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8. Os Ciganos


Fic: Da Magia á ilusão com CAPA


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Draco dormiu profundamente durante a noite. Contudo, esperara mexer-se e virar-se até a aurora, amaldiçoando-se por ter agido como se quisera Gina, por ter se imaginado puxando-a junto a si e beijando-a, tão forte que a deixaria sem fôlego, de modo que tivesse que apoiar-se em si... e essa era uma imagem que ele não precisava ver. Felizmente, o sono misericordioso dominou-o, e dormiu ininterruptamente até ao amanhecer.
Timothy acordou-o, tão cuidadosamente como se Draco pudesse quebrar-se – ou pior, explodir - se chamasse alto demais.
- H-Hora de ac-acordar, Alteza – disse silenciosamente, parado ao lado da cama e parecendo nervoso.
O príncipe despertou lentamente, piscando e levantando seus cotovelos. Por um minuto ficou perdido em contemplar ao seu redor; esse quarto não era o mesmo que em seu castelo, ou o da Mansão Malfoy. Quando lembrou do lugar onde estava, as memórias da noite anterior ocorreram-lhe. Naquele instante pediu à Deus que nunca tivessem acontecido. Ele não podia deixar uma Weasley como Gina atravessar sua pele e entrar em seu sangue. Simplesmente não podia. Pois assim que as coisas voltassem ao normal, assim que estivessem de volta às suas épocas habituais, ele não se sentiria assim por ela mais. Os sentimentos que tinha dentro de si eram simplesmente criados pela falta de esperança e confusão da situação. Eles desapareceriam no instante em que estivesse em casa, são e salvo no ano de 1997.
Então precisava esquecer como havia sido maravilhoso sentir a pele dela tocando a sua. Tinha de esquecer as sensações que resultavam dos dedos dela arranhando sua bochecha quando seus lábios estavam perto, e como era fantástico passar seus dedos nos cabelos sedosos e fogosos dela. Precisava tirar tudo isso da cabeça e pensar coisas negativas dela. Pensar em como ela era irritante quando estava brava. Em como era nova, ingênua e inocente. Em como era totalmente errada para ele.
- A-Alteza – irrompeu Timothy, invadindo os pensamentos de Draco – O ca-café da manhã l-logo será ser-servido. V-Você se importa se e-eu o vestir?
Malfoy não tinha outra escolha. É claro que se importava, mas não iria impor-se.
Então desceu até o salão de jantar trinta minutos depois, com Timothy em seus calcanhares. A única coisa em sua mente, felizmente, era quando voltaria à Gales e poderia visitar Dumbledore mais uma vez; talvez tentar convencê-lo de que Draco não precisava de Gina com ele quando conversassem sobre... o que quer que fossem conversar. Não estava, de fato, pensando em uma certa princesa de cabelo vermelho com quem estaria casado em menos de duas semanas...
Emburrado, entrou no salão e achou Elle já sentada na mesa. Em sua frente, na transversal, estava Tom.
Draco parou, lentamente olhando em volta do aposento gigantesco quase vazio. Onde estava seu pai? Os pais de Gina? Gina?
- Venha, Draco, a comida está esfriando – chamou Elle – Não fique parado aí...
Draco, sem expressão, sentou ao lado da irmã, e em frente a Tom. Um momento tarde demais percebeu que, quando Gina chegasse, se o fizesse, seria forçada a sentar na cabeceira da mesa ou parecer rude; teria que se sentar entre ele e Tom. E, tendo conhecimento do que a garota achava dele, ela não gostaria nem um pouco.
“Ah, dane-se” pensou o príncipe, dando de ombros e tirando isso da cabeça.
Olhou de relance ao doutor enquanto servia-se. Tom tinha uma expressão agradável, com um sorriso pequeno, como se estivesse feliz ou satisfeito com alguma coisa. Parecia interessado em sua comida, fitando-a, mas olhou para cima de repente, apenas para encontrar seus olhos azuis brilhantes com os cinza de Draco.
Normalmente, o loiro teria encarado de volta até o outro vacilar antes, mas algo no olhar de Tom gelou-o. Raramente, se nunca, sentia medo, mas algo nos olhos do médico mandou um preocupado calafrio até seu estômago.
Quando Riddle piscou, Draco desviou o olhar rapidamente, o sentimento estranho desaparecendo imediatamente. Então sentiu-se tolo, amaldiçoando-se mentalmente. Tinha absolutamente razão alguma para teme-lo, mesmo que remotamente. Só porque Tom se parecia com o Lord das Trevas jovem, não significava que realmente o era. Não havia possibilidade de ser o real Tom Riddle, pois Voldemort estava morto no futuro, e não podia tê-los enviado ao passado.
Draco lembrou o que Gina havia lhe contado sobre seus sonhos na noite anterior. É claro, faria muito sentido se Tom fosse quem estava assassinando famílias, porque... bem, pois simplesmente fazia sentido. Nenhuma outra pessoa dessa época seria violenta o bastante para isso, e mesmo se Tom não fosse Riddle, talvez tivesse os mesmos instintos assassinos do original.
Entretanto, isso ainda não dava a Draco uma razão para sentir medo. Não tinha provas de que Tom não era de fato o médico gentil e jovem que conseguira curar Gina rapidamente. Uma parte de si mesmo acreditava que ela realmente sonhara com ele matando pessoas, mas essa parte não era uma fonte confiável. Sonhos eram sonhos – podia ser apenas o subconsciente dela dominando-a à noite e colocando seus maiores temores em imagens.
Como se por sinal, Gina entrou no salão. Draco fingiu não notar, mexendo em sua comida, e ouviu seus passos hesitarem perto da entrada, antes de lentamente recomeçarem a se mover novamente.
Tom, que de qualquer forma não cumprimentara Draco, contemplou Gina entrar e sorriu.
- Bom dia, Virgínia.
Ela não respondeu quando sentou em seu lugar na cabeceira da mesa, entre Tom e Draco.
Houve um longo silêncio, quase constrangedor. Draco mal podia ouvir Elle, que estava ao seu lado, mastigando. Até ela pareceu notar a grande tensão no ar e manteve-se séria.
Então Tom achou um assunto e perguntou educadamente:
- Como foi o baile, Gina?
Malfoy notou que o médico parecia falar apenas para ela. Fitando-a, viu que mantinha seus olhos baixos, mordendo seu lábio inferior. Como sabia que não iria responder, Draco falou lentamente:
- Foi chato.
Tom encarou-o, e mais uma vez sentiu uma onda de medo atravessar seu corpo.
- Estou muito triste por não ter podido comparecer – disse Riddle.
- Eu também – Elle intrometeu-se, ávida para conversar – Mas Draco está certo; foi terrivelmente chato. Eu não tive permissão para dançar porque era a mais nova...
- Você dançou, Gina? – cortou Tom, ignorando completamente a pequena. Draco notou a luz nos olhos dela morrerem assim que baixou seus ombros, franzindo as sobrancelhas para sua comida.
- Sabe, a minha irmã estava falando com você – bradou para Tom, sentindo a necessidade de defender Elle – Mesmo que não estivesse prestando atenção, você poderia ter esperado-a terminar.
Gina encontrou seus olhos, e Draco podia ter jurado que ela sorriu cuidadosamente para ele.
- Sinto muito, Isabella – disse Tom educadamente, dando um sorriso a ela – Às vezes me perco em meu próprio mundo e não noto as coisas. Mas continue.
Elle abriu a boca para responder, parecendo feliz novamente, quando Draco indagou repentinamente:
- Não nota as coisas? Você não percebeu que ela estava falando?
Tom parecia divertido enquanto Elle queixou-se:
- Dra-co!
- Não estou com fome – anunciou Gina de repente, levantando-se bruscamente. Não havia tocado na comida, seu prato continuava vazio – Vou dar uma volta.
- Permita-me acompanhá-la – ofereceu Tom, apressando-se também.
Draco nem ouviu o bufo de irritação que Elle deu por estar sendo esquecida. Estava estudando a expressão de Gina ao encarar Tom. Ela perecia quase assustada.
- Não! Você não precisa – insistiu antes de dar a volta e correr do salão.
Tom parou no meio do aposento, suas sobrancelhas elevadas em surpresa. Virou-se para Draco e deu de ombros.
- Não sei por que ela tem medo de mim – disse simplesmente, retornando ao seu assento – Ela foge toda vez que tento ser gentil.
Draco preferiu não responder. O que diria?
- Papai está na cidade com os pais de Gina – anunciou Elle, tentando encher o ar com conversas – Outra família foi assassinada.
Malfoy tentou ver a reação de Tom. Ele meramente umedeceu seus olhos em surpresa, parecendo interessado, e disse:
- Isso é horrível. Quantas famílias já são agora? Cinco?
- Seis – disse a garota, concordando tristemente, apesar de dificilmente conseguir conter sua felicidade por Tom prestar atenção nela.
- Você tem idéia de quem está fazendo isso? – indagou Draco casualmente, apesar de saber que a pergunta era longe de ser normal.
- Por que eu deveria saber? – gritou Elle.
- Não você, ele – bradou Draco um pouco rigidamente demais, apontando para Tom.
- Não tenho um palpite – declarou ele.
Draco encarou-o por um momento longo demais, e depois voltou ao seu prato. “Tudo parece piorar” pensou, franzindo o cenho. “e nunca melhorar.”
* * *
Gina esbravejou para fora do salão, tentando acalmar-se. Tinha que agir serena e indiferente na presença de Tom, não totalmente assustada. Deixando-o saber que estava com medo não a levaria a lugar algum. Apenas demonstrava sua fraqueza.
Mas simplesmente o jeito arrogante que ele encarava-a era o suficiente para enlouquece-la. Às vezes o aborrecimento dominava o medo, e apesar de Gina sentir-se fria por dentro sempre que ele encarava- a, podia sentir seu rosto corar de raiva. Como ele conseguia provocar tantas reações nela? Sabia que ele era mau, mas ainda... sentia-se confusa.
“Preciso falar com Draco” percebeu, parando no fim do corredor. Ficaria aguardando-o sair do salão de jantar. “Espero que Tom não venha primeiro” adicionou mentalmente.
Depois de ficar parada ali por dois minutos, ela ficou absolutamente entediada, então caminhou até a janela. Foi com esforço que conseguiu puxar as cortinas pesadas de veludo para o lado, enfiando-as atrás do vidro para deixá-las fora do caminho. A janela era alta, e o vidro, frio, já que havia um pouco de neve caindo lá fora. Estando no primeiro andar, era difícil ver algo além do vasto chão branco, mas ainda era melhor que olhar para as paredes.
Ela contemplou a rua, com a mente vazia, quando ouviu passos vindo do salão de jantar. Olhando para essa direção, viu que para seu alívio – e boa sorte – era Draco, que felizmente saíra antes de Tom. Ela fez sinal para ele se aproximar, e quando o garoto parou em sua frente, falou:
- Precisamos dar o fora daqui – anunciou silenciosamente, mas com urgência.
- Você acabou de descobrir isso? – perguntou ele ironicamente.
- Estou querendo visitar aquela mulher, Alexandria, há dias – continuou, ignorando-o – Estava pensando... – mas interrompeu-se, contendo-se. Estava prestes a dizer “Estava pensando em ir com Harry”, mas Draco não precisava saber disso – Sei que é agora ou nunca. E ainda me afastará de Tom.
- Outra família foi assassinada, sabe – contou ele casualmente, seus olhos vazios, seu rosto sem emoção.
Gina sentiu o sangue deixar sua face.
- Deus, então era lá que ele estava ontem à noite – murmurou, seu estômago dando voltas – É por isso que ele não foi ao baile. Será que ninguém nesse maldito mundo percebe que sempre que ele some, os assassinatos acontecem? Não sabem somar dois mais dois?
- Gina, – começou Draco, com um pitada de irritação em seu tom de voz – ele é respeitado, um dos médico mais famosos do mundo. Eles iriam suspeitar de você antes dele. Pense nisso.
O horror dela lentamente fundiu-se em fúria. Por um momento, teve uma louca visão de Draco sendo o companheiro de Tom. Seria possível? Ela perguntou-se, fitando-o irritadamente quando pensou rapidamente: “Não, não pode ser. Ele estava no baile ontem.”
Mas não tivera um pesadelo noite passada sobre o assassinato que ocorreu durante o baile. Por tudo que sabia, Tom podia tê-lo cometido sozinho dessa vez.
- De que lado você está, de qualquer forma? – bradou ela severamente – Se eu não soubesse melhor, diria que você é quem está ajudando-o!
Imediatamente, arrependeu-se destas palavras, desejando que pudesse retirá-las. Os olhos de Draco umedeceram, e depois escureceram de raiva. Ele ficou pálido antes corar levemente nas bochechas. Dando um passo a frente, posicionou seu rosto bem perto do dela. Assustada, ela caminhou para trás com uma arfada, descobrindo que suas costas estavam agora pressionadas contra a janela fria.
- Você não sabe melhor – sussurrou ele cruelmente, seu rosto tão próximo do dela que seus narizes estavam quase se tocando; seus olhos cinzas quase fundiam-se em um grande – Então não faça acusações das quais não sabe merda alguma.
Ela ficou mais surpresa que assustada dessa repentina demonstração de raiva. Levantou suas mãos e colocou-as entre ambos, pressionando-as contra o peito dele em uma tentativa de empurrá-lo. Ele não moveu-se e continuou olhando-a nos olhos.
- Saia... de perto, Draco – ofegou, perguntando-se por que achava ele tão irresistível quando estava praticamente ameaçando-a. Os sentimentos que sentira apenas na noite anterior invadiram-na novamente, percorrendo seu corpo até que achou difícil continuar de pé. Atrás de si, o gelado do vidro estava entrando em suas roupas. Mas em sua frente, o calor de Draco dominava-a, como se não estivesse vestindo nada, como se nada pudesse bloquear o toque dele.
De repente, sem aviso, a boca dele foi de encontro com a dela, devorando-a. Imediatamente cada pensamento normal, sensível e racional desapareceu da mente da garota quando correspondeu o beijo com a mesma paixão, sabendo que no fundo era aquilo que quisera o tempo todo...
Ele estava apoiado nela, pressionando-a contra a janela. Draco beijou-a com tanta força que a cabeça dela realmente bateu no vidro, e ela meramente notou. Não sentia mais o frio da fresta; agora tudo era fogo. Fogo em suas veias, em sua pele, em sua boca... Estava definitivamente tendo dificuldades em continuar em pé.
As mãos dele estavam segurando os ombros dela fortemente, como se estivesse mantendo-a em pé. De repente os seus lábios deixaram os dela e percorreram a bochecha, e depois o pescoço de Gina. Ela fechou os olhos, desejando que aquilo nunca acabasse.
Suas mãos estavam em volta do pescoço dele, aderindo-se a ele enquanto puxavam-no mais perto. Draco dava beijos frenéticos na garganta dela, em sua clavícula, até finalmente retornarem à sua boca.
“Isso é inacreditável” ela conseguiu pensar vagamente, de forma perplexa. Estava beijando Draco tão ferozmente quanto ele a beijava, e estava começando a ficar abobada. “Ninguém iria acreditar que uma hora nos odiávamos.”
O pensamento foi como um balde de água fria caindo em sua cabeça. Contudo, ainda custou grande esforço para decidir acabar o beijo. Descobrindo que não podia mais mover sua cabeça para trás, puxou-a para o lado, fechando os olhos e abaixando-a, o que deixou Draco repentinamente beijando sua bochecha. Por um momento, nenhum dos dois moveu-se; ela podia sentir o nariz do garoto pressionado contra o lado do seu rosto, seus lábios meramente tocando-a, seu fôlego quente na pele dela. Os braços de Gina deslizaram frouxamente dos ombros dele e voltaram para o lado do seu corpo, e custou todo o seu autocontrole para não agarrá-lo novamente.
“O que estou fazendo?” perguntou-se. “Esses sentimentos... não podem ser reais. Não posso estar me sentindo assim por Draco Malfoy. Eu odeio esse idiota nojento. Ele me odeia. Só estamos agindo assim por causa...”
Por causa do quê? Ela não tinha certeza. Era por que eles estavam em um mundo completamente diferente, e por isso que tinham sentimentos totalmente diferentes? Havia algum tipo de magia no ar que o tornava tão sedutor para ela, e vice-versa? Ou era simplesmente por que ela sentia-se sozinha, e tão apavorada, que seria capaz de agarrar qualquer coisa familiar, até o desprezível Draco Malfoy?
“Ele não é desprezível” corrigiu-se, quase automaticamente. “Bem pelo contrário, na verdade. Ele é um dos melhores beijoqueiros que já conheci. Diabos, ele é o melhor.”
A pesada inspiração de Draco trouxe-a de volta para a realidade, e ela começou a falar quando ele separou-se dela.
- Por que você está fazendo isso, Draco? – perguntou calmamente.
Lentamente, ela virou sua cabeça para encontrar os olhos dele, e achou-o fitando-a intensamente. Calafrios desceram a sua espinha – calafrios agradáveis. Por que estava sentindo-se de repente tão atraída por ele? Desde quando isso começara? Parecia ter aparecido da noite para o dia.
- Porque você me deixou – ele respondeu, soando como se estivesse com os dentes cerrados.
O coração dela pareceu cair até seu estômago antes de retornar ao seu peito e bater loucamente atrás de suas costelas. Não conseguia olhá-lo nos olhos mais, precisava desviar... e contudo, não conseguia. “Isso não pode estar acontecendo” pensou. “Tudo não pode passar de um sonho horrível. Tudo! Estou ainda dormindo em Hogwarts, e quando acordar, tudo estará bem...”
Entretanto, ela desistira de pensar que tudo era um sonho no primeiro dia que chegara. Isso estava realmente acontecendo. E estava mesmo começando a se apaixonar por Draco. Não podia mais evitar, assim como não podia evitar sozinha que Tom assassinasse pessoas. Ela queria – Deus sabia como o queria – mas simplesmente não conseguia.
Respirando instavelmente, conseguiu finalmente evitar os olhos dele e olhar para acima da cabeça do garoto, em direção ao teto.
- Não – disse estupidamente, sua voz soando miserável até para si mesma – Apenas... não.
Vagamente perguntou-se por que estava dizendo algo que não acreditava nem um pouco. Talvez seu bom senso estava dominando-a, e mais tarde ficaria grata. Mas agora ouvia sua mente gritando para ela: “O que você está fazendo? Você não sabe o que está dizendo! Rápido, peça que ele fique...”
Ela já havia pedido para ele ficar uma vez, de qualquer forma. E ele não ficara. Não planejava pedir novamente.
Achando coragem para encará-lo de novo, ela teve apenas um breve segundo para olhar dentro daqueles olhos escuros e perturbados, antes dele desviá-los e desvencilhar-se dela. Então prolongou-se e caminhou, dando longas passadas no corredor até dobrar na esquina e desaparecer.
Gina soltou um suspiro alto, perguntando-se por que se sentia tão fria de repente. Foi então que lembrou-se que estava apoiada na janela, e afastou-se, silenciosamente amaldiçoando seus joelhos por ainda estarem tão instáveis. Alisou a frente da sua saia, tentando abaixar os batimentos do coração, virou-se e caminhou no sentido oposto da direção que Draco tomara.
“Preciso pensar em outra coisa senão ele” ponderou. Lambendo seus lábios distraidamente, descobriu que eles ainda tiniam da sensação dos de Draco contra si. “Por exemplo, como vou até Alexandria” adicionou firmemente, como se censurando por já ter pensado no garoto loiro.
Então a primeira coisa que tinha que fazer era achar Harry. Já que definitivamente não podia contar com a companhia de Draco, ele era sua segunda alternativa. Bem, na verdade, ele havia sido sua primeira alternativa o tempo todo. Mas tinha pensado que talvez fosse melhor ter Draco por perto.
Agora pensava diferente. Tinha certeza que não saberia como agir perto dele. Depois que o aborrecera, e o empurrara quando a tinha beijado? Sem mencionar quão constrangedora a conversa fora. Não tinha como sentar calmamente e casualmente ao lado dele na carruagem – ficaria inconfortável o tempo inteiro e coraria por qualquer motivo.
Seria melhor se fosse só com Harry, como havia planejado originalmente.
De volta ao seu quarto, achou Maria e outra aia fazendo a sua cama.
- Maria, – disse – pode achar Harry para mim, por favor? Diga que estamos indo ver Alexandria imediatamente. E mande preparar uma carruagem para nós.
Gina não gostava de mandar nas pessoas assim, parcialmente porque na realidade todos eram iguais, e sabia que não gostaria se alguém ficasse ordenando coisas para ela. Mas Maria sorriu em compreensão e correu para fazer o que fora pedido.
A outra aia continuou a fazer a cama. Gina sentou em uma cadeira, encostando suas costas bruscamente, e esperou que Maria retornasse.
* * *
Draco não conseguia tirar sua mente de Gina. Não importava o que fizesse, e não importava quão severamente censurasse-se, simplesmente não conseguia pensar em algo senão ela.
“O que há de errado comigo?” pensou furiosamente. “Isso não pode estar acontecendo. Realmente não pode.”
A única coisa que estava mantendo-o equilibrado era o fato de que assim que estivesse de volta à sua época habitual, retornaria à sua vida normal e esqueceria completamente dela. Cada fantasia boba e sentimento quente que tinha por ela iriam evaporar como se fossem um sonho ruim – ou melhor ainda, esqueceria-se de tudo, e nunca lembraria de novo.
Entretanto, se isso não acontecesse, se continuasse a pensar constantemente em Gina Weasley na época em que ela tinha seis irmãos crescidos, então ele estaria perdido. Recusava-se a deixar isso acontecer.
“Assim que as coisas voltarem ao normal,” decidiu “vou achar uma namorada Veela para mim, e esquecer essa Gina simples, com sardas e cabelo vermelho.”
Contudo, ficar sentado ali, fumegando com seus sentimentos por ela, não iria faze-los ir embora. Precisava fazer algo que mantivesse sua mente e mãos ocupadas. Pela primeira vez, realmente desejou que estivesse fiscalizando a construção de seu novo castelo, e talvez até ajudasse um pouco. Pelo menos passaria o tempo.
Talvez devesse achar Elle. Certamente ela saberia o que havia de divertido para fazer dentro de castelos estúpidos e chatos. Ela o manteria ativo por algumas horas.
Ele foi até o quarto dela, sem incomodar-se em bater e logo se intrometeu. Ela não estava ali, o que não deveria ter sido uma surpresa, visto que por que uma garota de sete anos energética gostaria de ficar trancada em seu quarto o dia todo?
O quarto de Elle era talvez o mais claro que havia visto em todo o castelo, porque ela tinha deixado as cortinas das duas janelas grandes puxadas. Apesar de ser um dia cinza e nublado, elas definitivamente iluminavam a área.
Draco deu a volta, decidido a ir embora, quando ouviu o relincho de um cavalo na rua. Perguntou-se se seu pai estava de volta. Se estava, então eles provavelmente estariam partindo para casa em breve, o que Draco achou-se apreciando.
Atravessando o quarto, dirigiu-se a uma das janelas que tinha a vista para a frente do castelo. Próxima à rua principal, viu uma carruagem escura. A cor não era identificável daquela distância, mas o esplendor e o brilho dela eram, e Draco perguntou-se por que a diligência em que andara não era tão magnífica como essa. Quatro cavalos, tão brancos que se confundiam com a neve, estavam amarrados à frente, e aproximadamente uma dúzia de cavaleiros estavam de guarda na porta.
“Bem, é claro que é mais bonita que o meu transporte.” percebeu ele. “Provavelmente o rei e a rainha estão ali...”
Essa teoria foi rapidamente esquecida quando um dos guardas abriu a porta, e ninguém saiu. Ao invés disso, alguém entrou. Draco não podia ver quem era, pois estava longe demais, mas um segundo depois, uma figura de cabelos vermelhos brilhantes seguiu, abaixando a cabeça. Depois, o cavaleiro fechou a porta da carruagem.
“É a Gina” reconheceu, emburrado. Aonde ela pensava que estava indo? E quem estava com ela?
Draco observou, aborrecido, quando alguns cavaleiros subiram no exterior do transporte, claramente segurando-se em algum tipo de cabo e colocando seus pés em uma banqueta. O motorista buzinou agudamente, tão alto que até o príncipe ouviu, e os cavalos começaram a marchar na rua coberta de neve, indo em direção à cidade.
Aonde ela está indo? Perguntou-se, antes da resposta surgir de repente em sua mente. É claro. Ela estava indo ver Alexandria. Ela tentara convidá-lo para ir junto, mas ele fora um idiota total e a beijara, dando um motivo à ela para quere-lo o mais longe possível.
Contudo, por mais estúpido que deixou-o, ele também sentiu uma fagulha de veemência. Ela quisera que ele a acompanhasse. Será que ela realmente esperara levá-los ao século vinte sozinha? É claro que não. E mais, se Alexandria tinha um jeito de transportá-los para o futuro, ele precisava estar presente, não é? Ela dissera que não iria embora sem ele.
Frustrado, ele saiu da janela com um resmungo. Bem, então ele iria segui-la. Não deixaria ela voltar ao futuro sozinha.
Não havia tempo para preparar uma carruagem para ele, então iria a cavalo. É claro, só havia andado a cavalo uma vez, quando tinha nove anos e sua mãe insistira que fosse a um acampamento. Tinha sido no verão em que seu pai estivera fora em uma missão importante com seus amigos Comensais da Morte, e não soubera do acampamento até voltar. Quando descobriu que seu filho havia sido mandado à um acampamento trouxa para aprender a andar a cavalo, ele brigou com Narcissa, antes de bater várias vezes em Draco por simplesmente ter concordado em ir. Tinha sido um dos piores verões da vida do jovem. E o que aprendera do acampamento? Nada. Só havia andado a cavalo uma vez, que empinara e fizera o garoto cair, raspando seus cotovelos. Então basicamente, fora completamente inútil ter ido, pois nem aprendera a cavalgar.
Mas isso foi há dez anos atrás, e agora os cavalos não pareciam tão grandes como pareceram quando tinha nove anos. Sem mencionar que realmente não tinha outra escolha. Se tivesse que andar a cavalo para voltar à sua época normal, então andaria.
Quando Draco chegou, havia uma garota no estábulo limpando uma cela. Surpreso por ver uma moça magra curvada, escovando estrume de cavalo, ele limpou a garganta para anunciar sua presença.
Ela virou-se, e apressadamente apoiou a escova que estivera usando na parede do estábulo e endireitou-se. Parecia ter quinze anos, com cabelo castanho claro puxado para trás, e um vestido marrom que parecia uma mochila de tecido barato. Sua pele estava manchada de sujeira – ou talvez até estrume – e ela parecia que comia uma ervilha em cada refeição.
- Sim, Alteza? – soava ofegante, tanto pela excitação de estar perto dele quanto pelo seu trabalho.
- Você pode me dar um cavalo? – perguntou rapidamente.
- É claro – respondeu ela – Qual o senhor requer?
- Qualquer um que seja o mais rápido de selar... ou qualquer um.
- Bem, suas Majestades possuem uma ótima seleção de cavalos rápidos e bons – explicou – Aproximadamente uma dúzia de garanhões, alguns dos mais rápidos da Europa...
Draco sentiu a impaciência começar a dominá-lo. Quanto mais falavam, mais distante a carruagem de Gina ficava. Se continuasse assim, seria difícil alcança-los, isso se pudesse achá-los em primeiro lugar.
- Escolha um que você goste – murmurou ele. Não se importava com qual era a raça. Mas então adicionou – Um rápido, de preferencia.
A garota ousou um sorriso, parecendo não ter acreditado que ele dissera para escolher um que ela gostasse. Então correu para um estábulo próximo – Draco percebeu que ela não usava sapatos, e estavam no meio do inverno – e deu um tapinha carinhoso no nariz de um cavalo perto.
- Esse é o Jack, um dos mais rápidos. Costumava ser o cavalo de guerra da Sua Majestade, até Sua Majestade parar de tomar partido na guerra. Ele...
- Ótimo, ótimo – interrompeu Draco – Apresse-se, está bem?
- Sim, Alteza – disse a garota com uma leve reverencia.
Levou uns bons dez minutos até Jack ficar pronto para ser cavalgado. Murmurando um obrigado para a garota, Draco conduziu o cavalo para o outro lado do celeiro, onde poderia tentar montar longe dos olhos de alguém. Sabia que pareceria ridículo.
Felizmente, conseguiu subir na sela sem muito trabalho. Assim que conseguiu, entretanto, olhou para o chão, inseguro. Certamente o cavalo não podia ser tão alto assim.
Xingando-se por estar preocupado, agarrou as rédeas e colocou os calcanhares nas alas de Jack. Esperava que essa fosse a maneira de mover o animal, e quando ele começou a galopar, descobriu que estava certo.
Custou alguns minutos para deixar Jack a meio galope, mas conseguiu, e finalmente estavam ganhando velocidade. Draco tinha esquecido como odiava estar em um cavalo. O balanço era pior que o da carruagem, e um pouco mais doloroso. Percebeu que tinha que se levantar levemente nos estribos, e se elevar da sela, para estar inteiramente confortável. Depois de um tempo, seus músculos da panturrilha começaram a doer, pois suas pernas estavam em um angulo estranho.
Forçando-se a ignorar tudo que estava dando errado no maldito cavalo, concentrou-se na direção que a carruagem de Gina havia tomado. Havia a estrada direta que dava na cidade, através de aproximadamente vinte minutos na floresta. Esperançosamente, se fosse rápido, poderia alcança-los enquanto estavam ainda na floresta, e não perde-los no tumulto da cidade.
“Isso é realmente desconfortável” pensou Draco franzindo o cenho, tentando balançar no ritmo do cavalo. Ele iria matar Gina quando a alcançasse. Poderia estar dentro da carruagem com ela, mas não. Tinha que estar andando a cavalo, um cavalo que parecia afundar a terra tão pesadamente toda vez que levantava um dos cascos que um mastro de metal parecia estar batendo entre as pernas de Draco.
A floresta estava assustadoramente silenciosa, e tudo parecia branco. As folhas das árvores e os arbustos estavam cobertos de neve, e havia pelo menos seis polegadas dela no chão. Até os galopes de Jack eram abafados . Mas Draco estava concentrado demais em dominar a sela para prestar atenção na serenidade.
A rua era torta e em ia curvas na floresta, então era impossível ver a carruagem. Draco rezou para que os achasse antes que chegassem na cidade, para que ninguém o visse andando a cavalo como um maluco rígido. Até Jack parecia perceber o quão duro ele estava, e diminuiu a velocidade levemente, como se tentasse dar passos mais leves.
- Vamos, mais rápido – disse Draco sob seu fôlego. Quanto mais rápido fossem, mais em breve alcançariam a carruagem.
Se eles não chegassem logo, ele provavelmente desistiria de Jack e correria sozinho.
* * *
Gina tentou várias vezes puxar conversa com Harry. Mas ele insistia em responder com sentenças monossilábicas, claramente não querendo falar com ela.
- Você nasceu já sendo um dos nossos empregados? – perguntou ela o mais educadamente que podia, apesar de ser uma pergunta constrangedora.
- Sim – murmurou ele, encarando o chão.
- Você gosta?
- Às vezes.
- Você tem férias?
- Não.
- É mesmo?
- É mesmo – seu tom era sarcástico.
- Bem, eu acho que você e seu pai merecem férias, então – disse ela com um esplendor falso – Assim que voltarmos, vou falar com Richard para liberar você e seu pai por algumas semanas. Vou até conversar com eles sobre dar uma viagem a vocês. Vocês podem ir aonde quiserem. O que acha?
Ele fixou-a com um olhar tão frio que ela podia sentir seus olhos encherem de água.
- Idiota – bradou ele – Isso é idiota. Eu não quero nada dos seus pais. E nem meu pai. Nos deixe em paz, está bem?
- E... Está bem – murmurou ela, olhando para baixo e piscando para que as lágrimas cessassem. O que ela poderia dizer para faze-lo confiar nela?
Com um suspiro instável, Gina decidiu parar de tentar conversar. Pelo menos até pensar em um jeito de faze-lo falar. Então endireitou-se, sentindo o corpete incomodar. Se não se sentasse absolutamente ereta, parecia que o ar estava faltando dela.
De repente, veio um alto relincho dos cavalos, e a carruagem parou de solavanco. Harry quase caiu de seu assento, apesar de ter conseguido ficar em seu lugar de alguma maneira. Gina, que estava sentada com as costas para a frente da carruagem, deu à ele um olhar amedrontado e úmido antes de pôr-se de pé. A cabine estava parada, e teve que curvar-se para poder levantar. Moveu-se um pouco para ficar entre os dois bancos. A janela acima da porta estava coberta por um pano, que ela tentou puxar para ver por que haviam parado. Mas com um “humph” de frustração, descobriu que ele estava costurado.
- O que está acontecendo? – perguntou ela, olhando para Harry.
Fora da carruagem, podia ouvir os cavaleiros chamando uns aos outros em vozes urgentes e bruscas. O que a frustrava ainda mais era que não podia nem entender o que estavam dizendo. O tinir das armaduras batendo-se quando se moviam, e o barulho das espadas sendo desembainhadas eram a única dica de que algo estava dando errado.
O coração de Gina estava começando a acelerar, e pressionou sua mão sobre ele, em um desejo de faze-lo diminuir. Provavelmente é apenas um animal selvagem ou algo que o valha, pensou ela. “Os cavaleiros tomarão conta disso.”
Acalmando-se apenas levemente, sentou-se. Harry não parecia assustado; na verdade, parecia até um pouco bravo. Seus olhos estavam revirados parcialmente, mas além disso, seu rosto estava duro e pálido.
Depois de mais um tempo de gritaria e metal batendo, Gina soltou um gemido de impaciência e desistiu de esperar. Assim que alcançou a maçaneta da porta, um dos guardas pareceu saber o que ela estava prestes a fazer, e disse:
- Permaneça dentro da carruagem, Alteza!
Um pouco mais assustada, fitou Harry novamente, cujos olhos revirados revelavam que estava um pouco curioso agora.
- Você sabe o que está havendo, Harry? – perguntou ela, apesar de reconhecer que ele não sabia.
Ele nem ao menos se incomodou em responder. Ela não esperou muito que ele falasse também; logo se inclinou e agarrou o tecido que cobria a janela e começou a puxá-lo. Fez um som de rasgo, mas depois disso parou, não obedecendo à vontade dela.
- Aqui – disse Harry abruptamente, como se acabasse de ter se lembrado de algo. Gina interrompeu-se para observá-lo estender a mão para as suas calças. Um minuto depois, tirou sua mão, revelando uma faca firme em seus dedos – Deixe-me cortar.
Gina sentiu seu corpo inteiro enrijecer e gelar em um gigante bloco de puro medo. Lentamente, recostou-se novamente em seu banco, seu coração batendo tão forte que teve medo que ele pudesse pular de seu peito. Distraidamente pressionou uma mão sobre ele, seus olhos fixos na faca da mão de Harry.
Ele não notou a aflição dela. Agarrando o pano na mão, rasgou a sua parte superior como se fosse um mero papel de seda. Um momento depois, repetiu o processo com a parte inferior.
- Oh, Deus – disse Gina sob seu fôlego. A carruagem parecia estar sacudindo, dando voltas em sua cabeça, e os sons da rua desapareceram. Tudo parecia estar em câmera lenta... tudo menos sem coração.
A faca que Harry segurava parecia um facão ordinário. Tinha um punho simples preto, e uma lâmina prateada do tamanho do braço de Gina, do pulso até o cotovelo. Mas reconheceria essa faca em qualquer lugar.
Era exatamente a mesma faca que Tom usara para assassinar as vítimas.
“Tem certeza?” perguntou a si mesma, forçando seus pulmões a respirar regularmente e profundamente. Estava na beira de arfar e chorar histericamente, tanto de medo quanto de choque. “Você tem certeza que foi Tom que assassinou essas pessoas? Talvez não foi. Talvez você estivesse ocupada demais pensando – rezando – que fosse Tom, quando era Harry o tempo todo. Talvez você quisesse tanto ver Tom como um assassino que não percebeu que não fora ele. Talvez Tom seja uma boa pessoa... e é de Harry que você deve ter medo.”
Mas... mas Harry? Não podia ser. Ela se recusava a acreditar que em ambos os mundos, normal ou maldito, ele mataria pessoas inocentes. Ele era O Menino que Sobreviveu, não O Menino Que Não Deixa Os Outros Sobreviverem.
Contudo, ali estava ele, guardando o facão de volta em sua túnica. Ela observou, como se fosse um sonho que estivesse vendo nebulosamente de uma distância, quando ele inclinou-se e espiou pela janela desimpedida agora, instantaneamente franzindo.
- Ciganos – comentou vagamente.
Ela tinha certeza absoluta que ele usara exatamente esse facão? “Existem muitas facas com punhos simples pretos” pensou.
- Alteza, você me ouviu? Estamos sendo atacados por ciganos...
Era possível que fosse uma arma diferente. Mas por alguma razão, sabia no fundo de si mesma que era a mesma faca. “Harry é o assassino” pensou, seu sangue gelando quando percebeu. Não era Tom. Era Harry.
Ela continuou a encarar o lugar onde ele guardara a faca. Fechando os olhos por um minuto, lembrou-se de um flash de seu sonho. Tom – ou talvez não Tom, mas um rapaz magricelo de cabelos negros – alcançou o punho preto escondido em sua túnica, que parecia incolor na escuridão da noite. Com a sua mão livre, agarrou um punhado de cabelo, pertencente a uma pequena garota chorona.
Sentiu que iria ficar violentamente nauseada. Sua garganta fechou, e seus olhos abriram, lágrimas enchendo-os. “Oh Deus” pensou, segurando sua barriga. “Estou numa carruagem com um assassino. Harry assassinou aquelas pessoas... ele assassinou... assassinou...”
Agora Harry contemplava-a em confusão.
- Alteza...? – começou.
- Você matou eles, não matou? – murmurou ela, sua voz irregular. Estava surpresa que podia até falar.
- Matei quem? Os ciganos? – agora havia um brilho de divertimento nos olhos de Harry; aqueles olhos verdes que uma vez pensara que fossem os mais bonitos do mundo. Agora queria arrancá-los, provocar a ele um pouco da dor que ele causara para todas aquelas famílias.
- Você sabe exatamente de quem estou falando, seu monstro. – irisou ela, sua mão procurando a maçaneta. Sentiu a parede, e não ousou tirar os olhos de Harry para que não fizesse os gesto de pegar sua faca novamente. Teve dificuldade em achá-la, sua mão apalpou a porta cegamente; oh, onde está essa maldita maçaneta?
O divertimento desapareceu do rosto do garoto, e seus olhos tornaram-se pedra dura, sua face uma máscara fria.
- Eu não sei, Alteza. E não sei por que concordei em vir com você; devia ter sabido que você iria logo me insul...
- Eu sonhei com eles, você sabe – murmurou ela, engolindo com dificuldade, quando seus dedos agarraram com gratidão a maçaneta. Tudo que precisava fazer era girar um pouco, empurrar a porta, pular para o chão, e correr o mais rápido que pudesse. Se precisasse, poderia rasgar as suas saias para que fosse mais fácil escapar. Por alguma razão, entretanto, prolongou-se e continuou a falar – Eu pensei que era Tom – Não revelou que ainda desejava com todas as suas forças que fosse ele. Uma pequena parte de si estava gritando por ter realmente acreditado que Harry fosse capaz de fazer mal a uma pessoa.
“Mas foi ele.” A parte mais sábia disse tristemente. “Ele tem a faca. Ele tem a mesma faca...”
- Eu não sei do que você está falando, Alteza – disse Harry friamente.
- É claro que sabe! – bradou ela tão repentinamente e com tanta força que Harry assustou-se – Você assassinou todas aquelas famílias! Eu vi que foi você! Você tem a mesma faca...
- Assassinei? – A frieza de Harry dissolveu-se em descrença, e ele sentou-se ereto – Você acha que eu assassinei todas aquelas pessoas?
- Eu não acho; Eu tenho certeza! – gritou. Então fechou os olhos brevemente, perguntando-se por que continuava ali, enquanto ele podia, a qualquer hora, agarrar a faca e apunhala-la. Dessa vez, quando pensou em seus sonhos, trocou os traços de Tom pelos de Harry. Em seus pesadelos, seu rosto fora sempre escuro, encoberto nas sombras; e ela percebeu que provavelmente era a maneira que o seu subconsciente tinha de esconder o verdadeiro assassino dela.
Foi invadida por tanto medo agora que achou difícil respirar. “Preciso dar o fora daqui!” pensou freneticamente. “Não posso ficar nem mais um segundo.” Sentia-se como se estivesse prestes a chorar nervosamente a qualquer minuto.
Girou a maçaneta e saltou do banco, usando seus ombros para empurrar a porta. Ela abriu-se de sobressalto, e saiu, meramente conseguindo permanecer de pé quando pisou na neve.
Cega pelas lágrimas, já paralisada demais de medo para sentir o frio, deu alguns passos para longe da carruagem. Suas várias saias, os trapos gigantes e irritantes, pesavam dez vezes mais agora que estava de pé. Não teria tempo de parar e arrancá-los. A única maneira de se livrar delas era remover o corpete também.
“Esqueça as roupas!” sua mente ordenou. “Preciso só dar o fora daqui!”
Secando seus olhos, – pois eles estavam bloqueando tanto sua visão que era difícil ver mais de dois ou três pés à sua frente – levantou a perna e preparou-se para correr o mais rápido que pudesse para dentro da floresta, para perder Harry. Talvez pudesse achar o caminho de volta para o castelo, ou achar um camponês em uma rua diferente que pudesse levá-la. De qualquer forma, precisava chegar o mais longe possível da carruagem.
Ela dera apenas três passos quando seu pé prendeu-se em algo, e deu de cara na neve. O gelo queimou suas bochechas, que já estavam molhadas de lágrimas, mas não podia estender-se nisso. Tinha que se levantar e correr. Colocando ambas as mãos no chão, rapidamente dobrou as pernas, encurvando-se, e preparando-se para ficar de pé. Mas por um acaso acabou olhando para trás por um instante para ver no que havia tropeçado.
Um grito morreu em sua boca. Seu coração começou a bater tão ferozmente que podia senti-lo em sua garganta.
Um cavaleiro de armadura prateada, estava esparramado de costas, imóvel e rígido. Sangue estava jorrando de algum ferimento abaixo do seu peito, deixando a neve em um tom vermelho escuro. Gina tivera seus joelhos apoiados no sangue pegajoso apenas há um segundo atrás, e olhando para o chão, viu que sua saia branca estava manchada.
“Isso não pode estar acontecendo” pensou, tentando acalmar-se. Entretanto, naquela hora, não pensava que fosse ficar calma novamente. “Estou de volta ao castelo, tendo outro pesadelo. Tudo isso é um grande pesadelo. Harry simplesmente não pode ser um assassino...”
- Alteza! – chamou a voz de Harry – Aonde você vai? Ciganos estão atacando!
Gina tirou os olhos do cavaleiro infeliz para fitar a carruagem. Harry estava começando a sair dela, com o cenho claramente franzido.
Virando sua cabeça para o lado, notou outro corpo, e teve que abafar um grito. Abaixou-se e se apoiou com as mãos, distraidamente sentindo a neve em sua pele, mas sem se importar. Caído no chão, perto dos cavalos, estava o motorista. Ele não estava se movendo, e havia sangue em sua volta.
Olhando a volta freneticamente, tremendo como uma folha, viu mais quatro cavaleiros, todos no chão, tanto na rua lamacenta quanto na beira da floresta. Harry havia matado-os todos? Pensou desordenadamente, todos os pensamentos racionais voando de seu cérebro. “Enquanto eu não estava olhando, foi isso que ele fez? Oh, Deus, estou presa aqui com ele!”
Harry caminhou até a margem da rua, olhando-a emburrado. Gina apressou-se com seus pés e mãos. Não tinha certeza se podia levantar-se; seus joelhos estavam fracos demais. E mesmo se conseguisse ficar de pé, não havia como fugir dele. Ele não estava usando cinqüenta saias e frágeis sapatos femininos como ela. E mais: se realmente quisesse faze-la parar, tudo que precisava fazer era atirar a faca nas costas dela, o que certamente a faria diminuir a velocidade.
“Não posso acreditar que vivi para ver o dia em que fiquei absolutamente apavorada por Harry Potter” pensou Gina, tentando abafar uma lamúria. “Esse mundo definitivamente não é lógico.”
Ele não estava tentando se aproximar mais, mas Gina ainda assim sentiu-se petrificada imediatamente. Logo quando estava conseguindo coragem para levantar e começar a correr, um movimento a distraiu, e tirou os olhos de Harry por um breve momento para mirar acima. Alguém havia subido no topo da carruagem atrás dele silenciosamente, e, sem avisar, pulou para baixo, logo atrás de Harry. O intruso conseguiu agarrá-lo por trás quando guarneceu um braço ao lado do peito de Potter, e a força da sua queda fez o homem cair no chão. Então puxou Harry com ele; e o garoto teve tempo apenas para soltar um gemido de surpresa antes de ser arrastado repentinamente para cima do homem.
Por um instante, Gina observou-o lutar com o homem, deixando o alívio infiltrar seus ossos. Mal podia acreditar na tamanha sorte. Certamente pagaria uma boa recompensa ao seu salvador assim que descobrisse quem ele era. Ele havia salvado sua vida e ajudara a prender um criminoso.
“Oh, graças a Deus” pensou, permitindo que seus músculos relaxassem, e abaixando-se para a neve novamente. “Irei aprisionar Harry logo que chegarmos ao castelo...”
Inesperadamente, braços fortes agarraram-na pelos ombros e fizeram-na pôr-se de pé em um piscar de olhos, calando seus pensamentos. Não teve sequer a chance de olhar por trás dos ombros para ver quem era; imediatamente, uma mão suja tapou sua boca, silenciando qualquer pergunta assustada ou gritos que ela poderia ter dado. De uma vez, o terror bateu no seu coração, e ela perguntou-se se era possível ter um ataque do coração, ou talvez morrer de susto. Certamente já era um milagre não ter se molhado nas calças (ou seriam saias?).
Ela debateu-se furiosamente para livrar-se das mãos do homem em sua boca, mas antes que pudesse alcançar alguma distancia, ele levantou seu outro braço e conseguiu prender ambas as mãos da garota. Estivera tentando arrancar os dedos de seu rosto, e de alguma forma ele havia segurado os dois pulsos dela com apenas uma mão, puxando-os para trás dela e pressionando-os juntos fortemente. Soltando um pequeno uivo de dor, Gina tentou contorcer-se para longe. Contudo, não pareceu melhorar as coisas. A pessoa desconhecida estava puxando-a ferozmente contra si, cravando suas unhas fundo na pele dela.
Gina de repente lembrou-se do homem que sempre estava nas sombras enquanto Tom – ou melhor, Harry – matava. “Será que esse homem é ele?” pensou. “Eu esqueci completamente do maldito cúmplice! Devia ter sabido antes de pular da carruagem!” arrependendo-se de seus atos agora, percebeu que deveria ter libertado um dos cavalos a frente da cabine e ter fugido com ele.
“Tarde demais agora.” Apesar disso, não se deixaria morrer desse jeito. Recusava-se a ser assassinada por Harry Potter.
- Bem, veja o que temos – uma voz áspera murmurou em seu ouvido. O homem tirou a mão da sua boca, inclinando sua cabeça de volta ao ombro. Ela podia sentir seu fôlego quente em sua bochecha, e podia sentir a barba rala em sua pele. Tentou ver o rosto dele, mas ele apontou a sua cabeça para o céu, e era impossível ter uma visão clara. Tudo que podia dizer é que ele tinha cabelo preto, hálito ruim, e a barba há dias para fazer. – Um verdadeiro tesouro – continuou a sussurrar.
Então ele virou sua cabeça para longe dela, removendo sua mão dos lábios dela, apenas para mover a mão para o pescoço da garota, deixando sua cabeça abaixar de modo que não mais continuasse pressionado contra seu ombro. Então, ela lembrou-se do homem que colocara Harry no chão. É claro! Ele tinha que estar lá para salvá-la... certo?
- Vejam o que temos aqui, homens! – gritou o seqüestrador, ecoando no ouvido dela pela alta voz – A princesa!
Os olhos de Gina estavam presos no ponto onde o homem que a salvava estivera jogado no chão com Harry. Ele ainda estava lá, de pé agora, com o prisioneiro ao seu poder, lutando para mante-lo parado. A garota perguntou-se por um breve instante por que ele não estava vindo salvá-la, mas percebeu que ele não podia – tinha que segurar Harry. “Eu posso dar conta desse homem atrás de mim”, pensou com muito mais coragem que realmente sentia. “Se o meu salvador consegue manter Harry controlado, então eu posso certamente me livrar de...”
Logo então, as árvores pareceram estar se movendo. Chocada, Gina fitou a sua volta, e deixou a mão do homem apertar mais em volta de seu pescoço como para tentar mante-la parada. Um momento depois, viu que não eram árvores – eram homens que se mexiam. Todos estavam vestidos em túnicas marrons que pareciam que haviam sido usadas sem parar por um ano.
Era possível que Gina passasse mal agora de susto? Talvez estive realmente tendo um pesadelo horrível. A situação continuava piorando tanto que era quase irônico. Mas estava bem consciente que estava acordada; pois sabia que nunca havia sentido tanto medo antes. Ele invadia seu corpo, esquentava-a nos pontos onde gotas de suor deslizavam pela sua testa, apesar do dia frio. Suas juntas pareciam congelar, e não estava mais lutando com o homem que a segurava. Havia pelo menos duas dúzias deles, fechando-se em volta dela em um círculo medíocre, todos parecendo tão miseráveis quanto esse homem cheirava mal.
“Ciganos.” Gina de repente lembrou do que Harry estivera contando-a quando tentara correr. É claro, fazia mais sentido – os ciganos é que haviam matado os guardas e o motorista – e não Harry. Era a única explicação lógica, uma que estava contente de acreditar, pois tremia só de pensar em Harry matando alguém. Além do mais, era impossível ele ter matado-os, considerando que ela estivera com ele o tempo todo, ou pelo menos observando-o.
Sempre imaginara ciganas como sendo altas, mulheres aprumadas de cabelos negros, seus corpos cobertos com tecidos laranjas, roxos e vermelhos, dançando na rua para ganhar dinheiro. E agora percebia que sua percepção era realmente errada, pois lia sobre eles em livros de contos de fadas. Mas esses eram ciganos homens, que andavam em clãs.
- Rápido – disse o homem, sua voz áspera e alta tão perto de sua cabeça – Amarre esse garoto idiota. Vamos deixá-lo aqui para as forças do rei acharem, e assim ele poderá contar a todos que estamos com ela – Ele sobressaiu seu cotovelo para cima, induzindo Gina a levantar o queixo. Ela descobriu que ele estava gesticulando em sua direção, para dizer que era a “ela” a quem se referira.
Estupidamente, observou o seu salvador amarrar Harry em uma árvore grossa, ajudado por mais quatro ciganos. Em um segundo deu-se conta: ele não estava lá para salvá-la! Ele era um cigano também! Oh, quão idiota ela era? Se tivesse vindo para salvá-la, teria contado. Teria dito para ela que a levaria em segurança para o castelo assim que acabasse com Harry.
Mas ele não estava lá para ajudá-la. Estava lá para atacar a carruagem, e agora ia raptá-la também.
Todas as esperanças de ser salva pareceram sumir de sua mente, e vacilou em desespero. Ela não iria morrer, não ainda, pelo menos não pelas mãos de Harry. Ela seria raptada – presa por uma recompensa. De alguma forma, isso parecia até pior. Quem sabia o que esses homens poderiam fazer para ela? Violentá-la, espancá-la, faze-la morrer de fome? Possivelmente muito mais que sua imaginação limitada poderia compreender.
Mas certamente iriam mante-la viva, sabia, o que não era realmente um conforto. De fato, perecia assustá-la ainda mais, o que ela não pensara que era possível ainda. Ela estava além das sensações – seu corpo inteiro estava paralisado e parecia estar incrivelmente rígido. Suava, mas tinha pele de ganso. Sua respiração curta e rápida estava vindo em pequenas nuvens. Estava gelada demais até para tremer.
Depois de praguejar em voz alta de frustração, os cinco homens deixaram a árvore. Harry estava preso, a corda amarrada em volta dele várias vezes, fixando seus braços ao lado. Estava sacudindo-se violentamente, tentando libertar-se, mas era inútil. Estava atado tão forte na árvore que parecia quase como se estivesse grudado nela. A única coisa que podia fazer era dar pontapés para trás e dar pancadas no tronco com os calcanhares, e isso não o levaria a lugar algum.
“Matem-no” disse Gina mentalmente, sentindo-se deslocada de seu corpo. “Não deixem-no viver. Ele só matará mais pessoas.”
Um segundo depois descobriu que não queria que Harry morresse, não importa o que ele havia feito. Só a imagem dele sendo assassinado fazia seu coração doer. Era próximo ao impossível de acreditar que Harry havia cometido aqueles assassinatos horríveis. Era simplesmente... impossível demais.
“Mas ele tem a faca” lembrou-se. Suas pernas começaram a enfraquecer, e o homem teve que tirar a mão de seu pescoço para segurá-la pelos ombros, tentando mante-la em pé. “Ele tem a faca que vi em meus sonhos. Era ele, por mais que eu não queira acreditar...”
- Aqui, pegue-a – o homem que a segurava disse bruscamente, empurrando-a para dois ciganos perto.
Ela tropeçou, quase caindo tanto por pernas fracas quanto por suas saias cheias. Mas os dois homens pegaram-na, endireitando-a, segurando seus braços fortemente e dolorosamente. Seus dedos eram como gelo, o frio penetrava suas mangas, e eles pereciam seguranças de ferro.
O homem que a soltara, que era obviamente o líder dos ciganos, chegou a Harry em dois passos. O garoto, que estivera lutando violentamente para se livrar das cordas, parou por um momento para olhá-lo. O líder agarrou um punhado do cabelo dele, e levantou sua cabeça, para que ele fosse forçado a encará-lo.
Harry deu a ele um olhar escuro através dos olhos revirados e cerrou os dentes, olhando-o direto nos olhos. Por um minuto, Gina pensou que ele fosse realmente cuspir no líder. Mas não o fez.
- Diga ao rei que temos a sua filha – comandou o homem, quase com raiva – Acha que pode fazer isso?
Harry ficou em silêncio por um longo tempo. Então abriu sua boca e disse lentamente:
- Libertem-na.
O líder jogou a cabeça para trás e riu. Ele gargalhava como se fosse a frase mais engraçada que já ouvira. Gina hesitou ao som disso, perguntando-se como ele podia achar algo divertido nessa situação. Então deu um tapinha na cabeça de Harry, como se o garoto fosse uma criança pequena, virou-se e caminhou de volta para o resto dos ciganos que esperavam. Gina, e os dois que a seguravam, estavam mais afastados do grupo.
Ela não conseguia ouvir uma palavra que o líder dizia aos homens, e isso a irritava imensamente. Não estava nem mais tentado escapar agora; sentia-se fatigada demais, e o esforço parecia grande demais. Assim que pudesse descansar um pouco, e talvez comer, é que poderia tentar fugir.
O cigano líder falou com seus homens pelo o que pareceu anos, mas não poderia ter sido mais de três minutos. Finalmente, dirigiu-se para encarar Gina – ou melhor, aqueles que estavam segurando-a.
- Amarrem as mãos dela – disse rapidamente, atirando cordas para eles.
Então fitou Gina, e deu a ela um sorriso terrível, um que revelava seus dentes amarelos. Ele tinha uma aparência absolutamente nojenta de se olhar – cabelo oleoso, pele gordurosa, roupas revoltantes; claramente não tomava banho há meses. Certamente devia ter pulgas ou algum outro parasita. Gina rezou para que nem todos os ciganos fossem tão nojentos como ele.
- Permito que você caminhe sem que ninguém a toque, Princesa, – disse com desprezo, arqueando levemente em uma reverencia – se você não tentar fugir. Mas se tentar, irei jogá-la nos meus ombros e carregá-la eu mesmo. Você entendeu?
Gina concordou de alguma forma, apesar de pensar que estava fraca demais para se mover.
Em minutos, os ciganos soltaram os cavalos da carruagem e os conduziram pela floresta com cordas que prenderam em seus pescoços. Gina evidentemente pensou que se os cavalos quisessem escapar, eles podiam facilmente empinar e fazer os homens que seguravam as cordas perderem o equilíbrio e caírem, dando a chance para escaparem. Mas os cavalos caminharam de bom grado, não tendo idéia alguma de que o que faziam era errado.
Gina foi forçada a caminhar no meio do clã, diretamente atrás dos cavalos. Assim que começaram a percorrer a floresta, longe de Harry e da carruagem, ela esperou que os animais não tivessem vontade de ir ao banheiro. De alguma forma conseguiriam atingi-la, sabia.
É claro, tinha conhecimento que era idiota ter medo do que os cavalos fariam para ela quando agora estava capturada por um bando de homens selvagens e sujos. Estava temendo o que estava por vir, do que eles poderiam fazer para ela. Após alguns minutos de tentar imaginar isso, forçou-se a calar sua mente, sem vontade de pensar no assunto.
Qualquer coisa que fosse acontecer, não seria agradável.

N/A: Então, Harry realmente matou todas essas famílias? Porque não estou dizendo se ele é exatamente o assassino ou não (pista, pista!). Mas se é, quem é o pequeno cúmplice? Hum, você provavelmente não vai descobrir até o fim da história, pois eu sou cruel mesmo.
N/T: Obrigada a Leila que betou esse capítulo! Já tenho mais três traduzidos, falta apenas betá-los.
No próximo capítulo: Draco conseguirá alcançar a carruagem, e achar Harry preso na árvore? E o que ele dirá ao príncipe? Gina será resgata afinal, ou não? O que os ciganos farão à ela? Descubra no Capítulo 9: Cavaleiro de Armadura Brilhante!

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