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61. A profecia.


Fic: Até o amanhecer.


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Desistir era fácil, afinal ela tinha todos os motivos para fazer isso, mas o amor que sentia por ele era maior do que qualquer coisa, ela só precisa ter uma certeza vinda do garoto. Apenas uma frase, uma afirmação e ela esperaria para sempre.


 - Desculpe por ter falado tudo aquilo para você, eu não tenho direito de fazer isso. Afinal, eu nem conheci o garoto. – disse Rachel quando a aula terminou e as duas saiam da sala.


- Tudo bem, eu te entendo. E você está certa, é só que eu não consigo esquecer tudo e seguir em frente. Talvez quando o meu último fio de esperança se quebrar, eu faça isso. – respondeu Luísa sorrindo e logo em seguida abraçou Rachel.


Rachel abraçou forte a menina e respirou fundo. Era difícil não falar sobre algo que estava na sua mente o tempo todo. Porém, só o tempo poderia dizer se isso era o melhor a se fazer. Ela sabia que Luísa iria sofrer, mas não podia partir o coração da menina com a verdade.


Luísa foi para casa, estava fraca, já que não havia comido nada. Portanto, logo quando chegou em casa, almoçou. Em seguida, se trancou no quarto. Queria ficar sozinha, colocar a cabeça no lugar e esquecer o mundo lá fora. Quando estava quase dormindo, o seu telefone tocou.


- Alô? – disse a menina sonolenta ao atender.


- Oi, tudo bem? – perguntou uma voz conhecida do outro lado da linha.


- Tudo e você? – respondeu Luísa com a voz tristonha. – Ela não esperava ouvir a voz dele tão cedo, mas não podia negar que estava feliz e que sua vontade era esquecer tudo que havia acontecido antes. Porque agora, ele estava ali.


- Bem. – respondeu o menino, que aparentemente, sentia o mesmo. – Suas mãos suavam e ele media as palavras à medida que iam saindo de sua boca. Frank tinha muitas coisas a dizer, mas não sabia como fazer isso.


Os dois permaneceram em silêncio por alguns minutos, apenas ouviam a respiração um do outro com os olhos fechados. O coração estava batendo no ritmo certo agora, no pensamento apenas as lembranças de dias felizes. Havia muito mais do que amor, havia uma dependência monstruosa. Um não viveria sem o outro, essa era a profecia. O orgulho tinha ido embora, a mágoa deixou apenas lembranças. Era como a Guerra Fria, depois das bombas, tiros e dor, veio o frio, o frio das palavras, o vazio entre as falas, a nostalgia. A guerra estava terminando, pelo menos, por agora.


- Eu tentei de todas as formas fazer com que você ficasse. Eu tentei de todas as formas não te deixar ir. – disse Luísa quebrando o silêncio.


- Tudo me faz lembrar seu sorriso, tudo me faz lembrar de nós dois. Eu abri mão de você, eu te deixei e só eu sei o quanto isso me custa até hoje. – desabafou Frank, com lágrimas nos olhos.


- Eu quero você aqui perto de mim, quero sentir teu cheiro, tua pele, tua boca. Não abra mão de mim, não abra mão de nós dois. – suplicou Luísa aos prantos. – Ela precisava falar, essa era a hora, ela não poderia o perder para sempre.


- Não me deixe escapar de você outra vez. Acredite em mim, nós fomos feitos um para o outro, abra o seu coração e nos dê uma chance. Eu sei que você não aguenta mais ficar sozinha, que sente minha falta, assim como eu. – disse o menino com lágrimas escorrendo pelo rosto. – Ele sabia que o orgulho não deveria prevalecer, era idiotice. - Eu não vou te deixar mais sozinha, eu sempre estarei aqui, eu não vou te deixar ir e não me deixe ir. E se não for amor? Seremos só nós dois. Segure a minha mão, confie em mim, fique comigo.


O silêncio voltou a reinar. Luísa sorria entre as lágrimas, essa era certeza pela qual ela buscava, agora ela poderia esperar para sempre, agora ela sabia que tudo valeria a pena. Sua vontade era abraçar o garoto e nunca mais o deixar partir. Ela ficaria com ele, até o fim. E ele, não a deixaria desistir.


- Eu estou com você. – respondeu a menina entre lágrimas e sorrisos.


- Isso é tudo o que eu queria ouvir. – declarou o garoto com um sorriso no rosto.


- Eu vou te esperar, nem que eu espere por toda a minha vida. – disse Luísa.


- Não. Eu não quero que me espere a vida toda, porque eu quero estar ao seu lado. Quero acordar e dormir com você. Fazer o seu café da manhã, te cobrir todas as noites e ficar olhando você dormir pela manhã. – disse o menino.


- Eu apenas quero ter você ao meu lado. E sei que assim será. Muitas tempestades estão por vir, mas se você estiver comigo, eu sei que aguentaremos. – declarou Luísa.


- Não quero te perder. Faz só alguns dias que estou longe de você, mas sinto como se a cada dia o meu coração parasse de bater aos poucos. Eu sinto a sua falta, e me sinto um idiota por ter te abandonado.  


- Você é um idiota, mas eu te amo e não posso viver sem a esperança de te ter outra vez ao meu lado. Eu preciso sustentar a ideia de que fomos feitos um para o outro e que terei você para sempre ao meu lado.  – disse Luísa que olhava para os quatro cantos do seu quarto e percebeu que ele estava vazio, assim como os seus olhos.


- Me perdoe por fazer você chorar e sofrer, eu prometo que tudo ficará bem, só precisa acreditar em mim. – disse ele.


Luísa acreditava no garoto e iria acreditar até o fim. Mas nem tudo é apenas um raio de sol, algumas nuvens sempre aparecem acompanhadas de um coração partido. O destino é maléfico, incrédulo, relutante e preciso, não havia nada para se fazer, tudo já estava previsto. Desde as lágrimas aos sorrisos. 

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