Algumas pessoas dizem que a vida é como uma montanha russa, cheia de altos e baixos, não me leve a mal, mas isso é tão clichê, tão previsível. Mas eu não discordo, a vida é uma montanha russa, cheia de voltas e adrenalina, algumas pessoas aproveitam ao maximo uma única volta, outras se borram de medo de que algo vá da errado, mas tudo vai ter um fim, não importa o quão vivo você se sente ao andar nela, o final para todos é o mesmo.
A vida que vivemos é uma só, não importa se você acredita em reencarnação, essa vida que você vive é única, você não pode voltar no tempo ou avançar, é cada momento de cada vez, uma única escolha de cada vez, um sorriso de cada vez, tudo é único, ate mesmo os momentos ruins, por que aprendemos com eles, crescemos com eles e decidimos se aqueles momentos farão parte da nossa historia como os momentos em que nos tornamos fortes e evoluímos.
Não vou mentir a vida não é fácil, desde o inicio você luta, seja para ser o espermatozóide vencedor, seja para que por um único dia ser notado por alguém que você ama. Mas não devemos nos jogar para baixo a primeira dificuldade, não devemos achar que o mundo acabou no primeiro não que levamos, é doloroso eu sei, mas como já disse, cabe a você escolher se isso te afeta ou te fortalece.
Não existem contos de fadas, o príncipe encantado sem defeitos não existe, o corcel branco e impetuoso não passa de fabula e a madrasta má nem sempre é tão má assim. O príncipe é imperfeito, bebe com os amigos, às vezes te ignora, te chama de mimada, mas no fundo ama todos os seus defeitos, não importa qual a sua aparência, loiro, moreno, magro, gordo, careca, ele sempre fará de tudo para que se sinta amada e respeitada, lhe fará ver que no mundo dele você é a coisa mais importante.
Ame quando os outros dizem para odiar, respeite quando todos desrespeitam, ajude quando todos viram as costas, seja diferente, faça a diferença.
A 16/02/2005
Draco estava sentado analisando alguns papeis em sua mesa. Desde o fim da guerra e de seu julgamento onde fora inocentado ele passou a dedicar sua vida a entender a mente humana.
No começo foi irônico perceber que teria de começar pelo meio trouxa, formando-se em um lugar totalmente desconhecido por ele e em um assunto que ate então ele só tinha teorias de como era.
Com o passar dos anos, aprimorou-se no assunto, agora era o que os trouxas chamavam de Psiquiatra, Dr. Draco Malfoy. Seu pai passou a ignorá-lo depois de comunicar-lhe sua decisão e com a morte de sua mãe só distanciou-se ainda mais dele.
Agora trabalhava no St. Mungus como curandeiro, enquanto fazia o curso para psiquiatria, também se esforçava para ser um curandeiro.
Suspirou quando a porta de sua sala abriu e por ela passou sua pequena assistente, Roxanne Lewis. Draco sorriu ao ver a garota, ela era tão sorridente que às vezes ele sentia-se desconfortável com isso.
- Dr. Malfoy. – Ela chamou, sua voz era baixa e um pouco rouca. – Trouxe os exames que me pediu. – Levou algum tempo para Draco acordar, ele jamais cansaria de admirar aqueles belos olhos cor de mel que sempre brilhavam, sempre traziam alegria estampados.
- Ah claro Srta. Lewis. – Ele falou serio e pegou os papeis que a moça estendia a ele. – Checou o Sr. Portus? Deus sabe como estamos tendo problema com aquele homem. – Falou um pouco cansado.
- Ele esta bem como sempre, sem alterações ou novos sintomas. – Roxanne sorriu. – E reclamando como sempre, quando ele começar a nos dizer o que fazer poderemos liberá-lo.
- Obrigado Srta. Lewis. – Draco deu a deixa para a moça sair da sala.
- Estou aqui para isso Dr. – Ela sorriu ainda mais. A moça caminhou ate a porta e antes de fechá-la disse algo que deixou Draco um pouco surpreso. – Se não fosse meu chefe Dr. Malfoy eu o chamaria para tomar alguma coisa comigo depois do expediente. – De relance o rapaz loiro viu um brilho diferente nos olhos da moça.
Já era tarde quando o corpo do ex-comensal finalmente foi tirado do átrio do ministério. Tiveram que dar o dia de folga, uma vez que precisariam investigar quem fizera isso e como entrou no ministério com um corpo e o deixou lá.
- Oi. – Harry sentiu o coração pular ao ver Hermione parada a sua porta sorrindo para ele. – Incomodo?
- Sabe que não Mione. – O rapaz sorriu e indicou a cadeira para a moça sentar.
- Eu gostaria que essa fosse uma visita de cortesia Harry, mas não é. – O semblante da castanha era cansado, como se não houvesse dormido. – Após encontrarmos o corpo de Parker investiguei alguns arquivos que temos aqui, encontrei em um jornal trouxa do ano passado uma serie de assassinatos com a mesma assinatura. – Harry a encarou preocupado.
- Nosso criminoso é trouxa? – Ele perguntou confuso.
- Não, ele é bruxo, afinal encontrou o ministério e conseguiu deixar um corpo daquele tamanho aqui dentro. – A castanha suspirou. – O que estou tentando dizer é que nosso criminoso é um justiceiro, todos os mortos de alguma forma cometeram algum crime, mas foram inocentados pela justiça tradicional.
- Então deveríamos agradecê-lo não? – Harry levantou-se e começou a caminhar pela sala. – Livrando o mundo de pessoas que mesmo após cometerem algo ruim conseguiram sair livre. – Suspirou chateado, jamais agraciaria a morte de alguém, morrer sem duvidas era um destino ruim o bastante para quem vive de transgressões, mas não podia evitar sentir certa satisfação por dentro, o mundo estaria melhor sem pessoas ruins que insistiam e tornar mais cruel o mundo que já era ruim o bastante.
- A questão não é essa Harry. – Hermione falou seria. – E um crime tirar a vida de uma pessoa, não importa o quão ruim ou podre essa pessoa é, todos merecem a vida e cabe a nos, pessoas competentes assegurar isso.
Por um momento Harry detestou a postura humana da amiga, mas ao olhá-la, seus olhos castanhos, sua pele branca e tão delicada, seus lábios apertados por defender algo que ela definitivamente odiava fez com que o rapaz respirasse fundo para acalmar os nervos, ele sabia que esse novo mistério lhe daria mais dor de cabeça e afirmar que prefere criminosos mortos a estarem presos lhe traria sérios problemas no departamento.
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Harry estava exausto, a comoção criada pelo caso do que agora eles sabiam serem um serial killer – obrigado Hermione – estava acabando com ele. Se achava que assinar documentos em uma cadeira desconfortável era desgastante era porque ela ainda não tinha tentado dominar todo um departamento em plena atividade sendo ele tão novo.
Já havia quase um mês que ele estava fazendo o papel de chefe de departamento, mesmo sendo apenas o vice chefe, já que o verdadeiro chefe, o carismático, Peter tinha contraído varíola de Dragão. No começo só tornava sua já terrível missão ainda pior, já que teria que ler e escrever e assinar não só os seus, mas os relatórios do chefe também, mas agora tinha que realmente comandar os aurores, dividir grupos de busca, dar ordens, distribuir missões, e mesmo com a ajuda de Hermione ele estava pirando.
- Harry! – a voz da castanha o chamou de volta da imensa bagunça de papeis e pensamentos que estava seu gabinete.
- Veio pegar aqueles relatórios? Eu já os pego, deixa eu só os achar e...– mas o moreno não completou, já que a voz se perdeu enquanto tentava achar os malditos documentos.
- Eu não vim pegar os relatórios Harry, vim lhe chamar, o ministro está pedindo que estejamos na sala do Peter daqui há cinco minutos.
- Sala do Peter? – ele perguntou confuso, desde que o mais velho fora internado, sua sala continuara intocada, já que Harry preferia trabalhar no próprio escritório.
Mas preferiu não questionar, já que o assunto parecia serio, então, cinco minutos depois, após Harry finalmente tinha achado sua gravata – como ela havia ido parar dentro da penseira? – eles se dirigiam apressados para a sala de Peter.
- King? Chamou?
Harry entrou sem bater, o apelido do ministro saindo sem sentir, mas calou-se quase imediatamente quando percebeu que o negro não estava sozinho.
O outro homem, que estava confortavelmente sentado na mesa de Peter o olhou quando se viu interrompido, e Harry teve que conter um arrepio quando olhos verdes cravaram-se nos seus, era como se tivesse olhando para o oposto das próprias esmeraldas, enquanto seus olhos eram escuros, brilhantes, cálidos, embora ultimamente estivessem sempre cansados, o dos homens eram da cor verdes muito claros, como um lago pela manhã, e como um lago seus olhos pareciam, parados e...frios.
O outro não devia ser muito mais velho que ele, 28, 29 anos no máximo e era o tipo de cara que os homens costumavam odiar, simplesmente porque era bonito demais, a túnica cara caia pelo seu corpo perfeitamente, desenhando seus braços fortes e ombros largos, o rosto, de traços masculinos se equilibrava perfeitamente entre um nariz reto, queixo quadrado e um maxilar bem desenhado, e os olhos que era um espetáculo a parte se fundiam perfeitamente com os dourados cabelos bem cortados.
Hermione foi a primeira a se recuperar, embora seu rosto estivesse corado, e Harry preferiu não imaginar no que ela estava pensando.
- Quem é ministro?
- Esse minha cara Hermione, é Clark Odwin, seu novo chefe!
Era como das outras vezes, tudo estava escuro, frio, aterrorizante. Sabia que não tinha escapatória, a cada dia esses momentos na escuridão ficavam mais frequentes, por mais que gritasse, lutasse, chorasse ameaçasse, a escuridão não passava. O pior dos casos foi o que levou um mês, um mês na completa escuridão, sem poder pedir socorro, por que não é possível escapar da sua própria mente.
A 18/02/2005
N/H: Depois de séculos sem dar sinal de vida, eu apareço, me desculpem pela demora e digo que vou me esforçar pra não abandonar a historia!
Obrigada pelos comentarios!