Manhã de 20 de junho de 1999, Mansão Haase
- Como andam os preparativos? – Gina perguntou.
- Parece que vão bem. Cissa está para ficar louca! Você sabe... o primeiro ano é tradicionalmente importante e deve ser comemorado – respondeu Tiffany.
- Lá embaixo está tudo tão lindo!
- Eu também me apaixonei pela decoração. Narcisa tem um bom gosto incomparável.
- E a pequena não tem dado trabalho, não?
- Está dormindo. Imagina se ela está acordada? Ninguém iria conseguir fazer nada! – Riu a morena. – Mas não temos do que reclamar. A Jen é um amor.
- É, ela é uma graça! – Gina concordou. – Mas Narcisa não teria sossego se estivesse acordada. Draco ainda está na M&Z Law e o Dr. Haase deve estar ocupado no St. Mungus.
- Papai não volta para casa há dois dias. Tem ficado de plantão para folgar esta noite. E a festinha deve começar às 16h, então ele teria que sair mais cedo, também.
Ouviram batidas à porta.
- Entre – consentiu Tiffany pondo-se se pé.
- Srta. Haase? – o elfo dirigiu-se à morena, sem adentrar completamente o aposento. – Odim não queria interromper as senhoritas, mas Odin tinha que avisar que a menininha Haase acordou.
- Gina, me desculpe, mas...
- Tudo bem. Não se incomode. Eu espero – Gina interrompeu-a, sorrindo amigavelmente.
- Obrigada, querida. – E Tiffany deixou o aposento, sendo seguida de perto pelo elfo e acompanhada pelo olhar da ruiva. – Odim, faz muito tempo que ela despertou?
- Não, não. Odim estava guardando as roupas da menininha Haase quando Odim ouviu ela chamar pela Madame Haase.
Tiffany sabia perfeitamente que Jennifer já acordava chamando pela mãe. Sempre fora assim desde que aprendera a falar. Antes, a pequena chorava horrores por se encontrar sozinha no quarto.
- Mas você é um grude com essa pequena, hein? – fez uma voz masculina atrás de si.
- Ah, Draco! É você... – Tiffany virou-se, colocando a irmã no chão sem largar sua mãozinha. – Ela estava dormindo, aí Odim me chamou para vir pegá-la quando acordou.
Draco sorriu e ficou observando Tiffany se agachar para brincar com Jennifer. Após alguns instantes, a morena virou-se para ele.
- Vai ficar aí?
- Por quê? Algum problema em observar minhas irmãs?
- Não, nenhum. Mas acho que vai preferir ficar com outra pessoa. – Tiffany deu um meio sorriso. – Gina está no meu quarto. Vai lá!
- Se eu não quisesse ver minha ruivinha, entenderia que você está me expulsando. – E saiu, enquanto Tiffany ria e balançava a cabeça negativamente, em seguida voltando a brincar com a pequena.
- Não sabia que estava aqui – ele disse, adentrando o quarto.
Gina sorriu e levantou, indo em direção ao namorado, abraçando-o em seguida.
- Nem eu que chegaria tão cedo.
- Terminamos o expediente mais cedo. Zabini tinha alguns assuntos a resolver hoje à tarde... Sobre o casamento dele.
- Ah, claro! – ela assentiu, em seguida arregalando os olhos, surpresa. – Casamento? Que casamento? Não vai me dizer que ele vai se casar com a secretária...
- Não, Gin. Claro que não! – fez o loiro, paciente. – É isso aqui. – ele enfiou a mão no bolso e retirou dois convites.
Imediatamente, Gina puxou os dois das mãos dele e deixou-se cair na cama da “cunhada”.
- Esse é da família – ela deixou de lado. – Uau! E esse já veio endereçado para “VIRGÍNIA E DRACO MALFOY”. Parece até que nós já casamos. – Riu.
- Breve você será uma Malfoy.
- Nunca imaginei dizer isso, mas serei Malfoy com muito orgulho. – Ela sorriu e deu um selinho no noivo. – Mas não esqueça: o sangue ainda é quente e é Weasley.
Draco riu e viu a ruiva abrir o convite.
- Hum... Bonito o convite – ela murmurou e pôs-se a ler. – Espera! – parou subitamente. – Luna Lovegood? Desde quando? Isso está errado! – Ela encarou o loiro, estupefata. – Você sabia disso?
Draco respirou fundo e acenou positivamente.
- Desde quando, Draco? – ela insistiu.
- Eu não sei exatamente. Foi ele quem cuidou dela depois do ataque à Hogwarts um ano atrás. Ela passou um mês sob os cuidados de Thomas, o tempo todo na casa de Zabini. Eu só soube quando ela voltou para Hogwarts, mas já suspeitava muito antes.
- Ah, então foi por isso que ela não quis me dizer onde estava! – ela concluiu. – O que foi que ele fez com ela? Lavagem cerebral?
Draco não conseguiu conter um riso.
- Não, é claro que não! Provavelmente a convivência tem notável contribuição nessa história. Vai ver ela percebeu que ele não é, de todo, um idiota – ele comentou. – É claro que com a convivência forçada e diária por alguns meses – sim, porque não são necessários anos – ela vai perceber que ele é mais que um idiota, assim como eu percebi.
Foi a vez de Gina rir.
- Nossa! E olha que ele é seu amigo... imagine se não fosse?! – zombou. – Ok, mas me conta essa história direito... Como assim eles vão casar?
- Eu acho que ele a visitava em Hogwarts, mandava flores, presentes... Ele, literalmente, investiu na conquista.
- Uau, ele realmente gosta dela! Depois de tomar tantos foras... ele ainda passou um ano cuidando e agradando...
- Amansando a fera – resumiu o loiro. – Aprendeu comigo – brincou. – Enfim! Quando ela veio passar o recesso de Natal na casa do pai, ele foi visitá-la, convidou-a para fazer uma viagem e levou-a para Veneza, onde a pediu em casamento durante um passeio de barco à noite, iluminado pela Lua cheia – repetiu as mesmas palavras que o amigo usara para lhe contar.
- E ela aceitou – presumiu a ruiva.
- Na verdade... não.
- Como não? – a ruiva parecia surpresa e confusa.
- Ela só aceitou no dia da formatura de vocês.
- Mas Zabini não estava lá!
- Ele chegou já pela madrugada. A intenção dele era, justamente, não ser visto.
- E como eles conseguiram organizar um casamento em... – ela parou para contar. – Seis dias?
- Não é um casamento grande. É bem família mesmo. Tanto é que vai ser na mansão do pai dele e basicamente uma união civil. Zabini não é muito tradicionalista e não faz o tipo religioso.
- É, acho que Luna nem sabe quem é Deus – murmurou. – Mas você também não faz o tipo religioso...
- Eu sei. Nem você.
- Na verdade, não me lembro de ter visto nenhum casamento que fosse como os dos trouxas que nós vemos nas revistas e canais de tevê – ela analisou.
- É porque nós não somos trouxas. Bruxos casam apenas no civil.
- Então por que nós usamos vestido de noiva e sempre é branco, como os das noivas trouxas?
- Tradição.
- E será que eu nunca irei a um casamento religioso? Eu tenho tanta curiosidade de saber como é...
- Deve ser um saco. Tudo no mundo trouxa é muito burocrático e comprido...
- Será que nascidos trouxas se casam em Igrejas? – os olhos de Gina brilharam. – Eu quero um casamento religioso, Draco.
- Nem vem! Eu vou casar como qualquer um no mundo bruxo. Sigo todas as tradições, mas sem frescura! – ele rebateu de prontidão. – Talvez a Granger fosse casar no religioso...
O sorriso de Gina morreu.
- Faz um ano, Draco...
- Eu sei... – ele murmurou, abraçando-a e sentindo a mão dela apertar seu braço. No espelho, viu o reflexo da ruiva, que fechara os olhos, se segurando para não chorar.
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Final de tarde de 19 de julho de 1999, Mansão Zabini
- Quanto tempo falta? – Blaise perguntou ansioso ao pai.
- Acalme-se. É normal a noiva se atrasar para o casamento – o pai respondeu.
- Você fala isso agora, mas aposto que no dia do seu casamento estava tão desesperado quanto eu – Blaise retrucou. – Pai, você não está entendendo! Ela já está aqui! Para quê se atrasar?
- É tradição, filho.
- Pronto. Ela está descendo. – A madrasta de Blaise se aproximou e tomou seu lugar ao lado do marido.
No instante seguinte começou a tocar a marcha nupcial e Luna surgiu descendo as escadarias da mansão.
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Manhã de 2 de outubro de 1999, Ministério da Magia
- Ora, diabos! Como ele pôde? – Ela andava de um lado para o outro, nervosa.
Deixou-se cair na cadeira, enterrando os dedos nos cabelos. Parecia querer arrancá-los, tamanha era a raiva que sentia. Levantou-se e abriu o armário, olhando-se no espelho que ela mesma colocara quando assumira a sala. Os cabelos negros e curtos estavam desgrenhados, o rosto vermelho e os olhos vermelhos. A expressão que tinha era assustadora. Quem a visse, sairia correndo, achando que estava de fronte a uma assassina.
Suava frio. Estremeceu quando bateram à porta.
Rapidamente fechou o armário e correu para sua mesa. Olhou à sua volta. A sala estava uma zona! Em um momento de surto, jogara toda a papelada e os arquivos que tinha em cima de sua mesa ao chão.
Voltaram a bater à porta.
- Só um instante! – procurou fazer a sua voz mais simpática que o momento permitia.
Buscou a varinha com os olhos e avistou-a. Estava no chão, junto com todas as outras coisas. Ela adiantou-se para alcançar a varinha e, ao tê-la em mãos, com um rápido aceno pôs a sala em ordem. Em seguida, ajeitou a si própria. Encarou-se no espelho, suspirando em seguida. Por fim, fechou a porta do armário e abriu a porta.
- Ah, é você! – Ela revirou os olhos e deu as costas.
- Como vai a Princesinha de Gelo? – Ele aproximou-se e fez a menção de afastar seus cabelos da nuca.
- Nem vem, Herod. Hoje eu não estou boa. – Ela desvencilhou-se.
- Ih, qual é, Pansy? O que foi que deu errado agora?
- Não adianta! Por mais que eu tente, nunca vou conseguir fazer com que os outros membros do Conselho Ministerial aceitem as minhas idéias. Para eles, tudo é um tremendo absurdo!
- Eu já disse que você precisa conseguir algo para chantageá-los e conseguir apoio.
Ela parou, em silêncio. Parecia ponderar cuidadosamente. Encarou o rapaz.
Loiro de pele muito alva e olhos de um tom azul esverdeado, Herod Christow era seu amigo de infância que fora morar em Ohio, nos Estados Unidos, aos doze anos e só retornara no ano anterior. Não se sabia qual a verdadeira relação deles. Dizia-se por aí que tinham um caso. Embora fosse, em parte, uma verdade, Pansy negava até a morte.
- Não, Herod. Eu tenho que descobrir algum podre do Potter. Se ele apoiar, todos apóiam.
- Uau! Como se você fosse conseguir algo que o Sr. Perfeição tenha feito de errado!
- Mas você não pensa mesmo, não é? – Ela revirou os olhos e deu um sorriso amarelo. Em seguida, se aproximou do loiro e levou as mãos até o colarinho da camisa preta que ele vestia, ajeitando-o. – Querido, todo mundo tem um ponto fraco – ela fez, pausadamente e, antes de se afastar, beijou-o no canto dos lábios e se afastou, sorrindo maliciosamente.
- Ok. – Ele tirou uma das mãos do bolso da calça e levou os dedos até o lugar que ela beijara. – Se você pensa assim... Vá em frente!
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Tarde de 16 de outubro de 1999, Ministério da Magia
- Eu vou hoje.
- Está de brincadeira comigo, não é? – fez Amy.
Alguém bateu à porta e entrou, apressado.
- Desculpa, Harry. Mas achei que tinha que vir avisar – murmurou o rapaz. – Parece que hoje o Departamento de Mistérios vai estar ocupado até às 22h.
- Mas isso não é possível! – Harry parecia descrente.
- É, eu sei. Eles só ficam lá até as 18h. Mas acho que eles estão terminando alguma pesquisa, não sei.
Amy sabia exatamente do que o outro estava falando. Por acaso, ela era uma Inominável. No entanto, ela não podia dizer nem ajudá-los. As informações eram estritamente restritas.
Ser Inominável tinha suas vantagens e desvantagens. Era bom por ser um cargo de altíssimo nível e importância no Ministério, mas era necessário trabalhar em outra área a fim de disfarçar sua condição. O motivo? Evitar mortes, chantagens e subornos, que foram muito freqüentes no passado.
Eles nem mesmo sabiam quem eram os companheiros de trabalho. Quando estavam no Departamento de Mistérios era como se estivessem ali fora; eles estavam sozinhos a todo momento.
- Eu ainda acho que é loucura, Harry... – ela replicou.
- E você acha que eu já não tentei de todas as maneiras convencê-lo? – fez o outro.
- Não adianta. Vocês podem dizer que lá dentro vão ter mil e um trasgos à minha espera e não vai adiantar! Eu vou – ele finalizou.
- Harry, você acabou de conseguir um cargo que qualquer bruxo desejaria no Ministério antes do cargo de ministro e já vai mandá-lo para o espaço assim, por causa de um capricho seu? – argumentou Amy.
- Não é um capricho, Amy! É a mulher que eu amo.
- Não adianta, Amy. Ele é cabeça dura demais para te ouvir.
- Eu conheço bem esse meu irmãozinho aqui, Scott. Agora ele tem que lembrar que essa mulher que ele diz que ama, pediu antes de partir, que ele me ouvisse e não fizesse besteiras para encontrá-la.
- Isso foi uma indireta? – fez Harry.
- Entenda como quiser. Mas reflita antes de fazer qualquer coisa. – Amy pegou o sobretudo sobre a cadeira. – Eu já vou. – Deu um beijo no rosto do “irmão”, acenou para o outro e saiu.
- Ela parece chateada.
- E eu nem fiz nada ainda – murmurou Harry. – Scott, no meu lugar... o que você faria?
Scott Olivier era colega de trabalho de Harry e se tornara um grande amigo em pouco tempo. De aparência séria e dura, era um cara simples e discreto, quase um galã. Moreno, cabelos ralos e baixos, quase rentes ao couro cabeludo e olhos muito negros e profundos, observadores, nariz e queixo retos e duros.
- Eu esperaria – limitou-se a dizer, encarando Harry com seriedade.
Harry bufou, contrariado.
- Acho melhor nós irmos andando... – Ele pegou seu sobretudo e caminhou para a porta.
Os dois deixaram a sala. Scott acreditando que Harry finalmente aquietaria; Harry arquitetando e imaginando como voltaria ao Ministério mais tarde.
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17 de outubro de 1999, 0h02
Acabara de deixar a casa do padrinho, em Knightsbridge. Amy estava lá, mas provavelmente pensara que ele estaria indo para casa. E ele estava indo. Depois que fizesse o que tinha que ser feito.
Estava dirigindo a caminho do Ministério, em West End, e, em sua mente, lhe vieram cenas de horas antes da partida de Hermione.
Hermione estava desforrando a cama, pronta para dormir, quando Harry saiu do banheiro.
- Nada melhor que um bom banho depois de uma boa festa – riu-se o moreno.
- Nada melhor que uma boa cama depois de um bom banho – Hermione brincou. – Estou exausta!
- E eu estou preocupado com você.
Hermione virou-se para encará-lo.
- Não entendi.
- Você parece estar preocupada com algo.
- Não é nada.
- Se não fosse “nada”, certamente não estaria com essa carinha. – Ele se aproximou dela, tocando delicadamente a sua face.
- Não dá mesmo para esconder nada de você, não é?
Harry apenas riu como resposta.
- É só que... essa foi a nossa última noite juntos antes de a profecia se concretizar.
O sorriso que Harry tinha nos lábios morreu. Hermione desvencilhou-se dele e deu as costas, olhando através da janela.
- Eu não sabia como te dizer isso. E, acredite, eu preferia que você não soubesse. Seria menos doloroso. Para mim... e para você – ela falava e as suas próprias palavras pareciam feri-la profundamente. – Eu espero poder confiar que você não vai tentar me procurar, que não vai fazer besteira...
- Eu não posso prometer o que eu não sei se posso cumprir.
Hermione continuou como se não tivesse sido interrompida:
- E logo eu estarei de volta.
- Uma pena que esse seu otimismo seja só uma máscara.
Ela novamente voltou-se para ele. Tinha os olhos fechados.
- Você sabe que talvez não volte tão cedo, tanto quanto eu – ele concluiu, se aproximando.
A garota abraçou-o fortemente. Ele pôde sentir as lágrimas dela molharem sua camisa. Ela o puxava com urgência, como se fosse perdê-lo.
- Eu não tenho escolha.
- Eu sei disso. Mas pode ter certeza de que se eu pudesse, não deixaria que fosse. – ele afastou-a e encarou-a. Soltou uma das mãos dela e secou suas lágrimas. – Eu te amo.
Ele sentiu os olhos arderem. Tirou uma das mãos do volante, apoiou o cotovelo na porta do carro – cuja janela estava fechada – e fechou a mão com força, como se fosse dar um murro em alguém, e levou-a até o rosto, apoiando-a sobre a boca. Tremia de raiva.
A falta que ela fazia era tremenda e ele já não sabia como conseguira suportar por tanto tempo. Mais uma vez, perguntava-se o que teria acontecido com ela, onde ela estaria e como estaria.
Antes que percebesse, o carro já estava correndo a 120km/h. Ele sempre se descontrolava quando pensava nela. E desde que se fora, ele não conseguia pensar ou mesmo notar em outra mulher. Ninguém seria como ela. Ninguém seria como sua Hermione.
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O choro pôde ser ouvido da sala, mesmo que distante.
- Acho que ela acordou – fez Jane, levantando-se.
- Pode deixar, mamãe. Eu vou vê-la – disse antes de levantar.
Seguiu até o quarto e se aproximou do berço da pequena, que calou instantaneamente ao ver a mãe. Mexia os bracinhos enquanto as lágrimas ainda escorriam pelo seu rosto e morriam no colchãozinho do berço.
- Está com fome, minha boneca? – brincou antes de tomá-la nos braços.
Viu a menininha sorrir. Aquele sorriso lindo, sapeca, que faz qualquer um derreter-se.
“Ela está cada dia mais linda”, pensou, enquanto mexia no queixo dela, fazendo-a abrir ainda mais o sorriso.
Voltou para a sala.
- Como vai a princesinha do vovô? – fez Stan.
- Acho que está com fome – disse Hermione, começando a amamentá-la. Mas logo a pequena rejeitou o peito. – Ou não. – Riu.
- Deve ser só manha. Acordou por causa da conversa. Ouviu a voz da mãe... aí já viu, não é? – Jane comentou, admirando a filha e a neta.
- Deve ser isso. Mas já, já ela volta a dormir – concluiu a filha. – Sim, mamãe. Então você vai mesmo vender a casa? Vão mesmo morar em Notting Hill?
- Agora não tem nada que nos prenda aqui, querida – adiantou-se Stan.
- Seu pai está certo. Você tem seu apartamento em Notting Hill e logo voltará para lá... É melhor irmos também, assim ficaremos mais próximos de vocês.
- Uma pena. Eu gosto tanto daqui...
- Nós também, mas está na hora de mudar – Jane replicou. – Já conseguimos um apartamento à venda na St. Quentin Avenue.
- A vida na cidade sempre é mais fácil, também. Tem lá suas vantagens – argumentou Stan.
- É, isso é fato. Mas não pensem que estou recriminando. Eu os entendo. E fico feliz em saber que vocês estarão mais perto. Afinal, em breve terei que voltar ao trabalho e nós teremos que voltar para lá. Principalmente por conta do aeroporto. Senão eu viria morar aqui com vocês.
- E você acha que vai conseguir ficar longe da boneca? – Jane indagou.
- Não sei. E isso me preocupa. Acho que não vou poder passar duas ou três semanas nos Estados Unidos como fazia antes da Chloe nascer. Agora eu a tenho me prendendo aqui, não é?
- E ela é novinha, também. Tem só quatro meses e meio.
- Eu sei, mamãe. Eu espero também que eles não peçam transferência pra mim tão cedo. Aqui eu tenho vocês caso precise deixá-la com alguém. Mas em outro país...
- Querida, a verdade é que você mora nos Estados Unidos e passa curtas temporadas na Inglaterra. Isso é fato! – fez Stan.
- Sei disso. Sequer entrei no Ministério da Magia inglês a trabalho. Chad foi um anjo! Agradeço todos os dias por ele ter conseguido esse emprego para mim em outro país. Eu estava mesmo querendo ampliar meus horizontes, pelo menos profissionalmente. Mas com a Chloe fica complicado. Não dá para continuar assim – replicou, baixando os olhos em seguida para olhar a filha. – Olha, vovó, quem está te olhando?
- Esses olhos-esmeraldas são as coisas mais lindas do mundo! – Stan babou.
- Que vovô coruja e babão que você foi arrumar, hein, Chloe? – riu Hermione.
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Fez o retorno. Decidiu que deixaria o carro em casa, em Chelsea, e aparataria próximo à cabine de acesso ao Ministério. Poderia ser perigoso deixá-lo na rua àquela hora.
Não demorou e estava estacionando o carro na garagem de casa. Ele ia aparatar, mas resolveu entrar.
Abriu a porta de casa e foi recebido por Garth, seu filhote de golden retriever, que nos últimos tempos fora seu fiel e único companheiro nos momentos solitários naquela casa enorme.
Harry foi até a cozinha, com o pequeno cachorrinho ao seu encalço, pulando e brincando com a barra da calça do dono. Abriu a geladeira e pegou o leite, abaixando-se em seguida para colocar num pote para Garth. Esperou que o filhote tomasse todo o conteúdo enquanto estava agachado ao lado dele, colocou ração para ele e afagou sua cabecinha antes de deixá-lo novamente sozinho.
Com um feitiço convocatório, trouxe até si a capa da invisibilidade de seu pai. Não se deu nem mesmo o trabalho de levantar. Aparatou assim mesmo.
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- Dormiu – murmurou.
- Vá colocá-la no berço e vá dormir também, querida. Você parece cansada e sabe que não é fácil cuidar de crianças nessa idade. É provável que ela ainda acorde mais uma ou duas vezes essa noite para mamar. E antes das 6h ela estará acordada a todo o vapor.
- Tem razão, mamãe. – Levantou-se. – Boa noite, papai. – Deu um beijo no pai, que beijou sua testa e depois a mãozinha de Chloe.
- Boa noite, princesa. Durma bem.
- Obrigada. – Ela sorriu. – Boa noite, mamãe.
- Boa noite, meu anjo. – A mãe beijou-lhe a testa e acompanhou-a com os olhos até que sumisse no corredor escuro. – Acha que fizemos mal em mentir?
- Nós não estamos mentindo, querida. Não confirmamos nada – Stan replicou. – O que importa é que temos que sair dessa casa.
Eles não sabiam por que, mas sentiam que era o certo a ser feito. E Jane perguntava-se o que estava fazendo-os agir daquela maneira.
- Está certo. Fecharemos a casa. E o apartamento? É aquele que fica perto do dela, não é?
- Dois prédios depois. É pequeno, são dois quartos, sala e cozinha americana... Mas por enquanto é necessário. Quando Hermione voltar para Notting Hill, nós esperaremos três a quatro semanas e iremos.
- E a clínica?
- Transferida para West End. Já está tudo certo. Mas nós devemos começar a trabalhar lá a partir da próxima semana.
- Sem problemas – assentiu. – Eu só quero vê-la feliz. Hoje é minha prioridade – ela concluiu.
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Já estava dentro do Ministério. A capa cobria todo o seu corpo e seria impossível imaginarem que ele estava ali. Àquela hora já não havia mais ninguém no prédio. Talvez o segurança, mas este provavelmente estaria tirando um cochilo ou andando por aí.
Inevitavelmente, lembrou-se do dia em que os Comensais da Morte invadiram o Ministério da Magia e, depois, o Departamento de Mistérios.
Sentiu-se culpado, mas era por uma boa causa.
Apertou o botão “pra baixo” mais próximo e um elevador apareceu quase que imediatamente. As grades douradas se abriram com uma grande “click”, que ecoou por todo o Átrio, e então entrou. Harry pressionou o botão nove; as grades fecharam subitamente e o elevador começou a descer, devagar e rangendo.
Quando o elevador parou uma fria voz feminina disse:
- Departamento dos Mistérios. – As grades se abriram. Saiu em direção ao corredor onde nada se movia a não ser o fogo das tochas com a rajada de ar do elevador.
Harry virou em direção à porta preta. Depois de três anos desde a última vez que estivera ali e de meses e meses arquitetando como seria sua visita, ali estava, finalmente.
Ele parou a alguns metros da porta, analisando-a. Algo lhe dizia que não seria tão fácil. Olhou por cima do ombro. Tinha a impressão de que estava sendo seguido desde o Átrio, o que julgou ser impossível, já que somente ele estava no elevador.
Virou e encarou a porta, então andou em sua direção. Levou a mão à maçaneta; estava trancada. Lembrou-se então que, da outra vez, ele estava marchando de encontro a uma armadilha e que, por isso, tinha sido tão fácil.
Tentou todos os feitiços que pôde imaginar; nenhum funcionou. “Previsível”, pensou. “Eles não a deixariam tão vulnerável”. De fato. Como eles poderiam selar a porta com um feitiço que qualquer um poderia reverter? Ele então se lembrou dos dias que passara estudando com Hermione por horas e horas os feitiços e as listas que faziam.
Não soube qual feitiço abriu a porta. No desespero, experimentara quatro feitiços seguidos e não interessava saber qual funcionara naquele momento.
Estava numa grande sala circular. Tudo era preto, incluindo a porta e o teto; portas idênticas, sem maçanetas e pretas estavam postas em intervalos iguais na parede negra, intercaladas por velas cujo fogo era azul; suas luzes frias e brilhantes eram refletidas no chão, fazendo parecer que havia água negra no piso.
Antes de fechar a porta, lembrou-se:
- Flagrate! – Marcou a porta com um “x” flamejante, exatamente como fizera Hermione três anos atrás, e fechou-a.
Houve um ronco estranho e as velas começaram a se mover. A parede circular estava se movendo. Por alguns segundos as velas deixavam linhas de néon, enquanto a parede se movia; então, quase tão de repente quanto havia começado, o ronco parou e tudo voltou a ficar parado.
Ficou parado por alguns segundos analisando as portas e, quando finalmente decidiu por qual seguiria, ouviu um estalo leve e uma das portas se abriu. E, ele notou, não foi a mesma pela qual entrou. Esta estava à sua frente e a que abriu estava às suas costas. Ficou imóvel, cuidando para que nem mesmo a sua respiração ofegante fosse notada. Sentiu como se tivesse seus quinze anos de volta.
- Tire a capa – uma voz ordenou.