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ATENÇÃO: Esta fic pode conter linguagem e conteúdo inapropriados para menores de idade então o leitor está concordando com os termos descritos.

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25. As guerras são internas


Fic: Duas verdades No ar o epilogo 05-07


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Ei gente!
Demorei né?
Eu tentei ao máximo escrever muito em pouco tempo, mas é dificil. Esse cap ficou maior que ultimo, mas não sei se ficou grande o suficiente. Porém está tudo ai..

Pra quem perguntou se vai ter segunda temporada, sim, vai ter, por isso eu disse que essa história está acabando, porque vai ter continuação.

Espero que gostem..

E como boa pedinte que sou, por favor não deixem de curtir, compartilhar, participar da minha página no facebook  https://www.facebook.com/brendachaiapegadas e o meu site http://portal.brendachaia.com.br/ preciso muito de vc's.

Em junho meu livro será lançado!

Obrigada e boa leitura. 





A fumaça do chá preto puro e os biscoitos amanteigados na bandeja apenas apontavam para sua falta de apetite constante. Mas naquela manhã em especial seu estomago estava mais apertado que nunca. A mesa que compunha seu café dividia espaço com O Profeta Diário que chegava todos os dias através da empregada, e não de uma coruja.
 
O que o estava deixando mais colérico, não era mais a habitual foto sua com 16 anos e com a legenda de “procurado”. Haviam meses que isso se repetia e só durante a primeira quinzena aquilo o incomodou de fato. A verdade era que, com o passar das semanas sua foto ficava cada vez menor e outras notas mais atuais e importantes apareciam e ocupavam espaço.
 
E era isso que o estava enfurecendo naquele momento. A manchete do dia, mais uma vez, era a foto do trio. Mas Harry Potter não estava em destaque, nem na imagem em movimento, nem nas primeiras linhas da noticia. E sim, Hermione Granger e Ronald Weasley. Pegou o jornal, pelo que julgou ser a quarta vez, e naquele momento achou que deveria ler a novidade por completo. Foi até a página dupla do jornal e tomou ciência dos fatos.
 
 
 
“O Trio de Ouro voltou essa semana na longínqua Austrália. Após meses de investigação e com a ajuda do Ministério de lá, nossa querida Hermione (18), por fim encontrou os pais. Senhor e Senhora Granger passam bem, apesar de, segundo algumas fontes, ainda estarem confusos.
 
Como todos sabem, nossa heroína fez o sacrifício de se apagar das memórias dos pais com a finalidade de protege-los. Mas por esse ato, está respondendo um processo no Ministério, pois usar, deliberadamente, o feitiço da memória é crime, mesmo com boas intenções.
 
Assim, com o fim da guerra, Hermione pode ir a busca de seus pais e por fim a esse sofrimento. Nossa equipe foi encontra-los no St. Mungus, onde os pais dela passam por exames e testes.
 
Ela sempre muita tímida se limitou a dizer que agradecia de coração a todos que torceram por ela e por esse reencontro, e que estava sim muito feliz.
 
Harry (18) se limitou a sorrir e agradecer também, mas Ron (18), sempre atencioso com o nosso trabalho foi mais farto de informações.
 
‘ O senhor e a senhora Granger, por mais incrível que pareça, estavam trabalhando como dentistas de novo (risos). A parte difícil foi descobrir os novos nomes deles, mas a Hermione tinha sussurrado a eles, quando fez o feitiço, e então, rastreando esses possíveis nomes, os Ministérios, o daqui e o de lá, conseguiram pistas e tudo foi se encaixando. Agora sim, está tudo bem.’
 
Perguntado sobre os rumores de que ele e Hermione estivessem namorando, o Weasley caçula ficou vermelho e sorriu encabulado.
 
‘Ela não gosta que falemos de nossas vidas a imprensa. Mas podem ter certeza que ela é muito especial, e que, pode ser que em breve vocês tenham noticias de bodas por ai.’
 
Casamento senhor Weasley?!
 
‘Eu não disso isso, disse? Não fui eu!’
 
Ele terminou a rápida entrevista gargalhando e se retirou do saguão de entrada do hospital escoltado por alguns aurores.
 
Então, pelo que pudemos perceber, noticias boas parecem não se esgotarem. Com rumores de que Harry Potter tem um namoro com Gina Weasley, o affeir entre Hermione e Ron ganha força, e, se levarmos em conta as palavras dele, a coisa é ainda mais seria e vai dar em casamento.
 
Aguardemos novidades.
 
 
Então ele amassou o jornal em uma bolinha e o jogou longe. “Eles vão se casar”. E por que se importava mesmo? Sua história com Granger tinha sido uma aventura adolescente dentro de outra aventura mortal, e que tinha ficado presa nas paredes da Sala Precisa para sempre. Nada restava daquilo, além de lembranças, e até elas deveriam virar cinzas.
 
Ele tinha Astória, e sentia falta dela. A mãe sempre trazia noticias dela, e Pan vinha com as cartas. Mas o que ele queria era poder sair dali e voltar para a sua vida.
 
- Senhor Malfoy?! – A mãe levara uma mulher que ela dizia ser de confiança para cuidar dele naquele apartamento razoável. Ela era magra e na verdade um aborto. Era mais fácil assim, pois a moça não se assustava com as coisas do mundo bruxo, mas não era capaz de fazer mágica. Qualquer trouxa intrometido poderia por tudo a perder, mesmo com ele quase nunca saindo da sua suíte.
 
- Sim? – Ele não gostava de olhar para ela. Muita coisa havia mudado, mas há raízes mais difíceis de arrancar, e para Draco Malfoy, um aborto ainda é um inferior.
 
- A senhora sua mãe o espera com a moça de cabelos curtos.
 
Ele se levantou depressa e passou as mãos pelos cabelos. Sua mãe iria reclamar mais uma vez sua falta de animo e cuidados, iria abraça-lo e chorar, mas isso era melhor que ficar sozinho por tanto tempo.
 
- Draco, ainda mais branco! – Ela o abraçou.
 
- Oi mãe. O que inventou desta vez? – Narcisa era ainda vigiada. Por nunca ter feito nenhum ato de crime e nem por ter a marca, foi dispensada de Azkaban, mas tinha sempre que dar satisfações ao Ministério, a casa dela era quase sempre revistada sem aviso prévio, além de trabalhos com as vitimas da guerra. Além disso, sempre tinha um auror, coincidentemente, por perto. Eles ainda precisavam encontrar o filho de Lucius, afinal.
 
- Eles pensam que aqui há uma psicóloga. Foi isso que meus advogados colocaram no contrato. Eles investigam os papeis, e alguns rostos. Há uma psicóloga nesse andar, mas no apartamento da frente. Pan precisa de acompanhamento. – A morena sorriu e abraçou o amigo.
 
- Sempre fui louca, mas agora estou me cuidando. – Mas os olhos dela estavam tão tristes.
 
- Assim poderão vir mais vezes. – Todos se sentaram.
 
- Sim, mas acredito que logo tudo isso acabará. Seus crimes são pequenos e seu processo está correndo, mesmo sem sua presença. Tenho advogados bons trabalhando nisso, e assim que me for dada a certeza de que não te colocarão em Azkaban, você volta para casa.
 
- Que essa certeza se apresse! E você Pan?! Alguma... novidade? – Pelo rosto dela teve a resposta.
 
- Não. Minha casa foi revirada, mas nem sinal dos meus pais, ou dos bens deles. As jóias, a prataria, tudo roubado. E eles ou o que restou deles não se tem noticias. E Blás.. A última vez que vi Blás foi em um corredor de Hogwarts. Eu corri quando ouvi a voz de Voldemort dando uma pausa na batalha e quando olhei para trás ele já não estava mais lá. – Uma lágrima escorreu por seu rosto magro. Draco mordeu o maxilar.
 
- Eu sinto tanto e você sabe que sinto. Mas tenho esperanças de ele estar bem. Blás sempre foi esperto.
 
- A senhora Zabine foi para a Itália.
 
- Como assim mãe? Ela desistiu do filho?
 
- Não meu amor. Mas a vida dela está lá. A coitada estava tão magra e pálida quando a vi pela última vez. Devastada pela dor e saudade. Ainda há muita gente a procura dele, mas ela voltou para casa depois de todos esses meses. Há quem diga que ela estava grávida, mas que abortou quando soube do sumiço do filho.
 
- Mas Blás dizia que ela não podia ter filhos.
 
- Oh não. Ela é viúva querido, não ficaria bem ter filhos. Mas todos sabemos que ela mantêm um relacionamento com um primo já faz anos. Mas ele tem uma esposa presa a cama, e então tudo se complica.
 
- Blás falava uma coisa ou outra disso, mas o que quero mesmo saber é onde está ele. Por que ele sumiu?! – Pansy chorava abertamente, então Draco se levantou e se sentou ao lado dela, abrançado-a.
 
- Vamos acha-lo, tenho certeza que sim! – Mas até ele já estava começando a desistir disso. Não queria, mas era inevitável.
 
 
 
- Não Ronald! – Não queria ter gritado. Os pais estavam em casa e ainda bastante confusos. Tudo era muito novo, apesar deles se lembrarem de algumas coisas com ajuda dos feitiços e medicamentos bruxos. Mas eles se sentiam muito desconfiados de tudo, e só havia dois dias que estavam ali.
 
- Por favor! Eu não fiz por mal. – O casal estava no quarto lilás de Hermione. A castanha estava feliz por enfim estar em casa. Mas nem tudo era bom. O Ministério prometera encontrar seus pais, e cumprira. Mas seus tios e prima Helen era outra história. Ela teria que fazer isso sozinha. Imaginava que os pais poderiam lembrar deles, pois estavam juntos quando acordaram do feitiço dela, mas eles estavam tão frágeis ainda que não tinha coragem de atormenta-los com mais isso.
 
- Você... quando li aquele jornal. Por que falar algo do tipo?! – Ela estava tão cansada. Na verdade, desde que a guerra começou ela nunca mais descansara. Não tivera uma verdadeira noite de sono profundo. Achou que quando estivesse com os pais por perto teria paz, mas não. Molly sempre tinha uma indireta pronta sobre aquele casamento. E havia Blás, o moreno sumira e ninguém parecia ser capaz de descobrir o que lhe tinha acontecido nem onde ele poderia estar. E claro.. Draco... sempre Draco.. dentro de sua cabeça.. seu coração. Imaginava que ele estava bem, mas o loiro tinha sumido também.
 
- Mas.. eu achei que isso ia acontecer. Quer dizer... mamãe já até começou a olhar os preparativos. – Ron estava sem graça. A cabeça baixa. Hermione, sentada ao seu lado na cama, suspirou.
 
- Olha, sua mãe está falando, olhando. Que eu saiba um casamento é entre dois e não três. E ela não é a noiva, menos ainda o noivo! – Sua paciência parecia ter ido embora. O ruivo a olhou.
 
- Hermione?!
 
- Por acaso você me pediu em casamento? Eu não me lembro nem de estar namorando! Meu Deus... eu preciso de tempo e espaço! – Quando olhou para cara dele percebeu que tinha pegado pesado.
 
- Nos desculpe. Eu pensei... errado. – Ron levantou. – Ouvindo você assim, quando paro para pensar... Você não quer não é?! – Ele se virou para ela que continuava sentada.
 
- Eu não quero? Eu não sei. Está tudo muito rápido Ron! – Ela teve vontade de chorar, mas não. Ela também tinha vontade de concordar com ele, não queria mesmo aquele casamento, nada daquilo, mas não poderia dizer.
 
- E Eliz? – Ele voltou a se sentar.
 
- O que tem a minha filha? – Ao menos ela tinha essa alegria, benção na vida. Ela voltara até a Floresta do Deão com Harry e levara folhes para seu filhinho que nascera morto. Fora um momento triste, mas muito bonito.
 
- Achei que ela fosse nossa. – O coração de Hermione doeu, mas se manteve firme.
 
- Ron... por favor...
 
- Você não quer é nada. Nem levar isso adiante. Mas serviu na hora do desespero. – Ele voltou a se levantar, e ela deixou o choro vir. Hermione sabia que mais cedo ou tarde ele desconfiaria. E sabia ainda mais como estava doendo nele.
 
- Não posso fazer isso com você. Te fazer assumir uma criança que não é sua. Te prender e...
 
- E o que eu quero para mim?! Isso não conta? – Ele estava se segurando. Estava vermelho, mas tentava não perder compostura. – E seu eu quiser assumi-la como já fiz? Afinal, onde está o pai dela? O que a fez em você? – Hermione ergueu os olhos molhados para ele.
 
- Já disse que...
 
- Que ele nem sabe e blá blá blá... O que Hermione? Quer deixa-la crescer sem pai? Um dia ela vai querer saber quem é. Você vai contar ou simplesmente vai dar a mesma resposta que sempre me dá? “Ele não sabe, não importa quem é!” Para ela você pode ter certeza que importará, e muito. – Hermione já soluçava.
 
- Mas... e você? Você sempre saberia que no fundo.... não é o pai...
 
- E se eu escolhesse esquecer o detalhe de não ter sido eu a te fecundar? Eu poderia, não poderia? Era uma escolha só minha. Mas acho que não é mais... Não basta para você. – Ele respirou fundo.
 
- Ron... viver uma mentira?! Por mais que você escolhesse acreditar nela, um dia, um momento, você lembraria... Não é justo...
 
- Com quem?
 
- Como assim com quem? – Ela franziu o cenho vermelho para ele.
 
- Claro. O pai verdadeiro!
 
- Não seja estúpido. Não é justo com você... e com Elizabeth.
 
- Então vai contar um dia a ela? O nome desse infeliz? – Ela olhou para a janela.
 
- Talvez... como você mesmo disse isso pode ser importante para ela. Mas até lá...
 
- Até lá? O que?
 
- Eu só quero ter paz Ronald. Acho que todos nós merecemos. – Ele enfim explodiu.
 
- Então eu não te dou paz! Ótimo! – E começou a se encaminhar em direção a porta. Hermione levantou de uma vez e o puxou pelo braço desesperada.
 
- Por favor! Por favor! – Ela chorava tanto que seu corpo tremia.
 
- Por favor o que? – Ele continuou de costas a ela, mas parou assim que ela o tocou.
 
- Não vá embora assim, me odiando. Você é muito importante pra mim... sempre foi... por favor... – Ron não agüentou mais e a olhou por fim. As lágrimas dela machucavam. Afagou o rosto vermelho e molhado.
 
- Hermione?! Você já me amou, não é? Sei que estraguei tudo, mas... Não é possível que essa sua história com o... bem, essa sua história tenha destruído tudo que você sentia por mim. Tenta lembrar como é gostar de um ruivo idiota! – Ela riu baixinho, apesar de continuar chorando.
 
- Eu me lembro bem. – Ela tomou coragem de encarar os olhos azuis dele. – Mas, não basta lembrar Ron, preciso sentir de novo.
 
- E você não pode tentar isso também?
 
- Estou tentando desde que você voltou para aquela barraca. Mas não posso prender um homem tão especial como você em uma promessa de talvez. Você merece mais que isso. Eu sinto muito. Não escolhi nada disso... Juro que não.. tudo aconteceu tão estranhamente, eu nem sei mais... Eu... – E o choro tomou o controle dela novamente. O ruivo a abraçou, chorando também.
 
- Vamos continuar essa conversa num outro momento. Deixemos as coisas como estão, pelo menos por enquanto, tudo bem? Vou conversar com mamãe e dizer para deixar o casamento nas mãos dos noivos, e que faremos tudo ao nosso tempo, para deixa-la tranqüila. Depois resolvemos como definir tudo. – Ela o apertou mais.
 
- Me perdoa, me perdoa.. me... – Sussurrava no ouvido dele.
 
- Pare com isso Hermione. Tente se acalmar. Eu preciso ir. Harry está lá em casa e vai pedir a Gina oficialmente em namoro. Quero ver essa cena. – Delicadamente ele a soltou.
 
- Eu.. – respirou fundo. – vou me acalmar. Vá logo para Toca. -  Ron deu um beijo na bochecha molhada dela, foi até a cama mais uma vez e beijou a testa branca de Elizabeth. Foi embora sem nem fazer barulho na porta.
 
Mas ela não conseguiu se acalmar. Se sentia tão perdida. Chorou o resto da tarde e quando chegou a hora do jantar pediu uma pizza ao contrário de cozinhar para os pais como andava fazendo aqueles dias.
 
Sua mãe a olhou preocupada, mas parecia que a senhora Granger ainda não se sentia a vontade com a filha, e então nada falou. E isso doía muito também. Os três comeram em silencio, e sem agüentar mais aquele clima pesado, Hermione pediu licença e correu para seu quarto.
 
Sua filha estava acordada, com os olhinhos abertos olhando o teto de estrelas brilhantes que Hermione tinha no seu quarto. Tinha dado uma mamadeira a ela antes de descer e assim Eliz ficara tranqüila.
 
- Minha vida, o que a mamãe vai fazer da vida dela? – A menina desviou os olhos do teto e encarou o rosto inchado da mãe. Bateu os bracinhos no queixo de Hermione. – Ah seus olhos... seus olhos são meu castigo não é?
 
Pegou a menina nos braços e a abraçou. Sentou na cama e se sentiu mais calma, pela primeira vez aquele dia. – Onde estará seu pai, hum?! – Só com a filha tinha coragem de falar de Draco em voz alta. Gina já se disponibiliza-ra para conversar, assim como Harry. Mas falar parecia deixar tudo pior. Então as vezes, assim, a noite, ela pegava Elizabeth e pensava e falava nele. Quase como num sonho distante. – Acho que ele te amaria tanto quanto eu amo. Temo o quanto ainda você pode se parecer com ele, pequena. – Hermione a acomodou nas pernas e ficou passando a mão em seu rostinho branco. – Mas nada será mais parecido que os olhos. Quando seu pai está em paz, feliz e calmo, o azul dele é exatamente igual ao seu, e então ele fica ainda mais lindo, assim como você. – A garotinha sorriu banguela e não havia maneira de Hermione não sorrir de volta. – Eu te amo tanto... e... ah.. amo seu pai também. – E mesmo que a filha continuasse a sorrir para ela, a castanha deixou uma última lágrima escorrer de seus olhos cansados.
 
Aquela noite ela dormiu abraçada a filha, e quando por fim sonhou, tudo que via era a família em uma mesa. Seus pais sorridentes, Eliz em seus braços, e Draco a abraçando pelos ombros e sorrindo para filha. Mas logo ela acordou, ainda era noite, e seu coração apertou mais uma vez. Um sonho, daqueles impossíveis.
 
 
 
O fogo não era suficiente. Ventava muito e o fato de aquela cabana não ter uma porta de verdade nem uma janela só deixava tudo gelado. O corpo tremia sob aquelas finas roupas que não representavam nada para ele.
 
O ferimento em sua fonte as vezes doía a noite, mas depois que o sangue secou e ele o lavou, meses antes, ficara menos incomodo. Estranho foi ter aquele pedaço cumprido de madeira enrolado nas roupas. Pior foi quando aquilo soltou um brilho e até quebrou um pedaço de madeira. Ele ficara assustado e com medo, então resolvera deixar aquilo longe de suas mãos.
 
Quando ventou mais, ele percebeu que estava chovendo. Ficou aflito. Todo aquele tempo conseguia alguma coisa para comer na floresta próxima aquela cabana. Aliás, encontrar aquela cabana fora um grande acontecimento.
 
No dia que acordou perto de um rio, sua cabeça doía muito e tudo que conseguia se lembrar era que se sentia em perigo, mas quando olhou em volta não encontrou nada que justificasse isso.
 
Depois de se esconder debaixo de árvores por dias seguidos e quase morrer de fome, decidiu caminhar a procura de qualquer coisa. Não tinha idéia de onde estava, menos ainda de quem era, nem de como e porque se encontrava daquele jeito.
 
Então, depois de colher algumas frutas, beber água do rio, e muito andar, aquela cabana aparecera em sua frente. Correu pensando que poderia encontrar alguém ali, mas tudo estava vazio e parecia que já há muito tempo.
 
Não saberia dizer ao certo quanto tempo estava ali, mas se lembrava de ter visto muitas luas e o clima mudar. Já não conseguia encontrar mais tantas frutas com facilidade, além de que as flores e folhas estavam quase todas secas. Cada dia que passava ficava mais frio, ventava mais e agora chovia muito.
 
Fechou os olhos com toda força, tentando se lembrar de algo ou alguém, mas tudo que vinha em sua mente era escuridão, um perfume doce, um objeto redondo, cabelos amarelos e o som de uma gargalhada. Sem saber como, ele era capaz de jurar que o perfume era de uma mulher, que o objeto era algo importante, que os cabelos eram de um amigo e a gargalhada, ah, as vezes só queria fechar os olhos e escutar aquilo, pois aquecia seu corpo e coração.
 
Porém, naquele fim de tarde, nem a gargalhada o estava acalmando. Percebeu que estava prestes a chorar. Sentia muito frio e fome, e a vontade maior era morrer. Afinal, ninguém parecia se importar com ele já que ninguém o procurara, e o pior de tudo, nem fazer idéia de quem era.
 
Desesperado saiu da cabana. Em sua cabeça morreria mais rápido se congelasse o corpo. E a água da chuva estava mais que gelada. Aquilo fez com que ele corresse muito e depressa e logo viu que estava descendo. Parecia que estivera no alto de uma colina ou montanha, e suas pernas o estavam levando para baixo.
 
Não soube dizer quanto tempo àquela corrida durou, mas quando parou estava cansado demais. O ar que saia de sua boca formava uma curiosa fumaça a frente de seu rosto. Seu corpo caiu, de joelhos. Fraco de comida e de doença, não tinha mais como continuar. Então deitou e pensou que enfim poderia morrer. Tremia tanto que os dentes batiam um no outro. Se encolheu.
 
Mais tarde, depois de ter parecido dormir, abriu os olhos. Não chovia mais, mas o frio estava ainda pior. Tentou se sentar, mas a vista estava duplicada e a tonteira o acometeu. Fechou os olhos com força. A gargalhada veio aos seus ouvidos mais uma vez e então uma coragem o impulsionou a abrir as pálpebras mais uma vez. Focou o olhar e foi ai que viu. Bem mais a frente, pontinhos de luz brilhavam na escuridão. Poderia estar delirando, na verdade nem se importava, mas iria de encontro aquelas luzinhas.
 
Com muito esforço se levantou e então o ferimento latejou e sua cabeça toda doeu em resposta. A roupa molhada só servia para deixa-lo com mais frio e desanimo, mas sabia que tinha que continuar.
 
À medida que dava os passos trôpegos, as luzes ficavam mais próximas, e depois do que pareceu horas, conseguiu distinguir várias casas. Chaminés sopravam fumaças preguiçosas ao céu e havia gatos pela ruela que entrou. Mas não conseguia ver uma pessoa se quer. Estava muito frio e talvez muito tarde. Se arrastou o tanto que pôde até uma porta onde ele conseguia ouvir som de vozes e risos. Com suas últimas forças tentou empurrar a porta e quando ela cedeu, ele foi junto. Caiu desmaiado em um chão de pedra. A última coisa que viu foram sapatos e antes da escuridão tomar conta de sua mente ele ainda conseguiu ouvir “Parece que está com uniforme de Hogwarts!”, então tudo se foi.
 
 
 
As vozes chegavam aos seus ouvidos meio abafadas. Estava muito frio ali fora, mas se sentia melhor assim. Ficar dentro da Toca, com toda a família sorrindo e jogando indiretas era demais. Deixou Elizabeth no quarto de Ron, com ele, e resolveu dar uma volta.
 
Lá longe via o céu cada vez mais escuro e o brilho de raios, logo a chuva poderia chegar, mas talvez à noite a engolisse primeiro. Enrolou melhor o cachecol no pescoço e abraçou os joelhos. O vento levantava seus cabelos, e imaginava que quando voltasse para dentro de casa estaria parecendo uma bruxa dos contos de fadas trouxas. Deu um sorriso triste, nem se importava mais com isso.
 
- Oi. – Ela deu um pulinho e olhou para trás.
 
- Harry! Que sustou! Não ouvi você. - O menino se sentou ao lado.
 
- Bem, acho que você estava distraída. Não está muito frio aqui? – E estava. A medida que ele falava e respirava a fumaça se formava a frente.
 
- Está sim. Mas.. está mais tranqüilo.
 
- A é verdade. Estamos aqui desde manhã e eu mal consegui olhar em seu rosto direito. Como estão seus pais? Achei que ia traze-los para o almoço. – Hermione suspirou antes de responder.
 
- Não. Eles parecem que ainda não se acostumaram com todas as novidades. Se quer saber, nem os convidei e percebi que eles gostaram muito disso. Um domingo inteiro sozinhos pra quem sabe colocar os pensamentos no lugar. E até pra mim parece ter sido melhor. O comportamento distante e metódico deles me machuca. – Harry a abraçou pelos ombros, o carinho e o calor foram muito bem vindos.
 
- Sinto tanto por tudo isso. Mas sei que o amor que existe entre vocês vai vencer todas essas dificuldades.
 
- É, espero muito que isso aconteça. – Depois de alguns minutos ele a soltou.
 
- Hermione, você leu O Profeta de hoje? – Ela notou que Harry queria falar aquilo em tom casual, mas foi tão forçado que isso chamou sua atenção. Olhou para o rosto dele antes de responder.
 
- Não. Eu cancelei a minha assinatura por enquanto. As fotos em movimento no jornal pareciam deixar meus pais muito assustados. Mas por quê? – Ele ainda empurrou os óculos para mais perto do rosto, um movimento típico de quando estava ansioso.
 
- Bom... Malfoy está de volta.
 
- Você quer dizer... Draco Malfoy está de volta?! – Seu coração disparou.
 
- Exatamente. Apareceu ontem a tarde no Ministério. Os advogados da mãe tanto fizeram que se tornou impossível ele ir para Azkaban antes de ser julgado. Vai poder ficar em casa. A verdade é que seu maior crime foi tatuar a marca. Draco não fez nada efetivamente. Ele está sendo acusado por tentativa de homicídio a Dumbledore primeiramente e a danos a terceiros, no caso do Ron e da Kátia. Mas acredito que ele vai conseguir pagar essas penas em liberdade, e parece que Narcisa também acredita, já que deixou o filho aparecer. – Ela o olhava tentando entender o porquê de Harry está lhe contando aquilo tudo. O que ele queria ou esperava dela?
 
- Bem, que a justiça seja feita. – Foi o que ela disse com a voz baixa.
 
- Será Hermione. Mas e você? O que você fará?
 
- Como assim? – Resolveu olhar para frente e percebeu que estava muito mais escuro. A noite havia chegado.
 
- Você sabe muito bem. Ron me contou sobre a última conversa de vocês. Imaginei que mais cedo ou mais tarde isso iria acontecer. Não pode adiar essa decisão pra sempre. A senhora Weasley engoliu a história que o Ron inventou pra ela, de você ainda está muito afetada por todos esses problemas com seus pais, e precisava de um tempo, mas todos nós a conhecemos. Sabemos que essa espera não vai durar muito mais. – Hermione abaixou a cabeça em cima dos joelhos.
 
- Eu sei... mas o que você quer? Que eu diga a verdade?
 
- Talvez um pedaço dela.
 
- Hã? – Ela voltou a olhar pra ele.
 
- É, a parte principal de toda essa história. De que Eliz não é filha de Ron.
 
- Os Weasley não vão me perdoar Harry. – Seus olhos marejaram.
 
- Num primeiro momento sim, mas depois que tudo ficar mais calmo, eles vão entender. Foi tudo feito em um momento de desespero e confusão. No meio de uma guerra sem fim. Há justificativas.
 
- Justificativas?! Você realmente acredita nisso?! – As lágrimas escorreram.
 
- Claro que sim Hermione. Você sabe o quanto todos eles são bondosos e...
 
- E o quanto eu abusei disso. Ah Harry, a vontade que eu tenho é de sumir.
 
- Isso seria covarde e tudo que você não é.
 
- Não, acho que sou sim. Se fosse corajosa diria a verdade a todos, ao mundo. Diria a verdade até a... Draco...
 
- E por que não? – Ela o olhou como se o amigo fosse um louco.
 
- Harry? Tudo que eu ia conseguir com isso seria o ódio de quase todo o mundo bruxo, a descrença de Malfoy e a rejeição dos que mais amo. Se conseguisse provar que Eliz é filha dele, Draco poderia simplesmente renegar a filha, por ser uma mestiça, ou, pior, toma-la de mim. O que para ele não será difícil, pois é rico suficiente para isso! Acha mesmo que tenho que fazer essa loucura?
 
- Você só vê o que pode dar errado, e se não for assim? – Mas ele não tinha muita segurança na voz.
 
- E será como então? Você sabe que tudo isso que falei é o mais possível de acontecer. – Ela limpou as lágrimas, de repente tendo uma idéia muito estranha na cabeça, algo que a estava acalmando.
 
- Não sei, mas talvez Draco... ele.. ele realmente pode gostar de você e querer formar uma família. – Hermione riu.
 
- Não seja tão sonhador Harry, nem você é capaz de acreditar no que está dizendo. E depois a Gina me contou sobre Astória. – Ela parara de chorar.
 
- Astória?! – Harry parecia realmente confuso.
 
- É. Uma garota que ele se envolveu nesse último ano. Lembra que quando o resgatamos junto de Blás da Sala Precisa naquela noite, a primeira coisa que ele fez ao se levantar do chão foi dizer que precisava encontrar Astória?
 
- Sinceramente? Não.
 
- Pois eu me lembro bem. Fiquei com esse nome na cabeça e ainda o vimos com uma menina na saída do Castelo no meio da guerra. Enfim, imprensei a Gina na parede até ela me contar que eles estavam namorando. Que essa Astória é uma menina da Sonserina, do quinto ano. Sangue puro, rica, linda. Tudo que ele poderia querer na sua namorada, futura esposa. Fim de história Harry. – Ela se levantou decidida, limpando a calça, quando os primeiros pingos da chuva que o céu prometia começaram a cair.
 
- Pode ser, mas ninguém tem certeza de nada. – Ele também se levantou.
 
- Por favor, não vamos complicar mais as coisas, está bem?! Acho que devemos entrar, está começando a chover, além de que preciso ir ver minha filha.
 
Ela não esperou resposta. Seguiu em direção a Toca. Em sua cabeça, um milhão de idéias passando, e o esboço de um plano que poderia, ao menos, dar um pouco de esperança e tranqüilidade na sua vida. Teria que pensar melhor naquilo, mas pensaria bem rápido.
 
 
 
O vento quase fazia com que seu capuz saísse de sua cabeça, então por vezes, tinha que puxá-lo de volta para esconder um pouco o rosto. Isso fez com que uma lembrança há muito esquecida viesse com força a sua mente.
 
Tinha feito uma aposta idiota com Blás e perdera. Foram a uma festa trouxa a fantasia. Com pavor e nojo, tentou se esconder ao máximo. Máscara, capuz, roupas negras e longas. Mas também se lembrou da menina de vermelho. O vestido demarcando o corpo jovem e as penas que a deixavam misteriosa. Os cabelos cacheados, castanhos, lhe caindo ao ombro. A máscara dourada, a boca pequena e delicada. Aquela trouxa lhe dera um dos melhores beijos da vida e nem sabia como era seu rosto.
 
Lembrar daquilo o fez pensar onde estaria o amigo, e sem saber porque, pensou em Hermione. Sacudiu a cabeça e apertou os olhos. Ela não. Ela nunca mais.
 
- Draco? É você? – Sua voz doce e saudosa teve o poder de dissolver toda aquela inquietude. Se levantou e a encarou tentando sorrir.
 
- Astória, quanto tempo. – Ela assentiu com a cabeça e sentou no banco em que ele a estivera esperando. Draco fez o mesmo.
 
- Porque esse capuz? O inverno logo chega, mas ainda não é para tanto. – Um sorriso brincava em seus lábios rosados.
 
- Não quero que me vejam. Não que eu me importe com que pensam, mas há uns que gostam de insultar e apontar os dedos. Para maioria eu não deveria estar numa praça, e sim em Azkaban. – Sua voz saíra cansada e até ele se assustou com isso.
 
- Imagino que tudo isso é muito difícil. Mas então, quase não acreditei quando Pansy me disse que enfim poderíamos nos encontrar.
 
- Como sabe voltei há dois dias. Tive que dar satisfações ao Ministério e até para jornalistas. E então eu poderia te ver com mais tranqüilidade. Como está Dafne? – Astória abaixou os olhos.
 
- Ainda lutando para não perder a perna Draco. Voltou para o hospital ontem, para uma tentativa de novo tratamento, mas não há muita esperança. – O loiro posou sua mão na dela e se aproximou mais.
 
- Vamos acreditar que tudo vai dar certo Astória. – Ela o encarou.
 
- Senti muito a sua falta.
 
- Eu também. Minha mãe quer te conhecer. – Ela se assustou e soltou a mão da dele.
 
- Como assim? – Draco não gostou muito reação.
 
- Ela ouviu muito sobre você durante esses meses, por mim e por Pansy, que agora parece a filha que ela não teve. Está curiosa. Algum problema?
 
- Não. É que o fato dela querer me conhecer... parece que tudo se torna oficial, maior...
 
- Não quer isso? – A castanha agora sim parecia muito assustada.
 
- Eu?! Draco! Você quer isso?!
 
- Bem, acredito que sim. Claro que não posso prometer muitas coisas agora, não enquanto ainda não sou efetivamente julgado. Talvez seus pais possam não gostar da idéia, agora que penso nisso. – E então ele abaixou a cabeça se sentindo ainda mais cansado.
 
- Eles com certeza respeitariam a minha escolha. – A voz de Astória foi firme e isso o encorajou a fita-la mais uma vez.
 
- E o que você quer?
 
- Sabe o quanto eu gosto de você? Mas Draco... minha mãe quer que eu volte para Hogwarts, e se a reforma se alongar por muito mais, vai me mandar para Beauxbatons. Como poderia namorar de longe? E...
 
- E?! – Ele não esperava aquela aflição por parte dela.
 
- Sou mais nova que você. Dois anos. Sei que parece pouco, mas não é. – Ela estava vermelha.
 
- Isso nunca te impediu de ser corajosa e dizer tudo que precisava ser dito. Principalmente para mim. Astória, essa coisa de idade não é justificativa. – Draco estava começando a ficar nervoso.
 
- Que justificativa? Não é ...
 
- Pode dizer a verdade. Seus pais não gostariam que sua caçula se envolvesse com um ex comensal, acusado de crimes, vindo de uma família marcada pelas artes das trevas desde a suas mais profundas raízes. Não use de desculpas comigo. – Ele tinha voltado com aquele tom gelado que vinha usando desde antes da batalha de Hogwarts. Isso a machucou.
 
- Não seja tão estúpido! Meus pais não são o que você pensa. Aliás, não pensam como você! Eu já tinha te falado que eles não se importam com essas coisas! Ficaram a margem de toda essa palhaçada de guerra o tanto quanto fosse possível. E deram sorte de Voldemort não se lembrar de que minha bisavó fora mestiça! Quantas vezes meu pai quis que eu me aproximasse de Hermione Granger?! Sim, por que ela era a bruxa mais falada em todas as rodas de conversa, bem ou mal, ela sempre surgia no assunto. Uma nascida trouxa extremamente inteligente, esforçada e centrada. Ele costumava dizer. Queria que eu fosse como ela. Ou ao menos tentasse. Nunca pude ser como ela. Então não venha me dizer de preconceitos! – A voz dela se alterara um pouco, mas nada que chamasse atenção para o casal sentado em uma praça. O problema fora que Draco ficara vermelho e meio surdo depois que Astória pronunciara aquele maldito nome.
 
- Por que estamos falando dessa.... dessa pessoa?! – Sua voz continha toda a raiva que estava sentindo naquele momento. Astória o encarou franzindo as sombracelhas.
 
- Qual o problema?
 
- O problema? Nenhum. – Ironia pingava em cada palavra dele.
 
- Draco. Você ainda se importa com o fato dela ser...
 
- Há coisas Astória que jamais vão mudar e é bom que você logo já saiba disso. E o que acho, penso em relação a.... Hermione Granger é uma delas! – Ela se virou melhor e encarou.
 
- Em relação a pessoas como ela, nascidas trouxas, ou especificamente a Hermione Granger? – Ele respirou fundo. Não fora por a caso que Astória lhe chamara atenção. Além de ser astuta, como toda boa sonserina, ela tinha o pensamento muito rápido, tal qual como a grifinoria, que mais uma vez tinha virado o assunto do momento. Aquela castanha a sua frente era quase tão inteligente quanto à outra. Só não era mais porque ainda lhe faltava às experiências que amiga do Potter colecionava.
 
- Tanto faz, no fim, da no mesmo. – Foi tudo que ele poderia dizer. Ela ficou um tempo em silencio, o que o deixou ainda mais apreensivo.
 
- Não, não dá. - E se levantou.
 
- Astória? – Agora ele se sentia confuso.
 
- Eu preciso ir. Disse a minha mãe que viria apenas ver uma amiga, mas que logo a encontraria no St. Mungus. – Ela tentou sorrir, mas não conseguiu. Um pouco da cor de seu rosto parecera sumir.
 
- Mal conversamos realmente. – Ele ficou a frente dela e tomou mais uma vez sua pequena mão. – Não queria que tivéssemos discutido. O objetivo de te encontrar era de matar as saudades e...
 
- Draco, está tudo bem. Conversaremos melhor em outro momento. Agradeça a sua mãe o convite e diga que assim que me for possível eu marcarei um chá. – Agora ela se esforçara mais e conseguira um tímido sorriso.
 
- Tudo bem. – Meio hesitante ele se aproximou dela e deu um pequeno beijo nos seus lábios, foi quando os sentiu trêmulos. – Tem certeza que está bem?
 
- Sim, mas preciso ir. – Então se soltou de sua mão e sem olhar para trás se foi.
 
Draco se sentou mais uma vez naquele banco com a cabeça fervendo. Não deveria ter perdido o controle da maneira que perdera. Menos ainda se deixar influenciar tanto com a simples menção do nome Hermione Granger.  Deu um soco na perna raivoso. Ela sim que era esperta. Estava seguindo com sua vida e até se falava em casamento. Ele precisava, teria que fazer o mesmo. Maldita seja! Tinha lhe roubado tantas coisas, mas não permitiria que lhe tomasse sua pequena Astória. O único sopro de leveza que toda a merda que sua vida se transformara possuía.
 
 
 
Foi pelo cheiro de comida que invadia seu nariz que teve forças de abrir os olhos. No primeiro momento tudo estava embaçado, mas logo a vista foi se acostumando com a claridade. Percebeu que estava deitado em uma macia cama. O quarto era pequeno, mas bem iluminado e quando viu a janela, percebeu que fazia sol lá fora. Se sentou depressa tentando entender mais uma vez onde estava e o que acontecera.
 
- Mamãe, ele acordou! – Uma garotinha que passava pela porta o viu sentado na cama e saiu gritando. Alguns segundos depois uma senhora jovem apareceu com um pequeno sorriso.
 
- Olá, como você está? – Ela se sentou em uma cadeira próxima a sua cabeceira que só agora notara. A menininha ficou ao lado da mãe.
 
- Eu? Acho que confuso. – E isso era o mínimo.
 
- Sente fome?
 
- Bastante na verdade. – A mulher de cabelos castanhos sorriu mais uma vez.
 
- Mel, vá buscar um pouco da sopa que acabei de fazer. Vá com calma para não se queimar nem derramar nada pelo caminho. – A garotinha, que tinha os cabelos cor de fogo, deu um pulinho feliz.
 
- Claro mamãe! – E saiu correndo do quarto.
 
- Acho que falei para ela ir com calma. – Mais um sorriso. – E então, além da fome sente mais alguma coisa? Você tem um machucado mal curado na cabeça, está doendo? – Ele não sabia o que fazer, mas até aquele momento, a mulher a sua frente, o quarto, a comida, eram as melhores coisas que lhe haviam acontecido.
 
- No momento ele não dói. O que aconteceu comigo? – Ele se lembrava de ter achado uma aldeia, ou cidade, ou coisa assim. De ter escutado sorrisos e de ter se jogado por uma porta e por fim desmaiado.
 
- Você apareceu aqui ontem a noite. Estava todo molhado e logo desmaiou. Eu tenho uma estalagem, então eu e os meus hospedes, que estavam jantando, olhamos você e vimos que estava ferido. Um deles o trouxe até aqui e tirou a roupa encharcada. Você teve febre durante a noite, mas acho que agora ela cedeu. O que houve com você? Como se chama? – A mulher era muito delicada, mas aquelas perguntas não eram. Ele.. ele não fazia idéia da resposta.
 
- Aqui está a sopa. – O aroma invadiu todo o cômodo e ele se sentiu muito feliz. A mãe levantou para pegar o prato das pequenas mãos da filha. Com mais um sorriso se aproximou dele e o entregou a sopa.
 
- Coma, vai se sentir bem melhor. – E foi verdade. Se sentiu tão bem que perguntou se não poderia comer mais um pouco. Aquela jovem senhora apenas sorriu e buscou mais para ele. Enquanto comia ouviu um choro de bebe ao longe. A mulher pediu licença e saiu do quarto. Depois de algum tempo, apareceu com um bebe gordinho. Ele deveria ter uns 6, 7 meses. Os cabelos dele que estavam castanhos quando entrou, de repente ficaram negros. Aquilo o assustou, mas achou melhor não comentar nada. A mulher o colocou sentado no chão, e menininha se sentou ao lado dele e ficaram brincando. Quando se sentiu saciado, agradeceu, e achou por bem dizer a verdade.
 
- A senhora me perguntou o que aconteceu comigo e meu nome. Pois bem, eu não sei. – Ela o olhou com o ar de indagação, mas logo seu rosto ficou tranqüilo;
 
- Oh, perdeu a memória?
 
- É, acho que sim. Não faço idéia de nada. Só sei que um dia eu acordei em uma floresta, perto de um rio. Estava muito fraco e a cabeça doía muito. Fiquei um tempo por lá, mas depois resolvi caminhar em busca de qualquer coisa. Então encontrei uma cabana abandonada e me instalei por lá. Mas ontem choveu muito e fez tanto frio que... ah.. eu achei que talvez eu devesse desistir. Corri pela chuva e quando percebi tinha encontrado a cidade. E quando ouvi vozes corri para onde elas vinham. Então entrei aqui e.. desmaei. – Ela assentiu com a cabeça.
 
- Entendo. Bem você está num Vilarejo chamado Hogsmead. Eu acho que você veio de Hogwarts, por causa de suas roupas. A blusa, a calça, e a capa com o brasão da escola.
 
- Hogwarts?! – Aquele nome soou conhecido, mas não conseguia fazer nenhuma conexão.
 
- Sim, a maior escola de Magia e Bruxaria que se tem noticia. Há alguns meses houve uma guerra lá, e acredito que foi assim que você se feriu. – Eram muitas informações. Sua cabeça começou a doer.
 
- Escola de Bruxaria? Guerra?
 
- Você não consegue se lembrar de nada? – Então ele forçou, mesmo com a dor, lembrar de algo. Sentiu o perfume novamente, os cabelos loiros passaram como um clarão, e o espelho ficou nítido na sua mente. Se viu com aquele pedaço de madeira na mão, que agora, de repente, soube que era sua varinha, dentro de uma sala de aula.
 
- Oh.. algo... Minha varinha.. a joguei fora... Me assustei quando a encontrei em minhas vestes e ela soltou um brilho. Não sabia o que era e a deixei jogada em um canto. – A mulher voltou a sorrir.
 
- Uma varinha se pode comprar. Acho que devo leva-lo até o hospital. Lá eles poderão tratar de você melhor e certamente lhe ajudar a se lembrar. Além disso, sua família deve estar te procurando. Já se vão quase 7 meses que a guerra acabou, devem estar aflitos. – Se sentiu inquieto.
 
- Eu não quero ainda ir. Por favor, me conte tudo sobre essa Hogwarts, a guerra. Talvez eu consiga me lembrar. Eu...- mas sua voz sumiu.
 
- Do que você tem medo filho?
 
- De ser feito de bobo por não saber de nada. A senhora cuidou de mim e eu acredito no que me diz, mas temo pelos os outros. Por favor, me deixe ficar por um tempo. Posso ajuda-la na estalagem, e...
 
- Se acalme. Você fica aqui o quanto precisar. Vamos combinar assim. Você precisa se fortalecer e se sentir mais forte. Nesse tempo vamos conversando. E aí então, se não conseguir se lembrar de tudo vamos para o St Mungus, tudo bem? – Aquele nome fez com que um rosto viesse sua cabeça. Era o rosto de uma mulher negra como ele, com olhos cor de mel. Seu coração se aqueceu e então soube que aquela gargalhada que o acalmava era dela.
 
- St. Mungus?! – Ele precisava saber o que era aquilo.
 
- É o hospital dos bruxos em Londres. – Um hospital. Por que se lembrava daquela mulher relacionada a um hospital?
 
- Está bem, mas me de esse tempo.
 
- Agora eu preciso ir cuidar das minhas coisas. Mais tarde eu volto. Mel pode te fazer companhia se quiser. – A menina soltou um riso.
 
- Gostaria de ficar um pouco sozinho, mas é claro que ela pode vir mais tarde. – E sorriu para a garotinha. Acreditou que aquela fosse a primeira vez que fazia aquilo. – Me desculpe, mas qual o nome da senhora?
 
- Oh, claro, que cabeça a minha. Esses aqui são Mel e Ted. – Ela apontou para o bebe que mordia suas gordinhas mãozinhas e para garotinha de cabelos vermelhos. – Minha filha e neto. – A menina se levantou sorrindo.
 
- Eu sou filha do coração sabe. Minha mãe morreu na guerra e meu pai foi preso por gostar do Cobra. – Os olhos dela perderam um pouco o brilho e então a mulher a abraçou.
 
- Mel... não fique assim. Pegue o Ted e o leve lá para baixo. Que tal tentarmos uma receita nova para o jantar? – A garota voltou a sorrir.
 
- Claro! – E com mais um pulo ela, meio desequilibradamente, pegou o bebe e se foi.
 
- Eu fiquei cuidando da estalagem da mãe da Mel depois da guerra. Encontrar essa garotinha desamparada acabou me dando forças para continuar vivendo filho. Ah, já ia me esquecendo, você quer saber como me chamo, sou Andromera Tonks.
 

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Comentários: 4

Páginas:[1]
:: Página [1] ::

Enviado por M R C em 27/04/2012

Nossaaaa ! Que capítulo EMOCIONANTE!
EU AMEI TUDO!
sério, você entrelaçou muito bem as histórias, e fez com que não só draco e mione ficassem no centro das atenções, mas os outros personagens também, e são realmente poucas fics dramione que conseguem esse feito.

Achei sensacional a sacada de deixar o Blás sem memória, e UAU a Andromeda tão esnobada dos filmes aqui aparecendo na fic, muito bacana, e to até vendo o impacto disso na vida do Draco e seus conceitos!    


Eu imagino que mesmo com a relutância da Mione, o casamento com o Ron será inevitável...será que to errada? hahaha

Gosto demais da  Astória da sua fic e acho que se for causar mais impacto, será interessante também deixar eles se casarem.

Eu só queria que antes da fic (1ª temporada) terminar, ver pelo menos uma cena romântica entre Draco e Mione, será possível produção ?? hahahaha


Parabéns pelo teu livro, mais uma vez! Você e a Tia Jo juntas no mercado, já parou pra pensar nisso !?
Realmente pelo talento que vejo aqui na sua fic, teu livro tem tudo pra dar certo =]

Beijos    

Nota: 5

Páginas:[1]
:: Página [1] ::

Enviado por juliana vieira em 26/04/2012

amei como sempre. espero que o draco e a hermione fiquem juntos.

 

Nota: 1

Páginas:[1]
:: Página [1] ::

Enviado por Larii Malfoy em 24/04/2012

Aiiii amei que você postou!

Gostei demais da cena da Hermione com a Liz,muito fofa a relação de mãe e filha delas *-*

Draco com Astória,definitivamente não combinam kkkkk

OMG! Andromeda cuidando do Blaise? Certo? vixe kkkk

Aguardo o próximo \º/

 

beijos ;*

Nota: 5

Páginas:[1]
:: Página [1] ::

Enviado por Roberta Santos em 24/04/2012

AHHHHHHHHHHHHHH.....adorei o capítulo!!!A Andrômeda ajudando o Blaise,nunca imaginaria isso cara;e o Draco tentado esquecer a Mione,por favor faça com que eles se encontrem logo querida,quero ver os dois juntos e cuidando da Elkiz.Amoooooooooooooo a sua fic,parabéns!!!

Beijinhos ;* 

Nota: 5

Páginas:[1]
:: Página [1] ::

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