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4. Capítulo IV


Fic: Harry Potter e a Wendelin Phoenix.


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Não foi difícil chegar ali. O segurança estava fazendo a ronda noturna. Sempre questionara como o ministro nunca colocara um segurança para cada nível. “Burrice”, pensou.


Abriu a porta com uma facilidade extrema e inexplicável. Adentrou a sala circular e escura, os olhos já acostumados com a escuridão do lugar. Fechou a porta atrás de si, selando-a novamente para que ninguém entrasse. Pelo menos não com facilidade, a menos que soubesse como passar por ali. 


No instante seguinte, a parede circular começou a se mover. Alguns segundos depois, parou tão subitamente quanto começara a girar. 


Não precisou dizer uma palavra para que a luz de sua varinha iluminasse por alguns segundos o aposento. Sabia que as portas se moviam, mas não invertiam sua ordem. Novamente a luz se acendeu e pôde observar com atenção as portas. 


Sequer pensou. Apenas usou a lógica. Se quando se sai por uma porta ela está às suas costas, quando a sala girar e parar, certamente esta estará no mesmo lugar, certo? “Mas a última volta nunca é uma volta completa”, pensou. E sabia perfeitamente disso. 


Virou-se. Sabia perfeitamente que a porta era a que estava exatamente às suas costas. Se a parede circular não tivesse se movido, estaria saindo novamente do Departamento de Mistérios. 


A claridade tomou conta de seus olhos, que se comprimiram até que pudesse se acostumar com o novo ambiente. Como já esperava, estava no lugar certo. Agora era só esperar. 


Passada a primeira meia hora, começou a preocupar-se. Estaria ali perdendo tempo? Mais vinte minutos... E recebera o primeiro sinal de vida. Aguardou alguns instantes, se aproximou da porta e abriu-a sem discrição alguma. 


Nada à vista. “Inteligente, mas já esperava por isso”, concluiu em pensamento. 


- Tire a capa – ordenou, calma e seguramente.




---




- Vamos, tire a capa! – a voz insistiu. 


Harry então tirou a capa e virou-se tentando enxergar quem lhe fazia companhia. A voz parecia vir do nada e estava rouca, o eco impedia que ele a reconhecesse. 


- Você é um tolo mesmo! Como você pode fazer tudo ao contrário do que deve ser feito? Todos te alertaram, disseram para que esperasse... Agora me diz: de que adiantou seu esforço se eu te peguei bem no meio do caminho? 


No peito de Harry, a ânsia parecia crescer e inundar seu corpo. Tinha vontade de correr até se perder de vista, mas era como se tivessem colocado em seus pés uma tonelada de concreto, prendendo-o no chão; ele sequer conseguia mover um músculo. 


- E imagine o que seria de você se não fosse eu? – fez, antes de apontar a varinha para ele. – Lumus! – E só então a pessoa saiu adentrou a sala circular completamente e apontou a varinha para o próprio rosto. 


Harry então respirou fundo e soltou o ar de uma só vez, aliviado. 


- Amy?! 


- Harry, quantas vezes eu te falei para você não vir? 


- O que você está fazendo aqui? Como conseguiu entrar? 


Ela riu, ergueu as sobrancelhas e balançou negativamente com a cabeça. Tinha um ar de sarcasmo na voz. 


- Da mesma forma que você, acredite. 


- E como conseguiu chegar a tempo? 


- Bom, a minha pergunta foi exatamente contrária à sua. Era de imaginar que você tentaria vir de madrugada, quando saísse da casa do papai. Aí eu cheguei... e você não estava. E demorou – ela resumiu, sem explicar muita coisa. – Duas horas e vinte minutos – contou, olhando o relógio que tinha no pulso. – Agora chega de perguntas! Eu quero que você venha comigo – ela fez, antes de entrar pela porta de onde saíra instantes atrás, a qual tomara o cuidado de não fechar. 


Entraram numa sala clara, com luzes dançantes e flamejantes. Quando os olhos de Harry se acostumaram com a luz forte viu relógios brilhando em cada superfície, grandes e pequenos, antepassados e de porte, entre estantes ou em cima das mesas que enchiam a sala. A fonte da luz forte era uma jarra de cristal comprida, no final da sala. 


Não foi preciso que Amy o guiasse; ambos sabiam perfeitamente onde estavam e por onde deveriam seguir. 


Andaram por entre as mesas. Novamente as imagens de quando ele e os amigos estavam ali três anos atrás vieram em sua mente, desta vez mais nítidas.


O coração de Harry estava pulando freneticamente agora que sabia que estavam no lugar certo; saiu andando por entre as mesas, avante, como havia feito no seu sonho, em direção à fonte da luz, a jarra de cristal, tão alta quanto ele, estava em cima de uma mesa e parecia estar cheia de um vento crescente e brilhante.


- Ah, olhe! – disse Gina enquanto chegavam mais próximos, apontando bem para o coração do recipiente.


Mergulhando na corrente brilhante do recipiente havia um pequeno ovinho. Conforme subia pelo recipiente o ovo abria e um pintinho saía dele, subia até o topo da jarra, mas na medida em que afundava de novo o corpo do pássaro ia regredindo e quando chegava ao fundo já havia se transformado num ovinho novamente.


- Continuem andando! – disse Harry bruscamente, porque Gina mostrou sinais de querer parar e ficar olhando a transformação do ovo em pássaro.


- Você perdeu um bom tempo lá naquela passagem! – disse ela em resposta, mas o seguiu quando passou pela jarra, em direção a porta atrás.


- É aqui – disse Harry de novo e seu coração estava batendo tão forte agora que achou que melhor interromper o discurso. – Por aqui...


Ele olhou para todos; todos tinham suas varinhas em punho e pareciam, de repente, sérios e ansiosos. Olhou para a porta e a empurrou. Abriu.




Deixou seus devaneios ao perceber-se frente a frente com a porta que daria acesso à sala das profecias.


- Vá em frente! Abra – fez Amy, postando-se atrás dele. – Vamos, abra! – insistiu.


Ele encarou-a e viu a morena assentir para que prosseguisse. Só então levou a mão à maçaneta e abriu a porta.


Sentiu-se um estranho naquele lugar. A última imagem que tinha dali era de um lugar alto como uma igreja e cheio de prateleiras altas cobertas por poeira e pequenos orbes de vidro. Brilhavam fracamente, iluminadas pela luz de velas posta entre as prateleiras. Como aquelas na sala circular, suas chamas eram azuis.


No lugar das prateleiras altas e compridas, agora se tinha prateleiras mais baixas, fixadas ao chão, e num número muito menor. Não estavam cobertas por poeira nem por pequenos orbes de vidro. Ao contrário, pareciam ter sido limpas no dia anterior e estavam ocupadas simplesmente por pequenas caixas de madeira aqui e ali, ou livros grossos, porém novos.


O espaço entre uma prateleira e outra era de cerca de três metros. Nas paredes, no alto, totalmente fora do alcance das mãos de qualquer um que fosse, prateleiras estavam pregadas e repletas de esferas de vidro. Uma coisa, no entanto, permanecia igual: a sala era muito fria.


- E então? – fez Amy de súbito. – Satisfeito?


- Está tão... – Ele parecia procurar uma palavra que se adequasse a sua real percepção. Não encontrou, então usou a que mais se aproximava: – Diferente.


- Talvez seja porque, Harry, há três anos, você e seus amigos tenham destruído esta sala e todo o conteúdo profético que aqui se encontrava. Ou você não se lembra que derrubaram todas as prateleiras onde ficavam as esferas?


Pela primeira vez naquela noite, Harry perdeu qualquer ânimo que ainda restasse em si. E sentiu-se um completo idiota, assim como sentira três anos atrás.


- Bom, era isso que eu estava tentando evitar. Que você chegasse aqui e se decepcionasse. Você estava tão iludido e esperando tanto que pudesse chegar aqui, que as falsas expectativas chegaram a cegar-te. Aposto que sequer lembrou-se deste detalhe, não é?


Harry baixou os olhos e acenou negativamente.


- Veja que nem mesmo as esferas mais recentes, ou as que resistiram ao ataque dos Comensais, ficam ao alcance de qualquer um. Todas as medidas preventivas foram tomadas. Mesmo que esse hall fosse invadido novamente, não seria possível qualquer um retirar os orbes daqui ou dali, ou mesmo derrubar as prateleiras, como ocorreu da última vez – ela continuou, em tom severo. – Eu aconselharia que você voltasse ao lugar onde Hermione desmaiou e procurasse a caixa de madeira. Estou certa de que ela não a tiraria de lá sem o consentimento de ninguém. Ela sempre foi muito correta e você sabe disso. Você já pensou nisso?


- Eu já estive no escritório da biblioteca, mas devo admitir que não procurei caixa nenhuma.


- Há chances de Betty ter retirado de lá. Por que não pergunta a ela onde está? Talvez fosse melhor que se arriscar assim. Agora se lembre de quebrar a esfera e ouvir tudo com atenção. O papel com os dizeres da profecia está com Hermione, e este você não conseguirá tão cedo.


Harry pareceu ponderar. Talvez Amy estivesse certa. Não resistiu e deu uma tapa na própria testa, soltando xingamentos inaudíveis.


- Não se martirize. Sei que você a ama e que sente falta dela. Você não imagina como tem sido difícil para mim também. Ela era uma grande amiga para mim, e ainda é. Mesmo que ela esteja em outro país, com outras pessoas... Mesmo que ela não se lembre de mim, eu ainda a considero muito. E sei que ela ainda vai voltar! Eu também a amo muito, Harry. Não como você, é claro. Mas a amo como amaria uma irmã. É o mesmo amor que tenho por você.


- Imagino que tenha sido um tanto doloroso subir ao altar e ver que ela não estava lá, ocupando o posto de madrinha que você ofereceu a ela, não?


Amy assentiu, os olhos marejando.


- Assim como sei que foi doloroso para você não tê-la ao seu lado naquele momento.


- É doloroso para mim só saber que ela não está aqui.


Amy se aproximou e deu um meio sorriso.


- Mas ela está aqui – disse, colocando a mão sobre o peito esquerdo do rapaz. – E aqui. – Dessa vez colocou a mão sobre o próprio peito. – Bem segura. E cada vez que você sente pulsar, é ela, viva, como uma chama acesa que pede para sair. Guarde contigo todas as lembranças em que ela aparece ao seu lado, mesmo nos piores momentos, mesmo as brigas de vocês... Isso mostra o quanto valeu a pena, o quanto foi bom e o quanto vocês se amavam. E mesmo que ela não volte jamais, você saberá que com ela você foi feliz.


“Amiga, amante, cúmplice... Ela era muito mais que isso para você, e não deixou de ser. Mas ela não iria querer que você sofresse, que deixasse de viver. Sei que não é a primeira vez que alguém fala isso pra você. Eu mesma já disse várias vezes, mas procuro repetir. No dia em que eu disse que estaria ao seu lado, eu prometi a mim mesma que ia cuidar de você. Deixe-me ajudar, permita-se ser ajudado. Não precisa corromper seus princípios para conseguir o que quer, não precisa enfiar os pés pelas mãos pelo simples e cruel desespero que tem passado. O tempo é quem vai curar essa ferida que dói tanto em seu peito, essa ferida que insiste em não cicatrizar. E, Harry... O nome disso é amor. Não é para ser uma coisa ruim. É para ser algo bonito, gostoso... E o que você está sentindo tem nome também: saudade. E saudade é a isso mesmo... dor, angústia, perda, amor acumulado, abandono, choro, tristeza... Mas também é vida.”


Aquelas palavras da morena fizeram com que pensasse em tudo que vivera no último ano e revivesse cada momento de tristeza, de sentimento de dor e abandono... Lembrou-se então que comprara Garth pouco tempo atrás, procurando sentir-se melhor. E sentia-se. A verdade é que naquela noite, agira por impulso. E sempre fora impulsivo, admitia; aquele sempre fora seu pior defeito.


- Depois da teimosia. – Amy sorriu, lendo os pensamentos do rapaz.


Nem mesmo Harry resistiu. Acabou por sorrir.


- Vem cá, maninho... dá um abraço?! – Estendeu a mão, que ele hesitou, mas aceitou e abraçou a “irmã”. – Agora vamos para casa que eu tenho de voltar para a casa dos meus pais. Acabei saindo de lá sem contar a novidade.


- Novidade? – Harry mostrou-se curioso.


- É, maninho... Novidade. – Ela sorriu e piscou para o moreno, que balançou a cabeça negativamente antes de segui-la para fora da enorme sala.


- Então o Sr. e a Sra. Mackenzie, Liah, Ethan e Brittany ainda estão lá?


- Hum, acho que sim. Eu saí dizendo que voltaria logo, e já faz quase duas horas que estou aqui, não é? Mas Aaron com certeza ainda está lá.


- Bom, disso eu não tinha dúvidas – Harry comentou, rindo.


Àquela altura, já estavam saindo para a sala circular.




---




- Diabos, como fui esquecer esses papéis aqui? – murmurava consigo mesma. Andava apressada pelo átrio em direção ao elevador. Seu destino era a sua sala na Administração dos Serviços de Wizengamot.


- Boa noite, Jerry – ela disse, enquanto olhava o relógio de pulso. – Ah, bom dia, que seja! – corrigiu-se.


- Bom dia, Srta. Parkinson. – Sorriu gentilmente o segurança. – Em que posso ajudar?


- Eu preciso ir até a minha sala. Esqueci uma papelada lá, documentos do Tribunal e do Conselho que precisam ser analisados até segunda, e eu ia tirar o fim de semana para analisá-los, sabe como é, não? – ela falava apressada. – E, bem... Creio que a esta hora o elevador esteja interditado e gostaria que você ligasse, se possível.


- Sem problemas, senhorita. Mas não será preciso. O elevador está em funcionamento.


- Ah, Jerry, muito obrigada! – agradeceu. – Agora me deixe ir. Estou morta de cansaço e acho que não dormirei muito essa noite!


- Até logo, Srta. Parkinson.


- Até, Jerry. – E ele observou-a caminhar até o elevador e então desaparecer.


Pansy desceu do elevador e encaminhou-se para as escadas. Desceu os dois lances até o 10º nível e só então pôde caminhar até a sua sala. Abriu a porta e correu até a mesa. Estava tudo ali. Suspirou aliviada.


- O ministro me demitiria caso não entregasse isso segunda-feira! – Ela abraçou os envelopes e fechou os olhos, acalmando-se.


Não se demorou. Em instantes, estava subindo as escadas que levariam ao 9º nível. Por um instante, pensou ter visto um vulto passando por ali e parou. Mechas do seu cabelo estavam espalhadas pelo rosto, como se bruscamente um vento tivesse passado por ela. Recompôs-se passando a mão pelos cabelos negros e olhou à sua volta.


Nada.


- Estranho – murmurou antes de seguir seu caminho até o elevador.




---




Deixaram a sala circular do Departamento de Mistérios e, antes que pudessem colocar a capa, ouviram passos apressados vindos das escadas.


- Quem estaria aqui a essa hora? – fez Harry num sussurro quase inaudível.


Amy olhou-o marotamente e sorriu. Os passos se aproximavam.


- Shhh! – fez para o moreno. – Pega a capa e vem comigo, rápido!


Harry rapidamente estendeu a capa para a “irmã” e a acompanhou. Viu Amy rodar a capa no ar e esta cair sobre eles, cobrindo-lhes por completo.


- Vem, e não olhe para trás! – ela murmurou, puxando-o pela manga da camisa e caminhando apressada em direção ao elevador.


Pararam e esperaram que a pessoa chegasse para, então, poderem entrar. Seria, no mínimo, estranho caso chegassem ali e encontrassem o botão do elevador aceso e ninguém à sua espera.


Harry teve que abafar um ruído de surpresa quando viu Pansy Parkinson caminhando em sua direção. Percebeu que ela olhava de um lado para o outro, vez ou outra para trás e seus olhos vasculhavam a presença de alguém à sua volta.


“Ela nos viu”, Amy pensou propositalmente, com o objetivo de que Harry lesse a sua mente.


Harry apenas assentiu. Pansy logo os alcançou e chamou o elevador. Entraram juntos.


O desconforto que estavam enfrentando era enorme. Tinham que ficar muito juntos para que a capa os cobrisse por completo. Harry sentia a respiração de Amy em sua nuca. Diferentemente dele, ela não arfava; ao contrário, parecia bem tranqüila. Agradeceu mentalmente por tê-la ali naquele momento. Certamente estaria mais nervoso sem ela.


O elevador parou.


Esperaram que Pansy saísse para que, então, pudessem segui-la.


Desaparataram em seguida, novamente na casa de Sirius. Em uma fração de segundo estavam à porta dos fundos de uma imponente casa. Amy suspirou aliviada e puxou a capa.


- Vem, é melhor entrarmos logo – fez antes de abrir a porta e adentrar a cozinha. – Estou de volta! – anunciou em alto e bom som.


- Harry? – fizeram todos descompassadamente.


- Achei que tivesse dito que ia para casa – fez Sirius.


- Duas horas atrás – completou Alissa.


- Por que demorou tanto, Amy? – fez Aaron. – Infelizmente meus pais tiveram que ir. Estavam cansados. Ethan e Brittany tinham que comparecer a uma festa de um amigo ainda, enfim... saíram logo depois de você.


- Mas eu estou aqui! – disse Liah, adentrando a sala.


- Eu fui atrás do Harry. Tínhamos algo a resolver, mas não vem ao caso agora – respondeu Amy. – Sei que eu cheguei tarde para o jantar, fiquei pouco mais que duas horas e tive que sair novamente e acabei não contando a novidade...


- Que novidade? – fez Sirius, curioso.


- Eu fiz a mesma pergunta, mas ela apenas disse que era uma novidade. E deixou a entender que só contaria quando chegasse aqui – comentou Harry.


- Bom, mas já está aqui, não é? Então... conta! – Liah interferiu.


- Papai... Mamãe... – ela começou. – Acham que estão dispostos a ver a família crescer?


Aaron permaneceu olhando-a, sem entender. Piscou.


- Você está querendo dizer que... – começou Alissa.


- Como assim? – fez Sirius. – Como isso é possível?


- Você vai querer mesmo que ela explique, querido? – Alissa brincou.


- Aaron, você é uma mula ou o quê? Você ainda não entendeu que você vai ser pai? – Liah deu uma leve tapa na nuca do irmão, que parecia abobalhado. – Ah, Amy... parabéns, cunhadinha! – Ela se encaminhou para a outra e a abraçou. – Quanto tempo?


- Seis semanas – respondeu. – Mas não é só isso.


- Como não é só isso? – Sirius arregalou os olhos.


- Sirius Black, você está ficando realmente repetitivo – Alissa revirou os olhos.


- Amy, quando você soube? Quando descobriu? – Aaron finalmente se levantara e se aproximava da esposa.


- Bom, eu descobri há duas semanas, mas queria esperar que toda a família estivesse reunida para contar – ela explicou. – A verdade é que eu fiz ontem o primeiro exame pré-natal com ultra-som e tudo o mais que os trouxas usam para ver como o bebê está e... – fez uma pausa longa.


- E o quê, Amy? – indagaram todos, apreensivos.


- São gêmeos. Bivitelinos.


- Ah, querida! Meus parabéns. – Alissa se aproximou da filha e a abraçou.


- Obrigada, mamãe.


- Parabéns também, papai. – Dirigiu-se ao genro.


- Obrigado, Sra. Black.


- Dois? DOIS? – Sirius repetia, abobado. – É muita emoção para uma pessoa só! Saber que sua filha cresceu, que vai ser avô e, em menos de cinco minutos, saber que vai ser avô duas vezes de uma só vez! Eu estou ficando velho, não é possível...


- Não é por nada, não, Sr. Black... digo, Sirius... mas eu acho que há algo realmente de errado com o senh... você – fez Liah.


- Vocês entenderam o que eu quis dizer. Isso basta. – Ele suspirou, em seguida recompondo-se e caminhando em direção à filha. Pegou suas mãos e segurou-as com força. – Minha princesinha, você não sabe como eu estou... e-er... feliz por você. Parabéns, de verdade! Que venham dois pimpolhos cheios de saúde!


Amy limitou-se a sorrir.


Harry, até então, não se pronunciara. Simplesmente assistia toda a cena como se não fosse digno de participar daquele momento. Estava feliz pela irmã e isso era tudo. Colocou as mãos nos próprios bolsos e tinha um meio sorriso nos lábios. Viu os olhos de Sirius e de Alissa marejarem. Também estavam explodindo de felicidade, embora o homem procurasse esconder a emoção. Imaginou a reação que os pais de Aaron teriam e tinha certeza que seria exatamente a mesma.


Aaron ainda estava um tanto quanto surpreso, mas demonstrava a felicidade à sua maneira. Viu o rapaz beijar a barriga da esposa e sorrir para ela, depois beijando-lhes os lábios. Talvez algum dia tivesse a felicidade que Aaron estava experimentando naquele momento.


Não teria a oportunidade de contar para seus pais e ver seus olhos brilharem de felicidade, mas ainda tinha a esperança de que a mãe de seus filhos fosse Hermione. Ele tinha apenas 20 anos e muita coisa ainda poderia acontecer. Era novo, tinha uma vida inteira pela frente.




---




19 de outubro de 1999, Ministério da Magia



- E então, como foi?


- Amy estava aqui – respondeu de imediato, recolocando os papéis sobre a mesa.


- Eu sabia que ela não ia desistir de pegar você no ato.


- Scott, era importante para mim – Harry replicou.


- Eu sei, mas é burrice colocar tudo o que você conquistou até agora por causa disso! Ela nem está aqui!


- Eu não vou discutir com você. Você nem a conheceu, não tem como saber...


- Harry, eu ouço todo mundo falar a respeito dela há muito. Me pergunto por que diabos ela ainda não voltou ou não foi encontrada se todo mundo conhece a “amiga de Harry Potter” – Scott retrucou pacientemente. – Eu já vi fotos, li reportagens... Sei que vocês foram muito mais que amigos. E eu entendo você. Mas acabou, ela se foi... e você tem que aceitar!


- Isso é o que todo mundo diz.


- Se todo mundo diz, por que você ainda não parou para pensar se eles não estão certos?


- Porque ela vai voltar.


- E enquanto isso não acontece você vai ficar se arriscando e deixando de trabalhar? Você acha que está sendo justo com você mesmo?




---




Caminhava apressada em direção a sala dele. Fora designada para convocar todos os membros do Conselho de Wizengamot para o julgamento de um suposto ex-Comensal da Morte. Além dele, ainda havia quatro membros a contatar.


Parou diante do seu gabinete. Elevou a mão que não estava ocupada pelos papéis da reunião. Estava pronta para bater à porta... Parou.


- ... Eu não vou descansar enquanto eu não tiver a certeza de que ela não vai voltar. – Ouviu uma voz dizer.


- Ah, é claro! E se você não tiver essa certeza nunca? Como é que fica? Vai ficar sofrendo, remoendo essa dor para o resto da sua vida? Vai deixar de viver por causa de uma mulher que já pode ter sua própria vida e que, se é que vai acontecer, pode não largar o que ela construiu no mundo lá fora por causa de um amor adolescente? – Outra voz rebateu.


- Você está parecendo a Amy, Scott! Olha, presta atenção, porque eu não vou repetir, ok? – Uma pausa. – Eu não vim até aqui no Ministério de madrugada, entrei no Departamento de Mistérios e fui até o Hall das Profecias por acaso. Eu tenho um objetivo! E mesmo que eu tenha quebrado a cara mais uma vez, isso não significa que eu vou desistir. Eu vou encontrar a profecia, custe o que custar!


- Já pensou em começar pelos lugares onde você viveu em sua adolescência? Talvez fosse interessante voltar a Hogwarts, à Godric’s Hollow...


Deixou o lugar imediatamente – sem sequer lembrar o que a trouxera ali.


Já ouvira o suficiente.




---




Manhã de 28 de novembro de 1999
 


- Não, Chloe! Não pode! – reclamou pela terceira vez.


Desta vez, foi até a garotinha que estava sentada no tapete da sala e colocara o pente da mãe na boca.


- Querida, não adianta! Vai ser assim até que todos os dentinhos estejam em seus devidos lugares. – a Sra. Granger replicou maternalmente.


- Ou não, mamãe. – Hermione pegou a filha no colo. – Segundo Freud, vai ser assim até a “fase oral” chegar ao fim. – Riu-se. – Mas ela está linda, não é?


- Está, sim – Jane concordou sorrindo. – Eu não sei como ainda me impressiono com a semelhança que tem contigo. Acho que o ditado “tal mãe, tal filha” aplica-se ao pé da letra a vocês.


- E por mais que você repita isso mil e uma vezes, eu não consigo achar o mesmo – Hermione replicou.


- Vou lhe mostrar uma foto sua quando tinha a idade dela. Vai ver que estou certa – fez a matriarca Granger. – Acha mesmo que está na hora de seguir viagem, querida?


- Acho que sim, mãe. Não sei quando outra oportunidade dessa vai surgir para mim. E eu me viro com a Chloe. Nem que eu tenha que trabalhar em casa, não sei. Eu sei que vou conseguir – garantiu. – Eu só me pergunto onde o Chad está que ainda não apareceu! – Revirou os olhos. – Assim vou acabar por perder o voo!


- Suécia, querida... você não tem ninguém lá!


- Mamãe, não insiste, por favor. Ficaremos bem. – Hermione recolocou a filha no chão. A menininha engatinhou rapidamente para o tapete novamente. – Chloe já está esperta...


- Ela só tem sete meses, querida.


- Quase oito – Hermione interveio. – Agora chega! Não tem mais volta. Você vai conosco?


- Oras, é claro!


A campainha tocou.


- Ah, finalmente! – Hermione correu para abrir a porta.


- Bom dia! Desculpe o atraso. É que alguém não queria me deixar sair de casa sem que pudesse vir. – Ele se afastou e abriu espaço para que alguém aparecesse.


- Oi! – cumprimentou uma garotinha loira de olhos muito verdes.


- Caroline! – Hermione abraçou a menina. – Como vai, gatinha?


- Bem. Pedi ao Chad pra levar vocês no aeroporto. Acha que fiz mal?


- Não, imagina! Foi muito legal você ter vindo. Adorei a surpresa! – Hermione sorriu. – Venha, entre! – Puxou a menina pela mão e levou-a para a sala. – Mamãe, essa é Caroline, a irmã do Chad.


- Nossa, mas eu ouvi muito falar de você. E, acredite, é tão bonita quanto a Herms descreveu.


- Obrigada. – Caroline ruborizou.


- E então... vamos? – chamou Chad.


- Claro, claro! Me ajude com as malas – pediu Hermione. – Um instante, Carol. Pode brincar com a Chloe enquanto isso. Mamãe, fica aí com elas, certo?


- Tudo bem, querida.


Enquanto Chad e Hermione desceram para deixar as malas no carro, Jane aproveitou para curtir um pouco mais a netinha. Deus sabia quando a veria novamente.


- Ela cresceu rápido, não foi? Está enorme! – comentou Caroline. – Sabe, eu a vi quando nasceu. Mamãe me levou no hospital. Também vi a Mione grávida. Estava linda! Aliás, a senhora tem uma filha linda. Parabéns. Também é uma pessoa maravilhosa.


- Obrigada, minha querida. E você, quantos anos tem?


- Treze. Faço aniversário dia 21 de junho, um dia depois da filha caçula do Dr. Haase, um amigo do papai. A filha dele também é uma gracinha!


Jane sorriu. Comunicativa e inteligente. Aquela menina era um doce. “Filha do Dr. Hastings e irmã do Chad, não podia ser diferente”, pensou.


- Sra. Granger, eu posso fazer uma pergunta? Sabe... um pouquinho indiscreta? – fez Caroline.


- Eu só vou saber se é indiscreta quando eu souber, não é? – Sorriu Jane.


- Bom, é que... eu fico me perguntando... – Uma longa pausa. – Quem é o pai de Chloe?


O sorriso de Jane morreu e ela engoliu em seco.


- É que eu estava pensando... De onde ela tirou esses olhos verdes? Porque eu a acho a cara da Mione. Igualzinha! – comentou. – Sabe, o Chad diz que ele não é pai dela, mas foi pra ele que a Elloe avisou que a Hermione estava grávida. E sete meses depois ela nasceu, não foi? Então! Eu li que um bebê pode nascer de sete meses... e que ele é chamado “prematuro” quando isso acontece.


- Hum... E-er... Carol... eu posso te chamar assim, não posso?


- Sem problemas. Eu até prefiro! – Sorriu a loira.


- Então! O pai da Chloe não é o Chad. Na verdade, quando o Chad a encontrou, Hermione já estava grávida – contou. – O pai de Chloe é um namorado da adolescência de minha Herms. E os olhos verdes foram dele que ela herdou, de fato. E, como você observou, a Chloe é, sim, prematura. Nasceu quando mal completara trinta e seis semanas de gestação.


- E o que isso quer dizer?


- Que ela nasceu com oito meses recém-completos de gestação – explicou Jane.


- Ah, entendi. Mas... qual o nome do pai da Chloe, então?


- É...


- Vamos? – Hermione e Chad tinham acabado de retornar ao apartamento da moça.


- Vamos! – Caroline dispersou-se, ao que Jane agradeceu profundamente.


Desceram e logo estavam no carro, pegando estrada para o aeroporto. Jane ia na frente ao lado de Chad, Hermione ia atrás com Chloe no colo e Caroline ao lado.


Hermione conversava animadamente com Caroline e Chad, brincava com a filha, eles cantavam... E logo ela percebeu que a mãe estava em silêncio desde que saíram de casa. Não quis perguntar nada. Achou que talvez fosse melhor conversar a sós com ela no aeroporto.


Ao chegarem, Hermione aproveitou enquanto Chad desembarcava as bagagens e Caroline havia ido comprar sorvete para conversar com a mãe.


- O que aconteceu, mãe? Você não disse nada desde que nós saímos...


- Nada, querida. É só que eu fiquei um pouco abalada com uma conversa que tive com Carol, só isso.


- Como assim? – Hermione indagou confusa.


- Ela me perguntou a respeito do pai da Chloe, Herms. – Hermione arregalou os olhos, surpresa, em estado de choque. – Pior, ela perguntou se era o Chad.


- Mas... como?


- Eu não sei. Olha, filha... Antes eu estava indo contra essa sua ida súbita para a Suécia, mas agora... eu acho que é o melhor para você, pelo menos por enquanto.


- Eu sei, eu sei. E agora eu vejo que vai ser bom por conta disso. Enfim! Mas a Carol já tem treze anos, deve saber de tudo... Não entendo o porquê dessa pergunta tão repentina assim.


- Nem eu. Mas acho que seria interessante conversar com o Chad a respeito.


- E eu o farei, acredite! Não se preocupe quanto a isso. Eu vou resolver essa situação, nem que eu mesma tenha que falar a respeito com a Carol. E depois, o Chad mesmo diz que não tem intenção alguma de assumir o lugar de pai da Chloe! Ele é só um amigo, mãe.


- Eu sei disso. E acredito em você. Eu gostaria muito de acabar com essa história, mas...


- Hermione, o check-in – chamou Chad.


- Vamos, mamãe – chamou Hermione, colocando Chloe num carrinho de bebê e seguindo para a fila.


Uma hora depois, ela despedia-se, seguindo para o portão de embarque. Ela levava a filha no colo e estava acompanhada de perto por Chad.


- Não esqueça: procure por Liah Mackenzie quando chegar lá. Ela vai ser sua colega, vocês vão dividir uma apartamento. Consegui uma senhora para cuidar de Chloe também... O nome dela é Rice Portock – informou. – Me ligue assim que desembarcar.


- Pode deixar – Hermione garantiu e viu o rapaz apertar as bochechas de Chloe e a garotinha sorrir.


- Boa viagem – foram as últimas palavras que ouviu do amigo.


Virou-se e caminhou de encontro a auxiliar de bordo, estendendo as passagens. Embarcou. O que não imaginava era que, a partir dali, sua vida começaria a andar de outra maneira.

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