Um dos piores dias estava clareando para Luísa. Eram à volta as aulas. No último volta às aulas ela havia o conhecido. Era um grande motivo para ela faltar ou até mesmo mudar de colégio. Afinal, todos os lugares tinham um pedaço de ambos.
- Bom dia, amiga. – disse Marianna enquanto lhe dava um beijo no rosto.
- Bom dia! – respondeu Luísa com um sorriso no rosto, o que era inédito de se ver.
O relacionamento de Luísa e Frank permanecia firme, apesar da distância. Os dois trocavam e-mails todos os dias e a falta ia se amenizando aos poucos. Ela podia sorrir, apesar de tudo.
- Me desculpe! - disse Luísa que por estar distraída acabou tropeçando em alguém.
- Tudo bem, sem problemas - disse a menina sorrindo.
Luísa continuou seu caminho em direção a sala, até que ouviu uma voz.
- Hey! Pode me dar uma ajuda? É que hoje é o meu primeiro dia e não sei onde fica minha sala. - ela deu uma risada e fez uma careta em seguida.
Um dejavú passou pela sua mente. Era como se ela estivesse revivendo o momento em que conheceu Franklin. Besteira, pensou. Isso só estava acontecendo porque ela não pensava em outra coisa que não fosse o garoto.
- Ah, tudo bem, eu posso tentar te ajudar. Qual é a sua sala? – perguntou Luísa sorrindo.
- Eu acho que é CFT34, uma coisa assim. – disse a menina dos olhos castanhos.
Ela era uma garota comum. Cabelos e olhos castanhos, porém, tinha um sorriso inocente e sincero. Vestia uma blusa branca, um jeans preto e um All Star vermelho. Havia muitas coincidências ou estava ficando louca.
- É a mesma sala que a minha. E bom, a aula já vai começar. – respondeu Luísa perplexa.
- Meu nome é Rachel, e o seu? - disse a garota.
- Ah, meu nome é Luísa. - ela estava perdida no olhar sincero que a garota tinha. – Nome americano também é? – a menina deu um sorriso torto.
- Ah, é sim! Mas porque o “também”? – perguntou Rachel enquanto ia para a sala junto com Luísa.
- Longa história, e você me consideraria paranoica se soubesse. – declarou Luísa, desta vez sorria de verdade.
- Eu gosto de longas histórias e não me importaria de ouvir a sua. – disse Rachel sorrindo.
- Talvez mais tarde. – retribuiu o sorriso Luísa.
As duas garotas entraram na sala e logo o professor de Geografia deu as boas vindas a turma. Luísa não conseguia se conter e passou toda a aula tentando observar a garota nova. Ela estava ficando louca. Era apenas uma garota, uma garota. Logo em seguida os professores de Biologia e História deram suas respectivas aulas e introduziram o conteúdo.
- Então é isso turma, vejo vocês daqui a dois dias. Tenham um bom dia. – disse o professor de História se despedindo quando o sinal bateu.
Rachel ia saindo da sala em direção até o pátio. Como Marianna já havia saído, Luísa foi atrás da menina. Não havia problemas nisso, afinal, ela parecia ser uma boa garota.
- E então, gostou dos professores? – perguntou Luísa quando se aproximou da menina.
- Gostei sim, só achei que o professor de Biologia tem uma autoestima muito baixa. – disse a menina rindo da própria ironia.
- Com certeza, nem me fale. – Luísa também sorria.
- Pode me dizer onde fica a cantina? – perguntou Rachel.
- Claro, posso te levar até lá. – respondeu Luísa.
As duas foram para a cantina e se sentaram em uma mesa próxima a mesa onde Frank e Luísa sempre se sentavam, o que fez com que a menina tirasse o sorriso do rosto. A falta dele era inevitável, ela precisava dele e ele estava à milhas dali.
- O que houve? – perguntou Rachel que percebeu a tristeza repentina da menina.
- Não é nada. – respondeu Luísa com o olhar vago.
- Me diz. – disse Rachel olhando os olhos da menina.
- Se lembra da longa história que eu havia comentado? – a menina olhava para o vazio. – Em um dia como este, eu conheci um garoto. E não era um garoto qualquer, era o meu garoto. E então, durante todo um semestre eu vivi um romance incrível com ele, digno de cinema. Com drama e paixão intensa, porém, ele foi embora. – as lágrimas invadiam seus olhos. – Não foi uma escolha ou uma consequência dele, foi apenas uma brincadeira de mau gosto do destino. Ele está em outro país e eu estou aqui, respirando o cheiro, olhando por todos os lados e me lembrando dele.
Rachel não dizia uma palavra apenas olhava a menina que havia acabado de conhecer caindo aos pedaços na sua frente. Ela precisava fazer algo, mas como e o que? Ela apenas sabia que deveria fazer.
- Não se sinta assim. É como dizem, depois da tempestade vem à luz do sol e até mesmo um arco-íris com um pote de ouro no final. Portanto, as coisas vão melhorar, acredite em mim. Pode parecer besteira se levarmos em conta que acabamos de nos conhecer, mas eu sei que tudo isso vai passar. – disse Rachel olhando para a menina.
- Eu nunca tinha me sentido assim antes, tudo que eu faço, me lembra ele. – Luísa agora fitava o chão.
- Me perdoe, mas não se sinta assim. Pense no quanto foi bom estar com ele, em tudo que viveram e que não é necessário chorar. Você viveu algo que muitas pessoas desejam viver. Sinta-se uma pessoa de sorte. – a menina botou sua mão sob a de Luísa que estava na mesa. – Vai ficar tudo bem, sempre fica. Basta você tirar a tristeza e a solidão de foco. Porque não vale a pena ficar triste e você não está sozinha. – a menina sorriu.
Luísa retribuiu o sorriso. As palavras da garota desconhecida faziam sentido. Não havia motivos para lágrimas, afinal, ele voltaria para ela. E então, eles voltariam a ser felizes.
- Obrigada! – respondeu Luísa enquanto se levantava. – Você me ajudou muito. Te vejo amanhã! – se despediu dando um beijo na bochecha da garota.
Luísa não pedia muito do destino desta vez, não queria se surpreender, apenas não queria se decepcionar. E talvez, só talvez, o arco-íris estivesse mais perto do que ela pudesse imaginar.