O terminal marcava 19:20 no relógio central. Luísa acabava de pousar em Nova Iorque. Após uma semana de ansiedade, planos e noites sem dormir, ela estava lá. Logo estaria em uma cama abraçada com o garoto que estava destinado a ser o homem de sua vida.
- Fez uma boa viagem, querida? – perguntou a Ana, a mãe de Frank. – Havia sido ela a peça chave para toda a surpresa. Luísa combinou todos os detalhes da viagem com a sogra e a mesma havia ficado animada com a idéia de Luísa. A mãe do garoto tinha certeza de que ela era a garota quem faria Franklin sorrir nas próximas décadas.
- Sim, dormi boa parte do vôo. Só estou ansiosa agora. – confessou a menina enquanto mordia os lábios.
- Eu imagino, o Frank vai adorar a surpresa. Desde que nos mudamos para cá, ele só pensa em voltar para ver você. – disse Ana enquanto botava as malas com a ajuda de Luísa no porta-malas.
- Eu penso nele todos os dias, sei que é com ele que devo passar o resto de minha vida. Não consigo parar de pensar nos olhos dele, no abraço apertado e principalmente, no sorriso maravilhoso que ele tem. – disse Luísa apaixonada.
A mãe do menino sorria enquanto ouvia as declarações de Luísa. De fato, Ana estava emocionada, sempre quis que o filho encontrasse alguém que não partisse-lhe o coração e Luísa era a garota certa. Não era difícil perceber que ela faria Franklin feliz.
- Que horas ele vai para a festa? – perguntou Luísa, se referindo a festa de Halloween do colégio do namorado.
- Ele sairia de casa as 20:00. Você sabe qual será a fantasia dele não é? – perguntou Ana sorrindo.
- Sim, o super herói favorito dele: Homem Aranha. – a menina riu, pois achava fofa a paixão por quadrinhos do menino.
- E você, que fantasia irá usar? – perguntou a Ana.
- É uma surpresa. Foi difícil achar a fantasia, mas agora só preciso fazer o penteado. – disse a menina.
- Assim que estiver pronta é só me avisar que levo você até a festa. Queria poder gravar a reação dele ao ver você, mas não quero estragar o momento. – declarou Ana Luísa. – Você ficará quanto tempo em Nova Iorque, Luísa?
- Ficarei por uma semana, se você não se incomodar é claro. – respondeu Luísa.
- Claro que não, será um prazer. E quando você enjoar do Franklin, o que eu acho difícil, podemos sair para fazer compras. – sugeriu a sogra, que estava sendo muito simpática e gentil com Luísa, o que fez com que a mesma se sentisse mais tranqüila.
- Será um prazer, adoro fazer compras ainda mais em Nova Iorque. – disse Luísa rindo.
Logo ambas estavam em casa. A casa dos Brandoff’s era realmente expendida. Era uma mistura de designe moderno e arquitetura gótica italiana. Luísa ficou encantada com toda a mobília e toda a decoração, era a casa dos seus sonhos. No caminho para o quarto do garoto havia fotos dele quando criança. Ele havia sido uma criança linda e vê-lo sorrir naquelas fotografias aumentava a sua ansiedade para abraçá-lo.
Luísa ficaria no quarto de hospedes então tratou de deixar suas malas por lá. O quarto não era muito grande, porém, era lindo. Aparentemente, havia sido arrumado e decorado especialmente para ela. A mãe de Franklin sorria na porta, os olhos da mesma expressavam a felicidade em ver que o filho finalmente tinha alguém com quem poderia passar o resto dos seus dias.
- Fiquei a vontade, se precisar de alguma coisa, é só me chama. – disse Ana ao sair do quarto.
Luísa se sentou na cama e ficou a olhar as flores sob penteadeira, a menina sorriu. Não podia conter o sorriso sabendo que dentro de algumas horas estaria nos braços do amado outra vez. Portanto, tratou de se arrumar rapidamente. Tomou banho e fez o penteado.
Uma hora depois a menina vestia a fantasia que havia comprado. A fantasia também era parte da surpresa, já que Luísa sabia que o menino iria gostar. Sem mais demoras, a menina foi até a sala anunciar para a mãe do menino que poderiam ir para a festa.
Ao chegar à sala atraiu os olhares de Ricardo e Ana, suas bochechas coraram um pouco, mas sorriu.
- Meu filho, vai adorar essa fantasia, acertou em cheio. – disse Ricardo sorrindo.
- Vamos logo, quero ver o meu filho voltar por aquela porta com um sorriso no rosto. – confessou Ana.
Ambas desceram pelo elevador e logo já estavam no carro. Luísa estava deslumbrante. O cabelo, a maquiagem e a fantasia estavam perfeitas. Porém, ela não conseguia controlar a ansiedade. O colégio do menino já estava a vista, havia uma movimentação e luzes por lá. Havia chegado a hora.
- Obrigada por tudo. – agradeceu Luísa ao sair do carro.
- Obrigada a você, por fazer isso pelo meu filho. – retribuiu Ana.
Luísa foi em direção a portaria e logo estava na quadra de esportes, que era onde estava acontecendo à festa. Porém, não parecia mais uma quadra, e sim um cenário de filme de terror. Vários personagens de cinema espalhados pelo salão, teias de aranha e abóboras por todos os lugares.
O lugar estava cheio e Luísa já estava perdendo as esperanças em encontrar o garoto, estava com o celular na mão com a idéia de ligar para o mesmo e marcar um determinado lugar para encontrá-lo. Até que ao fim da quadra viu um garoto vestido de homem aranha com um copo de bebida na mão. Era ele. Ela tinha certeza. Então, partiu em sua direção.
As luzes batiam em seu caminho e apesar do salto, ela corria na direção do amado. Ela estava tão perto dele agora e só queria o abraçar. Sua fantasia atraia todos os olhares. A menina havia se fantasiado de mulher maravilha, por razões obvias. Desde o penteado até os braceletes, ela estava deslumbrante e todos admiravam isso.
Faltavam apenas cinco passos para que a menina estivesse nos braços do namorado, até que Fo empurrada por uma garota de peruca ruiva. Ela estava tão extasiada por estar a poucos centímetros do namorado que nem ligou, pelo menos naquele momento.
Um flash de luz bateu nos olhos de Luísa e quando ela abriu os olhos, viu a garota ruiva beijando o seu homem aranha. Não podia ser. Seus olhos deviam estar confusos. Com toda certeza aquele garoto fantasiado não era Franklin. Ele jamais faria aquilo com ela. Mas ela não podia simplesmente voltar a procurar outro garoto com a mesma fantasia. Ela precisa ter a certeza de que tudo estava bem.
- Franklin? – chamou Luísa quando se aproximou do garoto.
A princípio o menino pensou que era apenas uma impressão sua, mas ao olhar viu que Luísa estava na sua frente. Ele só poderia estar delirando, ela estava a milhares de quilômetros. Anne, a garota ruiva o abraçou e o envolveu em um novo beijo. O menino correspondeu, só poderia ser uma ilusão da sua consciência.
Luisa ao ver a cena, respirou fundo. Pensou em milhares de coisas que poderia fazer, ir embora talvez fosse a melhor solução. Tentar esquecê-lo e nunca mais entregar o seu coração a nenhum garoto. Em qualquer outro momento, ela faria isso, mas não hoje.
- Desculpe-me por atrapalhar, mas eu queria falar com você, garota. – disse Luísa se aproximando de Anne.
- Por acaso eu conheço você? – perguntou Anne sem entender nada.
- Não? Quer dizer que além de tudo ele não te contou sobre mim? – perguntou Luísa com ironia e encarando Franklin nos olhos. – O garoto parecia se esquecer de como se respirava, seus olhos estavam arregalados e sua boca tremia.
- Não. Pode me explicar o que esta acontecendo? – perguntou Anne.
- É que esse garoto com o qual você está é meu namorado. – disse Luísa sorrindo. – Mas não se preocupe, só quero te dizer para tomar cuidado. Porque ele vai dizer que te ama e que quer ficar com você para sempre, mas quando aparecer à primeira vadia, ele vai esquecer que você existe. – disse Luísa encarando Frank.
- Franklin, o que você tem a dizer sobre isso? – perguntou Anne.
- Olha, eu não sei como explicar. Eu namoro a Luísa há algum tempo e com me mudei para cá, nós afastamos e eu acabei tendo uma recaída com você, consegue me entender? – disse o menino tropeçando nas palavras.
- Franklin, você mal sabe o que está dizendo. Sinceramente, você é a maior decepção que eu já tive na minha vida. – disse Luísa encarando o menino.
- Luísa, não diga isso. Você sabe que eu sou diferente. Isso aconteceu, mas não vai se repetir e foi apenas um momento de fraqueza. – disse Frank tremendo.
- É claro que você é diferente dos outros. Você é o pior de todos eles. Você pode ter até me amado, mas foi só você ficar alguns dias longe de mim que você me esquece e vai pegar uma vadia qualquer. E se eu não aparecesse aqui hoje, Franklin? Até quando você iria me enganar? – a menina suspirou. Luísa nunca esteve tão confiante e segura de si. – Prometi que iria te esperar o tempo que fosse preciso e até resolvi fazer uma surpresa para você. Estar com você no seu aniversário e vestida assim. – ela olhou para si mesma com a fantasia. – Ridícula e patética, eu sei.
- Luísa, eu sei que você não vai acreditar agora, mas eu te amo. – disse o menino com lágrimas nos olhos.
- Eu nunca deveria ter acreditado nisso. – respondeu Luísa, que em seguida saiu andando pela multidão.
Franklin até tentou ir atrás dela, mas foi em vão. Quando chegou a rua, o taxi já estava virando a esquina. O menino sentou-se na calçada, um dos seus maiores pesadelos estava acontecendo nesse Halloween. E a causa do seu medo não eram bruxas ou demônios, e sim o seu próprio eu.