Com todas as regras estabelecidas e as equipes formadas o colégio estava pronto para dar inicio a gincana. Era uma manhã radiante. O sol estava brilhando e o vento arrastava as folhas do carvalho pelo chão. As equipes estavam divididas entre azul e vermelho como de praxe. Luísa e Rafael pertenciam à equipe vermelha. Frank e Marianna pertenciam à equipe azul.
Todo o colégio estava animado e se destacavam com as cores de sua respectiva equipe. Luísa usava um short preto e uma camiseta vermelha, assim como Rafael e todos os outros. A equipe azul também fazia uso de faixas. Ambas as equipes tinham hinos de guerra e gritavam em forma de intimidação para os oponentes.
- Que vence os melhores, ou seja, nós. – disse Rafael abraçando Luísa pelo pescoço e rindo.
- Isso é o que você pensa! – disse Frank que não conseguia tirar os olhos da namorada.
Luísa achava tudo aquilo divertido e nem mais se lembrava de todos os seus problemas. O namorado se mostrava cada dia mais intenso e incrível. Ele sabia que tudo não passava de uma brincadeira feita pelo amigo, mas mesmo assim não conseguia não sentir ciúmes da namorada.
- Posso te dizer uma coisa? – disse o namorado quando estavam a sós.
- Claro, o que é? – respondeu a menina enquanto passava a mão pelo cabelo do menino.
- Eu sinto ciúmes de você. Sei que o Rafael só está brincando, mas não suporto a ideia de ter você do lado oposto ao meu. Não sei se vou aguentar ver você com aquele monte de garotos ao seu redor. – disse o menino mordendo os lábios e fitando o chão.
Os olhos da menina brilhavam e ela não conseguia desmanchar o sorriso que havia se formado em seu rosto. Frank era um garoto tão incrível e não teria porque ser inseguro, portanto, isso só mostrava o quanto o amor dele era verdadeiro e isso fazia com que Luísa se apaixonasse ainda mais por ele. Sendo assim, ela não disse nada, apenas o beijou. Era o suficiente.
O som de um apito ecoou por todo o pátio, era o inicio da gincana. As equipes se dividiram e antes de se separarem o casal se beijou e sussurrou um ao outro um “Boa sorte”. Todos gritavam e agitavam o pátio. Os coordenadores mal podiam ser ouvidos, devido aos gritos de guerra das equipes.
- Todas as equipes estão preparadas? – perguntou o professor de Educação Física eufórico. – A primeira prova será de raciocínio lógico. Escolham uma pessoa de cada equipe para representar o grupo.
Um turbilhão de nomes foi pronunciado. Pessoas corriam e buscavam alguém que pudesse ser capaz de responder qualquer pergunta sobre um determinado assunto. A equipe vermelha já havia escolhido o representante, que seria Luísa. A principio a menina estava envergonhada, mas com o apoio da equipe se sentiu mais confiante. A equipe adversária escolheu Lucas, um garoto do primeiro ano que era considerado um dos mais nerds do colégio.
Os dois foram para a bancada e a multidão gritava pelo nome de ambos. No meio de toda a equipe azul, Luísa conseguiu ver os olhos verde-oliva que ela tanto buscava. Ele estava sorrindo para ela, e falava algo como “eu acredito em você”, ela sorriu em resposta.
- O jogo funciona da seguinte forma: Serão feitas cinco perguntas e quem responder corretamente e primeiro, ganhara cinco pontos a cada pergunta respondida. – explicou o coordenador.
Os dois membros das equipes concordaram e se posicionaram na bancada. Luísa estava um pouco nervosa, mas quando olhou para a sua equipe viu Rafael gritando seu nome e dizendo que todos estavam confiantes nela. Um sorriso brotou em seu rosto e ela procurou por ele. Ele estava lá, e tinha um sorriso torto, como se não estivesse satisfeito com algo.
A prova teve inicio e Luísa logo respondeu a primeira e a segunda pergunta. A disputa começou a ficar acirrada, as torcidas havia se calado, todos esperavam pela ultima e definitiva pergunta.
- Quem é o atual presidente da Holanda? – perguntou o coordenador.
Lucas levantou a mão e se preparou para responder, o menino também estava nervoso.
- Jan Peter. – disse o menino.
A equipe azul já estava comemorando quando a bancada declarou a resposta errada. A equipe vermelha tinha mais uma chance de virar o jogo e ganhar. O nervosismo aumentou outra vez. Se Luísa errasse, iria ser feita outra pergunta com valor decisivo.
- Você sabe a resposta, Luísa? – perguntou.
- Sim. A Holanda é uma monarquia o nome de sua rainha é Beatriz e o primeiro ministro é Jan Peter Balkenende que é o que na pratica governa. Portanto, não a presidente. – respondeu a menina confiante.
- E a equipe vermelha marca o primeiro ponto da gincana. – avisa o coordenador.
Toda a equipe vibra e Luísa sorri para todos. Rafael vai em direção à menina e pega no colo. Os dois comemoram a vitória e ficam admirados com a inteligência da menina, que fica envergonhada.
Agora era a vez de o ensino fundamental disputar um prova também de raciocínio lógico, o que daria tempo para as equipes do ensino médio de prepararem para as próximas provas. Todos foram para a cantina, chegando lá Luísa pediu uma água, que foi paga pelo amigo.
- Parabéns. – disse o namorado que chegou por trás e lhe deu um beijo no pescoço.
A menina se arrepiou e sorriu. Esse era seu ponto fraco e ele o conhecia melhor do que ninguém. Mas o timbre da voz do garoto estava diferente.
- O que houve, meu amor? – perguntou a menina beijando a bochecha do namorado.
- Você sabe. – respondeu o namorado enquanto segurava as mãos da menina. – Eu sinto ciúmes de você, não suporto a ideia de ver outras pessoas te abraçando. Você é minha, entende? Só minha. – finalizou fitando os olhos da menina.
- Mas eu sou sua. Só sua. – ela sussurrou a ultima frase no ouvido do menino, que se arrepiou.
Luísa foi puxada pelo namorado que a beijou intensamente. Ela correspondeu e entre um beijo e outro declarou que não haveria premio melhor do que estar ao lado dele. O menino sorriu e agradeceu por ela ser tão incrível.
Logo, o coordenador estava convocando o ensino médio para mais uma prova. Desta vez era uma prova de resistência, ou melhor, insistência.
- A próxima prova é chamada “Jantar dos Ogros”. Funciona da seguinte forma, cada equipe escolhe um membro e este mesmo irá ter que comer 7 hambúrguer. O que se aproximar mais desse numero ou comer em menor tempo, vence a prova. – disse o coordenador.
Todos da equipe azul já sabiam quem seria o escolhido, Frank. Apesar de manter um ótimo físico o menino possuía um estomago de aço, assim como o amigo, Rafael, que também foi escolhido pela sua equipe.
Os dois foram para a bancada, onde foram postos todos os hamburguês. Haviam acabado de serem feitos, pois ainda estava quente. Frank sorriu e viu a namorada correspondendo. Era mais uma motivação para ganhar a prova, que não seria tão difícil para ele.
- Pronto para perder, amigão? – disse Frank para Rafael.
- Não mesmo! – respondeu o amigo sorrindo.
O coordenador apitou e foi dado inicio a prova. Os dois comiam rapidamente, viam-se pedaços de pão e hamburguês pelo chão. Frank estava a dois hamburgueses à frente de Rafael, que tentava recuperar o tempo perdido. As torcidas gritavam por ambos os garotos, exceto Luísa, que ao lado de Marianna estava chocada com a capacidade dos garotos.
Frank após alguns minutos levantou a sua mão. Ele havia terminado a prova, enquanto Rafael estava no sexto hambúrguer. O menino não hesitou em provocar o amigo, que o ignorou e disse que teria revanche. Toda a equipe azul comemorou a vitória do garoto, que olhou para a namorada e lhe deu um sorriso imenso.
- Você tem sorte por ter um garoto como ele. – disse a amiga.
- Eu sei. – disse a menina com os olhos brilhando. – Não sei o que seria da minha vida sem ele.
- Nem eu. – disse uma voz conhecida, era Rafael. – Por isso o deixei vencer, afinal, eu já enjoei de vencer ele. – o menino ria de si mesmo.
- Ainda usando essa desculpa, Rafael? – disse Frank que vinha chegando e foi logo abraçando a namorada. – Ela até funcionava quando estávamos no jardim, hoje não mais. – os quatro ficaram rindo.
Frank não se aguentava em pé, portanto, abraçou a namorada e recostou sua cabeça no ombro da menina que o acariciou.
- Eu te amo, muito. – seu coração acelerava todas as vezes que pronunciava essas palavras, e era reciproco.
Em um canto não muito longe dali Rafael e Marianna conversavam sobre a gincana e chegaram a provocar um ao outro, dizendo que essa gincana já estava ganha e a viagem também.
O coordenador convocou todas as equipes para a prova final, a prova que definiria a equipe campeã. Todos estavam ansiosos, afinal, ir para um resort não era uma má ideia. Todos foram para o pátio e viram um circuito armado, já era claro qual seria a última prova.
As equipes teriam que escolher um professor para representar cada uma delas. A equipe vermelha tratou de convocar o professor de Educação Física que aceitou. A equipe azul convocou o professor de Geografia, que aparentava ser o mais ágil dos que haviam sobrado. Todos os alunos foram para a arquibancada assistir a prova. Foi dada a largada e os dois professores correram em busca da vitória para suas equipes.
As torcidas gritavam e estimulavam os professores a acelerarem. O circuito possuía provas como escalação, saltos, equilibro e força. Logo, como já era de se esperar o professor de Educação Física venceu a prova e deu a vitória para a equipe vermelha.
A torcida ficou eufórica e como bons competidores a equipe azul aplaudiu a todos. Frank e Luísa logo se encontraram, a menina estava eufórica por ter vencido, já Frank, nem tanto. E não era pela prova, e sim por ter que ficar um final de semana longe da namorada.
- Eu disse que venceríamos! – disse Rafael para Marianna.
- É, vou ter que admitir que vocês foram melhores mesmo. Mas só porque a Lulu estava na equipe de vocês. – disse a menina rindo.
Perto dali, Frank abraçava a menina com força e um olhar perdido habitava seus olhos. A namorada percebeu e sabia do que se tratava. Portanto, pegou o rosto do menino com as mãos e o beijou. Sem se importar com quem passava ou estava por ali. Ela o beijava e mordia lhe os lábios.
- Você acha mesmo que eu vou te deixar? Pois se acha, está muito enganado. Não troco você por nada e acho melhor você aprender isso. – disse a menina olhando nos olhos verdes do garoto.
- Eu te amo. – foi o que ele conseguiu dizer e o que ela queria ouvir.