não adianta chorarmos pelo que já aconteceu. Não dá para voltar no tempo e alterar o que aconteceu. O que temos que fazer agora é lidar com isso. Vocês dois erraram muito. Porque está não é a hora para se ter um filho, mas não vamos julgar e dizer o quão errado vocês estão, por que acho eu que vocês já sabem disto. – ela fitava o casal que permanecia em silêncio.
- Eu concordo! – retrucou Ana Luíza. – O que temos que fazer agora é apoiar estes dois. O julgamento não vai nos levar a nada. Vai apenas gerar estresse. Por isso eu vim com o Franklin. Pois quero que esta criança seja vista como um presente inesperado e não como uma tragédia grega.
- Eu sei que erramos, na verdade, eu errei. – falou Franklin pela primeira vez. – Mas eu estou disposto a me responsabilizar por tudo isso, e quando eu digo isso, é muito além de ajudar a Luísa a sustentar esta criança. Eu vou estar com ela durante todo o tempo, eu quero esse bebê. E nem por um segundo me passou pela cabeça me livrar dele. Sei que serão tempos difíceis, mas podemos lidar com isso. E em relação aos estudos, pelas minhas contas, nós já vamos ter terminado o ensino médio. Então logo no outro semestre ela pode começar a faculdade dela e eu também. Basta alternarmos os turnos. Compreender? Não é algo ruim. – desabafou o menino.
Ninguém na mesa respondeu ou fez alguma manifestação, todos voltaram para o infinito silêncio. Luísa não havia se pronunciado ainda, portanto, resolveu que era a hora de dizer algo sobre tudo aquilo.
- A verdade é que quem vai sofrer todas as “consequências” desse filho, sou eu. E eu estou disposta a ficar com ele. Não importa o que vocês digam, ele é meu e eu já o amo. Agora que tal terminarmos o jantar sem esse clima? – a menina agora olhava para os pais. – Pai e mãe, eu sei que você estão preocupados com meu futuro, mas isto não será um problema. Acreditem. – a menina sorriu e apertou a mão de ambos.
Um sorriso foi arrancado do rosto dos pais da menina, tudo ficaria bem. Afinal, ela estava criando um laço eterno com o homem que ela julgou ser o seu amor verdadeiro. Após o jantar Luísa foi para casa e Franklin e a mãe para o hotel. Estes iriam procurar um apartamento para comprar e já ir adiantando a reforma.
Os dias se passaram e logo a compra do apartamento havia sido feita, as obras estavam adiantadas e tudo corria bem. Durante mais de uma semana Franklin e Luísa visitaram mais de vinte lojas de materiais de construção e design. Ambos queriam que este apartamento fosse perfeito para eles. Queria que cada canto significasse algo. Desde os revestimentos até a cor da parede do quarto do bebê, eles escolheram juntos.
- Eu não sei se vai ser um menino ou uma menina, então acho que devemos pintar depois do ultrassom, o que acha? – perguntou Franklin.
- Concordo com você! Acho que daqui a dois meses já teremos esta resposta. E ai terá a melhor parte, comprar todas as roupinhas de bebê! – a menina sorria.
O casal continuo por mais três lojas naquele dia, tudo estava em perfeita harmonia. No caminho para a casa da namorada, Franklin iniciou um assunto que a principio deixou Luísa meio acanhada.
- Acho que deveríamos marcar um jantar com todos os nossos amigos para anunciar sobre o bebê, acho que eles gostariam de saber sobre isso. – disse Franklin quando já entrava na quadra da garota. – O que você acha?
- A principio, quem você quer convidar? – perguntou Luísa intrigada.
- Ah, o Rafael, a Marianna, a Beatriz e a sua amiga Rachel. Só para os mais próximos mesmo. – disse o garoto sorrindo.
- Entendo! Acho que sim. Mas prefiro que você marque e não diga de antemão do que se trata, pode ser? Diga que é para comemorar a sua volta pela milésima vez. – a menina sorriu.
Os dois se beijaram e Luísa foi em direção ao elevador. Neste a menina ficou a pensar. Como seria a reação dos seus amigos? O que ela iria dizer a todos? Perguntas como estas rondaram sua mente por toda a noite. Não seria fácil, mas ninguém disse que seria.