Estava cansado. Acabara de chegar de uma viagem a trabalho. Estivera a última semana inteira na Rússia e agradecia por estar de volta. Saiu do elevador e caminhou pelo hall escuro por poucos segundos até que a luz se acendesse automaticamente. Assustou-se ao ver um corpo jogado no chão, de costas para ele.
Sem pensar, correu até a mulher e ajoelhou-se no chão, virando-a de modo que pudesse encarar seu rosto; estava com o rosto repleto de ferimentos, assim como todo o seu corpo, mas ainda assim era a mulher mais bonita que já vira na vida. Era jovem, disso tinha certeza. Parecia ter seus dezoito anos. Estava usando uma calça jeans desbotada e justa, uma blusa branca e botas pretas de cano médio. Os cabelos estavam soltos e sujos como a roupa, completamente lavada em sangue. Levantou a blusa dela e pôde ver o corte recente em seu abdome. O sangue em volta estava seco e a ferida começava a cicatrizar.
Tocou seu pulso. Estava viva. Sorriu aliviado e ficou a observá-la por alguns segundos. Levantou-se e procurou em seu bolso as chaves. Abriu o apartamento e pôs as malas para dentro, fechando a porta em seguida. Pegou a moça no colo e apertou o botão do elevador que, por sorte, ainda estava parado ali. Desceu para a garagem e colocou-a no banco do carona, apertando os cintos. Parou ao notar algo que chamou sua atenção. Dentro de uma espécie de bolso no lado interno da bota havia um pedaço de madeira roliço e trabalhado: uma varinha. Ela era uma bruxa. Tudo ficaria mais fácil agora.
Tomou seu lugar ao volante e deu partida, deixando o prédio para trás.
Vez ou outra, olhava para o lado, a fim de observá-la, guardar cada traço de seu belo rosto. Parecia dormir num sono profundo e tinha um semblante sereno, angelical. Admirava-a mesmo sem conhecê-la.
Estacionou o carro à porta de uma loja que parecia fechada há anos. Desceu do carro e tomou a moça no colo novamente, caminhando em direção à porta da loja e atravessando o vidro sem se preocupar com o fato de a rua estar cheia de pessoas àquela hora. Viu-se numa sala apinhada de gente, com curandeiros que corriam de um lado para o outro, apressados em atender os pacientes. Estava no St. Mungus.
- Com licença, eu poderia falar com o Dr. Sebastian Hastings? – perguntou na recepção.
- O senhor tem hora marcada? – uma mulher ruiva perguntou sem encará-lo, ainda com os olhos pregados na ficha de um paciente.
- Na verdade, não – respondeu o homem. – Ele é o meu pai. Preciso falar com ele urgente!
- Vou ver se ele pode atendê-lo, Sr. Hastings. – A mulher pegou o telefone e discou.
- Chad Hastings! O que faz o todo podero...? – uma mulher de pele muito morena, cabelos castanhos claros e olhos verdes muito claros adentrara a recepção animada, mas parou ao ver que ele trazia uma mulher desacordada no colo. – Chad! O que aconteceu? Quem é ela?
- Eu não sei. Encontrei-a desacordada na porta do meu apartamento e resolvi trazê-la para meu pai dar uma olhada. Ela está ferida e parece muito fraca – respondeu.
Chad Hastings vinha de família influente no mundo bruxo, filho de Victoria e Sebastian Hastings, um importante medibruxo. Loiro de olhos verdes, muito bonito. Tinha vinte e dois anos, trabalhava no Ministério, na Confederação Internacional de Magia.
- Venha comigo. Seu pai está livre, poderá atendê-la. – A mulher puxou-o e os dois entraram no elevador apressados.
- Obrigado, Elloe – agradeceu o loiro.
- Estou apenas fazendo o meu dever, Chad. Sabe disso. – Elloe sorriu.
Elloe Fenty estava estudando para ser medibruxa, e estava estagiando com o seu pai no St. Mungus para se especializar. Conhecia o rapaz desde a sua infância e era considerada uma grande amiga por Chad, embora fosse apaixonada por ele há muito.
- Dr. Hastings, Chad está aqui e trouxe uma moça para ser examinada – ela anunciou, adentrando a sala do medibruxo. – Ponha ela aqui.
- Oi, pai – cumprimentou Chad, colocando a moça que trazia no colo deitada na maca que Elloe apontava.
- Como vai meu filho? Não estava viajando?
- Estava. Acabei de chegar – respondeu o loiro. – E encontrei essa moça desacordada na porta do meu apartamento. Não soube o que fazer, então resolvi trazê-la para o senhor vê-la.
- Hum. Deixe-me dar uma olhada. – O doutor, já grisalho, se aproximou da maca e começou a examiná-la.
- E então? – Chad perguntou cerca de dez minutos depois.
- Ela está muito fraca, parece estar desacordada há dias e, conseqüentemente, sem se alimentar. Não corre risco de vida, embora o corte possa ter infeccionado pela falta de cuidados. O pulso está fraco, quase imperceptível. Qualquer um que a encontrasse, sem o devido conhecimento sobre o assunto, a daria como morta. É impressionante que tenha sobrevivido a esses ferimentos. Acho que vamos ter de submetê-la a exames mais específicos – Sebastian sentenciou, as sobrancelhas erguidas e uma expressão preocupada. – Elloe, preencha uma ficha para o internamento dela. Creio que vá ficar aqui por quatro a seis dias em observação enquanto se recupera.
- Mas não temos o nome dela, doutor.
- Não importa. Quando acordar poderá nos informar. Se preciso, mantenha-a aqui no consultório mesmo. É mais seguro – finalizou. – Fez muito bem a trazendo, Chad. Ela é uma moça de sorte por você tê-la encontrado. Mais alguns dias e poderia estar morta.
Chad sorriu sem jeito. Não sabia se era certo sorrir naquela situação.
- Volte para casa, resolva o que tiver que resolver e depois vá para a nossa casa, avise sua mãe que talvez eu não volte para dormir e lhe explique o motivo. Essa moça precisa de cuidados e eu assumirei todas as responsabilidades. Não quero e nem posso perdê-la.
- Mas eu quero ficar! Pelo menos até descobrir quem é ela...
- Não sabemos quando ela acordará, filho. É melhor que vá.
- Vamos, Chad. Eu o acompanho – Elloe murmurou, segurando-o pelo ombro e guiando-o para fora do consultório. – Não se preocupe. Ela está em boas mãos, e você pode confiar. Descanse e volte amanhã.
- É melhor, mesmo. Estou exausto! – O loiro passou a mão pelo cabelo, bagunçando-os. – Mas amanhã eu não posso vir, não antes desse horário.
- Se tivermos qualquer novidade, eu te ligo. Tudo bem pra você?
- Ótimo, então. Obrigado mais uma vez, Elloe – ele abraçou-a.
Ela sorriu.
- Tchau, Hastings – ela murmurou, vendo-o se afastar.
Chegou em casa e entrou no banho a fim de relaxar. Estava realmente precisando de uma boa noite de sono. Trocou-se colocando uma calça jeans e uma camisa simples. Jogou-se na cama e encarou o teto. Em sua cabeça, via a imagem da moça caída no hall. Seu pai estava certo. Ela tinha tido sorte que ele estivesse chegando de viagem ou seria tarde demais. E ele não queria nem imaginar.
Uma moça tão bonita... Quem teria feito aquilo com ela? Perguntou-se se ela não estaria em Hogwarts durante o ataque quatro dias atrás. Sim, ela poderia estar. Uma aluna de Hogwarts. Mas o curioso era como fora parar ali, em Londres e como ninguém dera pela falta dela nem fora vista pelos vizinhos.
“Claro!”, pensou, dando um tapa na própria testa. “Não temos vizinhos no quarto andar”.
Levantou-se e deixou o apartamento, seguindo para a casa dos pais. Não ficava muito longe, então ele resolveu ir de carro mesmo. Não queria aparatar sem necessidade. E dirigir, para Chad, sempre fora uma terapia. Seguiu pensativo por todo o percurso. Perturbava insistentemente o fato de querer saber quem era a mulher e não poder ter a resposta.
Parou o carro à porta de um prédio luxuoso de sete andares. Subiu de elevador para o sétimo e último andar, a cobertura. Tocou a campainha e aguardou por poucos segundos até que a porta fosse aberta.
- Boa noite, Grace! – ele cumprimentou adentrando o apartamento.
- Boa noite, Sr. Hastings.
- Minha mãe está em casa?
- Sim, está no quarto dela com Caroline.
- Ah, ok. Vou falar com elas.
- Tudo bem. Precisando, estou na cozinha.
- Obrigado, Grace. – Chad caminhou pelos corredores até o quarto da mãe e bateu à porta.
- Entre – ouviu uma voz abafada responder.
Chad rolou a maçaneta e entrou no quarto.
- Chad! – Uma garota de cerca de onze anos correu ao seu encontro, abraçando-o.
- Carol, deixe seu irmão respirar!
- Ok. – A garotinha revirou os olhos.
- Obrigado, mamãe. – Chad riu.
- Como vai, querido?
- Cansado, mas estou bem – ele respondeu, dando um beijo e um abraço na mãe.
Victoria Hastings, ao contrário de Sebastian, ainda preservava os cabelos loiros como os dos filhos.
- Uma pena que seu pai ainda não tenha chegado. Ele gostaria de vê-lo.
- Estive com ele há menos de uma hora. Ele pediu para avisar que talvez tenha que ficar de plantão hoje no St. Mungus – contou.
- Há muito ele não fica de plantão! O que aconteceu?
Chad contou tudo para a mãe, que parecia assustada com o acontecido.
- Mas vocês não sabem quem ela é? – perguntou Caroline, interessada. Os olhos verdes intensos da garota brilhavam.
- Não, Carol. Não fazemos idéia.
- Estranho.
- É, eu também ach... – O celular de Chad tocou, fazendo-o interromper. – Elloe. Só um instante, vou atender.
- Chad?
- Sim, Elloe. Alguma novidade?
- Sim. Ela está bem. Fizemos tomografia, não tem indícios de pancada na cabeça. Apenas o corte que precisa ser tratado, pois é muito profundo. Ele estava principiando uma infecção e ela não pode correr esse risco – ela contou. – E...
- E o quê, Lole? O que mais? – ele perguntou, afobado, interrompendo-a.
- Ela está grávida, Chad. Três semanas – revelou.
- Meu Merlin! – Chad exclamou. – O bebê está bem?
- Sim, não corre riscos, embora seja muito novinho. Ela teve sorte de não tê-lo perdido.
- Obrigado, Lole. Qualquer coisa, meu celular está ligado. Quero saber assim que ela acordar, ok?
- Pode deixar – ela concordou. – Já avisou sua mãe?
- Já. Ela está aqui na minha frente.
- Está bem, então. Manda um beijo para ela por mim.
- Certo. Tchau.
- Até logo! – e a ligação caiu.
- Adivinha?!
- Ela está grávida, não é? – Victoria mais afirmou que perguntou.
- Sim – assentiu o loiro. – E isso só me deixa ainda mais preocupado. Três semanas. É muito recente... Ela provavelmente nem sabia da gravidez, não tinha como saber...
- Não é algo com que deva se preocupar. Sei que você salvou a moça, mas nada justifica tamanha preocupação.
- Se você a visse, saberia que trata-se de uma garota cheia de vida, mamãe. Bonita, saudável... Não deve ter mais de dezoito anos e seus pais devem estar preocupados, também.
- Eu te entendo, querido. – Victoria concordou.
- Chad, você soube que a filha de Thomas Haase, aquele amigo do papai, nasceu hoje? – Caroline interrompeu a conversa.
- Foi? – Chad surpreendeu-se. – Então Haase resolveu ficar aqui na Inglaterra mesmo?
- Parece que sim. Ele é casado com Narcisa Malfoy há mais de um ano e o filho dela vive aqui, na casa da ex-cunhada dela. É provável que ela queira voltar depois de ter passado dois anos fora. – contou Victoria. – Thomas está aqui com ela há cerca de uma semana.
- Então eu não poderia saber mesmo. Estive na Rússia toda essa semana, esqueceram-se?
- Verdade... – Caroline murmurou.
- Não quer jantar, querido?
- Se o menu incluir aquele caldo verde maravilhoso que só Victoria Hastings sabe fazer, aceito com todo o prazer!
- Você deu sorte, então. Porque fazia quase um mês que a mamãe não fazia e hoje ela resolveu fazer– brincou Caroline.
- Que exagero, Carol! Não tem três semanas que fiz...
- Então! Quase um mês. – a garota insistiu.
Chad riu. Finalmente esquecera da tal moça misteriosa.
---
Acordou e encarou o teto. Seu despertar era automático por conta do costume de levantar cedo. Fazia dois dias desde que encontrara a moça em seu hall e ela ainda não acordara. Não fora mais visitá-la. Estava apinhado de trabalho no escritório e não sobrara tempo nem mesmo para correr às margens do Tamisa, como sempre fazia.
Ele esperava que isso mudasse. O trabalho estava ficando pesado demais ultimamente. As viagens eram constantes e cansativas. Cobravam, exigiam muito dele. Gostava do que fazia, mas sentia falta dos tempos em que vivia na casa de seus pais, se divertindo com Caroline, que sempre fazia o possível para fazer de seus dias um verdadeiro carnaval. Como ele a adorava!
E Elloe... Sentia falta dela, também. Sentia falta das horas que ela passava lá com ele, assistindo a mil e um filmes, rindo horas a fio. A sua infância não poderia ter sido a mesma coisa se não fosse ao lado da morena. Era uma pessoa muito importante em sua vida, quase essencial.
Agradecia todos os dias por ter à sua volta pessoas tão maravilhosas que sempre estiveram ali para ajudá-lo, fazê-lo sorrir, sentir-se bem. Seus pais eram como heróis para ele, sempre foram. E não era difícil perceber o quanto deixara de ir até eles nos últimos tempos... Ele sentia; eles sentiam. Queria que pudesse, algum dia, se prender em Londres, à uma família e viver sem sentir falta de sua presença.
O despertador tocou. Seis e meia da manhã. Ele desligou-o e se levantou. O dia estava só começando...
Conseguiu deixar a casa antes mesmo das sete e meia e chegar ao trabalho pouco antes das oito. Seguiu para o seu departamento e depois para o seu escritório. Viu uma mulher morena deixar a sala ao lado da sua com uma caixa média de papelão.
- Cho? – fez.
- Bom dia, Chad – a oriental cumprimentou.
- Você já vai? – ele perguntou.
- Hoje à tarde. Vim apenas pegar minhas coisas, esvaziar a sala. Demorou, mas a transferência finalmente saiu.
- Realmente. Tem dois meses que ela está programada – ele concordou. – Você parece triste.
- Estou deixando para trás vários amigos. Não vai ser fácil me readaptar em outro país. Às vezes gostaria de ser uma pessoa influente. Talvez conseguisse mudar isso.
- Mas foi necessária a sua transferência. Eles contam com você lá na Itália. É uma excelente profissional, vai se dar bem. O ministro não poderia indicar outra pessoa. E você aceitou o trabalho. Encare como uma experiência que será muito importante para sua carreira, veja sempre pelo lado bom. Você é tímida, mas é meiga e cativa com facilidade qualquer pessoa, em qualquer lugar onde pisa – Chad consolou.
- Obrigada, Chad. Você é um amigo maravilhoso! – ela sorriu. – Bom, acho que é isso. Adeus, então!
- Ainda nos veremos, Cho. Garanto! – ele murmurou, fazendo-a alargar o sorriso e os olhos marejarem.
Observou-a deixar o departamento. Cho Chang passara o último ano estagiando no Ministério da Magia e fora avisada de que iria para a Itália para começar a trabalhar dois meses atrás. Não aceitou imediatamente a proposta, mas aconselhada por Chad, resolveu que seria uma oportunidade única e que se não fosse na Itália, seria em qualquer outro lugar. Tornaram-se grandes amigos durante o tempo que ela passara ali.
- Bom dia, Dana – cumprimentou a recepcionista do departamento.
- Como vai, Chad?
- Bem, obrigado. Algum recado para mim?
- Não, nenhum – ela respondeu. – Aliás, tem, sim! A Dra. Fenty ligou para cá há pouco. Disse que não tinha conseguido falar para o seu celular e pediu que fosse ao St. Mungus. Disse que era importante.
- E a minha agenda?
- Uma reunião para as 13h.
- Só isso?
- Sim – a mulher confirmou.
- Ótimo, então. Se alguém me procurar, avisa que eu fui resolver uns assuntos pessoais e estou de volta logo depois do almoço.
- Pode deixar – confirmou Dana.
- Obrigado, Dana.
- Por nada. Até mais tarde!
- Até! – E Chad saiu quase voando do Ministério, aparatando diretamente no St. Mungus. Não queria esperar mais.
Elloe já o esperava na recepção ao lado de Keira Newbie, uma medibruxa loira de olhos azuis muito claros que trabalhava na equipe de Thomas Haase.
- Pronto, Lole. O que aconteceu? Vim correndo quando soube do seu recado...
- Chad! Quanto tempo, hein? – a loira cumprimentou-o.
- Desculpe. – Ele corou. A afobação era tanta que esqueceu de cumprimentar a loira. – Como vai, Keira?
- Vou bem. Apenas um tanto atarefada com o nascimento da filha do Dr. Haase. Ele só estará de volta na segunda-feira, então acabei ficando no comando da equipe até ele retornar.
- Narcisa já foi para casa?
- Já. Hoje cedo – Elloe contou. – A menininha é uma graça!
- Qual o nome?
- Jennifer.
- Creio que vá conhecê-la em breve. Seu pai e o Dr. Haase são muito amigos – comentou Keira, olhando o relógio de pulso. – Vocês vão me desculpar, mas eu estou atrasada. Tenho que voltar para o consultório.
- Nós vamos com você – Elloe disse, apressada.
- Tudo bem, então vamos.
Os três seguiram para o consultório de Sebastian Hastings. Keira separou-se deles ainda no começo do corredor e foi para a sua sala. Elloe levou a mão à maçaneta, mas parou colocando-se à frente de Chad, séria.
- Ela acordou – contou aos sussurros e viu os olhos do amigo brilharem. – Mas, por favor, não faça muitas perguntas. Ela está muito abalada e parece não se lembrar de muita coisa. Seu pai está aí com ela, terminando uma bateria de exames. Você irá aguardar e conversará com ele antes de poder vê-la. – instruiu.
- Tudo bem. – Eles adentraram o consultório.
- Fique aqui. Vou ver se seu pai precisa de ajuda. – Ela passou por outra porta que levava à uma outra sala, pela qual Sebastian saiu minutos depois.
- Como ela está? – perguntou ao pai.
- Está bem. Ainda se recuperando, um pouco fraca e abalada, aparentemente. Não se lembra de muita coisa, como a Elloe deve ter informado. – O homem parecia sério. – Acordou durante a madrugada de hoje e nós demos início ao tratamento.
- E o bebê?
- Saudável. Não corre risco – limitou-se a responder.
- E ela já sabe?
- Ainda não. Vou contar quando achar que está forte o suficiente para saber.
Elloe voltou ao consultório.
- Pode entrar se quiser, Chad.
O loiro encarou o pai, que assentiu. Chad se levantou e caminhou até a outra sala.
- Como se sente? – perguntou, acanhado.
- Estou bem. Sinto um pouco de dor e o corpo mole, mas estou bem – ela murmurou, a voz fraca. – Você deve ser o Chad, não é?
- Sim, sou eu.
- Seu pai me falou sobre você. Obrigada, você salvou minha vida – ela agradeceu, dando um meio sorriso.
- Jamais deixaria qualquer pessoa no seu estado sem cuidados, ainda mais conhecendo pessoas que pudessem cuidar de você. Você não quer que avise alguém que está bem? Podem estar preocupados.
- Tenho só meus pais. Acho que Dr. Hastings já os avisou.
- Você se lembra de alguma coisa antes desse “acidente”?
- Eu tenho dezoito anos, moro com meus pais em Godric’s Hollow, um vilarejo não muito distante. Acabei de cursar Hogwarts há uma semana, quando houve um ataque e...
- E desde então você ficou desacordada por seis dias. – Chad completou. – E qual o seu nome?
- Hermione – ela respondeu. – Hermione Granger.