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7. O Baile


Fic: Da Magia á ilusão com CAPA


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Apesar de Draco nunca tê-la visitado novamente depois do beijo, apesar dela ter continuado a ter pesadelos sobre o assassinato de crianças, e apesar dela ter bebido a poção rosa de Tom pela terceira vez, Gina ficou boa de novo.
Pareceu ter custado meses e meses de cama, suando, meramente sentindo a dor em seu corpo, apenas sentindo o agudo medo de seus pesadelos. Mas finalmente aconteceu: ela finalmente estava curada.
Os pesadelos certamente não ajudaram o processo. Cada um que tinha era idêntico ao último – assustadoramente real e horrorosamente bem descrito. Cada vez era uma família diferente... uma criança diferente. Mas era sempre Tom cometendo o assassinato, e seu corpulento companheiro segurando a próxima vítima, às vezes rindo roucamente por motivo algum.
Os pesadelos passaram a acontecer todas as noites depois da primeira “visão” ter ocorrido; só que agora se passavam em seu sono. No fim ela ficava apavorada para fechar os olhos, com medo de dormir, mas afinal, a doença a conduzia a um sono profundo, e sonhava.
Nas primeiras vezes, ela acordou gritando, e Maria estava ao seu lado em um segundo. Ela então implorava para que Gina contasse o que estava errado, o que havia acontecido no pesadelo, mas a princesa ficava muda. Ela tremia violentamente, sacudia a cabeça, engolia em seco, e embrulhava os cobertores em volta de si fortemente, como se aquilo pudesse ajudar. Maria entendia a indireta e parava de perguntar, segurando a mão suada da jovem até que pegasse no sono novamente.
Depois desses primeiros sonhos, de qualquer forma, Gina conseguia acordar sem fazer muito barulho. Os cobertores e a camisola estariam amarrotados em volta de seu corpo, úmidos de transpiração, e seu cabelo se aderia em sua testa e bochechas, mas ela só soltaria um pequeno choramingo, aliviada que havia acabado. Então ela permaneceria acordada, encarando o teto, tentando manter sua mente vazia, até que os primeiros raios de sol penetrassem nas cortinas do quarto.
Combinando a falta de horas de sono, o apetite reduzido, e a solidão profunda em si, era incrível que Gina tivesse recuperado sua saúde. Na décima terceira noite ela tomou a poção de Tom pela última vez, pegou no sono, teve um pesadelo horrível, acordou, dormiu de novo pelas três horas que sobravam até o amanhecer, e despertou na manhã do dia quatorze sentindo-se fraca, cansada e com menos febre.
Gina sentou-se e destapou-se. Estivera suando muito na noite anterior; tinha tido febre então, com certeza. Era como se tivesse melhorado milagrosamente durante a noite. E se não estivesse tão feliz por estar bem de novo, teria desconfiado.
Suas pálpebras pesaram, e ela queria mais do que nunca deitar no travesseiro e dormir. Mas temia os pesadelos que acompanhavam o sono, e forçou-se para sair da cama.
Como se fosse um sinal, a porta abriu e Maria entrou no exato momento. Gina estudou seu rosto – ela parecia exausta, os cantos de sua boca caídos, seus olhos sem brilho. Então quando viu a princesa fora da cama, sustentada em seus dois pés sem oscilar, sua expressão iluminou-se instantemente.
- Oh, Alteza, está se sentindo melhor? – indagou, movimentando-se e enlaçando sua mãos ao redor de Gina.
A jovem, de alguma forma, teve que sorrir:
- Sim, estou – respondeu, meio arqueada para corresponder o abraço.
Maria soltou-a, ainda parecendo inacreditavelmente feliz, e pressionou uma mão na testa de Gina.
- Você não está mais com febre – anunciou alegremente – Está normal agora. Como está sua garganta? Melhor?
- Muito melhor – disse Gina, levando uma mão ao seu pescoço e o coçando – Acho que estou saudável de novo. “Exceto pelo fato de que eu não tive uma noite de sono decente em dias” acrescentou mentalmente.
Maria continuou a olhá-la, seu sorriso vagarosamente desaparecendo. Sua expressão misturou-se com preocupação.
- Você não tem dormindo bem, não é, querida? – perguntou suavemente, como se estivesse lendo seus pensamentos.
Gina franziu o cenho em confusão.
- O quê? – disse quase estupidamente, despreparada para uma pergunta dessas.
Maria mordeu a língua e suspirou.
- Primeiro eu pensei que talvez fosse a sua doença que estivesse dando-a essa aparência fantasmagórica, mas certamente não pode ser isso que está colocando medo em seus olhos – disse – Olhe-se no espelho. Vá em frente.
Gina colocou-se relutante em frente ao espelho grande. Seu reflexo fitou-a, revelando sua fina e pálida pele, seus sombrios e negros olhos, os círculos roxos abaixo deles, e sua boca carrancuda. Maria estava certa – ela parecia mesmo fantasmagórica. E assustada.
“É claro que estou assustada” pensou amargamente. “Se ela visse o que eu ando vendo nas últimas noites, ela também estaria loucamente apavorada.”
- Venha, querida, você precisa de uma banho – disse a aia gentilmente, aparecendo ao lado do cotovelo de Gina e pegando sua mão – Talvez isso ajude.
Oh, um banho! Gina não tinha sido limpada devidamente desde que tinha chegado nesse quinto dos infernos. Tinha sido apenas enxugada durante sua enfermidade, doente demais para deixar a cama. Com gratidão, deixou de lado o seu reflexo no espelho e seguiu Maria para fora do quarto.
A banheira era particularmente elaborada, especialmente já que ela estava esperando um mero barril de madeira. Mas tinha que lembrar-se que era da realeza, que merecia mais que as comuns banheiras públicas do século dezessete. Naquele momento, pelo menos brevemente, ela não se importou tanto por ser uma princesa.
No início, Gina corou violentamente quando foi despida completamente na frente de Maria, mas a aia pareceu não notar. Logo que mergulhou-se na água morna, de qualquer forma, a jovem imediatamente parou de se sentir envergonhada e soltou um suspiro contente. Era a melhor coisa que havia sentido desde que tinha chegado.
“Exceto pelo” uma pequena voz adicionou em sua cabeça “beijo de Draco.”
Ela não conseguiu pensar muito no assunto, porque um minuto depois Maria derramou outro balde de água quente em sua cabeça. Assustada, sem esperar por isso, a água entrou em seu nariz, já que estava respirando.
- Obrigada – disse um pouco grossa e sarcasticamente, tirando o cabelo dos olhos.
Maria deu a ela um pequeno sorriso, como se não soubesse o que havia feito de errado, e ajoelhou-se ao lado da banheira com uma barra de sabão cheia e de cheiro fresco nas mãos. Ela mergulhou-o na água para dissolve-lo, então começou a lavar as costas de Gina.
- Eu não sou inválida, sabe – disse Gina, levemente brincando, inclinando-se para frente para evitar o sabonete – Eu posso me lavar sozinha. Você não precisa faze-lo.
Maria lançou um olhar levemente surpreso e deu de ombros.
- Está bem, Alteza, como queira. Você nunca pareceu ansiosa para lavar-se sozinha antes. Provavelmente... – mas ela parou de repente, um olhar surpreso vindo ao seu rosto, antes de sorrir claramente. “Provavelmente porque eu sou uma pirralha preguiçosa, certo?” Gina terminou mentalmente para ela, olhando-a com um sorriso irônico quando a empregada levantou-se e entregou-a o sabonete.
Maria sentou em uma cadeira próxima, costurando o que parecia a barra de um vestido, enquanto Gina lavava-se. Quando perguntou com o que deria lavar seu cabelo, a mulher mais velha lançou-lhe um olhar de descrença e zombou, como se Gina estivesse sendo insolente.
- O que está na sua mão, Alteza?
A princesa fitou o sabonete em sua mão com a testa franzida, descobrindo que logicamente não existia xampu. Suspirando, começou a esfregar a barra nos cabelos, temendo os nós que se formariam.
O banho deu a ela dez minutos de um maravilhoso intervalo dos horrores que seu cérebro continuava criando. Conseguiu pensar em nada a não ser limpar-se, e estava de alguma forma relutante para sair. Só porque a água estava começando a esfriar, e porque assim que seu sabonete havia terminado ela não tinha nada a fazer a não ser sentar lá e lembrar dos sonhos, ela finalmente levantou-se e pediu algo para se secar.
Vinte minutos depois, Gina foi amarrada apertadamente em um vestido que era provavelmente duas vezes menor que sua cintura. Apesar de ter ficado cansada de usar camisolas brancas pelos últimos dias, elas pareciam bem mais confortáveis agora. Era bom de respirar sem dificuldades.
O banho havia melhorado um pouco o seu estado, mas os círculos abaixo de seus olhos estavam ainda em um tom escuro de roxo azulado, e não importa quão claramente ela tentasse sorrir, seus olhos simplesmente não brilhavam.
Então era hora do café da manhã. O estômago de Gina roncou com a idéia. “Finalmente comida real e sólida” pensou. E mais, por mais estranho que parecesse até para si mesma, ela estava ansiosa para ver Draco.
No fundo de si mesma, pensava que talvez o beijo que haviam trocado podia ter mudado as coisas entre eles. Agora que estava bem, tudo que tinha a preocupado antes não pareceu nem a metade tão ruim. Ela sairia desse mundo no final das contas – não podia ficar para sempre. Os sonhos iriam definitivamente desaparecer quando retornasse para Hogwarts – eles não podiam durar para sempre. E o beijo de Draco realmente não tinha sido tão terrível. Só tinha acontecido em uma má hora.
Mas quando entrou no salão de jantar, viu apenas seus pais ali. Antes de dar outro passo, olhou para trás, onde Maria estava, e sussurrou:
- Onde está Draco?
- Ele foi para casa, Alteza – respondeu a empregada, como Gina devia ter imaginado – Deve estar de volta em alguns dias, para os preparativos do casamento.
“Casa?” Gina sentiu como se seu estômago não tivesse fundo. Agora sentia-se muito, muito sozinha, e sem emoção sentou-se no seu lugar habitual. Vagamente, ouviu sua mãe comentar vezes sem fim sobre quão maravilhoso era ela estar saudável de novo, e que tinha ficado com medo que ela fosse morrer, mas Gina não estava realmente ouvindo.
A jovem não tinha certeza absoluta por que sentia-se tão abalada. Draco tivera que ir. E provavelmente nem quisera ficar. Afinal, ela esteve doente o tempo inteiro – e não fora realmente uma companhia. Sem mencionar que ele mais precisamente não apreciava sua companhia. Mas ainda assim, seu estômago estava contorcendo-se desagradavelmente e ela não conseguiu comer muito, apesar dessa ser a primeira refeição sólida que podia engolir.
Quando terminou o café, pediu licença e deixou o salão. “Bem” pensou com um suspiro quando caminhou lentamente pelo corredor “agora eu tenho alguns dias livres. O que vou fazer?”
Primeiro iria ter certeza que Tom foi despedido. Não o queria no castelo mais. Talvez, se tivesse sorte, ele teria deixado a cidade – ou melhor ainda, o país no geral. Então os assassinatos parariam.
“Mas se não pararem” ponderou “então eu mesma terei que para-los. Terei que dar um jeito de alguém pegar Tom em flagrante, matando uma pessoa.”
Um total de seis famílias havia sido esfaqueadas até a morte durante sua enfermidade. E ela tinha sonhado com todos e cada um deles, até mesmo aqueles que aconteceram antes dela adoecer e começar a ter os pesadelos. Às vezes, ela via a mesma família ser assassinada novamente, duas noites seguidas. De qualquer forma, os sonhos não eram exatamente proféticos. Ela sonhava com as mortes depois que elas aconteciam. Então não podia usar as visões como uma vantagem para avisar qual família seria a próxima.
Ainda assim, talvez um dia seguisse Tom em suas freqüentes viagens para o vilarejo para examinar seus vários “pacientes”. Podia se esconder e esperar até ele começar a massacrar, então correr para chamar ajuda, e trazer testemunhas para ver o que estava acontecendo.
Sentindo-se levemente melhor agora que esse problema estava resolvido, pelo menos por enquanto, ela tinha que dirigir-se para outras coisas que a incomodavam. Como por exemplo, como voltar para a sua época normal.
“Aquela mulher que Maria mencionou...” lembrou-se “Alexandria. Eu posso visitá-la... talvez ela saiba explicar o que está havendo.”
Não era um bom plano, mas era a única coisa que conseguia sugerir. Antes que pudesse pensar melhor sobre o assunto, ouviu passos atrás de si. Parando, virou-se. Por um minuto, sua respiração prendeu-se na garganta e ela gelou, acreditando que era Tom. Mas quando ele aproximou-se, ela percebeu com um suspiro de alívio que não era ele – era Harry. “Tom não é o único com cabelos negros, Gina” disse para si mesma, sentindo-se zangada por realmente tê-lo confundido com Harry.
- Alteza – cumprimentou o garoto, vendo que ela agora o encarava. Ele continuou o seu percurso até parar em frente a ela, encontrando seus olhos. Em sua mão, prendia algo. – Príncipe Draco ordenou que eu desse isso a Sua Alteza – Estendeu a mão, revelando um pedaço de pergaminho dobrado.
Gina lançou-lhe um olhar confuso, apesar de estar mais surpreendida pelo fato de Draco ter realmente deixado-a o que parecia um bilhete. Pegou-o de Harry e rapidamente desdobrou-o. Escrita com tinta preta e uma letra elegante, apesar de grande, estava uma rápida mensagem:
“Estou indo ver Dumbledore. Se descobrir alguma coisa, mando uma mensagem.”
Virando atrás, ela reconheceu que isso era tudo. Sem assinatura nem nada.
- Draco deu-lhe isto? – perguntou a Harry, levemente em dúvida. De todos os empregados no castelo, Draco escolheria justamente Harry para a tarefa?
Ele afirmou positivamente em resposta.
- Bem... obrigada – disse finalmente, dobrando novamente o pergaminho. O garoto concordou novamente, e virou-se para ir. Gina observou sua figura de costas, querendo mais do que tudo que ele ficasse. Se ela estava trancada aqui sozinha, sem Draco, então queria pelo menos ele por perto... teria alguém para conversar. Antes que pudesse impedir-se, disse: - Espere, Harry!
Ele obedeceu, perguntando sem virar-se:
- Sim, Alteza? – dessa vez ela não conseguia ler a emoção em sua voz.
Ela pensou rapidamente, em dúvida sobre dizer algo que não o fizesse ir embora.
- Hum... você sabe onde Alexandria mora?
Nisso, Harry virou-se, as sobrancelhas formando uma reta em sinal de perplexão.
- Alexandria? – repetiu vagarosamente – Não tenho certeza se sei quem é.
Ela sentiu suas bochechas corarem, e não sabia por quê. “É um reflexo” pensou. “Sempre que estou perto de alguém que se parece, embora não aja, com Harry Potter, eu fico vermelha sem motivo.”
- Maria me contou sobre ela – explicou – Ela disse que ela é... bruxa.
Esperava ver uma reação de Harry, mas ele meramente concordou:
- Acho que sei de quem está falando.
- Então... você se importa de me levar até ela?
O garoto encarou-a por um momento antes de responder, claramente contradizendo a idéia em sua mente. Então abriu a boca e disse:
- Desculpe-me tremendamente, Alteza, mas estou muito ocupado hoje. Vou pedir a outra pessoa...
- Amanhã, então? – ela interrompeu suavemente, indisposta a desistir – Irei garantir que você seja liberado de todos os seus trabalhos.
A expressão dele tornou-se dura; seus olhos reviraram-se e viraram uma fria nuvem verde. “Provavelmente ele está com medo que eu o machuque” ela pensou de repente. Antes que a ruiva pudesse dizer alguma coisa, ele respondeu diretamente:
- Como queira, Alteza.

* * *

Em Gales, não havia neve. Não estava frio o suficiente.
Ao invés, havia chuva.
Draco sacudiu-se no banco de trás da carruagem, sentado em frente a Timothy, seu esquelético empregado de cabelos de palha. Antes que entrassem, quando Draco sugeriu que ele fosse na carruagem junto, a expressão do garoto mais novo elevou-se, e parecia tão surpreso que Draco ficou com medo que o garoto fosse se molhar nas calças. Mas ao invés disso, ele apenas concordou estupidamente e entrou primeiro.
Agora, estava ambos em silêncio. O barulho da chuva batendo no teto e o galopar dos cavalos era suficiente para cortar qualquer conversa, e já que havia mais duas outras carruagens armadas carregando uma dúzia de cavaleiros para proteger Draco, indo na frente e atrás deles, ele realmente não tinha vontade de conversar.
Havia tampas cobrindo as janelas, para evitar que a chuva entrasse – “eles nunca ouviram falar de janelas de vidro?” perguntou-se o príncipe – então ele não podia olhar para fora. Seus olhos passearam por todos os cantos da cabine até que finalmente, suspirando, ele encostou sua cabeça e fechou os olhos.
Era inútil tentar dormir, de qualquer forma. Ele havia dormido bem nos últimos dias, talvez um pouco bem demais. Tinha certeza de que se Elle não o acordasse todas as manhãs, já que ela era a única no castelo que tinha coragem de fazê-lo sem temer por sua vida, então poderia ter dormido o dia todo. Simplesmente não queria acordar. Parcialmente porque estava só com preguiça, e também porque não queria que seu pai o visse acordado e arrumado, e forçasse-o a ir ao lugar onde a sua e de Gina futura casa estava sendo construída.
- Certifique-se que tudo está indo como planejado – o Rei Edward diria bruscamente e distraidamente, como se tivesse coisas melhores a fazer que orientar seu filho. Então ele iria embora, e Draco ficaria trancado ali o dia todo. Talvez não fosse tão ruim, é claro, exceto pelo fato que chovera todo o tempo. E não era uma chuva gentil, de primavera – eram pancadas fortes de água gelada. Apesar de Draco ter a sua própria cabine para se proteger, ela não era a prova d’água – gotas estavam continuamente pingando e caindo na sua cabeça, deslizando até seu pescoço.
Não se surpreenderia se ficasse doente também.
Então finalmente, Draco conseguiu falar com seu pai sem ele propor que supervisionasse a construção do novo castelo. Afinal, não via o motivo para fazer isso. Eles construíam um novo castelo sempre que um membro da família real se casava? Quando perguntou isso a Edward, o rei somente respondeu: “Estávamos precisando de um novo há um tempo. Isabella e eu continuaremos a morar nesse, e quando eu morrer, ela vai se mudar para a sua casa, e esse será demolido.”
Com isso, a conversa estava terminada.
Pelos próximos dias, Draco havia conhecido um pouco melhor o homem que seu pai era. Apesar de estar constantemente irritado e gritasse um monte, e apesar de nunca dar atenção a Elle a não ser perguntar se ela já havia terminado suas lições do dia, Draco descobriu que gostava bem mais dele do que seu pai real. O pai desse mundo era bem menos violento.
E o pai desse mundo não estava sempre explodindo por pequenas coisas, e não jogava sempre a culpa da morte e ausência de Voldemort em todo e qualquer azarado.
Por um lado, essa vida era boa. Ele tinha controle absoluto sobre todos. Uma coisa era mandar em elfos domésticos, outra era mandar em pessoas reais. Na sua época normal, não havia realmente uma pessoa que obedecesse as suas ordens. Aqui, as pessoas corriam para fazer o que ela havia mandado. E apesar do quão complicadas e irritantes as roupas que tinha que vestir eram, tinha que admitir que ficavam excelentes nele. A maioria dos trajes que tinha era desenhado especificamente para ele, e felizmente, todas as cores combinavam com seu tom de pele. Se havia uma coisa que Draco odiava – além de chá – eram as cores que não combinavam consigo.
Mas agora, sentado na carruagem, em que o percurso era longe de ser calmo e confortável, a mente de Draco não estava em suas roupas. Estava lentamente ficando de mau humor. E, como parecia ser um reflexo para ele ultimamente, quando estava de mau humor, seus pensamentos voavam para o tópico Gina Weasley.
Não havia ouvido coisa alguma dela desde que fora embora. Uma vez, engoliu seu orgulho e conseguiu perguntar ao seu pai o que ele sabia da saúde dela, mas Edward apenas deu de ombros, parecendo irritado, e voltou ao que estava falando anteriormente.
Ela podia estar morta, pelo o que sabia. Mas sinceramente esperava que não fosse o caso, porque não queria ser assassinado pelos irmãos dela quando finalmente voltasse à sua época.
- Quanto tempo falta até chegarmos? – Draco perguntou a Timothy, tentando desviar seus pensamentos de coisas deprimentes.
- A-Alguns minutos mais, Alteza – respondeu Timothy, dando um sorriso bem fraco. “Nossa, é um avanço” pensou o príncipe, maliciosamente. “Ele só gaguejou uma vez.”
Pareceu demorar bem mais que isso. Draco suspirou, e virou-se para encarar os tampões da janela. Estava muito cansado de esperar. Parecia que era só isso que estivera fazendo desde o primeiro minuto em que acordara nesse mundo.
Finalmente, Draco ouviu o motorista da carruagem assobiar para os cavalos, que diminuíram o passo até parar. Um segundo depois a porta foi aberta para ele, e estava com medo que tivesse que sair na chuva desprotegido – estar com frio era uma coisa, mas estar molhado e com frio era outra que não podia tolerar sem reclamar. Para sua gratidão, quando olhou para fora, viu que o motorista havia estacionado diretamente em um lugar coberto. Era úmido mas pequeno, e dava para uma pequena casa, acabando no topo da entrada.
Lentamente, Draco saiu da carruagem. Olhando à volta, podia ver que essa casa era claramente no meio da floresta. Apesar da proteção das árvores, a chuva penetrava e pingava pesadamente no teto.
Os pés de Draco pisaram na terra macia quando se aproximou da porta da casa. Já que estava finalmente, finalmente lá, estava um pouco ansioso. Como Dumbledore seria? Seria o velho maluco que Draco conheceu em seus dias de Hogwarts? Ou seria totalmente diferente?
- Estarei e-esperando aqui f-fora, Al-Alteza – disse Timothy da carruagem.
Draco concordou levemente com cabeça, apesar de ter certeza que Timothy não viu. Olhando ao lado da porta, viu uma grande placa de madeira. Escrito em tinta azul lia-se: Alvo Dumbledore, Especializado no Dom da Magia. Ficando mais confiante, Draco respirou fundo, e bateu na porta.
Levou apenas um segundo até que a porta fosse aberta, e Draco achou-se encarando a familiar face de Alvo Dumbledore. Ele parecia idêntico ao que era em Hogwarts – mesmo olhos azuis brilhantes, mesma pele enrugada, mesmo cabelo branco, mesmos óculos de meia lua. Suas vestes eram a única coisa diferente; não exatamente estranhas pois eram fora de moda, já que roupas fora de moda Dumbledore usaria mesmo em Hogwarts se quisesse. Eram simplesmente diferentes.
Alvo passou seus olhos em Draco por um momento, antes de curvar-se em uma reverência envolvente.
- Sua Alteza – disse melancolicamente, antes de endireitar-se novamente com um fraco sorriso.
- Olá – disse o jovem desajeitadamente, incerto de como chamá-lo. Não podia chamá-lo de Professor ou Diretor, e somente Dumbledore parecia formal demais. Então, entrou sem dizer seu nome – Eu gostaria de falar com você, se tiver um minuto de folga.
Dumbledore encarou-o pelo que pareceu o maior tempo. Sua expressão tornou-se séria e ele entortou os olhos, como se tentasse estudar algo em seu rosto. Draco permaneceu parado inconfortavelmente, incerto do que ele estava fazendo, mas não querendo se mover. Quando estava prestes a abrir a boca para dizer “Sabe, não é muito educado encarar”, Dumbledore falou de repente.
- Eu sei porque você está aqui – anunciou, um pouco dramaticamente.
- Você sabe? – perguntou Draco duvidosamente. Ele levantou uma sobrancelha, cético. “Ele pode estar só fingindo que sabe” disse a si mesmo. “Afinal, alguém que mora no mundo trouxa e faz mágica abertamente como se fosse a coisa mais normal do mundo, só pode ser um impostor.”
- Sim – respondeu Dumbledore, mais suavemente dessa vez – Mas não posso dizer.
- O quê? – agora Draco estava ficando confuso – Não pode me dizer o quê?
- Não sem a garota – continuou, agindo como se não tivesse o ouvido – Sinto muito, volte outro dia – e com isso começou a fechar a porta.
- Não, espere – bradou Draco, colocando sua mão na porta para evitar que ela fechasse. Deu um passo à pequena abertura quando Dumbledore espreitou dali, forçando os olhos como se não pudesse vê-lo – De que garota você está falando? Gina?
- A garota que veio com você – disse calmamente. Mais uma vez tentou fechar a porta, mas Draco estava no caminho agora, com uma mão, evitando-a de se mover.
- Você quer dizer Gina, não é? – insistiu Draco. “Ele não vai fechar essa porta sem me dizer algo pelo menos” pensou – A Princesa Gina? Você nos trouxe aqui?
- Alteza, volte com a garota – repetiu Dumbledore firmemente, soando como se tentasse ser paciente.
- Não… - Draco começou a lutar para que a porta ficasse aberta, quando de repente ouviu alguém chamando seu nome. Assustado, olhou para trás em direção à carruagem, que ainda estava no fim da cobertura, cercada das carruagens de escolta. Um pouco adiante da rua, estava alguém a cavalo, galopando em sua direção, que Draco reconheceu depois sendo seu pai.
Enquanto Draco esteve olhando a volta, Dumbledore aproveitou a sua distração para empurrá-lo e bater a porta. Praguejando, o príncipe virou-se novamente e tentou abrir a porta, apenas para descobri-la trancada. Praguejou de novo, e vagarosamente olhou para Edward, que estava suado e galopando um cavalo preto.
O rei veio para a cobertura, e parou ao lado do filho, em seu cavalo, aparentemente nem um pouco curioso para saber o que Draco estava fazendo na casa de um bruxo. Ao invés disso, encarou-o, água gelada caindo de seu cabelo molhado para parar nos ombros do jovem, seu cavalo agitando-se e chutando o chão. Então disse:
- Volte para casa agora, Draco. Acabei de receber notícias de que a Princesa Gina está bem novamente, e que darão um baile em sua honra.
Ainda irritado por Edward tê-lo feito perder o que poderia ser a única chance de conversar com Dumbledore, pelo menos nos próximos dias, Draco repetiu vagamente:
- Um baile?
- Sim, amanhã. Devemos ir imediatamente se quisermos chegar ao anoitecer de hoje.
Edward puxou as rédeas, fazendo o cavalo dar a volta, quando as notícias penetraram a mente de Draco. O jovem puxou o animal e parou em frente a ele, olhando nos olhos de seu pai.
- Espere. Gina não está mais doente?
- É isso que eu acabei de dizer, não é, Draco? – indagou o rei, franzindo o cenho – Sim, ela está bem agora. Então, de volta ao castelo, estaremos partindo rapidamente.
Com isso, ele colocou os calcanhares na barriga do cavalo, e começou a galopar, passando pela rua suja onde estava a carruagem. Não estava cercado por uma escolta, percebeu Draco, mas sabia a razão. O Rei Edward não gostava de ser escoltado por cavaleiros em qualquer lugar que fosse, então ocasionalmente, vestia as roupas sujas de um camponês e andava sozinho.
Provavelmente era por isso que estava cavalgando na chuva fria. Draco pensou que ele era louco por estar fazendo uma coisa estúpida dessas, quando podia estar seco e mais aquecido em uma carruagem.
O humor do príncipe elevou-se um pouco, então virou-se e entrou na carruagem. Timothy, que ainda estava sentando onde estivera antes, diretamente em sua frente, conseguiu dar um sorriso pequeno e instável, apesar de que, um minuto depois, parecia estar muito interessado em um fio solto de sua túnica.
Draco suspirou e balançou a cabeça. Estava surpreso pela sua verdadeira vontade de estar retornando ao castelo da Inglaterra. Por um lado queria ver Gina novamente, apesar de não ter desculpas da razão disso, exceto o simples desejo de vê-la, e um baile podia quem sabe ser interessante.
Exceto, é claro, pelo fato de que não tinha absolutamente idéia alguma de como as pessoas dançavam nessa época.
Isso definitivamente pôs um fim ao seu interesse.

* * *

- Um o quê? – perguntou Gina, olhando para sua mãe em descrença.
Era o começo da tarde, no dia seguinte em que a princesa recebera o bilhete de Draco. Ela estivera morrendo de vontade de ver Alexandria, mas Harry não podia ser liberado das suas tarefas, não importa quanto Gina se esforçasse para persuadir o Líder dos Empregados, um homem muito rígido e chato chamado Richard. Antes mesmo de ter esperanças que Harry mostrasse-a onde Alexandria morava, já sabia que teria que esperar até o fim daquele dia.
É claro, sabia também que tudo que precisava fazer era perguntar a Maria onde a bruxa morava, e ir sozinha. Mas para ser honesta, queria que Harry fosse junto. Queria ter uma oportunidade de pôr as coisas no lugar – ser amiga dele, para que parasse de odiá-la. E isso nunca aconteceria ao menos que tivessem algum tempo sozinhos.
Apesar desse pequeno obstáculo, Gina estava tendo um dia bom até então. Não havia tido pesadelos noite anterior, e tinha passado a maior parte da manhã na biblioteca, lendo uma história de título em latim, mas escrito em inglês. E até tinha ficado satisfeita quando ouvira acidentalmente o primeiro nome de sua mãe por um dos empregados, que, desconhecendo a presença de Gina, deixou escapar algo sobre “aquela horrível Rainha Lavinia”. Isso agradou-a porque, apesar de ter consciência de que nunca precisaria chamar seus pais pelos seus primeiros nomes, era ainda bom saber.
- Um baile – a rainha repetiu, lançando a Gina um olhar irritado. A princesa estava no dormitório de sua mãe, que era duas vezes maior que o seu, enquanto a empregada estava amarrando o corpete de Lavinia. – Pela sua saúde. E pelos nossos agradecimentos a Thomas. É por causa dele que você está bem novamente. Ele curou-a praticamente da noite para o dia, segundo Maria.
Gina tentou não demonstrar raiva à menção do nome de Tom. Estava sentada em uma cara poltrona grande, elaborada e verde escura, e fincou suas unhas no braço de veludo.
- Quando o baile será?
A Rainha Lavinia contorceu-se levemente quando a dama de companhia puxou os laços mais forte, para apertar o corpete, e então conseguiu responder sem problemas:
- Amanhã à noite.
Gina apertou os lábios, estudando a rainha. Obviamente havia sido atraente em sua juventude, pois ainda era uma senhora muito bela. Seus cabelos eram escuros, contrastando com sua pele oliva; a ruiva certamente não puxara a ela. E ainda, apesar de sua aparência, Gina não conseguia vê-la senão como uma vaca assassina, brava e ciumenta.
- Thomas estará presente? – perguntou a jovem, mantendo uma voz serena, apesar de já saber a resposta.
- É claro – gritou Lavinia, esticando-se para ter apoio na perna da cama quando a dama puxou forte os laços mais uma vez – Ele é o convidado de honra, sua boba.
Gina deixou escapar um suspiro quase silencioso de seus lábios. “Simplesmente vou ter que evitá-lo” pensou, quando outra pergunta surgiu em sua mente:
- Draco virá?
- Seu pai enviou um aviso ao Rei Edward cedo de manhã – respondeu Lavinia – A família deve estar chegando esta noite.
Isso fez Gina sentir-se mais segura, de alguma forma. Pelo menos não seria a única pessoa que não tinha absoluta idéia do que fazer. “Eu nem sei dançar” pensou, franzindo a testa. “Pelo menos não do jeito que eles dançam agora.”
Lavinia continuou falando sobre os convidados importantes que viriam, aqueles que poderiam comparecer sem aviso prévio, mas Gina não prestou atenção. Quanto mais pensava no fato de que não sabia dançar, mais ficava nervosa. Ela tinha mesmo que saber? “Óbvio” pensou consigo mesma. “Lavinia já teria reclamado que eu não sei dançar, se pensasse que não sei mesmo.”
Seria um problema, quase definitivamente. Estava bem confiante que Draco não sabia dançar também, mas o baile não estava sendo feito para a saúde dele. As pessoas esperariam que ela soubesse dançar. “Se eu não souber, então essa mulher que se diz minha mãe talvez fique tão furiosa que mande os guardas me atirarem com flechas também.” Era uma piada doentia e de mau gosto, mas ainda tinha que rir levemente, apesar de triste.
- Está bem, Virgínia, já que não está ouvindo uma palavra do que estou dizendo, então pode ir – disse a rainha severamente, parada enquanto a aia colocava um vestido rosa horrível nela – Você tem a concentração de uma criança de cinco anos, e essa não é uma característica muito apreciada nas damas, especialmente nas da realeza.
Gina levantou-se e concordou sem uma palavra, contente por escapar. “Não sou da realeza” replicou em sua cabeça, assim que saía rapidamente do grande quarto. “Essa vida não é minha; não é minha.”
Ela direcionou-se lentamente de volta ao seu quarto, perguntando-se se Maria estaria lá. Precisava desesperadamente de alguém para conversar, e a única pessoa indicada era Maria. “Ela me conhece a vida toda” pensou “Ou, pelo menos, pensa que me conhece. Talvez não se importe de me ensinar como dançar, mesmo que eu já devesse saber.”
Quando chegou ao quarto, viu que Maria estava lá, mas outra pessoa também estava. Um homem alto, careca e magro com um colarinho desarrumado que chegava às suas orelhas estava espreguiçando-se em uma cadeira em frente à mesa no meio do quarto, fumando um cachimbo e lendo um livro. Gina, chocada em princípio, parou na porta e encarou-o. Ele não havia a visto, mas continuou a aspirar no seu cachimbo e olhar a página, tendo problemas em ler corretamente. Maria estava metade submersa no guarda roupas, mexendo nos vários vestidos da princesa e sussurrando bem alto para si mesma.
- Mas o que você pensa que está fazendo – bradou Gina, sem fazer uma pergunta. Irritava-a profundamente que esse homem achasse que podia fumar em seu próprio quarto. Especialmente quando era uma princesa, e podia expulsá-lo da cidade se quisesse. Ocorreu a ela que ele pudesse ser uma homem poderoso, e talvez era por isso que ele parecia (que pensava) que pertencia ali, mas de qualquer forma, não tinha o direito de fumar. O quarto já estava infestado com o cheiro.
Calmamente, o homem desviou o olhar do livro, segurando o cachimbo na boca. Maria “saiu” do guarda roupas e deu a ela um grande sorriso de boas vindas:
- Alteza, Marquis está aqui para vesti-la.
Gina revirou os olhos para o homem de nome Marquis, e perguntou em um tom tolo, mas firme:
- Ele está aqui para o quê? – depois de ter sido “inspecionada” por Tom Riddle, estava bem desconfiada do significado da palavra “vestir”.
- Para o seu vestido do baile – explicou Maria apressadamente, notando o olhar mortal no rosto da ruiva – Seus pais o chamaram para vesti-la adequadamente para o baile de amanhã à noite.
- Eu deixei a Rainha da França só para vir até aqui e desenhar um vestido para você, Alteza – Declarou Marquis em um forte sotaque francês, soprando tabaco de sua boca. Gina observou a fumaça formar uma nuvem acima da cabeça dele – Então não me faça esperar. Venha cá, fique parada aqui – E apontou com a ponta de seu cachimbo o lugar onde queria que ela ficasse.
Gina continuou a encara-lo por algum tempo antes de vagarosamente se dirigir à onde ele indicara.
- Largue esse cachimbo, por favor – disse, soando fria até mesmo às suas orelhas – Estou quase morrendo aqui.
- Como queira, Alteza – respondeu ele, apesar de seus olhos terem chamejado por um segundo. Rapidamente deixou-o de lado e foi até ela – Deixe-me ver – murmurou, olhando-a de cima a baixo – Parece ter crescido desde a última vez que a vi, não é? Maria, me dê aquele vestido azul escuro abaixo da pilha ali – Apontou para uma cadeira no canto, que estava, embora Gina não tivesse notado antes, cheia de vestidos. Maria correu com o vestido e entregou-o a Marquis. – Essa é a última moda em Paris, Alteza – comentou, segurando o vestido nos ombros de Gina – Só preciso saber o que fica bem com você e fazer uns devidos ajustes... – Mas interrompeu-se, repentinamente mergulhado em pensamento. Um minuto depois, mordeu a língua e devolveu o vestido à Maria. – Não, não, não, não é certo para o seu tipo. Deixe-me ver...
Assim que encontrou uma cor que gostou, pediu a Maria para remover o vestido que Gina já estava usando. Ela não se importou, pois estava usando uns dez outros tecidos abaixo, e ficou parada, esperando enquanto Marquis meditava sobre outro vestido. Então ele pediu para que o vestisse.
Levou quase vinte minutos para vestir a pilha inteira de vestidos, e ela teve que experimentar cada um. Até ali, Marquis só havia decidido que ela não podia usar rosa – que é um palpite falso, já que eu tenho cabelo vermelho claro, pensou Gina, resistindo a tentação de revirar os olhos – ou qualquer outro tipo de cor pastel.
- Nenhuma dessas cores assentam-na – murmurou ele, mais para si mesmo que para outra pessoa – Ainda estou esperando que um dos vestidos pule em mim...
Nenhum da pilha “pulou” nele, então mandou Maria sair e trazer os outros vestidos que trouxera. Gina permaneceu ali, sentindo-se muito, muito irritada. Não estava somente cansada de ficar em pé e experimentando milhares de tipos de vestidos, mas também o dormitório estava infestado do fumo do cachimbo, e Marquis parecia que gostava muito de respirar perto dela com seu bafo nojento. Ela começou a rezar por uma distração, qualquer coisa que a livrasse dessa horrível tarefa.
Aproximadamente meia hora depois que mais vestidos foram trazidos, Marquis inclinou a cabeça para trás e admirou um modelo em especial.
- Aha! – declarou com um sorriso triunfante – Esse é perfeito! Maria, você concorda, não é?
Maria, que estivera sentada ao lado e costurando algo, olhou. Sua expressão iluminou-se e concordou:
- Sim, Marquis, você conseguiu novamente. Esse é perfeito!
Gina forçou-se para não reclamar. O vestido não era perfeitamente confortável. Era tão inconfortável quanto os outros vestidos que já usara – talvez até mais, pois era mais pomposo e estava morrendo de medo que quando se mexesse, rasgasse-o. Mas é claro, era o mais bonito que já havia visto até então. O corpete era branco, com azul púrpuro na parte dianteira, com mangas no mesmo tom de escarlate. A saia era incrivelmente longa, a barra sobrava caída no chão ao invés de meramente tocá-lo, feita de cetim branco com os mesmo detalhes em púrpura da parte dianteira. E depois que Marquis saiu do lado dela por um minuto, indo até a pilha, retornou com uma capa rubra que amarrou em seus ombros.
- Maravilhoso – murmurou Marquis prazerosamente, unindo suas mãos.



* * *

Mais tarde naquele dia, Draco e sua família ainda não tinham chegado. Gina sentou-se na cama, sem estar usando o vestido desconfortável mais. Estava preocupada com isso pois achava que a saia era muito longa para ela, e estava horrorizada com a possibilidade de tropeçar enquanto tentava dançar. Marquis fora embora logo após guardar seus vestidos, e a ruiva não teve oportunidade de pedir que diminuísse a barra. “Como eu vou tentar dançar quando não tenho nem um vestido que serve direito em mim?” pensou.
Ah, definitivamente não estava contando os minutos para esse baile.
Agora, observava Maria ocupar-se limpando o grande espelho, sussurrando vez e outra e ficando na ponta dos pés para alcançar o topo. Gina olhou por alguns minutos, sentindo-se insegura do que fazer, quando Maria perguntou:
- O que você está olhando, menina?
- Desculpe – disse a ruiva.
- Você não precisa desculpar-se – respondeu – Eu só estava curiosa da razão de você estar me encarando desse jeito. Há algo a perturbando?
Gina devia ter percebido que ela podia ver seu reflexo no espelho, e podia ler sua expressão tão claro quanto o dia. A jovem suspirou, seus ombros subiram e desceram, e falou rapidamente:
- Eu não sei dançar.
Maria pareceu gelar por um segundo, mas pode ter sido a imaginação de Gina. Lentamente, a aia baixinha virou-se e encontrou seus olhos.
- Não sabe? Alteza, você dança desde que tinha idade suficiente para caminhar.
Gina enrugou o nariz. “Perfeito, isso vai ser bem mais difícil ainda de explicar” pensou estupidamente. Como poderia dizer que mesmo tendo dançado a vida toda, de repente esquecera-se?
- Eu só... preciso de mais alguns minutos de treinamento, só isso – acabou resmungando.
Maria sorriu em confusão.
- Bem, Alteza, levante-se e venha aqui – disse, deixando seu pano na mesa. Quando Gina ficou hesitante em princípio, Maria gesticulou com a mão – Venha, venha, eu tenho outras coisas para fazer ainda.
Gina parou na frente dela, sentindo-se muito desajeitada.
- Que tipo de dança você não sabe? – Ela falou com sobrancelhas arqueadas e um toque de diversão em sua voz. “Ela reconhece que é engraçado” percebeu a princesa, sua testa franzindo-se ainda mais.
- Eu sei dançar música lenta – disse Gina levemente. Mas então, música lenta dessa época devia ser diferente da que conhecia, para acompanhar as grandes saias que as mulheres tinham que usar – Mais ou menos – adicionou – Mostre-me a posição de novo?
Maria deu a ela um olhar muito desconfiado.
- Se você deseja, Alteza – disse com um suspiro, e levantou as mãos. Gina percebeu que aquela definitivamente não era a dança lenta que conhecia. Esse tipo de dança não precisava das duas mãos nas mãos do parceiro. Na maioria das vezes, ela colocava as mãos nos ombros dos rapazes.
Endireitando-se, e tentando engolir sua vergonha, Gina uniu suas mãos com as de Maria. A empregada deu um passo atrás e sacudiu a cabeça.
- O quê? – perguntou a jovem timidamente.
- Assim, Alteza – ordenou, colocando sua mão direita na cintura de Gina. Então, com sua mão livre, guiou a mão esquerda de Gina para seu braço superior, e agarrou a outra. Satisfeita, Maria começou a mover os pés, e a princesa moveu-se com ela. Depois de um minuto, soltou as mãos e parou – Você precisa relaxar – comandou – Está muito dura. Mas fora isso, saiu-se bem.
Apenas um pouco aliviada, Gina disse:
- Que outras danças vai ter?
- O normal – respondeu Maria, um pouco com distração, pegando o pano e continuando a limpar o espelho – Pavan, branles, Fabritio Caroso...
Gina tremeu, seu estômago agitando-se de nervosismo. “Nunca ouvir falar nessas danças” ponderou, com medo “Eu não saberei nada, nem um único passo...”
- Eu esqueci como dançá-las, na verdade – disse, mais alto do que pretendia – Pode me mostrar novamente?
Maria riu a sua risada fatal sem nem virar-se.
- Por Deus, Alteza, mesmo que você não soubesse como dançá-las, não há como aprender todos os passos até amanhã. Estou claramente confiante que você não está falando sério.
Os ombros de Gina caíram.
- Bem, estou concordando em tentar – disse depois de um tempo – Eu realmente esqueci, sabe – Estava começando a entrar em pânico sobre o baile agora, e não importava mais se Maria achasse que estava sendo estranha ou não. Quando a aia apenas riu novamente, adicionou – Só pratique um pouco comigo, está bem? Então vai ver que não me lembro de nada.
- É claro, se é isso que quer fazer, Alteza – respondeu finalmente Maria, deixando o pano de lado novamente e virando-se – Depois de passar alguns dias de cama, posso entender que queira praticar.
- E também que eu não sei dançar em primeiro lugar – Já nesse ponto não importava mais o que dizia, pois Maria não acreditaria. Poderia ter revelado que era de quatrocentos anos do futuro e a empregada provavelmente teria meramente rido e dito para que parasse de brincar. “Mas então” ponderou “Quem iria acreditar? Não tenho certeza se acreditaria em alguém que dissesse que era do futuro, especialmente se fosse alguém que eu pensava que conhecia há vida toda.”
- Vamos começar pelo Branle? – perguntou Maria claramente, sorrindo confiante em si mesma quando levantou apenas uma mão.
- Er... Claro – respondeu. “Que diabos é isso?” perguntou-se, desajeitadamente alcançando suas mãos. Estivera esperando por uma dança que já tivesse pelo menos ouvido falar. Mas então, já devia saber que não seria tão simples.
Maria piscou várias vezes.
- Você precisa apenas de uma mão, Alteza – disse, claramente confusa – Não fique na minha frente... venha ao meu lado. Você sabe como deve ficar.
“Não, eu não sei” Gina queria dizer, mas mordeu sua língua pois não melhoraria a situação. Obedeceu sem uma palavra, rezando que não fosse tão difícil aprender.
- Pronta? – perguntou Maria, olhando-a e sorrindo abertamente – Vamos começar... – Deu um passo para a esquerda, e Gina acompanhou-a desajeitadamente, apenas para receber um suspiro de espanto e um olhar de desaprovação de Maria – Não, não, Alteza. Antes mesmo de começar, mantenha seus pés juntos. Então depois de dar um passo, una-os novamente. Lembra?
Com as bochechas queimando, Gina resmungou:
- Sim, eu me lembro agora.
O sorriso da aia retornou e ela concordou.
- Vamos começar novamente – E mais uma vez deu um passo para a esquerda, e Gina imitou-a, tomando cuidado para unir os pés. Maria deu outro passo na mesma direção, e a jovem seguiu-a de novo. Então, sem avisar, deu um passo para a direita, chocando-se com Gina, que não estivera esperando – Alteza, agora vamos para a direita. – Soava impaciente – O que você está tentando provar? Eu sei que você não pode ter esquecido como dançar. Acabamos de ter um baile mês passado! É impossível ter esquecido em tão pouco tempo.
- Estou dizendo, honestamente eu esqueci – respondeu a princesa, sentindo-se idiota. Repentinamente teve uma idéia de desculpa e apressou-se para adicionar – Acho que deve ter sido a doença. Deve ter me feito esquecer como dançar.
De repente, Maria parecia preocupada, soltando sua mão e encarando-a:
- Verdade? Você anda tendo problemas de memória? Esqueceu de mais alguma coisa?
Gina sentiu-se aliviada – Maria acreditaria que ela tinha esquecido e a ensinaria como dançar novamente. Então não ficaria parecendo uma idiota no baile.
- Eu consigo me lembrar do resto bem – respondeu, tentando sorrir – Mas por alguma razão estranha não consigo me lembrar como se dança.
- Oh, querida – Maria pareceu preocupada – Então você esqueceu todas as danças que aprendeu?
- Pois é – respondeu Gina, pressionando seus lábios.
- Oh, querida – repetiu Maria, dando um passo atrás – Isso não vai dar certo agora, não é? Você, a princesa, aquela com quem todos os jovens desejarão dançar, não pode não saber dançar. Talvez eu deva sugerir à rainha que deva cancelar o baile.
“Sim” concordou a ruiva instantaneamente. “Nenhum baile vale a preocupação de que ter que aprender a dançar.” Mas não importa quanto ela gostasse da idéia, sabia que Lavinia nunca cancelaria o acontecimento. A mulher parecia a do tipo que amava bailes, estar em volta de pessoas importantes (mesmo sendo casada com um dos homens mais famosos do país inteiro) e que apreciava estar bem enfeitada. Provavelmente forçaria Gina a ir de qualquer forma, por bem ou por mal. E quando tivesse acabado, culparia a filha por tê-la feito pagar papel de boba.
E Gina não podia simplesmente deitar-se e dizer que não estava passando bem, e ser essa a razão de não comparecer. O objetivo desse baile todo não era justamente por ela estar com saúde novamente?
Suspirando, achando que estava cometendo um erro terrível, ela disse:
- Não, não é preciso cancela-lo. A rai… mãe não permitiria, tenho certeza. Serei obrigada a aprender. Ainda tenho vinte e quatro horas, não tenho?
Maria concordou.
- Sim, mas não será fácil – A aia suspirou, secou o rosto, e endireitou-se para atingir sua altura máxima. Então entortou os olhos em desconfiança e perguntou: - Você tem certeza absoluta que esqueceu, Alteza?
- Eu juro – respondeu rapidamente, unindo as mãos – Eu realmente esqueci.
- Está bem – Maria parecia ter acreditado, mas era como se temesse a tarefa que teria que realizar – Irei procurar alguém que é mais alto que você – algum dos empregados, certamente. Retornarei em breve.
E saiu do quarto, deixando Gina sozinha. A jovem virou-se e jogou-se de costas na cama. “Isso é maravilhoso” pensou “Terei que aprender a dançar músicas que nem ao menos ouvi falar antes, tudo para amanhã à noite.” Não seria uma tarde agradável, e nem um dia de amanhã divertido.
Tendo dificuldade em tentar livrar-se de seu nervosismo, e o baile repentino levaram seus pensamentos a Draco. Ela imaginou que ele simplesmente iria ficar sentado na mesa durante o baile inteiro, comendo e olhando de cara feita para todos. Como ele não devia saber dançar também, certamente recusaria todos os pedidos que recebesse. Por mais relutante que Gina estivesse para admitir, sabia que ele seria convidado a dançar muitas vezes; não somente porque era príncipe, mas também porque provavelmente seria ser um dos mais bonitos da festa.
“Pergunto-me se ele já teve a chance de visitar Dumbledore” levou em conta, tentando pensar em outra coisa senão o baile. “Ele disse que mandaria um recado, mas conhecendo-o bem, provavelmente não teve vontade.”
Gina sabia que assim que visitasse Alexandria, e mesmo que conseguisse alguma informação da mulher, ainda assim iria até Dumbledore sozinha. Queria saber como ele era, e se existisse alguém nesse mundo que soubesse por que ela e Draco estavam ali, esse alguém era Dumbledore. Bem, se existisse alguém que não fosse Tom, que não era do tipo de dizer uma palavra do que sabia sobre eles estarem todos em um universo alternativo.
A porta abriu-se então, e Gina sentou-se para ver quem Maria havia trazido para ser seu par. Um pensamento assustador invadiu-a: e se fosse Tom?
Mas para sua completa gratidão, não era Tom. Era Harry.
Ele não parecia muito feliz por estar presente, pois estava abertamente olhando com expressão feia e até foi ao ponto de cruzar os braços, como se estivesse entediado. Maria pareceu não notar e gesticulou para Gina levantar-se e juntar-se a eles, na parte do quarto que era claro e não havia muitos móveis no caminho. Quando a princesa parou desajeitadamente junto a Harry, a aia moveu-se para o seu lado, obviamente para observar e direcionar.
- Certo, vamos começar pelo Branle – suspirou Maria, preparando-se para o que parecia que seria uma longa noite.



* * *


E realmente foi uma longa noite. Gina ficou entediada logo nos primeiros dez minutos. Ficava todo o tempo escapando olhares para Harry, que parecia que queria estar em qualquer lugar menos onde estava, qualquer lugar menos segurando sua mão e sendo seu parceiro enquanto ela “reaprendia” a dançar. Na medida em que a noite avançava, ela começou a não culpá-lo.
O Branle era uma das danças mais simples, mas as outras eram mais complicadas. Cada passo confundia-se em sua cabeça, misturando-se com outros movimentos, outras coreografias... e continuava cometendo erro após erro. Harry não era um bom dançarino, mas pelo menos sabia os passos, e estava claramente ficando impaciente com ela. Nunca falou, mas suspirada continuamente e bufava de raiva por sua irritação.
Já que os Malfoy não haviam chegado ainda, Maria sugeriu que fizessem o jantar no quarto, para continuar logo após terminarem de comer. Gina concordou, agradecida por um intervalo. Quando a aia saiu para trazer os alimentos, jogou-se na cama, esparramada.
- Nunca irei aprender isso – murmurou, e então esfregou o rosto com as mãos. Quando Harry não respondeu, apoiou-se em um cotovelo, e olhou-o. O garoto estava sentado na mesa agora, parecendo muito interessado em seus dedos. Sentindo uma onda de culpa por ele, pois ele não havia se voluntariado para ajudá-la, muito menos para ouvi-la lamentar-se, adicionou: - Quando Draco chegar, você pode ir. Ele pode ser meu parceiro.
- Obrigado, Alteza – disse com distração e voz neutra.
- Estou muito grata por você, de qualquer forma – disse ela, tentando soar sincera, mas não sincera demais. Deslizou da cama e ficou em pé, alisando sua grande saia. Caminhando em direção à mesa, continuou: - Provavelmente você é o único que tem a altura certa para me ensinar a dançar.
Notando que ela estava ao seu lado, Harry olhou-a, seus olhos indecifráveis:
- Está bem, Alteza. Mas há ainda Dr. Thomas, que também seria da altura perfeita.
O sangue de Gina congelou em suas veias, apesar de não saber a razão exata. Era por causa da menção do nome de Tom? Se fosse, já que havia ouvido o nome milhares de vezes, então por que dessa vez fizera-a reagir desse jeito tão estranho? Ou era talvez por causa do tom de voz de Harry quando falava nele? Como se estivesse sutilmente dando dicas de que Tom é que devia ser o seu parceiro.
Sua mente viajou de volta aos sonhos que tivera, e imaginou o auxiliar de Tom, cujo rosto estava sempre escondido em sombras. “E se fosse Harry?” perguntou-se, recordando suas suspeitas anteriores em que ele era a própria pessoa que assassinava famílias. Agora, de qualquer forma, sabia que era Tom, mas Harry podia ser seu cúmplice de crime.
“Não, não é” ponderou depois de um segundo. Nunca conseguia identificar a voz do estranho, nem seu rosto, mas podia ver seu tipo físico. E Harry não era baixo e corpulento, como o parceiro de Tom. Harry era mais alto, mais magricelo, e sua voz era alguns tons mais fraca. Não havia possibilidade de ser ele, Gina tentou convencer-se, e tirar isso da cabeça.
- Não – disse Gina firmemente em resposta ao comentário de Harry. Então caiu pouco gentilmente na cadeira ao lado dele, virando-a para que pudesse encará-lo. – Eu não quero Dr. Thomas dançando comigo. Não quero que ele me toque nunca mais, e não quero nunca mais vê-lo. Quero que deixe o castelo logo após o baile.
Harry encontrou os olhos dela, e estava visivelmente surpreso.
- Você... você não pensa bem de Dr. Thomas? Mesmo sabendo que se não fosse pelos seus dotes medicinais, você provavelmente estaria morta? – perguntou, levantando uma sobrancelha antes que a outra acompanhasse-a.
Gina suspirou, e cerrou os olhos. “Posso contar a ele” pensou. “Ele não é do tipo que vai direto contar a todos o que eu penso de Tom, e mesmo que conte, eu não me importo. Quero que todos saibam o que eu penso.”
- Eu penso muito mal dele, na verdade – contou a Harry depois de um segundo – Ele não é uma boa pessoa, Harry. Não me importa que todos digam, ou afirmem, que ele é o melhor médico desse mundo horrível. Ele é mau, e nem todas as pessoas suspeitam que o é. Ele é simplesmente... mau.
Harry encarou-a de olhos úmidos, como se estivesse incapaz de acreditar no que ela estava dizendo. Então, quando se deu conta que ela havia terminado, sua expressão tornou-se pálida como de costume, e disse vagarosamente:
- Eu acredito em você, Alteza.
Agora era a vez de Gina de ficar chocada. Ela piscou, entortou os olhos em desconfiança e então perguntou:
- É mesmo?
- Não o vi fazer nada com meus próprios olhos – continuou Harry, abaixando seu tom de voz levemente – mas toda vez que o vejo, eu fico com esse... esse... – Então parou, como se pensasse que estava falando demais. – Não importa, Alteza, não é importante. Irei continuar onde Maria parou de limpar...
Quando ele começou a se levantar, Gina colocou uma mão em seu braço para impedi-lo de mover-se. Dessa vez, ele hesitou, tencionando sob o toque dela, mas não arrancou seu braço. Pelo contrário, encontrou seus olhos.
- Não, espere – disse ela calmamente – Eu gostaria de ouvir o que você tem a dizer sobre ele. Por favor.
Harry fitou-a por outro minuto, o conflito visível em seu rosto, evidentemente debatendo se contava ou não o que pensava. Finalmente, pareceu ter tomado uma decisão, e puxou seu braço da mão dela, apesar de não tão bruscamente como ela esperara. Ele sentou-se novamente na cadeira e mirou-a direto nos olhos, continuando:
- Toda vez que o vejo – repetiu silenciosamente, como se estivesse com medo que alguém pudesse ouvir – Posso quase sentir a pessoa que ele realmente é. Posso sentir que o sorriso que ele dá para cada (e toda) pessoa, não importa quão humilde seja, é falso e posto apenas para representar; posto para cobrir a pessoa que ele está tentando esconder.
Gina já estava interessada, e encontrou-se inclinada levemente para frente:
- E que pessoa você acha que é?
Harry sacudiu a cabeça, indeciso.
- Para ser honesto, Alteza, não estou certo. Mas sei que ele não é o caloroso e maravilhoso médico que finge que é.
O coração de Gina não estivera batendo tão rapidamente há dias. Não era a única que achava que Tom não era tudo o que parecia ser! No momento poderia ter beijado Harry na bochecha, mas conteve-se, pois sabia que definitivamente o assustaria, ou pelo menos, impediria-o de dizer mais.
- Concordo com você – disse Gina com bom senso, também mantendo sua voz baixa – Ele não é bom. Ele é puro mau, Harry. Você é a única pessoa que está perto de reconhecer.
- Você concorda. – Não era uma pergunta, meramente um enunciado de dúvida. Mais uma vez, o garoto levantou uma sobrancelha, e depois a outra.
- Sim – Gina estava um pouco chocada com a reação dele – Você achou que eu não concordaria?
Harry sorriu maliciosamente, o que parecia que não combinava nem um pouco com seu rosto. Então admitiu:
- Eu acreditava que você estava apenas me fazendo confessar algo que pudesse usar contra mim – disse, olhando para a porta.
- De que forma? – Ela tentou manter o desapontamento longe do seu tom. “Ele realmente não gosta de mim, não é?”
- Não vejo por que devia contá-la – disse Harry, seu comportamento frio de volta – Por tudo que sei, você ainda poderia contar aos seus pais o que eu disse; convencê-los a me despedir.
Gina abriu sua boca em choque, e nada inteligente ocorreu-a, então em uma voz magoada e derrotada disse:
- Eu nunca faria isso, Harry.
- Não faria? – disparou irritadamente o garoto, levantando-se bruscamente. Começou a ir em direção à porta, e Gina levantou-se também – Vou ver se Maria precisa de ajuda com a comida...
- Não, não vá – ordenou Gina, correndo atrás dele. Ele parou por um segundo, e ela conseguiu parar entre ele e a porta, de costas para ela – Não vá ainda, Harry. Eu realmente gostaria de conversar com você. E dessa vez, eu quis dizer conversar.
- Nós já conversamos muitas vezes, Alteza – respondeu ele, fitando-a friamente – E nunca discutimos algo que me interessa.
- Harry... – Gina fechou seus olhos brevemente, engoliu em seco e abriu-os novamente, encarando-o mais uma vez – Olha, Harry. Eu sei que fui terrível com você no passado. E sei que você é um criado, e que eu sou uma princesa, e que você vai achar difícil – não, impossível – de acreditar que eu gostaria mesmo de ser sua amiga. Se estou tendo força de vontade para esquecer o fato de você ser um empregado, então talvez você possa esquecer todas as coisas ruins que lhe disse, e todas as coisas horríveis que a minha família fez para a sua. – Ela parou para pegar fôlego, tentando ver se estava conseguindo uma reação dele. A sua expressão continuava branca, mas estava definitivamente prestando atenção, o que encorajou-a.
- Há algo que eu quero que você saiba – continuou ela, seus olhos desviando-se para baixo – Eu não amo a minha família. Realmente não me importo com eles, porque eles não se importam comigo. Minha mãe só tem olhos para moda, jóias, bailes e pessoas importantes, e meu pai só liga para administrar o reino. Eles nunca tiveram tempo para mim...
- Alteza, eu devo mesmo... – começou Harry, tentando alcançar a maçaneta.
- Deixe-me terminar – disse ela, agarrando a maçaneta com sua própria mão para que ele não a pegasse – Estou tentando desculpar-me com você, Harry. Estou tentando desculpar todas as coisas terríveis, péssimas, horríveis e nojentas que meus pais fizeram para a sua mãe. Estou tentando desculpar-me por meu comportamento, e ao mesmo tempo, estou tentando dizer que eu nunca mais irei agir desse jeito novamente.
Harry contemplou-a por um longo tempo, seu rosto revelando nada, antes de falar:
- Você não precisa desculpar-se por seus pais, Alteza – disse por último, calmamente e com isenção – O que eles fizeram não diz respeito a você.
Gina soltou a maçaneta, percebendo que essa era a única resposta perto de positiva que poderia receber dele. Estupidamente, saiu da frente da porta, permitindo que ele saísse. Assim que havia ido, e que estava sozinha no quarto, conduziu-se para a cadeira, em frente à mesa, com pernas tremendo, e sentou-se.
“Isso significa que ele aceita minhas desculpas?” perguntou-se. Mas tudo que havia dito era que ela não precisava desculpar-se pelos seus pais. Não queria dizer que perdoava-a pelos insultos que havia dito a ele.
Suspirando, apoiou seus cotovelos na mesa e mergulhou seu rosto em suas mãos. Parecia que a noite nunca acabaria.



* * *

Draco chegou tarde daquela noite, pois eles não puderam deixar Gales antes do final da tarde. Edward estava de humor azedo por causa dos atrasos que tiveram, e por nenhuma das diligências confortáveis estarem prontas para partida imediata. Então, Elle ficou quieta a viagem inteira, como se estivesse com medo de enfurecer seu pai, e Draco mais uma vez entediou-se profundamente.
Quando finalmente chegaram, ele foi conduzido ao seu quarto, acompanhado por Timothy, que havia vindo desta vez. No momento em que Draco caiu na cama, adormeceu, sem ter tempo de preocupar-se com o baile do dia seguinte.
Infelizmente, quando acordou, sentiu medo. Em um segundo lembrou-se que era por causa do baile da noite, e como estaria totalmente despreparado para ele. “Simplesmente vou recusar todas as garotas que quiserem dançar comigo” calculou, mas ainda não acalmava seu estômago atormentado.
Ficar nervoso incomodava Draco, pois estava raramente, se nunca, nervoso sobre alguma coisa. Estava acostumado a estar preparado, ou a saber que mesmo que fizesse alguma bobagem, sempre haveria alguém para resolver as coisas. Em Hogwarts, o professor Snape fizera isso. Em casa, seu pai. Aqui, entretanto, ele parecia um idiota total se não soubesse dançar, e nenhum pai usaria um Feitiço de Memória para que esquecessem o incidente.
Aqui, ele teria que parecer um completo retardado de preferencia, do que um idiota que não sabia dançar.
No café da manhã, foi a primeira vez que conseguiu ver Gina após dias, e saudável de novo. Ela apareceu depois que ele já estava sentado e começou a servir-se, os pais discutiam particularmente alto sobre alguma coisa, a mãe dela ainda não descera, Elle comia enquanto sussurrava a melodia de alguma canção alegremente, perdida em seu próprio mundo. Quando encontrou os olhos de Gina, ela lançou um sorriso breve, suas bochechas tornando-se levemente vermelhas, antes de pegar seu lugar ao lado direito de seu pai.
“Ela é que vai ter que dançar” percebeu Draco, fitando seu prato, sem muita fome. “Ela é que devia estar nervosa, não eu.”
Estava ávido para falar com ela a sós, mas depois do café a sua aia levou-a para começar a se preparar para o baile. Draco perguntou-se quanto tempo levaria para que ela ficar pronta, mas na verdade, não era tão rápido e simples se vestir nesses dias.
Com um suspiro de desespero, ele deixou o salão de jantar e foi procurar algo para ocupar-se e livrar sua mente do evento à noite.



* * *



Gina tomou outro banho, dessa vez mais longo, e foi lavada por três aias, enquanto uma quarta criada constantemente tirava a água fria, e outra recolocava baldes de água quente. Sabia que seria um dia cheio desde o começo.
Esperava que tivesse pelo menos a manhã livre para praticar as danças, mas não foi o caso. Teria, de alguma forma, que sobreviver à noite com o conhecimento limitado que tinha. Ela se tornou grata ao barulho e agitação de todos que a arrumavam, pois assim tirava sua mente do quão ansiosa estava.
Após o banho, seus dedos das mãos e pés estavam enrugados e a ruiva cheirava fortemente a sabão de flores. Então retornou ao seu dormitório para se vestir.
- Quando o baile começa? – perguntou Gina assim que avistou Maria. A aia estava inclinada para recolher as roupas sujas jogadas no chão.
- No fim da tarde – respondeu distraidamente, e deixou o quarto com pressa.
Gina realmente queria que fosse Maria quem a estivesse ajudando a ficar pronta, mas tinha que se contentar com meia dúzia de outras garotas mais novas, todas tagarelando vivamente umas com as outras. Elas vestiram-na em uma blusa e duas roupas de baixo, puxaram-na e apertaram-na com força em outro corpete, e então colocaram-na em uma saia armada. A princesa não tinha desejo algum de usá-la, pois era estranho não sentir a saia roçar em suas pernas.
Mas após colocar o vestido púrpura e branco, percebeu que era a saia armada que impedia que a barra se arrastasse no chão. Agora ela meramente tocava-o, e Gina ficou mais aliviada, satisfeita em saber que era menos provável que tropeçasse em seus pés.
Seu cabelo, assim que seco, foi moldado em uma elegante e elaborada trança. A jovem estava ocupada demais em tentar respirar para notar como haviam feito-a, pois estava com medo que se respirasse muito profundamente e rapidamente, passasse mal. O corpete estava tão apertado que todos os seus órgãos deviam ter sido deslocados ou para cima, ou para baixo. Certamente uma costela ou duas foram quebradas.
Depois que seu cabelo estava arrumado, passaram pó em Gina, e ele foi aplicado tão espessamente que elevava-se em nuvens em seu rosto, e ela tossiu. Estava temendo que passasse mal agora e na hora, mas de alguma forma, nem ficou tonta.
Passando toda essa arrumação, adornos, e penteado, Gina finalmente teve um tempo para si mesma. A maioria das aias que arrumaram-na estavam agora limpando a bagunça, e ela ficou livre para sair de perto, sentar-se na cama, e pensar normalmente.
Entretanto, achou difícil raciocinar em algo senão o seu vestido. Quando sentou-se, a armação elevou-se, quase tão alto quanto seu umbigo. Tentou empurrar a saia, mas descobriu que os aros eram inflexíveis, e rezou silenciosamente para que eles não batessem em alguém. Seria terrivelmente constrangedor.
“Não se preocupe, Gina” disse a si mesmo secamente “você será humilhada o bastante quando tentar dançar à noite. Nem terá a chance de quebrar um aro.”
Ou talvez passasse mal por respirar irregularmente demais. Essa parecia a coisa mais provável de acontecer primeiro.
- Alteza! – disse Maria com sua voz aguda, aparecendo na porta – Alteza, venha! Os convidados deverão chegar em breve!
Amedrontada, os olhos de Gina voaram para o relógio. Já era quatro e meia? “Oh não” murmurou interiormente “Aí vem a humilhação.”
Vagarosamente, para não tropeçar, pois então não conseguiria levantar-se sem a ajuda de alguém, Gina ficou de pé e atravessou o quarto. Tentou caminhar normalmente e com graça, mas acabou recebendo um riso de Maria.
- Parece que você tem um poste ao invés de uma coluna – gracejou – Venha, você tem alguns minutos para tentar caminhar no salão.
No corredor, Gina marchou ouvindo meio distraidamente as direções que Maria a dava. Estava ficando muito nervosa, seu estômago contraia-se, seu corpo parecia paralisado. “Vai ser horrível” previu, elevando o queijo ao comando da aia, tentando caminhar mais naturalmente. “Mal consigo caminhar direito, imagina dançar!”
Após aproximadamente dez minutos, Maria suspirou e dirigiu-se ao lado da princesa.
- Bem – disse – está melhorando. Apenas dê o melhor de si, querida, e pelo menos eu estarei satisfeita.
Seu sorriso caloroso acalmou Gina levemente. Sorrindo de volta, ela virou-se e inclinou-se sutilmente para frente, por medo de quebrar alguma coisa, e abraçou a aia.
- Obrigada, Maria – sussurrou, ainda abarcando-a. Ela sentia-se bem inconfortável apertando-a, mas devia ser por causa das roupas que usava. Entretanto, ainda proporcionava um pouco de consolo, e foi relutante que afastou-se e endireitou-se.
- Você está muito bonita, menina – respondeu Maria silenciosamente, segurando as mãos de Gina de modo tranqüilizador – Você se sairá bem, eu prometo – seu sorriso tornou-se astuto – As chances são dos homens caírem aos seus pés por estarem intimidados diante de você.
Gina riu, apesar de achar que era uma coisa muito idiota de se dizer. “Se eles caírem, provavelmente será porque seus pés ficaram presos na minha saia.”
- Oh! – exclamou Maria de repente – Quase esqueci. Estarei de volta em um minuto, querida, espere aqui. – E correu do salão, desaparecendo na esquina.
A ruiva começou a caminhar novamente, tentando lembrar o que Maria havia dito. “Queixo para cima, rosto para frente, ombros para trás, respire de modo constante mas não muito profundamente...” Como ela iria conseguir lembrar tudo isso quando deveria estar recordando a coreografia da dança?
Um minuto depois, os passos de Maria retornaram, e ela estava segurando algo brilhoso nas mãos. Quando chegou mais perto, Gina viu, para seu choque, que era uma tiara. Maria, vendo a expressão de seu rosto, sorriu e levantou-a para que ela pudesse vê-la melhor. Gina estava com medo de tocá-la; medo de deixar cair e quebrar.
Era prateada, cheia de pedras brilhantes.
- Diamantes? – perguntou Gina silenciosamente, temendo que se falasse alto demais, eles pudessem evaporar – É feito de diamantes?
- É claro – riu Maria – Abaixe sua cabeça, deixe-me colocá-la para você.
Dessa vez, Gina meramente notou como doía para curvar-se. Sentiu a aia ajeitar a tiara, e levantou-se quando ela havia terminado. Agora ficaria bem mais preocupada em se mover rapidamente, pois o lindo objeto poderia cair.
- Não fique com medo que caia – disse Maria, como se lesse sua mente – Há presilhas nos cantos, não reparou? Elas irão segurar bem.
- É... linda – Linda não parecia apropriado para descrevê-la.
Naquele exato momento, Gina apaixonou-se por ser uma princesa.



* * *

Havia um salão para ocasiões do tipo – um salão tão grande, que Draco supôs que coubessem dois, talvez três Salões Principais inteiros dentro, e ainda sobraria um pequeno espaço.
Estava usando um ridículo modelo verde – as calças eram exageradamente apertadas e a roupa justa era muito grotesca. Ele sentia-se como um velho de pernas esqueléticas, peito nu e barriga de cerveja com uma coroa de ouro em sua cabeça... e despenteado.
Mas havia muita comida. E no fundo do salão estava um altar, e em cima ficava o seu próprio trono. Gina estava, do lugar onde Draco encontrava-se, à direita, ao lado de seu pai, sua mãe, Edward, Elle, e finalmente, à esquerda, achava-se Draco. Sentado há quase uma hora, ele estivera bem confortável.
Entretanto, seu estômago vazio havia vencido-o, e ele deixou o trono para ir até uma das mesas. Infelizmente, ele sabia, seu trono era sua área de segurança – nenhuma garota ousava subir e convidá-lo para dançar. Assim que saíra dali, estava livre. A menina mais corajosa convidaria-o primeiro, e isso encorajaria as outras, e então ele não seria mais deixado em paz. Precisava pegar a comida e correr de volta.
Houve um obstáculo que ficou em seu caminho, apesar de tudo – quando olhou a longa mesa cheia de comida, não conseguia, de jeito nenhum, achar um guardanapo. Ou nenhum pano, ou algo que o valha, em que pudesse colocar uma perna de galinha, dois cachos de uva, e voltar para seu trono. Começando a ficar frustrado, teve vontade de simplesmente cortar um pedaço da toalha da mesa. Mas seria difícil, já que parecia quer ela era feita de linho resistente.
Suspirando, Draco pegou apenas uma maça e conduziu-se para o altar. No caminho, foi parado pela primeira vez.
Uma garota, da sua idade, de cabelos castanhos que pareciam palha e olhos castanhos úmidos, usando um vestido rosa, apareceu do nada em sua frente, fazendo uma reverência profunda. Ela bloqueou seu caminho, e antes que pudesse desvia-la, ela já estava levando sua cabeça. Não poderia sair sem que ela percebesse, e não queria que pensasse que ele era um tremendo estúpido. Então cerrou os dentes e esperou.
- Olá, Alteza – disse, sua voz tremendo apenas um pouco. Não era exatamente uma garota bonita, pois quando sorriu à ele, o jovem observou dentes tortos, amarelos e cinzas que nunca havia visto antes, mas ela também não era feia. – Como você vai? Espero encontrá-lo numa boa saúde.
Draco deu uma grande mordida na maçã, tentando não fazer cara feia com o gosto da casca em sua boca. Desejava desesperadamente que tivesse uma faca para descascá-la, pois achava-a nojenta, dura e horrível de mastigável, mas não tinha, e se dava mal tanto com a maçã com casca quanto com o estômago vazio. De boca cheia, e um nariz levemente enrugado, respondeu:
- Estou bem, obrigado. Mas se você veio falar sobre saúde, talvez seja mais apropriado perguntar à Princesa Gina. Esse baile é para a sua saúde, não minha.
O sorriso da garota vacilou antes de desaparecer por completo.
- Você gostaria de dançar? – perguntou com desânimo, já sabendo a resposta.
- Não, obrigado, eu gostaria de retornar ao meu lugar. Obrigado – adicionou com um afirmo de cabeça, e passou por ela, sentindo seus olhos presos em suas costas. Ele tinha sido o mais educado possível, e ela ainda ficara irritada com ele. “Bem,” pensou, dando outra mordida na maçã e recuando (pelo gosto da casca) visivelmente. “você não pode ganhar todas, não é?”
Estava na metade do caminho ao seu trono quando foi interrompido novamente, dessa vez por um homem. Por um breve minuto Draco pensou que talvez ele fosse convidá-lo a dançar, mas ao invés disso, o sujeito apenas sorriu abertamente e disse em voz alta:
- Draco! Como vai, garoto? – e deu um tapa em seus ombros.
O senhor era alto, acima de um metro e oitenta e cinco centímetros, e largo. Draco sentiu-se baixo e pequeno ao seu lado, especialmente com suas calças justas. Tinha que elevar sua cabeça levemente para ver seu rosto, e não importa quantas vezes contemplasse seus traços, seus cabelos louros e olhos azuis, nada de familiar ocorreu-lhe. Do jeito que o indivíduo chamara-o, Draco provou que devia ser um velho amigo ou algo que o valha.
O príncipe percebeu que ele estava ainda esperando uma resposta, e rapidamente falou, com uma boca cheia de maçã:
- Bem, obrigado – e engoliu antes de dar outra mordida.
O homem continuou a sorrir estupidamente para ele, a mão ainda no ombro de Draco, e prosseguia esperando que o outro dissesse algo. Quando não ocorreu, ele gargalhou profundamente, virando-se em direção aos tronos.
- A Princesa Gina está muito graciosa esta noite – comentou, olhando em sua direção. Ela estava sentada em seu trono, parecendo quase entediada.
- Ahan – respondeu Draco com distração. A verdade era que estivera tentando não pensar em Gina a noite toda. Ela estava bonita demais. Era importante manter sua mente em outras coisas senão a sua aparência, pois sabia muito bem que estava se sentindo atraído por ela. Isso estava claro, e ele não podia negar. O único jeito de lidar era não pensar nela.
- O grande dia está se aproximando, não é? – o cara continuou, sorrindo na direção de Gina por um momento antes de retornar sua atenção à Draco – Mais, o quê, dez dias?
Draco concordou, percebendo que estava certo. Hoje era dia quinze. Havia só mais dez dias antes de se casar com ela. Isso fez seu estômago tumultuar-se desconfortavelmente, e desejava desesperadamente que o sujeito mudasse de assunto.
- Bem, - disse com um tom de finalidade, indicando o fim da conversa – é bom vê-lo novamente, Draco. Você nunca mais veio me visitar, não como ia quando era mais novo. Não gosta mais de ir ver seu único tio?
Draco simplesmente conseguiu impedir-se de repetir “Tio?”. Ao invés, forçou um sorriso.
- Desculpe, er, tio. Certamente irei visitá-lo qualquer dia.
- Bom, – seu tio disse, dando um último tapa em seu ombro – Bom.
E então misturou-se na multidão.
Draco não tivera idéia absoluta de que ele era seu tio. Por que Edward nunca o mencionara? Bem, não fazia grande importância. Talvez eles não fossem os melhores irmãos. Ou talvez...
“Ele deve ser o irmão da minha mãe” reconheceu. Definitivamente eles tinham o mesmo tipo de cabelo louro, mesmo que o homem tivesse um tom ou dois mais escuro.
Tirando isso da cabeça, Draco conseguiu retornar ao seu trono. Elle sentava no seu próprio, ao seu lado, usando um vestido elaborado de veludo azul e uma tiara dourada, observando o baile com interesse. Estava cantarolando junto com a música, e parecia como se quisesse estar lá dançando.
De saco cheio com a casca nojenta da maçã, Draco deixou a fruta de lado, entre seu trono e o dela. Inclinando-se em direção à irmã, perguntou:
- Por que você não vai achar alguém para dançar?
Surpresa, ela encarou-o. Sorriu, mas era um riso triste.
- Não há ninguém da minha idade aqui – disse com um suspiro, fitando os casais dançantes mais uma vez.
Draco desejou verdadeiramente, pelo menos por um segundo, que soubesse dançar, para que pudesse faze-lo com ela. Mas em um instante o desejo desapareceu, e ele voltou à sua posição e contemplou os casais.
Meia hora se passou, e a festa não mostrou sinais de acalmar-se. Fitando o monstruoso relógio na parede, Draco viu que era apenas onze horas. Podia continuar por mais três ou quatro horas. Suspirando com irritação, o garoto deslizou em seu assento e rezou para que acabasse logo.
“Então talvez eu possa pegar algo decente para comer” pensou.


* * *


“Ótimo!” pensou Gina, olhando o relógio. “São dez e meia e eu ainda não dancei uma só vez!”
O baile teria que acabar logo. Estava sendo absolutamente tedioso ficar sentada em seu trono a noite inteira, e havia ocupado metade do tempo em sua respiração. Mas valeu a pena, porque não teve que dançar com ninguém.
A melhor coisa, entretanto, era que Tom não pudera comparecer. Isso fazia a festa quase parecer boa.
“Talvez a realeza deva ficar sentada em seu trono o tempo inteiro” ponderou. Havia visto seus pais e o pai de Draco levantarem-se apenas algumas vezes, para pegar um pouco de comida ou conversar com um convidado importante ou velho amigo. Em um momento até Draco saiu.
Agora, de qualquer forma, estavam todos sentados. E Gina estava rezando, rezando e rezando para que acabasse.
Ficou imensamente aliviada quando seu pai levantou-se, e de uma só vez um silêncio fez-se no salão, e os músicos pararam de tocar, abaixando seus instrumentos. O Rei Robert limpou sua garganta, e anunciou em uma voz alta e arrojada:
- Senhoras e senhores, eu odeio ter que pôr um fim a essa maravilhosa noite... – Gina riu: não que ele tivesse feito algo para ser maravilhosa... – Mas eu devo.
- Como cada um de vocês sabe muito bem, precisamente em dez dias minha filha se casará com Príncipe Draco Malfoy - continuou, e Gina parou de respirar por um momento à menção de seu nome. Um medo cresceu em seu estômago, percorrendo sua espinha... por alguma razão, sabia exatamente o que seu pai iria dizer antes que o fizesse. Enquanto Rei Robert parou para encorajar uma leve corrente de aplausos, a ruiva forçou-se a respirar normalmente – Então antes que partam, eu gostaria que permanecessem para uma última dança – uma última dança da minha maravilhosa filha e seu noivo.
Dessa vez os aplausos foram mais altos, e Gina piscou. “Isso não pode estar acontecendo” pensou. Nunca ocorreu-a que talvez tivesse que dançar com Draco. Estivera preocupada demais em ser forçada a fazer par com Tom. Como ele nem estava ali, o medo evaporou-se, mas por alguma razão havia se esquecido de Draco.
Todos os olhos estavam nela. Custou alguns instantes para lembrar-se que tinha que se erguer, e ela o fez, sentindo como se estivesse prestes a cair. Quando soltou a longa capa, deixando-a cair em seu trono, viu que, para seu alívio (por mais pequeno que pudesse ter sido), os convidados haviam todos se movido para os cantos do salão, deixando um grande espaço para dançar no meio. “Pelo menos,” pensou, tentando engolir em seco. “estaremos dançando entre nós mesmos.”
Ela inclinou-se levemente para frente e olhou para Draco, cujo trono era o mais distante do dela. Não conseguia ver seu rosto, mas podia ouvir Elle sussurrando para ele, e um segundo depois ele levantou-se também. O garoto parecia perturbado, com um carango em sua boca, e sua mandíbula estava cerrada.
É claro, ele também parecia controlado e confiante como sempre. Mesmo quando não tinha idéia do que estava fazendo, conseguia fazer parecer o contrário.
Gina, tentando recordar-se como caminhar em seu maldito vestido, desceu os três degraus do altar, alcançando o chão de madeira dura. Draco fez o mesmo, apesar de mais lentamente. Era a primeira vez que conseguia vê-lo – realmente vê-lo – e as suas vestes fizeram-na querer rir como uma maníaca. Quase parecia que ele estava usando calças justas.
Draco cerrou mais ainda os dentes quando viu-a trazer uma mão à boca, tentando cobrir sua risada. Então, os músicos começaram a tocar. Gina sentiu seu sorriso desaparecer de seu rosto, percebendo que era a dica para começarem a dançar.
Ela descobriu que a única dança que poderia ser feita com essa melodia era uma lenta. O salão escureceu, e viu que as criadas haviam apagado muitas das velas. Sentindo um calafrio, obrigou-se a ir em direção a Draco. As sombras dançavam pelo rosto dele, a luz de velas reluzia em seu cabelo, faiscava em sua coroa de ouro. De repente esqueceu-se do divertido modelo que ele usava, e pensou instantaneamente: “Ele está absolutamente fabuloso.”
Um momento depois, recordou que ela era a única entre eles que estava mais perto de saber como era a dança. Respirando fundo, posicionou-se em frente a ele, a música flutuando em sua cabeça, fazendo-a sentir-se como se estivesse em um sonho. A respiração dela acelerou-se quando sentiu o calor do corpo dele, tão perto do dela, e colocou a mão direita do garoto na sua, levantando-as levemente.
- Coloque a sua mão na minha cintura – disse ela, tão silenciosamente que era mais baixo que um sussurro, com medo de que as pessoas notassem que ela estava posicionando-o. Ele obedeceu, e ela descansou sua própria mão no braço dele.
Gina começou a mover seus pés, insegura sobre como eles deviam fazer nessa música particular. Maria apenas a mostrara a posição, não os passos. “Acho que teremos que improvisar” pensou. Afinal, quem iria interrompe-los só porque não estavam fazendo os movimentos corretos?
Em princípio, quando dirigiram-se para o centro do salão, dançando lentamente e desajeitadamente, ela evitou os olhos de Draco. Sentia-se corada e quente, estando tão perto dele, com sua mão enlaçada firmemente na dele. Seus nervos pareciam queimar onde a pele dele tocava a sua. Nunca havia se sentido assim antes, nunca sentira-se completamente encantada por um garoto. Simplesmente parecia... certo.
Pela primeira vez em uma semana, ela sentiu-se calma; parecia que tudo estava certo no mundo. Elevando seus olhos, viu Draco fitando-a – não, fitando acima dela... a sua tiara. Ele sorriu maliciosamente quando sentiu os olhos dela em seu rosto.
- Como a sua coroa tem diamantes? – ele perguntou em um sussurro.
Ela deu uma risada, para seu próprio desgosto.
- Tudo que você tem é uma simples de ouro... e calças justas verdes. – Lembrando isso, ela caía na gargalhada.
- Não são apertadas – bradou ele na defensiva – E além do mais, você acha que eu escolhi essas vestes malditas?
- Parecem apertadas – disse ela entre risos, tentando desesperadamente parar. A expressão no rosto dele, entretanto, apenas divertia-a mais.
Ele olhou à volta, irritado, e disse grosseiramente:
- Quer calar a boca? Todo mundo está nos observando. Eles não gostariam de me ver empurrá-la e faze-la cair.
“Isso provavelmente só me faria rir mais” pensou ela, mas conseguiu apenas dar um mero sorriso.
- Eu queria ter uma máquina fotográfica. Ninguém acreditará quando eu disser que você realmente usou... o que você está usando.
- Isso mesmo, eles não acreditarão – zombou – Pois se você contar, eu entro na sua casa de noite e uso um colorante permanente para pintar seu cabelo de roxo brilhante. E acredite, mesmo isso não será uma melhora.
Gina teve que apertar sua boca para não rir novamente. Estava bem consciente de que se isso tivesse acontecido há alguns dias, ou em sua época verdadeira, ela ficaria brava com o comentário. Mas as coisas estavam de repente diferentes agora. Não sabia quando tudo havia mudado, ou quando tinha parado de odiar Draco Malfoy. Mas de repente, ele não parecia tão ruim assim. De fato, estava quase satisfeita por estar com ele agora. Naquele momento, não conseguia pensar em ninguém melhor para se estar.
Ambos não haviam exatamente dançado. Agora estavam apenas parados em pé, meio que movendo seus pesos de um pé para outro. Mas nenhuma pessoa havia dito alguma coisa; estavam apenas contemplando-os com plena atenção, como se fosse a experiência mais animada e cheia dramática que já tinham presenciado.
- Você viu Dumbledore? – perguntou Gina repentinamente, lembrando da dúvida que estivera querendo esclarecer com ele o dia todo.
Draco franziu o cenho um pouco e respondeu:
- Eu tentei. Mas ele não me deixou entrar.
Ela sentiu outra vontade de rir.
- Não deixou você entrar? – indagou abafada, tentando manter-se sóbria.
Ele concordou, fazendo um som irritado, e olhou para a multidão de pessoas comprimidas contra as paredes.
- Ele me disse para voltar com você.
Isso não divertiu Gina nem um pouco:
- Comigo?
Draco retornou seus olhos estreitos para os dela:
- Sim, Gina, foi o que eu disse. Você não precisa repetir tudo o que eu digo.
- Desculpe – disse brevemente – Mas ele não o deixou entrar porque você tinha que voltar comigo?
- Bem, eu suponho que ele quis dizer você. Dumbledore disse algo como “Volte com a garota”. Estou adivinhando que você é “a garota”.
- Que estranho – disse Gina, pensando profundamente. Depois de outro instante, perguntou: - Como ele se parecia? Ele era... bem, Dumbledore?
- Sim, era. – Os cantos da boca dele elevaram-se levemente – Não consegui falar muito com ele, mas pelo o que ouvi, parecia o usual maluco.
Ela riu, sentindo que um peso saía de seus ombros:
- Bom. Então ele provavelmente deve saber como chegamos aqui. Ou pelo menos como nos mandar de volta.
Draco concordou distraidamente, mas não respondeu. Então eles ficaram em silêncio, a música lenta quase o único som que enchia o salão. Draco lembrou-se de algo de repente, e perguntou:
- Pensei que Tom devesse estar aqui.
Gina imediatamente endureceu, mas conseguiu manter seus pés em movimento. Ela olhou para baixo e murmurou:
- Ele não pôde vir, graças a Deus.
- Não pôde vir? Como assim, não foi convidado?
- Oh, ele foi convidado – disse Gina amargamente, olhando para cima novamente – Meus pais disseram que ele tinha outro paciente para atender em algum lugar do sul. Fiquei tão feliz que ele não viria que não perguntei os detalhes.
- Ele esteve... – Draco esgotou-se, quebrando o contato entre eles – Ele esteve incomodando você?
A mandíbula de Gina caiu levemente em choque, mas ele estava olhando para outro lugar e não reparou. “Draco acabou de me perguntar algo... algo que o fez parecer preocupado?” perguntou-se ela, rapidamente fechando a boca. Recuperando sua compostura, disse silenciosamente:
- Não, eu não o vi desde que fiquei melhor – então, adicionou em um tom mais feroz – Quando eu for rainha, ele será jogado nas masmorras. Trancado para sempre. Nunca vou deixar ele sair novamente.
Draco elevou uma sobrancelha com elegância:
- Por que trancá-lo?
- Porque é ele que está matando essas famílias! – exclamou Gina, depois de se lembrar de manter o tom baixo.
Draco deu a ela um olhar estranho.
- Bem, posso imaginar como você acha isso, mas...
- Não, Draco, eu realmente o vi – protestou levemente – Eu... eu sonhei com isso – De repente, dizendo em voz alta, não parecia verdade. Soava quase absurdo.
- Sonhos são sonhos, Gina. Eles não significam coisa alguma.
- Mas esses sonhos significam – insistiu.
- Como? Como eles são diferentes de qualquer outro sonho de... de entrar na aula de Poções nu?
Se ela não estivesse tentando chegar a um ponto tão sério, teria rido.
- Porque parece tão real – disse quase inaudivelmente.
Draco ouviu-a claramente, e deixou escapar um tipo de risada:
- Assim como qualquer outro sonho que uma pessoa tem.
- Não, mas eu venho tendo o mesmo tipo de sonho seguido em dias, a única diferença é que cada vez é uma pessoa diferente sendo assassinada – Ela abaixou sua voz para um sussurro, trazendo seu rosto mais próximo do dele – E eles começaram depois que eu tomei a poção que Tom me deu. E acabaram exatamente no dia em que melhorei. Não vê que isso é... bem, estranho?
Ela não percebera quão próximo havia trazido sua face da dele, porque agora seus narizes estavam quase se tocando. Um nó entalou-se na garganta dela, e esqueceu completamente do que estivera tentando dizer. Ao invés disso, estava bem consciente de como a respiração dele estava em sua bochecha, de como seus corpos estavam quase totalmente pressionados juntos, de como o seu coração estava batendo irregularmente. Seus joelhos estavam honestamente mais fracos.
- Eu não me importo, Gina – murmurou ele.
Ela meramente o ouviu. Ficava imaginando como seria a sensação da boca dele na sua, de suas mãos mergulhadas nos cabelos dele... era difícil pensar em outra coisa. Todos no salão evaporaram em um borrão e a música parecia derreter-se em nada...
Gina não teve certeza de qual dos dois inclinou-se para frente antes, mas de repente seus lábios estavam se tocando, apenas meramente. Todos os pensamentos coerentes desapareceram, e o pulso dela subiu, sua pele esquentou-se... e ainda, não foi exatamente um beijo. A boca dele estava gelada, mas quando tocou a dela, pareceu pegar fogo. Ele apertou seus lábios contra os dela antes de ir para trás, fazendo os olhos semi-fechados dela abrirem-se em surpresa. Ele deu um passo atrás, deixando cair a mão dela, deixando a área do corpo dela onde o dele havia estado esfriar.
- A música acabou – disse Draco silenciosamente, e tirou seus olhos dela.
Gina percebeu que ele estava certo – a música havia parado, e os músicos estavam baixando os instrumentos. Ela nem percebera... o aumento das vozes dos convidados encheram o salão mais uma vez, e eles apressaram-se. Ela ficou parada ali, perdendo a visão de Draco quando uma onda de risos de garotas a cercaram, e sentiu-se de repente muito fria.
Entretanto, percebeu, sentia-se bem mais feliz e leve que já havia sentido na semana.
E então o primeiro, e mais provável o último, baile da vida de Gina acabou.

Nota da Autora: Aqui está um capítulo longo e chato, que eu particularmente não gosto porque parecesse se arrastar... O “romance” entre Draco e Gina não foi tão forte, mas irei chegar lá eventualmente, não se preocupe.
Você sabia que a valsa não foi popular até o século dezoito?
Ah e sim, estou consciente de que durante essa época a Inglaterra e a França não eram exatamente bons amigos, então seria bem irreal de alguém como Marquis deixar a família real francesa só para Gina. Mas vamos fingir que nesse mundo podia acontecer, certo?
No Próximo Capítulo: Gina tem finalmente a oportunidade de visitar Alexandria. Irá conseguir a companhia de Harry? E o que acontece quando um grupo de ciganos seqüestra a princesa? Descubra tudo isso no capítulo 8!

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