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7. Capítulo VII


Fic: Harry Potter e a Wendelin Phoenix.


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Noite de 11 de novembro de 2001, casa de Aaron e Amy Mackenzie
 


Ela estava sentada no sofá, rodeada de amigos. Draco e Gina, Rony e Lilá, Isabella e Olívio, todo o pessoal da antiga Ordem da Fênix, seus pais, seu marido e, principalmente, seus filhos estavam presentes.


Os Mackenzie não puderam estar ali àquela noite. Liah porque estava morando no exterior há dois anos, Ethan porque viajara para acompanhar Brittany à casa da família dela na Suíça e o Sr. e a Sra. Mackenzie porque estavam nos Estados Unidos.


Só faltava Harry e... Hermione.


A campainha soou. Ela, no entanto, fora impedida àquela noite de se levantar para o que quer que fosse. Quem se encaminhara para abrir a porta fora Aaron. Amy então voltou a sua atenção para a porta, onde Harry surgiu. Em seguida, veio Karen.


Então, uma lembrança veio à sua mente. Uma lembrança de algo que ocorrera cinco meses atrás...


 


- Ah, Harry, que bom ver você! Quanto tempo, hein? – ela o abraçou. – Vamos, venha. Papai e mamãe estão na sala de jantar com o Aaron e as crianças.


Era domingo e Harry acabara de chegar à casa de Sirius, exatamente como fazia desde seu retorno do último ano de Hogwarts. No entanto, fazia duas semanas que não freqüentava a casa do padrinho por conta de reuniões e da última “missão” que tivera.


- O Sean está melhor? – ele indagou à ‘irmã’ enquanto rumavam para a sala.


- Um pouco febril, mas está bem melhor, graças a Merlin!


- Harry, meu afilhado, como vai? – Sirius viera cumprimentá-lo ao ver adentrar a sala.


- Bem, e espero o mesmo de vocês – o moreno respondeu.


- Claro, claro! – Sirius sorriu.


- Tivemos um susto na sexta-feira com o Sean, mas está tudo em ordem, querido – foi a vez de Alissa se manifestar.


- Eu soube – Harry comentou. – E você, Aaron? Muito trabalho?


- Se você fosse meu chefe, eu diria que está sendo irônico – Aaron brincou. – Está dando para levar. Problema é chegar em casa e ter dois pestinhas para correr atrás, porque a sua querida irmã passa mais tempo no trabalho do que em casa.


- Não exagera, Aaron. Você sabe que eu passo a manhã inteira com eles!


- E eu fico com eles das 18h às 20h, que é a hora que eles dormem.


- Por isso que no outro dia eles acordam às 5h! E o senhor está dormindo, aí quem tem que cuidar sou eu.


- Muito bem, casal, deixem para discutir isso depois, quando estiverem debaixo do seu teto e sozinhos! – Alissa interveio.


- Alissa, meu bem, me acredite: sozinhos eles não vão querer discutir; vão ter coisa melhor para fazer.


- Sirius Black! – a mulher repreendeu. – Você e sua mente poluída!


Todos riram.


- Tudo bem, não se importem comigo. Estou acostumado – Harry adiantou-se. – Amy, você não disse que as crianças estariam aqui?


- E estão – ela apontou um canto, onde os dois dormiam, um em cada sofá.


- Cansaram de correr – resumiu Aaron. – Ainda bem. Eu já estava começando a achar que eram ligados nos 220!


- Mas então, Harry... – Amy começou enquanto assumia o próprio lugar à mesa. – Isabella me disse que tinha uma novidade para nos contar, mas não quis dizer o que era. Perdemos muita coisa nessa comemoraçãozinha que vocês fizeram na sexta?


- Bem, na verdade, foi um dos motivos da minha visita hoje. Fiz questão de vir!


- Você sempre vem, Harry. Mesmo que tenha acabado de chegar de alguma missão ou do trabalho, você sempre vem – Sirius comentou.


- Sim, papai... – Amy interveio. – Continue, Harry.


E ela percebeu o nervosismo do moreno, que parecia escolher as palavras e por onde começar. Involuntariamente, ela penetrou a mente de Harry.


- Harry? – ela chamou. – Será que posso lhe falar a sós um instante?


- Mas eu... – ele começou. – É claro – assentiu enquanto se levantava. – Com licença.


- Ué, mas onde vocês vão? – perguntou Sirius.


- É rápido, papai. Só quero conversar a sós com Harry. Nós já voltamos – Amy garantiu e esperou que Harry passasse à sua frente. – Lá em cima, na sala de tevê.


E os dois seguiram para lá.


- Acha que já pode dizer? – ela indagou ao chegarem ao lugar que indicara.


- Você já sabe, não é?


- Como eu não saberia, Harry? Meu dom fala mais alto nessas horas! – Amy argumentou. – Mas isso não importa agora. Quem é ela?


- Karen Priestly.


- Uma das gêmeas – ela afirmou. – Sei quem é. E devo dizer que tem bom gosto.


- Foi exatamente o que o Rony me disse.


- E você gosta dela, Harry? Gosta realmente da moça? – Harry não respondeu. – Tudo bem, vou mudar a pergunta – fez, de supetão. – Aliás, não vou mudar nada. Eu vou é afirmar: Harry, você não esqueceu a Hermione. Isso está escrito na sua testa!


- E como eu esqueceria? O fato de eu estar com a Karen não quer dizer que eu a esqueci. Eu só... – ele começou. – Estou vivendo – concluiu num murmúrio. – Não era isso que vocês cobravam de mim? Eu gosto da Karen. Talvez não como amava a Hermione...


- Exatamente, Harry. Você gosta, não ama.


- Mas isso não significa que eu não possa amar – ele replicou. – Amy, eu só quero construir a minha vida! Acha que eu não me sinto mal vendo todos os meus amigos se casarem, terem filhos e construírem a própria família? Eu também quero isso para mim.


Os argumentos de Amy morreram ali, embora ela tivesse mil e um deles para apresentar.


- Sabe, eu descobri que não adianta ficar esperando por Hermione quando ela mesma pode estar construindo a vida dela longe daqui. Quem me garante que ela não abandonou de vez o mundo bruxo e foi viver como trouxa? Quem me garante que ela não casou e já tem filhos? Quem me garante que ela não me tem apenas como uma lembrança feliz de seu passado? – ele indagou. – Karen gosta de mim, eu gosto dela e acho que isso é suficiente por agora. Não sei como estaremos daqui a seis meses ou um ano, não sei se posso amá-la como amei e amo a Hermione, não sei se ela será capaz de me amar, também...


- Harry, só quero que você saiba que eu só desejo a sua felicidade. E se você está feliz, me sinto feliz por você também – Amy apertou o ombro do amigo.


- Obrigado, mas... Não é só isso – ele começou, hesitante.


- Pode dizer, sou toda ouvidos.


- Eu sei que vai ser difícil para você, assim como no início vai ser difícil para mim, mas acho que é necessário deixarmos esse passado onde eu e a Hermione, você sabe... Eu queria pedir que nós não falássemos mais a respeito dela e que seu nome não seja citado na presença de Karen. Vai ser melhor para preservar o meu relacionamento com ela.


- Eu compreendo – ela assentiu. – Farei o que for melhor para você.


E Amy o abraçou.


 


De volta à realidade, ela viu Harry diante de si, aparentemente esperando que ela se levantasse para que ele pudesse lhe cumprimentar. Ele estava ótimo, não deixou de observar. Falou com ele e com Karen rapidamente, pois ouviu lhe chamarem ao longe.


- Amy, telefone! – Sirius lhe chamou. – É a Liah.


- Ah, que bom! Só um instante, Harry. Eu já volto e nós conversamos – e Amy correu para atender o telefone. – Liah!


- Vinte e três aninhos, hein? Está ficando velha mesmo! – Liah brincou. –Feliz aniversário, Amy! Felicidades e juízo, porque eu sei que para você nunca custa desejar mais um pouco – riu.


- Obrigada, Liah! – agradeceu Amy. – Mas vai brincando, viu? Depois de amanhã você se junta a mim nos seus vinte e três anos e eu não vou lhe desejar juízo... Eu mesma irei procurar em todas as lojas uma grande dose para fazer você tomar! – revidou, rindo. – E então, quando vem mesmo?


- Amanhã à noite estou chegando. Iria pela manhã, mas tenho uma reunião importante à tarde, e aí entro de férias – contou, animada. – Papai e mamãe disseram que chegam pela manhã.


- É, o Aaron me disse.


- E as crianças, como estão?


- Ótimos! Vivem perguntando por certa tia louca que eles têm... – Amy riu.


- Diz a eles que a titia ama eles e está indo só para vê-los e matar as saudades.


- Uau, que consideração por mim!


- Você sabe que eu adoro você, Amy! Deixe de doce – Liah pareceu desviar a atenção do telefone um instante e Amy ouviu a voz de uma criança.


- Quem é?


- É Chloe, filha de uma amiga minha. Uma graça!


- Que idade ela tem?


- Dois anos e nove meses – Liah respondeu. – Só um instante – e Amy ouviu a voz da cunhada distanciar. – ... Mione, Chloe está se apoiando na janela, corre aqui!


Amy então estranhou. “Mione?”, pensou.


- Liah? – chamou.


- Ah, oi! Desculpe, é que Chloe estava aprontando aqui.


- Como é mesmo o nome da mãe dela, Liah?


- Hermione.


Amy arregalou os olhos, surpresa. Quantas Hermiones existiam no mundo? Até então, só ouvira falar de uma. A única que conhecia, a sua melhor amiga, a ex-namorada e amiga de seu “irmão”.


- Amy? Você ainda está aí? – Liah chamou.


- Eu, ah... Estou.


- Bem, infelizmente tenho que desligar agora. Sabe, o telefone... Só liguei mesmo para felicitar você.


- Ah, tudo bem – Amy assentiu. – Até logo, Liah! Um beijo.


- Até amanhã! – e Liah desligou.


Amy então anotou mentalmente: iria conversar seriamente com Liah a respeito da tal Hermione e, se suas suspeitas se confirmassem, faria questão de vê-la.


Voltou para a sua festa, mas sua cabeça estava longe.


 


---


 


Tarde de 12 de novembro de 2001, Suíça
 


Eles receberam o endereço e as informações da reunião pouco após o almoço. Estavam hospedados num hotel no centro da capital do país, Berna. Para Hermione, estava sendo difícil esconder da mãe o real motivo daquela ida à Suíça. “Viagem a trabalho”, foi o que dissera.


Naquele momento, estavam num carro a caminho da casa que a família Newbie tinha numa zona mais afastada do centro. Chloe e Jane Granger ficaram no hotel, mas enquanto olhava a paisagem, Hermione pensava o quanto a filha ficaria fascinada em ver tantos lugares bonitos. As casas, a arquitetura... Era tudo muito bonito. Era como se estivesse numa cidade de bonecas.


Voltou seu olhar para o interior do carro. Elloe ia à frente; Chad, Liah e Hermione atrás.


Ela encarou Chad. O loiro olhava através da janela, exatamente como fazia instantes atrás. Pensava em tudo o que ele fizera por ela a troco de nada, apenas de sua amizade. E ela o estimava tanto! Sorriu ao lembrar quantos momentos e viagens desfrutara ao lado dele, se divertindo de uma maneira que nem mesmo ela sabia explicar.


Aparentemente, o riso chamara a atenção do rapaz, que a olhara por detrás da cabeça de Liah – ela estava sentada entre os dois. Hermione lançou um olhar penetrante a ele, que não deixou de sorrir para ela. Em seguida, observou a morena voltar a atenção para a paisagem através da janela novamente.


Elloe encarou Hermione pelo retrovisor sem que a outra percebesse. A considerava uma mulher e tanto, principalmente depois de tudo o que passara. No entanto, sabia que Chad nutria um sentimento além da amizade por ela. Mas também sabia que o amigo não era correspondido.


O fato de ser apaixonada pelo amigo, fazia de Elloe uma mulher ainda mais atenta e observadora em relação a ele. Ele adorava Hermione de uma maneira que ela nunca o vira adorar uma mulher antes. Aquilo a assustava. Não tinha ciúmes, entretanto. Nunca fizera o tipo possessivo. Claro que preferia que os olhares que o loiro lançava à Hermione fossem para ela – Elloe. Mas sempre tivera algo com ele que nenhuma mulher teria: a amizade de infância, o conhecer intimamente e ser a primeira, antes de todas.


O trabalho interferia, é claro. Os vários plantões, as noitadas no hospital... Tudo impedia que ela mantivesse o contato que tinha antes com o amigo, que cada vez mais viajava sem data certa para retornar. Consolava-a o fato de receber cartas regularmente de Chad, os encontros casuais – ou nem tanto – no St. Mungus, quando o loiro chegava de viagem e ia ver o pai.


Cansada de pensar sobre isso, recostou a cabeça no banco e fechou os olhos.


- Que silêncio – Liah murmurou, fazendo Chad, Hermione e Elloe sorrirem. – Vocês são uns chatos e deprimidos!


E dizendo isso, ela recostou no banco exatamente como Elloe fizera e fechou os olhos. Não durou muito a sua quietude.


- Falta muito, moço? – indagou ao motorista em francês.


- Dez minutos – o rapaz respondeu.


Claro que ela não precisou dizer mais nada. Sabia que Chad e Hermione eram fluentes em francês. E em tantos outros idiomas que ela preferia não citar.


Liah estava de férias. Iria viajar para ver a família logo após a reunião, afinal, era seu aniversário no dia seguinte. A última vez que vira os sobrinhos fora no batizado, oito meses atrás. Sentia saudades dos irmãos, Aaron e Ethan, dos pais e dos amigos que tinha feito no curto período que passara morando em Londres.


Sentia uma falta maior ainda dos amigos que deixara nos Estados Unidos. Faria o possível para visitá-los também. E esperava que vinte dias fosse o suficiente para fazer tudo o que desejava fazer.


Passados os dez minutos estimados, eles chegaram a um enorme portão de ferro. O que se via através dele era um vasto jardim bem cuidado e uma casa. Entraram na propriedade e foram recebidos por um mordomo simpático.


A casa era enorme. Foram levados a um salão grande, ocupado por cerca de cem cadeiras que formavam um círculo ao redor do aposento.


- Madame Newbie está vindo recebê-los – o mordomo informou enquanto retirava-se.


- Será que alguém já chegou? – cochichou Liah.


Ninguém precisou responder, pois instantes depois, Elizabeth Newbie adentrou o aposento acompanhada das duas filhas, Keira e Brittany, do marido e de duas gêmeas – além das próprias filhas do casal – que Liah e Chad pareciam conhecer.


- Hallie e Karen Priestly, trabalham no Ministério Britânico. Hallie trabalha com Brittany Newbie e com Ethan, meu irmão, no Escritório Internacional de Direito da Magia e Karen é auror e membro do Conselho de Wizengamot – informou Liah a Hermione num cochicho. – São sobrinhas de Elizabeth Newbie, filhas do irmão dela, Nash Priestly.


Hermione observou-as atentamente e assentiu.


- Como vai, Liah? – cumprimentou Brittany ao se aproximar. – Está gostando da Suécia?


- Sim, claro. E você, conseguindo se adaptar à sua casa? – brincou.


- Acho que sim, afinal, estou de volta há quatro anos – Brittany respondeu.


- Keira! – Liah cumprimentou.


- Olá, Liah! E... Chad! – ela cumprimentou. – Elloe Fenty, como você conseguiu a proeza de vir para cá com aquele plantão que não acabava nunca?


E Elloe saiu com ela para conversar num canto.


- Esta é a famosa Hermione Granger, então? – Elizabeth Newbie se aproximou de Hermione. – Ouvi muito falar ao seu respeito, menina! Muito bem, é claro.


Hermione sorriu. Antes que pudesse responder qualquer coisa, o mordomo voltou ao salão com um grupo maior de pessoas e Madame Newbie foi obrigada a desviar sua atenção para recebê-los.


A reunião em si só foi começar após as 18h.


- Desculpem o atraso, mas nós tivemos alguns imprevistos lá em Londres, uns pedidos que eu fiz e que só tive resposta agora – Elizabeth Newbie começou o discurso. – Creio que saibam o motivo desta reunião. Há alguns meses eu pude contar com a colaboração de minha sobrinha, Karen Priestly, numa coleta de informações sobre as propostas que estavam sendo lançadas e votadas no Conselho de Wizengamot – relembrou. – Karen, por favor.


E Karen se aproximou.


- Soube que ela está de namorando com o Potter – Elloe cochichou para Liah.


- Sério? – Liah mostrou-se surpresa.


Elloe limitou-se a acenar positivamente.


- Muito bem, como tia Elizabeth disse, foi proposto por uma mulher, cujo nome não deverá ser citado, a criação de instituições de apoio aos abortos – filhos de bruxos, porém sem qualquer manifestação de o serem – e, com isso conseguiu conquistar a confiança dos membros do Conselho. Tanto, que já temos uma instituição funcionando desde o início deste ano – ela iniciou o seu discurso. – No entanto, ao lançar pela primeira vez a proposta de limitar a participação de nascidos trouxas na sociedade bruxa, esta foi duramente vetada pelo ministro, visto que atualmente pelo menos dois terços da sociedade bruxa são formados por gente de origem trouxa.


- Isso porque cada vez mais nascem bruxos sem nenhum antecedente semelhante na família ou porque muitos bruxos se envolvem com trouxas e geram novos bruxos, visto que a chance de nascerem trouxas é muito pequena – Elizabeth explicou.


- Exatamente – Karen concordou. – Em todo caso, a tal mulher foi aperfeiçoando seus argumentos e está lutando para que a participação de nascidos trouxas seja realmente limitada. O seu último argumento foi o mais convincente: com o nascimento desses bruxos de origem trouxa, cada vez mais trouxas sabem de nós, da sociedade bruxa e de tudo que nos envolve, o que torna a tênue linha que separa esses dois mundos, cada vez mais frágil.


- E mesmo nós, que estamos indo contra essa proposta, devemos admitir que se trata de uma verdade – foi a vez de Sir Frank Newbie se manifestar. – Não vai demorar até que o mundo trouxa saiba de nossa existência, o que, com toda certeza, gerará um caos irreparável!


- Sabemos disso. No entanto, ela já conseguiu uma parte do que planejava. Aqueles que forem diretamente ligados a trouxas já serão vistos com outros olhos pela sociedade. Ainda não foi decidido o que será feito com os pais desses “novos” bruxos e com sua família. Já foi sugerido que a criança fosse tirada antes mesmo de completar onze anos, idade com a qual os bruxos são aceitos nas escolas bruxas, do convívio com trouxas para impedir que, sendo aceitos na escola, os familiares saibam da existência do mundo bruxo – Karen explicou.


- Mas isso seria acabar com toda uma estrutura familiar! – argumentou alguém.


- De fato. E é esse tipo de coisa que buscamos impedir. Pode ser que, em breve, essa proposta seja ampliada e o processo abranja mais pessoas, como os netos e bisnetos de trouxas... – Karen continuou. – Isso fará com que os bruxos busquem casar com sangues-puros, que hoje são raríssimos, e em alguma medida gerará até mesmo incestos!


- Se isso fosse solução para o que essa mulher está querendo, talvez suas idéias fossem menos absurdas, mas nada do que ela sugerir vai impedir que nasçam bruxos em famílias trouxas! É algo que não tem explicação. E, podem dizer o que quiserem, em minha opinião, todos somos descendentes de trouxas, mesmo os que se consideram sangues-puros – Hallie argumentou. – O mundo bruxo não se originou do nada! Alguém teve que nascer bruxo, certo? E, certamente, seus pais não o eram. Além disso, esse alguém teve de se casar... E quem disse que se casou com um bruxo?


Houve murmúrios de concordância por todo o aposento. O tempo se arrastava e cada vez mais pessoas se manifestavam. Ao final, Elizabeth Newbie pôs-se de pé e caminhou até o centro da sala, elegantíssima.


- Enfim, podemos dar o nosso encontro como encerrado. Foi uma noite agradável apesar das circunstâncias que nos fizeram reunir. Sei que muitos que estão aqui presentes tiveram que se desdobrar para vir, afinal, uma viagem a outro país sempre é desgastante. Gostaria de agradecer a presença de todos vocês, agradecer pelos depoimentos e opiniões dados aqui e propor a vocês algo um tanto quanto inusitado, mas que pode ser a única forma de impedir que esses ideais de uma ínfima mulher inglesa se espalhem por todo o continente europeu e mesmo sobre o território britânico – ela introduziu.


“Devo dizer que não foi uma idéia de todo minha, mas também de meu marido, minhas filhas e minhas sobrinhas, todos aqui presentes. Claro que vocês sabem que descendo de uma família muito tradicional no mundo bruxo. Os Priestly sempre foram muito bem reconhecidos, assim como os Newbie, o que tornou a minha família um tanto quanto influente. Espero que não pensem que estou me gabando de tal situação, mas eu gostaria de poder usar esse reconhecimento para algo que sei que não irá me beneficiar em nada – também não irá prejudicar, é claro –, mas que é de enorme importância e benefício para muitos. Posso estar pondo em jogo toda a minha carreira, o meu status e até mesmo o meu pescoço, mas não vejo outro modo de aplacar toda essa insegurança que se abate em grande parte do mundo bruxo, senão sugerindo que criemos uma sociedade para que lutemos e, juntos, coloquemos em xeque os interesses de pessoas que não pediram para estar em tal situação, não pediram para nascer e muito menos para se tornarem bruxos”.


Aquelas palavras pareceram cravar profundamente a alma de Hermione. Ela nunca imaginara que uma pessoa pudesse ser tão generosa a ponto de meter-se numa guerra de foice no escuro para proteger pessoas a quem não conhecia quando aquilo não a beneficiaria em nada. E, naquele momento, passara a admirar Elizabeth Newbie.


- Wendelin Phoenix. Esse foi o nome que eu escolhi para dar a esta “sociedade”. O porquê do nome? Bem, é um tanto quanto complicado explicar, mas tentarei, ok? – ela riu nervosamente, seguida dos presentes. – Então! Claro que todo bruxo que se preze já ouviu falar de Wendelin, a esquisita, certo? – alguns concordaram. – Pois bem! Ela sempre se arriscava, era pega e resistia. Era sempre como se zombasse de tudo e de todos. E eu diria que uma sociedade que está indo contra tudo e todos, está zombando destes e arriscando a seus membros, certo? E o que se espera? Que não sejamos pegos, mas que se formos, resistiremos, exatamente como fazia Wendelin, a esquisita, que de esquisita não tinha nada – ela explicou. – E Phoenix porque vem de fênix, que é uma ave que mesmo quando morre, volta a viver. Este segundo nome é somente para reafirmar que nós resistiremos. Pode soar um tanto quanto redundante, mas tem um sentido muito além disso. A fênix tem poder de cura e nós temos que curar uma ferida aberta na sociedade: o preconceito.


“Talvez não seja um nome tão inteligente quanto julgo, mas espero que vejam, assim como eu vejo, os vários sentidos e significados que existem por trás de um nome tão... exótico”, ela concluiu, arrancando risos dos demais.


Enfim estava sendo fundada a organização que iria resistir aos ideais de Pansy Parkinson ou, como eles diziam, “a tal bruxa, cujo nome não deve ser citado, aquela mulher que tem idéias absurdas”:  a “Wendelin Phoenix”.


Mais tarde, após um breve coquetel, todos já estavam se despedindo.


- Liah Mackenzie, eu gostaria de lhe falar um instante. Se puder aguardar até que eu me despeça de todos... – Madame Newbie dirigiu-se à caçula dos Mackenzie.


Liah estava doida para voltar ao hotel, pegar suas malas, ir para Londres e curtir as suas merecidas férias, mas mesmo assim concordou.


- Sem problemas – assentiu, voltando-se para Chad e Hermione. – Vão na frente, eu passo no hotel para despedir-me de vocês.


- Tudo bem – concordaram.


- Onde está Elloe? – indagou Chad à procura da amiga.


- Já voltou para a Inglaterra com Keira. Elas têm plantão amanhã cedo – respondeu Brittany.


- Então nós já vamos. Tchau, Liah! – Hermione despediu-se e saiu acompanhada de Chad.


Liah, por sorte, não teve que esperar muito. Logo a casa estava vazia; restaram apenas ela e a família anfitriã.


- Liah, querida, pedi que esperasse para lhe informar o motivo do atraso de nossa reunião.


- Desculpe, mas eu não compreendo... – a morena murmurou, confusa.


- O assunto que eu tive que resolver antes de iniciar a reunião muito te interessa, Srta. Mackenzie – comentou. – Você voltará para Londres.


- Sim, eu sei. Estou partindo hoje à noite. Vou passar alguns dias de minhas férias lá...


- Não, você não está entendendo, Liah – e Elizabeth entregou-lhe um envelope. – Desculpe intrometer-me em seus assuntos de trabalho e em seus interesses, mas foi por uma boa causa – adiantou-se. – Eu pedi sua transferência de volta para Londres.


- O quê? – Liah assustou-se.


- Exatamente. Todos os papéis estão aí e está tudo certo para o seu retorno. Você deverá iniciar seu trabalho no Ministério da Magia Britânico a partir do dia 2 de janeiro de 2002 – a mulher prosseguiu calmamente. – Tomei a liberdade de pedir transferência em seu nome por conta de um trabalho que preciso que execute e, no momento, confio apenas a você tal tarefa.


- E o que a senhora pretende?


- Eu pretendo investigar Harry J. Potter.


- Mas...


- Eu pediria à Karen, que é minha sobrinha, mas creio que ela não aceitasse, por isso estou lhe pedindo que volte à Inglaterra e se aproxime deste homem – ela lhe mostrou a foto, a qual Liah pegou e passou a olhar atentamente. – Scott Olivier, é amigo íntimo de Potter e trabalha com ele.


- Eu não entendo...


- Existem suspeitas de que Potter esteja envolvido com essa tal de Pansy Parkinson – explicou resumidamente. – E você sabe que ele tem poder dentro do Ministério, não sabe?


- Claro, ele tem o cargo mais importante abaixo do próprio ministro...


- Mais que isso, Liah! Potter é tido como um sujeito de total confiança de Glenn, e é isso que me preocupa.


- E você quer que eu me aproxime desse tal de Olivier para investigar Harry Potter?


- Perfeitamente.


- E como eu o faria? – a morena indagou.


- Você saberá o que fazer.


Liah encarou a mulher atônita, mas isso não pareceu comover a ilustríssima Madame Elizabeth Newbie, que deu as costas e deixou o aposento sem olhar para trás.


 


---


 


Manhã de 14 de novembro de 2001, casa dos Mackenzie
 


- Liah, acorde! – a Sra. Mackenzie adentrou o quarto. – Vamos, querida, tem que levantar!


- Que horas são? – Liah esfregou os olhos.


- Seis e meia.


- Mãe! Eu não dormi quase nada!


- Eu sei, mas se você não levantar agora, perderemos nosso vôo.


- Vôo? Que vôo? – Liah levantou de um salto, confusa.


- Você vai conosco para Indiana.


- Mas eu tinha planejado ir para Indiana somente daqui a duas semanas.


- Eu sei disso. Mas eu e seu pai tomamos a liberdade de comprar a sua passagem. Passaremos o ano novo lá e achamos que gostaria de ir.


- É claro, é claro que eu quero ir! Eu só fui pega de surpresa.


- Então vá se arrumar, querida. Sabemos que o jantar de ontem foi cansativo, que você foi dormir tarde... mas você descansa no avião ou quando chegarmos lá, certo? – a Sra. Mackenzie se aproximou e deu um beijo no rosto da filha, depois retirando-se.


 


---


 


Chegou apressada ao prédio. Desde o dia que recebera a ligação de Liah em seu aniversário não conseguira pensar em outra coisa. Não tinha a quem contar, com quem conversar sobre aquilo... Só podia contar com Liah, a mesma pessoa que lhe falara da tal Hermione, a única pessoa que podia esclarecer aquela história.


Chamou o elevador. Ele simplesmente não chegava! Ela esmurrou a porta, esperando que, caso estivesse preso, alguém o soltasse.


Nada.


Correu para a escada e subiu correndo. Ao chegar à porta do apartamento, suspirou aliviada. Esperava encontrar todos acordados. Seria péssimo se acordasse os sogros Quanto à cunhada, sabia que não se importaria. Ela só queria conversar, fazer algumas perguntas, e depois Liah poderia dormir à vontade.


Tocou a campainha e ouviu certa movimentação dentro do apartamento. Sorriu. Estavam acordados. No entanto, quem abrira a porta fora Dalila, a secretária dos Mackenzie.


- Bom dia, Sra. Mackenzie – Dalila cumprimentou Amy, abrindo espaço para que a morena adentrasse o apartamento.


- Bom dia, Dalila. Eu, hum, gostaria de falar com Liah... Ela já acordou?


- Então, Sra. Mackenzie, acho que só será possível falar com a Srta. Mackenzie mais tarde, e por telefone. Agora eles devem estar a alguns mil pés daqui.


- O que você quer dizer, Dalila?


- O Sr. e a Sra. Mackenzie e a filha saíram antes das 8h e agora devem estar sobrevoando o Atlântico a caminho de Indiana, nos Estados Unidos – disse a moça simploriamente. – Eu estou apenas deixando a casa em ordem e devo seguir para lá após o almoço.


- Ah, claro, claro... Tudo bem, eu... e-er... eu ligo para ela mais tarde – e Amy deixou o apartamento. – Até logo!


- Até logo, Sra. Mackenzie – e Dalila fechou a porta às suas costas.


Amy então deu um murro com força na porta do elevador. Perdera a viagem... E a oportunidade.


Naquele momento, não sabia se estava com mais raiva do desencontro ou da dor que sentia.

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