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4. Crushed


Fic: Wasted Years - Atualizada em 06/02/2009! Comentem!


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Orange blossoms crushed by concrete


“Hermione... Hermione” a voz rouca e baixa sussurrou na escuridão.
”Hermione... Hermione Granger” uma outra voz, mais grossa do que a outra se ouviu.
CRACK!
A morena deu um pulo da cama, suava frio. Esperou que sua respiração acalmasse antes de pensar racionalmente. As vozes ainda pareciam estar ecoando em cada canto de seu quarto. Olhou à sua volta e tentou, em vão, focar em alguma coisa, mas já era escuro demais.
Subitamente as vozes lhe pareciam agouros e a escuridão a fez sentir-se sozinha demais. Um medo a invadiu e antes que pudesse pensar direito saiu do quarto.
Acendeu todas as luzes e sentou-se no sofá, com um grande copo d’agua.
Ainda que tudo estivesse claro, as vozes pareciam que ainda lhe assombravam. Era como se alguém a observasse.
Hermione... Esse nome... Porque esse nome lhe assombrara aquela noite?
Sua mente trabalhava furiosamente. Hermione... Parecia tão... Assustador. Como algo muito antigo e tão ao mesmo tempo... Surreal.
Não queria lembrar do que sonhara. Tinha sentido medo, um medo... Familiar. E quando pensou ter atingido o ápice, sentiu tristeza... A maior que já sentira.
Um arrepio lhe passou pela espinha e a morena juntou seus joelhos num abraço.
Não queria lembrar. O sonho ainda estava muito nítido em sua mente, era muito triste, assustador.
Deu um último gole e depositou o copo na mesinha. Foi aí que o viu.
Um sapato. Um sapato pequeno, talvez feminino, encostado na parede. A morena continuou olhando fixamente para ele. Não era seu, e por mais estranho que fosse, parecia ter um pé dentro. Dali ela podia muito bem enxergar o contorno de um dedão.
De repente, como se tivesse vida própria, o sapato se moveu, deu um passo para frente. A morena levou um choque e gritou, fechando os olhos. Ouviu um murmúrio e continuou de olhos fechados.
Não era nada! Não era nada! Repetia-se mentalmente. Era psicológico! Acabava de ter um pesadelo e estava assustada, sua mente pregará isso nela. Já tinha ouvido falar em pessoas que acreditavam tanto nessas coisas que a própria mente criava imagens como essa.
Mas ela não acreditava nisso! E um sapato andante não fazia sentido! “Por que um sapato?”
Abriu os olhos e observou onde o sapato estava segundos antes. E viu seus próprios sapatos ali, paradinhos e sem contorno de dedão algum, muito menos se movimentando.
Suspirou de alivio. Devia ter sido um truque da sua mente. Estivera tão assustada momentos antes. Olhou novamente para os sapatos para ter certeza de que eram eles mesmos e que continuavam parados.
Mas então, uma pergunta surgiu. Como aqueles sapatos vieram parar ali? Nunca deixava nada fora do lugar, e seus sapatos não era exceção. E realmente não se lembrava de ter deixado-os ali naquela noite.
O telefone tocou, assustando-a.
-Alô? – sua voz saiu trêmula.
- Rach? Que voz é essa? – a voz de Cordélia não combinava em nada com o clima tenso que acabara de passar.
- Desculpe, eu estava dormindo e...
- O quê? Rachel! São oito horas da noite! – exclamou, indignada.
- Eu estava cansada demais. Essa semana foi realmente longa...
- Sem desculpas Rachel! Quero você arrumada e irresistível aqui em casa às... – Cordélia pareceu procurar um relógio. -... Nove horas em ponto!
- Melhor não, Cordélia, tenho que...
- E nem um minuto a mais! – acrescentou como se a morena nem tivesse falado. – Até! – e desligou.
A morena pensou até em ligar de volta para Cordélia e dizer que não ia, mas seus olhos focaram os sapatos e decidiu que precisava sair um pouco.
De qualquer maneira, já tinha recusado sair com Cordélia na noite passada, seria muito de sua parte não sair naquele sábado também.
Produziu-se com exação. Era uma das primeiras vezes que saia para se divertir em New York.
Quando chegou à cidade, seu objetivo era estudar e trabalhar, não tinha tempo para sair. Mas no fundo ela sabia que usava isso mais como uma desculpa para explicar a si mesma o porquê das pessoas não se aproximarem dela. Em geral, garotas recatadas, vindas do interior do Texas e super inteligentes, não eram bem aceitas por nenhum grupo escolar. E no trabalho, a única pessoa com quem já saíra, fora com Matt. E ainda assim só tinham ido ao teatro e uma vez única vez ao cinema.
Era uma sensação um tanto quanto estranha estar pronta e gostar do resultado. Realmente, roupas novas a faziam parecer outra pessoa, ou talvez fosse seu estado de espírito que fizesse essa mudança nela. Tudo que ela queria há oito, longos, anos tinha se realizado naquela semana.
Hesitou. Tinha sido promovida sim, mas as coisas não saiam do jeito que ela esperava que fosse. Lembrou-se da revista e inevitavelmente se lembrou... De Harry.
Droga! Por que tinha que ficar pensando nele?
Já não era suficiente ter que ver seu rosto estampado em cada canto daquela cidade? Em cada revista, nem que se fosse um pouquinho só e sobre coisas fúteis, em cada noticiário...
E novamente estava pensando nele... Por que Harry não, simplesmente, sumia de sua mente? Quem sabe de sua vida!
Ela não sabia o porquê da presença dele a incomodar tanto, pois ao mesmo tempo em que sabia que o tivera por toda sua vida, parecia que ele estava tão distante.
A morena parou de calçar suas sandálias. Sabia que o tivera por toda sua vida? Foi isso que tinha pensado?
Sacudiu a cabeça tão forte que se sentiu zonza. Precisava parar de pensar em Potter. E urgente.
Terminou de calçar as sandálias e saiu do apartamento.

O lugar era lotado e quente. Cordélia escolhera ficar no balcão apenas para que as duas pudessem observar as outras pessoas dançando.
A morena não tentou disfarçar sua fascinação pelo lugar e todo mundo podia perceber que ela nunca fora em um lugar daqueles.
Nem ao menos parecia que apenas uma hora atrás estava dormindo em casa, sem nada para fazer, ninguém para conversar. Toda aquela animação a fez se sentir outra pessoa.
- Se eu soubesse que ia ficar tão feliz assim teria te convencido ontem mesmo a vir! -exclamou Cordélia, igualmente radiante, mais pelo sorriso da morena do que pelo clima da onde estavam.
- E se eu soubesse que ia ser tão divertido assim, teria parado de me preocupar tanto com o trabalho! – gritou a morena de volta, para ser ouvida.
- E vai ficar mais interessante ainda! – disse Cordélia, olhando por cima do ombro da morena. – Aquele gato ali, não tira os olhos de você! – mas a morena não ouviu e Cordélia não teve tempo de repetir. O mesmo homem que ela mencionou veio em direção as duas.
- Rachel Chase! – saudou o loiro, alegre. A morena sobressaltou-se de leve e virou a cabeça para trás de modo a enxergá-lo.
- Sr. Ness! – cumprimento num pulo, apertando sua mão, porém o loiro sorriu descontraidamente.
- Me chame de Liam, Rachel! – pediu, ainda sorrindo. Ela, no entanto, sorriu, constrangida.
- Está é Cordélia, se... Digo, Liam! – apresentou os dois e Cordélia pareceu encantada com Liam.
- Cordélia, Cordélia... Já ouvi esse nome antes. – por um momento Liam fitou Cordélia, parecendo tentar se lembrar de algo.
- Nós já nos falamos antes, sou secretária do Sr. Potter. – explicou ela, completamente fascinada por estar ali com ele.
- Ah certo! – o semblante de Liam relaxou. – Você é a garota simpática com quem eu falo pelo telefone, certo? – Cordélia assentiu, sorrindo para ele. Então Liam virou-se para a morena. – Então, o pessoal da empresa todo resolveu sair para se descontraírem. – mas ele não pareceu perguntar. – Confesso que quase tive que arrastar Harry para cá, ultimamente ele anda muito perturbado – contou Liam, e a morena sentiu seu corpo retesar. Teria ouvido bem? Harry estaria ali?
- O Sr. Potter anda muito preocupado com o caso do cão. – respondeu Cordélia. Cão, era como chamavam o caso da máfia japonesa, sem ninguém ficar sabendo.
- É claro, todos estamos, mas tudo isso já dura dois anos. Harry está perturbado demais essa semana. Nunca o vi desse jeito, nem quando eles conseguiram escapar dos dois assassinatos em Nothing Hill! – disse Liam, pensativo. – Bem, senhoritas, voltarei para o salão de jogos, Harry deve estar jogando daqui a pouco e vai querer um parceiro a altura. – mostrou-se contente e confiante. – Talvez as duas gostariam de me acompanhar, tenho certeza de que aqueles homens morrerão de inveja quando eu entrar na sala com as duas mulheres mais bonitas de Wolfram e Hart. – brincou Liam, oferecendo as mãos macias para as duas. Mas antes que a morena pudesse pensar em uma desculpa para fugir de um encontro com Harry, Cordélia tomou a dianteira.
- Ficaríamos encantadas, Sr. Ness! – respondeu à loira, tomando sua mão com um grande sorriso.
- Cordélia, Liam. – pediu, e olhou para a morena numa pergunta silenciosa. Ela ainda hesitou, mas sentiu-se encurralada, e mesmo que não encarasse Cordélia, sabia que a outra a olhava, como se dissesse que seria muita indelicadeza recusar o convite.
E depois, ficaria sozinha ali se recusasse, pois Cordélia já aceitara.
-Sim, ficaremos encantadas. – disse ela, por fim, aceitando sua mão e desejando que ele não percebesse que, na verdade, ela gostaria de sair correndo dali.
Liam reposou as mãos na cintura das duas e as guiou para uma porta preta. Dois seguranças em cada lado da porta e uma grande fila ao lado, uma mulher alta e esbelta conferia uma lista e pedia o nome de cada um antes de entrar, mas eram poucos, quase nenhum, os que passavam pela porta.
Ness nem ao menos chegou perto da fila, simplesmente dirigiu-se as portas e os seguranças abriram passagem. Cordélia olhou, discretamente para a morena, em admiração.
Ela, logo percebeu que o lugar era freqüentado pelas pessoas mais poderosas do país. Empresários, governadores, prefeitos e mais políticos pareciam se concentrar ali, fora algumas celebridades que conhecia dos noticiários e revistas.
A morena sentiu como se tivesse há muitas décadas atrás, em uma daquelas festas de elite em que os maiores representantes do mundo se reuniam para as jogatinas e para também poderem roubar ou armar algum plano para continuar a escravizar quem vivia abaixo do estilo de vida deles. E o cheiro forte de bebidas e charutos a fez sentir-se dentro de um filme.
A única diferença era a modernidade e que agora as acompanhantes se vestiam com mais partes do corpo descobertas. Além de ganharem muito mais, é claro.
Enquanto Cordélia parecia encantada com esse novo mundo a morena sentia-se incomodada. Alguns advogados, os melhores que ela conhecia, sentavam-se ao lado dos políticos mais falsos e corruptos que existiam, como se fossem velhos amigos.
Homens. Um arrepio percorreu suas costas. Era só o que tinha naquele lugar. As poucas mulheres que existiam, naquele lugar ou eram serventes ou as acompanhantes, que em geral, para ela, era a mesma coisa.
As únicas mulheres decentes que estava ali eram Cordélia e ela própria. No que será que Liam as envolvera? Ou aquilo era algum tipo de proposta?
O seu coração começou a bater intensamente. Se era alguma dessas coisas que se passava pela mente de Liam, então daria meia volta naquele instante!
Ela o encarou, o desafiando, mas ele nem ao menos a olhava. Levou as duas até o balcão do outro lado da sala, quase vazio e sentou-se no meio delas.
- Preciso contar-lhes algo, queridas, - começou, e a morena o encarou, esperando pelo momento em que partiria dali imediatamente. – na verdade, as convidei para não me sentir sozinho neste lugar. – confessou, e a morena seque tinha cruzado os braços, sem perceber, deixou-os cair ao longo de seu corpo. – Não me dou muito bem com esse tipo de gente que está aqui. Muito hipócritas, em minha opinião. – disse ele, dando de ombros, enquanto o barman lhes servia uma dose grande de uma batida avermelhada.
- Desculpe, mas senhor... Digo, Liam, - Cordélia, parecia igualmente surpresa. – Se não gosta do lugar, por que estamos aqui?
- Foi o único jeito de tirar Harry de casa. – respondeu ele, com um longo suspiro. – Ele é meio obcecado em jogos. – então apontou para uma mesa, ao longe deles. O estômago da morena deu alguns solavancos quando seu olhar encontrou o próprio na mesa. Era o único que sorria sem falsidade. E ela desejou que ele nunca parasse de sorrir. Seus olhos baixaram para a mesa e ela pôde ver claramente que Harry estava perdendo, e muito, percebeu ela, passando os olhos pelas fichas dos outros.
- É pôquer que eles jogam? – perguntou Cordélia, excitada.
- É sim. – respondeu Liam, agora a encarando surpresa. – Joga?
- E muito bem. – assentiu a loira, ainda olhando para a mesa.
- Gostaria de entrar? – então a sorriso da loira desmoronou.
- Temo não poder apostar o que está em jogo. – e tanto Liam quanto a morena entenderam o que Cordélia queria dizer. Os participantes daquela mesa deviam ser multimilionários e, portanto suas apostas não era grãos de feijão, como parecia.
- Não se preocupe até as duas tudo o que vale ali é a dignidade de não perder. – disse Liam, encorajando-as. - Regras da casa. – explicou quando esta a encarou confusa.
- Então eu poderia participar?! – perguntou ansiosa.
- Claro que sim! Espere só um minutinho... – respondeu ele, voltando sua atenção a mesa.
- Davis! – e todos da mesa viraram para Liam, mas a morena prevendo que isto aconteceria virou-se de costas antes que Harry pudesse enxergá-la. – Tem lugar para mais uma?! – continuou Liam, apontando para Cordélia. Os homens deram risadas, mas de surpresa, o que a morena concluiu ser o tal de Davis.
- Só quando o próximo perder! – ouviram-se mais risadas da mesa e um dos homens falou:
- E quem poderia ser? – mais risadas e então eles continuaram o jogo. Achando que já seria seguro, a morena voltou-se para olhar Liam e Cordélia.
- Bem, eu não contaria com isso muito cedo! – disse Liam, para a loira.
- Mas por quê? Harry já está com apenas duas fichas. –questionou Cordélia.
- E isso já é muito. Harry tem o costume de vencer, inexplicavelmente quando atinge o chão do jogo. – explicou Liam, mas embora sorrisse, sua expressão era um pouco preocupada.
- Ainda bem que ele joga antes das duas não? – disse a morena percebendo que era a primeira vez que falava desde que entrara na sala.
- É isso que me preocupa. Ele sempre continua depois das duas. – Liam parece um pouco desconcertado. – Sabe, eu jogo depois das duas, mas o que ele põe em jogo... - mas ele não continuou, pois Davis voltou a falar e a morena virou-se de costas novamente, sabendo que era tolice agir daquele jeito.
- Ness! Temos dois lugares vagos! Gostaria de se aquecer antes da real partida?! – Liam virou-se para a morena, e estranhou que ela estivesse de costas, mas ainda assim perguntou:
-Se importa Rachel?! – a morena que ainda estava de costas, balançou a cabeça, dizendo que não e tomou um grande gole da batida para explicar seu comportamento repentino. Liam e Cordélia então saíram, deixando-a sozinha.
- Mais uma senhorita? – perguntou o barman, indicando o copo vazio. Sentindo-se sozinha e sem nada para fazer naquele, e ela ao conseguir encontrar palavra melhor, antro.
- A mais forte. – pediu, e o barman agilmente pegou um novo copo e despejou uma grande quantidade de absinto nele. A morena então tomou um grande gole sentindo seu cérebro entorpecer na hora e sua garganta queimar completamente.
Virou-se para observar a mesa onde Cordélia e Liam jogavam, esperando que Harry estivesse entre eles, mas quando, focalizou a mesa inteira, Harry não estava lá. Os olhos escuros da morena procuraram nas outras e não o encontrou. E ao contrário do que ela imaginou não foi alivio que sentiu ao perceber que talvez ele já tivesse ido, foi um desapontamento. Talvez de que ele não tivesse percebido que ela não estivesse ali. Percorreu seus olhos mais uma vez a sua volta.
- Procurando algo, doçura? – a morena inevitavelmente afastou-se quando deu de cara com Harry, sentando-se ao seu lado.
- Com certeza não por você. – respondeu seca, mas ela não sabia realmente porque respondera daquela forma, já que um alívio a atingiu.
- Mesmo? – perguntou cínico. – Por que, então, seu corpo inteiro pareceu relaxar quando me viu? E, de repente, parou de procurar pelo salão inteiro? – o tom irônico incomodou-lhe. Não combinava com ele aquilo. Não combinava com ela aquilo. Os dois não eram assim. Sacudindo a cabeça levemente, a morena voltou-se ao seu copo e virou o resto do absinto, sentindo seu corpo inteiro queimar dessa vez, mas ela não soube se era pelo absinto ou pela aproximação da boca de Harry em seu ouvido.
- Não sei se notou, mas seu desejo se realizou... – o tom era baixo e provocante. A morena arregalou os olhos.
- Como ousa...? – mas Harry se afastara dela, e tomou um gole de alguma coisa que estava em sua mão.
- Bem vinda ao inferno. – e seus olhos percorreram o salão. Sentiu outro alívio, por um momento pensou que ele falara sobre ser sua amante. Avermelhou-se diante desse pensamento e retrucou do único modo que parecia afastá-lo. Contradize-lo.
- Não é o inferno. – se limitou a dizer, pois acabara de notar que sua língua se tornara pesada como efeito do absinto.
- Espere uma hora. – respondeu ele. – Mas que besteira a minha... – o tom da voz de Harry mudou-se se tornando um pouco ameaçadora. – Se a senhorita-sabe-tudo diz que não é então deve ter motivos fortes para protegê-lo. – a morena o encarou e percebeu que ao virar-se para ele, sua cabeça rodava.
- Por que não volta ao seu joguinho, Potter? – a morena então percebeu que os olhos dele se desfocaram momentaneamente.
- Mulheres sozinhas neste lugar não são muito bem notadas aqui... – respondeu ele, tomando outro gole de seu copo, que ela percebera, só agora, ser whiske. – e, além disso, aqui o jogo é muito mais interessante. – a morena então desviou seu olhar, o barman voltou a encher o copo de Harry a seu pedido.
- Não preciso de um guarda costas, sei me virar sozinha. – respondeu, já esperando alguma resposta dele, e antes que ele pudesse falar, continuou. – E não acho que um segurança bêbado, como você, vai proteger algo além de seu copo. - a morena atreveu-se a olhá-lo. Os olhos de Harry brilhando do mesmo jeito que brilhara em sua sala no dia anterior.
- Se é assim que deseja. – e pegou seu copo, levantando-se do balcão. A morena imaginou que ele fosse cambalear ou apenas demonstrar alguma falta de equilíbrio, mas ele se revelou mais dono de seu controle do que ela mesma.
Pediu uma batida fraca dessa vez e esperou que o barman a servisse. Repentinamente, sentiu um cheiro forte de conhaque, mas não precisou cheirar seu copo para saber de onde vinha.
Uma mão alisou seu ombro lentamente e a morena virou seu rosto para o dono daquela mão suada.
- Então, gata, o que consegue fazer em uma hora? –o cheiro de conhaque intensificou no ar, como uma parede sólida entre ela e ele. Foi aí que a morena o reconheceu como o senador de Mississipi.
E ainda que ela se sentisse insultada mortalmente, retirou lentamente e com delicadeza a mão pesada do senador, que agora descia para suas coxas.
- Desculpe sr. Smith, mas eu não faço esse tipo de serviço. – mas o senador não saiu e abriu um sorriso desdenhoso.
- Ah não? Então o quê faz aqui? – perguntou, tentando passar a mão novamente em seu braço, mas a morena afastou-se.
- Vim com amigos, e pare imediatamente com isso! – ela deu um tapa em sua mão, mas ele continuou sorrindo como se não tivesse ouvido e nem sentido nada.
- Então aonde estão seus amigos agora? – sua mão agora alcançou suas coxas, fazendo pressão. Mas dessa vez ela não a tirou, deu um sorriso e apertou o ponto mais fraco de Smith, com força.
- Pois a gata tem garras, senador, e se o senhor deseja se tornar governador de alguma coisa, é melhor tirar suas mãos nojentas de cima de mim! – e fez mais pressão onde segurava até Smith começar a ficar vermelho, e então, soltou. – Gelo? – perguntou a morena, já despejando sua bebida na calça de Smith, dando-lhe as costas.
- Dirigiu-se até o outro balcão que havia do lado oposto da sala. Sentou-se e pediu outra batida. Olhou para o balcão onde estava, mas não viu o senador mais ali. “Ótimo!” pensou a morena, tomando um grande gole de sua batida.

Era uma hora da madrugada, e ela já tinha perdido as contas de quantas batidas tomara, sabia que tinham sido muitas, pois sua boca e garganta estavam dormentes, e sua cabeça girava conforme cada movimento que fazia.
- Alguns homens repetiram o que Smith fizera, mas a morena, no entanto, não precisou repetir o que fez para impedir o senador de ir adiante; a maioria, em geral, se afastava quando dizia que não estava ali para aquilo, com os insistentes ela usava o fato de que poderia processá-los ou falar na mídia, de qualquer jeito arruinaria a reputação de todos eles, já que ali só tinha nomes conhecidos.
Liam e Cordélia não saiam da mesa de pôquer, mas pelo menos continuaram sóbrios, já que não bebiam. Diferente dela. Ela não vira Harry mais em parte alguma, e sentiu-se meio arrependida de ter sido grossa com ele, já que agora não tinha com quem falar.
A morena tomou mais um gole da marguerita e ao invés de tirar o copo da boca, começou a contar quantas bolhinhas conseguia fazer no drink, sem nem perceber que o barman já a olhava preocupado.
Uma mão a tocou nas costas e ela revirou os olhos, pronta para dar o fora em quem lhe incomodava, mas quando se virou para ele percebeu que ele não veio para fazer qualquer tipo de proposta.
- Me acompanhe. – ordenou o grandalhão, seco.
- Pra onde exatamente? – a língua da morena enrolou-se, mas o homem a sua frente nem ao menos mudo de expressão.
- Se me acompanhar saberá. – respondeu ele ,já pegando fortemente em seu braço. A morena teve que ir, já que mal podia andar sozinha. O grandalhão parecia ir em direção a uma das portas em que alguns homens e suas acompanhantes entravam, percebendo isso a morena tentou desvencilhar-se das mãos daquele homem que praticamente a carregava, mas não conseguia, ele era dez vezes mais forte que ela, e a morena... Bem, a morena já estivera melhor. Percebendo que não adiantava forçar, resolveu que gritar seria uma boa opção, mas quando abriu a boca todas às luzes do lugar se apagaram e luzes coloridas e bem menos potentes tomaram conta do lugar, assim como uma música barulhenta e alta demais para que alguém ouvisse um grito. Sentiu pessoas se levantarem e aglomerarem-se, talvez para dançar, mas a morena não poderia saber, estava lutando contra o grandalhão que agora prendia seus dois braços e a erguia com uma só mão, e com a outra, tampava sua boca, erguendo-a do chão e ainda a carregando até a porta.
Um desespero a atingiu de forma tão forte que o cérebro dela parou de ficar tonto e seu coração dava tremendos pulos, parecendo saltar de seu peito.

Finalmente o grandalhão chegou à porta e a jogou no chão do cômodo, fechando a porta logo em seguida. Ela levantou-se agilmente e tentou abri-la, mas foi em vão, já estava trancada. Começou a esmurrar a porta e gritar ao mesmo tempo, mesmo sabendo que seria impossível alguém lhe ouvir dali de dentro.
Uma voz conhecida falou ao fundo do aposento.
- Pode gritar à vontade, esses cômodos foram feitos para não deixaram escapar nem buzina de avião.
- Smith! – disse ela com raiva, virando-se para encará-lo. – É melhor me deixar sair daqui agora, ou... – mas ela não conseguiu completar, de tanta fúria que sentia.
- Ou? Ou o quê? Processará-me? – e então Smith riu, sem emoção alguma, mostrando seus dentes amarelos.
-Ou eu irei a todas as emissoras e imprensas contando quem você realmente é! – começou, grudada na porta. Smith aproximava-se e ao mesmo tempo, tirava o cinto e os sapatos, jogando-os longe.
- É mesmo? E que provas vai usar? Aqui não tem câmeras, tigresa. E mesmo as pessoas daqui, que podem ter testemunhado a sua entrada podem, muito bem, serem compradas. – Smith, tirava sua camisa revelando uma barriga volumosa e caída. – E pense bem, minha garota, quem acreditaria nos motivos reais que a trouxeram para cá. Agora seja uma boa menina e venha para o papai, prometo não morder, a não ser que peça! – e gargalhou novamente. Ela sabia que ele estava certo e que nada podia para detê-lo. Lágrimas afloraram de seus olhos, caindo por sua face. Já passará por isso uma vez e sabia como o poder e o dinheiro podiam pagar pela dignidade de alguém. Mas mesmo sabendo o que aconteceria e mesmo sabendo que era inevitável, pediu entre lágrimas.
- Por favor, não! – pediu em lamurio, se escorando agora nas paredes, como se isso fosse ajudar. O bafo de conhaque chegou perto dela e a morena sentiu as mãos dele subirem das coxas até sua parte íntima sem qualquer pudor. O desespero tomava conta dela.
- Cadê aquela gatinha com garras agora? – perguntou tentando tirar sua calcinha de uma só vez. A morena ainda relutou, tirou sua mão dali, tentando bater em seus ombros, e empurrá-lo com toda sua força. Mas ele era mais forte, prendeu seus braços acima de sua cabeça, e observou suas lágrimas, com triunfo. Ele se aproximou, tentando beijá-la. Mas ela virou o rosto. Smith soltou uma de suas mão e a socou com raiva. A morena perdeu o equilíbrio e caiu de encontro com o sofá que tinha, sentiu seu rosto arder em brasa e chorou mais ainda. Smith a puxou pelos cabelos.
- É bom colaborar viva! Senão vai colaborar morta! – ameaçou ele, e antes que pudesse fazer qualquer coisa, o barulho da porta sendo aberta o interrompeu. Smith afundou o rosto da morena no sofá.
- Como entrou aqui? – perguntou Smith, ríspido, para alguém. – A porta estava trancada!
- Bem... Não está mais. – e a morena reconheceu a voz de Harry, tentou fazer algum movimento, mas não conseguiu, Smith fazia força pra segurar seus braços e sua cabeça. – Pensei que tivesse parado com suas fantasias Smith, vejo que me enganei. – a voz de Harry era de puro desprezo. A morena tentou se manifestar novamente, mas Smith afundou a sua cabeça ainda mais no sofá, fazendo com que ela perdesse um pouco o ar.
- Como entrou aqui, Potter? – a voz de Smith era de fúria.
- Alguns amigos seus estão procurando por você... Tem a ver com alguma coisa sobre hóquei e euros. – A morena sentiu Smith fazer mais pressão em seus cabelos, como se tivesse nervoso. – Acho que vai ter que usar a jane... – mas a voz de Harry parou abruptamente. – Por Deus, Smith! Deixe a moça respirar! – Harry percebeu os esforços que a morena fazia para tentar conseguir um pouco de ar, pois seu cérebro já começava a rodar. Smith pareceu hesitar, e a morena sentiu que poderia desmaiar.
- Está certo, acho que não há problemas com você, não? – respondeu por fim, e então a soltou. Ela sentou-se no sofá sorvendo uma grande quantidade de ar, seu cérebro voltando a funcionar. Foi ai que ela conseguiu encarar Harry.
Harry parece ter perdido a fala e então percebeu as lágrimas grossas que escorriam da face da morena. Ela sentiu a fúria do próprio Harry instalar nela. O que aconteceu a seguir foi tão rápido, que o cérebro, ainda lento, dela não conseguiu registrar. Quando percebeu Harry já tinha avançado em Smith e lhe dado um soco no meio do estômago e acertou com a outra mão o nariz do senador. Logo depois prensava Smith contra a parede pelo pescoço.
- Ouse tocar em um fio de cabelo dela novamente e dê adeus a sua vidinha hipócrita e fútil. – a voz de Harry saiu tremida. Dando outro soco no rosto de Smith, agora ensangüentado, o senador caiu com um baque no chão. Harry virou-se para ela, ainda com os olhos brilhando de fúria. – E você... – bufou ele. – Eu disse que você não deveria ficar sozinha! – ela que ainda estava em choque tentou balbuciar algumas palavras, mas foi em vão. O moreno a puxou pelo braço fortemente e saiu daquele cômodo, passou pela multidão que ainda dançava ao som alto. Saíram do local e a morena reconheceu onde Cordélia e ela estavam antes de Liam chegar. Harry ainda a puxou para fora do estabelecimento, e os dois sentiram o frio vindo da rua, a morena percebeu que ele a levava para o carro dele, estacionado há alguns metros dali.
Quando Harry abriu a porta para que ela entrasse, a morena recusou. Não porque o temia. Nunca se sentira tão segura com alguém. E antes de pensar que aquele era o mesmo Harry que a odiava, o mesmo que conseguiu virar sua vida de pernas para o ar, abraçou-o.
-Obrigada... – conseguiu murmurar emocionada, e continuou abraçada a ele. Segundos depois sentiu os braços dele a envolverem inteira, abraçando-a também. De repente, mais lágrimas surgiram de seus olhos, e ele percebeu, mas ainda assim não se separou dela, a abraçou mais forte.
A morena sabia que era estranho e sem sentido, mas ela conhecia aquele abraço, conhecia aquele cheiro, aquela respiração. Ela o conhecia inteiro. Mais lágrimas rolaram por sua face. E parecia que ela sentia falta daquele abraço, era como se há anos não sentisse aquilo, e de repente tudo voltara. Como alguém que reencontra uma pessoa amada que há muitos não se não via. Como... Saudades.
Vozes ao longe fizeram os dois separarem-se e a morena sentiu um frio repentino, só agora percebia que garoava.
- Entre no carro. – embora fosse uma ordem direta, a voz de Harry estava suave. Ela entrou no carro e observou um grupo de amigos sair de uma das boates dali, sorrindo. Harry deu a volta no carro e entrou.
- Não devia ter vindo. – Harry disse, meio trêmulo.
- Eu estava com Ness e Cordélia...
- Cordélia sabe se cuidar e Ness não entende sobre muitas coisas. – a morena não sabia como, mas sentia que ele não falaria daquilo. – Smith é um porco. Mimado e egocêntrico, não sabe levar um não. – e acrescentou. – E ele é o homem mais decente daquele lugar.
- Então por que vai lá? – por um momento ela achou que tinha tido algo errado.
- Não estarei derrotando meus inimigos quando os torno amigos? – disse Harry, como se recitasse um ditado muito importante.
- Então realmente é amigo deles?
- Só estou dizendo que a melhor forma de fazer com que se faça justiça é primeiro ganhar provas, e isso só terei quando ganhar a confiança deles.
- Não te torna como um deles? – Harry ficou em silêncio. Era besteira, mas ela achou que ele não queria encará-la.
- É o melhor jeito, não o mais certo.
- Nem sempre o melhor jeito leva ao melhor resultado.
- Sabia que iria dizer isso.
- Como?
- Como o quê?
- Como sabe o que vou dizer? Como pode me conhecer assim? – a boca de Harry crispou.
- Você é previsível. – ela poderia ter dito que não era, só pela semana que passará, mas não disse.
Toda a sua vida tinha sido previsível, nunca ousara, exceto a vez que se mudou pra cá, mas não era tão ousado assim, se pensasse bem. Muitos já fizeram o mesmo e para alguns aquilo era normal. O esperado é que dentro de dez pessoas do mundo inteiro, sete venham tentar viver nas cidades grandes.
Tentou lembrar de seu passado, mas tudo era tão... Escuro. Não se lembrava nem de ter se machucado, quanto mais de ser ousada. Seus olhos focalizaram sua cicatriz pequena no joelho.
Deveria ter sido como todas as outras crianças, também tinha cicatrizes. A diferença é que a maioria das pessoas se lembravam de ter feito as cicatrizes. Para ela, tudo era escuro e nevoento quando se falava de seu passado. Não se lembrava de ter caído em lugar nenhum, nem de ter andado de bicicleta, nem de... Seus pais. Ela sabia quem eram, sabia que vivera com eles. Apenas não se lembrava.
Como podia não se lembrar? Era sua vida!Eram vinte e um anos de vida! E tudo que tinha hoje eram fotos jogadas no fundo do armário, e telefonemas de seus pais em datas especiais. Telefonemas de estranhos, fotos de um mundo fantasma.
Mas Harry não era um fantasma. Nunca alguém fora tão real quanto ele, nunca alguém fez tanto sentido, apesar de tudo, em sua vida.
E Harry estava ali, sério, perdido em pensamentos, não parecia tão bravo quanto antes, mas não parecia aliviado tão pouco.
Alguma coisa naquele abraço tinha quebrado uma barreira invisível entre eles, embora só agora que ela percebia o quanto era sólida.
Já estavam chegando perto da onde ela morava quando uma ambulância passou por eles em alta velocidade, seguido por dois carros de polícia.
Um aperto no peito se deu quando Harry virou a esquina de sua rua e ambos viram que a ambulância era no prédio que ela morava. Duas ambulâncias já estavam estacionadas e mais cinco viaturas paradas em frente ao prédio, alguns policiais faziam perguntas aos, que ela tinha reconhecido moradores do edifício.
Harry e ela saíram do carro, a morena com um frio na barriga.
- Desculpem, mas não podem entrar. – barrou um dos policiais.
- Como não?! Eu moro aqui! – bradou ela, e uma maca passou ao seu lado, a morena reconheceu que quem estava deitado era o zelador do prédio.
- Por acaso a senhora conhecia o inquilino do 301?
- 301? Eu sou a inquilino do 301! – seu coração estava aos saltos.
- A senhora é Rachel Jane Chase? – perguntou o policial, conferindo sua prancheta.
- Claro que sou eu! O que aconteceu? – mais uma maca passou e dessa vez era o porteiro da noite que estava deitado.
- Sra. Chase, seu apartamento, ao que tudo indica, foi assaltado. – o policial pediu para que a morena e Harry o seguissem.
O apartamento estava totalmente destruído. Objetos, pessoas e cacos de vidro se encontravam pelo chão, espalhados. O sofá revirado e sua pequena televisão jazia tombada do outro lado da sala, fumaça saindo de alguns cantos dela.
- Porque o senhor diz que ao que tudo indica foi um assalto? – a voz de Harry a surpreendeu, ela não o viu acompanhá-la.
- Nada de valor foi levado... Mas talvez eles tenham levado apenas jóias, não sei dizer... Sra. Chase, há algo que sinta falta aqui? – perguntou o policial.
- Não sei... – era difícil dizer com toda aquela bagunça ali. – Acho que não... – respondeu ela, afinal, nem jóias de valor tinha.
O policial explicou que quando o barulho começou, por volta da meia noite, os vizinhos reclamaram com o zelador. Ele tinha subido até seu apartamento e bateu na porta, mas percebeu que a mesma tinha sido arrombada, porém quando ia se a afastar para chamar a polícia, um dos ladrões estava saindo e o baleou. O vizinho que espiava chamou a policia imediatamente e avisou o porteiro, mas quando os ladrões saíram e o guardinha da noite e o porteiro tentaram impedi-los, foram baleados também, e então fugiram.
A morena continuou examinando os destroços do que um dia fora seu apartamento. Nada ali parecia poder se salvar. Ela andou até seu quarto, todas as roupas jogadas no chão, gavetas e partes do guarda-roupa também se amontoavam no chão.
Depois que ela preenchera alguns formulários os policias finalmente foram embora, as ambulâncias já tinha ido, e aos poucos os curiosos e seus vizinhos voltavam para suas casas.
Um silêncio amedrontador reinou. A morena sentou-se na cama, completamente revirada e em alguns pontos do colchão, retalhado. Imaginou o que teria acontecido se não tivesse aceitado a oferta de Cordélia de sair aquela noite.
Mas o que acontecera com ela momentos antes também não fora nenhuma brincadeira. Sentiu-se mais uma vez encurralada.
Levantou-se, foi até a sala, mas chocou-se com a presença de Harry ainda ali, parado a soleira da porta, as mãos encaixadas no bolso e observando em silêncio todos os destroços do apartamento. Antes que ela pudesse formular qualquer pergunta sobre o motivo do qual ele ainda estava ali Harry notou sua presença.
- Vamos? – perguntou, desencostando-se da soleira.
- Vamos? – repetiu ela, incrédula. – Vamos aonde?
- Você não pretende passar a noite aqui, pretende? – alguma coisa naquela cena o incomodava, e ela teve a certeza agora de que Harry queria evitar seu olhar.
- Eu não pretendo passar a noite aqui. Eu vou passar a noite aqui. – sua voz saiu tremida.
- Por que você sempre dificulta as coisas? – perguntou agressivo, finalmente a encarando.
- Eu não estou dificultando nada! – disse em defesa contra aquela mudança brusca de humor. – Aqui é onde eu moro! O único lugar onde eu moro! Porque iria sair daqui? – foi a vez de Harry a encarar incrédulo.
- Será que não percebeu que isto não foi um assalto comum? – gesticulou com as mãos, como se estivesse mostrando a ela o estrago todo.
- Realmente... Não foi bem um assalto já que nada levaram, mas em geral, isso é normal por aqui. – começou, ainda sem entender a mudança dele. – Alguns jovens acham engra...
- Sabe, você costumava ser mais inteligente! – bradou, a assustando com sua voz exaltada. – Não foram jovens drogados do seu bairro que fizeram isso! Esse... “Assalto” teria acontecido nem que você morasse no Brooklin! – então o cérebro dela pareceu dar um clarão. Ele não estava preocupado com sua segurança e aquilo realmente não foi obra de jovens. Quem entrara ali, entrara para procurar algo.
- Não se preocupe, eu não trouxe nenhuma informação sobre o caso para cá! – disse cruzando os braços, como se isso fosse protegê-la do próprio tom magoado de sua voz. – Eu não sou tão idiota assim, e muito menos burra! – não admitiria que alguém atacasse sua inteligência. Não a sua.
- Pois é idiota a ponto de não imaginar que eles voltarão e se te encontrarem aqui irão te torturar até você falar tudo que sabe. Ah e é claro, logo após, te matarão. – nunca alguém lhe falara aqueles termos com tanta indiferença como ele acabar de fazer. – E eu não estou disposto a encontrar outra pessoa para te substituir! – a morena sentiu lágrimas prontas para saírem de seus olhos, mas recusou a chorar novamente na frente dele.
- Eu não... Tenho para onde ir. – murmurou, querendo apenas que ele não gritasse mais.
- Estamos em New York, sabe quantos hotéis tem por aqui? – ele não gritou, mas sua voz ainda era seca. – Mas acho que Cordélia já deve ter voltado, com certeza entenderá a situação.
- O quê? E por em risco ela também e assim te dar mais trabalho para procurar outra secretária? – ironizou, ofendida.
- Eu nunca colocaria a vida de Cordélia em risco. – a voz de Harry tinha uma fria naturalidade, e ela sentiu-se muito pequena com cada uma de suas palavras. – E em hotéis poderão te seguir, o melhor é que passe a noite com Cordélia. – resumiu. – Amigos são para isso. – ele pareceu querer deixar claro que não queria nada com ela a não ser seu dom em advocacia. Não eram amigos.
A morena balançou a cabeça.
Como se um dia pudessem ter sido







É pois é. Vou começar agradecendo imensamente Luciana, que betou esse capítulo, e eu simplesmente a amo! Realmente, ela é tudo de bom gente, betou a minha outra fic, e tadinha, esperou por anos a minha resposta.
Mas enfim, pelo menos agora já tenho beta. (e a MELHOR)

Falemos do capitulo...
Eu particularmente gostei, tem coisas importantes ai, e Hermione está começando a ficar confusa com certas coisas.
Prestem atenção ao passado dela, e aos pesadelos.
E Harry... bem, dá pra perceber que ele não a odeia tanto, embora tenha motivos (que vcs saberão mais pra frente... talvez nos próximos dois capitulos)
Ainda muitas aguas vão rolar, muitas pessoas vão aparecer e muitos acidentes e conversas ouvidas vão acontecer. E quando eu digo isso, leve tudo ao pé da letra.


Nick Granger Potter:
É Lost Memories é minha sina, mas continuarei ela sim ;). Agora, essa aki, vc realmente vai gostar ahhaha! Bem, dá pra se ver que mesmo que Harry a odeio, não tem tanta raiva assim, mas bem, já se passaram oito anos desde que... Eeer... hsauihsaiu, quase falo! =X Espero que tenha gostado do capitulo Nick, vc é uma das leitoras que mais espero que curta minha fic! =D
Angélica granger potter:
Aos poucos, mas vai ter sentido ashuashuas juro! Aii brigada Angélica, que bom que gostou! Espero que goste ainda mais dos próximos e desse ai também! ;)


Sabe, essa fic já está inteiramente completa na minha cabeça, até as falas, juro. Só que eu tenho muito pouco tempo para escreve-la e passa-la para o pc. Eu estou estagiando e estudando e trabalhando ainda! De final de semana eu tenho compromissos com a rede salesiana aqui de São Paulo, então, o único horário que eu tenho livre é domingo de tarde, e se eu conseguir ficar acordada, de madrugada.
Mas eu faço um esforço enorme pra vir aqui e sempre estar em dia com a atulização, simplesmente porque vocês me motivam muiito! E eu adoro o comentário de vocês!
E o pior, nem sempre a minha internet funciona ¬¬, o que complica mil vezes né!
Maaaaaaaaaas... a falta de tempo parece que me da mais criatividade, e o comentário de vocês mais ainda!
Continuem comentando tá?!
Grandes surpresas virão!

Espero sinceramente que tenham gostado e não me achado uma completa maluca com essa fic, que ainda parece sem pé nem cabeça! ;)


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