Hermione sentiu o frio arrepio percorrer seu corpo ao ver Clifton. Embora o homem estivesse desacordado, ser trancada com ele no mesmo aposento fazia seu corpo tremer em uma mistura de medo e ódio. Antes de fecharem a porta, os guardas haviam sido claro em suas ordens: Eles a matariam se não curasse as feridas dele.
Bom, disse a si mesma que precisaria parar de tremer se quisesse viver. Infelizmente se o matasse, não haveria chances de escapar, então, com o pouco de dignidade que ainda lhe restava, ela se pôs a trabalhar.
O ferimento era um tanto grave. Por um momento, foi impossível não sorrir com os tamanhos dos arranhões que ela lhe infligira. Nas horas seguintes, trocou ataduras, limpou o os cortes e preparou um tipo de unguento que sua mãe lhe ensinara. O cheiro não era bom, mas ao menos ajudaria a cicatrizar os ferimentos mais rápido.
- Eu deveria deixá-lo apodrecer. - sussurrou baixinho, enquanto espremia um pano na bacia.
Não pode deixar de sentir certo prazer ao ver o corpo grande tremer quando aplicou o remédio. Se adicionasse mais água a erva não arderia tanto. Mas não se importou com esse detalhe.
Com um sentimento de satisfação, pegou mais uma quantidade e aplicou no ferimento da barriga. Clifton tremeu e respirou com mais força devido à ardência. Viu que os pontos estavam bem fechados e que não havia mais sinais de infecção.
- Ratinha!
Uma mão gelada segurou seu braço e Hermione pulou de susto. O ponto com o ungüento que segurava escorregou de sua mão, se espatifando no chão.
Amedrontada, olhou para Clifton, que a encarava. Mesmo sabendo que ele estava debilitado, Hermione estremeceu.
Com um grunhido de dor e força, o homem a puxou. Ela conseguiu se soltar, recuando até a parede.
- Sua ratinha nojenta. – o homem falava com dificuldade. – Acha que não sei o que estava tentando fazer? – ele sorriu. – Não vai conseguir me matar, menina. – com esforço foi para a beirada da cama e sentou-se.
Assustada com as palavras ferozes, Hermione mordeu o lábio inferior.
- Não... não estou tentando fazer nada contra o senhor, mi lord. – apertou as mãos, engolindo o próprio orgulho. – Só estou...
- Cale-se, garota. – passou os olhos pelo corpo jovem. – Venha cá.
- Não.
- Venha aqui, agora. – rugiu. – É uma ordem! – o rosto redondo e barbudo estava ficando cada vez mais vermelho.
- Por favor, senhor. – olhou para a porta e depois para seu captor. – Deixe-me ir embora.
- Ratinha insolente. Prostituta barata. – com um enorme esforço, ele levantou-se. As pernas tremiam e o suor banhava o corpo grande e pálido. – Não vai escapar. Não vai fugir de mim.
Quando tentou andar em direção a garota, suas pernas não agüentaram o esforço e com um grito de raiva, o corpo de Clifton foi ao chão.
Ela não perdeu tempo. Correu para a porta, mas antes mesmo de tocar no trinco, a fechadura se moveu, e um corpo grande a impediu de sair, segurando-a com força. Viu alguns dos soldados de Clifton que entraram no quarto. Três deles tiveram que ajudar seu lorde a voltar para a cama.
Mesmo tremendo e com medo, Hermione ergueu o queixo em desafio ao olhar para o homem debilitado.
- Senhor. – disse o soldado que segurava Hermione. – Está bem?
- Cale-se idiota! – o novo duque não tirava os olhos maldosos de cima da curandeira. Um silêncio pesado caiu sobre o lugar – Prendam-na por cinco dias. – disse sorrindo. – Isso dará tempo para que a pequena aprenda a nunca mais tentar matar ou desobedecer o seu novo duque.
- Sim, mi lord. – o soldado arrastou uma Hermione chocada e aterrorizada em direção a porta.
- Maldito! – gritou, tentando se soltar. Sabia que não conseguiria segurar o choro por muito tempo.
- Espere! – ordenou o duque. – Não a machuquem muito. Não quero uma ratinha doente em minha cama. – e com um sorriso de satisfação fez sinal para os soldados saírem.
E sem esperar por mais ordens o homem que a segurava arrastou-a para fora.
***
Fazia três dias que ela estava naquela cela imunda e escura. Quando foi colocada ali, Mione sentiu-se, de certo modo, aliviada. Não teria que enfrentar Clifton por cinco dias. Nem Clifton, nem seus homens, nem aquele homem que lhe salvara a vida.
Entretanto, mudou de idéia logo no final do primeiro dia. O lugar era escuro, o cheiro de morte como um lembrete que não podia relaxar. Todos os dias aparecia um soldado que gostava de relembrá-la sua posição, e que, a qualquer momento, poderiam descartá-la com facilidade. Eles a atormentavam e, certa vez, ela precisou se defender com unhas e dentes:
- Você é uma gracinha, sabia? Talvez eu possa tirá-la daqui mais cedo se cooperar.
- Ouse se aproximar de mim, porco e mundo, e eu o matarei!
O sorriso malicioso no rosto do guarda desapareceu por completo.
- Sua prostituta, é bom que aprenda logo!
O guarda havia tentado agarrá-la, e Mione o mordera na mão. O homem urrou de dor e lhe estapeara com tanta força que deixou-a desnorteada por alguns segundos. Tempo suficiente para que ele a imobilizasse contra a parede.
- Tomas, deixe-a! – gritou alguém por de trás do ombro do rapaz – Ela não vale tudo isso! Não esqueça as ordens de Clifton!
Hermione sentiu o alívio, e depois daquele dia ninguém mais veio perturbá-la. Na realidade, isso era menor de seus problemas. Começava a se sentir fraca com o pouco de comida que era trazido. O cheiro do alimento era insuportável, e ela só se obrigava a comer porque sabia que precisava se manter firme. Não sabia quantos dias mais ficaria ali, mas sabia que logo Clifton voltaria.
No penúltimo dia, ela recusou-se a comer o que lhe trouxeram. O cheiro e as moscas lhe fez perceber que era carne podre, o que fez seu estômago embrulhar. Passou o dia sem comer, e fraca do jeito que estava, a tontura começava a tomar conta dela, pouco a pouco.
Foi então, nesse momento, que ouviu passos.
Não, de novo não, pensou ela, enquanto ouvia a cela se abrir.
Estava tão fraca que não se dignou a levantar a cabeça para ver o soldado que parou na sua frente. Entretanto, pode ouvir o riso debochado do homem.
Foi erguida sem cerimônia de encontro ao peito do homem, e, por instinto, com o resquício de forças que lhe restava, começou a se debater. Inútil. O rapaz era mais forte, e seu sorriso cruel lhe indicou que naquela vez ele pretendia ir até o final.
- Você vai calar a boca, e cada um de nós poderá fazer isso rapidamente. – olhou para os outros homens e sorriu. – Na verdade, juramos tentar fazer o mais rápido possível. - e então ele gargalhou alto ante o horror do olhar dela. Hermione estremeceu... naquele momento, temeu o pior.
***
- Por Deus, homem. Pare com isso! – rosnou o rapaz.
- O que foi? – perguntou o outro, indignado.
- Pare de mexer nesse esqueleto, seu idiota. – olhou para os lados. – Se alguém nos ouvir, vai ser...
Não foi preciso terminar a frase, o esqueleto pendurado no teto do calabouço veio ao chão, fazendo com que o som estridente ecoasse pelo lugar.
O soldado permaneceu parado no lugar sem movimentar um músculo. Com a espada ainda em riste, deu um sorriso amarelo e virou a face um pouco pálida para o guerreiro que furioso caminhava em sua direção.
Com um olhar feroz, o soldado tirou das mãos do companheiro a espada, que havia cutucado sem parar o esqueleto pendurado, além de fazer o mesmo em outros cincos que haviam visto.
- Viu o que fez, imbecil. – com a lâmina da espada bateu com força no elmo do homem, que soltou um resmungo.
Jogou a espada longe e começou a caminhar. Só se deu conta que estava sozinho quando não ouviu os passos pesados nem a respiração alta do outro homem.
Virou-se e apertou os punhos com a cena que viu.
- Não vou falar de novo! – urrou.
O outro deu um pulo de susto, parou de cutucar com a espada o crânio do esqueleto e correu para acompanhar o amigo.
- Tenho certeza que foi aquela que passamos primeiro...
- Não consegue ficar quieto?
- Como sabe que não era aquela?
- Use os olhos! Definitivamente não era. – o homem respirou fundo, pedindo paciência. - Ele deixou bem claro que a mocinha é formosa.
– Será que alguém limpa isso aqui? – o rapaz perguntou, fazendo uma careta ao ver alguns ratos passando mais longe, sem contar as inúmeras baratas que vez ou outra corriam entre seus pés.
- Isso é um calabouço. – revirou os olhos e analisou a sua volta. - Nem mesmo a idéia de limpeza passa pela cabeça de alguém.
- Se eu fosse o lorde disso aqui...
- Mas você não é! Então cale a boca e vamos achar a tal mulher. – disse de modo brusco. – Se demorarmos muito, vão cortar nossas cabeças. Espero que ela esteja aqui, não sei onde mais procurar.
Os dois pela primeira vez ficaram em silêncio, olhando por cada cela que passavam. Um deles fez o sinal da cruz ao ver uma mulher quase a pele ossos, gemendo de dor. Era certo que aquilo era uma guerra, mas muitas vezes ele se perguntava se o que faziam era certo aos olhos de Deus.
Viraram a direita num corredor ainda mais imundo, se é que aquilo era possível. De repente, ouviram gritos vindos mais a frente. Olharam-se, e correram para ver o que se passava.
Estancaram ao ver uma cela aberta com três outros soldados dentro. Parecia que o grito vinha dali, mas era um grito feminino.
Ouviram o grito de terror novamente, e sem pensar duas vezes, invadiram a cela.
***
Ele a beijou com violência punitiva, machucando seus lábios e ferindo-a sem compaixão. Mione tentou se soltar, mas não havia mais nada de forças que pudesse fazê-la vencer o homem.
Foi nesse momento, que viu mais dois soldados no corredor, vindo em sua direção. Mais dois que iriam se divertir com ela. O pânico apenas crescia, e o corpo fraco tentava atacar o soldado forte. Quando sentiu os braços serem erguidos por cima de sua cabeça, apenas pode fechar os olhos e rezar para que acabasse rápido.
Sentiu a mão do homem em seu seio, e imediatamente seu corpo foi ao chão. Ficou sem ar por um momento ao sentir o corpo grande do soldado sobre o seu. Suas mãos foram fortemente agarradas por um dos outros homens, que com os olhos brilhantes vez ou outra beliscava seus seios e sorria fascinado com a cena que desfrutaria logo em seguida.
- Não! – gritou desesperada ao sentir a mão do soldado que estava em cima de si subir por sua perna.
- Quietinha, minha belezinha. – sussurrou em seu ouvido
- Pare! – choramingou quando sua saia foi levantada até o quadril. – Não faça isso, por favor.
- Quieta! – ordenou. O homem tirou uma faca de seu bolso e rasgou sua combinação, com as mãos puxou com força o tecido rasgado, expondo-a completamente aos olhares famintos.
- Por favor... – choramingou.
Apavorada, debateu-se o máximo que pôde.
Uma dor aguda e repentina fez Hermione gritar, tentou puxar as pernas, que o soldado segurava com força.
- Uma pequena demonstração do que eu posso fazer se você não ficar quietinha! – rindo o homem jogou a faca manchada de sangue longe.
Hermione fechou os olhos com força. Mais uma vez tentou violentamente se soltar do agarre feroz, quando mãos fortes separavam, para sua vergonha, sem esforço algum, suas pernas firmemente fechadas.
Ao sentir o corpo imenso do soldado entre suas pernas, a curandeira rezou para que desmaiasse.
Sentiu-o tocar com voracidade sua intimidade e soluçou alto.
Mas, como por milagre, inesperadamente sentiu o homem longe de seu corpo e suas mãos libertadas.
Ouviu gritos e ao abrir lentamente os olhos viu os soldados brigando entre si. Arregalou os olhos, e seu primeiro pensamento foi o de que estavam disputando para saber quem seria o primeiro.
Desesperada arrastou-se até a parede e, abraçando os joelhos, permaneceu lá.
Quando apenas dois ficaram de pé, Hermione encolheu-se mais ainda contra a parede. Com as mãos sujas de sangue e o rosto um pouco inchado, eles se aproximaram.
O soldado loiro e alto percorreu os olhos por seu corpo e se abaixou. Quando estendeu a mão, a garota chiou e se debateu.
Ele passou a mão por seu rosto e a trouxe para mais perto. Mantendo o corpo rijo, e os olhos apertados, sentiu as mãos grandes tateando seus braços, e logo em seguida suas pernas e sentiu sua saia ser novamente erguida. A garota o empurrou com força, mas o homem mal se mexeu, pior agarrou suas mãos.
- Calma. – pediu, ainda segurando a mocinha. – Quero ver como está.
- Não. – balançou a cabeça em negativa e aterrorizada olhou de um soldado para o outro.
Hermione virou o rosto para o lado, sua saia estava erguida acima da metade das coxas. Ninguém havia visto suas pernas antes, muito menos sua intimidade, e em apenas alguns minutos vários soldados não só já tinham visto como também apalpado.
O homem loiro grunhiu e esbravejou alto. Tocou na parte interna da coxa esquerda da curandeira que se encolheu ainda mais diante da dor inesperada.
- Maldição, há um corte feio aí.
Hermione sentiu sua saia ser abaixada e então um toque leve suas costas.
- Por favor, abra os olhos. – pediu o loiro com um sussurro, permanecia parado no mesmo lugar em frente a ela.
A mocinha abriu os olhos, mas logo passou a focar o chão, estava nitidamente envergonhada pelo o que haviam feito com ela. Permaneceu parada e quieta até ser erguida do chão por braços forte que a sustentaram com firmeza e delicadeza.
- Não, não lute. – a voz sussurrou baixinho no seu ouvido, ele se levantou com elas nos braços. – Está muito fraca, e eu não lhe pretendo fazer mal.
O tom de voz era carinhoso, mas ainda assim, como um animal ferido e acuado, Mione sentiu mais lágrimas arderem em seus olhos.
- Não me faça mal. – agitou as pernas, tentado se libertar do homem.
Ele apertou mais forte, e Hermione gritou ao sentir dor no ferimento da coxa.
- Eu disse para não lutar, vai se machucar ainda mais. Está tudo bem! Não tenha medo.
- Há quanto tempo não come? – perguntou pela primeira vez o outro soldado, que tinha cabelo ruivo.
Ela apenas o olhou e com um gesto violento tentou sair dos braços do outro homem.
- Quietinha aí, moça. – riu o ruivo que se mantinha de pé.
Sentiu a mão masculina apertar mais sua cintura e estremeceu.
– Não! - grunhiu.
Foi então que Draco olhou para Rony e apontou para o cantil preso na cintura do ruivo.
- Não vai acontecer nada com você. – Rony encostou o cantil nos lábios da garota, mas ela tentou afastar o rosto.
– Calma. – sussurrou Draco. – É apenas água. Beba!
- Harry nos mandou. – disse Rony sorrindo. – Não tenha medo.
Lentamente Hermione bebeu a água, e então se deu conta de como estava com sede. Tentou se soltar novamente, mas sentiu sua cabeça doer e tudo em volta rodar.
- Não se esforce. Vai ficar bem agora.
Quando o homem loiro começou andar, o corpo feminino enrijeceu. Hermione olhou para os três soldados caídos dentro da cela, e seu corpo tremeu.
- Está a salvo agora, vamos levá-la para o quarto do Lorde Harry. – tranqüilizou-a.
- Obrigada. – murmurou baixinho.
Ele apenas sorriu e continuou andando.
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Apenas uma observação: O capítulo 2 já está pronto!!!
Beijo